OPINIÃO

Falta fazer

O presidente dos EUA, Donald Trump, em um ato de campanha em 1 de agosto, em Cincinnati.
O presidente dos EUA, Donald Trump, em um ato de campanha em 1 de agosto, em Cincinnati.LEAH MILLIS (REUTERS)

No artigo anterior escrevi sobre o Plano Real. E no pós-Real? Muita coisa mudou na economia, na política e na sociedade.O pesadelo da inflação e da dívida externa ficou no passado. Políticas universais de educação e saúde se estruturaram e programas de transferência de renda para os mais pobres se estabeleceram. Houve alguma melhoria (nunca suficiente) na renda do trabalho. Falta ainda algo essencial: taxas de crescimento contínuas que— mesmo sem serem espetaculares —permitam oferecer mais emprego e renda. Para isso, o ordenamento das contas públicas, conquista perdida nos governos do PT, é condição necessária. Os passos iniciais para sua recuperação foram dados com a reforma da Previdência.

Nem tudo, porém, depende só de nós. Exemplifico: foi o entendimento dos Estados Unidos com a China, levado a efeito pela dupla Nixon/Kissinger, que assentou as bases da estabilidade e do crescimento mundial nas décadas seguintes. Os benefícios plenos daquele entendimento se concretizaram depois que Gorbachov desencadeou um processo de mudança que resultou na Queda do Muro de Berlim e no colapso da União Soviética, facilitando a ampliação da União Europeia e pondo fim à Guerra Fria. Nesse contexto, aos poucos, a ideologia terceiro mundista foi se debilitando, abrindo espaço para uma nova era de convivência entre os países: a da globalização. Com ela a pobreza mundial diminuiu, houve intensificação do comercio internacional e algumas nações da periferia mundial aproveitaram para se integrarem nas cadeias globais de valor.

Entre nós os efeitos da estabilização e da maior integração econômica tornaram possível difundir políticas sociais inclusivas e introduzir tecnologias de ponta na agricultura, na mineração, nos setores financeiros, bem como em alguns processos industriais. Nossas exportações, que ainda são modestas, tiveram chance de expansão, em particular durante o boom das commodities. Em conjunto isso deu a sensação de que “chegara a vez do Brasil”.

Infelizmente, a má condução da economia, na última parte do governo Lula e no de Dilma, mergulhou o país na pior recessão de sua história, da qual nos recuperamos lentamente, a despeito dos esforços do governo Temer. É cedo para ver se o atual governo logrará retomar o crescimento econômico e praticar políticas inclusivas. O desaguisado inicial lança dúvidas sobre tal desfecho. Faltam estratégias que deem ao povo o sentimento de que “desta vez vamos”. Mais ainda. Na era da globalização as tecnologias de produção e comunicação estão sujeitas a renovações constantes. Tudo depende de avanços científicos e tecnológicos e da capacidade dos governos de os anteverem e criarem condições para sua vigência. Os sinais dados até agora são desanimadores.

O futuro é incerto: há retrocesso no plano internacional. Além da vaga populista de direita ser crescente, o entendimento sino-americano tropeça na rudeza “trumpista”, com a qual fazem coro os autoritários da direita mundial. Abrem-se assim espaços para a reaproximação da Rússia com a China.

Imaginava-se em passado recente que no Ocidente predominariam os valores de um liberalismo progressista com a aceitação das diferenças, a valorização da pessoa humana e o apoio a políticas sociais inclusivas. Acreditava-se que os mercados, instrumentos do êxito econômico, não implicariam no desfazimento da ação política e do papel dos estados. Era o sonho da Terceira Via. Vê-se agora a revitalização de forças opostas a esta visão. Forças que não são liberal-conservadoras, normais nas democracias, mas reacionárias, atrasadas.

É neste contexto que, com realismo e sem utopias regressivas, as agremiações políticas brasileiras terão de se reposicionar. Frente ao liberal-autoritarismo é preciso insistir no liberal-progressismo. Este não pensa apenas nas pessoas e em sua liberdade (valor essencial), mas também no conjunto da população. Supõe consequentemente uma ação pública sinalizadora para os mercados e redutora de desigualdades da sociedade. Ações que, sem arbitrariedades políticas, promovam a capacidade e o bem-estar das pessoas, redistribuam renda e preservem o meio ambiente.

