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Cristina Kirchner festeja com Alberto Fernandez
o triunfo nas primárias da Argentina…
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…e Ricardo Darin:”15 pontos foram intensos e escandalosos,

mas na democracia é assim!”.

ARTIGO

Mirando ao Sul: Bolsonaro, Macri, Lula, Cristina, Mafalda e Darin

Vitor Hugo Soares

Em seguida ao triunfo da dupla Alberto Fernandez/Cristina Kirchner nas primárias na Argentina, domingo (11), partiu da cela da Policia Federal, em Curitiba, a felicitação política e pessoal mais calorosa de estímulo e crença na retomada do poder, “pela esquerda”, no sul do continente latino-americano, em outubro. Assinada pelo ex-presidente Lula – que cumpre pena de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processo da Lava Jato -, a mensagem ressalta a relevância da sova, com vantagem de 15% dos votos, aplicada na chapa encabeçada pelo “liberal” Maurício Macri, de malfadada largada (sem trocadilho com a heroína portenha dos quadrinhos) na sua tentativa de reeleição,

O petista não cabe em si de contentamento, em postagem no Twitter, diante das notícias chegadas à sua cela (visitada dias antes por Fernandez, vencedor das prévias), sobre o resultado das urnas, enquanto peronistas festejavam na Plaza de Mayo. Bem em frente à Casa Rosada, ocupada pelo inimigo Macri, onde o fundador e chefe maior do PT era recebido com afagos e bons vinhos na era Kirchner: “Parabéns aos companheiros Alberto Fernandez e Cristina Kirchner pelo expressivo resultado nas primárias argentinas. É preciso dar esperanças ao povo, trazer dias melhores e cuidar de quem mais precisa”, escreveu Lula.

Avisos de tempestades, soprados dos Andes, também chegaram aos ouvidos e mexeram com o coração e nervos do atual ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, e de sensíveis sismógrafos e atentos observadores de seu governo, confessadamente “de direita”. Ironicamente (ou não?) a repercussão dos fatos de Buenos Aires alcançou o presidente no interior do Rio Grande do Sul, ainda mais próximo, do que Lula, da fronteira Brasil – Argentina. Em Pelotas, ao participar de um evento cívico/militar, Bolsonaro – aliado declarado e defensor da reeleição de Macri e da virada no Mercosul – instalou sua conhecida metralhadora giratória verbal “mirando ao Sul”, como no famoso tango, e disparou. “Não se esqueçam do que, mais ao sul, na Argentina, aconteceu nas eleições de ontem. A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma da Dilma, que é a mesma de Maduro e Chavez, e Fidel Castro, deu sinal de vida aqui. Povo gaúcho, se essa “esquerdalha” voltar na Argentina, nosso Rio Grande do Sul poderá se tornar um novo estado de Roraima”, completou ,  referindo-se ao estado do norte brasileiro, fronteira com a Venezuela, que vive o caos, pela invasão em massa de refugiados venezuelanos.

No pandemônio das prévias, a voz mais equilibrada e indicadora de rumos não veio de governantes, militares ou políticos, mas do fabuloso artista da Argentina, reconhecido e aclamado também no Brasil: Ricardo Darin. Envolvido na divulgação de seu filme recente, “La Odisea de los Gilles”, o ator entrou de cara na política ao comentar, em uma entrevista, os fatos do domingo em seu país: “Os 15 pontos de diferença foram intensos e escandalosos. Mas a democracia é assim. O povo se expressa e é soberano. Aí é onde terminam todas as especulações dos que buscam interesses ou vivem de faturas. Tudo termina aí: no momento em que a gente vai e expressa seu voto”. Sem revelar em quem votou, ele conclui  “em algum momento vamos ter que buscar um consenso, porque os países que vão adiante fazem isso”. Escutemos Darin, lá e cá.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“El Corazón Mirando el Sur”, Mercedes Sosa: Fantástica interpretação do tango de Eladia Blásquez com alma e paixão argentinas, gravado no CD-Mercedes Sosa , em 1986. Aqui com acompanhamento de luxo de Leopoldo Federico. Porque hoje é sábado e porque a Argentina pede ( e merece) toda a nossa atenção. Miremos todos al Sur, então!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

ago
17

Do Jornal do Brasil

 

