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Posted on 25-08-2019
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O soldado Moro

No Instagram, Rosângela Moro publicou neste domingo uma foto de seu marido Sergio Moro marchando no Dia do Soldado em 1990.

“Dia do soldado. Moro foi um deles. 1990. Do fundo do baú.”

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Comunicado da cantora para se defender das acusações de adultério é recebido com entusiasmo viral. E o momento da publicação não é um detalhe sem importância.

Miley Cyrus em festa após o Oscar de 2018
Miley Cyrus em festa após o Oscar de 2018Getty

“Posso aceitar que a vida que escolhi signifique que eu deva ser totalmente aberta e transparente com meus fãs […] O que não posso aceitar é que digam que estou mentindo para acobertar um crime que não cometi”. Miley Cyrus fez em suas redes um discurso antológico sobre a troca de acusações em torno de seu divórcio de Liam Hemsworth, no qual se declara inocente das acusações de adultério em sua separação. Uma afirmação muito menos importante do que a verdadeira moral de seu comunicado: eis aqui uma mulher que dá um passo à frente, disposta a não pedir desculpas por suas ações ante a moral predominante.

Com seu texto, Cyrus transforma os supostos defeitos da mulher ideal em uma celebração da mulher difícil. Longe de se santificar, a cantora afirma que “estragou tudo” e trapaceou em seus relacionamentos anteriores, conta que perdeu contratos milionários e papéis no cinema por fumar maconha e por publicar fotos onde “lambia um bolo em forma de pênis”, assinala que escreveu canções sobre se drogar com ecstasy e cheirar cocaína, lembra que cantou nua balançando em uma bola de demolição e diz que talvez a Internet tenha mais fotos nuas dela “do que de qualquer outra mulher na história”. A postagem foi recebida com o típico entusiasmo com que esse tipo de declaração nas redes tem sido saudado em 2019. O momento de sua publicação não é um detalhe sem importância.

Monica Lewinsky pensou em cometer suicídio em 1998, quando explodiu seu escândalo sexual com Bill Clinton e quando a expressão “ser uma Monica” começou a ser usada como sinônimo de “mulher fácil”. Em 2003, o ex de Paris Hilton vazou seu vídeo íntimo caseiro para a mídia: a herdeira se encerrou em casa e só saía às ruas escondida sob um capuz e óculos gigantescos que cobriam seu rosto (“Não saí durante meses, estava envergonhada”, lembraria ela, entre lágrimas, no documentário The American Meme). Em 2007, quando vazaram fotos de Vanessa Hudgens nua, a estrela da Disney afirmou estar “envergonhada” e pediu desculpas a seus fãs em um comunicado de arrependimento —um porta-voz do estúdio afirmou, ainda por cima, esperar que ela, e não o hacker, “tivesse aprendido a lição”. Britney Spears também se desculpou quando enviou à imprensa uma nota manuscrita com vergonha por ter batido com um guarda-chuva no carro de um fotógrafo que a assediava, um caso de crise nervosa que a transformou em piada planetária. Scarlett Johansson, embora não tenha pedido desculpas, não moveu nenhuma ação contra os criminosos que vazaram seu famoso nu roubado, e brincou com a imprensa quando lhe perguntaram sobre a invasão de seu celular.

Tudo mudou quando a frase “É meu corpo, e deve ser minha escolha” apareceu no alto da capa da edição americana da Vanity Fair de outubro de 2014. O ponto de virada na cobertura da mídia sobre a vida sexual e privada das celebridades na era moderna enterrava o clássico cartão postal de estrelas segurando um lenço, cabisbaixas, desculpando-se diante das câmeras por se desviar de seu caminho. O paradigma mudou quando Jennifer Lawrence —outra personagem que triunfou apresentando-se incansavelmente como uma mulher fora do comum— apareceu seminua e poderosa enfrentando diretamente aqueles que consumiram as fotos íntimas roubadas de seu celular. O objetivo de seu contra-ataque às imagens roubadas vistas por toda a Internet foi o de nos alertar de que aquilo não era “um escândalo”, muito pelo contrário. “Isto é um crime sexual. Uma violação”, disse em sua entrevista, exigindo ação legal contra os hackers. Lawrence, com a evidente posição privilegiada de ser uma atriz milionária ganhadora do Oscar, abria caminho para o #MeToo e o Time’s Up, auxiliada pela explosão da narrativa feminista graças ao aumento do ativismo e à pedagogia forjada na conversa digital.

