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Posted on 15-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-08-2019

O mistério de João Gilberto é revelado outra vez

Marcelo Noah

Em ‘João Gilberto Live in Tokyo’, lançado em março, os japoneses tomaram para si a responsabilidade de preservar a experiência estética do velho mestre em suas últimas lições

Reprodução

In Tokyo, o álbum de João Gilberto gravado ao vivo em 2003 na capital japonesa, destacava-se na discografia do artista não somente pela maturidade das interpretações, mas também pela qualidade do registro sonoro. Há nesse álbum o encontro feliz entre o vigor de um João Gilberto realizado e o rigor meticuloso da captação executada pelo engenheiro de áudio Ken Kondo, auxiliado pelo diretor de palco Toshihiko Usami. Ambos passaram a trabalhar com o artista que, desde então até seus últimos concertos, em 2008, colocou-os como cláusula contratual para suas aparições. Seria esse o registro definitivo do balanço entre sons e silêncios que envolvia a mítica da perfeição almejada por João Gilberto.

É possível que João tenha se dado por satisfeito com o arco de obstinada arquitetura traçado entre Chega de Saudade, que, segundo Tom Zé, fora um prodígio da captação técnica nos idos de 1959, e o álbum In Tokyo, lançado em 2004. Contudo, um novo registro, agora em vídeo, de dois concertos feitos três anos depois, em 8 e 9 de novembro de 2006, no mesmo Tokyo International Forum, surge para ampliar a compreensão do alcance e da dimensão extraordinária da arte de João Gilberto. Lançado nos cinemas das três maiores cidades japonesas — Tóquio, Osaka e Nagoia — em março deste ano de 2019, e posteriormente comercializado com exclusividade para o mercado japonês em edição limitada e de luxo no formato Blu-ray, o filme João Gilberto Live in Tokyo, dirigido por Yutaro Mimuro estabelece um novo marco na obra de João, revelando novo ponto culminante do artista em sua esplêndida trajetória. O que se vê nas imagens ora reveladas é não menos que sublime.

O filme registra o canto do cisne de João Gilberto. Aos 75 anos de idade, sua obstinada busca estética encontra nessas apresentações o zênite de sua depuração. Na expressão de Carlos Drummond de Andrade, poeta tão caro ao músico, o que o filme revela é a própria “máquina do mundo” se entreabrindo, frente a um artista “semelhante a essas flores reticentes, em si mesmas abertas e fechadas”. Nos registros dos concertos derradeiros, em 2008, seu longevo vigor já declinara. Sua breve aparição em celebração aos 50 anos da Bossa Nova, com passagens por São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, foram, sabemos hoje, sua despedida dos palcos — com direito a um inusitado chamado, publicado a pedido do artista em jornal, para que amigos que não sabia mais como encontrar comparecessem à bilheteria; haveria ingressos para eles. Aos 77 anos, o intérprete já não sustentava, nos dedos e nas cordas vocais, a mesma força muscular necessária à precisão de artífice que caracterizou sua criação. Assim, com elegante discrição, seus concertos finais são de certa forma uma generosa despedida de quem parecia saber ter chegado a hora de descer o pano. A famigerada turnê dos seus 80 anos, cercada de contraditas, tumultos e desacordos, foi declinada pelo artista. A ameaça de um retorno, aliada à sua notória reclusão, alimentou a vã esperança por uma “saideira” que poderia ter sido e que não foi, abrindo uma torrente de falsas expectativas por novas aparições que a idade, antes mesmo de seu desaparecimento, tratou de afastar para nunca mais. Seu público, os jornais e até mesmo o sistema de Justiça (que tardou e falhou com João) pareciam não aceitar que, um dia, o músico também teria o direito à sua aposentaria.

No show de 2006, em Tóquio, porém, temos o João dos palcos por inteiro, na medida em que a tecnologia nos permite tê-lo ainda entre nós. E nele podemos observar sua joalheria musical tomando as câmeras por lupas, que isolam e ampliam detalhes de seu rosto, sua boca, seus dedos e o violão. A fotografia e edição das imagens apresentadas em Full-HD convidam à inspeção microscópica da laboriosa performatividade do intérprete. A montagem das imagens é meticulosa, e revela o momento preciso de cada protagonismo distribuído entre as partes — voz e violão — como o ataque dos dedos nas cordas do instrumento e o complexo movimento de um canto concentrado nos músculos da face e seus lábios de ventríloquo. É possível medir a espessura de suas unhas, contar as ranhuras no tampo do violão, ler o selo Di Giorgio dentro da boca do instrumento — lembrando que o mais internacional dos artistas brasileiros, podendo optar pela mais sofisticada luthieria do mundo, escolheu um pinho de fabricação nacional para acompanhá-lo. A certa altura, com o artista entregue à canção, a câmera fecha no rosto para seguir o lento percurso dos óculos a caminho da ponta de seu nariz. Algo mínimo, mas que em meio à performance de João gera imensa tensão. Cai, não cai? E ele cai. No momento final da canção, o músico é retirado do seu transe pela queda dos óculos sobre sua boca. Em uma fração de instante, João retoma a nota perdida e oferece mais um compasso à canção, como se tirasse o chapéu em mesura após um tropeço. João magnifica os detalhes. A zona proxima criada pelas imagens, juntamente com a impecável captação sonora, realiza a vocação utópica da tecnologia por recriar algo da experiência viva da performance situada em outro tempo e espaço.