Cármen Lúcia arquiva pedido de investigação sobre Moro feito por PT

Partido acusou ministro de abuso de autoridade

 

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou o arquivamento de um pedido do PT para que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fosse investigado por supostamente ter tido acesso à investigação sigilosa da Polícia Federal na Operação Spoofing, que apura a invasão de celulares de diversas autoridades.

Cármen Lúcia atendeu ao pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que não viu indícios de que Moro tenha violado o sigilo da investigação.

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Ministra do STF Cármen Lúcia (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O pedido de investigação havia sido feito pela presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PR), pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Os parlamentares acusaram Moro dos crimes de abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e supressão de documento.

A motivação dos petistas foi a divulgação de uma nota do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirmando que Moro entrou em contato com João Otávio de Noronha, presidente da Corte, para avisar que seu celular fora invadido e que as respectivas mensagens seriam destruídas.

A PGR, porém, disse que a PF negou que Moro tenha tido acesso à investigação, e que não vê desvios na conduta do ministro da Justiça.

“Não há nenhum elemento que indique que o ministro [Moro] tenha obtido conhecimento do teor dos dados telemáticos ilegalmente captados – informações estas protegidas por sigilo, tampouco que tenha divulgado esse conteúdo a terceiros. Do que consta, houve apenas informação a determinadas autoridades públicas no sentido de que teriam sido elas também vítimas do crime investigado”, disse Raquel Dodge em parecer enviado nesta semana ao STF.

ago
17
Posted on 17-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-08-2019

Por pressão de Jair Bolsonaro, a direção da PF teve que antecipar em quatro meses a troca de comando da superintendência da instituição no Rio, diz O Globo.

Segundo o jornal carioca, pelo cronograma que vinha sendo acertado entre a diretoria-geral e o delegado Ricardo Saadi, ele deixaria o comando da PF no Rio só em dezembro ou janeiro.

A contragosto, a direção-geral da PF concordou em antecipar a saída do superintendente no Rio, mas se opôs duramente à tentativa do presidente de emplacar Alexandre Saraiva na vaga. Bolsonaro acabou recuando.

Do Jornal do Brasil

 

Expulso do PSL na terça-feira (13), o deputado Alexandre Frota disse ao jornal “Folha de S.Paulo” que o presidente Jair Bolsonaro exigiu seu expurgo da sigla.
Macaque in the trees
Alexandre Frota e Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação/PSL)

Em sua primeira entrevista após o episódio, Frota afirma que Bolsonaro é “um idiota ingrato que nada sabe” e que “aquela cadeira de presidente ficou grande para ele e ele se lambuzou com o mel da Presidência”.

Acusado de infidelidade partidária por criticar abertamente o presidente, ele diz que sua expulsão é “um aviso para aqueles que acham que estamos vivendo em uma democracia”.

Frota disse já ter recebido convites de sete partidos -DEM, PP, MDB, PSDB, Podemos, PSD e PRB. Após se aproximar do governador de São Paulo, João Doria, anunciará sua filiação ao PSDB nesta sexta-feira (16), como mostrou a coluna Mônica Bergamo, da “Folha de S.Paulo”.

A pedido do deputado, a reportagem enviou as perguntas por escrito, pelo WhatsApp, e as respostas foram dadas por meio de áudios no aplicativo.

PERGUNTA – O que o sr. considera o estopim para a sua expulsão do PSL?

ALEXANDRE FROTA – O estopim foi porque discordei e não pode discordar, critiquei e não pode criticar. Não disse amém e é preciso dizer amém. Mas não tive e não tenho medo do governo do Lula, do PT, não terei medo do governo Bolsonaro, entende?

