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Macron e secretário-geral da ONU cobram ação contra a crise ambiental que reverbera nas redes sociais. Brasileiro diz que não tem dinheiro para combater o fogo

  
As chamas que devoram a Amazônia brasileira nos últimos dias são as mesmas que alimentam nas redes sociais a indignação contra o presidente Jair Bolsonaro. Enquanto a hashtag #PrayforAmazon (reze pela Amazônia) se tornava trending topic global nesta quarta-feira, e os habitantes das regiões afetadas publicavam imagens dos danos causados pelo fogo, o presidente dizia, sem apresentar provas, que as chamas estavam sendo deliberadamente causadas por integrantes de organizações não governamentais, como vingança pelo corte de recursos decretado pelo Governo. A crise também transcendeu à esfera internacional: o presidente francês, Emmanuel Macron, catalogou os incêndios na Amazônia como “crise internacional” e decidiu incluir o tema na agenda do G7 deste fim de semana. E o secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou sua “profunda preocupação” com a situação. “Em meio à crise climática mundial, não podemos nos permitir mais danos a uma grande fonte de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia deve ser protegida”, tuitou o português, máximo dirigente das Nações Unidas.

Bolsonaro reagiu a Macron. Dono de uma retórica radical que não raro lança mão de construções falsas e mentiras para atacar os adversários, o presidente brasileiro usou tom inusualmente sóbrio e duro para acusar Macron de ser “sensacionalista” para “instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais”. “A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”, criticou o presidente ultradireitista, que ainda criticou o presidente francês por usar uma foto “falsa” —a imagem usada, de fato, não é da onda de incêndios atuais, segundo a Folha. Bolsonaro, que contesta a medição oficial do desmatamento feita pelo próprio Governo, ainda pediu o uso de “dados objetivos” para discutir a questão.

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Maioria do STF vota contra redução de salário de servidores

A maioria dos ministros do STF votou hoje por manter proibida a redução do salário de servidores, possibilidade prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Edson Fachin, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia consideraram que a regra afronta o princípio da irredutibilidade dos salários.

Ficaram vencidos Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que admitiam a possibilidade de redução, uma vez que a Constituição permite até mesmo demissão para conter os gastos excessivos.

Como Celso de Mello está ausente, o julgamento foi suspenso e a decisão final só será prlamada numa próxima sessão, para tomar o voto do ministro.

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Do Jornal do Brasil

 

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, é o terceiro líder mais mal avaliado da América Latina, atrás apenas dos dirigentes de Cuba e Venezuela, segundo pesquisa realizada em 14 países da região.

Os dados são do instituto Ipsos, que entrevistou 403 pessoas. O levantamento foi realizado entre os dias 27 de junho e 24 de julho deste ano. Foram ouvidos formadores de opinião e jornalistas reconhecidos de meios de comunicação latino-americanos.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, registra a menor taxa de aprovação da região, com apenas 3% de apoio, enquanto Miguel Díaz-Canel, líder da ditadura cubana, aparece com 18%. Apesar de comandarem regimes autoritários, os dois oficialmente possuem o título de presidente. 

Bolsonaro aparece como o terceiro com menor aprovação, com 29% -entre as democracias, ele é o mais mal avaliado.

No total, foram avaliados os líderes de 12 países: Brasil, Venezuela, Bolívia, Uruguai, Argentina, Equador, Chile, Peru, Colômbia, Cuba, México e Panamá.

O Chile tem o presidente com maior aprovação, Sebastian Piñera, que aparece com 68% na pesquisa. Em segundo lugar está Tabaré Vásquez, presidente do Uruguai, com 65%.

Na edição de 2018 da pesquisa, os dois já eram os mais bem colocados, mas apareciam em ordem invertida. Com 53% de aprovação, Iván Duque, presidente da Colômbia, é o terceiro colocado.

De novembro de 2018, quando foi divulgada a última edição do levantamento, para cá, a imagem do presidente Jair Bolsonaro melhorou. Sua aprovação era de 25%, quatro pontos abaixo do dado atual.

