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DO Jornal do Brasil

 

Ministro diz que não tem perfil político-partidário e que não está no governo “para disputar concurso de popularidade”

  O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou nesta segunda-feira, em entrevista exclusiva à agência Reuters, que não é candidato a presidente em 2022 e destacou que o candidato do governo, se quiser, vai ser o presidente Jair Bolsonaro, que já indicou publicamente interesse em mais quatro anos de mandato.
Macaque in the trees
O ministro da Justiça e Segurança Pública em seu gabinete (Foto: Reuters/Andre Coelho)

“Não (sou); o candidato presidencial em 2022, acho muito prematuro nós falarmos isso, mas o candidato do governo federal, se ele assim quiser, vai ser o presidente Jair Bolsonaro”, disse Moro em seu gabinete no ministério.

“Eu particularmente não tenho um perfil político-partidário, me vejo mais como um técnico dentro do ministério com essa missão específica”, acrescento.

Há dois meses, Moro – o ex-juiz da Lava Jato tratado no início do governo como um dos superministros de Bolsonaro – está sob intensa pressão após publicação de reportagens do site The Intercept Brasil revelar conversas por aplicativos de mensagens atribuídas a ele e a procuradores da operação em que o então magistrado teria orientado a atuação do Ministério Público Federal no caso.

Moro disse que há uma violação criminosa de mensagens, que ele não reconhece a autenticidade e avaliou não ter visto, do divulgado, “nada de anormal”.

“O que existe ali é um sensacionalismo exacerbado com o objetivo ali de anular condenações criminais”, disse, ao emendar. “Diria em geral anulação de condenações criminais e obstaculizar novas investigações e o do ex-presidente (Lula) é um caso mais em foco”, completou.

Para o ministro, o apoio às medidas na área de segurança pública do governo é grande e, em relação ao nome dele, não houve “um abalo de credibilidade” por essas questões.

“Não estou no governo para disputar concurso de popularidade ou para preocupar com minha imagem. Estou no governo para defender boas ações”, destacou. (Reuters)

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Posted on 13-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-08-2019


 

Tacho, no

 

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 DO EL PAÍS

O peso perde mais de 30% de seu valor, e as ações argentinas despencam em Wall Street depois da contundente vitória do peronismo

Os mercados financeiros reagiram com pânico ante a possibilidade de que o peronismo volte ao poder na Argentina. Um dia após a contundente vitória de Alberto Fernández nas eleições primárias, o peso despencou na abertura do mercado cambial. Uma hora depois, a moeda havia perdido 30% de seu valor. Para comprar um dólar eram necessários 60 pesos, frente aos 45 (ou menos) da última sexta-feira. As ações das empresas argentinas registravam quedas superiores a 50% em Wall Street.

Os mercados apoiam claramente Macri. Sua reação nesta segunda-feira foi ainda mais virulenta que o esperado depois de viver uma jornada de euforia na última sexta, após a divulgação de pesquisas que apontavam o triunfo do atual presidente por uma pequena margem — um cenário muito distante do vivido neste domingo. Os surpreendentes quase 15 pontos de diferença entre Fernández e Macri, 47% contra 32%, preparam o caminho do ex-chefe de Gabinete dos Kirchner rumo à Presidência. Se o resultado for mantido nas eleições gerais de outubro, Fernández seria eleito chefe de Estado sem a necessidade do segundo turno. Macri se antecipou na noite de domingo a uma segunda-feira que seria complicada. Depois de reconhecer sua derrota, pediu a Alberto Fernández que colabore com a governabilidade. “Eu farei a minha parte, como sempre; os vencedores de hoje também têm a sua responsabilidade”, disse na sede da coalizão Juntos pela Mudança.

O candidato da peronista Frente de Todos é visto como mais moderado que sua companheira de chapa, a ex-presidenta Cristina Kirchner. Ainda assim, durante a campanha ele afirmou que seu governo reduzirá a atual taxa de juros recorde do Banco Central da Argentina (60%) e buscará uma renegociação do empréstimo de 57 bilhões de dólares (227 bilhões de reais) contraído por Macri ante o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A depreciação do peso se vislumbrava desde cedo, quando os principais bancos vendiam o dólar a mais de 50 pesos a unidade em suas operações on-line. Mas a moeda argentina despencou logo que começaram as operações cambiais, chegando a figurar a 61 pesos em alguns telões.