Foram vários os fatores, mas o fato de falar a verdade incomodou muito, de criticar quem não gosta [de ser criticado] e não está preparado para as críticas. Isso pesou muito para o Bolsonaro. Bolsonaro não é burro, senão ele não chegaria onde chegou, mas é um idiota ingrato que nada sabe.

Aquela cadeira de presidente ficou grande para ele e ele se lambuzou com o mel da Presidência. Bolsonaro se mostra, muitas vezes, infantil. Ele não está preparado para o cargo para o qual foi eleito, para o qual eu, infelizmente, ajudei a elegê-lo. Eu acreditava, assim como milhões de brasileiros, que ele realmente pudesse fazer a diferença, mas não foi isso que encontrei lá. Ele acredita nas verdades criadas, nas próprias fantasias dele.

Se por um lado não podemos achar que é justo, em sete meses do governo, conseguir consertar a bagunça que foi feita nos últimos anos pelos governos de esquerda, por outro lado o Bolsonaro fica devendo conteúdo, diplomacia, respeito. Ele nada sabe sobre isso, ele não gosta de ouvir, é inseguro, medroso e caricato.

Bolsonaro não foi ninguém no Exército, saiu expurgado de lá, não foi brilhante, ou estou errado? Não estou. Eu, como ator pornô, dei mais certo do que ele no Exército. Bolsonaro está fazendo parte de uma matilha cultural e social de extrema-direita, que assim como a esquerda, que durante muito tempo trabalhou isso, acham que vão dominar o país. E aí entram com as agressões, com as humilhações aos aliados, aos amigos, aqueles que o ajudaram a levá-lo à Presidência da República.

Lembro que Bolsonaro tinha um discurso em que ele dizia que soldado ferido no Exército dele não ficaria para trás. Ele deixou vários para trás, a começar pelo Magno Malta, o [Gustavo] Bebianno, o Julian Lemos, que se entregaram para a campanha dele, abriram mão de fazer suas campanhas e correr por suas vidas para poder eleger o Bolsonaro.

A impressão que eu tenho é que o Bolsonaro não saiu da campanha. Ele acha que o Palácio é um palco. Ele tem que levantar as mãos para o céu por ele ainda ter do lado dele o Paulo Guedes, o Sergio Moro. Mas o castelinho de areia uma hora vai ruir e ele vai ficar perdido como um cachorrinho vira-lata numa montanha de lixo. Infelizmente, o seu governo não apresenta propostas, vive de momentos, de insights. Sair do PSL, para mim, foi receber uma carta de alforria, foi me libertar da ditadura bolsonarista. Saí com muito orgulho e pela porta da frente.

O Sr. considera que foi um processo justo?

AF – Não vou julgar aqui os que me julgaram. Se essa foi a decisão, vou respeitar democraticamente. Não queria que fosse assim. Temos que ter liberdade de opinar, para se posicionar. Não posso falar para o Bolsonaro só o que ele quer ouvir.

Bolsonaro teve influência na sua expulsão? Como o sr. avalia isso?

AF – Foi um equívoco, foi um erro. Mostrou autoritarismo, ditadura. O [deputado] Luciano Bivar [presidente do PSL], meu amigo pessoal, ficou entre a cruz e a espada. É claro que fiquei triste com a expulsão. Foi ruim para mim, para as pessoas que apostam em mim, me senti policiado. Que democracia é essa? O cara não pode falar nada, não pode fazer uma crítica.

O Sr. mantinha uma boa relação com Bivar. Quando e como essa relação mudou?

AF – Entrei na sala do Luciano, na sala da vice-presidência da Câmara, e ele estava sentado, cabisbaixo, olhou para a minha cara, e eu já sabia naquela hora… Perguntei como estavam as coisas e ele disse: ‘Tá difícil, Frota. O Jair pediu para te tirar do partido, pediu sua expulsão’. É muito difícil para o Luciano Bivar receber isso, mas entendo o Bivar e não tiro o mérito da maneira como ele trabalhou e conversou comigo carinhosamente.

