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ACM Neto com Bolsonaro, em Conquista, dispara contra Rui:”raivoso e recalcado”…
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..é Rui Costa: petista deaiatiu na hora H de ir a inauguração do Aeroporto
Glauber Rocha, e neto ocupou o vácuo.
 

ARTIGO DA SEMANA

Duelos em Conquista: Bolsonaro e ACM Neto na terra de Glauber

Vitor Hugo Soares

Uma semana depois do embate, de formar labaredas no céu de Brasília, o duelo político, ideológico e pessoal que o presidente da República mantém  – desde que tomou posse no cargo – com a maior parcela dos governadores do Nordeste (banda chamada “de esquerda” do País) se transferiu para Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, em pleno coração da zona de litígio. Ali, Jair Bolsonaro desembarcou, dia 23, a convite do governador Rui Costa (PT), para a inauguração do Aeroporto Glauber Rocha – homenagem oficial ao famoso, polêmico e indomável filho do lugar –, da qual o petista desistiu na Hora H. No vácuo de poder entrou o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), hábil duelista e ganhador no saldo final da festa. Até uma indicação para futuro presidente recebeu do atual mandatário.

Neste quadrilátero impensável – Bolsonaro, Rui, Neto e Glauber – já começava a se delinear um desses “arranjos impossíveis”, na política e na convivência humana, de que só a Bahia é capaz,  no dizer de Raimundo Reis, um de seus melhores e saudosos cronistas. Tem mais, muito mais: visto, ouvido, ou ainda em segredo, a ser contado, sobre este duelo no berço do pai de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.  

A começar pela chegada do visitante, bem ao estilo messiânico e grandiloquente de “Terra em Transe”, a uma das mais desenvolvidas cidades do estado . Em lugar do comício “aberto ao povo”, planejado pelo governo do PT e seus aliados do PC do B – seguramente constrangedor para o convidado especial da festa – um calculado desfile presidencial entre centenas de convivas federais, estaduais e municipais escolhidos a dedo. O mandatário da União à vontade, senhor da situação na ausência de Rui, segue para o local de entrega da obra, – que custou mais de R$ 100 milhões, em recursos federais e do Estado da Bahia – sob aplausos e gritos de “mito”, “mito”. Ao lado, o prefeito da capital baiana, implac&aa cute;vel calo político e administrativo do governador. ACM Neto foi quem fez o primeiro disparo na nuca de Rui Costa, ao chamá-lo  de “furioso e recalcado”. O comentário ao pé do ouvido do presidente, devidamente captado em imagem e áudio, se espalharia como raio fulminante pelas asas das redes sociais.

Mais tarde, já com chapéu de vaqueiro do sertão nordestino na cabeça, Bolsonaro, com o prefeito de Conquista, Hérzem Gusmão (PMDB) ao seu lado, se encarrega das críticas ao governador Rui Costa, ao PT e suas linhas auxiliares na Bahia e na região. Depois faz juras, promessas e exalta “o sangue de cabra da peste nordestino que corre nas veias da minha filha caçula”. Depois,  pega o avião de volta para seu Palácio.  

Mesmo sem ser quase citado nos discursos e entrevistas, – salvo nas referências à obra inaugurada, – o espírito contestador de Glauber Rocha (protestante de fé e seguidor do positivismo de Augusto Comte) parece pairar sobre tudo e todos. Bem ao jeito e modo daquele incompreendido e politicamente massacrado  Glauber que, na volta do exílio em Portugal, em 1974, na explosiva entrevista à revista Visão – referencial na abertura política do País – chamou o general Golbery do Couto e Silva de“ um dos gênios da raça” e os militares de “legítimos representantes do povo”. Ousou mais ainda, quando comparou a importância do pensamento do general Golbery ao do antropólogo maior e amigo até a morte, D arcy Ribeiro.
Mais não digo. Está na história e todos podem consultar. Apenas reafirmo: “Glauber vive!” “Viva Glauber”!!!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br  

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