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Em Sobradinho, Bolsonaro inaugura usina solar flutuante e manda
aviso a Rui Costa e seus colegas do NE: “isso aqui não é Cuba”!
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…e governadores criam “Consórcio Nordeste” em Salvador.

ARTIGO DA SEMANA

Sobradinho, Vale do São Francisco: Bolsonaro em acerto de contas no Nordeste

Vitor Hugo Soares

Treze dias depois da batalha do Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, o presidente da República, em sua conduta confessa de governo “de direita”, desceu de novo em solo baiano, segunda-feira 5, do mês de agosto que promete! Desta vez, em Sobradinho, nas barrancas do São Francisco – rio da minha aldeia -, para inaugurar os cata-ventos sobre plataformas, do inovador projeto de produção de energia eólica do monumental lago artificial da hidrelétrica da Chesf, no Nordeste, dez vezes maior que a Baia de Guanabara. Cenário sob medida para o novo acerto de conta de Jair Messias Bolsonaro com os separatistas governadores “de esquerda” da região, bem na área em que a letra da famosa canção de Sá e Guarabi ra prevê que “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”.

Dias antes, reunidos em Salvador, capital administrada pelo prefeito ACM Neto, presidente nacional do DEM e aliado de peso do mandatário do Planalto, os 9 sediciosos gestores nordestinos promoveram a mais badalada e desafiadora reunião contra o governo da União, desde a eleição e posse do novo dono da chave do cofre da “Viúva”, que arrancou do poder e tomou pelo voto, de quase 60 milhões de eleitores, o mando das mãos do petismo dominante durante quase 14 anos. Sob comando de Rui Costa (PT-BA) e forte influência de Flavio Dino (PC do B-MA), cujo nome e procedência causam urticárias no presidente, os nove chefes políticos da região criaram o “Consórcio Nordeste”, entidade que, propagam seus articuladores, viabilizará parceri as autônomas entre os estados dos replicantes gestores.

Depois, perfilados lado a lado, os manda-chuvas nordestinos posaram para fotos e vídeos, bem ao velho estilo marqueteiro vigorante nos governos Lula e Dilma, que acabaram mal, como se sabe. Esta semana, o petista da Bahia, “presidente do Consórcio”, falou sobre reunião com embaixadores da Itália e da Espanha, “para promover um mapa de oportunidades para a região como um todo”. Para oposicionistas, a exemplo do deputado Targino Machado, líder da oposição na Assembléia baiana, a reunião e o consórcio não passam de uma forma de “criar espuma” enquanto os estados enfrentam uma grave crise financeira, com investimentos em baixa e servidores descontentes e indignados, principalmente os professores.

Em Sobradinho, no palanque da inauguração, Bolsonaro não perdeu tempo nem mediu palavras para dar o troco, bem ao seu estilo e gosto: “O que esses governadores pretendem? Querem fazer disso (do Brasil) uma Cuba?”, perguntou sob aplausos de prefeitos, vereadores, empresários, populares e convidados especiais. “Não tenho preconceito contra nordestinos, mas não gosto de governador corrupto e da esquerdalha canalha”, completou. O governador da Bahia, a exemplo da entrega do aeroporto Glauber Rocha, também não foi ao ato no Vale do São Francisco. “Ele teria sido bem recebido por todos aqui. Rui Costa diz  que tenho preconceito, mas ele é que se revela preconceituoso, mais uma vez”.
Precisa desenhar? Responda quem souber. E pode apostar que não ficará só nisso.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Eu já nem sei”, Wanderléa: nada como a doce voz da “Ternurinha” para começar musicamente o sábado de agosto chuvoso, mas que não consegue amainar a aridez que amarga as relações destes dias macambúzios. Uma pausa, então, para escutar Wandeca.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

ago
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DO EL PAÍS

O escândalo com Bill Clinton em 1998 foi o primeiro comentado ‘online’ na era da Internet

Monica Lewinsky durante uma conferência em Los Angeles em dezembro de 2018.
Monica Lewinsky durante uma conferência em Los Angeles em dezembro de 2018.

Quando o criador de televisão Ryan Murphy decidiu dar sinal verde para uma série sobre o escândalo sexual de Bill Clinton e Monica Lewinsky, impôs uma condição. Só filmaria se a ex-estagiária da Casa Branca, que tinha 22 anos quando saltou a polêmica, fosse a produtora do projeto. Ela aceitou. A série estreará em 2020.

