Opinião

Vinte e cinco anos do Real

Neste mês de julho de 2019 o Real comemora 25 anos. As novas gerações não se lembram, mas a inflação foi um flagelo. De dezembro de 1979 a julho de 1994, a inflação acumulada atingiu aproximadamente 12 trilhões por cento.

A renda do trabalhador era corroída pela alta crônica e crescente dos preços. Sofriam principalmente os trabalhadores mais pobres, sem organização sindical, a maioria. Onde o sindicato era forte, havia greve a toda hora: as empresas concediam aumentos salariais, mas os repassavam para o consumidor, alimentando a espiral inflacionária. Protegiam-se melhor dela os bancos, os grandes aplicadores, as empresas capazes de impor seus preços ao mercado e o governo, que tinha suas receitas indexadas e contava com a inflação para ajustar o valor real do seus gastos. Daí o aumento da pobreza e da desigualdade provocado pela inflação.O governo defendia o seu caixa, mas não conseguia planejar as suas ações. Nem as empresas, muito menos os pequenos empreendedores, as famílias e as pessoas. A inflação era um flagelo especialmente para os mais pobres, mas infernizava o país como um todo.

Foi nesse contexto que ouvi, perplexo, em Nova York, o presidente Itamar me perguntar pelo telefone se eu aceitaria trocar o Ministério das Relações Exteriores pelo Ministério da Fazenda. Era maio de 1993. Seria o quarto ministro da pasta em sete meses de governo. Disse-lhe que não deveria trocar o então ministro, Eliseu Rezende, mas que, ausente do Brasil, não sabia avaliar a situação. Ele respondeu que conversaria com o ministro e me informaria. Mais tarde mandou avisar que não precisava mais falar comigo. Fui para o hotel desanuviado, até ser despertado de manhã por minha mulher, Ruth, desgostada por eu haver sido designado para pasta tão difícil.

Voltei ao Brasil com meu chefe de gabinete, embaixador Sinésio Sampaio Góes. Disse-lhe que precisaria dele no novo ministério, pois não conhecia bem os funcionários de lá. Voei pensando no discurso de posse do dia seguinte. Repeti o mantra de José Serra: o Brasil tem três problemas; o primeiro é a inflação, o segundo também e… o terceiro, idem. Mas “com que roupa” poderia dirigir o Ministério da Fazenda? Sou sociólogo, embora haja trabalhado na Cepal e iniciado a carreira universitária na Faculdade de Economia da USP. Só havia um jeito: convocar uma boa equipe de economistas e cuidar da política. Tinha recebido carta branca de Itamar.

A isso me dediquei com afinco. O primeiro a topar foi Clovis Carvalho, a quem designei Secretário Geral. Edmar Bacha aceitou ser assessor. Consegui a nomeação de um jovem, Gustavo Franco, para a secretaria de Política Econômica, que seria chefiada por Winston Fritsch. Acompanharam-me ainda meu assessor no Senado Eduardo Jorge e um antigo aluno e amigo, Eduardo Graeff. No começo, imaginávamos um plano tradicional de controle dos gastos.

Foi a partir de uma sugestão de Bacha (a de se tomar como índice de correção monetária as Obrigações do Tesouro Nacional) que começamos a pensar em uma transformação mais profunda. Ali começou a nascer a URV, inspirada em texto teórico de André Lara Resende e Pérsio Arida, escrito dez anos antes. Mais tarde o presidente Itamar, sempre inquieto, proporcionou-me incluir ambos na equipe.

André substituiu Pedro Malan na chefia da negociação da dívida externa, enquanto este assumiu o BC, quando ao início de agosto de 1993 Itamar se desentendeu com o presidente anterior do banco e resolveu demiti-lo. Outro choque entre Itamar e um alto funcionário, desta vez o presidente do BNDES, me permitiu convencê-lo a escolher Pérsio Arida para o cargo. Daríamos a sensação de estar fazendo um novo Plano Cruzado. Embora não fosse certo, era tudo que Itamar queria.

Estava assim formada a equipe básica dos que trabalharam no Plano Real, que se reunia sob a batuta de Clovis Carvalho. Eu comparecia a algumas discussões. Quando a proposta era muito complicada, sobretudo com equações, dizia logo: esclareçam melhor porque eu terei de explicar tudo ao país. E foi o que fiz. Das decisões tomadas, duas devem ser destacadas. A primeira foi a sugestão de anunciar com antecipação tudo que faríamos, nada de surpresas! A segunda foi a de tomar cuidado com as questões legais. A essa tarefa Eduardo Jorge e Gustavo Franco se dedicaram, com apoio de profissionais do direito. Evitamos os erros jurídicos que ocorreram em outros planos.

