O jornalista Francisco Viana morreu em Salvador, neste domingo (25 de agosto), de parada cardíaca e terá o corpo cremado nesta segunda-feira (26), às 14h30min, no Jardim da Saudade.

Ele era um dos maiores especialistas em comunicação empresarial do País, e autor do livro “De cara com a mídia”, em que abordava a nova problemática do relacionamento entre empresas, mídia, sociedade e poder público. Uma obra considerada indispensável pelos profissionais envolvidos na comunicação corporativa e estudantes da área.

Graduado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia – UFBA, Mestre e Doutor em Filosofia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP e especialista em Media Training e Gestão de Crises, Francisco Viana possuia vasta experiência nas áreas de Comunicação Estratégica, Pública, de Crise e Filosofia da Comunicação, que podia ser comprovada através de suas contribuições como escritor, professor, consultor de comunicação e colunista, palestrante e autor de diversos livros como “Hermes, a Divina Arte da Comunicação” e “Marx, o labirinto da utopia”.

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E o domingo vai embora levando com ele nosso amigo e colega jornalista Francisco Viana.
Com tristeza, informo que seu corpo será cremado nesta segunda-feira (26), às 14h30, no cemitério Jardim da Saudade, em Brotas.
Francisco Antonio Marques Viana trabalhou no jornal A Tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1978, para trabalhar no Jornal O Globo. De lá foi para São Paulo, até voltar para Salvador. Trabalhou na revista Isto É, era doutor em Filosofia Política, foi professor de Comunicação em várias Universidades, trabalhava com Mídia Training, dentre outras funções que desempenhou com dignidade e competência. Chico Viana nasceu em 18 de setembro 1951.
Ultimamente, sempre encontrava com ele no Shopping Barra, passava para um café e um ótimo papo. Siga na paz, Chico Viana. 

´´É este editor do Bahia em Pauta comentou:

  • Vitor Hugo Soares : “Chico Viana começou no jornal A Tarde, na redação da Praça Castro Alves, onde se destacou como um dos melhores repórteres de Geral de seu tempo no jornalismo baiano. antes de ir para a sucursal de O Globo e, de lá, para o Rio de Janeiro. Fez reportagens e assinou textos brilhantes, quando o jornalismo derrapava em amadorismos.Colega de Margarida, também, no vespertino. Trabalhamos juntos em A Tarde onde construímos uma relação profissional e amizade pessoal mutuamente respeitosa, e afetuosa, que atravessou décadas, apesar dos muitos desencontros pela vida e pela profissão.
    Nos encontramos pessoalmente, em Salvador, pela última vez, pouco antes das eleições presidenciais passadas. Ele disse que precisava falar comigo e marcamos em meu apartamento, onde ele veio na companhia de Verona.Foi uma conversa longa sobre amenidades, Brizola, política e velhas amizades no jornalismo, vinhos, viagens e boa comida. Mas quando Chico Viana se despediu, fiquei com a dúvida e amarga sensação de que ele não disse o que  “tanto desejava falar” comigo, como dissera antes. Marcamos para outra oportunidade. Mas com esta triste notícia de sua repentina partida, verifico, que tudo ficou como na canção de Donato: “até um dia, até talvez, até quem sabe!!!”..

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 PARIS E SALVADOR

(O último texto de Chico Viana no Leia.mais-BA. O jornalista escrevia também na Tribuna da Bahia)

“Paris e Salvador. Paris é uma cidade feminina. É o núcleo da mitologia urbana moderna e pós moderna.  Mistura divina de Afrodite, Atenas e Artemis, filha de muitos tempos, a força guia e o farol para a difícil e misteriosa arte de amar. Paris convida a passear pelas ruas de braços dados, de mãos dadas, trocar beijos nas esquina, dançar … comer no bistrô Paul Bert, tomar um taça de vinho no Café Les  Deux Magots e imaginar que Sartre e Simone de Beauvoir estão, na mesa ao lado, ao alcance dos olhos, conversando sobre existencialismo … convida a se perder no Marrais e sua ruas cheias de gente, com pequenos pedaços da África incrustados como exóticas pedras preciosas… ver a torre Eiffel ao longe( ou de perto  ) envolta em névoas, dormir tarde, acordar tarde, comer sanduíche grego… Encontrar Diderrot, Danton, Robespierre e Napoleão no restaurante Le Procope (1686), na legendária rue de Ancienne Comèdie…

Não importam as multidões de chineses que parecem ubíquas nem os turistas seduzidos mais por tirar fotografias do que pela embriaguês da paisagem. É como abarcar o mundo com um único olhar, embora Paris também lembre uma esfiha ge sem olhos com suas histórias de rebeldia e morte da Comuna de Pária que horrorizou a Europa.