Há muito a pensar e fazer. Não basta a boa economia, é preciso o bom governo e a boa sociedade. Sem isso as nuvens do mundo, já carregadas, despejarão mais água na chama de um futuro melhor para o país e as pessoas.

Nossos partidos políticos ficaram aquém das expectativas. Sem falar na desilusão que foi o PT, mesmo o PSDB e o PMDB, um social-democrata, outro democrático-popular, se enredaram na teia das corrupções, magnetizados pelo estatismo, fiador do patrimonialismo. A social-democracia envelheceu sem responder aos desafios das “sociedade em redes”: os contatos diretos voltaram a valorizar as pessoas, as novas formas de produção estagnaram a renda das classes médias e aumentaram as desigualdades. O populismo do passado, integrador das massas na política, deu passo à arrogância do populismo de direita, que espalhou o medo do imigrante, da violência e das mudanças.

Os movimentos políticos renovadores estão organizando-se fora dos partidos. Entretanto, a democracia política requer formas institucionalizadas de ação. Que fazer? Renova-se a pergunta. Ainda haverá partidos capazes de se reinventarem? A “nova política”dispensará partidos e será simbolizada apenas por líderes? Esse impulso carismático escapará de ser outra versão de fascismo? Duvido.

Chegou a hora de refazer percursos, de reconhecer erros e assumir, sem oportunismo, posições políticas condizentes com o estilo de produção, sociabilidade, comunicação e modo de agir contemporâneos. Em vez de aderir de corpo e alma ao “trumpismo” ou de sonhar com um estatismo caduco, é melhor agir em defesa dos interesses nacionais e populares, com postura não agressiva, mas altiva. Mãos a obra, repito.

“Et se tu n`existe pas”, Joe Dassin: Toda delicadeza e encantamento de uma extraordinária canção e a clássica e elegante interpretação de Joe Dassin, que a tornou famosa e cantada no mundo inteiro.Ultimamente é  o tema musical de uma peça de publicidade de um automóvel japonês, feita na Rússia e igualmente de sucesso internacional. Vai aqui dedicada a Graça Tonhá, uma amiga do peito do Bahia em Pauta ( e de seu editor) que acaba de redescobrir a canção (na publicidade russa) e se encantou por ela. Como todo mundo.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 


Bolsonaro lamenta críticas de Celso de Mello e diz ter sido "esculachado" pelo ministro - Luciana Amaral/UOL

 

 Bolsonaro lamenta críticas de Celso de Mello e diz ter sido “esculachado” pelo ministro Imagem: Luciana Amaral/UOL

Do UOL, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou estar “chateado” com o ministro Celso de Mello, decano do STF (Supremo Tribunal Federal), e falou que “foi esculachado” em crítica “muito para o lado pessoal” após este dizer que Bolsonaro “minimiza perigosamente” a importância da Constituição Federal e “degrada a autoridade do parlamento brasileiro” ao ter reeditado medida provisória sobre demarcação de terras indígenas,

“Fui esculachado pelo ministro do Supremo. Pela maneira [da crítica], dói no meu coração”, afirmou o presidente, após ir a culto em uma igreja evangélica em Brasília na manhã de hoje.

Pouco antes, Bolsonaro qualificou a crítica de Mello como pessoal. “Eu já falei que me equivoquei na questão da medida provisória. Foi um assessor que fez, mas eu trago para minha culpa. A responsabilidade é minha. Eu achei que ele foi muito para o lado pessoal. Tô chateado? Tô, porque ele foi muito para o lado pessoal”, disse na saída do Palácio da Alvorada.

Mello fez as críticas em entrevista publicada ontem pelo jornal O Estado de S.Paulo. Na quinta-feira (1), o STF decidiu manter na Funai (Fundação Nacional do Índio) a atribuição para demarcar terras indígenas. O principal argumento para barrar a transferência das demarcações foi o de que o presidente da República não pode editar duas vezes no mesmo ano legislativo medidas provisórias tratando do mesmo tema, já que isso é proibido pela Constituição Federal.