Se apenas 21% dos brasileiros avaliam Bolsonaro positivamente, é na Bolívia que o presidente brasileiro encontra sua maior taxa de aprovação: 44% dos entrevistados disseram apoiá-lo de maneira absoluta ou parcial.

Já entre os colombianos, 85% o desaprovam completamente ou parcialmente, o que faz da Colômbia o país com pior taxa de aprovação para o presidente brasileiro.

O instituto Ipsos, que realiza estudos de mercado em mais de 90 países, destaca que os resultados apresentados não são representativos das sociedades latino-americanas. Seu objetivo é expor a opinião de cidadãos considerados mais informados e influentes para a opinião pública.

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Posted on 23-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-08-2019



 

Sponholz, no

 

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Estima-se que 8% dos adultos são sapiosexuais, ou seja, o fator que mais os excita sexualmente são os neurônios

Quem prefere e escolhe pessoas inteligentes para um relacionamento amoroso não deveria ser encarado como novidade nem tema para artigos. Que assim seja, além de provocar certa inquietação, pode ser indicativo de que a inteligência é um bem cada vez mais escasso, menos abundante do que a beleza, o carisma ou a personalidade e, precisamente por isso, é mais valioso.

No entanto, diante da pergunta, “com quem você preferiria dormir uma noite: com alguém de alto QI ou com alguém com corpo e físico invejáveis?” Não temos muita certeza de que a maioria escolheria os neurônios. É provável que muitos ficassem com os hormônios ou feromônios. Na melhor das hipóteses, haverá tempo no dia seguinte para ler Byung-Chul Han.

Os sapiosexuais, porém, não só admiram a inteligência, mas essa qualidade é a que mais os excita sexualmente em um potencial parceiro, acima das já tradicionais e clássicas questões estéticas, monetárias, sociais de status social ou poder.

Essa atração sempre aconteceu, mas que não havia sido batizada com nome tão pomposo. Quando muito, recebia o rótulo de que era excêntrico ou gostava dos bizarros, e em um segundo a questão estava solucionada. Hoje, no entanto, há vários tipos de teorias para explicar esse fenômeno “raro”. Há testes do Buzzfeed para detectar se você é sapiosexual e até um portal de encontros, o Sapio, para que os inteligentes, ou os que erotizam essa qualidade, encontrem a sua cara metade.

O psicólogo e sexólogo neozelandês John Money (1921-2006) procurou explicar por que algumas pessoas se sentem atraídas por um certo tipo de qualidade e não por outras, com sua teoria sobre o “mapa do amor”. Este condiciona nossa atração sexual e não se trata de um mapa comum, mas um que se desenha em nossa mente e que constitui uma representação complexa de nosso amante idealizado, do que consideramos como erótico e das práticas mais estimulantes para nós. Algo como a personalidade erótica. Este mapa é projetado no imaginário mental e se expressa em sonhos, fantasias e atos, e cada mapa é único, embora compartilhe características comuns com o de outros indivíduos.

Segundo Money, os mapas do amor começam a se formar desde que nascemos, com todas as informações, experiências e estímulos que recebemos. As experiências da infância deixam uma marca no nosso mapa do amor e as negativas têm a capacidade de imprimir uma mancha que pode impedir no futuro a formação de vínculos afetivos e eróticos harmoniosos.

A história nos deixou famosos sapiosexuais, como Marilyn Monroe (talvez o papel em que Hollywood a colocou, o de loira burra, tenha feito com que ela fugisse do padrão de beleza para se refugiar na massa cinzenta). A atriz uma vez reconheceu que Albert Einstein era o homem mais sedutor que já havia sido apresentado a ela e que não hesitou em lhe propor: “Deveríamos ter um filho juntos para que tivesse meu físico e a sua inteligência”. John Waters aconselhava: “Se você for à casa de alguém e não houver um único livro, não durma com ele”; e o personagem de Eusebio Poncela, Dante, no filme Martín (Hache) (1997), defendia que “é preciso foder as mentes”.

