À condição de gênio da história do cinema, o artista soma, com pesar, a de controvérsia ambulante, com as acusações de abusos sexuais como pano de fundo. Seu novo filme estreará no dia 11 de outubro em vários países, mas não nos EUA

Woody Allen
O diretor Woody Allen. Pedro Usabiaga
Allan Stewart Königsberg (Brooklyn, 1935) somou à condição de gênio da história do cinema, contra sua vontade, a de controvérsia ambulante. Seu novo filme, a comédia romântica Um Dia de Chuva em Nova York, chegará em 11 de outubro à Espanha e a outros países (no Brasil, estreia em janeiro de 2020), mas não aos Estados Unidos: Woody Allen e a produtora Amazon estão em guerra, com as acusações de abusos sexuais e o movimento #MeToo como pano de fundo. Enquanto isso, o cineasta acaba de terminar em San Sebastián a rodagem de outro longa, Rifkin’s Festival.

Como a climatologia é voluntariosa, no dia escolhido para conversar com Woody Allen sobre o filme Um Dia de Chuva em Nova York (o 50o de sua filmografia) caiu um pé d’água em San Sebastián. Lá ele terminava a rodagem de outra produção, provisionalmente intitulada Rifkin’s Festival. O cinema, a vida, a morte, o fracasso, o sexo, a nostalgia, Bergman, Shakespeare, Trump…, de tudo isso ele falou em quase uma hora. Das questões mais espinhosas, porém, quase não pôde. Sua agente tinha avisado: nada de perguntas sobre a disputa legal entre Allen e a Amazon. Uma ação de 68 milhões de dólares (279 milhões de reais) foi movida contra a produtora de Um Dia de Chuva… por não estrear o filme após algumas declarações suas sobre o movimento #MeToo. Não se mostrou muito loquaz o autor de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa quando lhe perguntamos sobre seu estado de ânimo após reiteradas acusações de abusos sexuais feitas contra ele por Dylan Farrow, a filha adotiva dele e de sua ex-companheira Mia Farrow. Os supostos incidentes remontam a 1993, quando Dylan tinha sete anos. Allen foi alvo de uma longa investigação e finalmente inocentado. Nunca foi condenado por esse assunto.

Woody Allen: “Depois de morto, podem jogar meus filmes no mar. Não estou nem aí para a posteridade”
pedro usabiaga

Por que adora os dias de chuva? Por que é melhor o céu carregado que o Sol? Porque a luz é mais bonita. E porque acredito que nesses dias as pessoas pensam mais a partir do seu interior, da sua alma. A minha é um pouco triste… e se abro a janela pela manhã e está ensolarado, acho desagradável. Por outro lado, vejo que as cidades são lindas sob a chuva. Paris, Londres, Nova York, San Sebastián são muito bonitas, mas se chove ficam mágicas. Em San Sebastián, por exemplo, o clima é uma bênção, o verão parece primavera. E chove. Mas os que investem nelas se queixam de que é caro rodar com chuva. Sobretudo porque, quando quero rodar com chuva, quase nunca chove e temos que fabricá-la e usar tanques de água. Às vezes peço a Deus que faça algo, mas nada, nem uma nuvem.

Vendo o jovem protagonista de Um Dia de Chuva em Nova York descobrindo Manhattan, não podemos evitar pensar no jovem Woody Allen descobrindo Manhattan… Há nostalgia nesse filme? Claro, pode ter certeza. Esse filme está cheio dela, e de outras minhas também.

A nostalgia, esse monstro… ou a nostalgia, esse bálsamo? A nostalgia, essa armadilha. Camus fala dela como uma armadilha sedutora, e eu caio nela constantemente, sobretudo quando falo de Nova York. Quando criança, era uma grande cidade. Eu diria que foi assim até o final dos anos cinquenta. Então começou a se modernizar de um modo que não gosto muito, você sabe, lugares novos e feios ocupando o espaço de lugares antigos e deliciosos, lojas de balas que desapareciam, o trânsito que começou a piorar… e, depois de certo tempo, muita criminalidade. E hoje a praga são as bicicletas! Vão pela calçada, invadem seu espaço, avançam o sinal vermelho, uma loucura. Enfim, Nova York não é o que era.

