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CRÔNICA

 Será que ainda sou o herói dos meus filhos?

Janio Ferreira Soares

 

Apesar de soar meio clichê, nunca liguei para datas que o calendário define como apropriadas pra exaltar nascimentos, mortes, mães, pais e que tais, embora não tenha nada contra quem adora celebrá-las. Só que, aqui pra nós, qual o sentido de levar alguém para almoçar somente quando a folhinha diz que aquele é o seu dia? De que adianta acender uma vela para alguém que partiu, apenas no último dos 365 sóis que cruzam sua lápide? Qual o propósito de se desejar uma nova era só em 31 de dezembro, se um novo ciclo se inicia todo dia?

Pois muito bem, domingo passado foi a vez dos pais. E, como tal, fui alvo de várias mensagens de lojas onde comprei, de empresas aéreas em que voei, de operadoras de cartões que ainda não paguei, e até de estabelecimentos onde nunca pisei. Na sequência, recebi alguns telefonemas das queridas tias que me restam, e respondi aos “eu te amo” dos meus filhos, com um: “eu também”.

Mas, na boa, agora que eles estão com a idade que eu tinha quando os tive – e que eu já estou com mais do dobro de quando os ninei -, o que me interessa saber de verdade é se continuo fazendo jus às mensagens que os três, ainda crianças, me escreviam – e que até hoje estão coladas no meu armário -, do tipo: “pai, você é o meu herói!”. E aí, diante do espelho, miro minhas rugas e me pergunto se, hoje, no lugar da exclamação escrita com o hidrocor do orgulho, não estaria uma seca vírgula da decepção antecipando um “mas…”, cujas reticências abrigariam mágoas que prefiro desconhecê-las.

Claro que, amáveis como são, eles continuarão dizendo que ainda sou o mesmo Super-Homem que transformava um simples lençol de lã numa poderosa capa que os protegia das trovoadas de dezembro, embora eu saiba que estou mais para o velhinho do desenho UP – Altas Aventuras –, já que a qualquer momento posso sair voando na minha cadeira de balanço, levado por coloridos balões.

Mudando de assunto, semana passada meu amigo Rogério Xavier, cordelista de primeira, esteve na Flipelô e filmou um papo com minha querida Mabel Velloso. E aí, quando ele disse que era de Paulo Afonso, ela se declarou minha leitora e completou dizendo que até recortou um dos meus textos (O Menino Que Libertava Pipas) para um trabalho com seus alunos. No final, falou: “não sei se ele vai se lembrar de mim”.

Poxa, dona Mabel, como eu poderia me esquecer de uma pessoa que transborda a doçura das primeiras águas do Subaé (onde sua Canô se banhou) e do São Francisco (onde minha Cecília nadou)? A propósito, guardo uma linda mensagem que você me mandou quando escrevi, em 2007, um texto sobre nossas duas rainhas e suas coroas em forma de coque, que foi fundamental para que eu botasse fé na leveza de meus dedos. Um grande e carinhoso beijo.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na ribeira baiana do Rio São Francisco.

“Nessuno al Mondo”, Peppino di Capri: na área de comentários deste vídeo no Youtube, a italiana Patrizia Zaniboni , escreveu há  4 anos: e se bailava, lentamente, com o rapaz de quem você gostava…Que tempo!!!.”

Se vivo estivesse, o notável colunista baiano, Silvio Lamenha, seguramente diria: “Discordar, quem há de?”.

BOM DOMINGO?

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 18-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-08-2019

Projeto sobre abuso de autoridade pode ser um ‘veneno’, diz Dodge

 

Em Porto Alegre para a inauguração da nova sede da Procuradoria da República, Raquel Dodge criticou o projeto da Lei de Abuso de Autoridade, registra Fausto Macedo.

Para a chefe da PGR, a decisão do Legislativo deve ser respeitada, mas a esfera jurídica já dispõe de modos de contenção de abusos de agentes de Estado.

“A boa lei fortalece as instituições, mas é preciso atentar para o fato de que a própria lei pode se tornar um abuso que deseja reprimir”, acrescentou.

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Do  Jornal do Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite de sexta-feira que pretende promover algum tipo de veto ao projeto de lei de abuso de autoridade, aprovado pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira.