A inteligência, a segunda qualidade mais erótica

Na verdade, somos todos um pouco sapiosexuais. Foi o que revelou um estudo realizado por Gilles E. Gignac, professor titular da Universidade da Austrália Ocidental. Foram entrevistados 383 adultos para se conhecer as características que mais valorizavam em seus parceiros e os resultados mostraram que a inteligência foi a segunda mais citada —depois da gentileza e compreensão—, desde que não fosse muito elevada. Assim, descobriram que a relação entre o quociente intelectual e a atratividade é curvilínea. Ou seja, atinge o seu pico quando alcança um QI de 120, mas diminui se já é de 135.

Alguns também apontam que os sapiosexuais podem relacionar de modo inconsciente a intelectualidade do outro a uma relação mais segura e estável. De alguma forma, associam a inteligência a uma boa tomada de decisões e a uma espécie de “seguro” para o relacionamento.

Como explica Lora Adair, professora de psicologia evolucionista da Universidade de Lyon, na revista Vice, “homens e mulheres sempre desejaram a inteligência em seus companheiros, quer se identifiquem como sapiosexuais ou não. Isso acontece em todas as espécies, embora em animais não humanos a inteligência ou a capacidade cognitiva seja medida morfologicamente”.

Lyon dá como exemplo o macho do pássaro-cetim, que constrói ninhos intrincados adornando-os com objetos brilhantes que encontra em seu entorno para atrair as fêmeas mais seletivas. “A capacidade de encontrar esses objetos excepcionais e de protegê-los de roubo ou sabotagem de outros machos pode servir como um indicador de capacidade cognitiva e de adequação genética.”

Se a inteligência ajudou nossos ancestrais a resolver problemas e a evoluir, não é estranho que continuemos a considerá-la uma qualidade que pode nos trazer uma vida mais tranquila, uma situação econômica melhor e até mesmo um parceiro mais saudável. Além disso, há outro estudo, realizado pelo psicólogo evolucionista Geoffrey Miller, da Universidade do Novo México, que relaciona um alto QI com uma boa qualidade de sêmen, feito entre 400 veteranos da Guerra do Vietnã que foram submetidos a esses dois testes.

“Tradicionalmente, a ideia é que a atração sexual tem muito a ver com o físico, com o corporal, com o mental. Mas a atração é algo mais heterogêneo e que integra muitas coisas: senso de humor, capacidade de compreensão ou a maneira de expressar o sentimento, e todas essas qualidades têm muito a ver com inteligência”, diz a psicóloga e sexóloga Gloria Arancibia Clavel.

Por isso, os sapiosexuais não costumam ser pessoas de amor à primeira vista nem de flechadas, já que descobrir se alguém é inteligente ou não leva tempo e, geralmente, seus relacionamentos começam como uma amizade para desembocar na atração sexual, à medida que o cérebro se despe. Para este grupo, a sedução entra mais pela palavra e o ouvido, por meio de conversas ou pontos de vista interessantes, do que pela visão. Por isso se costuma dizer que as mulheres são mais sapiosexuais que os homens. “Na verdade, esta é uma afirmação que se conecta com as questões de gênero e os clichês que ainda definem homens e mulheres, as dificuldades de alguns homens em reconhecer uma mulher mais inteligente que eles ou a ideia, de algumas mulheres, de que para seduzir têm que se fazer um pouco de bobas ou, pelo menos, não parecer inteligentes demais”, diz Aranciba.

Mas, o que é inteligência?

Claro que hoje muitos tendem a confundir a inteligência com o acúmulo de dados (como a capacidade de um disco rígido), a habilidade para se vender (e, assim, os tímidos passam por tolos) e até a arrogância. Por muitos anos essa qualidade foi relacionada com a capacidade numérica, mais do que com outras, o que me fez tocar o limite entre uma pessoa normal e uma borderline por tirar uma nota baixa em um teste que fizeram na escola para determinar o meu coeficiente intelectual.