Nos EUA não existe tolerância ao fracasso. E é terrível ensinar isso às crianças. Devemos estar dispostos a fracassar; do contrário, você vai secar como ser humano

Neste filme temos um diretor que não quer acabar seu filme, um estudante que não quer continuar na universidade e um jovem que não quer se casar… Parece um filme habitado por Bartleby, o escrivão do conto de Melville: “Preferiria não fazer isso.” É verdade, é assim, que curioso, não tinha pensado nisso. O protagonista, Gatsby, quer fazer o que ele quer fazer, não o que seus pais pedem que faça: estudar, ser elegante, essas coisas. Ou seja, de fato ele “prefere não fazer isso”. Prefere ser um jogador ou tocar piano de noite em bares esfumaçados. 

Diria que observar ou dissecar —talvez tratar— personagens em crise como esse é uma das especialidades da casa Allen? Sim. Você precisa desses elementos para um drama. Personagens em situações críticas. Do contrário… Quando vemos um western, ou um filme de gângsteres ou qualquer tipo de filme emocionante, há pessoas em crise, que sacam pistolas, fogem dos soldados, sofrem… E meus personagens também. Sempre têm uma crise emocional. Para mim, os personagens que não a têm não são interessantes nem divertidos. Não me interessam as pessoas comuns. Me interessam as pessoas com problemas. Sobretudo emocionais.

Por exemplo, pessoas com dúvidas e angustiadas no meio de um mundo de certezas? Exatamente. 

Por que acredita que a dúvida —ou, digamos, o erro— carece de todo prestígio? Não acha que isso tem um impacto negativo na educação de nossos filhos? Com certeza, e conheço bem isso. Hoje inclusive estamos assistindo à morte do artista. É triste. O artista hoje tem medo de se arriscar no que faz e no que diz porque teme as consequências. Infelizmente, em meu país, se você fracassa não há muita margem. Nos EUA não existe tolerância ao fracasso. E é terrível ensinar isso às crianças. Devemos estar dispostos a fracassar, sobretudo na minha profissão. Você vai secar como ser humano se viver toda a sua vida com medo de fracassar. Essa é uma maneira terrível de viver. 

Considera que essa situação é ainda pior nos EUA, agora que o país é dirigido por um tubarão dos negócios? Está claro que o presidente não gosta de fracassar nem de reconhecer seus fracassos. Mas em geral esse é um sintoma claro da cultura dos tempos atuais. Ninguém quer dizer algo como: “Puxa, tive uma ideia, mas não foi uma boa ideia”. E isso não ajuda nem o homem comum nem os artistas, nem as crianças, nem o presidente. O fracasso é degradante, e isso é uma pena.

Uma vez morrido, como

Depois de morto, podem jogar meus filmes no mar. Não estou nem aí para a posteridade. E estou certo de que o mesmo acontecia com Shakespeare

lhe passava a Shakespeare

O senhor incluiu Donald Trump numa cena de seu filme Celebridades. Faria de novo? Bem, devo dizer que ele foi um bom ator. Veio, sabia o diálogo, sabia como andar, foi muito teatral, nada tímido. Como ator, foi muito bom. Como presidente, digamos que a situação é bem diferente. Um país não é um teatro. Mas gosto muito de pensar que o tive como meu empregado!

Entre o otimismo, o pessimismo e o realismo, onde o senhor se situa? Onde acredita que o seu cinema se situa? O pessimismo e o realismo são a mesma coisa. Sou muito pessimista, sobre o mundo, sobre o futuro, sobre a sociedade, sobre a existência…, mas de verdade acho que é assim que o mundo é, então creio que sou realista. Não há outro remédio a não ser fazer uma avaliação pessimista do mundo. Não posso fazer nada a respeito. Honestamente, não resta outro remédio além de sermos pessimistas. 

Não acredita que esse ponto de vista pode prejudicar o conteúdo de alguns de seus filmes? Do tipo: “Já está aqui outra vez o estraga-prazeres do Woody Allen”. Sim, acredito. Quando fiz A Rosa Púrpura do Cairo, os produtores me ligaram e disseram: “Escuta, projetamos [o filme] numa sessão em Boston e todo mundo adorou. Mas, se você mudasse o final para que fosse um pouco mais feliz, ganharíamos muito mais dinheiro com ele”. Claro que não mudei, porque essa era a ideia do filme, justamente aquele final.