A inclusão de músicas raramente visitadas no repertório tradicional de suas apresentações ao vivo também se faz notar. É o caso de Águas de março, composta por Tom Jobim em 1972 e gravada no calor da hora por João em seu mítico álbum branco de 1973. Outra raridade no repertório é Treze de ouro, de Herivelto Martins e Marino Pinto, que o artista manteria no set list de 2008. A primeira grande surpresa fica a cargo de Pica-pau, marchinha de Ary Barroso gravada em 1941 pelo grupo vocal Quatro Ases e um Coringa, que imediatamente vem somar aos patos, marrecos, lobos-bobos e sapos do bestiário joãogilbertiano. Em meio a um repertório de canções tão familiares, embora sempre redimensionado a cada execução, o surgimento de um tema “novo” é capaz de vidrar o espectador. Neste caso, ainda, a interpretação minimalista consegue transpor para o palco a própria vivacidade do carnaval de rua. Surpreende também a inclusão de Bim-bom, canção-manifesto da estética bossa-novista lançada em 1958, destaque entre o reduzido número de composições próprias do artista, e que não se sabia apresentada ao vivo havia cerca de 40 anos.

Ninguém entendeu melhor o que estava em jogo nas apresentações de João Gilberto do que o Japão. Os japoneses tomaram para si a responsabilidade de preservar a experiência estética — e por que não dizer mística? — do velho mestre em suas últimas lições, tratando-as com o devido apuro técnico e uma apreciação particular pelas dinâmicas que habitam o silêncio e o vazio. O filme João Gilberto Live in Tokyo não explica, ele antes revela ainda outra vez o mistério de João. No anedotário das excentricidades que circundavam o gênio recluso, refratário às demandas da sociedade do espetáculo, conta-se que os aplausos finais nos concertos feitos na Terra do Sol Nascente chegavam a algo entre 25 e 45 minutos de ovação ininterrupta. O tempo se dilata, é relativo, na presença de João Gilberto.

Ao Japão, a porção do Brasil ciente do que perdeu com a partida de João Gilberto já pode responder com sua mais profunda gratidão pelo presente ofertado: a possibilidade do reencontro com um de seus maiores artistas. Arigato gozaimashita!

Marcelo Noah é doutorando no Departamento de Línguas Neolatinas na Universidade de Duke, nos Estados Unidos. Em Porto Alegre, apresentou diversos programas sobre literatura e cultura na Ipanema FM e dirigiu a rádio Minima.fm.

“A Little Help From my Friend”, Joe Cooker: um artista do rock em seu máximo esplendor de voz e de interpretação, na performance de agosto de 1969, no festival de Woodstock, que encantou, surpreendeu e envolveu o mundo com seu lema transcendental de música, paz e amor. Jamais se tinha visto algo assim e, provavelmente, jamais se verá outra vez. Celebremos, portanto, os três maravilhosos dias de agosto (15, 16 e 17) de 69 em Woodstock. Viva! Com toda intensidade desta canção!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Entre 400 mil e 500 mil pessoas se reuniram em campos encharcados para ver Janis Joplin, Jimi Hendrix e outros nomes do rock nos EUA. Faltou comida e som não era tão bom no festival.

Festival de Woodstock em agosto de 1969 — Foto: The Museum at Bethel Woods/Reuters Festival de Woodstock em agosto de 1969 — Foto: The Museum at Bethel Woods/Reuters

Festival de Woodstock em agosto de 1969 — Foto: The Museum at Bethel Woods/Reuters

 

No início, a ideia era, principalmente, promover a criação musical no norte de Nova York, fazendo uma série de shows.

Ninguém, sobretudo os jovens organizadores, imaginava que o Festival de Woodstock se tornaria um evento emblemático de uma geração e do movimento hippie, com sua mensagem idealista de paz e amor para romper uma década de violentas manifestações e assassinatos. O pano de fundo era a Guerra do Vietnã.

Isso foi há 50 anos, de 15 a 18 de agosto de 1969, uma época em que o rock ainda era jovem, em que ter cabelos compridos era um ato de rebeldia e em que as manifestações contra a guerra eram quase diárias.

Entre 400 mil e 500 mil pessoas se reuniram nos campos encharcados para ouvir as estrelas da época, como Janis Joplin e Jimi Hendrix.