Em Wall Street, os papéis argentinos sofriam uma segunda-feira terrível, em especial os dos bancos e das companhias de energia. As ações do Grupo Financiero Galicia caíam mais de 57,5%, as do Grupo Supervielle quase 60%, as da Pampa Energía eram negociadas com uma baixa de 43% e as da YPF com uma queda de 36,7%. A empresa de tecnologia Mercado Libre também perdia 12%, menos que as demais.

A brusca desvalorização do peso teve um impacto nas demais economias regionais. Esta manhã, o real depreciou-se 1,5%, o peso mexicano 1,46% e o peso chileno, 0,85%.

A cotação do dólar tem uma importância essencial na vida política e econômica argentina. É a moeda de poupança que os argentinos usam para se protegerem das crises recorrentes. Seu valor influi muito na inflação, não só pelo aumento das peças e dos produtos importados, mas porque as fábricas e lojas aumentam os preços com rapidez para tentar minimizar possíveis perdas. Nos últimos meses, o Banco Central vendeu dólares para manter estável o valor da sua divisa. Todos estão atentos à estratégia que virá nesta fatídica segunda-feira.

DO EL PAÍS

Candidato, que concorre com a ex-presidenta Cristina Kirchner em sua chapa como vice, obteve cerca de 47% dos votos contra 32% do atual presidente

O peronista Alberto Fernández, que concorre à presidência da Argentina com a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner em sua chapa como vice, ganhou as eleições primárias neste domingo. Com quase 90% das urnas apuradas, Fernández vencia por 47% dos votos, enquanto que o presidente Mauricio Macri levava 32% da preferência. O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 27 de outubro.

Macri reconheceu a derrota: “Hoje tivemos uma eleição ruim”. Caso esses resultados se repitam nas eleições, Fernández será o novo presidente argentino. De acordo com a reforma constitucional de 1995, caso algum candidato consiga 45% dos votos ou 40% dos votos com 10 pontos de vantagem sobre o segundo lugar, não há necessidade de segundo turno. “Estamos contentes, alegres e otimistas que muitos argentinos compreendam que as coisas devem mudar na República Argentina”, disse Kirchner em mensagem gravada em vídeo.

“Estas eleições definem os próximos 30 anos”, chegou a dizer Macri horas antes, no momento de votar. Quiçá não tantos anos e não nas primárias, que, por falta de concorrência interna nos partidos, se converteram em um simples ensaio geral das eleições de outubro, mas certamente este processo eleitoral representa uma grande transcendência para o futuro da Argentina. Duas opções muito diferentes e radicalmente opostas disputam o poder.

O peronismo manteve sua desconfiança sobre o sistema de contagem da empresa Startmatic, contratada pelo Governo. “Criamos nosso próprio centro de contagem porque nos gera muitas dúvidas o modo como se contratou esta empresa”, disse Alberto Fernández ao votar em seu colégio eleitoral. Para elevar o nível de garantia, a candidatura de Alberto e Cristina Kirchner conseguiu que, de última hora, a juíza eleitoral María Servini proibisse a difusão de resultados parciais até que estivessem escrutados ao menos 10% dos votos da cidade e província de Buenos Aires e das províncias de Córdoba e Santa Fé. Queriam evitar que acontecesse como em 2017, quando se interrompeu à meia-noite uma contagem que, naquele momento, favorecia o macrismo. Depois, ao se carregar os dados das zonas mais populosas do país, ficou nítido que os resultados eram favoráveis a Kirchner.

Durante a jornada eleitoral não se registraram problemas relevantes. Em Buenos Aires, que tem o maior peso eleitoral, havia um esplêndido sol de inverno. O candidato kirchnerista ao governo da província, Axel Kicillof, expressou também sua confiança de que os argentinos não fossem dormir “achando que ganhou um, quando ganhou o outro” e sugeriu que o governismo macrista desfrutava de vantagens. “Foi uma campanha muito desigual, nota-se em tudo, mas caminhamos e escutando as pessoas, fizemos nossa proposta, demos uma palavra de fôlego”, declarou. Kicillof afirmou ter percorrido 80.000 quilômetros em seu esforço por convencer o eleitorado bonaerense. A batalha de Kicillof contra María Eugenia Vidal, a atual governadora, é crucial para o resultado: geralmente, quem ganha em Buenos Aires obtém a vitória.