Woody Allen: “Depois de morto, podem jogar meus filmes no mar. Não estou nem aí para a posteridade”
Pedro Usabiaga
 

A ironia é uma das armas mais poderosas em seu cinema. Mas não acha que está em desuso ou, ao menos, ameaçada pelo politicamente correto e cada vez menos compreendida? Há uma grande parte do público que deseja mensagens muito claras: o que você quer dizer com tal coisa, o que defende… mas há outra parte —mais reduzida— que é muito sofisticada e não espera que você abandone a ironia. Grandes cineastas ao longo das gerações, como Buñuel e Bergman, tiveram bom público, não muito grande, mas bom, embora seus filmes fossem complexos e muito abstratos.

Para esse tipo de público o senhor faz cinema? Sim. Sempre assumi que meu público é pelo menos tão inteligente quanto eu. Me expulsaram da escola de cinema, e o que basicamente fiz desde então são filmes que eu gostaria de ver na tela. Gosto de ver filmes de Bergman, de Truffaut, de De Sica, de Antonioni… É o cinema que gosto de ver, então tento fazer filmes assim.

Trailer de ‘Um Dia de Chuva em Nova York’
 

Eu me perguntava, vendo Um Dia de Chuva em Nova York, como é que o senhor consegue fazer filmes com uma trama tão aparentemente simples, mas de fundo tão complexo. Quando escreve e quando roda, é mais difícil colocar ou tirar? Para mim é mais difícil colocar. É que criar algo é muito difícil. Bem, se você está acostumado, nem tanto. Há pessoas que sabem desenhar lindamente, que fazem um desenho perfeito de um cavalo. Eu sou incapaz de fazer. Mas elas te dizem: “Vamos, é muito fácil!” Comigo acontece a mesma coisa com os filmes: posso fazê-los. E as pessoas assistem e pensam: “Que difícil deve ser!” Mas, se você se dedica a isso, não é. Ou não é tanto.

A realidade é triste e dura demais, e por isso o senhor continua inventando histórias aos 83 anos. Considera válida essa avaliação? Claro, porque a ficção é muito melhor que a realidade, sem comparação. A realidade é um pesadelo, e a ficção você pode controlar. Pode fazer com que os personagens estejam tristes ou contentes, pode colocar uma bela música —como My Fair Lady, que maravilha!—, mas da realidade você não controla nada. Veja a protagonista de A Rosa Púrpura do Cairo: está muito mais contente na ficção que na realidade. Infelizmente não podemos viver na ficção, ou ficaríamos loucos. É preciso viver na vida real, que é trágica. Se eu pudesse, viveria num musical de Fred Astaire. Todo mundo é bonito e divertido, todos bebem champanhe, ninguém tem câncer, todos dançam, é fantástico.

A realidade não foi especialmente confortável para o senhor nos últimos anos… [Woody Allen olha seu interlocutor com esses inconfundíveis olhinhos, entre confusos e assustados, protegidos atrás dos óculos de armação preta e imortalizados há décadas em imagens, cartazes, camisetas, livros e estatuetas de colecionadores].

Refiro-me às acusações de abusos sexuais feitas contra o senhor. Gostaria de saber que impacto teve todo esse assunto em seu estado de ânimo. Quando fizer um balanço da sua vida, quanto e como acredita que pesará tudo isso? [Caroline Turner, agente de Allen, começa a bufar no fundo da suíte] Veja, eu olho para trás, recordo minha vida e me sinto como alguém extremamente sortudo. Sempre fui. Tive boa saúde. Tenho uma mulher maravilhosa. Filhos. Trabalho em algo que me encanta, adoro fazer filmes e obras de teatro. Toco com minha banda de jazz pelo mundo todo. Tenho sorte, e nada a prejudicou; nem tudo isso que aconteceu, que é um erro e uma injustiça. É uma situação que está fora do meu alcance, de modo que procuro me concentrar em meu trabalho e minha família. Mas isso não me impede de pensar que a vida é uma experiência triste.

Está claro que o senhor quer voltar ao tema. O pessimismo e o realismo. É que todos acabamos no mesmo lugar, e isso é horrível. Em meu filme Recordações, todos os trens tinham o mesmo destino. Era trágico. Mas prefiro pensar que fui um sujeito de sorte. Fiz o que gostei, e ainda me pagaram por isso.

Allen e sua então companheira sentimental, Mia Farrow, em 1985, ano em que estreou ‘A Rosa Púrpura do Cairo’, protagonizada pela atriz.
Allen e sua então companheira sentimental, Mia Farrow, em 1985, ano em que estreou ‘A Rosa Púrpura do Cairo’, protagonizada pela atriz. Life (Getty Images)
 

O que lhe faltou para a felicidade plena? Felicidade? Veja, vou lhe dizer uma coisa. Ninguém de nós entende as circunstâncias em que viemos a este mundo. A vida carece de sentido. Você sabe que vai morrer. Que as pessoas que ama vão morrer. Não gosto disso. De modo que a felicidade…

Sobre as acusações de abusos, não foram provadas e o senhor não foi condenado… [De novo os olhos de Allen ficam inertes e sua boca fechada, e sua agente faz inequívocos gestos de irritação].

