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ARTIGO/ CULTURA

Vermelho Brasil, O Romance da Conquista do Brasil pelos Franceses

Lucia Jacobina

 

O título dessa narrativa romanceada é da autoria de Jean-Cristophe Rufin, escritor francês que lançou em 2001 seu romance histórico “Rouge Brésil”, pelas Edições Gallimard e com ele ganhou o Prêmio Goncourt, uma láurea que lhe assegurou fama e certamente depois o conduziu a uma cadeira na Academia de Letras Francesas.

Este livro, traduzido para o português por Adalgisa Campos da Silva e lançado em 2015, pela Editora Objetiva, com o título de “Vermelho Brasil, O Romance da Conquista do Brasil pelos Franceses”,refere-se ao Brasil colonial que se tornou conhecido em toda Europa como a terra do pau-brasil. Essa é a denominação da madeira que possui um pigmento rubro e servia para tingir tecidos além de outros utensílios e foi muito valiosa naqueles tempos dos descobrimentos.

A exemplo do chá, da seda e de outras especiarias, os exploradores visitantes vinham para o litoral em busca dessa riqueza e muitos países europeus pretenderam se apossar dessas terras, mesmo que tal atitude significasse desobediência à encíclica papal que dividia o continente americano entre os ibéricos.François I, rei da França, chegou mesmo a lançar dúvidas acerca dessa autoridade, ao inquirir sobre que poderes tinha lhe dado a divindade para dividir o novo continente entre Portugal e Espanha.

O princípio da primazia não serviria como justificativa pois numerosos depoimentos já existiam sobre o conhecimento que detinham os navegadores de diversas nacionalidades europeias das terras ditas recém-descobertas por aqueles dois países. Essa atribuição encarada como discriminatória foi ignorada pelos franceses que cobiçavam a nova terra e com ela pretendiam enriquecer. E nesse processo de conquista, utilizavam todos os meios disponíveis para realizar seus objetivos, a despeito das notícias de canibalismo que circulavam. É seguindo esse foco que Rufin vai descrever o engodo sofrido por duas crianças órfãs que para aqui foram transportadas com o objetivo de servir de turgimães.

Essa era a denominação decorrente da prática cruel de abandonar crianças pobres e sem parentes no litoral brasileiro, no desiderato de que recolhidas e poupadas pelos indígenas fossem por eles criadas e aprendessem sua língua,v isando delas se servir no futuro como intérpretes para facilitar suas negociações comerciais.

O episódio conhecido como a invasão francesa no Rio de Janeiro foi comandado por Nicolas de Villegaignon, cujo objetivo era fundar a França Antártica e aqui se estabelecer definitivamente.Vários testemunhos foram escritos no passado e no presente sobre o ocorrido, mas restaram desconhecidos tanto na história da França como na do Brasil. E seu enfoque é importante para aquele paíse uropeu porque mostra que a primeira luta religiosa entre huguenotes e católicos antecedeu a parisiense sangrenta Noite de São Bartolomeu e se deu fora do território francês. E para os brasileiros, a narrativa revelou que os próprios franceses se engolfaram numa luta demolidora que culminou com o abandono do projeto de ocupação pela maioria dos invasores que retornou à França desiludida com o comportamento de seus compatriotas.

Na mesma oportunidade, os remanescentes terminaram por se destruir e à feitoria erigida no litoral fluminense, na ilha denominada como Villegaignon, de tal forma que a esquadra portuguesa que para aqui se dirigia, incumbida de retomar o território invadido, ao aportar só encontrou os destroços da luta fraticida. Todo esse relato é desenvolvido em cerca de quatrocentas páginas de envolvente enredo que oscila entre a vigorosa descrição da natureza virgem do litoral brasileiro e a fecunda exposição apoiada em dados históricos, a qual o consagrado escritor francês deu tratamento ficcional.

Desde o descobrimento, o território brasileiro foi alvo de cobiça pelas potências europeias. Nossa história registra alguns episódios de invasão, uma francesa e duas holandesas, na costa leste. Em todas elas, as ocupações foram temporárias. E além de Portugal, também a Espanha exerceu seu domínio, durante o período em que os reinos permaneceram unificados, devido a problemas decorrentes da sucessão dinástica.