 
Woodstock 50 anos: relembre o festival que influenciou gerações pelo mundo

Woodstock 50 anos: relembre o festival que influenciou gerações pelo mundo

Era uma atmosfera de liberdade e de companheirismo, ilustrada por imagens de jovens caminhando nus, de mãos dadas, dividindo erva ou ácido, ignorando as chuvas torrenciais que castigavam a região dos Catskills, quase 200 quilômetros ao noroeste de Nova York.

Os organizadores estipularam em US$ 18 o valor dos ingressos para os três dias de shows. No line-up, nomes que se tornaram lenda, como Creedence Clearwater Revival, The Who e Crosby, Stills, Nash & Young.

Os produtores – John Roberts, Joel Rosenman, Michael Lang e Artie Kornfeld, todos nos seus 20 anos – rapidamente mudaram os planos, diante das filas gigantescas que invadiam as estradas que levavam à fazenda de Bethel.

O acesso ao festival se transformaria, então, na imagem do que foi o evento: livre. Logo depois dos primeiros acordes, um temporal caiu sobre o local, transformando o gramado em um campo de lama.

Faltava comida. Não se ouvia muita coisa, mas era possível escutar os helicópteros que traziam os músicos.

Fim de semana ‘idílico’

  

Michael Lang, produtor do festival Woodstock, durante mostra que celebra os 50 anos do evento em Nova York — Foto: REUTERS/Alicia Powell

Sri Swami Satchidananda, um mestre da ioga que chegou da Índia, deveria dar o tom do festival, fazendo na abertura um apelo à compaixão.

“Estou feliz de ter todos os jovens dos Estados Unidos reunidos aqui em nome dessa arte que é a música”, declarou este homem franzino e barbudo, levando a multidão a emitir o mantra “Om”.

Outros cânticos mais intensos viriam depois: Joe McDonald, do grupo de rock psicodélico Country Joe and the Fish arrastaria a multidão a cantar um retumbante “Fuck”, antes de entoar o hino antiguerra “I-Feel-Like-I’m Fixin’-to-Die-Rag”.

O festival terminava com uma interpretação futurista do hino nacional americano, “The Star-Spangled Banner”, por Jimi Hendrix.

 
 
Festival de Woodstock completa 50 anos em 2019

Festival de Woodstock completa 50 anos em 2019

Danny Goldberg, especialista da indústria musical que escrevia na época na revista “Billboard”, aos 19 anos, lembra-se de ter visto neste fim de semana “muitas pessoas com um sorriso”.

“Eu fui quase imediatamente seduzido por essa gentileza”, contou o jornalista, em uma entrevista em seu escritório em Manhattan. Uma visão “idílica de fraternidade hippie era rara, mesmo na época”, mas ela foi “perceptível em Woodstock, do início ao fim”.

Pelo menos uma pessoa teria morrido de overdose, e um trator teria esmagado uma pessoa deitada em seu saco de dormir, conforme registros da época.

Como um filme bombardeado pela crítica até se tornar “cult”, o evento havia sido, até então, tratado com desdém pela grande mídia.

‘Música e paz’

 

Jimi Hendrix no Festival de Woodstock — Foto: Divulgação Jimi Hendrix no Festival de Woodstock — Foto: Divulgação

Jimi Hendrix no Festival de Woodstock — Foto: Divulgação

Logo após o festival, o proprietário do terreno, Max Yasgur, admitiu em entrevista à televisão ter ficado preocupado no início, diante da multidão.

“Mas eles me fizeram sentir culpado depois, porque não houve problemas. Eles me provaram – e provaram ao mundo inteiro – que eles não tinham vindo criar problemas. Eles vieram fazer exatamente o que disseram que queriam fazer: três dias de música e paz.”

Meio século depois, Annie Birch, hoje com 70 anos, diz se sentir “feliz” de ter participado de um evento tão marcante.

“Apesar da chuva que não parava, a gente tinha um fogo impressionante que nunca se apagava. Todos aqueles grupos se tornaram míticos. Foi lendário”, recordou Annie, em entrevista à agência France Presse.

“Eu fico eternamente com a esperança, pelo bem da humanidade, de que um evento tão incrível quanto esse possa acontecer de novo”, disse ela, lembrando-se de uma atmosfera “muito pacífica, se você considerar o mar de gente.”

“Prefiro infinitamente o amor e a paz à guerra e ao ódio.

Por Diego Amorim

O deputado Carlos Jordy, um dos vice-líderes do governo na Câmara, apresentou requerimento à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara sugerindo um pente-fino nos contratos da Petrobras com o escritório de advocacia de Felipe Santa Cruz, atual presidente da OAB.

O pedido ocorre depois que O Antagonista revelou, no último sábado, que a estatal celebrou dois contratos com a banca de Santa Cruz durante a gestão de Graça Foster “Diante do grande escândalo de corrupção com o desvio de recursos públicos que vieram à tona graças à Lava-Jato, é imprescindível que esta comissão, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, realize atos de fiscalização e controle sobre todo o processo de pagamento e controle de recursos públicos federais dispendidos nos contratos firmados entre a Petrobras e o escritório de advocacia do senhor Felipe Santa Cruz, firmados em 2013 e em 2014, a fim de evitar que irregularidades com o erário se perpetuem”, diz trecho da justificativa (confira a íntegra clicando AQUI).