É como no Jogo das Amarelinhas, de Júlio Cortazar, você marca um encontro no Quartier Latin. Onde? O acaso dirá. O que importa é o prazer da busca, do encontro. E, em um instante de dúvida, faça como recomenda o romântico Baudelaire: embriague-se. De poesia, de vinho ou com a paisagem. 

“É preciso estar sempre embriagado…E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: É hora de embriagar-se!“

Não seja escravo do tempo, nem dos compromissos,  nem dos roteiros, nem… Embriague-se com a liberdade de ir e vir. Se perca nos labirintos da historia. E se reencontre. Sempre. Seja o senhor e a senhora do tempo. Vão, senhor e senhora do tempo, onde seus pés lhe levarem.

Sigam o curso do Sena. Vejam o casario elegante, as vitrines, os restaurantes, os teatros, os palácios, as livrarias, as galerias, a paisagem. Não tentem decifrar os mistérios da cidade , os ecos das antigas barricadas, nem conhecer as fadigas das longas solidões que devoram o sangue de milhões de seres anônimos.

Como no fino sonho de um espelho, entregue-se aos encantos da cidade. Imaginem: Benjamin e suas Passagen de Paris, a Prosa de Balzac e seus mitológicos Flaneurs, no didatismo de Eugène Sue com Os Mistérios de Paris, pense nos desejos humanos, na alegria e nas lutas sociais, no utopismo, a base para um sociedade bem regulada.
Embriaguemo-se. Ouçam as vozes de Edith Piaf. 

Sonhem. Esse tempo é eterno. É o tempo idílico de sonhar. Esqueçam-se das lutas angustiantes pela sobrevivência. Esqueçam-se que foi em Paris que o jovem Marx inspirou-se no Vampiro para tecer suas teses revolucionárias condenando o capitalismo.  Lembre-se de Meia-noite em Paris, je t’aime…

Entreguem-se à cidade como alguém que se deixa seduzir por um buquê de rosas vermelhas, a rústica beleza de uma casinha de campo, uma taça de Champagne. Pensem em maio de 1968 e nos estudantes, mas não só nas passeatas, nos embates com a policia, e , sim,  nas noites de amor.

Noites sem fim. Noites que se bifurcam em outras e chegam de forma plural aos nossos dias. Embriaguemo-nos-se e acreditem,Paris é dos enamorados. Esse o seu maior segredo. Essa a fronteira que demarca os limites entre o sonho e a realidade.”

 

“Viagem”, Emilio Santiago: uma criação musical lapidar de Paulo Cesar Pinheiro em parceria com João de Aquino, que o próprio autor considera o seu “passaporte” definitivo para uma das carreiras autorais mais exitosas e significativas das música brasileira. Aqui em interpretação impecável e marcante do imortal Emílio Santiago. 

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

ivo

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Do Jornal do Brasil

 

A determinação é do ministro Sergio Moro

  O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou hoje (25), em uma postagem no Twitter, que a Polícia Federal (PF) vai investigar integrantes de um grupo que teria planejado atear fogo em áreas de floresta entre os municípios de Altamira e Novo Progresso, sudoeste do Pará, no último dia 10 de agosto, data que chegou a ser batizada, por produtores rurais da região, como “dia do fogo”. O caso foi denunciado em uma reportagem da revista Globo Rural.

“Fui contatado hoje mesmo pelo PR @jairbolsonaro sobre o fato e solicitando apuração rigorosa. A Polícia Federal vai, com sua expertise, apurar o fato. Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos”, afirmou o ministro.

Segundo a matéria, mais de 70 pessoas, entre sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros combinaram, por meio de um grupo de WhatsApp, incendiar as margens da BR-63, rodovia que liga essa região do Pará aos portos fluviais do Rio Tapajós e ao estado de Mato Grosso.

A reportagem também foi compartilhada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em que ele reforça a determinação do presidente Bolsonaro para uma “investigação rigorosa” e punição dos responsáveis pelos incêndios criminosos.

De acordo com a assessoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a apuração da PF deve se concentrar sobre o caso denunciado na matéria da revista Globo Rural.