Abundaram as dúvidas sobre a necessidade de umas primárias quando, como nesta ocasião, os grandes blocos partidários já têm decididos seus candidatos. “Talvez fosse necessário fazer menos eleições”, comentou o aspirante macrista à vice-presidência, o peronista  Miguel Ángel Pichetto, que votou em Rio Negro. “É uma eleição meio esquisita pelo fato de ser uma primária e não ter concorrência”, assinalou a vice-presidenta Gabriela Michetti, ausente das listas eleitorais. As Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (PASO) foram estabelecidas em 2011 e são muito discutidas; quiçá em 2019 sejam celebradas pela última vez, se depois das eleições gerais de outubro chegarem a um consenso para aboli-las, algo que parece relativamente provável.

A ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, desta vez aspirante à vice-presidência por trás de Alberto Fernández, antigo chefe de gabinete de Néstor Kirchner e dela também, votou em Rio Galegos, capital de Santa Cruz, o feudo patagônico dos Kirchner. Alicia Kirchner, irmã do falecido Néstor Kirchner e cunhada de Cristina Fernández, tenta nestas eleições revalidar seu cargo de governadora. A carismática e polêmica ex-presidenta, com numerosas ações judiciais pendentes por corrupção, não permitiu que a imprensa a fotografasse no momento de depositar a cédula na urna: só uma câmera própria pôde captar esse momento, e depois a própria candidata escolheu as imagens que deviam ser distribuídas.

Os colégios eleitorais fecharam às 18h00, com uma participação próxima ao 75%. O voto nas primárias é obrigatório, mas as multas aos não comparecem não são proibitivas: 50 pesos, cerca de cinco reais.

“Bela Manhã”, Paulinho da Viola: Com amor e com afeto oe parabéns do mano e dos que pensam e fazem este Bahia em Pauta, a José Genival Soares ( o grande e querido Chico da torcida do Bahia) em segunda-feira de agosto de dupla comemoração: seu aniversário de nascimento e o expressivo feito de seu time do coração, no domingo contra o Palmeiras, em São Paulo, pelo brasileirão. Felicidades, forte abraço e um brinde em dose dupla.TimTim!!!

(Hugo e Margarida) 

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Por Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília

Bolsonaro diz que Brasil não precisa de dinheiro da Alemanha

Bolsonaro diz que Brasil não precisa de dinheiro da Alemanha

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (11) que o Brasil não precisa do dinheiro da Alemanha para preservar a Amazônia.

Neste sábado (10), a ministra do Meio Ambiente da Alemanha, Svenja Schulze, anunciou, em entrevista ao jornal “Tagesspiegel”, a suspensão do financiamento de projetos para a proteção da floresta e da biodiversidade na Amazônia devido ao aumento do desmatamento na região.

Questionado sobre o corte do investimento alemão, Bolsonaro afirmou que a Alemanha estava tentando “comprar” a Amazônia.

“Investir? Ela não vai comprar a Amazônia. Vai deixar de comprar a prestação a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, declarou.

Para ele, outros países tentam se “apoderar” do Brasil. “Você acha que grandes países estão interessados com a imagem do Brasil ou em se apoderar do Brasil?”, indagou.

Bolsonaro deu as declarações na manhã deste domingo (11) durante passeio por Brasília.

O presidente deixou o Palácio da Alvorada pouco antes das 9h e visitou o Clube da Aeronáutica. Depois, foi ao bairro Lago Sul, onde andou de jet-ski. Pilotando uma moto, Bolsonaro ainda esteve na Feira da Torre de TV, na região central da cidade, onde tomou caldo de cana e conversou com frequentadores da feira. Pouco antes das 11h, voltou para a residência oficial, na Alvorada.

 
Governo da Alemanha vai suspender doações para Amazônia.

Governo da Alemanha vai suspender doações para Amazônia.

A decisão alemã de suspender o apoio a projetos diz respeito somente ao financiamento concedido pelo Ministério do Meio Ambiente. A Alemanha também apoia o Fundo Amazônia, para o qual o Ministério da Cooperação Econômica já injetou até agora 55 milhões de euros (por volta de R$ 245 milhões). Além da Alemanha, a Noruega contribui para o fundo.

