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Posted on 11-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-09-2019
Opinião

A divisão e a industrialização do trabalho manual e intelectual contribuíram para o advento de uma ‘mediocracia’, argumenta o filósofo Alain Deneault em seu último livro

 Alain Deneault
triunfo de los mediocres
Getty Images / Vetta CSA

 

Deixe de lado aqueles volumes complicados: os manuais de contabilidade serão mais úteis. Não se mostre orgulhoso, não seja inventivo nem dê sinais de desenvoltura: pode parecer arrogante. Não seja tão apaixonado: as pessoas ficam assustadas. E, o mais importante, evite as “boas ideias”: muitas delas acabam no triturador. Esse seu olhar penetrante dá medo: abra mais os olhos e relaxe os lábios. Não basta que as suas reflexões sejam pouco consistentes, têm de parecer pouco consistentes. Quando você falar sobre si mesmo, certifique-se de que entendamos que você não é grande coisa. Isso facilitará enquadrá-lo numa gaveta apropriada. Os tempos mudaram. Ninguém tomou a Bastilha, nem pôs fogo no Reichstag [Parlamento alemão], o Aurora não fez um único disparo. E, no entanto, o ataque foi lançado e teve êxito: os medíocres tomaram o poder.

O que faz de melhor uma pessoa medíocre? Reconhecer outra pessoa medíocre. Juntas se organizarão para puxarem o saco uma da outra, vão se assegurar de devolverem favores uma à outra e irão cimentar o poder de um clã que continuará a crescer, já que em seguida encontrarão uma maneira de atrair seus semelhantes. O que realmente importa não é evitar a estupidez, mas adorná-la com a aparência de poder. “Se a estupidez […] não se assemelhasse perfeitamente ao progresso, à habilidade, à esperança e à melhoria, ninguém iria querer ser estúpido”, disse Robert Musil.

Sinta-se à vontade para ocultar seus defeitos atrás de uma atitude de normalidade. Sempre afirme ser pragmático e esteja sempre disposto a melhorar, pois a mediocridade não admite a incapacidade nem a incompetência. Você deve saber como usar os programas, como preencher o formulário sem protestar, como se expressar espontaneamente e repetir como um papagaio expressões como “altos padrões de governança corporativa e valores de excelência”, e como cumprimentar quem for necessário no momento oportuno. No entanto, e isso é fundamental, não deve ir além disso.

O termo mediocridade designa o que está na média, assim como superioridade e inferioridade designam o que está acima e por baixo. Não existe a medidade. A mediocridade não faz referência à média como abstração, mas é o estado médio real, e a mediocracia, portanto, é o estado médio quando a autoridade está garantida. A mediocracia estabelece uma ordem na qual a média deixa de ser uma síntese abstrata que nos permite entender o estado das coisas e se torna o padrão imposto que somos obrigados a acatar. E se reivindicarmos nossa liberdade, isso servirá apenas para demonstrar quão eficiente é o sistema.

A divisão e a industrialização do trabalho —tanto manual como intelectual— contribuíram em grande medida para o advento do poder medíocre. O perfeccionismo de cada tarefa, para que seja útil a um conjunto inatingível, converteu charlatães em “especialistas” que enunciam frases oportunas com porções mínimas de verdade, enquanto os trabalhadores são rebaixados ao nível de ferramentas para quem a “atividade vital [ …] não passa de um meio de garantir a própria existência”.

[…] Laurence J. Peter e Raymond Hull foram os primeiros a testemunhar a proliferação da mediocridade por toda a parte de todo um sistema. Sua tese, O Princípio de Peter, que desenvolveram nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, é implacável em sua clareza: os processos sistêmicos propiciam àqueles com níveis médios de competência subirem para posições de poder, afastando em seu caminho tanto os supercompetentes como os totalmente incompetentes. Exemplos impressionantes desse fenômeno são vistos nas escolas, onde será demitido um professor que não for capaz de seguir um cronograma nem saiba nada sobre sua matéria, mas também será dispensado um rebelde que adote mudanças importantes nos protocolos de ensino para conseguir que uma sala de alunos com dificuldades obtenha melhores qualificações —tanto em compreensão de leitura, como em aritmética— do que os alunos de salas normais.