Alguns apoiadores do presidente dizem que o sr. foi um caroneiro, que só pegou a onda Bolsonaro para se eleger. Como responde a isso?

AF – Acho engraçado. Eu ia pegar carona em quem? O Bolsonaro era meu candidato, só podia pegar carona nele. Isso tem que ficar muito claro. Quem falou que eu sou caroneiro foi o [deputado] Eduardo Bolsonaro [PSL-SP]. Eu ainda pego carona e ele que fura a fila?

O sr. tentou indicar cargos no governo, na Ancine, por exemplo, e deu declarações públicas se queixando por não ter sido atendido. O que o sr. pediu?

AF – Essa é uma lenda. Nunca tentei indicar cargos no governo, principalmente na Ancine.

Além do sr., existe mais alguém no PSL insatisfeito com o presidente Bolsonaro?

AF – Existem vários, mas ninguém tem coragem de meter a cara. Existem vários que gostariam de estar falando o que estou falando, ou, inclusive, fazendo ponderações pontuais e verdadeiras como estou fazendo. Mas muita gente não tem coragem de falar.

Como o sr. vai votar as pautas do governo a partir de agora?

AF – Pelo bem do Brasil. Vou votar com o governo quando achar que tem que votar. E quando achar que tem que discordar, vou discordar.

O Sr. teve convites de alguns partidos. Já definiu seu destino?

AF – Acho que a quantidade de convites que tive, e com qualidade, é resultado de um trabalho coeso, honesto e de muito estudo e dedicação. Cheguei na Câmara com meu esforço, fui buscar o meu voto em cada cidade que passei. Andei 35 mil quilômetros de carro, mais de 65 cidades, cheguei quase a 90. Trabalhei incansavelmente. Não tenho curral eleitoral.

Sou um privilegiado do lugar que estou chegando dentro da Câmara. Em 200 dias de governo, tenho 150 discursos. O primeiro a me convidar foi o PSDB, do João Doria e do Bruno Araújo, de quem eu gosto bastante. Trabalhei com Bolsonaro de 2014 a 2018, na hora que ele foi eleito, e até agora nunca me ligou para me dar os parabéns pela minha eleição ou por qualquer outra coisa que eu tenha ajudado, principalmente na coordenação da Previdência. O Rodrigo Maia é o grande fiador dessa Previdência. Recebi sim convite do PSDB, do DEM, me senti lisonjeado. Talvez quando sair essa reportagem, já vou ter definido. E que Deus me proteja.

O sr. foi eleito com um discurso alinhado ao de Bolsonaro. O que aconteceu de lá para cá? O sr. mudou de posição?

AF – Sim, fui eleito com discurso alinhado ao de Bolsonaro, mas já tinha esse discurso antes. No final de 2013, quando comecei a praticar meu ativismo, comecei a criticar a esquerda, já tinha meus discursos polêmicos, ácidos, não aceitava e achava que era hora de o Brasil mudar. Fiz um discurso alinhado ao Bolsonaro, volto a repetir, porque o Bolsonaro era meu candidato naquele momento.

O que aconteceu de lá pra cá eu acho que já respondi lá em cima. Principalmente meu amadurecimento e entendimento com as pautas do Brasil, de interesse do povo brasileiro, foi isso que mudou. Eu não mudei de posição, continuo sendo o Alexandre Frota que vai lutar pelo povo brasileiro e que vai ter sua posições e opiniões fortes.

O sr. pretende disputar a Prefeitura de São Paulo no ano que vem?