Felizmente, não lhe dei muita importância, ao contrário de outros que se deixaram influenciar quando os resultados os rotularam de superdotados, para sua desgraça. Hoje em dia, esses testes não são mais feitos, pois se sabe que existem muitos tipos de inteligência: a emocional, a social e até a erótica; embora todas compartilhem características comuns: o senso de humor, a empatia e, acima de tudo, a capacidade de resolver problemas em novas situações.

A atração pela inteligência também pode acarretar certos perigos, observa Gloria Arancibia. “Muita coisa acontece na observação. Passa-se da admiração à idealização da pessoa, e daí à dependência. E isso reforça ainda mais a falta de autoestima em pessoas pouco seguras de si mesmas e pode resultar no domínio daquele que se supõe mais inteligente sobre o outro.”

A erotização do neurônio desemboca também em todo um imaginário de protótipos para os sapiosexuais, em que se destacam o professor/a, os escritores, os cientistas e, sobretudo, as bibliotecárias, segundo Bix Warden em seu livro The Sexy Librarian’s Big Book of Erótica. O bom de se sentir seduzido eroticamente pela inteligência é que esse tipo de atração não é afetado pela passagem do tempo, nem pelas rugas ou a flacidez. Pelo contrário, ganha ao longo dos anos. Platão já dizia que “o amor é como uma escola de graduação que começa com a beleza do corpo e depois passa para as ideias e para as pessoas que mostram uma inteligência privilegiada”

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ARTIGO/ CULTURA

Vermelho Brasil, O Romance da Conquista do Brasil pelos Franceses

Lucia Jacobina

 

O título dessa narrativa romanceada é da autoria de Jean-Cristophe Rufin, escritor francês que lançou em 2001 seu romance histórico “Rouge Brésil”, pelas Edições Gallimard e com ele ganhou o Prêmio Goncourt, uma láurea que lhe assegurou fama e certamente depois o conduziu a uma cadeira na Academia de Letras Francesas.

Este livro, traduzido para o português por Adalgisa Campos da Silva e lançado em 2015, pela Editora Objetiva, com o título de “Vermelho Brasil, O Romance da Conquista do Brasil pelos Franceses”,refere-se ao Brasil colonial que se tornou conhecido em toda Europa como a terra do pau-brasil. Essa é a denominação da madeira que possui um pigmento rubro e servia para tingir tecidos além de outros utensílios e foi muito valiosa naqueles tempos dos descobrimentos.

A exemplo do chá, da seda e de outras especiarias, os exploradores visitantes vinham para o litoral em busca dessa riqueza e muitos países europeus pretenderam se apossar dessas terras, mesmo que tal atitude significasse desobediência à encíclica papal que dividia o continente americano entre os ibéricos.François I, rei da França, chegou mesmo a lançar dúvidas acerca dessa autoridade, ao inquirir sobre que poderes tinha lhe dado a divindade para dividir o novo continente entre Portugal e Espanha.

O princípio da primazia não serviria como justificativa pois numerosos depoimentos já existiam sobre o conhecimento que detinham os navegadores de diversas nacionalidades europeias das terras ditas recém-descobertas por aqueles dois países. Essa atribuição encarada como discriminatória foi ignorada pelos franceses que cobiçavam a nova terra e com ela pretendiam enriquecer. E nesse processo de conquista, utilizavam todos os meios disponíveis para realizar seus objetivos, a despeito das notícias de canibalismo que circulavam. É seguindo esse foco que Rufin vai descrever o engodo sofrido por duas crianças órfãs que para aqui foram transportadas com o objetivo de servir de turgimães.

Essa era a denominação decorrente da prática cruel de abandonar crianças pobres e sem parentes no litoral brasileiro, no desiderato de que recolhidas e poupadas pelos indígenas fossem por eles criadas e aprendessem sua língua,v isando delas se servir no futuro como intérpretes para facilitar suas negociações comerciais.