 O “analfabeto secundário” se vangloria de possuir um grande acervo de conhecimentos úteis que, no entanto, não o leva a questionar seus fundamentos intelectuais

E também vão se livrar de um professor não convencional cujos alunos completam o trabalho de dois ou três anos em apenas um. Segundo os autores de O Princípio de Peter, neste último caso, o professor é punido por ter alterado o sistema oficial de qualificação e, sobretudo, por ter causado “um estado de extrema ansiedade ao professor que deveria ser o responsável no ano seguinte pelo grupo que já realizou todo o trabalho”. Este é o processo que vai dando origem aos “analfabetos secundários”, para usar a expressão cunhada por Hans Magnus Enzensberger. Este novo sujeito, produzido em massa por instituições de ensino e centros de pesquisa, se vangloria de possuir uma riqueza de conhecimentos úteis que, no entanto, não o leva a questionar seus fundamentos intelectuais […]

A norma da mediocridade leva ao desenvolvimento de uma imitação do trabalho que estimula a simulação de um resultado. Fingir se torna um valor em si mesmo. A mediocracia leva todos a subordinarem qualquer tipo de deliberação a modelos arbitrários promovidos por instâncias de autoridade. Hoje figuram entre seus exemplos o político que explica aos eleitores que eles têm que se submeter aos desígnios dos acionistas de Wall Street; ou o professor universitário que considera que o trabalho de um aluno é “teórico demais e científico demais” quando excede as premissas que haviam sido expostas anteriormente em um PowerPoint; ou o produtor cinematográfico que insiste em dar a uma pessoa famosa um papel de liderança em um documentário sobre um assunto com o qual ela não tem nenhuma ligação; ou o especialista que demonstra sua “racionalidade” argumentando amplamente em favor do crescimento econômico (irracional). Zinoviev já estava ciente das possibilidades do trabalho simulado como uma força psicológica para alterar as mentes:

“A imitação do trabalho parece exigir apenas um resultado, ou melhor, a mera possibilidade de justificar o tempo investido: a comprovação e a avaliação dos resultados são realizadas por pessoas que participaram da simulação, que guardam relação com ela e têm interesse em perpetuá-la.”

Caberia pensar que uma característica comum entre aqueles que compartilham esse poder seria a de um sorriso cúmplice. Acreditando serem mais espertos do que todos os outros, ficam satisfeitos com frases carregadas de sabedoria, como:

“É preciso entrar no jogo”. O jogo —uma expressão cuja absoluta imprecisão se encaixa perfeitamente no pensamento medíocre— exige que, de acordo com o momento, a pessoa acate servilmente as regras estabelecidas com o único propósito de ocupar uma posição relevante no quadro social, ou que contorne com ufanismo tais regras —sem nunca deixar de manter as aparências—, graças a vários atos de conluio que pervertem a integridade do processo.

“Viejo Buenos Aires”, Roberto Goyeneche: apaixonada interpretação do notável e saudoso cantor argentino, em nostálgicas recordações da esplêndida e florescente cidade à beira do Rio da Prata, em versos da composição de Mariano Mores e Martin Darré, gravada em 1964. Tango para siempre. Confira!!!

(Vitor Hugo Soares)   

 

 

‘Viejo Buenos Aires’ (1964) Música: Mariano Mores Letra: Martín Darré *

 CELSO DE MELLO, STF REJEITA DENÚNCIA

Celso de Mello juntou-se a Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e formou maioria na Segunda Turma para arquivar uma acusação de tráfico de influência contra o ministro do TCU Aroldo Cedraz.

O decano disse não haver provas de que Cedraz teria atuado para favorecer a UTC — a PGR o acusa de receber R$ 2,2 milhões, repassados pela UTC a seu filho, o advogado Tiago Cedraz, para desobstruir a contratação da construtora para obras de Angra 3.

“Li com com muita calma e confesso que não há elementos mínimos de prova, mesmo nessa fase preliminar de conhecimento, a existência de dados de convicção, que ao sugerir, indiquem viabilidade da acusação penal”, disse Celso de Mello.

Acrescentou que, em sua delação, Ricardo Pessoa e outros executivos da UTC não citaram Aroldo Cedraz em seus depoimentos.

Votaram pelo recebimento somente Edson Fachin e Cármen Lúcia.

Do Jornal do Brasil

 

 O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (10) que não cabe num país democrático a declaração do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) segundo a qual, por vias democráticas, não haverá as mudanças rápidas desejadas no país.
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Rodrigo Maia (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Eu preferia nem comentar esse assunto, porque é uma declaração que não cabe num país democrático”, disse Maia a jornalistas ao chegar à Câmara. “Mas a gente viu o que aconteceu com a Venezuela, são mais de mil venezuelanos todos os dias passando a fronteira para o Brasil, pessoas passando fome, necessidade. É isso que deu a pressa da Venezuela sem um sistema democrático”, afirmou. 

Na segunda-feira, em postagem alvo de críticas de políticos e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Carlos escreveu: “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!” 

“Frases como essa devem colaborar muito com a insegurança de empresários brasileiros e estrangeiros”, afirmou Maia. “A gente tem que tomar cuidado com as nossas narrativas porque muitas vezes são além de frases mal colocadas, causam danos ao povo mais carente brasileiro.” 

Para o presidente da Câmara, é preciso que figuras públicas prestem mais atenção às falas. “A conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre”, disse. 

Maia tem evitado bater de frente com o governo de Jair Bolsonaro neste segundo semestre, e não havia se pronunciado até a tarde desta quarta sobre a declaração de Carlos. 

