” ESSA É PRO JOÃO”, Rosa Passos e Arnoldo Medeiros. A composição é uma homenagem e um agradecimento pessoal da notável intérprete baiana da bossa nova ae Rosa Passos ao conterrâneop João Gilberto, feita em 2004. Gravada no álbum Amorosa, segue mais atual que nunca

A canção vai dedicada à prima querida e admirada colega de profissão, aniversariante desta semana, que ama a música de Rosa e de João. Viva.

(Vitor Hugo oares)

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Ouvindo atentamente na vitrola
Seu jeito encantado de cantar
Eu tento resistir aos seus acordes
Mas só consigo me apaixonar e confessar
De tudo que meu coração precisa

Fundamental é mesmo um violão
O som inesquecível da batida
Em um samba harmonizado por João
Por João

E nesse nunca chega de saudade
A sua inconfundível divisão
É toda infinita poesia
Que faz da melodia uma ilusão

João Gilberto, amigo, eu só queria
Lhe agradecer pela lição
Desses seus acordes dissonantes
Desse seu cantar com perfeição

E até o apagar da velha chama
Eu quero sempre ouvir o mesmo som
Só privilegiados tem ouvidos
Mas muito poucos deles tem seu dom
Seu dom, que bom

 

 

 

 

Macristas e kirchneristas sobem o tom a um mês das primárias preparatórias para as eleições gerais de outubro

elecciones argentina
O presidente Mauricio Macri fala para 400 dirigentes de sua aliança, Juntos pela Mudança, na quarta-feira em Buenos Aires. Telam
Buenos Aires

 

“Narcotraficantes”, “mentirosos”, “traidores da pátria”, “violentos”. É preciso voltar às campanhas dos anos cinquenta e sessenta, quando o peronismo estava proscrito e a democracia era presa dos militares, para encontrar acusações de calibre semelhante às trocadas pelas duas forças que disputarão em outubro a presidência da Argentina. O clima está cada vez mais tenso a um mês das primárias de 11 de agosto, a eleição que definirá as listas definitivas de candidatos e medirá as forças reais dos dois lados. As pesquisas mostram um crescimento lento, mas persistente, do presidente Mauricio Macri, que disputará a reeleição, e uma estagnação de Alberto Fernández, o homem que encabeçará a chapa que tem Cristina Fernández de Kirchner como candidata a vice-presidenta. Macri e Fernández estão hoje empatados e monopolizam, juntos, quase 80% das intenções de voto, enquanto a polarização extrema continua esquentando os ânimos.

Os apelos à divisão são um fator herdado do longo confronto entre macristas e kirchneristas. Todos conhecem as fraquezas do adversário e, na ausência de propostas concretas, as campanhas insuflam o medo em relação ao outro lado. Os discursos da última semana foram claros. O macrismo diz que se a chapa Fernández-Kirchner ganhar, os investidores entrarão em pânico, a economia despencará e a Argentina será, finalmente, como a Venezuela. Para o kirchnerismo, se a dupla Macri-Miguel Ángel Pichetto vencer, haverá mais pobreza e desemprego e o país cairá vítima do FMI e do apetite imperialista dos Estados Unidos.Os pontos intermediários desapareceram depois da debandada dos peronistas não kirchneristas em direção a algum dos extremos eleitorais. O senador Pichetto, outrora kirchnerista, está do lado de Macri, enquanto Sergio Massa, um peronista que era a voz dos governadores do interior contrários a Cristina Kirchner, aliou-se à ex-presidenta. O ex-ministro de Economia Roberto Lavagna, timoneiro da crise de 2001, não aderiu a nenhum lado e continua como terceira opção, mas está muito longe dos dois favoritos.

A campanha eleitoral do macrismo é o oposto daquela que o levou a poder em 2015. Encurralado pela crise econômica e pela inflação, Macri já não promete pobreza zero nem “chuva de investimentos”. Na quarta-feira, o presidente disse a 400 dirigentes de sua aliança eleitoral reunidos em Buenos Aires que um triunfo do kirchnerismo “seria perder duas ou três gerações antes de encontrar o caminho”. Macri se mostrou amável e deixou as palavras mais duras a cargo de Pichetto. O kirchnerismo, disse o senador, vai impor “um modelo autoritário, um cepo [controle cambial] e uma economia rígida com forte intervenção do Estado”. O encontro deu o tom do que está por vir. Até o prefeito da capital, Horacio Rodríguez Larreta, sempre moderado e de amplo sorriso, disse em tom vulgar que os kirchneristas “cagaron a tiros [abriram fogo] entre duas facções em um frigorífico e nos patotearon [agrediram] no Obelisco”, referindo-se a um incidente ocorrido quarta-feira, quando a polícia tentou dispersar um protesto de organizações sociais. E Cristina Kirchner? “Eles a mantêm escondida”, disparou.

