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CRÔNICA                                  

Carta aos amigos que votaram no mito

Como diria Dallagnol, “Caros”: talvez inspirado por umas aranhas que tecem suas teias nos galhos da aroeira que me sombreia, aproveito os últimos suspiros deste moribundo agosto para, igualmente, fiar minhas considerações a respeito desse bizarro momento, que desde janeiro acerta seus cartuchos de asneiras bem na cabecinha do bom senso. Antes, porém, abro um parêntese para refrescar a memória dos que me honram, esperando, por tabela, atenuar prováveis agressões que sofrerei daqueles que se sentirão ofendidos por aquilo que escreverei. Simbora.

Não, não votei em Haddad, e, sim, tenho a absoluta certeza de que Lula sabia, de cor e salteado, os mínimos detalhes das malandragens que pesam contra ele e coligados. Dito isso, sigo esta missiva assim como o velho trem seguia pelos caminhos do Pantanal. Em frente.

Quando ainda faltava um bom tempo para a eleição e, nas farras, intuí que seus dedos tendiam fortemente às teclas que fariam surgir na tela o rosto do capitão, confesso que fiquei sem entender muito bem qual a relação que isso tinha com o fato de que “só desse jeito o PT cai fora”, até porque outras opções, digamos, menos ruins, estavam postas na mesa onde a prudência, assustadíssima, almoçava um bom guisado de bode.

E aí, mesmo concordando com a ideia de não mais eleger a turma que pregava humildade e decência e, dias depois, já estava trocando os destilados de Vitória de Santo Antão e Pirassununga pelos tintos engarrafados na Toscana, comecei a desconfiar que, por trás dessa teoria do voto útil, havia uma espécie de comunhão com os pensamentos de Jair, já revelada, lembro bem, nas disputas dos Pastoris da nossa adolescência, quando a preferência da maioria era pelo cordão azul, uma vez que o encarnado, coitado, carregava a fama de ter a cor do inferno, cujo líder, fosse hoje, se chamaria Luiz Inácio Lúcifer da Silva.

Mas o que me deixa espantado é o fato de que, apesar das dezenas de aberrações que saem da boca enviesada do nosso Messias, alguns ainda teimam em defender o indefensável, usando para tanto a ladainha de que tudo vale a pena, contanto que Diana – a pastorinha mediadora que veste as duas cores do folguedo e atua para acalmar a paixão das torcidas -, tire a cor dos comunistas de sua roupa e obrigue o cordão encarnado a vestir o verde das nossas protegidas matas, o amarelo insosso dos sorrisos Kolynos, e um azul da cor do mar, não aquele de Tim Maia e seus enevoados olhos rubros, mas, sim, o das roupas dos anjinhos da titia Damares, que já nascem com um carimbo na testa para acessar a mansão do Senhor, onde os querubins tocam Amado Batista em suas harpas, e a santíssima trindade (01, 02 e 03) pratica tiro ao alvo bem no meio dos chifres do Cão de Garanhuns. Grande beijo e viva Moro!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, nas quebradas baianas do Rio São Francisco.

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