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Duke, no jornal mineiro

 

O regresso à Grécia

Um rapaz grego, há meio século, cansado da falta de trabalho e do caos que o rodeavam em seu país natal, conseguiu escapar para a Suécia. Enfrentou ali a difícil vida do imigrante. Sobrevivendo como podia, aprendeu o idioma – e tão bem que descobriu uma vocação de escritor e começou a escrever em sueco. Teve bastante sucesso. Tanto que pôde ganhar a vida escrevendo romances e ensaios. Casou-se com uma sueca, com quem teve filhos e netos. Comprou um apartamento, depois uma casinha de verão e um pequeno apartamento onde se encerrava de manhã e de tarde para ler e escrever.

Theodor já tinha feito 70 e tantos anos quando um dia, de repente, vivenciou algo que nunca até então havia conhecido: um bloqueio intelectual. Olhava o rolo de sua pequena máquina portátil e tinha a mente em branco, sem uma única ideia sobre a qual redigir. Saiu para caminhar à beira do oceano, algo que sempre o apaziguava. Mas desta vez não funcionou; dias, semanas, meses esteve assim, sem nada a dizer, oprimido pela paralisia e a constipação intelectuais. Gunilla, sua mulher, inquieta, propôs uma viagem. Por que não à Grécia, sua terra natal? Do fundo de sua desmoralização, ele aceitou.

Chegaram a Atenas de avião. Ali alugaram um carro e se lançaram à estrada, rumo ao Peloponeso, onde se encontrava aquele vilarejo diminuto, Molaoi, onde Theodor havia nascido. Lá estava, empoeirado, eterno e efusivo. Alguns parentes centenários continuavam ali, intangíveis, como as oliveiras, as amendoeiras, as cabras, os gatos e as trepadeiras. Reconheceram-no na rua. A escolinha foi alertada. Os professores lhe organizaram uma homenagem que aconteceu ao anoitecer, quando uma leve brisa substituía o calor sufocante do dia, sob uma lua redonda como um queijo. Quando as crianças cantaram para ele, Theodor sentiu que duas grandes lágrimas deslizavam por sua velha face.

Na manhã seguinte, na antiga pensão onde o casal se hospedava, Theodor se levantou logo cedo, como sempre havia feito na Suécia. Preparou sua maquininha portátil e, sentindo que todo o corpo tremia, começou a escrever. Com a mesma insegurança e o terror de se equivocar em cada palavra, como havia feito em cada manhã nesse meio século de vida sueca. Mas desta vez não escrevia em sua língua adotada, e sim em grego. Sem deixar de tremer, cada vez mais morto de medo, as palavras fluíam, enchiam as páginas e ele sentia uma excitação extraordinária, a mesma que vivenciou lá, no fundo dos tempos, quando escreveu sua primeira história sueca.

O livro escrito em grego por Theodor Kallifatides – o primeiro de sua história de escritor – acaba de ser traduzido ao espanhol por Selma Ancira (Galaxia Gutemberg) e se chama Otra Vida por Vivir (outra vida por viver). Comoveu-me profundamente. Pela história que conta e que acabo de resumir sucintamente, mas também pela naturalidade e a destreza que emprega ao contar, como se se tratasse de algo perfeitamente natural, e não o cataclismo psicológico que deve ter sido, para esse quase octogenário, redescobrir a língua de sua infância, a língua esquecida, substituída pela do imigrante, que, após aquele bloqueio traumático, redescobre o grego e ao mesmo tempo recupera uma vocação que acreditava estar perdendo. É um livro muito belo, o de uma verdadeira morte e ressurreição espiritual, um milagre contado com a tranquila naturalidade com que se descreve um fato trivial e cotidiano.

Talvez a tremenda impressão que tive lendo-o se deva a que, ao contrário de Theodor Kallifatides, não há na minha vida o que há na sua, essa aldeia, Molaoi, perdida nas entranhas do Peloponeso, onde tudo começou, o lugar de onde partem suas lembranças. Eu não sei onde começam as minhas. Certamente não em Arequipa, onde nasci, porque minha mãe e meus avós me tiraram de lá quando tinha apenas um ano, antes do início das minhas recordações. Estas foram de Cochabamba, mas no casarão da rua Ladislao Cabrera, lá na Bolívia, todas as memórias da minha família bíblica eram de Arequipa, e eu as herdei sem tê-las vivido. Em Cochabamba aprendi a ler, o melhor que me aconteceu, mas creio que só comecei a viver de verdade em Piura, que desapareceu sob uma modernidade que enterrou essa pequena cidade rodeada de areais, onde os burrinhos eram chamados de “piajenos” e as crianças, de “churres”, e onde aprendi que as cegonhas não traziam os bebês de Paris. Fui morar em Lima aos onze anos, e muitos anos se passaram antes que deixasse de detestar essa cidade que me distanciou de meus avós e meus tios.