Na verdade, Kirchner não está escondida, mas sim muito longe da Argentina: na semana passada ela viajou para Cuba, onde sua filha Florencia está internada desde janeiro com depressão. Enquanto isso, a campanha da oposição ficou nas mãos de Alberto Fernández. As circunstâncias colocaram o candidato na defensiva. O macrismo o lembra de que há poucos meses ele criticava duramente a ex-presidenta e agora, em campanha, faz malabarismo para justificar seu status de candidato. Na quarta-feira, Fernández discutiu com os jornalistas que o esperavam na saída do tribunal onde prestou depoimento como testemunha em um processo contra sua chefa política. Mais tarde, criticou outro repórter em uma rádio.

Jaime Durán Barba, artífice da campanha de Macri, elaborou um plano para triunfar “no cenário eleitoral mais polarizado do continente”, como disse naquele encontro partidário. “As pessoas não acreditam nem sentem que seja necessária uma terceira alternativa. Essa polarização está cada vez mais forte e não é impossível que [a eleição] seja decidida no primeiro turno”, assinalou. A necessidade de ganhar no primeiro turno pressiona o macrismo, que abandonou o discurso de paz, amor e reconciliação que usou em 2015. As pesquisas, por enquanto, alimentam a esperança do atual presidente. Segundo os institutos Management & Fit e Opinaia, a vantagem da chapa de Fernández e Kirchner diminuiu e está agora entre 1,7 e 3 pontos porcentuais, um empate técnico. Em maio, a vantagem sobre a chapa de Macri e Pichetto estava entre 5 e 8 pontos.

O cenário, no entanto, pode mudar drasticamente. A popularidade de Macri, que nessas mesmas pesquisas tem 50% de desaprovação (tanto quanto Cristina Kirchner), depende da economia. A Argentina soma oito semanas de paz cambial graças ao dinheiro do FMI, o consumo ? graças a milionários planos de incentivo ? deixou de cair, e a inflação, esse grande carma argentino, dá sinais de desaceleração. Os analistas esperam que o índice de inflação referente a junho fique abaixo de 3%, um número catastrófico para qualquer país, mas que na Argentina é uma boa notícia. O problema de Macri é que se ele não vencer Fernández e Kirchner com folga nas primárias, as turbulências econômicas poderão voltar. Se o peso despencar, o kirchnerismo crescerá nas pesquisa e recuperará o entusiasmo eleitoral. Os argentinos votam com a cabeça, mas também com o bolso.

Do  Jornal do Brasil

 

Em uma série de publicações em rede social nesta sexta-feira, a deputada estadual de São Paulo Janaína Paschoal (PSL) defendeu que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recuse o convite para assumir a embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos.

“Muito se está a falar sobre eventual nepotismo, sobre capacidade, sobre ser necessário (ou não) integrar a carreira diplomática. Mas eu analiso a questão sob outro ângulo. O que pensam os quase dois milhões de eleitores do Deputado?”, afirmou em uma das publicações.

Macaque in the trees
Deputada Janaína Paschoal (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A deputada disse não questionar a capacidade do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), nem a possibilidade jurídica, mas afirmou que, por ter conquistado muitos votos -ele foi o deputado mais bem votado da história- e levado deputados para a Câmara, ele teria uma posição de liderança e precisaria exercer esse papel.

“Eduardo tem muito a fazer na Câmara e na Presidência Estadual do PSL. Sei que o convite é muito tentador. Mas o certo é recusar. Ele assumiu responsabilidades no Brasil. Precisa cumprir. Basta agradecer a deferência e declinar.”

Ela concluiu afirmando que o povo “precisa ser respeitado”. “Quem fez Eduardo Bolsonaro Deputado Federal foi o povo. Isso precisa ser respeitado. Crescer, muitas vezes, implica dizer não ao pai.”

O presidente anunciou na quinta (11) que decidiu indicar seu filho Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. “Da minha parte, eu me decidi agora, mas não é fácil uma decisão como esta estando no lugar dele e renunciando ao mandato”, disse ele em entrevista a jornalistas.

O presidente afirmou que o filho fala inglês com fluência, tem boa relação com a família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e “daria conta do recado perfeitamente”.

“É uma coisa que está no meu radar, sim, e existe a possibilidade. Ele é amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo. Poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente”, ressaltou.

Nesta sexta, Eduardo Bolsonaro afirmou que recebeu o apoio do chanceler Ernesto Araújo para assumir a embaixada do Brasil em Washington após se reunir com o ministro das Relações Exteriores.