Em janeiro, o governo apresentou medida provisória que previa a transferência da demarcação para o Ministério da Agricultura. Porém, o trecho tratando da mudança foi rejeitado pelo Congresso Nacional. Em junho, nova medida provisória com o mesmo objetivo foi reapresentada, o que é proibido pela Constituição em um único ano.

 Em voto, Celso de Mello afirma que reedição de MP é “inaceitável”
UOL Notícias

Para Celso de Mello, ministro há mais tempo em atividade no STF, a edição de duas medidas provisórias com a tentativa de retirar as atribuições da Funai demonstra “autoritarismo” e “transgressão” à Constituição Federal.

“O comportamento do atual presidente revelado na atual edição de medida provisória rejeitada pelo Congresso no curso da mesma sessão legislativa traduz uma clara, inaceitável, transgressão à autoridade suprema da Constituição Federal e uma inadmissível e perigosa transgressão ao princípio fundamental da separação de Poderes”, disse Celso.

“Parece ainda haver na intimidade do poder hoje um resíduo de indisfarçável autoritarismo”, afirmou o ministro na sessão de quinta no Supremo.

No julgamento, o STF não chegou a analisar o mérito das ações contra a medida do governo, ou seja, não foi julgado se a retirada da Funai da atribuição de demarcar terras indígenas contraria a Constituição Federal.

O que foi julgado, e rejeitado, foi a possibilidade de o governo editar uma segunda medida provisória para tentar se sobrepor à decisão do Congresso.

O tema poderá voltar a ser analisado pelo STF para julgar a questão central das ações: a legalidade de se retirar essas atribuições da Funai.

Mágoa com decisão sobre homofobia

Na manhã de hoje, Bolsonaro reforçou as críticas a Celso de Mello, relembrando o fato de o Supremo ter julgado e equiparado o crime de homofobia como racismo em junho deste ano, citando o decano do STF como “autor da decisão”. O ministro foi relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão sobre o assunto. O caso foi julgado em plenário e a criminalização foi aprovada pela maioria dos ministros.

Para o presidente, a questão deveria ter sido tratada pelo Congresso Nacional. Apesar da crítica, disse respeitar todos os ministros do Supremo e acolher as decisões de acordo com a separação dos Três Poderes.

“Em algumas decisões fico chateado, mas fico quieto na minha. Até porque não posso criticar decisões de um Poder ou de outro. Eu tenho que acolher para a gente poder viver em harmonia. Essa é a minha intenção: vivermos em harmonia”, disse.

Ida a igreja evangélica

Na manhã de hoje, Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada por volta das 9h40 e parou para falar com simpatizantes que o aguardavam na portaria. Ele tirou fotos, gravou vídeos e conversou com presentes.

Depois, seguiu para comemoração de 25 anos da Igreja Fonte da Vida, evangélica neopentecostal. O presidente foi recebido aos gritos de “mito” ao entrar no templo. Convidado a ir ao palco, Bolsonaro abraçou o fundador da igreja, apóstolo César Augusto, agradeceu as palavras de apoio e, ao microfone, ressaltou o apoio da bancada evangélica no Congresso Nacional e disse “é o presidente aqui”. No Alvorada e no culto, o presidente esteve acompanhado do líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO).

Após o culto, Bolsonaro relembrou a polêmica em relação à filha Laura. Ele lembrou de declaração sua de que deu uma “fraquejada” pelo fato de ter tido uma menina e afirmou “quase que o mundo caiu na minha cabeça” na época. Então reclamou de poder ser processado caso alguém julgue ter a imagem denegrida. “Eu sou patrulhado 24 horas por dia, com esse politicamente correto”, queixou-se. “Tenho quatro homens e uma menina e ponto final”, disse.

ago
05

DO BLOG O ANTAGONISTA

Moro: “Folha não pode simplesmente reconhecer que errou”

Sergio Moro voltou a responder à Folha de S. Paulo sobre a tal palestra de 2016.

O ministro compartilhou no Twitter um artigo em que o jornal afirma que Moro distorceu a reportagem da Folha para justificar a suposta omissão do evento remunerado.