Sempre pensei que ser um cidadão do mundo era o melhor que podia acontecer a uma pessoa, e continuo pensando assim. Que as fronteiras são a fonte dos piores preconceitos, que elas criam inimizades entre os povos e provocam as estúpidas guerras. E que, por isso, é preciso tentar afiná-las pouco a pouco, até que desapareçam totalmente. Isso está ocorrendo, sem dúvida, e essa é uma das boas coisas da globalização, embora haja também algumas ruins, como o aumento, até extremos vertiginosos, da desigualdade econômica entre as pessoas.

Mas é verdade que a língua primeira, aquela em que você aprende a dar nome à família e às coisas deste mundo, é uma verdadeira pátria, que depois, com a azáfama da vida moderna, às vezes vai se perdendo, confundindo-se com outras, e isso é provavelmente a prova mais difícil que os imigrantes têm de enfrentar, essa maré humana que cresce a cada dia, à medida que se amplia o abismo entre os países prósperos e os miseráveis, a de aprender a viver em outra língua, isto é, em outra maneira de entender o mundo e expressar a experiência, as crenças, as pequenas e grandes circunstâncias da vida cotidiana.

Theodor Kallifatides conta tudo isso como se fosse fácil, como se tal reconstrução linguística fosse alcançada de uma maneira natural, e não significasse algo dificílimo de conseguir, algo que está fora do alcance de uma enorme maioria de imigrantes, que jamais conseguem se integrar no seu novo país como ele conseguiu. Mas ele também conta como, ainda nos casos mais bem-sucedidos, como o seu, persiste sempre, sepultada possivelmente no recôndito mais profundo e secreto da personalidade, aquela raiz, aquele ponto de partida feito de paisagem, memória, língua, família, que, de repente, torna-se exigência peremptória, uma nostalgia que exige suas prerrogativas. Eu me lembro, em minha juventude em Miraflores, de um velhinho polonês que vendia peles e havia sobrevivido aos campos de extermínio nazistas. Dizia detestar a Polônia porque, segundo ele, os poloneses haviam cruzado os braços quando aquilo ocorria, mas, sempre que conversávamos, ele voltava à Polônia, à sua família, ao vilarejo onde passara a infância, à cidade onde seu pai e seu avô também tinham comercializado peles. Às vezes seus olhos marejavam recordando essa terra que dizia detestar.

Desde que o nacionalismo não erga sua horrível cabeça, não é ruim que uma pessoa tenha saudade da língua que perdeu, das cidades ou bairros das brincadeiras infantis, do colégio onde estudou e dos ritos familiares entre os quais cresceu. Esse é um sentimento saudável, cálido, necessário, e assim nos mostra Otra Vida por Vivir, um livro sem pretensões que é, no entanto, profundamente otimista e humano, pois descreve outra cara da imigração e apresenta o amor ao que nos é próprio sem uma gota de patriotismo em excesso nem sentimentalismo.

“Twilight Time”, The Platters: No fim dos Anos 50 e começo dos 60, enquanto João Gilberto, em Juazeiro(BA), dedilhava na calçada da casa de dona Patú, a nota só em seu violão revolucionário da Bossa Nova, e Geraldo Azevedo nem sonhava com suas primeiras serenatas no portão do internato do colégio Nossa Senhora Auxiliadora, das freiras salesianae em Petrolina(PE), do outro lado do São Francisco, era o canto romântico de The Platters que mandava nas duas cidades do coração deste editor do BP. Espalhado aos quatro cantos pela brisa que soprava do rio da minha aldeia. Pura emoção que não dá para esquecer. Nunca.

Vai dedicada ao leitor e ouvinte Vangelis, testemunha ocupar desta história. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 
DO EL PAÍS

O grande favorito nas eleições presidenciais havia se retirado da vida pública até Cristina Kirchner o convencer de liderar o peronismo contra Macri

O candidato presidencial Alberto Fernández, em Buenos Aires.
O candidato presidencial Alberto Fernández, em Buenos Aires.R. Ceppi (Getty)

Alberto Fernández era, no início deste ano, um ex-ministro-chefe de Néstor e Cristina Kirchner, que se afastara do centro da política e dava aulas na Universidade de Buenos Aires. Há exatamente três meses, Cristina Fernández de Kirchner o convenceu a ser candidato à Presidência, com ela como vice-presidenta. O Governo de Mauricio Macri zombou da manobra, descreveu Alberto Fernández como um fantoche do Kirchnerismo e acreditou que tinha a reeleição praticamente assegurada. Hoje, depois de arrasar em uma eleição primária que não significava nada, mas acabou significando muito, Alberto Fernández se tornou um presidente virtual e o grande favorito na decisiva votação de outubro. Em cem dias, a Argentina e a vida de um homem discreto viraram de cabeça pra baixo.