Como noticiamos, um contrato foi firmado em 2013, no valor de R$ 1 milhão, e outro em 2014, no valor de R$ 1,5 milhão. O objetivo era a defesa da Petrobras em causas trabalhistas. Não houve licitação. A Petrobras descobriu que um funcionário da estatal que era fiscal do contrato se aposentou e depois foi trabalhar como consultor do escritório de Santa Cruz.

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Do Jornal do Brasil

Problema pode ser resolvido por meio de um acerto técnico

  Maior geradora de energia elétrica do mundo e com quase 50 anos de existência, a Usina de Itaipu enfrenta um impasse causado pela inexistência de um contrato de compra de energia pela Administração Nacional de Eletricidade (Ande), empresa estatal de energia do Paraguai, e pela Eletrobras. Por causa da falta do contrato, a empresa está impedida de emitir faturas desde o início do ano. O fato é inédito desde que a binacional começou a operar, em 5 de maio de 1984.
Macaque in the trees
A Diretora do Departamento de América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, Embaixadora Eugenia Barthelmess (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Em entrevista exclusiva, a diretora do Departamento da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Eugenia Barthelmess, disse que o problema pode ser resolvido por meio de um acerto técnico entre os dois países com vistas a definir um cronograma de contratação de suprimento de energia para a usina no período de 2019 a 2022.

Para que haja acerto entre Brasil e Paraguai, é necessário porém que a Ande concorde em contratar a potência energética a ser utilizada a cada ano e que efetivamente pague por essa utilização. De acordo com a embaixadora, não é isso o que tem acontecido.

Nos últimos anos, a Ande estava adotando a prática de subdimensionar a previsão de sua demanda de energia de Itaipu. Como precisava a cada ano de mais energia do que efetivamente havia contratado, a empresa paraguaia acabava utilizando a cota de compra da Eletrobras. Isso provocou transtornos financeiros devido à necessidade de desembolso da empresa paraguaia.

Para tentar resolver o problema, Brasil e Paraguai assinaram uma ata, em 24 de maio de 2019, com o objetivo de definir o aumento gradual do volume de potência contratada pela Ande e assim amenizar o impacto do pagamento da energia pela empresa paraguaia. Mesmo com esse acerto, o país vizinho usou seu direito de renunciar aos termos do documento assinado e declarou a ata sem efeito. Porém, no mesmo documento, os dois países acertaram a continuidade das negociações.

A embaixadora Eugenia Barthelmess acredita no sucesso da continuidade dos negócios. Segundo ela, “a relação Brasil-Paraguai é de uma importância que transcende esse problemas específicos”. Para a embaixadora, o Brasil tem a visão mais otimista da condução desse assunto no âmbito da relação bilateral. “Eu acredito que para o Paraguai também”, disse.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista com a embaixadora Eugenia Barthelmess:

Por que Brasil e Paraguai ainda não chegaram a um acordo sobre o fornecimento de energia de Itaipu?

Eugenia Barthelmess: A Itaipu é propriedade conjunta do governo paraguaio e do governo brasileiro. A energia que é produzida pela Usina de Itaipu é adquirida pela Eletrobras, no Brasil, e pela Ande, no Paraguai. Nos últimos anos, a Ande estava adotando a prática de subdimensionar a previsão de sua demanda de energia de Itaipu – a prática de subcontratar em relação à sua demanda efetiva. Para se ter uma ideia, nos últimos quatro anos, a potência que a Ande contratou de Itaipu aumentou 6,7%, não chegou a 7%.

Nesses mesmos quatro anos, a energia que a Ande efetivamente usou de Itaipu aumentou em 41,4%. Então, o consumo real de energia aumentou 41,4%, nos últimos quatro anos, mas o volume de contratação pela Ande aumentou apenas 6,7%. Isso levou a um problema técnico na usina, porque, além de utilizar a parcela majoritária da energia excedente de Itaipu, a Ande chegou a consumir energia contratada pela Eletrobras, energia vinculada à potência contratada pela Eletrobras.

Isso aconteceu em três ocasiões no ano passado. Em três meses do ano passado, a Ande consumiu energia contratada pela Eletrobras. Isso causou naturalmente um prejuízo à Eletrobras. A Eletrobras e a Ande passaram então a se dedicar a resolver esse problema técnico. A procurar definir um cronograma de contratação de potência. O Anexo C do acordo previu lá atrás, no ano de 1973, que esses cronogramas de contratação de potência deveriam ter 20 anos de extensão. Só que isso nunca foi feito.