AF – Eu não pretendo disputar a Prefeitura de São Paulo e muito menos a do Rio de Janeiro. Isso é mentira. Todo mundo sabe que a minha candidata para São Paulo é a Joice Hasselmann. Até então eu vinha fazendo mais campanha do que ela própria. Sempre deixei claro isso. Isso foi um dos motivos que gerou muita confusão no PSL, porque o Eduardo Bolsonaro acha que tem que ser o [apresentador José Luiz] Datena. O Datena é meu amigo há 30 anos, adoro o Datena. Mas o Datena, nas duas últimas eleições, na hora H, ele desistiu.

 DO JORNAL NACIONAL/GLOBO

Por Camila Bomfim, TV Globo — Brasília

Técnicos da Justiça criticam 11 pontos do texto da lei de abuso de autoridade

Uma nota técnica do Ministério da Justiça afirma que o projeto sobre abuso de autoridade, aprovado pela Câmara na última quarta-feira (14), poderá “inviabilizar” o trabalho da Policia Federal e do Ministério Público.

O projeto foi enviado nesta sexta (16) pela Câmara para o presidente Jair Bolsonaro, a quem caberá a sanção do projeto, seja integralmente ou com vetos. Pela Constituição, o presidente terá 15 dias para dar uma decisão. Se houver veto total ou parcial, o Congresso vai analisar a decisão do presidente, podendo manter ou derrubar os vetos.

A avaliação do ministério foi apresentada no dia da votação por técnicos ao relator da proposta, deputado Ricardo Barros (PP-PR), e a parlamentares de PSL, Novo e Cidadania, resistentes à aprovação do projeto.

No documento, obtido pela TV Globo, os técnicos da pasta afirmam que “é possível identificar vários elementos que podem, mesmo sem intenção, inviabilizar tanto a atividade jurisdicional do MP e da polícia, quanto as investigações que lhe precedem”.

Entre os pontos apresentados por eles e que podem inviabilizar o trabalho dos investigadores estão:

  • o artigo 13, que diz que é abuso de autoridade constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade a produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro. Os técnicos do MJ afirmam que esse artigo tem “forte carga subjetiva” e que “levado ao extremo esse dispositivo pode afastar a obrigação legal de o preso a fornecer impressões digitais”.
  • o artigo 17, que trata do uso de algema em suspeitos que não oferecerem resistência à prisão. Os técnicos dizem no documento que “o uso de algemas depende da avaliação policial” e que o artigo “deve ser suprimido”.
  • o artigo 30, que pune o início da persecução penal sem justa causa fundamentada. Os técnicos afirmam que “o uso de conceitos abertos como ‘sem justa causa fundamentada’, pode dar margem a interpretações equivocadas de quem se sensibiliza com uma das partes”.
  • o artigo 43, que transformou em crime violar o direito ou prerrogativa de advogados. Segundo os técnicos, o artigo deve ser excluído do texto “porque gerará um fortalecimento extremo do Ministério Público e um enfraquecimento do juiz, que perderá a sua imparcialidade. Com efeito, a cada representação feita contra o juiz, este verá sua conduta submetida à avaliação do MP”.

O relator, Ricardo Barros, confirmou que se reuniu com os técnicos e que os argumentos foram apresentados aos parlamentares em uma reunião na liderança do governo na Câmara.

Segundo ele, diversos deputados queriam fazer ajustes no texto e defendiam mais tempo de debate antes da votação do texto, o que não ocorreu.

Barros disse ainda que havia um acordo no Congresso, costurado em junho, para que o texto fosse aprovado na Câmara da forma como veio do Senado, ou seja, sem nenhuma mudança. O acordo foi feito por líderes para evitar que o texto tivesse de ser analisado novamente pelos senadores.

Possíveis vetos

Nesta quinta-feira (15), Bolsonaro disse que ouvirá ministros na próxima semana antes de decidir se vetará trechos do projeto.