Não acha que estamos numa sociedade em que, como disse Kafka, começa a parecer obrigatório demonstrar a inocência em vez da culpabilidade? E não digo isso especialmente em relação ao seu caso… [Novo silêncio]

Vamos mudar de assunto. O senhor disse uma vez a Richard Schickel, para o livro dele Woody Allen: A Life in a Film, que não tinha apreço por seus filmes. Não é fácil acreditar no senhor. Pode acreditar em mim. Quando estou em minha casa sozinho, escrevendo o roteiro, tenho imagens fantásticas sobre o que será o filme. Depois o faço e tudo dá errado. Não posso ter os atores que queria. Tampouco as locações que havia escolhido. Não há dinheiro suficiente. Cometo erros. E quando tudo finalmente acaba, digo para mim mesmo: “Enfim, bem, é como 20% do que havia me proposto a fazer.” Às vezes, você começa achando que fez Ladrões de Bicicletas e depois deseja não ter feito papel de bobo. Outras vezes, acerta mais. Quando acabei Match Point, pensei: “Isso está bem parto das minhas intenções, é o que queria”.

E isso costuma coincidir com a apreciação do público? Não, muitas vezes é o contrário. Às vezes vejo um filme terminado e digo: “Ai, que ruim.” Aconteceu com Manhattan. Mas deu no mesmo, pois o público gostou. E outras vezes consigo fazer o que realmente queria fazer, e as pessoas não têm nenhum interesse. São coisas que acontecem. É melhor não pensar nisso. Melhor fazer um filme, lançar e já pensar no próximo.

O que lhe provocam palavras como “posteridade”, “legado”, “marca” e “memória”? Não me interessa meu legado, não me interessa o que farão com os meus filmes quando eu já não estiver, podem jogá-los no mar. Uma vez que estamos mortos, estamos mortos. Acabou-se. Você acha que, quando tiver fechado os olhos, eu me importarei se as pessoas veem meus filmes ou não? Eu sei que há pessoas que realmente se importam com a posteridade. Eu não estou nem aí. E estou certo de que o mesmo acontecia com Shakespeare.

Sua insistência em continuar escrevendo e rodando filmes encerra motivações terapêuticas? Ou simplesmente fica entediado se não os fizer? Nunca fico entediado! Faço os filmes porque há pessoas que pagam por eles, que financiam. E sempre que houver gente disposta a me financiar, farei filmes. E quando me disserem que são terríveis e que já não me financiarão, eu me dedicarei a escrever só peças de teatro. E se não der certo, escreverei livros.

Em seu novo filme, uma estudante de jornalismo elogia um célebre diretor de cinema dizendo: “Você nunca fez uma concessão comercial”. Esse diretor é o senhor? Nunca fez concessões comerciais? Tentei não fazer. Não penso de um ponto de vista comercial, só penso no que é bom para o filme. Nunca faço cinema pensado em agradar o público. Gosto quando [o público] fica contente, isso sim. 

Como faz para abordar tanto e tão intensamente o tema do sexo sem mostrar cenas de sexo? Não faz falta mostrar sexo para falar de sexo, assim como não é preciso mostrar violência para falar de violência. A violência pode ser artística e dramática, maravilhosa, veja Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas. O problema é que diretores sem talento a exibem uma e outra vez e acham que são Scorsese, mas não, não são Scorsese. O mesmo acontece com o sexo. Se você o exibe, deixa de ser dramático. Eu não quero subestimar a inteligência do público, assumo que estou falando de sexo com pessoas inteligentes.

Diz-se que é mais difícil transmitir mensagens profundas usando a comédia que o drama. Concorda? É difícil transmitir mensagens, ponto. Mas sim, é ainda mais difícil com a comédia. Muitas vezes, ao estrear um filme, me pergunto: “Mas por que não consegui fazer chegar a mensagem?”. Não há resposta, e talvez eu tenha feito um filme interessante e divertido, mas não transmiti a mensagem ao público. E sempre é minha culpa, não a dele. Entreter e passar a mensagem ao mesmo tempo só está à altura dos grandes. Bergman, por exemplo.