MPF no Pará apura denúncia

Na última quinta-feira (23), o Ministério Público Federal (MPF) no Pará informou que está investigando o aumento de queimadas na mesma região, incluindo uma denúncia semelhante de incêndios criminosos. De acordo com o MPF, o procurador da República Paulo de Tarso Moreira Oliveira apura a convocação, divulgada em jornal de Novo Progresso, supostamente por fazendeiros, para um “dia do fogo”, em que os produtores rurais incendiariam grandes áreas de floresta. O dia previsto para a manifestação também seria 10 de agosto.

Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram aumento significativo de queimadas no dia 10 de agosto, com o registro de 124 focos de incêndio, aumento de 300% em relação ao dia anterior. No dia seguinte, foram registrados 203 focos. Em Altamira, os satélites detectaram 194 focos de queimada em 10 de agosto e 237 no dia seguinte, um aumento de 743% nas queimadas.

A resposta de Merval

“O presidente Jair Bolsonaro insiste na fake news de que eu teria recebido R$ 375 mil por uma única palestra paga pelo Senac”, diz Merval Pereira.

“Colocou ontem no seu twitter a falsa informação e, numa entrevista coletiva, desafiou os jornalistas a publicarem sua ‘denúncia’:

(…) ‘Acabei de postar aí uma matéria sobre o Merval Pereira. Palestra por 375 mil reais, tá legal? Tá ok? 375 pau uma palestra no Senac, tá ok? Façam matéria agora. Se vocês não fizerem nenhuma matéria sobre isso amanhã no jornal eu não dou mais entrevista pra vocês, tá legal? Tá combinado? Toda a imprensa. Tá combinado? E tem mais nome também, eu só botei um nomezinho hoje. Não estou perseguindo ninguém. Agora, gastar dinheiro público pra palestras, aí é brincadeira. Fica escrevendo o tempo todo lá críticas, criticar mas mostrar que é uma pessoa isenta, né? Imprensa isenta. Se não fizerem matéria escrita amanhã nos jornais, não tem mais entrevista pra vocês aqui, tá legal?’

Deixar de dar entrevistas se jornalistas não fizerem o que ele deseja? Essa ‘ameaça’ seria apenas risível, não dissesse ela muito de uma personalidade que a cada dia se mostra mais autoritária. E desgostosa de poder muito, mas não poder tudo.

Não é o desejo do presidente que satisfaço agora. É por respeito aos meus leitores que esclareço novamente o episódio, usando desta vez a coluna.

Em março de 2016, eu e diversos outros jornalistas e economistas fomos contratados para participar do Mapa Estratégico do Comércio, da Fecomércio do Rio.

O projeto previa 15 palestras em diversas cidades do Estado do Rio, analisando as perspectivas políticas e econômicas naquele ano de eleições municipais. Os R$ 375 mil de que fala o presidente, portanto, não se referem a uma palestra, mas às 15 previstas para os anos de 2016 e 2017.

Na verdade, não recebi esse total, pois o programa foi interrompido, e acabei dando 13 palestras, que foram noticiadas nos jornais locais, em informes publicitários da Fecomércio do Rio, em sites, e filmadas. As palestras eram abertas a representantes do comércio, da indústria, da educação, políticos locais, estudantes.

Foram as seguintes as cidades das palestras: Angra dos Reis (30/3/2016); Miguel Pereira (14/4); Três Rios (28/4);Volta Redonda (5/5/); Barra do Pirai (19/5); Teresópolis (16/6); Valença (9/6); Barra Mansa (14/7); Rio das Ostras (28/7) Petrópolis (11/8); Rio de Janeiro (7/12/); Cabo Frio (16/3/2017); Niterói (25/5/2017).

Cada palestra teve a respectiva nota fiscal, incluindo os impostos devidos, e foi declarada no meu Imposto de Renda.

Taokei?”

DO JORNAL DO BRASIL

Presidente brasileiro afirma que sempre buscou ‘diálogo com os líderes do G7, bem como da Espanha e Chile’

  Nas redes sociais na tarde deste domingo (25), o presidente Jair Bolsonaro retuitou um vídeo de uma conversa vazada entre a chanceler federal alemã Angela Merkel, o presidente francês Emmanuel Macron e o premier britânico Boris Johnson em que os líderes falavam sobre as queimadas na Amazônia e afirmam que iriam entrar em contato com líder brasileiro para tratar e ajudar sobre o problema ambienta

Em resposta ao ‘vazamento’ do vídeo e ao ser citado, Bolsonaro tuítou: “Desde o princípio busquei o diálogo junto aos líderes do G7, bem como da Espanha e Chile, que participam como convidados. O Brasil é um país que recupera sua credibilidade e faz comércio com praticamente o mundo todo”.