Além da revelação histórica, o lançamento dessa obra no Brasil deve ser aproveitado para auxiliar seus leitores a refletir sobre os métodos empregados naquela ocasião, na tentativa de apropriação de nossas riquezas.Tanto no passado como no presente, os indígenas têm sofrido assédio em seu próprio território. Sobre o passado, o estado brasileiro já não tem ingerência alguma. Atualmente, sob sua exclusiva guarda e vigilância, já não pode fugir a suas responsabilidades. O motivo agora declarado sugere altruísmo por ser a preservação ambiental e a sobrevivência da vida sobre a terra. Todavia, esses defensores da preservação alheia obstinam-se em desconhecer que o povo brasileiro também possui o mesmo zelo e o mesmo instinto de qualquer mortal.Por isso mesmo,deve ficar alerta para não admitir que interesses estrangeiros se sobreponham ao seu na administração e domínio do próprio território, a qualquer pretexto.

 

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”

“Maluco Beleza”, Raul Seixas: 30 anos depois de sua morte precoce, completados  ontem , 21 de agosto, e ele segue cada vez mais presente e atual. A força revolucionária e provocadora de suas músicas e das mensagens de suas composições e de seu jeito único de ser e se expressar vibrante e corajosamente, seguem vivos  inspiradores e transpiram atualidade cada vez maior. Aqui vai o tributo do Bahia em Pauta à memória deste baiano genial, que o Brasil e o mundo seguem admirando e cantando o que ele deixou. Grandiosamente!

BOM DIA!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Embora reconheça o problema que antes negava, presidente Bolsonaro insinua que ONGs podem estar por trás das queimadas que já atingem reservas indígenas

As florestas queimam como nunca antes nos últimos cinco anos no Brasil. O país registrou, entre janeiro e o último dia 19 de agosto, um aumento de 83% das queimadas em relação ao mesmo período de 2018, com 72.843 focos de incêndios até o momento. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o desmatamento por meio de imagens de satélite e foi desacreditado pelo presidente Jair Bolsonaro, que chegou a questionar a veracidade dos dados de desmatamento do instituto.O fogo está progredindo mesmo em áreas de proteção ambiental: 68 incêndios foram registrados em territórios indígenas e áreas de conservação somente nesta semana, a maioria deles na região amazônica. O estado de Mato Grosso, na região centro-oeste do Brasil, lidera as queimadas com 13.682 focos de incêndio em 2019 – um aumento de 87% em relação ao mesmo período do ano passado -, segundo o INPE. Mesmo entre julho e setembro, quando é proibido promover queimadas naquele Estado, houve um aumento de 205% no número de incêndios.Mato Grosso vive do agronegócio com a exportação de soja, milho e algodão. O Estado comporta o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que já perdeu 12% de sua vegetação, e o Parque Serra do Ricardo Franco, na fronteira com a Bolívia, considerado pela Unesco como patrimônio natural da humanidade. O Pantanal, um bioma endêmico no Brasil que também queimou esta semana, é outro ecossistema ameaçado no Mato Grosso. Lá é difícil combater o fogo, já que não há estradas na região e apenas pequenos barcos podem circular por um labirinto de rios.

O desmatamento e as queimadas ganharam repercussão internacional, principalmente depois que São Paulo, a cidade mais industrializada do país, a 3.000 quilômetros da Amazônia, viu o céu escurecer na última segunda como consequência do mau tempo misturado à fumaça das queimadas vindas do Norte e da região central. Um teste realizado pelo Jornal Nacional mostrou que a água da chuva daquele dia estava contaminada com fuligem de fogo. Quem resistia aos alertas dos ambientalistas sobre a seriedade do momento para as florestas, se convenceu ao ver com seus próprios olhos a consequência dos incêndios. Fotos da Amazônia desmatada invadiram as redes sociais e a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro cresceu como nunca antes.

Fiel ao seu estilo, o presidente brasileiro inverteu as responsabilidades. Ele rotulou a onda de queimadas florestais no país de “criminosa” nesta quarta e, sem apresentar evidências, disse que as ONGs que atuam na proteção ambiental podem estar envolvidas em incêndios ilegais. “Pode haver – não estou afirmando – uma ação criminosa dessas ONGs para chamar a atenção precisamente contra mim, contra o governo do Brasil. Esta é a guerra que enfrentamos. Faremos todo o possível e impossível conter o fogo criminoso ”, disse ele.