O episódio conhecido como a invasão francesa no Rio de Janeiro foi comandado por Nicolas de Villegaignon, cujo objetivo era fundar a França Antártica e aqui se estabelecer definitivamente.Vários testemunhos foram escritos no passado e no presente sobre o ocorrido, mas restaram desconhecidos tanto na história da França como na do Brasil. E seu enfoque é importante para aquele paíse uropeu porque mostra que a primeira luta religiosa entre huguenotes e católicos antecedeu a parisiense sangrenta Noite de São Bartolomeu e se deu fora do território francês. E para os brasileiros, a narrativa revelou que os próprios franceses se engolfaram numa luta demolidora que culminou com o abandono do projeto de ocupação pela maioria dos invasores que retornou à França desiludida com o comportamento de seus compatriotas.

Na mesma oportunidade, os remanescentes terminaram por se destruir e à feitoria erigida no litoral fluminense, na ilha denominada como Villegaignon, de tal forma que a esquadra portuguesa que para aqui se dirigia, incumbida de retomar o território invadido, ao aportar só encontrou os destroços da luta fraticida. Todo esse relato é desenvolvido em cerca de quatrocentas páginas de envolvente enredo que oscila entre a vigorosa descrição da natureza virgem do litoral brasileiro e a fecunda exposição apoiada em dados históricos, a qual o consagrado escritor francês deu tratamento ficcional.

Desde o descobrimento, o território brasileiro foi alvo de cobiça pelas potências europeias. Nossa história registra alguns episódios de invasão, uma francesa e duas holandesas, na costa leste. Em todas elas, as ocupações foram temporárias. E além de Portugal, também a Espanha exerceu seu domínio, durante o período em que os reinos permaneceram unificados, devido a problemas decorrentes da sucessão dinástica.

Além da revelação histórica, o lançamento dessa obra no Brasil deve ser aproveitado para auxiliar seus leitores a refletir sobre os métodos empregados naquela ocasião, na tentativa de apropriação de nossas riquezas.Tanto no passado como no presente, os indígenas têm sofrido assédio em seu próprio território. Sobre o passado, o estado brasileiro já não tem ingerência alguma. Atualmente, sob sua exclusiva guarda e vigilância, já não pode fugir a suas responsabilidades. O motivo agora declarado sugere altruísmo por ser a preservação ambiental e a sobrevivência da vida sobre a terra. Todavia, esses defensores da preservação alheia obstinam-se em desconhecer que o povo brasileiro também possui o mesmo zelo e o mesmo instinto de qualquer mortal.Por isso mesmo,deve ficar alerta para não admitir que interesses estrangeiros se sobreponham ao seu na administração e domínio do próprio território, a qualquer pretexto.

 

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”

“Maluco Beleza”, Raul Seixas: 30 anos depois de sua morte precoce, completados  ontem , 21 de agosto, e ele segue cada vez mais presente e atual. A força revolucionária e provocadora de suas músicas e das mensagens de suas composições e de seu jeito único de ser e se expressar vibrante e corajosamente, seguem vivos  inspiradores e transpiram atualidade cada vez maior. Aqui vai o tributo do Bahia em Pauta à memória deste baiano genial, que o Brasil e o mundo seguem admirando e cantando o que ele deixou. Grandiosamente!

BOM DIA!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Embora reconheça o problema que antes negava, presidente Bolsonaro insinua que ONGs podem estar por trás das queimadas que já atingem reservas indígenas