O entendimento de aliados do presidente é de que rebater declarações aumenta a visibilidade do vereador. O presidente tem adotado postura de não polemizar com as falas do Planalto. No caso da Amazônia, por exemplo, ele buscou se distanciar de Bolsonaro sem fazer ataques diretos ao presidente. 

A postagem inicial de Carlos Bolsonaro recebeu uma série de críticas. Além de Rodrigo Maia, falaram a respeito o presidente interino, Hamilton Mourão (PRTB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o governador paulista, João Doria (PSDB). 

Segundo pesquisa Datafolha feita no mês passado, 70% da população diz acreditar que os filhos de Jair Bolsonaro mais atrapalham do que ajudam seu governo. 

Nesta terça, Mourão defendeu a importância do regime democrático e disse que é possível aprovar medidas com mais celeridade negociando com o Poder Legislativo. 

O general da reserva salientou que, se não fosse o regime democrático, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não teria chegado ao comando do Poder Executivo e afirmou que o atual sistema político representa um dos “pilares da civilização ocidental”.

Para o presidente do Senado, as declarações como a de Carlos Bolsonaro merecem desprezo porque a democracia está fortalecida. “O Senado Federal, o Parlamento brasileiro, a democracia estão fortalecidos. As instituições todas estão pujantes, trabalhamos a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a este enfraquecimento tem, da minha parte, o meu desprezo”, reagiu Davi Alcolumbre.

Já Ciro Gomes cobrou uma declaração pública do presidente Jair Bolsonaro em relação à frase de seu filho, enquanto Doria disse pensar o oposto de Carlos. 

Diante da repercussão, Carlos Bolsonaro justificou nesta terça-feira (10) sua afirmação de um dia antes.

O vereador chamou jornalistas de “canalhas” por terem, segundo ele, interpretado de forma equivocada a frase postada por ele na segunda-feira (9). Disse ainda que a declaração sobre democracia se trata de uma justificativa aos que pedem mudanças urgentes, e não uma defesa dele da ditadura militar (1964-85).

“O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. CANALHAS! “, tuitou. 

As postagens de Carlos foram feitas enquanto seu pai está internado em São Paulo após passar por cirurgia no domingo (8), a quarta decorrente da facada que levou há um ano durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Carlos Bolsonaro pediu licença não remunerada da Câmara Municipal do Rio de Janeiro no último dia 6 de setembro. A comunicação foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da Casa. Desde sábado (7) acompanhando o pai, ele tem dormido no Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo.

Do Jornal do Brasil

 

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Bancos anteciparam cenário do governo para economia

O cenário da economia divulgado nesta terça-feira, 10 de setembro, pelo boletim macrofiscal da secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia – que elevou o crescimento de 0,82% para 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 e reduziu a taxa de inflação, medida pelo IPCA, de 3,8% para 3,6% – já tinha sido antecipado há mais de uma semana pelos dois maiores bancos privados do país.

Ainda no fim de agosto, logo após o resultado do PIB do 2º trimestre (+0,4%) sobre o 1º (-0,1%), o Itaú, maior banco privado do país, manteve em 0,8% a previsão de alta do PIB este ano e de 1,7% para 2020. E, apesar das recentes pressões vindas do dólar frente ao real (e as peso argentino), a queda dos preços das commodities (em dólar) neutralizou o impacto na taxa de inflação pelo IPCA, mantida em 3,6% para 2019 e 2020.

Na sexta-feira, 6 de setembro, o Bradesco reviu suas previsões para o PIB. Manteve em 0,8% a alta deste ano (sem o preciosismo das duas casas decimais, definido hoje pelo secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida); reduziu a taxa de 2020, de 2% para 1,9%; manteve a previsão da inflação deste ano em 3,5% e a de 2020 em 3,9% e apostou que, diante do cenário de baixa inflação e baixo crescimento, a taxa básica de juros (taxa Selic), atualmente em 6%, deve fechar 2019 em 4,75% e permanecer neste patamar até fim de 2020.

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Sponholz, no

 

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Depois de apoiar Bolsonaro na campanha presidencial, pentacampeão do mundo assume função voluntária na Embratur mesmo com passaporte retido por dano ambiental

Ronaldinho se encontrou com Bolsonaro em junho deste ano.
Ronaldinho se encontrou com Bolsonaro em junho deste ano.Marcos Corrêa (PR)

A função é voluntária, não prevê remuneração e faz parte de um programa da Embratur em que personalidades exercem o papel de embaixadoras de atrações turísticas do Brasil. De acordo com o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, o plano inicial é explorar o alcance das redes sociais do ex-craque, que acumulam mais de 100 milhões de seguidores. Nesta terça-feira, ele postou um vídeo promocional ressaltando que, entre outros atributos, o Brasil é o país do futebol e do Carnaval. A Embratur ainda estuda a possibilidade de Ronaldinho estrelar um reality show com turistas que desejam conhecer o país.

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