ARTIGO

Artigo publicado na Tribuna da Bahia em 29/08/19

As potencialidades e a realidade da Bahia

Joaci Góes

Ao velho e bom amigo Adilson Lyra!

É provável que a Bahia exiba o panorama mais discrepante entre as riquezas que possui e a fruição delas, no contexto da Federação Brasileira. O flagrante empobrecimento do Estado, nos últimos anos, com perda de competitividade em setores vitais de sua economia, como o industrial e o de serviços, tem contribuído para aumentar, ainda mais, a diferença na renda média per capta de sua população em face das unidades mais avançadas do País. A brutal queda de nossa participação no bolo turístico, talvez seja a faceta mais perceptível desse declínio, em razão da visibilidade ostensiva do fechamento de importantes hotéis que nas últimas décadas estiveram muito presentes no imaginário popular.

Contribuindo para aumentar, ainda mais, esse crescente sentimento coletivo de frustração, a CBPM – Companhia Baiana de Recursos Minerais – fez circular um vídeo muito bem elaborado em que demonstra ser a Bahia o quarto mais rico estado brasileiro em recursos minerais, e o maior produtor de diamante da América Latina. A Bahia é o mais rico estado nordestino em diversificadas reservas de elementos metálicos, conferindo ao Brasil posição de relevo no cenário internacional. A maior área de extração de esmeralda no Brasil está em nosso Estado. A única mina de urânio da América do Sul está aqui. Somos, também, os maiores produtores de Cromo e de Magnesita, além de sediarmos a única mineração de Paládio na América Latina. Lideramos, igualmente, a produção de Níquel no País. Na produção de Grafite, ocupamos o segundo posto. Somos muito ricos em Calcário, Cobalto, Ferro, Cobre e Ouro. O que ainda nos falta para dar efetividade a essa riqueza potencial que movimenta bilhões de dólares, anualmente, é pesquisa de qualidade. É quando constatamos a necessidade de ajustarmos as pesquisas universitárias à nossa realidade econômica.

Praticamente, toda atividade humana é, direta ou indiretamente, dependente de recursos minerais para sua concretização. Os 66 minerais necessários à produção do Smartphone, por exemplo, dentre eles o Lítio, o Ouro, a Prata e o Cobre, são encontrados na Bahia. Os minerais grafados com maiúsculas foi proposital.

O Brasil deve muito à Bahia pela relevante posição que ocupa entre os dez maiores recipiendários de investimentos internacionais, no setor de mineração. E a CBPM, empresa com quase 50 anos de atividade muito produtiva, é a principal credora da posição que a Bahia ocupa no cenário brasileiro e internacional. A presença, entre nós, de empresas como a Fosnor, Ferbasa, Magnesita, Vanádio de Maracás, Níquel de Itagibá, Caraíba Metais, Yamana, Lipari, Leagold, Bamin, entre outras, deve-se muito ao papel desempenhado pela CBPM.
Na sociedade do conhecimento em que estamos imersos, somos hoje o resultado da qualidade da educação que recebemos. Por isso, somos pouco competitivos, porque a educação do passado recente não esteve à altura das exigências dos novos tempos. Pelo mesmo diapasão, podemos antever que não será brilhante a Bahia de amanhã, em face da péssima educação que praticamos, hoje.

Tudo está a clamar no sentido de que nossos governantes deveriam ter a humildade patriótica de reconhecer que a educação deve ser objeto de um grande mutirão nacional, com a participação de toda a sociedade. Fora daí, estaremos diante do futuro presente, ou do futuro que já aconteceu, algo assim como a previsibilidade de que chegará ao chão uma pedra lançada das alturas, de tal modo ele, o futuro presente ou o futuro que já aconteceu, decorre, de modo inelutável, dos erros que, claramente, estamos cometendo.

Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto originalmente publicado nesta quinta-feira, 19, na TB.