Também na quinta, o ministro Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública, afirmou que o governo examinará o texto e que, oportunamente, possíveis sugestões de vetos serão encaminhadas ao presidente da República.

ago
17
Posted on 17-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-08-2019



 

Sinovaldo, no

 

ago
17

 

Harry S. Truman chegou a oferecer à Dinamarca 100 milhões de dólares pela ilha em 1946, durante a Guerra Fria, de olho na posição geoestratégica do local

Glaciar de Jakobshavn, em Ilulissat (Groenlândia).
Glaciar de Jakobshavn, em Ilulissat (Groenlândia).Joe Raedle

Como se fosse a musa de Bernardo Bonezzi em seu mítico hino da movida madrilenha, é possível que no futuro Donald Trump tenha de ser procurado na Groenlândia. O presidente, como antecipou The Wall Street Journal nesta sexta-feira, várias vezes declarou à sua equipe, com “graus variados de seriedade”, seu interesse em que os Estados Unidos comprem o território autônomo pertencente ao reino da Dinamarca.

Nativo de outra ilha, a de Manhattan, o presidente, que se gabou durante sua campanha de seu bom olho para investimentos imobiliários, buscaria assim expandir os domínios de seu país a outra ilha, a maior do mundo. Um vastíssimo território entre os oceanos Ártico e Atlântico, coberto em sua maior parte de gelo e com uma população de apenas 56.000 habitantes, mas rico em recursos naturais e com um valor geoestratégico nada desprezível.

 Trump teria mostrado pela primeira vez interesse em comprar a Groenlândia, de acordo com The New York Times, em uma reunião no Salão Oval no primeiro semestre do ano passado. Depois disso, a ideia teria sido mencionada várias vezes, em perguntas a seus assessores sobre a possibilidade legal de fazer a compra. Estes, de acordo com o Times, teriam evitando transmitir seu ceticismo ao chefe e, em vez disso, concordaram em investigar a viabilidade da operação.

De uma perspectiva histórica, a ideia de Trump não é de todo insólita nem mesmo inteiramente disparatada em termos legais. Existem precedentes para a compra e venda de territórios na história do país: em 1803, os Estados Unidos compraram a Louisiana da França por 15 milhões de dólares (em valores da época) e, 64 anos depois, compraram o Alasca da Rússia por 7,2 milhões de dólares.

Há até uma relação comercial prévia, e não tão antiga, com o potencial vendedor: já no século XX, em 17 de janeiro de 1917, os Estados Unidos compraram da Dinamarca o território das Índias Ocidentais por 25 milhões de dólares, transformando-o no que hoje são as Ilhas Virgens Americanas. E Trump não é o primeiro presidente que está de olho na Groenlândia, nem o que foi mais longe: Harry S. Truman chegou a oferecer à Dinamarca 100 milhões de dólares pela ilha em 1946.

Mas o mercado de territórios soberanos não parece passar na atualidade por um período de aquecimento. Especialistas em Direito Internacional consultados por EL PAÍS descrevem como “anacronismo” a possibilidade de que um Estado possa comprar territórios de outro.

É possível, segundo as mesmas fontes, “que dois Estados firmem um tratado internacional que contemple a transferência de território de um para outro”, em troca ou não de contrapartidas, “desde que isso esteja de acordo com seus respectivos marcos constitucionais”. Mas é aí que pode estar o obstáculo, observam, “já que a maioria dos Estados tem sua integridade territorial constitucionalmente blindada”.

Não existe, segundo os mesmos especialistas, o direito de autodeterminação da Groenlândia, que não está registrada na ONU como um território pendente de descolonização, mas é muito provável que a opinião dos seus habitantes deva ser levada em conta, tendo em vista o amplo regime de autonomia desfrutado pela ilha, que, por exemplo, não faz parte da UE, ao contrário do restante da Dinamarca. Em suma, o principal obstáculo para uma transação desse tipo está na legislação interna dos países, uma vez que nenhum tratado internacional a proíbe.