Reportagem publicada na edição deste domingo do jornal “O Estado de S. Paulo” informa que governadores da região Norte estão buscando financiamento direto com organismos internacionais para conter o desmatamento na Amazônia.

De acordo com a reportagem, representantes de Alemanha, Noruega e dos estados da região Norte se reuniram para discutir formas de repasse direto de recursos, sem a participação do governo federal.

Segundo informou o jornal alemão “Tagesspiegel”, em um primeiro momento, foram suspensos os repasses para projetos no valor de 35 milhões de euros (cerca de R$ 155 milhões). De acordo com o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, desde 2008, já foram disponibilizados 95 milhões de euros (por volta de R$ 425 milhões) por meio dessa iniciativa para projetos de proteção florestal no Brasil.Alemanha  

ago
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Posted on 12-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-08-2019



 

 Sponholz, no

 

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Reportagem do UOL mostra que o PCC criou uma divisão responsável por administrar imóveis nas cinco cidades do país com presídios federais para que familiares dos criminosos fossem bem recebidos.

Segundo a PF, além de definir as locações das casas, essa divisão ainda pagava advogados e os traslados de familiares para a visita.

Entre os alvos de mandados de prisão expedidos pela Operação Cravada, na última terça-feira, duas pessoas são apontadas pela investigação como líderes do núcleo.

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DO EL PAÍS
Paternidade

No sexto e último capítulo do ‘Diário de um pai recém-nascido’, vou ao passado para constatar que não quero mais deixar de estar à beira de chorar por qualquer coisa

Sabia
Gosto de você chegar assim
Arrancando páginas dentro de mim
Desde o primeiro dia
Lola, Chico Buarque