O fogo ocorre principalmente em propriedades particulares. Desde janeiro, 60% dos focos de incêndio ocorreram em áreas privadas registradas no Cadastro Ambiental Rural do Brasil, 16% em terras indígenas e 1% em áreas protegidas. Parte dos focos de incêndio em áreas protegidas é uma consequência do desmatamento, segundo um relatório do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), publicado na terça-feira. Muitas dessas áreas também sofrem invasões e arrendamentos de terras ilegais. Os dez municípios da Amazônia que mais queimaram foram os que apresentaram as maiores taxas de desmatamento.

Juntas, essas cidades são responsáveis por 37% das queimadas registradas em 2019 e por 43% do desmatamento registrado até julho. Há casos em que o fogo é usado de maneira controlada para limpar os campos, mesmo em áreas protegidas com presença humana, como nas aldeias indígenas e nas reservas extrativistas, diz o IPAM. Mas algo saiu de controle, como o próprio governo e o Ministério do Meio Ambiente reconhecem. “A situação é realmente preocupante e vamos trabalhar para combater as queimadas”, admitiu o ministro Ricardo Salles, quando participava de uma reunião sobre mudanças climáticas. Salles sentiu a sensibilidade do momento enquanto falava na abertura do evento. Ele foi vaiado pela audiência enquanto tentava se fazer ouvir.

Bolsonaro, por sua vez, vem se desgastando a cada dia com sua retórica bélica e perdendo o respeito da comunidade internacional, como ficou claro no caso do Fundo Amazônia. Parte da luta contra os incêndios florestais no Brasil é financiada por esse fundo, o mecanismo de cooperação internacional que tem contribuído com mais recursos para reduzir os gases de efeito estufa do desmatamento. A Noruega, o principal doador, anunciou o congelamento de ajuda para projetos de conservação da Amazônia por um montante de 30 milhões de euros, depois que o governo brasileiro mudou unilateralmente a equipe de gerenciamento que administra o fundo. A Alemanha, o outro país patrocinador, já havia suspendido contribuição semelhante pouco antes.

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Posted on 22-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-08-2019

DO BLOG O ANTAGONISTA

Maurício Ferro, ex-diretor jurídico da Braskem, foi preso hoje na Lava Jato graças a 180 e-mails entregues por Marcelo Odebrecht em seu acordo de colaboração, relata O Globo.

As mensagens tratam da participação dele junto a Antonio Palocci e Guido Mantega para beneficiar a empresa no Refis da Crise.

Os e-mails foram entregues em diferentes ações penais, a partir de um arquivo de 480 mil e-mails e 300 mil documentos, vasculhados entre abril e setembro do ano passado.

Marcelo sempre se queixou pelo fato de o cunhado ter ficado fora do acordo de delação.

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Do Jornal do Brasil

 


Após a suspensão de um edital de projetos LGBT para TVs públicas, o Secretário especial de Cultura, Henrique Pires, anunciou que deixará o cargo por não admitir que o governo imponha “filtros” na cultura. 

Macaque in the trees
Henrique Pires, secretário especial de Cultura (Foto: Foto: Mauro Vieira / Ministério da Cidadania)

Pires comunicou o ministro Osmar Terra (Cidadania), a quem a secretaria é vinculada, sobre sua saída na noite de terça-feira (20). Em rápida conversa com a reportagem no Palácio do Planalto, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, negou que haja censura. 

“Não foi censura, eu estou aqui para resolver isso porque estava com problemas de trabalho”, disse o ministro, acrescentando que uma nota deve ser divulgada por sua pasta ainda nesta quarta-feira (21).

As informações divergem do relato feito por Pires à “Folha de S.Paulo”. Segundo ele, a suspensão do edital foi apenas a “gota d’água” de uma série de tentativas do governo de impor censura em atividades culturais. 

Ele disse que há oito meses vem dando contornar diversas tentativas de censura.

“Ficou muito claro que eu estou desafinado com ele [Terra] e com o presidente sobre liberdade de expressão”, disse o secretário. “Eu não admito que a cultura possa ter filtros, então, como estou desafinado, saio eu”.