Praticamente não há comédias nos grandes festivais, nem no Oscar. Por quê? Poucos autores podem fazer bem uma comédia. É um talento escasso. Há muito mais gente capaz de fazer coisas sérias que comédias. E, no entanto, é como se o drama e a tragédia fossem mais substanciais que a comédia. Como ela faz rir, para muitos é difícil lhe conferir seriedade e prestígio.

“Caymmi visita Tom, Dorival Caymmi e Tom Jobim: Dois Mestres Inigualáveis, para ouvir na rede do BP! Para o começo da semana e a despedida de setembro. Para ouvir, cantar e bater palmas. Eternamente!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Do Jornal do Brasil

 

ONU, Lula e o desemprego

GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Setembro, que marca o fim do inverno e a entrada da primavera, é um mês de mudança. É em setembro, já esperando as chuvas, que os agricultores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste preparam a terra para semear as novas safras a serem colhidas em 2020. Outubro, com regime de chuvas mais regular, recupera o fluxo das nascentes e rios que formam as usinas hidrelétricas e ampliam a capacidade da geração de hídrica, em relação às termelétricas e permite à Aneel reduzir a bandeira tarifária, de vermelho para amarelo, aliviando as futuras contas de luz. O que se lança ao solo em setembro – dos céus ou das mãos humanas – trará consequências futuras.

Jair Bolsonaro usou a tradição brasileira de discursar na abertura de cada nova sessão da Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas para espargir aos quatro ventos sua visão de mundo e de Brasil, contra o globalismo e multilateralismo e pró patriotismo. Chocou os que ainda não o conheciam. Chamou a atenção dos representantes das nações presentes (não se tem notícia de que tenha havido convocação de assessores para fazer claque, como já correu com outros mandatários interessados em ‘sair bem na foto’).

Não participou do jantar privado (ou coletivo) que anunciara previamente com Donald Trump, no qual esperava cacifar a indicação de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, para o cargo de embaixador do Brasil em Washington. Após esperar alguns minutos no corredor a passagem do presidente dos Estados Unidos rumo ao púlpito, obteve uma mera troca de cumprimentos e um elogio de “bom discurso”. A mídia internacional fez avaliação diferente.

Ao longo dos próximos meses a diplomacia brasileira e a mídia internacional vão começar a colher registros para avaliar se as falas de Bolsonaro vão gerar boas colheitas. O IBGE e a Conab fazem mensalmente, a partir da avaliação da área plantada e do desenvolvimento das lavouras, projeções sobre o potencial das colheitas futuras.

Vale registrar que a rejeição à cooperação internacional (em nome da soberania da Amazônia brasileira) entra em contradição com a defesa que fez dos acordos de comércio entre o Mercosul e a União Europeia – ainda pendente de ratificação dos 23 parlamentos europeus e dos cinco do Mercosul. Os parlamentos, empresários, consumidores e investidores da maior parte dos países consideram a questão climática muito relevante. Agora mesmo, o Brasil está negociando amplo acordo de livre comércio com o México, um dos 10 maiores parceiros comerciais do país (fora a UE). Desde o governo Lula, o acordo alcançava apenas os setores automobilístico e a petroquímica.

Outubro pode ser o mês da aprovação final da reforma da Previdência, que deu meia-trava no Senado, quando o corporativismo falou mais alto e adiou os trabalhos por uma semana em retaliação à atuação da Lava Jato e da Política Federal, que vasculhou os gabinetes do Senador Fernando Bezerra Coelho (líder do governo no Senado) e seu filho, deputado federal e ex-ministro de Minas e Energia de Michel Temer.

Mas o episódio logo foi superado pela tardia e chocante revelação – apressada para turbinar o lançamento nesta próxima semana de um livro sobre de memórias do ex Procurador Geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barros (em parceria com os jornalistas Jaílton de Carvalho e Guilherme Evelin), de que “estava armado e pronto”, em 2017, antes de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) – onde o PGR exerce a função de acusador em vários casos julgados pelo plenário – para “atirar na cara do ministro Gilmar Mendes e se suicidar em seguida”. Janot criticara Gilmar por não alegar suspeição em uma ação contra o empresário Eike Batista, já que sua mulher, Guiomar Mendes, dirigia a sucursal de Brasília do escritório Sergio Bermudes, advogado de Eike e de várias causas milionárias da Lava Jato e do Carf; Gilmar retrucou, também pela imprensa, que a filha de Janot. Leticia Ladeira Monteiro de Barros advogava para a OAS, uma das empreiteiras condenadas na Lava Jato.