A grande mudança começou a ser costurada antes do último Natal. Cristina Fernández de Kirchner pôs pessoas de sua confiança para sondar nas águas obscuras do peronismo e calcular se seu retorno seria viável. Intermediários como o advogado Eduardo Valdés, ex-embaixador argentino na Santa Sé e especialista nos meandros do Partido Justicialista, transmitiram a uns e outros a mensagem de que Cristina lamentava os erros de seu segundo mandato, atribuindo-os à dor causada pela viuvez (Néstor Kirchner morreu repentinamente em 2010), e prometia se emendar.

Um dos contatados foi Alberto Fernández, ministro-chefe de Néstor durante todo o seu mandato e no de Cristina durante seu primeiro ano, de 2007 a 2008. Alberto rompeu com Cristina depois de um de seus grandes erros, a guerra aberta contra o patronato agrário e, desde então, longe do primeiro plano, a criticava com dureza. Alberto Fernández, 60 anos, estava desde 2014 casado com a jornalista e atriz Fabiola Yáñez, 38 anos. Morava em um luxuoso apartamento em Puerto Madero, lecionava Teoria do Crime e Sistema de Penalidades na Faculdade de Direito de Universidade de Buenos Aires. Tocava violão em seu tempo livre e saía diariamente para passear com seu cachorro Dylan. Não parecia ansioso para voltar à linha de frente da política.

Depois de manter inúmeras reuniões e retornar o contato com dezenas de pessoas que se haviam distanciado dela, a ex-presidenta entendeu que ainda continuava causando muita rejeição. Um terço do eleitorado a adorava, o restante não a queria. O que fazer? Surgiu o nome de Alberto Fernández, homem com toda a experiência possível: subdiretor-geral no ministério de Raúl Alfonsín, tesoureiro de campanha de Eduardo Duhalde, chefe de campanha de Néstor Kirchner e depois chefe de seus ministros e aliado do federalista Sérgio Massa após sua ruptura com Cristina. A ex-presidenta só precisou de dois dias para convencê-lo. Em 18 de maio, foi anunciada a candidatura dos Fernández. Alberto como presidente, Cristina como vice-presidenta.

“Não poderiam ter cometido um erro mais terrível, Alberto Fernández nunca ganhou uma eleição e não contribui com nenhum voto, é um títere de Cristina. Macri será reeleito com facilidade”, disse um alto dirigente do Governo na Casa Rosada. Não era o único a pensar em algo assim. Poucos compreenderam que a missão de Alberto (o uso de nomes próprios é comum na política argentina) não consistia em ganhar votos, mas em sufocar a acidez de Cristina e reunificar o peronismo. Era um homem em quem os governadores justicialistas, relutantes em relação à ex-presidenta, podiam confiar; em quem poderiam confiar líderes moderados como Sergio Massa; com quem até os grandes grupos financeiros e midiáticos, fortes inimigos do kirchnerismo, poderiam conversar.

O desenho da campanha foi peculiar. Nos poucos atos eleitorais que protagonizaram juntos, Alberto e Cristina falavam sentados em um sofá, na forma de uma conversa descontraída. Em geral, Alberto desempenhou o papel principal. No comício final, em Rosário, com as principais figuras do peronismo alinhadas no palco, Cristina foi a banda de apoio no ato de abertura de Alberto e pronunciou um discurso breve e moderado.

As pesquisas mostravam de forma consistente uma relativa igualdade entre as duas grandes candidaturas e um elevado número de indecisos. A suposta indecisão foi considerada uma camuflagem para o “voto envergonhado”. Eram pessoas, segundo analistas e o próprio Jaime Durán Barba, o guru eleitoral de Macri, que não queriam reconhecer sua intenção de apoiar de novo um presidente cuja gestão econômica tinha causado grande dificuldade aos argentinos. E acabou não sendo assim. Eram pessoas que silenciaram seu voto na candidatura de uma ex-presidenta multiprocessada por corrupção, propensa ao autoritarismo e mais divisionista do que qualquer outro.

Na hora da verdade, no último domingo quase metade do eleitorado considerou que com Alberto e com o peronismo unido as coisas seriam diferentes. Eram simples primárias, mas Alberto Fernández obteve 47% dos votos. Em 27 de outubro, 45% seriam suficientes para ser proclamado presidente eleito.