A rebelião das mulheres complicadas é inexorável: o consumo de sites femininos com perspectiva de gênero cresceu em um ambiente do qual foi eliminado para sempre o chamado slutshaming, a prática de se referir pejorativamente à mulher que se comporta de forma diferente da considerada “aceitável” pela sociedade tradicional. O mercado abraça a produção de ensaios que mudam, de forma justa, a antiga percepção das mulheres difíceis da história, da versão mais pop e brilhante de Alana Massey até a revisão das figuras mitológicas por historiadoras como Mary Beard. Podcasts como o de Lena Dunham e Alana Bennett, The C Word, oferecem programas monotemáticos sobre mulheres que “a história insistiu em chamar de loucas”. A celebração das mulheres complicadas é um fato.

“Durante a última década, assistimos a uma mudança radical que é tão contemporânea a esta época quanto pouco reconhecida: agora é completamente normal que as mulheres entendam suas vidas, e as vidas de outras mulheres, em termos feministas”, escreve Jia Tolentino em seu ensaio The Cult of the Difficult Woman (O Culto à Mulher Difícil, em ingês), incluído no livro recém-lançado Trick Mirror (Penguin, 2019). O que antes era visto como um caráter arriscado agora é um trunfo, graças a décadas de pensamento feminista amplificado na esfera digital. “Se alguma vez foi padrão chamar de louca ou irritante qualquer mulher que não podia ser controlada, ‘louca’ e ‘irritante’ são vistos agora como insultos sexistas”, destaca Tolentino em um texto que também expõe o lado sombrio dessa tendência. Para cada Miley que se expõe sem ter vergonha ou cada Monica Lewinsky que produz uma série para se libertar do extremo assédio sexista ao qual foi exposta, personagens como Melania Trump gritam “machismo” quando a imprensa considera ofensivo o casaco com a frase “Eu não me importo, e você?” que ela usa ao visitar, rodeada de câmeras, crianças migrantes separadas de seus pais no Texas. “Ensinamos pessoas que não se importam nem um pouco com o feminismo a fazer precisamente isso, a analisar as mulheres e a analisar como as pessoas reagem às mulheres, a ler e interpretar esses símbolos que não têm fim”, assinala a autora.

Além do uso por certos setores reacionários que se agarram de forma pontual ao feminismo enquanto atacam e desmerecem o ativismo durante todo o tempo restante, a identificação com as mulheres difíceis continuará sendo aplaudida e viralizada incessantemente (basta ver, na Espanha, o sucesso virtual de Olvido Hormigos, ex-vereadora socialista vítima do vazamento de um vídeo íntimo em 2012, hoje escritora e personalidade da TV). A fórmula funciona por pura empatia, porque quando celebramos as histórias dessas celebridades, como lembra Tolentino, “também resgatamos as histórias que rodeiam as mulheres comuns”.

“Veracruz”, Agustin Lara: uma das obras primas do  nome maior da canção romântica do México, inspirada na apaixonante cidade portuária perto do lugar onde nasceu o grande artista. Porto de partida inspirador, também, da “Nau dos insensatos”, grande romance da escritora norte-americana Katherine Anne Porter, que virou roteiro do empolgante, famoso e premiado filme de Stanley Krammer, nos anos 60. Combinação mais que perfeita para encantar o domingo musical de agosto de leitores e ouvintes no Bahia em Pauta.

A canção vai dedicadas a duas amigas do peito dos que pensam e fazem o Bahia em Pauta, em especial de seu editor: Natascha ( em Ponta Grossa, Paraná) e Carminha (em Juazeizo, na margem baiana do Rio São Francisco), aniversariantes mais que queridas deste 25 de agosto. Viva!!!   

FELIZ ANIVERSÁRIO!!! BOM DIA!!!

(HUGO E MARGARIDA)

Por Jornal Nacional — Brasília

Bolsonaro volta a dizer que tem a palavra final nas indicações do Governo

O presidente Jair Bolsonaro reafirmou neste sábado (24) o que tem dito nos últimos dias sobre o ministro da Justiça, Sergio Moro. Bolsonaro voltou a dizer que ele é o presidente e que ele pode vetar “qualquer coisa” que Moro fizer.

As declarações de Bolsonaro contrariam o que o presidente garantiu no ano passado quando comunicou a escolha de Sergio Moro para o ministério. Ainda em 2018, Bolsonaro disse que o futuro ministro teria “carta branca” para nomear e conduzir ações de combate ao crime organizado e à corrupção.

Procurado, Sergio Moro disse em nota que “o compromisso com o presidente Jair Bolsonaro de enfrentamento à corrupção e ao crime organizado permanece igual ao assumido no 01/11/2018 sem qualquer alteração”.