As florestas queimam como nunca antes nos últimos cinco anos no Brasil. O país registrou, entre janeiro e o último dia 19 de agosto, um aumento de 83% das queimadas em relação ao mesmo período de 2018, com 72.843 focos de incêndios até o momento. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o desmatamento por meio de imagens de satélite e foi desacreditado pelo presidente Jair Bolsonaro, que chegou a questionar a veracidade dos dados de desmatamento do instituto.O fogo está progredindo mesmo em áreas de proteção ambiental: 68 incêndios foram registrados em territórios indígenas e áreas de conservação somente nesta semana, a maioria deles na região amazônica. O estado de Mato Grosso, na região centro-oeste do Brasil, lidera as queimadas com 13.682 focos de incêndio em 2019 – um aumento de 87% em relação ao mesmo período do ano passado -, segundo o INPE. Mesmo entre julho e setembro, quando é proibido promover queimadas naquele Estado, houve um aumento de 205% no número de incêndios.Mato Grosso vive do agronegócio com a exportação de soja, milho e algodão. O Estado comporta o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que já perdeu 12% de sua vegetação, e o Parque Serra do Ricardo Franco, na fronteira com a Bolívia, considerado pela Unesco como patrimônio natural da humanidade. O Pantanal, um bioma endêmico no Brasil que também queimou esta semana, é outro ecossistema ameaçado no Mato Grosso. Lá é difícil combater o fogo, já que não há estradas na região e apenas pequenos barcos podem circular por um labirinto de rios.

O desmatamento e as queimadas ganharam repercussão internacional, principalmente depois que São Paulo, a cidade mais industrializada do país, a 3.000 quilômetros da Amazônia, viu o céu escurecer na última segunda como consequência do mau tempo misturado à fumaça das queimadas vindas do Norte e da região central. Um teste realizado pelo Jornal Nacional mostrou que a água da chuva daquele dia estava contaminada com fuligem de fogo. Quem resistia aos alertas dos ambientalistas sobre a seriedade do momento para as florestas, se convenceu ao ver com seus próprios olhos a consequência dos incêndios. Fotos da Amazônia desmatada invadiram as redes sociais e a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro cresceu como nunca antes.

Fiel ao seu estilo, o presidente brasileiro inverteu as responsabilidades. Ele rotulou a onda de queimadas florestais no país de “criminosa” nesta quarta e, sem apresentar evidências, disse que as ONGs que atuam na proteção ambiental podem estar envolvidas em incêndios ilegais. “Pode haver – não estou afirmando – uma ação criminosa dessas ONGs para chamar a atenção precisamente contra mim, contra o governo do Brasil. Esta é a guerra que enfrentamos. Faremos todo o possível e impossível conter o fogo criminoso ”, disse ele.

O fogo ocorre principalmente em propriedades particulares. Desde janeiro, 60% dos focos de incêndio ocorreram em áreas privadas registradas no Cadastro Ambiental Rural do Brasil, 16% em terras indígenas e 1% em áreas protegidas. Parte dos focos de incêndio em áreas protegidas é uma consequência do desmatamento, segundo um relatório do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), publicado na terça-feira. Muitas dessas áreas também sofrem invasões e arrendamentos de terras ilegais. Os dez municípios da Amazônia que mais queimaram foram os que apresentaram as maiores taxas de desmatamento.

Juntas, essas cidades são responsáveis por 37% das queimadas registradas em 2019 e por 43% do desmatamento registrado até julho. Há casos em que o fogo é usado de maneira controlada para limpar os campos, mesmo em áreas protegidas com presença humana, como nas aldeias indígenas e nas reservas extrativistas, diz o IPAM. Mas algo saiu de controle, como o próprio governo e o Ministério do Meio Ambiente reconhecem. “A situação é realmente preocupante e vamos trabalhar para combater as queimadas”, admitiu o ministro Ricardo Salles, quando participava de uma reunião sobre mudanças climáticas. Salles sentiu a sensibilidade do momento enquanto falava na abertura do evento. Ele foi vaiado pela audiência enquanto tentava se fazer ouvir.

Bolsonaro, por sua vez, vem se desgastando a cada dia com sua retórica bélica e perdendo o respeito da comunidade internacional, como ficou claro no caso do Fundo Amazônia. Parte da luta contra os incêndios florestais no Brasil é financiada por esse fundo, o mecanismo de cooperação internacional que tem contribuído com mais recursos para reduzir os gases de efeito estufa do desmatamento. A Noruega, o principal doador, anunciou o congelamento de ajuda para projetos de conservação da Amazônia por um montante de 30 milhões de euros, depois que o governo brasileiro mudou unilateralmente a equipe de gerenciamento que administra o fundo. A Alemanha, o outro país patrocinador, já havia suspendido contribuição semelhante pouco antes.