A grande surpresa causou pânico nos mercados financeiros e horrorizou milhões de eleitores que identificam o peronismo com o chavismo. Alberto Fernández se tornou a nova referência. Desde sua conversa com o presidente Macri, na quarta-feira, o vencedor das primárias se esforça para transmitir tranquilidade (embora sua briga verbal com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, garanta futuras turbulências diplomáticas), mantém contatos discretos e indiretos com o Banco Central para contribuir para sustentar a surrada moeda nacional e parece seguir fielmente o prontuário distribuído à militância após o sucesso de domingo.

“Que o eleitorado nos volte a escolher”, diz o manual, “depende de que o ódio que sente por Macri, a razão do mal-estar em sua economia doméstica, tenha mais peso em sua decisão do que o medo que possa ter em relação a nós”. Para conseguir isso, recomenda-se discrição e distância da imprensa, deixar que Macri se vire sozinho com os problemas econômicos, evitar sinais de euforia e de autoritarismo e não dizer nunca “voltaremos”, mas “vamos sair do poço”. E falar de reconciliação nacional, como Alberto Fernández faz insistentemente.

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Posted on 19-08-2019
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Na avaliação de integrantes do governo ouvidos pelo Estadão, a demissão anunciada por Jair Bolsonaro do superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi, teve como pano de fundo as investigações envolvendo a família do presidente.

Segundo esses interlocutores, o sentimento no gabinete do presidente é de que Saadi fazia “corpo mole” ao não contestar as investigações, permitindo que buscas sobre a família fossem adiante.

Por pressão de Bolsonaro, a direção da PF teve que antecipar a troca de comando da superintendência da instituição no Rio. Mas não deu certo para o presidente.

Do Jornal do Brasil

Sem perícia, mensagens não têm sido usadas em investigações e processos

 

O teor das mensagens de Telegram obtidas pelo site The Intercept Brasil não é, até o momento, objeto de investigação de órgãos oficiais.

Em julho, a Polícia Federal prendeu quatro suspeitos de envolvimento no hackeamento das contas de Telegram de autoridades como os procuradores da Lava Jato e o ministro Sergio Moro (Justiça).

Um dos presos, Walter Delgatti Neto, 30, afirmou à PF que foi o responsável por entrar no aplicativo dos procuradores, capturar as mensagens e repassá-las ao jornalista Glenn Greenwald, do Intercept. Delgatti disse que agiu por conta própria e não recebeu dinheiro.

O inquérito da PF, ainda em curso, não analisa o conteúdo das mensagens da Lava Jato, que foram apreendidas com o suspeito. A investigação foca apenas nas circunstâncias da invasão, para tentar descobrir, por exemplo, se outras pessoas participaram do crime.

Neste domingo (18), reportagem da Folha de S.Paulo com base no material enviado ao site mostrou que procuradores contornaram limites legais para obter informalmente dados sigilosos da Receita Federal em diferentes ocasiões.

Os diálogos indicam que integrantes da força-tarefa buscaram informações da Receita sem requisição formal e sem que a Justiça tivesse autorizado a quebra do sigilo fiscal das pessoas que queriam investigar.

Eles contaram com a cooperação do auditor fiscal Roberto Leonel, que chefiou a área de inteligência da Receita em Curitiba até 2018 e assumiu a presidência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no governo Jair Bolsonaro (PSL).

Pela legislação brasileira, os dados podem ser compartilhados com o Ministério Público, mas para isso é preciso haver requerimentos formais e fundamentados.

No fim de junho, a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) retomou um debate sobre suposta falta de imparcialidade de Moro na condução do processo que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa do petista e os ministros fizeram menção às mensagens que já tinham sido divulgadas pelo Intercept. A reportagem deste domingo mostrou também que procuradores se valeram do acesso ao chefe da Receita para obter informações sobre as reformas executadas por empreiteiras no sítio de Atibaia (SP) frequentado pelo ex-presidente.

Os ministros do STF afirmaram em junho que não poderiam considerar as mensagens como provas, naquele momento, porque elas não tinham passado por um exame de autenticidade.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) manifestara-se ao STF contra o pedido de Lula para declarar a suspeição de Moro pelo mesmo motivo: as mensagens não tinham passado por exames que comprovassem sua autenticidade e não poderiam ser usadas como provas.

Do mesmo modo, o corregedor do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), Orlando Rochadel, arquivou em junho uma reclamação apresentada contra o procurador Deltan Dallagnol em decorrência das mensagens divulgadas pelo Intercept.

Na última terça (13), a pedido de outros dois conselheiros do CNMP, o colegiado desarquivou o caso, que voltará a tramitar. Ainda não há definição sobre o tratamento que o conteúdo das mensagens receberá nesse procedimento administrativo.

O material apreendido com um dos hackers presos pela PF foi encaminhado ao Supremo, em dois processos diferentes, por determinação dos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux.