Depois houve um arranjo que os cronogramas deveriam ter 10 anos. Também nunca foi feito um cronograma de 10 anos. Depois os cronogramas deveriam ser anuais. O fato é que ultimamente não havia cronograma anual nem nada. Não havia uma programação do volume de energia que cada empresa compradora poderia contratatar. Então sentaram-se a Ande e a Eletrobras em um esforço de contornar esse problema técnico e definir um cronograma de potência mensal, que fosse, mas um cronograma para permitir uma mínima previsibilidade da potência a ser contratada.

Qual a solução política buscada pelos dois países?

Eugenia Barthelmess: Os dois países chegaram a um documento político que se chamou Ata Bilateral, que foi assinado em 24 de maio de 2019. Esse documento buscou evitar que aconteça novamente essa situação em que a Ande se apropia de energia contratada pela Eletrobras. Esse documento tentou definir aumento gradual do volume de potência contratada pelo Paraguai. Por que gradual? Porque, se fosse súbito, isso significaria um impacto talvez excessivo para os cofres da Ande.

O pleito da Eletrobras era que houvesse um aumento único que correspondesse à defasagem verificada ao longo dos últimos anos. O resultado da negociação não foi esse. Foi a definição de aumento de contratação de potência pelo Paraguai gradual, a pedido do lado paraguaio, para não impactar subitamente os recursos da Ande. Gradual a uma razão de 12% ao ano, ao longo dos próximos quatro anos. No último dia da negociação, a Ande, na pessoa de um de seus engenheiros, propôs o seguinte: esse aumento gradual deveria ser feito na base de um gatilho. Esse gatilho funcionaria da seguinte maneira: vamos supor que, em um determinado ano, a Ande não tivesse o aumento de 12% em relação ao ano precedente.

Vamos dizer que fosse menor. Então, não seriam cobrados os 12% naturalmente. Consumiu menos, paga menos. Mas, se consumisse mais de 12% em relação ao ano anterior, aí pagaria mais. No último dia da negociação, a Ande propôs, e o lado brasileiro acolheu, o seguinte pedido deles: um freio de 6%, que funcionaria para o patamar superior. Vamos supor que, em um ano X, a Ande gastou mais 12% de energia em relação ao ano anterior. Pagou 12%. Mas aí chega um momento em que a Ande gastou, vamos dizer, 30% a mais do que no ano anterior.

No raciocínio do gatilho, pagaria 30%. No raciocínio que a Ande conseguiu fazer valer, pagaria os 12% mais 6%. Ou seja, nunca passaria de 18% a despesa que a Ande teria, independentemente do aumento real de consumo da Ande. Por que isso foi pedido pela Ande no último dia? Como mais uma maneira de preservar os interesses dos cofres da Ande. Vamos supor que, em um determinado ano de grande demanda paraguaia por energia, eles ultrapassassem os 12% numa proporção X, o pedido da Ande é que nunca seria maior essa variação para cima do que 12+6=18.

Houve a maneira gradual, flexível, com que isso foi negociado pelo lado brasileiro, e a maneira hábil e eficiente com que isso foi negociado pelo lado paraguaio. O lado paraguaio defendeu seus interesses, o governo brasileiro flexibilizou os seus próprios interesses. Porque é do interesse do governo brasileiro manter uma relação positiva em Itaipu e com o governo paraguaio como um todo. É um país importante para nós. É uma relação bilaterial importante para nós. Nós temos uma série de projetos muito importantes com o Paraguai na área de combate ao crime transnacional, na área de integração da estrutura física, na área de saúde, nós temos o interesse mais amplo na relação bilateral do que em um determinado problema técnico em Itaipu.

Mas esse problema tem de ser resolvido porque a empresa está sem faturar desde o início do ano. Alcançado esse acordo, era preciso traduzir o acordo em forma de contrato. No momento de transformar em contrato o compromisso político, os representantes da Ande passaram a propor a reabertura do compromisso político assumido pelas chancelarias. Restabeleceu-se um impasse.

O impasse gerado pelo lado paraguaio?

Eugenia Barthelmess: Eu não me atreveria a interpretar os acontecimentos do lado paraguaio ou a natureza da crise política que se manifestou no lado paraguaio. Mantendo sempre o foco na natureza do documento, construído para resolver um problema técnico, que é a ata de 24 de maio, com relação a esse documento, na imprensa paraguaia houve uma cobertura que não correspondia à real natureza do documento. Argumentou-se que teria havido uma negociação secreta, quando eu nunca participei de uma negociação secreta.

Com tantos atores de cada lado, com tantos negociadores de cada lado, é difícil imaginar que a negociação pudesse ser de natureza secreta. Lemos, por exemplo, que teria havido um pleito paraguaio de que a ata devesse conter um elemento que permitisse à Ande a venda direta de energia no mercado brasileiro. Isso jamais foi objetivo de pleito paraguaio. Isso jamais esteve sobre a mesa de negociação pela razão de que isso não é permitido nos termos do Tratado de Itaipu.