Dediquei-me a explicar o Plano (tarefa que foi continuada com sucesso por Rubens Ricupero). Falei com cada bancada partidária no Congresso, com os principais líderes sindicais, inclusive os da CUT, com os ministros e, especialmente, com a Nação. Mudar o rumo de uma economia não é só tarefa técnica. É política. É de convencimento, e não apenas “dos mercados”, mas da população. Sem que a mídia e os comunicadores houvessem entendido e, até certo ponto, aceitado o desafio da estabilização da moeda, nada de profundo aconteceria. Mais ainda: a URV não era “um truque”, mas uma ponte sólida para uma moeda estável.

Um programa econômico da magnitude do Real é um processo, leva tempo. Requeria a renegociação da dívida externa, como fizemos antes de lançar a nova moeda, bem como a privatização de muitos bancos públicos, especialmente os estaduais, a negociação da dívida pública de estados e municípios e muitas outras medidas tomadas ao longo dos meus dois mandatos na presidência, culminando com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Foram necessários tempo, persistência e coragem. Só assim se ganha o que é fundamental: a credibilidade.

Por isso é importante relembrar os 25 anos do Plano Real. De novo,o país está em perigo. Mãos à obra, a começar pela Reforma da Previdência.

“Oba, lá vem ela”, Jorge Ben Jor: Benvindo Jorge com seu ritmo esfuziante e sua imbatível musicalidades. Ontem, hoje e sempre. Viva!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 

jul
16

Do Jornal do Brasil

 

BUENOS AIRES (Reuters) – A corrida presidencial da Argentina parece a caminho de ser decidida em cima da hora, já que a primeira leva de pesquisas aponta um empate técnico entre o atual presidente, Mauricio Macri, e seu adversário de centro-esquerda, Alberto Fernández.

Meia dúzia de sondagens analisadas pela Reuters mostram que a eleição, um referendo sobre as dolorosas reformas de mercado adotadas por Macri para reduzir os níveis da dívida do país, provavelmente terá um segundo turno, sem nenhum vencedor claro emergirá da votação inicial de 27 de outubro.

Macaque in the trees
Casa Rosada (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

As sondagens, feitas por uma série de institutos de pesquisas locais, se dividiram sobre quem venceria um segundo turno – mas todas indicam que nenhum candidato alcançará a marca de 45% dos votos necessária para vencer na primeira rodada.

“É como lançar uma moeda”, disse o analista de pesquisas Jorge Giacobbe à Reuters. “Essa moeda, atualmente, ainda está no ar”.

As sondagens apontam para meses tensos pela frente para a Argentina e seus mercados nervosos, mas também sugerem que os dois lados precisarão fazer concessões para conquistar o eleitor médio, podendo suavizar políticas mais polêmicas.

Macri, um conservador pró-mercado, viu sua popularidade ser golpeada por uma recessão e uma crise econômica que abateram o peso no ano passado e desencadearam uma inflação de quase 50%.

Recentemente o ex-magnata dos negócios recebeu um impulso de alguns sinais econômico positivos, dentre eles o fortalecimento do peso e uma redução da inflação.

Alberto Fernández, candidato inesperado da oposição peronista, encabeça uma chapa composta pela ex-presidente Cristina Kirchner, uma populista militante que tem um séquito ardoroso e que muitos acreditavam que seria a principal desafiante de Macri.

Os institutos de pesquisas disseram que, como Macri e Cristina são impopulares com grandes parcelas do eleitorado, a eleição pode pender para quem conquistar o eleitor médio. Fernández é visto como uma voz moderada dentro do peronismo.

As empresas de pesquisa Ricardo Rouvier & Asociados, Raúl Aragón & Asociados e Tendencias mostram Fernández vencendo os dois turnos. A Management & Fit e a Synopsis, por outro lado, preveem uma vitória apertada de Macri depois de ficar em segundo no primeiro turno.

jul
16

Ciro Gomes voltou hoje a comentar a situação de Tabata Amaral no PDT. Em entrevista ao Estadão e à Rádio Eldorado, o pedetista disse que a deputada faz “dupla militância” — por representar, além do partido, o movimento Acredito, do qual é uma das fundadoras.

“Ela só tem 25 anos. E ela entrou no Brasil nesse negócio que é dupla militância. Ela pertence a alguns movimentos que são financiados pelos miliardários brasileiros e que colocaram a faca no pescoço de todo mundo”, afirmou Ciro. “Vai ser um sofrimento eterno a dupla militância dela e de quem mais vier com esse papo furado.”

Ciro disse também que “ninguém pode servir a dois senhores”.