Dessa forma, Murphy se assegura de que a história seja contada do ponto de vista da vítima principal daquela tempestade de mídia ocorrida no final dos anos 1990, conhecida como o caso Lewinsky e não como o caso Clinton. A minissérie, intitulada Impeachment, será a terceira temporada da antologia American Crime Story.

Desde que publicou, em 2014, o artigo Shame and Survival (“Vergonha e Sobrevivência”) na edição americana da revista Vanity Fair, Lewinsky se transformou em ativista contra o assédio, principalmente nas redes sociais.

Em março de 2015, deu uma conferência TED intitulada “O preço da vergonha”, que acumula mais de 25 milhões de reproduções no site da plataforma de conferências e em seu canal do YouTube. Nela, utiliza sua história pessoal para advertir sobre o perigo dos linchamentos online. O vídeo está disponível com legendas em 41 idiomas, incluindo o português.

Esse escândalo foi “a primeira vez que a Internet tomou o lugar dos noticiários tradicionais para uma história importante”, lembra a própria Lewinsky durante seu discurso de 20 minutos. “Fui a paciente número zero a perder de forma quase instantânea a reputação pessoal em escala global”, diz ela sobre uma prática que se tornou cotidiana.

Lewinsky explica no vídeo que a tecnologia e as vontades de julgar trouxeram “hordas de apedrejadores virtuais”, acrescentando: “Sim, ocorreu antes das redes sociais, mas as pessoas podiam comentar online e enviar histórias e piadas cruéis por correio eletrônico”. Lewinsky admite que cometeu erros, mas destaca: “A atenção e o julgamento que eu, pessoalmente, recebi — e não a história —, não tinha precedentes”. Quando isso ocorreu, há 17 anos, “não tinha nome. Agora chamamos de cyberbullying”.

Campanhas nas redes sociais

Para combater essa ameaça cada vez maior, muitas das campanhas contra a perseguição virtual que Lewinsky lançou nos últimos anos foram projetadas para o ambiente digital.

Por exemplo, #DefyTheName (“desafie o nome”) pedia em 2018 que as pessoas compartilhassem os insultos mais frequentes que recebiam e os incorporassem ao seu nome nas redes sociais. Assim, conseguiam se apropriar dos termos depreciativos que costumam ser um dos recursos mais básicos dos perseguidores. O da ex-estagiária era Monica Chunky Slut Stalker That Woman Lewinsky (“Monica Gorda Vagabunda Assediadora Essa Mulher Lewinsky”).

“A intenção dessa campanha é não permitir que esses insultos definam você e conscientizar sobre a necessidade de um ambiente mais amistoso nas redes sociais”, comentou Lewinsky, que contou com a colaboração de esportistas e atores famosos.

O cyberbullying também era o alvo de #ClickWithCompassion (“clique com compaixão”. Neste caso, a campanha de 2017 destacou os comportamentos diferentes que temos na vida real e quando nos escondemos atrás do anonimato da Internet. A campanha também incluía a hashtag #BeStrong (“seja forte”).

“O núcleo daquilo que alimenta o assédio é a vergonha e a humilhação pública. Então, o clickbait (“caçador de cliques”) com que todos nós estamos bastante familiarizados também é impulsionado por essas mesmas coisas. Uma forma de clicar com compaixão é não clicar no conteúdo polêmico do clickbait. Assim poderemos contribuir para um algoritmo que apoie uma cultura de compaixão em vez de uma cultura de humilhação”, explicou ela na ocasião.

Em sua conferência TED, Lewinsky insiste nas causas e consequências de viver em uma cultura da humilhação: “Surgiu um mercado em que a humilhação pública é uma moeda e a desonra pública, uma atividade econômica. Como se ganha dinheiro? Com cliques. Mais vergonha, mais cliques. Quanto mais visualizações, mais receitas de publicidade. Alguém está ganhando dinheiro com o sofrimento de outras pessoas”.

ago
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Gilmar está como pinto no lixo

 

As mensagens roubadas atribuídas aos procuradores da Lava Jato e Sergio Moro deixaram Gilmar Mendes como pinto no lixo.

Em São Paulo, para participar de mais um evento, ele disse:

“A mim me parece que o efeito (das mensagens roubadas) já é deslegitimador dessas sentenças. Quando a gente vai para o exterior, as pessoas perguntam: como é que vocês fizeram isto? Vocês lograram um sistema de combate à corrupção, agora estão com a credibilidade do sistema afetada. Como um juiz sai para integrar um governo de oposição àquele que está preso?”

O exterior de Gilmar é Portugal.

Ele também afirmou sobre Moro:

“Certamente juiz não pode ser chefe de força-tarefa. Ele trabalhou tanto que daqui a pouco pode reivindicar salário na Justiça do Trabalho, acumulou funções.”