O secretário disse ter mantido uma conversa amigável com Terra na noite de terça (20), durante a qual comunicou sua saída.

“Nós precisamos pacificar o Brasil para trabalhar, e tem gente que não está preocupada, como se não tivéssemos 13 milhões de desempregados e [a gente] precisasse ficar olhando com lupa um filme para ver se tem um homem pelado beijando outro homem.”

Pires disse que fundamentou todo seu trabalho no artigo 220 da Constituição Federal, se pautando sobre a liberdade de expressão e lembrou que recentemente o STF concluiu julgamento que prevê homofobia como crime. 

“Eu não estou saindo contra ninguém, estou saindo a favor da liberdade de expressão”, disse. “Ou eu me manifesto e caio fora, ou estarei sendo conivente”.

Alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em sua última live semanal, veiculada na quinta passada (15), um edital de chamamento de projetos para TVs públicas que tinha entre as categorias de investimento séries com temática LGBT foi suspenso. Uma portaria assinada pelo Ministro da Cidadania Osmar Terra publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta (21) oficializou a decisão.

Na live, o presidente havia criticado quatro projetos de séries aprovados para a última fase do concurso e inscritos nas seções de diversidade de gênero e sexualidade. Eram eles “Afronte”, “Transversais”, “Religare Queer” e “Sexo Reverso”.

Caso aprovados por uma comissão especial, os projetos seriam contemplados com verbas de R$ 400 mil a R$ 800 mil cada um, oriundas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

O caso acontece depois de uma série de declarações em que Bolsonaro promete intervir no teor das produções financiadas por meio da Agência Nacional do Audiovisual, a Ancine, seja criando um filtro ou tirando o FSA do controle da agência, entre outros. Na live, ele chegou a afirmar que se o órgão “não tivesse, em sua cabeça toda, mandatos”, ele já teria “degolado tudo”. Talita Fernandes / FolhaPress SNG.

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Posted on 22-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-08-2019

Do Jornal do Brasil

 

A hashtag #PrayforAmazonas também chegou a ser a mais usada no mundo no início da tarde

Vários famosos brasileiros e internacionais usaram suas redes sociais nesta quarta-feira (21) para se manifestar contra a série de queimadas que atinge o país nas últimas semanas. A hashtag #PrayforAmazonas também chegou a ser a mais usada no mundo no início da tarde. 

Macaque in the trees
Gisele Bündchen (Foto: Ludovic Marin / AFP)

A atriz americana Demi Lovato, 27, afirmou que a “maior floresta tropical do mundo está em chamas pelo 16º dia e a mídia não está dando a mínima”. “A Amazônia está queimando há três semanas e eu só soube agora, por conta da covardia da imprensa. Este é um dos mais importantes ecossistemas do mundo”, completou ela. 

Já a atriz Camila Pitanga, 42, afirmou estar recebendo com desespero as notícias sobre as queimadas no Centro-Oeste. “Nossas matas pedem socorro, nossos rios pedem socorro, nossos animais pedem socorro. O ar fica irrespirável, o dia vira noite e o rastro de destruição atinge cada um de nós, mesmo a quilômetros e quilômetros de distância”. 

Ela continua: “Porque também somos nós que estamos queimando ali. É nossa história, nossa riqueza, nossa gente. Não podemos deixar o país virar cinzas, lama e devastação. Não deveria existir dois lados quando estamos falando de preservação ambiental, apenas o lado da vida de todo planeta.”

Já o padre Fábio de Melo, 48, e a atriz Grazi Massafera, 37, postaram fotos dos incêndios e ilustrações a respeito. “Peço perdão ao meu filho e aos vossos. A todas as gerações futuras por tamanha ignorância e ganância de alguns seres humanos. Mil perdões”, publicaram eles, repostando uma mensagem da cantora portuguesa Mariza. 

Com 72.843 focos de incêndio do início de janeiro até segunda-feira (19), o Brasil registra um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado. O fogo também avança sobre áreas protegidas. Somente nesta semana, houve 68 ocorrências dentro de terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federal.