Moraes presidente um inquérito, aberto em março, que apura fake news e ameaças contra integrantes da corte. Depois que a Folha de S.Paulo, em parceria com o Intercept, noticiou que as mensagens mostram que Deltan incentivou colegas a investigar o ministro Dias Toffoli, Moraes determinou que uma cópia das conversas fosse enviada ao STF.

Já Fux é relator de uma ação ajuizada pelo PDT com o objetivo de preservar as mensagens apreendidas –Moro havia dito a autoridades que deveria destruí-las. O ministro também requisitou cópia das mensagens para ficarem sob a guarda do tribunal.

Não há definição sobre o destino das mensagens sob custódia do Supremo. Há certo consenso de que, para que seu teor possa ser utilizado em processos judiciais e administrativos, as conversas precisam ser periciadas.

Do Jornal do Brasil

 

EDUARDO MOURA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Onde queres comício, flipper-vídeo”. Naquele ano de 1984, quando Caetano Veloso lançava “O Quereres”, política e videogame pareciam ocupar espaços opostos.

“‘Flíper’ era como se chamava pinball, fliperama. Eu via pessoas jogando em frente à TV. Isso contrastava com interesse em comícios, falas políticas em espaço público”, explica Caetano.

Trinta e cinco anos depois, o cenário mudou.

Neste momento em que o termo guerra cultural bate e quica nos discursos tanto de esquerdistas quanto de direitistas, o governo se digladia abertamente com setores como os de cinema e teatro. 

Mas há um tipo de produto cultural específico que, em vez pedradas, ganha afagos: os jogos eletrônicos.

“Um forte abraço gamers!”, postou Jair Bolsonaro, sem se preocupar com a vírgula.

Em falas recentes, o presidente tem feito acenos para a indústria de videogames.

Na última quinta-feira (15), publicou decreto que reduz alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), “incidentes sobre jogos de vídeo e suas partes e acessórios”. Bolsonaro também mencionou, em postagem nas redes sociais, taxas de importação para eletrônicos. 

No Twitter, como que para justificar a preocupação com os games, o presidente disse que “o Brasil é o segundo mercado no mundo nesse setor”. 

Sim, o mercado consumidor brasileiro é grande. Mas, não, não é o segundo. De acordo com a Newzoo, empresa de análise especializada no setor, o país é na verdade o 13°, com 75,7 milhões de jogadores, que gastaram ao todo US$ 1,5 bilhões em 2018.

“O setor de games surgiu como software e, no imaginário, ele ainda está muito próximo do setor de software. Enquanto nas ‘culturas clássicas’ a parte de negócios é uma consequência, o setor de games já nasceu voltado para o mercado. Quase não existe [o debate] ‘mercado versus cultura'”, diz o pesquisador Pedro Zambon, que mapeou o ecossistema brasileiro de jogos digitais.

“O governo encara o produto [game] como bem de entretenimento, diferente de cultura. Isso não é exatamente bom”, diz Luiggi Reffatti, programador e designer da Fira Soft, empresa brasiliense de games.

O decreto em favor dos consoles vem seis anos depois da frase “é um crime o videogame, tá ok? Você tem que coibir o máximo possível”, dita em 2013 por um Jair Bolsonaro ainda distante da faixa presidencial, no programa Mulheres, da TV Gazeta.

Em 2019, já presidente, Bolsonaro ligou pessoalmente para o jogador profissional de Counter-Strike Gabriel Toledo, conhecido como FalleN. A pauta da conversa era redução de impostos sobre games.

Para o jornalista João Varella, autor do livro ainda inédito “Videogame – A Evolução da Arte” (Ed. Lote 42), essa inflexão está ligada ao imaginário criado pelos jogos AAA (ou “triple A”), como são conhecidos os games blockbuster –para usar outro estrangeirismo, são os mais mainstream e nos quais, segundo Varella, a “competitividade exacerbada” impera.

“Esses jogos costumam tocar em questões que são parte dessa cultura branca, heterossexual e conservadora. Uma das franquias de maior sucesso desse mercadão é ‘Call of Duty’, que tem uma clara pauta de exaltação militar”, afirma o jornalista. 

Se o conceito de guerra cultural tem como epicentro temas como raça, sexualidade e comportamento, então essa idealização dos games é terreno menos hostil para a direita. “Nos games de maior expressão, existe uma cultura de violência para resolução de problemas que encaixa com uma ideia bolsonarística. E aí clica uma coisa com a outra”, diz Varella.

Porém, esse universo é mais complexo do que o senso comum faz parecer. As mulheres são a maioria dos jogadores casuais: 58,8%, de acordo com pesquisa Game Brasil de 2019. Nesse grupo, joga-se até três vezes por semana, em sessões de até três horas, e a plataforma principal são os smartphones. 