Dono de faculdade, Gilmar certamente não precisa acumular funções.

Presidente deu declaração a repórteres após ministro explicar pacote anticrime

 TALITA FERNANDES

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta sexta-feira (9) que todos os jornalistas estariam presos se “excesso jornalístico desse cadeia”.

“Se o excesso jornalístico desse cadeia, todos vocês estariam presos agora, tá certo?”, disse Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada ao lado do ministro Sergio Moro, da Justiça.

Macaque in the trees
Presidente da República, Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

A fala do presidente foi acompanhada de aplausos de apoiadores, que o aguardavam na porta da residência oficial da Presidência.

Ele não detalhou a que se referia ao falar em “excesso jornalístico”, mas são constantes em suas falas  tom crítico ao trabalho da imprensa.

A declaração foi feita pelo presidente depois de Moro explicar em que consistia o projeto de excludente de ilicitude apresentado por ele ao Congresso.

A proposta faz parte do pacote anticrime, considerado prioridade do Ministério da Justiça, mas que enfrenta resistência dos parlamentares.

Moro estava explicando aos repórteres que o texto tem como objetivo retirar “excessos” de punições em alguns crimes.

Ele citou como exemplo o caso da modelo Ana Hickmann, apresentadora da TV Record que foi atacada por um homem que se dizia seu fã em um hotel em Belo Horizonte, em 2016.

O responsável pelos ataques acabou morto -depois de efetuar disparos- por reação do cunhado da apresentadora. Ele se referia ao fato de o cunhado ter de responder a um processo por ter matado o responsável pelo ataque.

“A proposta [de excludente de ilicitude] que existe no projeto é bastante específica. Esse caso que foi mencionado pelo presidente envolvendo aquela famosa atriz, modelo, é um caso característico. Aquela pessoa não pode ser tratada como assassina, defendeu a família. As pessoas não são máquinas, eventualmente podem ali cometer algum excesso. Não tem nenhuma extravagância nisso”, disse Moro.

À tarde, Bolsonaro postou mensagem de rede social voltando ao tema.

“Queremos tirar o ‘excesso’ do Código Penal, afinal atirar num bandido duas ou mais vezes deve ser motivo de comemoração (sinal que o policial está vivo), e não de condenação. Já os excessos dos jornalistas…”, escreveu.

Moro se reuniu com Bolsonaro no Alvorada em meio a um processo de desgaste, com ofensiva por parte dos Poderes.

O pacote anticrime sofreu novo revés na Câmara na terça (6) e deve ter novas alterações na próxima semana.

O encontro entre ele e o presidente ocorre um dia depois de Bolsonaro ter pedido ao ministro que ele “tenha paciência” com a aprovação da proposta.

Do Jornal do Brasil

 

Crítico da Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez reparos à operação e exaltou a divulgação de mensagens trocadas por membros da força-tarefa, nas quais foi mencionado.

Sem citar nomes, ele reiterou ataques ao ex-juiz e hoje ministro Sergio Moro (Justiça) e a procuradores do Ministério Público Federal.

Macaque in the trees
Gilmar Mendes (Foto: ABr)

“Em relação aos procuradores, vocês têm visto tudo aquilo que se fala: perseguição, combinação. Obter vantagens, oferecer palestras, ganhar dinheiro, monetizar a Lava Jato. Imagine isto”, disse o ministro a jornalistas, nesta sexta-feira (9), em São Paulo.

“Estado de Direito é um modelo em que não há soberanos. Todos estão submetidos à lei. Portanto esse modelo que se desenhou, essa chamada ‘república de Curitiba’, isso não tem abrigo na Constituição.”

“Agora se revela, a despeito do bom trabalho que tenha feito, essa grande fragilidade” da Lava Jato, comentou o ministro, antes de participar de evento da Aasp (Associação dos Advogados de São Paulo).

Um grupo de cerca de dez pessoas fez um protesto em frente ao local da palestra, em um prédio na região da avenida Paulista. Elas gritavam “fora, Gilmar” e diziam que é a população quem paga o salário do magistrado.

Uma participante do ato usava uma capa preta ao estilo do STF. Outros, vestidos de verde e amarelo, manifestavam apoio à Lava Jato e a Moro.

“Vamos encerrar com esse ciclo de falsos heróis”, disse Gilmar aos repórteres. “Vamos reconhecer que as pessoas têm virtudes e defeitos. A democracia convive com isto.” Indagado se fazia referência a Moro ou ao procurador Deltan Dallagnol, falou que não iria “fulanizar o debate”.