Chanceler alemã

É possível escutar a alemã Ângela Merkel  mencionando no vídeo de reunião do G7 que ela vai falar com Bolsonaro para que o presidente brasileiro não fique “com a impressão de que está trabalhando contra ele”.

Já Johnson, premier britânico,  disse achar o contato de Merkel ‘importante’. O anfitrião da reunião do G7, Macron levou a questão dos incêndios na Amazônia ao encontro e pediu “mobilização de todas as potências” para ajudar o Brasil e os demais países afetados pelas queimadas. Não sabendo de quem se tratava, o presidente francês, pergunta de quem os líderes estão falando e, após a chanceler alemã afirmar que tratava-se de Bolsonaro, o líder francês começa a esboçar uma resposta, um dedo é visto na frente da câmera e a transmissão foi interrompida.

Macron chegou a afirmar que Bolsonaro mentiu sobre compromissos climáticos e declarou que será contrário ao acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul — posicionamento endossado por membros pequenos do bloco europeu, mas questionada por Merkel e Johnson.

Já o brasileiro disse que não iria procurar o presidente francês, fez criticas, mas disse que  aceitaria conversar se a inciativa partisse do francês.

*** com informações de agências

ago
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Posted on 26-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-08-2019


 

Geuvar, no portal

 

O recrudescimento das hostilidades, agora que Macri decidiu lutar até o fim, não ajudará a maltratada economia argentina a recuperar a confiança exterior

O presidente Mauricio Macri e sua esposa, Juliana Awada, saúdam aos manifestantes que se congregaron na praça de Maio em apoio o Governo.
O presidente Mauricio Macri e sua esposa, Juliana Awada, saúdam aos manifestantes que se congregaron na praça de Maio em apoio o Governo. (Reuters)

O presidente Mauricio Macri acha que —apesar da enorme vantagem de que dispõe o peronista Alberto Fernández— ainda pode ganhar a reeleição. Também o acham muitos milhares de argentinos, que no sábado saíram em massa à rua para gritar “sim se pode”. Em um momento crítico, com uma delegação do FMI em Buenos Aires para avaliar as consequências da nova queda do peso e com a campanha eleitoral a ponto de relançar-se, Macri dispõe-se a lutar até o último dia.

De modo geral, as forças políticas mobilizam as pessoas. Mas desta vez não ocorreu assim. Foi ao contrário. Com Macri e os dirigentes de sua coalizão ainda prostrados pela terrível derrota sofrida nas primárias do 11 de agosto, uma parte dos argentinos sentiu a necessidade de fazer algo para evitar a volta ao poder da ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, embora desta vez ela ressurja apenas como sombra vice-presidencial do candidato Alberto Fernández.

Quem acendeu a fogueira foi o popular ator Luis Brandoni, afiliado ao radicalismo e firme partidário de Macri. Brandoni é um dos protagonistas de La Odisea de Los Giles, um filme que lota os cinemas argentinos com uma história sobre o colapso e o corralito de 2001. De Madri, o ator publicou nas redes um vídeo em que conclamava à mobilização. “Estamos preocupados, mas não derrotados; pelo contrário, há muito por fazer”, disse, “no sábado 24 vamos às ruas e praças de todo o país”. A mensagem circulou rápida e maciçamente.

Chegou a tarde de sábado e ao redor do Obelisco de Buenos Aires se reuniram milhares de pessoas. Eram idosos em sua maioria, nem tão poucos para se falar em fracasso nem tantos para se falar em sucesso. De lá a previsão era marchar em direção à Praça de Maio, nas proximidades. Foi então que começou a ocorrer um fenômeno próprio de um roteiro cinematográfico: mais e mais pessoas foram no último momento à praça, até lotá-la. Ao mesmo tempo foram realizadas manifestações em outras cidades do país.