Entretanto, são os consoles e computadores que atraem a preferência dos jogadores “harcore”, que representam 30% do total mapeados, uma minoria ruidosa, composta majoritariamente por homens (58,9%).

Sob o ponto de vista das produções, começam a ganhar expressão jogos que vão na contramão da hegemonia temática dos AAA.

Longe dos protagonistas machões de franquias como “God of War” ou “Red Dead Redemption”, o game independente brasileiro “Dandara”, listado como um dos melhores de 2018 pela revista Time, tem como personagem principal uma mulher negra inspirada na esposa de Zumbi dos Palmares. Já o australiano “Florence”, eleito o melhor jogo para celular pelo Game Awards (espécie de Oscar do setor), define-se como “uma história de amor interativa”.

Mesmo dentro do âmbito dos AAA, ecos feministas se fazem presente. A protagonista da franquia “Tomb Raider”, Lara Croft, tem uma representação menos sexualizada na versão de 2018, se comparada com sua versão peituda de 1996.

A violência como solução de problemas, o machismo e a competitividade não são exclusividade dos videogames e têm forte presença nas alas mais comerciais de outras linguagens artísticas –de Hollywood a best-sellers juvenis. A diferença é que, como os jogos eletrônicos já nasceram mais voltados ao mercado, a supremacia dos AAA foi mais natural.

“Estamos em um momento de ver o videogame como expressão artística. Não dá para ficar só no ‘Call of Duty’ e achar que é tudo tiro, porrada e bomba”, diz Varella.

Os jogos ainda não se sagraram no Olimpo das artes. Caso chegue esse momento, resta saber se os afagos do conservadorismo permanecerão.

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Posted on 19-08-2019
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S. Salvador, NO JORNAL

 

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 DO EL PAÍS

Ele acaba de estrear o último filme de Tarantino, é um dos atores mais bem pagos do mundo e provoca fascinação embora suas entrevistas sejam sem graça. Qual é o truque para manter seu status de enigma?

Leonardo DiCaprio é o ator mais famoso do planeta, mas ninguém sabe nada sobre ele. Na imagem, o astro retratado em Nova York em 1995.
Leonardo DiCaprio é o ator mais famoso do planeta, mas ninguém sabe nada sobre ele. Na imagem, o astro retratado em Nova York em 1995. (Foto: Getty)

Em 1998, Leonado DiCaprio (Los Angeles, 1974) era o rei do mundo. Enquanto se decidia entre os 100 roteiros que lhe propuseram depois de Titanic, caía na farra diariamente com seus colegas entrando sem convite em festas da Victoria’s Secret, jogando lixo de uma ponte em cima dos carros da estrada e fechando boates de strip-tease sem deixar gorjeta. O grupo se autoproclamava Pussy Posse (“o bando da xoxota”), e gente como Donald Trump, Susan Sarandon e Mariah Carey fazia fila para cumprimentá-los no camarote.

Hoje Leonardo DiCaprio é o ator mais famoso do planeta, mas ninguém sabe nada sobre ele. Só sai com modelos (oito em duas décadas, nunca com mais de 25 anos; a última, a atriz Camila Morrone, tem 21). Esvaziou a zona VIP de uma boate de Miami levando 20 garotas à sua mansão e organizou uma festa em seu iate de Ibiza para Tobey Maguire, seu recém-divorciado companheiro do Pussy Posse, repleta de modelos.

O ator e seus colegas se faziam chamar Pussy Posse (“o bando da xoxota”), e pessoas como Donald Trump, Susan Sarandon e Mariah Carey faziam fila para cumprimentá-los no camarote

Mas sua imagem pública é a de um artista íntegro, discreto e comprometido com o meio ambiente. Seu ativismo ecológico o ajudou a desviar a atenção em relação à sua vida privada, que continua sendo uma perpétua farra adolescente, em uma estratégia que ele já explicou em 2000. “Finjo que sou um enigma complexo, mas o certo é que não quero que ninguém saiba quem sou. Quero parecer o mais seco, cinzento e sem graça possível”, afirmou, antes de enumerar 20 espécies em perigo de extinção.

Aquele 1998 mudou sua vida em três âmbitos: a Leomania, uma obsessão coletiva do público que colocou 10 livros sobre ele entre os 15 mais vendidos nos Estados Unidos; as festas com o Pussy Posse; e uma reunião com Al Gore para conhecer a ameaça da mudança climática. Seu ídolo Marlon Brando o desprezava (“Parece uma menina”) e o senador John McCain também (“É um frágil afeminado”). Ele rebateu esclarecendo :“Só porque eu queria sair de festa com outros caras não significa que seja gay!”