“Certamente, juiz não pode ser chefe de força-tarefa. Ele não pode se integrar numa força-tarefa, afirmou Gilmar, emendando uma ironia. “Daqui a pouco alguém dirá: ele trabalhou tanto que pode até reivindicar salários na Justiça do Trabalho, acumulou funções.”

Ele reiterou que a situação é “a maior crise que se abateu sobre o aparato judicial no Brasil desde a redemocratização” e que “nada é comparável” às revelações agora feitas. Afirmou, contudo, acreditar que o Brasil “vai sair mais forte disso”.

“Em algum momento, essas pessoas que se envolveram nesses malfeitos terão que prestar contas. Terão que contar o que fizeram mesmo, para que a gente possa, inclusive, no futuro, fazer as devidas correções.”

“Quem, às escondidas, praticou atos indevidos tem que prestar conta deles”, completou.

Para ele, a revelação feita pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (8) sobre o comportamento do então corregedor-geral do Ministério Público Federal, Hindemburgo Chateaubriand Filho, em relação a Deltan, ilustra a conduta problemática de membros da força-tarefa.

“O próprio corregedor, embora não [tenha] cumprido devidamente suas funções, diz: ‘Vocês estão monetizando, vocês estão ganhando dinheiro com a Lava Jato’. E isso obviamente é vedado”, assinalou o magistrado.

“Está escrito na Constituição. Eu não posso usar a função pública para ganhar dinheiro fora daquilo que eu já ganho.” Como mostrou a reportagem, Deltan escreveu a Hindemburgo que a reprimenda seria acatada, mas a contragosto de membros do MPF.

Para Gilmar, o STF poderá ter que se debruçar sobre a validade das mensagens obtidas pelos hackers como provas em processos judiciais. “Isso é um debate que a corte já teve em alguns casos e que certamente será renovado agora.”

Segundo ele, o uso de “uma eventual prova de caráter ilícito” pela defesa de réus como o ex-presidente Lula (PT) “em tese pode ser” reivindicado, mas a validade dependerá de uma análise mais aprofundada.

“Há uma jurisprudência, em alguns casos, em que se diz: a prova, mesmo ilícita, serve para isentar determinada sanção ou inocentar alguém. Isso terá que ser examinado”, disse. “A toda hora vem esse tipo de consideração: ‘Ah, qual será a anulação?’. A mim me parece que o efeito já é deslegitimador dessas sentenças.”

E prosseguiu: “Quando a gente vai para o exterior, as pessoas perguntam: mas como vocês fizeram isso? Vocês que lograram um sistema de combate à corrupção agora estão com a credibilidade do sistema afetada. Como que um juiz sai para integrar um governo que é de oposição àquele que está preso?”.

Citado em conversas de procuradores da Lava Jato reveladas na terça-feira (6), o ministro cobrou de imediato providências da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o caso e disse ver “um quadro de desmando completo”.

Segundo publicação do jornal El País com base em mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil, procuradores da força-tarefa em Curitiba discutiram coletar dados e informações sobre Gilmar para tentar afastá-lo de processos e até pedir seu impeachment.

Questionado nesta sexta sobre o tema, o integrante do STF afirmou ser necessária uma reforma institucional. “Certamente a procuradora-geral [Raquel Dodge], se for reconduzida, ou um novo procurador-geral vai ter um encontro com o Congresso no sentido da reinstitucionalização.”

Ele sinalizou que a autonomia dos membros pode estar associada aos abusos agora conhecidos. Em alusão ao episódio envolvendo Hindemburgo e Deltan, o ministro disse: “Esse modelo autonomista, em que o corregedor tem constrangimento de fazer correição em relação a um procurador, tem que ser superado. Isso está levando a um modelo de soberanos”.

Gilmar não quis comentar a sucessão na PGR, sob a justificativa de que a indicação cabe ao presidente da República.

Na palestra, para uma plateia de advogados e representantes de classe da categoria, o ministro falou sobre um assunto técnico, a questão da repercussão geral em ações judiciais e a repetição de recursos no STF.

TRANSFERÊNCIA DE LULA

Gilmar comentou também o pedido de transferência do ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba, brecado na quarta-feira (7) pelo STF. “Ali houve coisas estranhas”, disse o magistrado. “O tribunal interpretou que havia sinais de desvios e abusos e, por isso, fez aquela suspensão rápida.”

Na palestra aos advogados, ele ironizou a tentativa de transferência e disse que parlamentares enxergaram no caso oportunismo político.