As autoridades da Groenlândia não demonstraram muito entusiasmo pela ideia. “A Groenlândia é rica em recursos valiosos, como minerais, a água e o gelo mais puros, bancos de pesca, frutos do mar, energias renováveis, e é uma nova fronteira para o turismo de aventura. Estamos abertos aos negócios, mas não estamos à venda”, tuitou o Ministério das Relações Exteriores, aproveitando seus warholianos 15 minutos de glória não para vender a ilha, mas seus produtos. Na mesma linha se pronunciou o primeiro-ministro Kim Kielsen: “A Groenlândia não está à venda, mas aberta ao comércio e à cooperação com outros países, incluindo os Estados Unidos”.

Entre os políticos dinamarqueses, o interesse de Trump foi recebido com escárnio. “Deve ser uma piada do 1º de abril [o Dia da Mentira em vários países] completamente fora de época”, disse o ex-primeiro-ministro dinamarquês, e atual líder da oposição, o liberal Lars Løkke Rasmussen, no Twitter. Søren Espersen, porta-voz de Relações Exteriores do Partido Popular Dinamarquês, terceira força parlamentar, também zombou da ideia. “Se for verdade que ele está pensando nisso, é um sinal definitivo de que enlouqueceu. Tenho que lhe dizer o que tem de ser dito: a ideia de a Dinamarca vender 50 mil cidadãos para os Estados Unidos é completa loucura”, declarou.

Argumentos de peso

Há argumentos convincentes para que o 45º presidente possa estar interessado em adquirir a Groenlândia, como aqueles recursos naturais abundantes de que o ministério groenlandês falou. Ainda que 60% de seu orçamento seja financiado com subsídios da Dinamarca, o território selvagem é rico em carvão, zinco, cobre e minério de ferro. Mas, acima de tudo, a ilha teria um indiscutível atrativo para os interesses de segurança nacional dos EUA.

Sua posição equidistante entre importantes centros populacionais norte-americanos e soviéticos fez da Groenlândia um cobiçado ativo imobiliário para os estrategistas do Pentágono durante a Guerra Fria. É por isso que em 1946 houve a tentativa de comprar a ilha. Depois de apresentar a oferta em uma reunião em Nova York, o então secretário de Estado, James Byrnes, escreveu em um telegrama, em uma atitude espalhafatosa em termos de diplomacia, que foi “recebida como um choque” pelo chanceler dinamarquês. Cinco anos depois, os dois países assinaram um tratado que permitiu ao Pentágono construir uma base aérea na ilha, sua instalação militar mais setentrional.

Concluída a Guerra Fria, hoje a Groenlândia também é palco das disputas de poder entre os EUA e a China, que há anos vem tentando colocar um pé no território, à base de investimentos. O Pentágono, relata The Wall Street Journal, conseguiu impedir no ano passado que os asiáticos financiasse três aeroportos na ilha.

Em maio, a escalada da crise com o Irã forçou o secretário de Estado, Mike Pompeo, a cancelar a visita que planejava fazer à Groenlândia quando retornasse de uma viagem à Europa. “Estamos preocupados com as atividades de outras nações, incluindo a China, que não compartilham nossos mesmos compromissos”, disse um alto funcionário do Departamento de Estado.

A ilha, além do mais, tem um importante valor científico para o estudo dos efeitos das mudanças climáticas. As ameaças às suas geleiras e a elevação do nível do mar equiparam a Groenlândia, segundo um especialista citado pelo The Washington Post, a “um canário em uma mina de carvão”. Mas, como repetidamente mostrou, essa não é a prioridade política de Trump.

O presidente terá a oportunidade de falar sobre essa e outras coisas em sua primeira visita à Dinamarca, marcada para o início de setembro. Está previsto que será recebido pela primeira-ministra, Mette Frederiksen, assim como pelos líderes da Groenlândia e das Ilhas Faroe. Também encontrará a rainha Margarida II, que, pelo menos por enquanto, é a única chefe de Estado dos groenlandeses.

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