“Agora estamos em Coimbra. Os quatro debaixo do cobertor. Faz um frio danado. E chove muito lá fora. Acabo de chegar em casa, depois de saber que não fui aceito na Universidade, como estava combinado. Vou ser apenas aluno-ouvinte, não vou poder concluir o mestrado. A bolsa de estudos pode ser cortada, mas não posso voltar ao Brasil, pois vendi tudo, a mesa, a geladeira, o fogão, as cadeiras, a minha bicicleta. Pedi demissão da empresa, larguei tudo. Não posso voltar agora, não agora. Tenho que ficar pelo menos um ano, não posso desistir assim tão fácil. Apesar da chuva, apesar do frio, apesar de todo medo, vou conseguir dormir. Não sei se vai amanhecer amanhã, não sei como vamos sobreviver aqui. E tenho que acordar cedo para levar os meninos à escola. Tenho pavor a trovões, relâmpagos, desde criança. Talvez adiante rezar, pedir a Deus, implorar que algo bom aconteça. Mas, como imigrante, não posso vacilar, nem que seja para mim mesmo. Vou atrás de emprego, amanhã mesmo, não vou me entregar, não posso”. Esse era meu pai, lembrando de uma noite qualquer em Portugal, ao contabilizar um ano como sobrevivente na Europa, no fim da década de 1980. Ele registrava, em sua autorreflexão, que, apesar do receio, a bolsa nunca deixou de chegar, “mesmo depois de avisar ao governo sobre o imprevisto que aconteceu, por imprudência do meu professor, orientador da tese que desenvolvi para conseguir a matrícula, ainda que pela metade”, e eu não sei dizer se celebro um erro ou um acerto do Estado brasileiro. Ele dizia também que nunca deixou de “fazer renda, com trabalhos avulsos, como defesa em caso de a bolsa não chegar, uma garantia de que não iria nos faltar nada durante a temporada longe de toda família” e refletia: “Hoje sei que a tempestade passa, que o sol volta a aparecer, não sei como, mas ele volta. Assim, do nada, como ele some, ele volta.” Um testemunho de dignidade, de humanidade, de fraqueza e força e coragem, de resistência, teimosia. Em carta de Brasília a Recife datada de 15 de fevereiro de 1987, enviada a meu avô pouco antes de partir sozinho, para preparar o terreno para mulher e filhos, ele diz “papai, lá se vou em mais uma aventura”. “Agora, é a Europa. Não se preocupe. Vou tentar aprender mais. E conseguir meios para ajudá-lo ainda mais. A todos: você, mamãe, Lucila, Luciane e Romildo”. Meu pai admite para seu pai que não consegue fugir do teatro, diz que é isso que o faz feliz, que em Portugal terá mais tempo para estudar. Agradece a educação que recebeu — e eu me sinto obrigado a fazer o mesmo aqui, agradecer ao meu pai e à minha mãe por tudo o que sei e, mais importante, por tudo o que quero saber, porque apesar dos trovões e dos relâmpagos, nós fomos para a escola. Na carta, meu pai diz que se sente tão empolgado quanto na vez em que escreveu sua primeira peça no colégio, que espera que, como ocorreu naquela época, seus pais estejam na primeira fila o apoiando. Quando escreveu isso, ele era mais novo do que eu sou hoje, então inverto tudo a ponto de ficar meio tonto e só consigo pensar, ao ler seu frescor e sua ilusão concentrados no papel: ah, os jovens! E me deixo envolver pela memória de um tempo em que ainda se escrevia no papel, uma plataforma que segue dando um jeito de sobreviver aos anos, às décadas, às mudanças de apartamento, mesmo sem estar na nuvem, de dentro de uma gaveta, esquecido até ser reencontrado, o tempo redescoberto, o sentimento vivo, eterno, infinito, no papel amarelado, velho, cujo desgaste físico opera a mágica de engrandecer algo já fora da escala métrica, fora de medida, a lembrança que alimenta, nutre, abastece, revigora, enche de energia, de alegria, que consola, emociona, empolga, impulsiona, ameniza os medos — já foi muito mais difícil — e inspira a honrar o passado, o legado, a história, que indica um rumo, que dá sentido aos gestos mais simples, a um bocejo, um arrotinho, um soluço, uma linguinha minúscula e nervosa, o choro desesperado e desesperante, miudezas que, por sua vez, dão sentido à vida, que permitem suportar derrotas, frustrações, humilhações, porque há algo maior, ancestral, que descansa sobre seus ombros e precisa, deve seguir, e depende de você para seguir, do seu empenho, da sua força, da sua força de vontade, do seu caráter, do seu autocontrole e da sua serenidade, mas também do bom humor, da capacidade de rir quando os outros choram, de se divertir enquanto os outros praguejam e lamentam um destino que ignoram ser passível de mudança, um destino que entregam de graça nas mãos de quem maliciosamente se oferece para pensar por eles com objetivos grandiloquentes e artificiais, capazes de seduzir exatamente por conta de sua impossibilidade, sua perfeição mefistotélica, do delírio prepotente de quem goza do luxo de se preocupar com coisas como a democracia, a mudança climática, a harmonia entre os sexos, a abolição dos gêneros, a metafísica de Hegel ou Kant ou o materialismo aleijado de Marx, o eterno retorno da ameaça fascista ou comunista, jogos mentais para passar o tempo, um strip poker da alma no qual as apostas não podem parar, a degradação viciante da política vazia, do discurso inócuo, masturbatório, autocongratulatório, vaidoso, estéril e, portanto, enganoso, frustrante, poço sem fundo de ressentimentos e carniça para os urubus congressuais em terno de cordeiro. Mas e daí? Eu quero saborear tudo, mesmo o que há de pior, mas principalmente celebrar cada empecilho, cada obstáculo superado, o destino da miséria subjugado, o sucesso apesar de todos os pesares, e erguer um estandarte em nome de cada degrau subido ou descido ou desabado ao longo de anos, décadas, séculos. Talvez eu devesse estar bebendo em vez de escrever, para aceitar e abraçar a nova vida por meio da catarse física — não existe apenas uma forma de processar