Na manhã deste sábado, Bolsonaro foi questionado sobre o cumprimento de uma promessa feita quando convidou o então juiz Sergio Moro para assumir o Ministério da Justiça, em novembro do ano passado. Na ocasião, o recém-eleito Jair Bolsonaro disse que Moro teria “liberdade total” para comandar o ministério no combate à corrupção e ao crime organizado. Neste sábado, disse novamente que Moro precisa se submeter a ele.

“Ele ainda tem carta branca?”, indaga um jornalista a Bolsonaro.

“Olha, [tem] carta branca, e eu tenho poder de veto em qualquer coisa, senão, eu não sou presidente. Todos os ministros têm essa ingerência minha e eu fui eleito para mudar. Ponto final”, respondeu o presidente.

A “carta branca”, autonomia para tocar o ministério, foi o argumento usado por Bolsonaro em novembro do ano passado para convencer o então juiz Sergio Moro a deixar 22 anos de carreira na magistratura.

“Conversamos por uns 40 minutos. Ele expôs, logicamente, o que ele pretende fazer caso seja ministro. Eu concordei com 100% do que ele propôs, não é? Ele queria uma liberdade total para combater a corrupção e o crime organizado e um ministério com poderes para tal. Eu até adiantei: quem sabe uma fração do Coaf dentro do Ministério da Justiça? A questão da segurança ir para a Justiça nós já tínhamos decidido, bem como as nomeações. Ele tem ampla liberdade para realmente exercer o teu trabalho lá”, disse o presidente no ano passado.

No dia 4 de dezembro do ano passado, ainda durante a montagem do novo governo, o então presidente eleito Jair Bolsonaro garantiu autonomia a Moro para escolher inclusive o segundo e o terceiro escalões do Ministério da Justiça.

“O ministro Moro, como os outros, tem total liberdade pra escolher todo o seu primeiro, segundo, terceiro escalão”, declarou Bolsonaro à época.

Assim, Sergio Moro indicou Maurício Valeixo, com quem trabalhou durante a Operação Lava Jato, diretor-geral da Polícia Federal. Juntos, os dois passaram a escolher os superintendentes da PF. Mas o que era “liberdade total” virou interferência sistemática. No último dia 16, sem o conhecimento da cúpula da Polícia Federal, Bolsonaro anunciou a troca do superintendente do Rio de Janeiro.

“O que eu fiquei sabendo: se ele resolveu mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu. Deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos. Mas quem manda sou eu”, disse Bolsonaro.

Diante da reação negativa na Polícia Federal, com ameaça até de entrega de cargos, o presidente recuou momentaneamente. Mas, na última quinta-feira, Bolsonaro foi além e ameaçou trocar o diretor da Polícia Federal.

“Ele pode, o Valeixo pode querer sair hoje, não depende da vontade dele. E outra: ele é subordinado a mim, não ao ministro, deixar bem claro isso aí. Eu é que indico, está na lei, o diretor-geral. Agora, uma onda terrível sobre superintendência, 11 foram trocados, ninguém falou nada. Quando eu sugiro um cara de um estado para ir para lá, ‘está interferindo’. Espera aí. Se eu não posso trocar um superintendente, eu vou trocar o diretor-geral, não se discute isso aí”, afirmou o presidente.

Nesta sexta (23), a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal divulgou uma carta em defesa da autonomia da instituição.

Os delegados afirmam que o presidente tem prerrogativa de indicar o diretor da PF e que respeitam a autoridade dele, mas “a Polícia Federal não deve ficar sujeita a declarações polêmicas em meio a demonstrações de força que possam suscitar instabilidades em um órgão de imensa relevância, cujos integrantes são técnicos, sérios, responsáveis, e conhecedores de sua missão institucional”.

A carta dos delegados é uma reação contra o que consideram “pressões e tentativas de intervenção” na Polícia Federal.

O presidente passou por cima da autoridade do ministro Sergio Moro em outras ocasiões. Bolsonaro ignorou sugestões feitas pelo ministro da Justiça para o decreto das armas e revogou a indicação de uma suplente para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Bolsonaro interferiu até no Coaf, transferido para o Banco Central. O episódio levou à queda de um dos principais aliados de Moro na Lava Jato, o auditor Roberto Leonel, demitido da presidência do conselho, que passou a se chamar Unidade de Inteligência Financeira.