O presidente Macri estava em sua fazenda de Los Abrojos. O diretor Juan José Campanella (em Madri com Brandoni porque os dois trabalham na obra teatral Parque Lezama) publicou uma mensagem em que aconselhava Macri a ir à Casa Rosada, e ele assim o fez. Ordenou que as grades da Praça de Maio que impedem a aproximação ao palácio presidencial fossem retiradas e foi de carro à Casa Rosada, acompanhado por sua esposa. Da sacada, Macri saudou a multidão e se emocionou. Não havia alto-falantes e precisou gravar com um celular uma mensagem eufórica que foi imediatamente difundida. “Três anos e meio são pouco para mudar tudo o que é preciso mudar, continuemos juntos, podemos ser melhores”, disse, com lágrimas nos olhos.

O FMI em Buenos Aires

O dia 1 de abril de 2017 estava na lembrança. O peronismo havia organizado três grandes marchas de protesto contra o Governo, mas nesse dia o macrismo se mobilizou nas ruas e gerou um impulso que os levou a ganhar eleições legislativas que iriam, de acordo com as pesquisas, iram perder. O último sábado deu, como 1 de abril de 2017, um enorme fôlego à moral da coalizão no poder. Mas, já inserido nessas casualidades quase inverossímeis, também significou uma demonstração de força à delegação do Fundo Monetário recém-chegada a Buenos Aires. Enquanto a multidão apoiava Macri e insultava Cristina Kirchner (“Cristina presa”, “Não voltem mais”) em frente à Casa Rosada, os técnicos do FMI se reuniam no  Ministério da Fazenda com o novo responsável econômico do Governo, Hernán Lacunza. Viram a manifestação das janelas de seu gabinete. “As pessoas do FMI se surpreenderam”, comentou depois o ministro.

A manifestação de apoio ao Governo de Mauricio Macri andou do Obelisco de Buenos Aires até a Praça de Maio.
A manifestação de apoio ao Governo de Mauricio Macri andou do Obelisco de Buenos Aires até a Praça de Maio.

A tarefa de Lacunza, nomeado em substituição a Nicolás Dujovne após a queda do peso e das Bolsas que se seguiu às eleições primárias, é complicada. Precisa se assegurar de que o FMI entregue nas próximas semanas uma nova parte (5,4 bilhões de dólares,  —22 bilhões de reais—) do empréstimo de 57 bilhões (235 bilhões de reais) concedido em setembro, apesar de as regras sob as quais foi efetuada a concessão terem mudado substancialmente. Hoje o peso vale 30% a menos em relação ao dólar e isso fará a inflação disparar em quase 5% ao mês. Vários membros da equipe econômica de Macri apontam a necessidade de renegociar os termos do acordo com o Fundo. A equipe do FMI reconhece o novo equilíbrio de forças criado após as primárias e também mantém contatos com a equipe econômica de Fernández.

O recrudescimento das hostilidades, agora que Macri decidiu lutar até o fim, não ajudará a maltratada economia argentina a recuperar a confiança exterior. O FMI, que até agora apoiava explicitamente qualquer medida do Governo, deixou de fazê-lo. E Donald Trump, que foi aliado incondicional de Macri, não disse nada sobre a Argentina desde o resultado das primárias. Somente o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, mantém uma cruzada pessoal a favor do presidente argentino e contra o retorno do kirchnerismo ao poder, que ele identifica com o regime venezuelano.

A SUSPEITA DE UM DESVIO JUDICIAL

E.G.

A Justiça argentina ganhou, com o passar dos anos, a fama de se orientar a favor do poder. Talvez por casualidade, nessa semana surgiram nos tribunais de Buenos Aires vários processos que complicam o fragilizado presidente Mauricio Macri. Ao mesmo tempo, foram anulados processos que afetavam diversos funcionários de alto escalão do Governo de Cristina Kirchner.

Uma das causas que podem prejudicar o atual Executivo é a do Correio Argentino. Em 2016, o Governo de Mauricio Macri perdoou a dívida do Correio Argentino (do grupo empresarial Macri), o que de acordo com a promotora Gabriela Boquín pode fazer com que os cofres públicos percam até 70 bilhões de pesos (5 bilhões de reais). O processo estava parado há muitos meses e agora reapareceu.

Também voltou a ser trabalhado o processo das propinas da Odebrecht, que supostamente pagou 36 milhões de pesos (3 milhões de reais) a funcionários de alto escalão. Na parte do soterramento de uma linha ferroviária aparece como favorecida pelas propinas a empresa IECSA, que em 2015 era dirigida por Angelo Calcaterra, principal gestor do Grupo Macri, primo do presidente Mauricio Macri e muito próximo a ele.

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