as mudanças. Mas eu aprendi a fazer assim, escrevendo. Talvez porque meu pai não conseguiu esquecer um trauma, que conta e reconta: “Meu tio era alcoólatra. Quando criança ia com minha mãe buscá-lo desmaiado no meio da rua. Todo sujo. Não suportava o fedor que vinha da roupa dele, mas me sensibilizava o gesto de minha mãe em resgatá-lo pra nossa casa. No dia seguinte, ele era outra pessoa, torcedor do meu time de futebol, amável com a esposa e os filhos que, no começo, vinham visitá-lo. Depois sumiram. Fugiram para São Paulo. E vi meu tio de terno e gravata, de cócoras, no quintal lá de casa, chorando. Deu-me bolinhas de gude e pediu que não contasse pra minha mãe. Estava desempregado, vim saber anos depois. Como toda criança, não entendia como a vida funcionava. Por que uma pessoa tão boa como o meu tio vivia daquela maneira? Ouvia ele dizer na hora do almoço que as coisas iriam mudar, pro bem de toda nossa família, mas não foi bem assim. Meu pai foi muito paciente, minha mãe comprometeu até o casamento, minha avó rezava todo dia a oração das causas impossíveis…E meu tio foi parar num hospício. Passei a temer os domingos, dias de visitas. Ele gritava para que a minha mãe o tirasse de lá, que ele não era doido, e que precisava ver os filhos, e que a vida assim não valia a pena. Na década de 1960, o tratamento para alcoólatras era terrível, desumano. Eram hospitais públicos, superlotados. O maior do Recife ficava no bairro chamado Tamarineira, a árvore que dá a fruta tamarindo, que eu adorava. Azedinha. Mas Tamarineira passou a ser sinônimo de loucura. De lugar de doido. ‘Vou te mandar pra Tamarineira!’ Era assim que as pessoas falavam quando queriam ofender as outras. Mas o meu tio conseguiu sair. Foi morar com a minha avó numa casa próxima à nossa. Passava lá em casa para almoçar e me levava pra jogar no bicho. Jacaré, cobra, leão. Dizia que se ganhasse iria parar de procurar emprego, parar de beber, e compraria uma passagem de ônibus para resgatar a família que fugiu para São Paulo. Imaginava meu tio chegando lá, abraçando meus primos e tudo voltando a ser como antes. Mas à noite ouvia meus pais falando que a situação só piorava e que minha mãe daria umas boas porradas na esposa fugitiva se cruzasse com ela. Fui vendo que tem coisa que a gente não conserta nem com reza braba. Não tem jeito. E que a vida não é como a gente acha que é, mas, sim, como ela é. A vida é como ela é. Meus pais pagavam para uma garota dar assistência ao meu tio e à minha avó na casa alugada em nosso bairro. Ela chegou cedo naquela manhã de feriado e ficou brincando com a gente sem falar muito. Eu e meus irmãos não estranhamos nada. A vida das crianças é brincar. Jamais imaginaríamos que uma tragédia estava para ser anunciada. Era um feriado, dia especial, os pais ficam próximos, o ritmo normal diminui, não se percebe muito o lado ruim. Até a garota dizer, depois do almoço, que o meu tio estava vomitando muito quando ela saiu da casa da minha avó. Quando meus pais chegaram lá, não dava mais tempo. Meu tio havia bebido veneno pra matar rato. A vida é como ela é.” Hoje, quando ainda tento digerir a chegada tão recente e tão intensa do meu filho, em quem acabo de dar o banho inaugural em casa (que, aliás, foi considerado um sucesso, obrigado, de nada), eu tenho ainda mais vontade de ouvir do avô que acaba de nascer como eram as coisas quando ele era apenas filho ou apenas pai e filho, e essa vontade talvez seja a melhor das táticas evolutivas desenvolvidas pela natureza, porque, depois de virar pai, eu não quero mais viver apenas a minha vida, eu quero viver todas as vidas, eu quero reviver todas as vidas, conhecer o passado em que me escoro para poder evitar os erros e tentar repetir os acertos. Ouvir tragédias e epopeias, dificuldades e facilidades, sucessos e fracassos. E repetir até o mundo entender: quero saborear tudo, mas especialmente celebrar cada empecilho, cada obstáculo superado, o destino da miséria subjugado, o sucesso apesar de todos os pesares, e erguer um estandarte em nome de cada degrau subido ou descido ou desabado ao longo de anos, décadas, séculos (você já leu isso, mas leiamos de novo). Quero fazer um samba-enredo incompreensível em nome do pai do meu pai, que colecionava os discos carnavalescos na garagem de casa e deitava na rede para acompanhá-los enquanto lia os encartes, um samba-enredo que remeta aos sumérios e misture Ramsés com Ulysses Guimarães sob a raiz quadrada de Paulo Maluf com ascendente em Getúlio Vargas (e os filisteus, minha Sapucaí!?). Eu quero andar quilômetros e quilômetros sem fim, como o pai da minha mãe, até ninguém saber onde eu estou, até que eu consiga descobrir onde eu quero estar. Eu quero servir um simples guaraná na garrafa de vidro como se fosse o ato mais especial do mundo (porque era o ato mais nobre do mundo) como a mãe da minha mãe, quero fazer feijão com abóbora e macarrão como a mãe do meu pai. Eu quero gritar baixinho, para não acordar o bebê. Quero escrever para sempre ou pelo menos até que meu filho acorde para mamar e apenas depois que ele tiver arrotado e cochilado de novo. Eu não quero mais deixar de estar à beira de chorar por qualquer coisa, qualquer lembrança, qualquer manifestação de afeto, não quero deixar este estado de me sentir vivo como nunca antes, completo, repleto, estufado, empanturrado de felicidade, sem fritas, sem carro do ano, sem promoção, sem prêmios, sem glórias mundanas, apenas com a contração involuntária do rosto do meu filho recém-nascido, que meu cérebro processa ingenuamente como o maior sorriso do mundo. Eu acho que é isso que eles chamam de família. Uma família que respira, engasga, persiste, que sente, que se expande, que se espalha, que se lembra, que se fala. Uma família como a sua. Como qualquer outra.