O jornal “O Globo” destaca que “o abalo da relação entre os dois começou a crescer há quase um mês, quando Moro foi ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, pedir que ele fizesse uma revisão da decisão em que restringiu o compartilhamento de relatórios do antigo Coaf com os ministérios públicos e a Polícia Federal. O movimento do ministro irritou o presidente Jair Bolsonaro.”

A decisão liminar dada por Toffoli atendeu a um pedido da defesa do senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente. O plenário do STF ainda vai analisar a liminar.

Um relatório do Coaf apontou movimentações atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A defesa argumentou que dados dessas movimentações foram repassados ao Ministério Público sem a autorização judicial.

O que dizem os aliados de Bolsonaro

O líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir, disse que Moro tem total apoio do partido para trabalhar com independência o Ministério da Justiça. E afirmou que o partido trabalhará pela autonomia da Polícia Federal.

“O PSL mantém o seu integral apoio ao doutor Sergio Moro, é um dos principais ministros nossos, é o que tem maior credibilidade, e todas ações do nosso presidente e do doutor Sergio Moro têm apoio do PSL. […] O PSL vai se manifestar pela autonomia e independência da Polícia Federal. Nós queremos fortalecer os órgãos de investigação”, afirmou.

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio, disse que as ações de Moro estão em sintonia com o presidente e negou que haja uma crise com o ministro da Justiça.

“O ministro Sergio Moro é fundamental dentro do projeto do governo Bolsonaro. Eu não tenho a menor dúvida que querem diminuir a imagem do ministro Sergio Moro, a sua credibilidade para o mundo e o Brasil, não é só para o governo Bolsonaro, aqueles que querem justamente anular a condenações, processos, querem acabar com lava jato […] E não vão conseguir fazer isso, não vão desarmonizar o governo Bolsonaro, o presidente Bolsonaro com o Sergio Moro”, afirmou.

A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselman (PSL-SP), disse que Moro é essencial para o governo e afirmou que não há recuo do presidente no combate à corrupção.

Coronéis do petismo na mira da Lava Jato

No mandado de busca e apreensão nos endereços de Maurício Ferro, cunhado e desafeto de Marcelo Odebrecht, a Lava Jato orienta que os agentes da PF busquem elementos comprometedores contra os coronéis do petismo.

Segundo a Veja, a lista inclui nomes como Jaques Wagner, José Eduardo Cardozo, Giles Azevedo, Fernando Pimentel, Aloizio Mercadante, Anderson Dornelles, Edinho Silva, Beto Vasconcelos, Aldemir Bendine e José Di Filippi Júnior.

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Do Jornal do Brasil

 

LUCAS NEVES

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – Palco de construção de consensos sobre questões econômicas e geopolíticas desde 1975, a cúpula do G7, o clube dos países mais industrializados do mundo, chega a sua 45ª edição neste sábado (24) em crise de identidade.

A agenda doméstica devora qualquer vislumbre de concertação dos países participantes em torno de soluções para dilemas globais.

EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão e Canadá andam ensimesmados, entregues a turbulências internas dos mais diversos feitios.

Em Biarritz (sul francês), talvez só a resposta aos incêndios em curso na Amazônia seja capaz de congregar os sócios do grupo em torno de um foco comum –ainda que o retrospecto ambiental de Donald Trump e sua aparente simpatia por Jair Bolsonaro sugiram que os americanos não irão subscrever reprimendas a Brasília.

No rol do “farinha pouca, meu pirão primeiro”, há, de início, a guerra comercial entre EUA e China, que teve nesta sexta (23) mais um capítulo.

Os chineses anunciaram novas tarifas sobre 5.000 artigos americanos, em retaliação aos US$ 300 bilhões (R$ 1,1 trilhão) em tributos que passarão a ser cobrados pelos EUA.

A queda de braço e o clima de instabilidade que ela enseja repercutem globalmente, afetando economias como a alemã, altamente dependente de exportações –o PIB da maior potência europeia retraiu no segundo trimestre de 2019.

O clima plúmbeo em Berlim é reforçado pelo fato de a chanceler Angela Merkel, no posto desde 2000, ter anunciado a intenção de deixá-lo ao fim de seu mandato, em 2021.

Já há quem acredite que o folhetim do brexit não termine até lá. Em curso desde 2016, quando um plebiscito definiu a separação, o vaivém sobre os termos do adeus britânico ganhou novo “roteirista-chefe”, o premiê Boris Johnson.

Primeiro-ministro desde o fim de julho, ele se mostra disposto a levar o processo a termo até 31 de outubro, com ou sem aprovação do acordo de “divórcio” por seu Parlamento.