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Posted on 22-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-08-2019

DO BLOG O ANTAGONISTA

Maurício Ferro, ex-diretor jurídico da Braskem, foi preso hoje na Lava Jato graças a 180 e-mails entregues por Marcelo Odebrecht em seu acordo de colaboração, relata O Globo.

As mensagens tratam da participação dele junto a Antonio Palocci e Guido Mantega para beneficiar a empresa no Refis da Crise.

Os e-mails foram entregues em diferentes ações penais, a partir de um arquivo de 480 mil e-mails e 300 mil documentos, vasculhados entre abril e setembro do ano passado.

Marcelo sempre se queixou pelo fato de o cunhado ter ficado fora do acordo de delação.

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Do Jornal do Brasil

 


Após a suspensão de um edital de projetos LGBT para TVs públicas, o Secretário especial de Cultura, Henrique Pires, anunciou que deixará o cargo por não admitir que o governo imponha “filtros” na cultura. 

Macaque in the trees
Henrique Pires, secretário especial de Cultura (Foto: Foto: Mauro Vieira / Ministério da Cidadania)

Pires comunicou o ministro Osmar Terra (Cidadania), a quem a secretaria é vinculada, sobre sua saída na noite de terça-feira (20). Em rápida conversa com a reportagem no Palácio do Planalto, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, negou que haja censura. 

“Não foi censura, eu estou aqui para resolver isso porque estava com problemas de trabalho”, disse o ministro, acrescentando que uma nota deve ser divulgada por sua pasta ainda nesta quarta-feira (21).

As informações divergem do relato feito por Pires à “Folha de S.Paulo”. Segundo ele, a suspensão do edital foi apenas a “gota d’água” de uma série de tentativas do governo de impor censura em atividades culturais. 

Ele disse que há oito meses vem dando contornar diversas tentativas de censura.

“Ficou muito claro que eu estou desafinado com ele [Terra] e com o presidente sobre liberdade de expressão”, disse o secretário. “Eu não admito que a cultura possa ter filtros, então, como estou desafinado, saio eu”.

O secretário disse ter mantido uma conversa amigável com Terra na noite de terça (20), durante a qual comunicou sua saída.

“Nós precisamos pacificar o Brasil para trabalhar, e tem gente que não está preocupada, como se não tivéssemos 13 milhões de desempregados e [a gente] precisasse ficar olhando com lupa um filme para ver se tem um homem pelado beijando outro homem.”

Pires disse que fundamentou todo seu trabalho no artigo 220 da Constituição Federal, se pautando sobre a liberdade de expressão e lembrou que recentemente o STF concluiu julgamento que prevê homofobia como crime. 

“Eu não estou saindo contra ninguém, estou saindo a favor da liberdade de expressão”, disse. “Ou eu me manifesto e caio fora, ou estarei sendo conivente”.

Alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em sua última live semanal, veiculada na quinta passada (15), um edital de chamamento de projetos para TVs públicas que tinha entre as categorias de investimento séries com temática LGBT foi suspenso. Uma portaria assinada pelo Ministro da Cidadania Osmar Terra publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta (21) oficializou a decisão.

Na live, o presidente havia criticado quatro projetos de séries aprovados para a última fase do concurso e inscritos nas seções de diversidade de gênero e sexualidade. Eram eles “Afronte”, “Transversais”, “Religare Queer” e “Sexo Reverso”.

Caso aprovados por uma comissão especial, os projetos seriam contemplados com verbas de R$ 400 mil a R$ 800 mil cada um, oriundas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

O caso acontece depois de uma série de declarações em que Bolsonaro promete intervir no teor das produções financiadas por meio da Agência Nacional do Audiovisual, a Ancine, seja criando um filtro ou tirando o FSA do controle da agência, entre outros. Na live, ele chegou a afirmar que se o órgão “não tivesse, em sua cabeça toda, mandatos”, ele já teria “degolado tudo”. Talita Fernandes / FolhaPress SNG.

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