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Posted on 22-08-2019
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Sponholz, no

 

 

Planalto contradiz Onyx e diz que Bolsonaro descarta vender controle da Petrobras ao setor privado. Maioria das vendas depende da aprovação do Congresso

 
O ambicioso pacote de privatização de Bolsonaro vai dos Correios à concessão de Jericoacora
Marcelo Camargo Agência Brasil

O Governo Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira a relação de 14 empresas estatais brasileiras que iniciarão o processo de privatização neste ano, com a expectativa de arrecadar 2 trilhões de reais. O pacote que inclui os Correios e até a Casa da Moeda é uma das mais ousadas apostas de sua gestão, que diz fazer o maior pacote de desestatização do mundo, mas boa parte das propostas ainda depende de incerta aprovação do Congresso Nacional, onde é forte a pressão de funcionários das empresas públicas. O simples anúncio fez aumentar a cotação das estatais e o mercado trabalhou com informação de bastidores de que a Petrobras também entraria na fila até o final do Governo. O Planalto não rechaçou cabalmente a informação sobre a maior empresa do país. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, informou que há estudos em andamento para privatizar a holding Petrobras, algo que o presidente Bolsonaro já disse que não faria e foi reiterado pelo porta-voz do Planalto nesta quarta.

Entre as principais empresas incluídas no pacote de privatização, além dos Correios e da estatal que imprime o dinheiro brasileiro, estão a Telebras, que tem a missão de fornecer bens e serviços de tecnologias de informação e comunicação no país, Eletrobras, líder em geração e transmissão de energia elétrica no Brasil, além do Serpro e a Dataprev, ambos que atuam com processamento de dados e são as maiores fornecedoras de tecnologia da informação do poder público.

Na lista também aparecem outras empresas a serem privatizadas como a Codesp e a Codesa, que administram portos nos Estados de São Paulo e Espírito Santo, entre eles o Porto de Santos, o maior do hemisfério Sul, a Ceitec, que produz microeletrônicos,  Trensurb e CBTU, responsáveis por metrôs e trens urbanos de seis capitais de Estados brasileiros. O plano abarca Ceagesp e Ceasaminas, responsáveis pelo abastecimento de mercados de produtos agrícolas de São Paulo e Minas Gerais, e ainda a Emgea, que gere os ativos da União, a ABGF, que atua na área de seguros. “Seguramente, o Brasil tem o maior programa de desestatização do planeta”, disse o ministro Tarcísio Freitas, da Infraestrutura.

Nesta quarta-feira, o Governo também anunciou que nos próximos meses preparará a concessão de três parques nacionais (dos Lençóis Maranhenses, o de Jericoacara, e o de Foz do Iguaçu) e que iniciará um processo de programas de parceria para a construção de creches, escolas e penitenciárias federais.

Alta de 7% nas ações da Petrobras

Ao longo da tarde ventilou-se a possibilidade de se anunciar a privatização da Petrobras. Mesmo a informação não sendo confirmada oficialmente, suas ações subiram 7% na bolsa de valores. Questionado se a petroleira seria, de fato, privatizada, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, reforçou que estudos estavam sendo feitos nesse sentido. Não disse se havia uma decisão definitiva. “A Petrobras como um todo passará por estudos da equipe do PPI, do Ministério das Minas e Energia e do BNDES. Por tudo que ela significa, será feito algo muito criterioso”. Afirmou ainda que a Petrobras é “enorme” e que os estudos são realizados aos poucos. “A holding Petrobras é enorme e vamos passo a passo”.

O debate de privatizações é acalorado, com a oposição acusando o Governo de se desfazer dos ativos a preços baixos. Entre os especialistas e economistas, também há divergências. Três deles ouvidos pela reportagem disseram que cada caso precisa ser analisado individualmente e que empresas estratégicas poderiam ser poupadas. “A pergunta que tem de ser feita é: privatizar para quê? Se for só para pagar dívida, como quer o ministro Paulo Guedes, não tem sentido. É apenas uma fórmula ideológica liberal que não tem dado certo em lugar nenhum do mundo”, avaliou o economista José Luís Oreiro, professor da Universidade de Brasília. “Você tem de privatizar pensando no interesse da população, fazendo uma análise não ideológica e não enviesada. Não dá para querer privatizar tudo”, afirmou o economista Nelson Marconi, professor da Fundação Getulio Vargas.