Essa negociação é voltada para resolver um problema técnico específico. A possibilidade de que uma determinada empresa pública ou privada pudesse vender energia da Ande no mercado brasileiro, e que essa empresa não fosse a Eletrobras, essa possibilidade teria de decorrer de uma revisão do corpo do Tratado de Itaipu. O que seria uma negociação de uma importância, de uma complexidade, de um peso político tão extraordinário, e que seria certamente uma negociação que passaria pelo Congresso dos dois países. Não seria uma negociação para resolver um pequeno problema técnico circunscrito. Eu digo pequeno, no sentido de específico e circunscrito, porque na verdade está causando pela primeira vez na história da empresa um problema de caixa. A empresa não pode faturar os seus serviços.

Como a senhora vê a decisão do Paraguai de ter renunciado a cumprir a Ata Bilateral?

Eugenia Barthelmess: Ocorre que o governo paraguaio, em um gesto a que tem todo o direito como Estado soberano, comunicou ao governo brasileiro, no dia 1º de agosto, que aquela ata de 24 de maio estava considerada sem efeito, do ponto de vista paraguaio. É um direito que assiste ao governo paraguaio. Que temos diante de nós? Naquele mesmo documento em que o governo paraguaio declarou unilateralmente que a ata de 24 de maio estava sem efeito, os dois governos instruíram as suas instâncias técnicas a continuar os entendimentos ou a retomar os entendimentos com vistas a equacionar esse problema de que é preciso definir um cronograma de contratação de potência para a usina no período de 2019 a 2022. É nesse ponto em que estamos.

A senhora acredita que haja um impasse nas negociações?

Eugenia Barthelmess: Não acredito nisso. Acredito que os dois países vão encontrar uma solução técnica, correta e politicamente aceitável para a usina, que é um bem comum aos dois países. Uma usina gigantesca, campeã mundial de energia limpa, de energia barata, energia renovável, que serve ao desenvolvimento aos dois países. Que é propriedade comunitária condominial dos dois países, que é uma agenda positiva, que só traz benefícios aos dois países. O que nós temos aqui é uma questão pontual e técnica, que precisa ser resolvida. Acredito que vai ser resolvida em algum momento ao longo dos próximos meses. O problema tem solução. Acredito que a solução será alcançada porque a relação Brasil-Paraguai é de uma importância que transcende esse problemas específicos. O Brasil tem a visão mais otimista da condução desse assunto no âmbito da relação bilateral, que é muito importante para o Brasil, e eu acredito que para o Paraguai também.

(José Romildo / Agência Brasil)

Do Jornal do Brasil

 

SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou nesta quarta-feira (14) um pacote de novas medidas em que veio trabalhando junto a sua equipe econômica nos últimos dias.

A ideia é minimizar a inflação que já se nota no comércio devido à desvalorização do peso e conter a disparada dos preços.

Entre as medidas está o congelamento do preço do combustível por 90 dias (o primeiro turno das eleições será em 73 dias), um aumento de 25% do salário mínimo (atualmente é de US$ 225, ou cerca de R$ 902) e aumento de 40% para os que recebem a bolsa “progresar” (progredir), voltada a estudantes, e para os que recebem a Asignación Universal por Hijo (uma espécie de bolsa-família criada durante o kirchnerismo).

Ainda sem dar detalhes, Macri disse que, nos próximos dias, haverá anúncios de quanto será a redução de impostos para a população de baixa renda e sobre um plano para ajudar as pequenas e médias empresas que consistiria em reduzir suas obrigações junto à Afip (receita federal).

“São medidas que trarão alívio para 17 milhões de trabalhadores e suas famílias”, disse Macri em uma mensagem gravada antes da abertura dos mercados.

O anúncio foi feito pelo presidente após fazer uma mea culpa do tom adotado na última segunda-feira (12), um dia depois da derrota nas primárias.

Com outro semblante e sem mostrar a irritação daquele dia, disse com firmeza e tranquilidade que queria “pedir desculpas pelas expressões” que usou na ocasião.

Macri foi muito criticado por analistas e nas redes sociais por tentar assustar as pessoas com a ameaça kirchnerista e por sugerir que a culpa de que o dólar e as ações argentinas se descontrolassem era dos eleitores que votaram em Alberto Fernández.

“Quero que saibam que respeito profundamente a decisão dos argentinos”. E acrescentou: “Tive dúvidas de convocar a coletiva de segunda porque ainda estava muito impactado pelo resultado da eleição, estava sem dormir e estava triste. Mas volto aqui hoje para que tenham certeza de que eu os entendi”.

A vitória da oposição nas primárias fez a Bolsa de Buenos Aires despencar 37% na segunda e o peso argentino se desvalorizar 17%. Na terça-feira (13), a Bolsa se recuperou um pouco e subiu 10,76%, mas o peso voltou a perder valor. O dólar subiu 5% e atingiu nova máxima, de 55,65 pesos argentinos.