Bonus track

O que segue abaixo é uma reprodução da carta que ilustra este texto. Ela registra o momento em que meu pai e minha mãe descobriram que teriam gêmeos. Sete anos depois, viria Clara, que não assustou apenas a eles, mas a mim e a meu irmão, e que também nos fez muito felizes e, apesar da barra, foi bonito demais. Feliz Dia dos Pais!

Um pouco assustado, mas feliz

“É. Deus dá o frio conforme o cobertor!” Essa foi a frase mais ouvida por mim depois que fiquei sabendo da gravidez gemelar de Clarice. Gemelar. Foi assim que o médico escreveu no diagnóstico do ultrassom. Estávamos os dois no consultório quando vimos pelo vídeo da máquina os dois fetos. Lá estavam os bichinhos. Respirando. Corações a mil.

Segurei na mão de Clarice. Era o mínimo que podia fazer. Ela estava deitada, com um objeto preso à barriga, para melhor observação do médico. Dr. Aguilar. Que, com a cara mais lisa do mundo, virou pra gente e tascou a confirmação: “São gêmeos, certo? Esperem lá fora agora.”

Senti um frio na barriga e vi que Clarice chorava. Procurei água por perto, não sei se para acalmá-la ou a mim. O certo é que bebemos, e pela primeira vez senti gosto na água. Era um gosto estranho, desses que a gente só sente quando engole seco. Meio sem jeito, sei lá. O certo é que nunca senti tanto bem por alguém como naquela hora pelos dois bichinhos descobertos na barriga dela.

Fomos para a sala de espera. “E agora?” Era o que me passava pela cabeça. Estávamos ausentes do lugar, embora ali. Voávamos por algum planeta habitado apenas pelos quatro. Não, não era isso. O que quero dizer é que não estávamos ali de verdade. “Parece mentira, devo estar sonhando”, disse-me várias vezes Clarice. Mas ficamos ali, de frente pro outro, como nunca havíamos experimentado. Éramos quatro e só víamos dois.

A sala de espera parecia nos parabenizar. Sim, veio uma atendente e disse: “parabéns”. Embora aceitasse o elogio, fiquei meio sem jeito. Afinal, que foi que eu fiz? Ou melhor, o que fizemos? Apenas vão nascer dois, em vez de um. E, por falar nisso, penso, agora, vai ser barra, mas que vai ser bonito, vai. Pois é, Clarice, guarda este papel e mostra pros dois, quando eles crescerem. Vão saber como o pai os amou, oficialmente, pela primeira vez. Um beijo.

“Imagination”, Frank Sinatra & Tommy Dorsey Orchestra: Envolvente e romântica melodia, arranjo musical mais que perfeito de um maestro de orquestra genial. E a interpretação exceocional de Frank. Tudo de bom e do melhor para começar o comingo no BP. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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