“Folha não pode simplesmente reconhecer que errou. Palestra à luz do dia, doação dos valores à caridade, pessoas com deficiência, valores declarados, cadastro de palestras do TRF4 criado só no ano seguinte, nota de resposta não publicada, nada a esconder.”

Moro disse também que omitiu a doação à caridade com o dinheiro que recebeu da palestra porque achou “que poderia soar como inadequada autopromoção”.

“Escusas agora pela revelação, mas preciso dela contra falsos escândalos. Há outras doações, mas os fatos importam mais do que a publicidade.”

ago
05

Do Jornal do Brasil

 

Imprensa massacrou meu filho, diz Bolsonaro sobre Eduardo nos EUA

“Que mania que tudo quanto é parente de político não presta. Eu tenho um filho que está para ir para os EUA”, diz presidente

DANIELLE BRANT

Para o presidente Jair Bolsonaro (PSL), a imprensa “massacrou” seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), indicado pelo capitão reformado a embaixador do Brasil em Washington, mesmo após a chancela do líder americano Donald Trump.

Bolsonaro deu declarações ao deixar o Palácio da Alvorada em direção a um culto da igreja Fonte da Vida, em Brasília. A fala ocorreu em meio a críticas de reportagem do jornal O Globo. O diário mostrou que a família Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares.

Macaque in the trees
Presidente da República, Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

“Que mania que tudo quanto é parente de político não presta. Eu tenho um filho que está para ir para os EUA e foi elogiado pelo Trump. Vocês massacraram meu filho. A imprensa massacrou, fritador de hambúrguer”, disse.

Na terça-feira (30), Trump disse estar “muito feliz” com a indicação e disse não considerar haver nepotismo.

“Eu acho o filho dele excelente. Ele é um jovem brilhante, maravilhoso. Estou muito feliz com a indicação, acho que é uma ótima indicação”, disse o chefe do governo dos EUA.

Para Bolsonaro, a indicação de Eduardo não é nepotismo, porque, em sua avaliação, o deputado federal “tem competência” para ocupar a embaixada do Brasil nos EUA. “Na relação do Eduardo, caso seja aprovado pelo Senado, no meu entender é muito boa para o Trump, o embaixador é um cartão de visita.”

O nome do deputado pode ser rejeitado em sabatina no Senado. Se isso acontecer, o presidente sugeriu que pode, no dia seguinte, demitir o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e colocar Eduardo em seu lugar. “Ele não vai ser o embaixador, ele vai comandar, entre embaixadores e agregados, 200 mundo afora. E daí? Alguém vai tirar meu filho de lá? É hipocrisia.”

O presidente disse ter certeza de que alguns senadores vão votar a favor da indicação. “Eu vim de lá, eu me sinto um deputado ainda. Conheço um montão de senadores ainda. Tem uns que nem preciso falar. Tenho certeza que vão votar. É uma casa política.”

O presidente criticou a reportagem do jornal O Globo. “Faz uma manchete que empreguei 102 com laços familiares. Eu não tenho 102 parentes. Como eu empreguei 102 parentes no gabinete dos meus filhos. Não dá para entender que tem uma mentira deslavada ali?”

Bolsonaro reconheceu já ter empregado parentes em seu gabinete, sem especificar quando isso ocorreu e qual o grau de parentesco. Segundo ele, isso ocorreu antes da súmula do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre nepotismo.

Ele acusou ainda a imprensa de atacá-lo há 30 anos. “Quando alguém vai embora do meu gabinete, alguém morre até, no velório, tem dez pedindo emprego. Tudo parente que está do meu lado. E é natural. Agora por que não fazem com os demais vereadores e deputados estaduais e federais, por que só em cima de mim?”

O presidente citou como exemplo o caso do ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti, “que tinha uma cacetada de parente com ele.” “E tinha do outro lado, fugiu o nome do parlamentar, defendendo o fim do nepotismo. Agora o outro que estava defendendo o fim foi pego na Lava Jato. Não botou parente, mas estava metendo a mão na Petrobras. Não tem nada a ver parente.”

ago
05
Posted on 05-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-08-2019


 

Miguel, NO

 

ago
05
Posted on 05-08-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-08-2019

Jornal do Brasil

 

Governadores do Nordeste criam bloco e consolidam polo à esquerda

Em contraponto à gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), eles se uniram em torno de um projeto comum e começam a consolidar um novo polo de poder na esquerda pós-Lula (PT).