James Cameron, diretor de Titanic, descreveu-o como um “metido malcriado” depois que o ator lhe explicou que não iria à entrega do Oscar através de um SMS que dizia: “É que não curto muito isso, cara”. A piada que dizia que “tudo de ‘Titanic’ foi indicado ao Oscar, menos DiCaprio e o iceberg” foi o primeiro meme sobre o ator na Internet. Chegariam muitos outros, frutos de uma obsessão do público em decifrar o bendito mistério. Quem afinal é Leonardo DiCaprio? Se ele se nega a mostrar sua verdadeira personalidade, a Internet parece decidida a construí-la: sua promiscuidade é percebida como uma extravagância simpática e inofensiva, seu silêncio como uma decência, sua disciplina profissional como um desespero por ganhar um Oscar. Mas ele jamais parece dar importância às narrativas que se formam em torno da sua imagem.

Brad Pitt e Leonardo DiCaprio em ‘Era Uma Vez em... Hollywood’, o último filme de Quentin Tarantino, que tem Margot Robbie no elenco.
Brad Pitt e Leonardo DiCaprio em ‘Era Uma Vez em… Hollywood’, o último filme de Quentin Tarantino, que tem Margot Robbie no elenco.

Quando Lady Gaga deu um esbarrão no cotovelo de DiCaprio enquanto caminhava até o palco para receber o Globo de Ouro, o GIF viralizou em questão de minutos. “É que eu não sabia que ela passaria por ali”, limitou-se a explicar o ator. Quando veio o rumor brincalhão de que a ursa de O Regresso havia tentado abusar dele, seu agente desmentiu com um comunicado: “Isso não é o que ocorreu.” Quando lhe perguntaram por que rejeitou os papéis de Robin em Batman Eternamente, de Anakin em Star Wars II: O Ataque dos Clones e de Peter Parker em Homem-Aranha, limitou-se a confirmar que “houve reuniões, mas no final não fiz esses papéis”. Desse modo, o ator obriga o público a especular sobre os verdadeiros motivos que o levaram a não protagonizar aquelas superproduções: é o ator de maior bilheteria que jamais rodou uma sequência, a única estrela que não fez filmes de super-heróis, e seu único megassucesso, A Origem (além de Titanic), era uma opulenta sessão de psicoterapia. DiCaprio parece empenhado em demonstrar que Titanic foi uma exceção na sua carreia, que não prosperou graças a esse filme, e sim apesar dele.

Uma modelo que dormiu com DiCaprio contou que é um preguiçoso na cama e que não deixou de fumar cigarro eletrônico e ouvir música com seu fone de ouvido durante o sexo

Há duas semanas, durante a promoção de Era Uma Vez em… Hollywood (que estreou no Brasil em 15 de agosto), perguntaram a ele sobre a teoria popular de que Jack – seu personagem em Titanic, que morreu afogado – caberia em cima da porta onde Rose subiu para se salvar. Enquanto seus colegas de elenco Brad Pitt e Margot Robbie faziam piada (DiCaprio só concede entrevistas sozinho, e desde 1998 só se prestou a cinco reportagens de fôlego), ele respondeu “sem comentários”, olhando para o chão. DiCaprio se resiste a ser o meme viral da semana e se leva tão a sério (“Mas trazer um ser humano a um mundo como este?”, responde, quando lhe perguntam se quer ser pai) que o público acabou tendo respeito por ele. Todo cinéfilo cita um filme diferente em que percebeu que DiCaprio é um dos melhores atores de sua geração.

Na verdade, sua carreira pós-Titanic só fez prosseguir as inquietudes de seu início (o adolescente maltratado em O Despertar de Um Homem, o deficiente mental em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador, o viciado em drogas em Diário de Um Adolescente) com personagens encurralados, teimosos ou doentes mentais. O projeto escolhido entre aquelas 100 ofertas de 1998, A Praia, espantou os adolescentes que pagaram o ingresso buscando uma aventura em tons de turquesa e deram de cara com um mergulho na loucura mediante conversas existencialistas. DiCaprio, por sua vez, levou todos os seus colegas de férias à Tailândia durante a filmagem, com despesas pagas pelo orçamento do filme.

“Sua cara é um campo de batalha de conflitos morais”, admira-se Martin Scorsese. “Gosto do fato de que ele não faça dois filmes por ano”, aplaude Quentin Tarantino, “como Al Pacino e De Niro nos anos setenta, faz só o que quer; portanto, se escolhe um filme, o público sabe que será bom.” Graças a ele, projetos impossíveis de vender nas grandes cadeias de cinema, como O Lobo de Wall Street e O Regresso, conseguiram financiamento e arrasaram na bilheteria se opondo aos típicos campeões de público: DiCaprio é o último sobrevivente daquela estirpe de estrelas que levavam as pessoas ao cinema. Por isso, seu Oscar é o único Oscar que importou ao grande público nos últimos 20 anos.