O líder conservador insiste para que a UE aceite tirar do pacto o “backstop”, mecanismo concebido para evitar a volta de controles alfandegários na fronteira entre a Irlanda (membro da UE) e a Irlanda do Norte (integrante do Reino Unido) –caso não se encontre solução melhor.

A ideia de uma união aduaneira temporária é inconcebível para Londres, que vê aí o risco da permanência de uma ingerência europeia em sua política comercial.

Johnson deixou claro, em visitas a Macron e Merkel nesta semana, que não há entendimento possível enquanto o “backstop” não for descartado.

Foi instado, com maior (em Berlim) ou menor (em Paris) simpatia, a sugerir uma alternativa nos próximos 30 dias, a tempo da reunião de setembro do Conselho Europeu (colegiado de líderes).

Na verdade, trata-se de um jogo de cena bem ensaiado entre França e Alemanha para não serem acusados de ter forçado o “no deal”, a saída sem acordo.

Até porque, na sexta, deputados britânicos partidários da ruptura brusca disseram que o “backstop” não é o único empecilho.

De seu lado, a Itália envia ao G7 um premiê demissionário, Giuseppe Conte, que pediu as contas depois de a Liga, partido de ultradireita que governava em coalizão com o Movimento 5 Estrelas, retirar-se da gestão. Roma também está às voltas com uma economia anêmica e uma dívida pública fora de controle –que representa mais de 130% de seu PIB.

Os solavancos atingem até o ameno Canadá. O premiê Justin Trudeau, até há pouco tido como modelo de liderança carismática e idônea, está em maus lençóis desde que a procuradora-geral do país disse ter sofrido pressão dele para não levar adiante um processo contra uma grande empreiteira nacional.

Na semana passada, um relatório independente confirmou que ele infringiu a lei que rege o conflito de interesses na administração pública. Devido ao imbróglio, as intenções de voto no partido Liberal (governista) nas eleições de outubro deste ano derreteram.

Por fim, o Japão viu na quinta (22) a Coreia do Sul cancelar um acordo de cooperação militar, em mais uma etapa da recente escalada de tensões entre os dois países. Com a decisão, as desavenças políticas e comerciais entre Seul e Tóquio agora se estendem para algumas das questões de segurança mais sensíveis da região.

A crise no estreito de Hormuz (golfo Pérsico) após a apreensão de um petroleiro britânico pelo Irã também estará na pauta do G7. O episódio se insere num contexto de deterioração das conversas para salvar o acordo sobre o programa nuclear de Teerã após a saída dos EUA, em 2018.

O anfitrião Macron tentará obter de Trump o relaxamento de sanções que voltaram a ser impostas ao governo iraniano –em troca de um compromisso dos persas de respeitar os termos do pacto em vigor.

A Rússia, suspensa do clube (então G8) em 2014, depois de invadir a Ucrânia e anexar a Crimeia, também estará nos corações (ou talvez num só coração, o de Trump) e mentes em Biarritz. O presidente americano, apesar de ter retirado seu país do tratado de armas de alcance intermediário com a Rússia (que respondeu fazendo o mesmo), faz lobby pela volta de Moscou.

Alemanha e Grã-Bretanha disseram nos últimos dias, porém, que ainda não é o momento de readmitir Putin. Macron recebeu o russo nesta semana para tentar pavimentar um regresso, mas nada concreto deve sair da cúpula de agora.

Por causa das divergências, não haverá na segunda (26) uma declaração final referendada pelos líderes. Da última vez que se tentou isso, em 2018, no Canadá, Trump retirou sua anuência depois da divulgação do comunicado e ainda acusou Trudeau de desonestidade.

A verdade é que o G7 é hoje uma sombra do que já representou. Congrega 40% do PIB mundial e 12% da população.

Talvez por isso Macron tenha convidado ao encontro seus homólogos na Índia, na Austrália, no Chile e na África do Sul. Em suas palavras, em entrevista coletiva na quarta (21), é tempo de “defender um multilateralismo contemporâneo, renovando-o e não cedendo ao embrutecimento do mundo”.

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Posted on 25-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-08-2019



 

Sponholz, no

 

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Do Jornal do Brasil

 

Ele rebate críticas do presidente francês e diz que não vai procurá-lo

  Macaque in the treesPresidente Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Rebatendo as críticas do presidente da França, Emmanuel Macron, o  presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado (24) que a situação na Amazônia “está indo para a normalidade” e que o governo está promovendo ações para conter os incêndios na região. Bolsonaro criticou o francês disse que não vai procurá-lo, mas ressaltou que aceitaria conversar se a inciativa fosse do governo de Macron.

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