Com a força política de suas canetas, os governadores dos nove estados do Nordeste –sete deles de partidos de esquerda– intensificaram agendas conjuntas, afinaram o discurso e tentam dar peso político à região onde vivem 55 milhões de brasileiros.

Macaque in the trees
Flávio Dino (Foto: Gilson Teixeira-SECAP)

Para isso, deixaram em segundo plano o debate sobre costumes, na qual a polarização com Bolsonaro tende a atingir níveis ainda mais críticos, e trouxeram para o centro da discussão temas com maior impacto no cotidiano da população, como emprego, saúde e segurança.

A estratégia ficou visível na última segunda (29), quando os governadores formalizaram em Salvador a criação do Consórcio Nordeste, entidade que viabilizará parcerias entre os estados da região.

Em entrevista à imprensa, eles negaram que a proposta fosse um contraponto a Bolsonaro. Mas, politicamente, todos os signos que apontavam nessa direção estavam lá.

Perfilados lado a lado, os governadores posaram para fotos após o lançamento do projeto. Atrás deles, um banner trazia um slogan com discurso nacional: “Consórcio Nordeste: o Brasil que cresce unido”.

A escolha não foi ao acaso. A ideia de união do slogan é um contraponto direto a Bolsonaro, que segue a lógica do conflito em seu governo.

Do grupo, despontam dois nomes que podem disputar a eleição presidencial em 2022: Flávio Dino (PC do B), do Maranhão, e Rui Costa (PT), da Bahia. No discurso de ambos, a ideia de contraponto também esteve presente, nem sempre de forma tão sutil.

Dino afirmou que o consórcio mostra uma “diferença muito clara entre formas de governar” de Bolsonaro e dos governadores nordestinos, que propõem “uma agenda real, sintonizada com as necessidades do Brasil”.

“Não queremos confusão, perseguição e conflito. Queremos união e paz em favor do Brasil. Mas também não aceitaremos agressividade e temos firmeza para defendermos nossos estados e nossa região”, afirmou Dino, que recentemente foi chamado por Bolsonaro de “pessoa intragável”.

Presidente do Consórcio Nordeste, Rui destacou por várias vezes a palavra união e citou o grupo como uma iniciativa para “ajudar o país a crescer e superar a crise”.

Três dias depois, quando voltou à cidade de Vitória da Conquista (BA) após embate com o presidente sobre o novo aeroporto da cidade, adotou tom mais duro: afirmou que Bolsonaro “não tem trabalho para apresentar” e acusou o governo federal de “dar calote” ao atrasar repasses para obras com recursos federais.

Mesmo com a postura crítica ao presidente, os governadores buscam mostrar-se como uma oposição mais palatável e abrangente. No campo político, eles têm um leque de aliados locais, que inclui o DEM no Maranhão, Ceará e Paraíba e o PP na Bahia, Pernambuco e Piauí.

Na esfera administrativa, os governadores buscam, com um perfil mais pragmático, descolar-se da esquerda. Falam em parcerias público-privadas, privatizações e modelos que impulsionem o crescimento econômico da região.

Em novembro, os nove gestores farão uma viagem conjunta a quatro países da Europa para conversas com investidores. Em outro contraponto a Bolsonaro, pretendem dar ênfase ao discurso ambiental como um ativo para quem pretende investir na região.

Um dos alvos é o setor de saneamento. A tendência é que as estatais no Nordeste abram capital ou firmem parcerias privadas para potencializar investimentos.

Esse movimento deve acontecer a despeito da oposição de partidos aliados (como o PT), que defendem o modelo estatal para as empresas de água e saneamento.

Os opositores dos governadores, por outro lado, veem o Consórcio Nordeste e a atuação conjunta como uma forma de “criar espuma” enquanto os estados enfrentam uma grave crise financeira, com investimentos em baixa e salários de servidores sem reajuste.

Diz o deputado Targino Machado (DEM), líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia: “Eles [governadores] criaram uma espécie de poder paralelo frente ao governo federal, mas no fundo querem apenas aparecer. Não tem como dar certo”.

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