Chanceler vai aos EUA ao lado de Eduardo Bolsonaro, mas não há anúncios. Presidente diz ter tido conversa “produtiva” com Angela Merkel sobre crise ambiental

O chanceler Ernesto Araújo e o deputado Eduardo Bolsonaro na Casa Branca.O chanceler Ernesto Araújo e o deputado Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. Evan Vucci AP

O chanceler Ernesto Araújo, e Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro e no comando da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, fizeram nesta sexta-feira uma visita express à Casa Branca. Araújo e Eduardo afirmaram na saída a jornalistas que foram recebidos pelo presidente Donald Trump, pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, pelo genro e assessor de Trump, Jared Kushner, e por assessores do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton. Os brasileiros não ofereceram maiores detalhes sobre os encontros, que tampouco constam da agenda oficial das autoridades norte-americanas. “Creio que estamos em sintonia, os Governos estão em sintonia”, disse Araújo, a respeito da crise pelas queimadas na Amazônia, que colocaram o Bolsonaro como alvo de críticas, especialmente da Europa, mas não de Trump.

“Nós não tínhamos expectativa de sair daqui com nada assinado, mas achamos que é extraordinariamente significativo que o presidente Trump tenha nos recebido”, disse Eduardo Bolsonaro, indicado pelo pai para ser embaixador do Brasil em Washington, algo que ainda depende da aprovação no Senado. “Ele [Trump] reiterou várias coisas, prometeu trabalhar com a gente nessa questão do desenvolvimento sustentável na Amazônia, interesse enorme em acordo comercial amplo. Temos que sentar agora para ver o vai ser isso, como vamos modelar esse tipo de acordo”, seguiu, tudo segundo o globo. 

Não foram divulgadas, até o momento, imagens da reunião. A informação oficial sobre o encontro vinda do Itamaraty também foi pontual. À reportagem, a assessoria informou que Araújo “liderou delegação a Washington que foi recebida hoje pelo presidente dos EUA, Donald Trump”. Mais cedo, o presidente Bolsonaro havia dito que havia pedido “ajuda” a Trump na crise.

Telefonema para Merkel e mudança de tom

A aliança entre o Planalto e a Casa Branca é um dos maiores ativos da política externa do Governo Bolsonaro, sob pressão com a crise na Amazônia  —o presidente também recebeu nesta semana endosso do presidente chileno, Sebastián Piñera. Além dos danos à imagem do país, o aumento do desmatamento e das queimadas, aliados à retórica do presidente contra a regulação e multas ambientais, já começam a ter reverberação econômica negativa para o Brasil, com o boicote de uma marca norte-americana ao couro brasileiro. 

Nesta sexta pela manhã, o presidente Bolsonaro seguiu em sua retórica dura contra Europa, e especialmente com a França de Emmanuel Macron — “A Europa toda junta não tem lições para nos dar no tocante ao meio ambiente “—, mas anunciou que falaria com a chanceler alemã, Angela Merkel. À noite, informou ter tido uma “conversa bastante produtiva” com Merkel, numa mudança de tom em relação às semanas prévias, quando a Alemanha anunciou a suspensão de verbas para o Fundo Amazônia, que destina recursos a projetos contra a mudança climática na floresta brasileira. “[Ela] reafirmou a soberania brasileira na nossa região amazônica. A pedido do Governo Alemão, o Serviço Europeu de Ação Externa foi mobilizado para avaliar a situação das queimadas na América do Sul”, escreveu o presidente no Twitter.

A relação do Brasil com as lideranças europeias cobra especial importância num momento em que ainda pende de ratificação nos Parlamentos europeus o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A UE fez questão de frisar os compromissos ambientais do Brasil no pacto, especialmente a permanência no Acordo de Paris, de combate ao aquecimento global. A França de Macron, cujos agricultores são contra o acordo comercial com o Mercosul, se transformou num bastião de resistência ao acordo e de cobranças públicas a Bolsonaro.

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