“Não li ainda o projeto. Segunda-feira eu leio, mas que vai ter veto, vai”, afirmou o presidente ao ser questionado sobre o assunto durante viagem a Resende (RJ), segundo a Agência Brasil.

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Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Bolsonaro tem 15 dias para decidir se sanciona ou veta o texto, parcial ou integralmente. O projeto tem sido alvo de críticas de várias entidades que participam do sistema Judiciário.

Nota técnica do Ministério da Justiça e Segurança Pública avaliou que o projeto pode “inviabilizar” o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público.

“É possível identificar diversos elementos que podem, mesmo sem intenção, inviabilizar tanto a atividade jurisdicional, do MP e da polícia, quanto as investigações que lhe precedem”, diz a nota obtida pela Reuters.

A análise da área técnica do Ministério da Justiça cita que um dos artigos do projeto –que considera abuso de autoridade decretar prisão em “manifesta desconformidade com as hipóteses legais– limita o exercício do juiz e cria “uma zona cinzenta pela qual o magistrado deve caminhar para viabilizar a compatibilidade entre a norma e a sociedade”.

Do Jornal do Brasil

 

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) lamentou, por nota, a negativa do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, em dar proteção ao jornalista e deputado David Miranda (PSOL) e seus familiares.

A ABI pede que Witzel reveja sua decisão e ressalta que é dever do Estado proteger qualquer cidadão.

A solicitação de escolta policial ocorreu após o deputado denunciar para a Câmara dos Deputados e para a Polícia Federal as ameaças vinha sofrendo. O parlamentar é casado com o também jornalista Glenn Greenwald, membro fundador do site “The Intercept”, que está publicando uma série de mensagens atribuídas a Sérgio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, indicando combinações nas atuações da operação Lava Jato.

O pedido feito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi negado sobre o argumento que a legislação proíbe a proteção particular.

Nota oficial da ABI

Diante da negativa do governador Wilson Witzel em oferecer proteção ao jornalista e deputado federal David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, que vêm sofrendo ameaças de morte, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) vem a público afirmar o seguinte:
1) É direito de qualquer cidadão com a integridade física ameaçada receber proteção do Estado;
2) David Miranda é uma figura pública, detentor de um mandato de deputado, e comprovadamente tem recebido ameaças, assim como sua família;
3) Nos momentos em que David está em Brasília exercendo seu mandato de deputado federal, ele tem tido proteção da Polícia Federal, a pedido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia;
4) Ao negar-se a dar proteção a David e seus parentes, apesar da solicitação de Maia nesse sentido, o governador Witzel automaticamente torna-se também responsável por qualquer atentado que eles sofram;
5)A ABI espera que o governador reveja sua posição e cumpra seu dever, protegendo David e sua família.

Paulo Jeronimo de Sousa
Presidente da ABI

Cid Benjamin
Vice-Presidente da ABI e presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade

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Posted on 18-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-08-2019

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Sinovaldo, no jornal NH (RS)

 DO G1/O GLOBO
 

Por Victor Vidigal, G1 AP — Macapá

Pronunciamento da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aconteceu neste sábado (17), em Macapá — Foto: Victor Vidigal/G1 Pronunciamento da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aconteceu neste sábado (17), em Macapá — Foto: Victor Vidigal/G1

Pronunciamento da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aconteceu neste sábado (17), em Macapá — Foto: Victor Vidigal/G1

Representantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados se pronunciaram neste sábado (17), em Macapá, contestando o laudo preliminar apresentado pela Polícia Federal (PF) que sugere como afogamento a causa da morte da liderança indígena Emyra Waiãpi, em julho no Amapá.

A posição contrária ao documento apresentado pela polícia, se baseia em um vídeo feito pelos indígenas logo após o corpo de Emyra ter sido encontrado, no dia 27 de julho. No registro é mostrado cortes no rosto, cabeça e região genital do cacique. A gravação está circulando nas redes sociais, mas ainda não foi divulgada oficialmente.

A perícia, realizada por dois médicos legistas Polícia Técnico-Científica (Politec) do Amapá, no dia 2 de agosto, indica que não houve “lesões de origem traumática” e nem “sulcos evidenciáveis de enforcamento” no pescoço do indígena. Ainda afirma que a lesão na cabeça da vítima foi considerada pelos médicos como superficial pois “não atingiu planos profundos, e que não houve fraturas”.