Na semana passada, Carlos Lupi, presidente do PDT, já havia adotado o mesmo discurso. “Ela obedece ao Acredito ou ao PDT?”, questionou o dirigente.

Do Jornal do Brasil

 

CAROLINA LINHARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Três ações em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pedia indenização por danos morais a pessoas que divulgaram postagens ofensivas no Facebook sobre a morte de seu neto acabaram indeferidas pelo juiz Carlos Visconti, do Juizado Especial Cível de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

O magistrado não chegou a analisar o mérito das ações, apenas extinguiu os processos porque sua tramitação não caberia ao Juizado Especial Cível. A defesa do ex-presidente já ingressou com novas ações contra as mesmas pessoas, mas dessa vez na Justiça comum.

Macaque in the trees
Lula (Foto: Reprodução de vídeo)

O neto de Lula, Arthur Araújo Lula da Silva, 7, morreu no dia 1º de março, vítima de infecção generalizada originada pela bactéria Staphylococcus aureus. O ex-presidente foi autorizado a deixar a prisão em Curitiba e acompanhou o velório do neto.

A decisão do juiz Visconti, proferida na última quarta (10), afirma que o Juizado Especial Cível, que julga pequenas causas, não era o foro adequado para a demanda de Lula, pois não atende pessoas presas.

Além disso, os juizados especiais são destinados a casos céleres, e a demanda de Lula, por requisitar ao Facebook que identificasse os responsáveis pelos perfis de onde partiram as ofensas, poderia ter uma tramitação demorada. Por isso, o magistrado encerrou as ações.

Os três processos haviam sido propostos entre os dias 9 e 10 de julho e pediam R$ 1.000 de indenização por danos morais a três usuários do Facebook distintos.

Após a extinção dos processos, na sexta (12), a defesa de Lula ingressou com três novas ações idênticas, que agora tramitam na Justiça comum. Não houve decisão sobre elas.

Também tramita em São Bernardo do Campo uma ação de Lula que pede R$ 50 mil em indenização por danos morais a uma blogueira que tratou a morte da criança como uma boa notícia. Essa ação foi proposta em maio passado.

A ação de Lula pede que o Facebook forneça dados cadastrais do perfil da blogueira e que exclua as postagens ofensivas -o que já foi feito pela própria autora.

Segundo os advogados que atuam no caso, o perfil da blogueira aparentemente é fake e, por isso, foi solicitado ao Facebook o IP e os dados do perfil. A rede social ainda não respondeu ao pedido.

A intenção dos advogados é que o Facebook exclua a página da blogueira.

jul
16
Posted on 16-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-07-2019

Dirigentes alertaram o jogador que se permanecesse em rebeldia no Brasil não poderiam vendê-lo já que sua desvalorização prejudicaria a reputação do Qatar, proprietário do clube

Madri
Neymar, durante um torneio de exibição no Brasil.
Neymar, durante um torneio de exibição no Brasil. Andre Penner AP

A tensão entre Neymar Júnior e o PSG chegou a níveis máximos na semana passada. O presidente do clube francês, Nasser Al-Khelaifi, enviou vários intermediários, além de seu diretor esportivo, Leonardo, para aumentar o grau das advertências com o passar dos dias sem que pai do jogador — que também se chama Neymar e é seu empresário — garantisse o retorno de seu filho a Paris. Diante da contínua ameaça de rebeldia, fontes da administração do clube contam que Al-Khelaifi chegou a ameaçar deixar Neymar na geladeira, condenando-o a não jogar até completar seu contrato em 2022. O dirigente não pode tolerar que essa crise prejudique ainda mais a imagem de uma instituição profundamente ligada ao Estado do Qatar.

Ao escutar que em Paris ameaçavam seu filho para que interrompesse imediatamente suas férias brasileiras, Neymar pai respondeu há uma semana dizendo que isso não ficaria assim. Que o PSG não só havia quebrado a promessa feita em 2017 quando convidaram seu filho a fazer parte do rojeto na condição de principal estrela, como o traíam tentando vendê-lo a qualquer custo.

Al-Khelaifi passou da decepção à raiva quando, em pleno suspense, um agente muito próximo ao jogador disse a ele que Neymar estava disposto a diminuir seu salário a 24 milhões de euros (101 milhões de reais) líquidos se assinasse pelo Barcelona, como era seu desejo. No PSG, não importa a situação, a estrela recebeu 47 milhões de euros (197 milhões de reais) líquidos por temporada. A ideia de que Neymar preferia receber menos para abandonar o PSG, onde lhe permitiram levar sua vida à margem da disciplina profissional do elenco, enfureceu Al-Khelaifi. Indignado ao ver que o jogador postergava sua confirmação da viagem de retorno, o presidente enviou Leonardo para dizer ao pai que se o menino não se apresentasse na segunda-feira teria o mesmo destino de Rabiot, que o clube deixou na geladeira por insubordinação na temporada passada. Recebendo salário e sem encostar na bola. O dinheiro não era um problema para o PSG. Podia se dar ao luxo de reter Neymar pagando-lhe seu salário mesmo sem jogar.