O candidato kirchnerista, Alberto Fernández, negou que avalia colaborar com o governo daqui até outubro.

“Eu sou apenas um candidato, o presidente é Macri, ele que se encarregue de resolver essa crise econômica que seu governo criou”. E acrescentou: “Não vou dialogar com ele, com Wall Street, com a CGT nem com os bancos. Quem tem de governar é Macri, que criou essa situação toda. Não sou nem mesmo o presidente eleito.” 

Nesta quarta (14), após o anúncio de Macri das medidas emergenciais, a moeda argentina abriu em queda de 12,3%, a 61 pesos por dólar.

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Posted on 15-08-2019
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Sid, no portal de humor gráfico

 

Aplicativos, novos motéis ou detetives são alguns dos negócios que giram em torno dos relacionamentos extraconjugais e se espalham pela Europa

Madri
infidelidad
Um dos quartos do hotel Loob. Rubén Vela

No momento em que você lê estas linhas, talvez seu parceiro esteja sendo infiel. Milhões de homens e mulheres em todo o mundo mantêm relações sexuais fora do casamento ou da convivência. Até aqui nada de novo. O que mudou é que há cada vez mais traições, entre outras coisas porque os dispositivos móveis e aplicativos tiraram a infidelidade da clandestinidade, permitindo que um amante ficasse ao alcance de qualquer um. Ser infiel é muito mais fácil e rápido agora, e embora o homem ganhe de goleada, cresce o número de mulheres que saem para se divertir.

Alguns aproveitam e outros oferecem com quem, como e onde. A infidelidade é hoje um grande negócio, uma enorme caixa registradora capaz de gerar tanto dinheiro quanto carícias e beijos furtivos. As empresas lançaram as redes para pescar em um mercado potencial que, na Espanha, é formado por 11.280.000 casais e uniões civis, de acordo com dados de 2018 do Instituto Nacional de Estatística. Seria necessário acrescentar aqueles que vivem sem papéis no meio.Plataformas desenhadas para adúlteros com milhões de usuários em todo o mundo, aplicativos para apagar o rastro da infidelidade, detetives particulares para descobrir traições. Quanto dinheiro a infidelidade movimenta?

Impossível calcular. “Além das páginas de contatos existem os hotéis, as viagens, os presentes, os restaurantes… É um negócio que gira bilhões no mundo e tem um peso importante no PIB”, comenta Christoph Kraemer, chefe do mercado europeu da Ashley Madison, rede social para infiéis.

Criada em 2002 no Canadá, é a plataforma mundial preferida para a traição, com 60 milhões de membros registrados em 53 países. Seu slogan é Life is short. Have an affair (A vida é curta. Tenha um caso). No ano passado, segundo uma auditoria da Ernst & Young, registrou 442.000 novos usuários por mês, mais de 5,3 milhões no ano, o que representa um crescimento de 10% em relação a 2017. Pertencente ao grupo Ruby Life, a plataforma diz ser lucrativa desde o primeiro ano, embora não forneça informações sobre faturamento. “Atualmente, não temos planos de entrar na Bolsa. Vamos ver o que o futuro pode trazer”, diz Kraemer.

No momento, o mercado espanhol lhe dá muitas alegrias, tantas quanto 1,56 milhão, que são as pessoas inscritas no site, de idades entre 30 e 40 anos. A Espanha é seu segundo mercado europeu, só atrás do Reino Unido. E o nono no mundo, sendo os EUA, Brasil e Canadá os países mais desleais. Chegou à Espanha em 2011 com a polêmica debaixo do braço ao pendurar uma faixa em pleno centro de Madri usando a imagem do rei Juan Carlos junto com a do príncipe Charles da Inglaterra e do ex-presidente Bill Clinton, com o lema: “O que eles têm em comum? Deveriam ter usado a Ashley Madison”. Nos primeiros três meses, 150.000 espanhóis se inscreveram na rede.

Nessa plataforma, na qual 15.000 aventuras acontecem por mês, 4.500 por dia, as mulheres não pagam para se cadastrar. Os homens devem comprar pacotes de crédito para poder enviar a primeira mensagem. O pagamento mínimo é de 49 euros (cerca de 219 reais) por 100 créditos e chega a 249 euros por 1.000 créditos.

Depois desta chegaram muitas outras. A oferta não para de crescer. Como a Secondlove, cujo slogan é: “Flertar não é só para solteiros e solteiras”. Outra com capacidade de atrair seguidores é a Victoria Milan, com 625.000 membros espanhóis, que incentiva a “reviver a paixão e encontrar uma aventura”.

Também existe o site do encontro infiel, o Affairland. Mas se existe uma plataforma que está revolucionando o mercado feminino é a Gleeden, que se vende como o primeiro site de encontros extraconjugais pensado por mulheres para mulheres. Na prática, isso significa que não é um site focado nos homens, como os outros, nem há mulheres seminuas como gancho. Não é um aplicativo hipersexualizado”, diz Silvia Rubies, chefe de comunicação da Gleeden na Espanha.