A consequência foi a expedição pela STF, de mandado de busca e apreensão no escritório e na residência de Janot, em Brasília, de armas e computadores. O fato acabou deixando em segundo plano a posse do novo PGR, Augusto Aras e sua equipe. As suspeitas levantadas na troca de chumbo que não houve, continuam no ar.

Apesar desta turbulência, Jair Bolsonaro voltou ao Brasil com a popularidade em queda, em meio a algumas boas notícias na área econômica e outras desagradáveis, como o novo aumento da gasolina. De agosto para cá a Petrobras aumentou o diesel em 9,4% nas refinarias e a gasolina em 4,74% para as distribuidoras. Nas bombas, o consumidor sofre bem mais. Em dois meses o dólar avançou 6,91%. O desemprego caiu e o emprego aumentou, com sinais de reativação em setores, grandes empregadores, como serviços e a construção civil. Mas, em economia há sempre o outro lado da moeda.

A questão do mercado de trabalho, que vem reagindo mais pela informalidade e o trabalho por conta própria (de motorista de aplicativo a vendedor de quentinha ou um pequeno negócio na informalidade), tem de ser vista com preocupação quando o Congresso está prestes a concluir a votação da reforma da Previdência. Para começo de conversa, a reforma está longe de “zerar o déficit público em 2019”, como prometera o “Posto Ipiranga” Paulo Guedes. Nem em 2020, se a economia “crescer até 2,5%” como também previu o superministro da Economia, ou até o fim do atual mandato, em 2022.

Os dados do IBGE referentes a agosto mostraram que a população ocupada na informalidade (sem carteira assinada e, portanto, sem contribuição para o INSS, que lhes possa garantir futura aposentadoria) chega a 43,116 milhões de pessoas. Está se aproximando dos 43,974 de pessoas com carteira assinada (incluindo empregadas domésticas, militares e funcionários públicos).Em um ano (contra agosto de 2018) o contingente dos com carteira aumentou 2,5%. Já a turma que trabalha sem carteira (11,6 milhões no setor privado e 2,513 milhões no setor público, quase o dobro dos 1,282 milhão com carteira) aumentou 4,4%. A solvência da Previdência vai depender muito do aumento de contribuições vindas dos trabalhadores com carteira assinada e isso só virá quando os juros bancários caírem para o consumo das famílias crescer sem risco de maior endividamento e inadimplência e a roda da economia acelerar.

Se tudo não fosse um enorme desafio. O ex-presidente Lula, já tendo cumprido na Polícia Federal, em Curitiba,1/6 da pena a que foi condenado, pode ser liberado a cumprir o resto da pena em casa. Luís Inácio Lula da Silva, que sempre disse que o tríplex de Guarujá não era dele, depois alegou que a compra de cotas na cooperativa de bancário fora iniciativa da mulher (já falecida), e depois jurou, no enterro do neto Artur que iria encontrá-lo no além com a prova da sua inocência, reluta aceitar o uso de tornozeleira, insistindo na tese da anulação do processo por deslizes do MPF e do ex-juiz Sérgio Moro.

Parodiando Chico Buarque, em “Feijoada completa”, quando saúda a volta dos anistiados políticos em 1979, se Lula trocar Curitiba por São Bernardo do Campo (SP), que deixou em 7 de abril de 2018, “virá com uma fome; que nem me contem; com uma sede de anteontem”.

Como se espera, não faltarão emoções em outubro e nos próximos meses.

Bolsonaro “abordou corretamente a Amazônia desconhecida”, diz Aldo Rebelo

 

Em entrevista ao Estadão, Aldo Rebelo foi questionado se ele viu algum ponto positivo no discurso de Jair Bolsonaro na ONU. Ele respondeu:

“Sim. A abordagem da questão da Amazônia a partir de uma perspectiva que não é a das ONGs, que tratam a floresta como um santuário desantropizado. Ou seja, para essas pessoas, parece que não mora ninguém na Amazônia. E lá vive a população mais abandonada no Brasil, que são os índios e ribeirinhos, com a mais alta taxa de mortalidade e analfabetismo (…).

O presidente abordou corretamente essa outra Amazônia praticamente desconhecida. Mas Bolsonaro assumiu uma posição muito defensiva no caso da Amazônia.”