Os assessores da diretoria do PSG afirmam que, ao saber da ameaça, o pai de Neymar respondeu em tom sarcástico. Disse a Leonardo que não era a mesma coisa deixar Rabiot, que ganha um milhão de euros (4 milhões de reais), na geladeira, e mandar Neymar passar a temporada tranquilamente em casa recebendo 47 milhões enquanto o restante de seus colegas, que com sorte ganham a metade, devem se esforçar para levar a equipe à vitória. O motim era coisa certa. “Em três semanas vocês terão Mbappé pedindo 100 milhões de euros (420 milhões de reais) por ano”, alertou o pai.

Após calcular o desafio, dizem no clube que Al-Khelaifi e Leonardo ficaram desconcertados. Na quarta-feira passada voltaram a ligar para o pai do jogador diminuindo o nível de agressividade. Dessa vez, convidaram os Neymar para viajar a Paris e encontrar o quanto antes a solução que todos procuram: uma venda rápida e politicamente assumível. O PSG informou o pai de que o caráter do clube como símbolo do Estado soberano do Qatar lhe impedia de comprometer gravemente a dignidade da instituição e isso ocorreria caso vendessem Neymar por menos de 100 milhões de euros após tê-lo contratado por 222 milhões (934 milhões de reais) há dois anos. Se permanecesse no Brasil por mais tempo, seu preço, disseram, cairia vertiginosamente até impedir a operação por razões políticas. O Qatar não pode se permitir projetar uma imagem de incompetência.

Ao que parece, de acordo com fontes do clube parisiense, essa foi a única razão que convenceu o pai de Neymar a alterar uma estratégia de rebeldia que, segundo a ortodoxia negociadora, sempre beneficia o jogador. Os Neymar compreenderam que o PSG, para o bem e para o mal, escapa aos códigos do futebol. A passagem de retorno a Paris foi a primeira consequência.

jul
16
Posted on 16-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-07-2019


 

Miguel, no (PE)

 

Por Laís Lis, G1 — Brasília

Empresa de telemarketing — Foto: Algar Tech/ Divulgação Empresa de telemarketing — Foto: Algar Tech/ Divulgação

Empresa de telemarketing — Foto: Algar Tech/ Divulgação

 

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou nesta segunda-feira (15) que a partir desta terça (16) quem não quiser mais receber ligações de telemarketing das empresas de telecomunicação poderá se cadastrar na chamada lista do “não perturbe”.

A lista nacional e única vale para clientes das empresas Algar, Claro/Net, Nextel, Oi, Sercomtel, Sky, Tim e Vivo. Ainda segundo a Anatel, o prazo para o bloqueio é de 30 dias após a solicitação do cliente.

As prestadoras que descumprirem a regra podem ser advertidas ou penalizadas com multa no valor de R$ 50 milhões.

 
Sistema que bloqueia ligações indesejadas de telemarketing entra em operação na terça (16)

Sistema que bloqueia ligações indesejadas de telemarketing entra em operação na terça (16)

A implementação da lista nacional de “não perturbe” regula apenas as chamadas feitas pelas empresas de telecomunicação, e não se estende a chamadas realizadas por companhias de outros setores.

O cadastro poderá ser feito no site criado pelas empresas, que entrará no ar nesta terça. Na página, o usuário terá de inserir o CPF da linha telefônica que deseja cadastrar para não receber mais ligações de telemarketing e selecionar quais das companhias quer bloquear.

De acordo com a Anatel, também será possível bloquear especificamente um serviço oferecido pelas empresas de telecomunicação: telefonia fixa, celular, internet e TV por assinatura.

Lista

A criação da lista foi uma determinação da Anatel. Segundo a agência, as empresas não poderão mais fazer ligações telefônicas com o objetivo de oferecer seus pacotes ou serviços de telecomunicações para os consumidores que registrarem seus números na lista nacional.

De acordo com a Anatel, estudos de mercado estimam que pelo menos um terço das ligações indesejadas no Brasil sejam realizadas com o objetivo de vender serviços de telecomunicações, que só podem ser prestados por empresas reguladas pela agência.

A lista de “não perturbe” deve ser única e o meio de acesso a ela, ou seja, onde o consumidor poderá registrar seu número, também deverá ser único, fácil e amplamente divulgado pelas prestadoras.

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