“Na quarta-feira, por vicissitudes que não vale a pena agora discutir, se decide, talvez para que não houvesse conversa no final de semana tratando de Intercept ou coisa do tipo, se decidiu transferir o presidente Lula […]. E em pouco tempo o tribunal estava cercado por parlamentares, de todos os partidos.”

Na saída, indagado por jornalistas, voltou ao tópico: “Vocês não veem o Supremo Tribunal Federal dar resposta tão célere como foi nesse caso. Em questão de horas, o tribunal fez aquela reunião especial e deliberou sobre o tema, porque entendeu que de fato se estava diante de uma decisão de forte teor político e que tinha repercussões negativas, talvez inclusive sobre a própria paz social“.

ago
10
Posted on 10-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-08-2019



 

Sponholz, no

 

Patrick Crusius não ofereceu resistência ao ser detido, segundo a polícia, e declarou: “Eu sou o agressor”

Patrick Wood Crusius, o homem branco de 21 anos que matou 22 pessoas e feriu mais de 20 outras no sábado passado em El Paso (Texas), confessou que o alvo de seu brutal ataque perpetrado com um fuzil de assalto AK-47 eram os mexicanos. Crusius não ofereceu resistência à polícia quando foi detido depois do massacre no hipermercado Walmart e abriu mão de seu direito ao silêncio, segundo notícias publicadas nesta sexta-feira com base em documentos judiciais obtidos pela imprensa local. Desde então, vem colaborando com os investigadores. Adrián García, detetive da polícia local, afirmou no domingo em depoimento ao juiz que o jovem se entregou imediatamente ao ser abordado. “Sou o agressor”, disse aos agentes, segundo o relato de García.

Em sua confissão, Crusius, acusado de múltiplos homicídios de primeiro grau (doloso e premeditado), confirmou que tinha ido de carro da sua casa num subúrbio de Allen, a poucos quilômetros de Dallas (Texas), até El Paso, um percurso que leva aproximadamente 10 horas. Antes do banho de sangue, a polícia acredita que Crusius publicou na Internet um manifesto que falava de uma “invasão hispânica do Texas” e propunha: “Se pudermos nos desfazer de suficientes pessoas, nossa forma de vida pode ser mais sustentável”. O texto promove a teoria supremacista branca conhecida como “a grande substituição”, em alusão a um suposto plano das elites europeias de substituir a população branca do continente por imigrantes do norte da África e Oriente Médio.

As autoridades estão investigando o mais mortífero ataque à comunidade latina na história moderna dos Estados Unidos como um ataque terrorista doméstico e estão avaliando tratar o caso como um possível crime de ódio. Muitas das vítimas tinham sobrenome latino, e oito eram mexicanas. A fronteira que une El Paso (83% de população hispânica) à mexicana Ciudad Juárez é considerada uma única região metropolitana, binacional e bilíngue, de quase três milhões de habitantes.

O massacre — que ocorreu horas antes de outra chacina indiscriminada em Dayton (Ohio), com nove mortos — abriu um debate sobre a retórica divisionista do presidente Donald Trump. Seus adversários o recriminam por afirmar constantemente que os imigrantes que cruzam a fronteira mexicana são criminosos e por falar em uma “invasão”. Alguns pré-candidatos democratas inclusive chegaram a afirmar que o republicano é um supremacista branco. Mas Trump não se dá por aludido. “Acredito que minha retórica una as pessoas”, disse na manhã de quinta-feira, antes de visitar El Paso, onde não se deixou ver pelas ruas.

Em sua mensagem à nação depois das duas matanças que causaram 31 mortos em menos de 14 horas, o presidente condenou nesta segunda-feira o “racismo” e o “supremacismo branco” e disse que “o ódio não tem lugar nos EUA”. Além disso, fez um apelo à unidade. Mas suas mensagens pelo Twitter antes e depois não foram diferentes do seu estilo habitual: atacar o oponente.

Um dos alvos de Trump foi o pré-candidato democrata Beto O’Rourke, oriundo de El Paso, que se transformou no porta-voz da dor dos cidadãos. “Beto, nome falso para indicar origem hispânica [sic], O’Rourke, que está envergonhado por minha última visita ao grande Estado do Texas, onde o esmaguei, e está agora ainda mais envergonhado com as pesquisas que lhe dão 1% dos votos nas primárias democratas, deveria respeitar as vítimas e as forças de segurança e se calar!”, tuitou o mandatário na terça-feira. O’Rourke respondeu que “22 pessoas morreram na minha cidade por um ato de terror inspirado por seu racismo. El Paso não se calará, e eu tampouco”.

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