Seu objetivo é captar as mulheres que querem arrumar um amante e vencer o tabu que ainda existe sobre a infidelidade feminina. Porque elas, que têm uma média de 37 anos, também são desleais. “Cerca de 30% dizem ter sido infiéis em algum momento da vida e 68% não se arrependem”, segundo uma pesquisa com mais de 5.000 mulheres realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública. O site nasceu na França em 2009 como resposta a esse 30% de pessoas que estão nas páginas tradicionais de encontros que mentem sobre seu estado civil. Um ano mais tarde aterrissou na Espanha, seu terceiro mercado europeu, depois do francês e do italiano. Possui 5,5 milhões de usuários no mundo e 700.000 na Espanha, 60% de homens e o restante de mulheres, que também não pagam. Os homens precisam comprar créditos para poder abrir um chat, enviar presentes virtuais ou ver o álbum de fotos particular; iniciar a conversa é grátis. O preço mais básico é de 25 euros e chega a até 100. Além disso, oferece serviços de discrição, como sacudir o telefone celular duas vezes para sair do aplicativo.

Se as redes de contatos são um negócio, não menos importante são os motéis — na Europa chamados love hotels. Muito comuns no Brasil, seu modelo de negócio, em que o silêncio e a discrição se pagam, se espalha. Não se trata de lugares lúgubres em zonas industriais; muitos deles são hotéis de luxo localizados no centro das cidades. O modelo cresce na Espanha graças ao hotel Zouk (em Alcalá de Henares) ou aos barceloneses H Regàs, La Paloma, La França e Punt14 (da cadeia SuperLove). Também o Loob e o Luxtal. Todos alugam quartos por hora. Além de xampu, estão incluídos preservativos de cortesia e balas em forma de coração. Como já ocorre no Brasil, o estacionamento muitas vezes é no próprio quarto, de modo que a entrada e a saída possam ser feitas sem sair do veículo. A privacidade é a base do negócio.

Em outros, “para sair do quarto você deve ligar para a recepção usando o interfone do seu quarto, de modo que nós lhe informaremos se você pode sair sem que haja outras pessoas. Não será possível cruzar com ninguém”, explica o site da Luxtal, com hotéis em Madri e Barcelona. Seus preços começam em 30 euros a hora e os quartos têm camas de 2,10 metros de diâmetro em formato de meia lua, grandes espelhos estrategicamente posicionados e acessórios eróticos.

A privacidade é a base do negócio. Ao pagar com cartão, o nome comercial do hotel sequer aparece. Apenas a razão social. O La França é o maior de Barcelona, com mais de 70 quartos. Os mais baratos custam 70 euros a hora; a grande suíte, com hidromassagem e espelhos basculantes, sai por 90 euros. Esses estabelecimentos são até três vezes mais rentáveis do que os tradicionais. “Ao vender os quartos por hora, você pode obter mais rendimento do que um hotel convencional, onde o quarto só é vendido por dia, mas há mais despesas com pessoal, roupas, lavanderia e manutenção”, diz o hotel Loob.

Aplicativos discretos

Outra parte desse lucrativo negócio são os aplicativos de celular que apagam o rastro da infidelidade. Um deles é o Tigertext: tudo que chega de um determinado número de telefone é apagado, sejam chamadas ou mensagens. Se o infiel precisar apagar com urgência, pode sacudir o telefone e tudo desaparece. O aplicativo é gratuito e tem mais de 500.000 downloads. Outro é o Vaulty Stock: sua aparência é a de um aplicativo de Bolsa de Valores e custa 21 euros. Ou o Photo Vault, que permite esconder todos os arquivos atrás de uma falsa calculadora.

Apesar das facilidades, sempre há comportamentos que levantam as primeiras suspeitas do parceiro. “A suspeita pode surgir hoje em dia inclusive antes que no passado, como colocar uma senha no seu celular quando você nunca a teve; mudar a senha do computador sem dizer nada ao parceiro ou não atender chamadas ou ler mensagens na frente do parceiro”, diz Enrique Hormigo, presidente da Associação Profissional de Detetives Particulares da Espanha – (APDPE), que tem quase 400 associados.

O método mais comum de trabalho dos detetives é montar um dispositivo de observação e monitoramento que normalmente não dura mais de três dias, explica. Cobra-se por hora, entre 55 e 110 euros a hora. Hormigo diz que as infidelidades não superam 8% de seus serviços. Por outro lado, existem escritórios de detetives particulares especializados em infidelidades. A empresa Infidelity trata entre 150 e 190 casos por ano e, em média, dedica cinco horas a cada um.

Alejandro Chekri, diretor do escritório, diz que o perfil do infiel mudou muito e agora é mais amplo: vai de 20 a 74 anos, a idade do último caso em que trabalhou. Na hora de contratar seus serviços, os principais clientes são mulheres.

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