Bolsonaro assume política de comunicação

Por Cristiana Lôbo

O presidente Jair Bolsonaro ao conceder entrevista coletiva na portaria principal do Palácio da Alvorada — Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil O presidente Jair Bolsonaro ao conceder entrevista coletiva na portaria principal do Palácio da Alvorada — Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro ao conceder entrevista coletiva na portaria principal do Palácio da Alvorada — Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

A cena se repete quase todos os dias. Ao sair do Palácio da Alvorada rumo ao Palácio do Planalto, por volta das 8h, o presidente Jair Bolsonaro manda parar o carro para falar com a imprensa. Ele se debruça sobre a grade que delimita a área reservada aos jornalistas e põe-se a falar.

Os assuntos são, na maioria das vezes, levantados pelo próprio presidente. Mas os repórteres conseguem fazer algumas perguntas sobre temas do dia. A polêmica é certa.

A decisão de falar diariamente – e bem cedo –, de modo a ocupar o noticiário praticamente o dia inteiro, foi tomada pelo próprio presidente com a equipe de comunicação da Presidência. “O objetivo é pautar a imprensa”, diz um auxiliar.

As entrevistas diárias de Bolsonaro têm um público alvo: o eleitor “bolsonarista”, aquele que apoia até mesmo as declarações mais polêmicas.

Ao mesmo tempo, o presidente busca polarizar com os adversários (principalmente, a esquerda). Um exemplo aconteceu mais cedo, nesta segunda-feira (12), durante a viagem ao Rio Grande do Sul.

Enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff considerou “uma luz no fim do túnel” para a esquerda a derrota de Mauricio Macri nas eleições primárias na Argentina, Bolsonaro decidiu afirmar que, se chapa de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner vencer, o Rio Grande do Sul vai se tornar “um novo estado de Roraima” porque, na opinião dele, argentinos vão querer fugir do país assim como acontece na Venezuela.

Estratégia de comunicação

A estratégia de comunicação do governo está a cargo do secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, que se reporta diretamente ao presidente. Wajngarten foi indicado para o cargo pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho de Bolsonaro.

A mudança na direção da política de comunicação fez com que militares, que no início do mandato pareciam dominar ou pretender dominar a área, fossem afastados.

Além disso, o próprio porta-voz de Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, recebeu a orientação de não ser mais o contato diário com jornalistas. As conversas, a partir de agora, serão esporádicas e os jornalistas deverão tirar dúvidas com o secretário de Imprensa, Paulo Fona.

Avaliação interna

A avaliação interna é a de que Bolsonaro obteve êxito na corrida eleitoral de 2018 se diferenciando dos demais políticos, polarizando com a esquerda e subindo o tom em críticas.

Mas nem sempre tudo sai como previsto. O presidente costuma dar declarações que geram muita polêmica. Mas ninguém ousa tentar enquadrá-lo. “Ele é assim mesmo”, resigna-se um assessor.

Os passeios de moto e de moto aquática, como fazia Fernando Collor, são iniciativas do próprio presidente. “É um prazer pessoal e ele vai continuar a fazer”, diz uma pessoa próxima a Bolsonaro.

Na presidência, Bolsonaro tenta fazer o possível para ter uma vida mais próxima daquela que tinha como deputado.

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