“Pessoalmente é educado, encantador, brincalhão e te olha nos olhos. E consegue não te dar nenhuma pista sobre sua verdadeira personalidade”, lamentou uma jornalista de The Guardian em 2007, após entrevistá-lo durante cinco horas. “Ao terminar, Leo foi para uma farra de nove horas em que gastou 10.000 euros (44.000 reais). É irritante porque esse DiCaprio é muito mais divertido do que o que bebeu água com gás comigo durante cinco horas.” Ele não esconde sua estratégia para manter o controle nas entrevistas. “Só falo sobre o que quero falar, não importa a pergunta”, diz. Em 2016, durante a campanha de promoção mais intensa de sua carreira antes do Oscar que acabaria ganhando por O Regresso, perguntaram a ele sobre a época da Leomania. “Época de quê?”, respondeu, fingindo não conhecer o nome que a imprensa deu ao fenômeno de sua fama global.

Leonardo DiCaprio usou essa fama para conscientizar a sociedade sobre a urgência de agir o quanto antes para mitigar a mudança climática. Reuniu-se com Barack Obama, com o papa Francisco e com Vladimir Putin (que disse que Leo é um homem de verdade”), foi porta-voz da ONU e produziu sete documentários. Mas sua preocupação, embora genuína, também lhe serviu para desativar perguntas que não deseja responder. Entre elas, qualquer uma relacionada com Don’s Plum, o filme amador que rodou com os Pussy Posse em meados dos anos noventa, em que ele improvisava frases como “deixa de me olhar assim ou te jogarei uma garrafa na porra da cara, sua vagabunda”, ante uma menina com lágrima nos olhos. DiCaprio e Maguire usaram seus contatos para impedir a estreia após se tornarem famosos. Mas o filme está hoje disponível no YouTube graças ao seu diretor, que decidiu publicá-lo após ser expulso do Pussy Posse.

DiCaprio é o ator de maior bilheteria que nunca rodou uma sequência, a única estrela que não fez filme de super-heróis, e ‘A Origem’, seu único megassucesso (além de ‘Titanic’), era uma opulenta sessão de psicoterapia

Enquanto isso, as histórias do outro DiCaprio, o animal da festa, continuam penetrando pelas gretas de sua recatada imagem pública: após ganhar o Oscar, foi para a farra com o Pussy Posse uivando e gritando “alcateia de lobos!” sem parar (o ator nega ter usado para o grupo o nome Pussy Posse, que considera “degradante para as mulheres”); uma modelo contou que dormiu com ele, que é um preguiçoso na cama e que não deixou de fumar cigarro eletrônico e escutar música eletrônica durante o sexo; e, num programa de TV, Jennifer Lopez lhe enviou uma mensagem (“Olá, querido. Estou com vontade de dar uma relaxada. Alguma sugestão?) e ele respondeu (“Hoje, querida, balada?”).

No Globo de Ouro de 2014, Tina Fey o apresentou dizendo: “E agora, como a vagina de uma top model, vamos dar as boas-vindas a Leonardo DiCaprio”. Ele entrou no palco e entregou o prêmio sem se alterar. “Sempre peço aos meus amigos que me imitem, e nunca são capazes”, queixava-se ele na época, “o que me faz sentir muito pouco interessante. Meus amigos me consideram insípido.” Um senhor insípido que coleciona caveiras de dinossauros, uma das quais vendeu a Russell Crowe por 30.000 euros (132.000 reais) durante uma bebedeira.

Essa estratégia prudente o protegeu a tal ponto que, em 2016, a Internet se reuniu em um clamor para que dessem o Oscar de uma vez por todas ao pobre Leonardo DiCaprio. A narrativa de que ele desejava ganhá-lo (só baseada no fato de que escolhe papéis lúcidos, porque ele certamente respondia sempre com um inócuo “seria uma honra ganhar, mas não depende de mim) levou o público a sentir pena dele cada vez que perdia. Uma lástima para um sujeito que trabalhou com os melhores diretores de Hollywood, que recebe no mínimo 20 milhões de euros (88 milhões de reais) por cada filme de arte e ensaio que roda e que, durante aquela festa em seu iate de Ibiza, orgulhou-se de comparecer a castings do canal adolescente CW para conquistar aspirantes a atrizes de 20 anos. Talvez conseguir ser percebido como um homem sem graça, formal e desinteressante seja a melhor interpretação de sua carreira. E sua cruzada pelo meio ambiente, tão nobre quanto conveniente, tenha mais sentido nele do que em qualquer outra pessoa: este planeta é seu; natural que queira protegê-lo.

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