Em outro sentido, opina o sócio da consultoria Mazars, o administrador Fábio Pecequilo. Ele enxerga as empresas como uma engrenagem com três dentes: emprego, impostos e o capital do acionista. “Sempre que um dos dentes estiver maior do que os outros, é provável que essa engrenagem não trabalhe bem. O que se sabe das estatais é que via de regra elas têm um aumento muito grande de pessoal, cumpre a função social do emprego, mas não permite que as outras duas engrenagens funcionem bem”.

Longo processo

Apesar de anunciar que tem pressa em seu pacote de privatização, esse processo é longo e dificilmente será encerrado neste ano. Um dos motivos é que nem todos os estudos técnicos foram concluídos, o dos Correios é um deles. A outra razão é que o Supremo Tribunal Federal decidiu que as privatizações das companhias estatais precisam da aprovação prévia do Congresso Nacional, em votação nas duas casas, Câmara dos Deputados e Senado Federal. O Governo terá de enviar um projeto específico de cada uma das empresas e negociar com os parlamentares para que cada um seja aprovado individualmente.

Companhias com maior número de trabalhadores, como os Correios que têm quase 100.000 funcionários, costumam ter forte influência sobre os parlamentares. Além disso, a articulação da gestão Bolsonaro com o Legislativo não é das mais fáceis. Na pauta econômica, todavia, tem contado com o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do partido Democratas, e de um grupo de partidos de centro e de direita.

“Estamos buscando alternativas para barrar essa privatização. Uma das saídas seria transformar os Correios em uma empresa de logística do Governo federal”, explicou o secretário de imprensa da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), Fischer Marcelo Moreira. Para ele, além do lucro, o Governo deveria leva em conta a função social do órgão. “Distribuir livros didáticos ou vacinas para o interior da Amazônia não dão lucro, mas são serviços necessários. Não acredito que uma empresa privada vá querer fazer esse trabalho”, afirmou Moreira.

O órgão é avaliado em cerca de 5 bilhões de reais e possui agências em todos os 5.570 municípios brasileiros. Os dados sobre seus gastos, contudo não são tão transparentes. Há informações do próprio Governo de que a empresa apresentou lucro de 300 milhões de reais no ano passado e outros que mostram que ela teve rombo de 3 bilhões de reais. Nesse caso, estão incluídos os gastos com o fundo previdenciário da empresa, que foi alvo de investigações policiais nos últimos anos. Empresas como DHL, Amazon e Ali Baba são vistas como potenciais compradores dos Correios, conforme agentes do mercado.

Outra empresa que é vista com alto potencial de arrecadação é a Eletrobras. Seu processo de privatização iniciou no ano passado com a venda de distribuidoras, que não precisam de autorização prévia do Congresso. Ela chegou a ser incluída no pacote atual, mas acabou sendo excluída para aprofundamento dos estudos. Está avaliada em cerca de 50 bilhões de reais. Sua venda é vista com ressalvas por especialistas. “Você não pode deixar um ativo público importante para a estratégia de desenvolvimento ser guiado simplesmente pelo lucro. E a Eletrobras é estratégica”, analisou o economista Nelson Marconi, da FGV.

Herança de Temer

Parte dos processos de privatização já havia começado na gestão do presidente Michel Temer por meio do Programa de Parceria e Investimento (PPI). Acabaram sendo acelerados pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes. Quando assumiu a função, ele decidiu privatizar a maioria das 134 empresas estatais. Um estudo do PPI mostra que seria possível entregar à iniciativa privada 75 dessas companhias públicas. Bolsonaro, contudo, colocou uma barreira e disse que empresas como a Petrobras e instituições financeiras como Caixa e Banco do Brasil não estariam nessa relação.

Desde janeiro deste ano, o Governo já privatizou quatro subsidiárias da petroleira Petrobras e vendeu participações acionárias em outras quatro áreas, de seguros, de energia e de educação. Como não era venda direta de companhias públicas, essas concessões não dependeram da aprovação do Legislativo. Além disso, fez 27 leilões para conceder uma série de aeroportos, ferrovias e rodovias pelo país. Entre elas o da ferrovia Norte-Sul e de um lote de aeroportos no Nordeste. Há previsão de que outros na área de transporte ocorram até dezembro. Também até lá está prevista a venda da Liquigás, a distribuidora de gás vinculada à Petrobras.

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