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30
Posted on 30-09-2019
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Miguel, no

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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30
Posted on 30-09-2019
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Do Jornal do Brasil

 

O delegado da Polícia Federal Hélio Khristian Cunha de Almeida, acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de obstruir as investigações sobre a morte de Marielle Franco, montou uma “central de mutretas” na própria superintendência da PF no Rio de Janeiro.

Macaque in the trees
Marielle Franco (Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio)

A afirmação consta no relatório final da corporação sobre o Caso Marielle, que indiciou o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira sob acusação de que atrapalharam os rumos do inquérito sobre o atentado.

Entre as supostas mutretas organizadas por HK, como é conhecido o delegado, o documento cita que ele usou intermediários para tentar extorquir a quantia de R$ 300 mil do vereador Marcello Sicilliano (PHS-RJ). A suspeita foi revelada pelo UOL no dia 19 de maio.

Sicilliano e o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, foram apontados como mandantes da morte de Marielle por Ferreirinha. HK foi o delegado federal, junto com outros dois colegas, que levou o PM a prestar o depoimento aos investigadores da DH da Capital (Delegacia de Homicídios do Rio, órgão da Polícia Civil). Posteriormente, Ferreirinha admitiu que prestou falso testemunho.

A defesa do delegado nega todas as acusações.

O delegado federal Leandro Almada, responsável pela investigação sobre a obstrução no Caso Marielle, afirma no relatório que os “atos de corrupção” cometidos por HK foram informados à Superintendência da PF no Rio para que “medidas cabíveis” fossem adotadas.

“Lamentavelmente, a autoridade policial que presidiu o IPL 477/18 [o inquérito da PF sobre o Caso Marielle], lotado no Estado do Amazonas, sem conhecer as mazelas do RJ, possa, açodadamente tecer comentários com carga de subjetivismo, sem qualquer prova ou fundamento. Certamente, tal ilação será objeto de demanda judicial em desfavor da União no momento oportuno”, afirmou, em nota, o advogado Leonardo Carvalho, defensor de HK.

Carvalho acrescenta que “desconhece qualquer tipo de acusação neste sentido e encontra-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que os órgãos de persecução necessitem”.

Resultado de imagem para Janio Ferreira Soares no jornal A Tarde

CRÔNICA

 

                                                   O jardim secreto de Lennon e os nossos

 

                                                   Janio Ferreira Soares

 

O Sol que finda setembro clareia as primeiras floradas e em meio à saraivada de balas que dilaceram e de discursos que idiotizam, leio uma notícia que me remete ao silêncio da casa paroquial, onde as ondas curtas de um velho rádio Transglobe Philco me levavam para muito além das andorinhas que moravam em suas telhas. A nota dizia que na semana passada foi aberto ao público o portão do Strawberry Fields, jardim imortalizado por John Lennon, numa de suas mais geniais canções.

Localizado em torno de um orfanato mantido pelo Exército da Salvação no bairro de Woolton, em Liverpool, conta Allister Versfeld, responsável pelo lugar, que Lennon costumava pular a cerca que ficava atrás da casa de sua tia pra brincar com as crianças e depois, presumo, subia em alguma árvore para observar coisas que só a curiosidade infantil percebe e que mais tarde são processadas em forma de músicas, de textos ou, quando se tem a chance, em longos papos com descolados terapeutas (tipo Selton Mello).

“Todas as crianças têm o seu jardim secreto, talvez um esconderijo embaixo da escada ou nos galhos de um grande carvalho. Pelo que fala essa música parece que, para John, era aquele o seu lugar”, diz sua meia-irmã de 72 anos, Julia Baird. Bingo!

Não sei você, mas este velho escriba ainda rega diariamente os jardins que fertilizaram sua infância e que, graças aos cataventos que continuam bombeando o enferrujado aspersor fincado no topo da neblinada serra, continuam produzindo a doçura exata que costuma me escudar sempre que a maldade ameaça expandir o fel que nutre as feridas.

Um deles, como disse lá em cima, era a casa paroquial, lugar onde eu passava horas ouvindo o ranger da rede em sintonia com o mundo. O outro ficava nos galhos das goiabeiras do quintal de minha avó, que em dias ameaçando chuva serviam-me como mirantes ao vento, enquanto o escuro sorvete de nuvens se preparava pra se liquefazer sobre o manto turquesa que vestia o rio.