O corpo do indígena foi exumado, ao longo de duas horas, com autorização da família e de outros líderes indígenas, respeitando as tradições daquele povo.

A PF ainda aguarda o resultado do laudo toxicológico complementar, onde é examinado o que foi coletado dos órgãos internos de Emyra. As amostras estão sendo analisadas no Laboratório de Toxicologia Forense, com previsão de entrega em 30 dias.

 
Comissão de Direitos Humanos da Câmara contesta laudo da morte do índio Emyrá Waiâpi

Comissão de Direitos Humanos da Câmara contesta laudo da morte do índio Emyrá Waiâpi

O deputado federal Camilo Capiberipe (PSB), integrante da CDHM, informou durante o encontro, ocorrido no Museu Sacaca, em Macapá, que os próximos passos dos parlamentares será fazer um pedido para que a investigação seja aprofundada.

“Não foi feito uma perícia do local onde o corpo foi encontrado, demorou um certo tempo para haver um deslocamento da perícia e o vídeo mostra que o corpo sofreu violência. O laudo diz que não é violência suficiente para caracterizar homicídio, mas nós entendemos que essa investigação precisa ser aprofundada”, disse o deputado.

O político, junto com a deputada federal Joênia Wapichana (Rede), coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas, e representantes da Defensoria Pública da União e Ministério Público Federal estiveram reunidos com líderes de 93 comunidades Waiãpis na sexta-feira (16), no município de Pedra Branca do Amapari.

No encontro, os parlamentares puderam escutar a versão dos indígenas sobre a morte do cacique Emyra e a suposta invasão de garimpeiros. De acordo com Joênia, ainda é preciso que seja esclarecido todo o caso para evitar qualquer tipo de dúvida sobre o trabalho investigativo.

“O governo federal tem que cumprir as obrigações constitucionais que é justamente dar uma resposta a um procedimento de investigação, sem interferência política. A gente está aguardando que as autoridades policiais possam responder esse quesito. É nesse sentido que a gente está indo. Nós estamos confiando que eles respondam de imediato para que não restem dúvidas sobre as circunstâncias do crime”, declarou a deputada.

 

Deputada federal, Joênia Wapichana — Foto: Rede Amazônica/Reprodução Deputada federal, Joênia Wapichana — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Deputada federal, Joênia Wapichana — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

O senador Randolfe Rodrigues, que visitou a aldeia e conversou com lideranças no dia 30 de julho, disse que já solicitou uma cópia do laudo pericial junto a PF, e indagou uma série de questões sobre o trabalho policial.

“Quem fez o laudo? Quem são os médicos legistas? Por que o corpo do Emyra não foi trazido para da TI para Macapá? Por que foi um helicóptero da capital para lá (TI) para fazer a necropsia lá, no meio da floresta? Quais as condições que tinham para essa necropsia ser feita lá no meio da floresta? É um conjunto de perguntas que precisam ser respondidas”, acrescentou Rodrigues.

As respostas para dúvidas é o que também espera Dalson Karipuna, coordenador da Associação Indígena do Povo Karipuna (Aika). Ele reforça a versão de que o ataque ao indígena Emyra Waiãpi foi causado por uma invasão de garimpeiros.

“A gente sabe que nós indígenas lutamos pela preservação do meio ambiente, então com certeza foi invasão dos garimpeiros que fizeram isso. Não é verdade o que eles [PF] estão divulgando, o povo que está lá viu o que aconteceu”, disse a liderança do povo indígena de Oiapoque.

Na tarde deste sábado, representantes da CDHM ainda irão ter uma reunião com policiais federais responsáveis pelo inquérito e um novo encontro com lideranças indígenas.

 

Aldeias Waiãpi no Amapá — Foto: Reprodução Aldeias Waiãpi no Amapá — Foto: Reprodução

Aldeias Waiãpi no Amapá — Foto: Reprodução

Investigação

A exumação foi acompanhada por servidores da Funai. Ao todo, 27 pessoas participaram do trabalho, entre agentes da PF, Polícia Civil e Politec.

Mesmo não encontrando indícios de invasão, o MPF, que também abriu investigação sobre o caso, declarou que “há várias linhas de investigação” e que “nenhuma foi descartada”.

 

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