E são nesses jardins exalando viço que até hoje colho frutas com gosto de Bias, Iaiás e Cecílias; de Aldas, Letícias e Fernandinas; de Lindemás, Pedros e Zés das Silvas. Neles também ouço buzinas de uma Rural trazendo brinquedos e apressando saudades; mugidos de vacas ruminando pastagens; e Hey Jude tocando na difusora e nos bailes, cuja letra, na época, soava como uma espécie de: “ei, Janio, pegue sua peteca e saia por aí, que os passarinhos lhe esperam lá perto do campo de futebol. Mas vá sem pressa, cara, que a asa do tempo é lenta, e na volta sempre haverá um pão quentinho pra você comer vendo o entardecer”.

Em seguida vinha a Ave Maria, toda plena e cheia de graça, como era a vida nos tempos em que a gente pensava que nossos jardins jamais deixariam de ser Strawberry Fields Forever.

Jânio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beirada baiana do Rio São Francisco.

“Hey Jude”, The Beatles: Maravilhosa companhia em forma de canção dos geniais e eternos garotos britânicos de Liverpool, para acompanhar o magnífico voo da memória do cronista da beira do Rio São Francisco, por seus encantadores jardins na onírica e sempre amada (e lembrada) Santo Antonio da Glória – também da infância deste editor do BP -, ´afogada há anos para dar lugar à represa de uma das usinas da  CHESF. Saudades imensas dos personagens do escrito de Janio Ferreira Soares que o Bahia em Pauta publica neste domingo de quase fim de setembro.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo  Soares)

 DO G1/JORNAL NACIONAL

Por G1 AL

Manchas de óleo atingiram 11 locais em Alagoas — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Manchas de óleo atingiram 11 locais em Alagoas — Foto: Reprodução/TV Gazeta

 9 municípios de Alagoas foram atingidos por manchas de óleo, de acordo com o relatório mais recente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), atualizado no sábado (27). De acordo com o Ibama, o petróleo cru atingiu 112 locais no Litoral do Nordeste.

De acordo com o relatório do Ibama, a primeira mancha em Alagoas foi avistada no dia 7 de setembro no município de Japaratinga, no Litoral Norte, e a última mancha surgiu no dia 27 de setembro no município de Coruripe. Já Marechal Deodoro e Roteiro apresentam a maior quantidade de manchas, duas em cada município.

O número de cidades atingidas por manchas de óleo subiu para 53 desde o início de setembro. Alagoas é um dos 8 estados atingidos pela mesma substância. Segundo o Ibama, trata-se de petróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado de óleo.

A investigação do Ibama com apoio dos bombeiros do Distrito Federal apontou que o petróleo que está poluindo todas as praias é o mesmo. Mas a origem da substância ainda não foi identificada. A Petrobras informou que o óleo encontrado nas praias não é produzido pelo Brasil.

Confira a lista dos locais atingidos em Alagoas (atualizada em 27/09/2019):

  • Município de Coruripe – mancha avistada no dia 27/09
  • Município de Paripueira – mancha avistada no dia 22/09
  • Em 2 locais na Praia do Gunga – município de Roteiro – manchas avistadas no dia 22/09
  • Município de Barra de Santo Antônio – mancha avistada no dia 22/09
  • Loteamento Encontro do Mar – município de Marechal Deodoro – mancha avistada no dia 21/09
  • Município de Barra de São Miguel – mancha avistada no dia 19/09
  • Praia do Francês – município de Marechal Deodoro – mancha avistada no dia 18/09
  • Praia do Carro Quebrado – município de Passo do Camaragibe – mancha avistada no dia 18/09
  • Praia de Pajuçara/Ponta Verde – município de Maceió – mancha avistada no dia 15/09
  • Praia de Japaratinga – município de Japaratinga – mancha avistada no dia 07/09

set
29
Posted on 29-09-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-09-2019

Em sua entrevista à Folha, Augusto Aras foi questionado sobre o que ele acha do inquérito aberto pelo STF para apurar supostas ofensas à Corte. Ele respondeu:

“A doutrina registra que não há nulidade de inquéritos, desde que a autoridade que promove o inquérito tenha competência para produzi-lo e haja, minimamente, indícios da existência de delito. O inquérito poderia ser aberto pelo próprio STF, pela autoridade policial, pelo Ministério Público. O que é relevante firmar é o destinatário das conclusões do inquérito, e ele só pode ser um: o Ministério Público.”

Ao ser questionado se defende o arquivamento do inquérito, o novo PGR disse:

“Em hipótese alguma. Não posso ignorar o dever de apreciar os fatos, buscando a verdade real, para efeito de, sendo o caso, adotar as medidas cabíveis.”

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