Ao responder sobre suas qualificações para assumir um dos mais importantes postos na diplomacia brasileira, o parlamentar disse que fez intercâmbio nos Estados Unidos e “fritou hambúrguer no frio do Maine”.

“É difícil falar de si próprio. Mas não sou um filho de deputado [presidente] que está do nada vindo a ser alçado a essa condição. Existe um trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores [da Câmara], tenho uma vivência pelo mundo”, declarou Eduardo, na saída do Palácio do Itamaraty.

“Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine, estado que faz divisa com o Canadá. No frio do Colorado, numa montanha lá, aprimorei meu inglês. Vi como é o trato receptivo do norte-americano para com os brasileiros. Então acho que é um trabalho que pode ser desenvolvido. Certamente precisaria contar com a ajuda dos colegas do Itamaraty, dos diplomatas, porque vai ser um desafio grande. Mas tem tudo para dar certo”, concluiu. 

Ele reafirmou que a ida aos EUA colocaria a relação do Brasil em “um outro patamar”, por se tratar de um embaixador que seria filho do presidente da República. E descartou que sua nomeação possa se enquadrar nas regras que vedam o nepotismo.

O parlamentar voltou a afirmar que a indicação para o posto ainda é uma possibilidade e que até este domingo (14) deve se reunir com seu pai para definir a questão.

Do Jornal do Brasil

 

Para ele, político deveria ficar no Congresso para combater o “Foro de SP”

RICARDO DELLA COLETTA

 

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O escritor Olavo de Carvalho afirmou nesta sexta-feira (12) que a ida do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada do Brasil em Washington seria um “retrocesso” e representaria “a destruição da carreira” do parlamentar. 

Em um vídeo publicado no YouTube, o guru da família Bolsonaro disse que o deputado assinou um requerimento para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o Foro de São Paulo –organização que reúne partidos de esquerda na América Latina– e que ele deveria se dedicar a esse tema no Parlamento. 

“Essa CPI arrisca ser o acontecimento mais importante da nossa história parlamentar”, disse Olavo. 

“Você não pode começar uma coisa dessa envergadura, desse valor e importância, para depois assumir um posto diplomático em que você não vai poder nem falar do assunto. O diplomata tem lá as suas obrigações regulamentares e não vai poder nem ficar falando do Foro de São Paulo. Isso seria um retrocesso, seria a destruição da carreira do Eduardo Bolsonaro”, acrescentou o escritor, que vive no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. 

Apesar de ter se manifestado contra a eventual nomeação, Olavo destacou que “está com Eduardo e com o seu pai até a morte” e que é amigo dos dois.  

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na quinta-feira (11) que decidiu indicar seu filho Eduardo como embaixador do Brasil nos Estados Unidos, mas que a decisão de aceitar ou não o cargo cabia ao deputado. 

A fala do mandatário ocorreu um dia depois do aniversário de 35 anos do parlamentar, idade mínima requerida para o posto.

A divulgação ocorreu fora dos padrões diplomáticos –a praxe é que o nome de um novo embaixador só seja conhecido depois de consultas formais ao país que receberá o novo embaixador, um trâmite conhecido por agrément.

A possibilidade gerou fortes reações, que vão desde comentários sobre a inexperiência de Eduardo para ocupar a principal função da diplomacia brasileira no exterior a críticas de que o caso configuraria nepotismo.

Tanto Bolsonaro quanto Eduardo dizem que não há nepotismo na indicação. Eles argumentam que o envio do filho do presidente da República para Washington colocaria as relações dos dois países em um outro patamar e ajudaria a estreitar os laços entre Brasil e Estados Unidos.

jul
14
Posted on 14-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-07-2019

Ciro Gomes diz que ‘está sofrendo com a questão da Tabata’

 

Durante evento em São Paulo, Ciro Gomes afirmou neste sábado que “está sofrendo” com a questão da Tabata Amaral — deputada do PDT que votou a favor da reforma da Previdência.

“Se tem alguém que está sofrendo com esta questão da Tabata, esse alguém sou eu. Sabe quem recrutou a Tabata, a estimulou a entrar na política, assinou a filiação dela? Fui euzinho aqui”, afirmou, segundo relato da Veja.

Cultura

“Pedir esmola funciona para um jornal”, diz Jeff Jarvis, guru que há anos prega novas ideias sobre o ofício

O professor Jeff Jarvis na sede do EL PAÍS em Madri.
O professor Jeff Jarvis na sede do EL PAÍS em Madri. Carlos Rosillo
O professor Jeff Jarvis tem um dos trabalhos mais infelizes do mundo: guru do futuro do jornalismo. A longa crise do ofício resiste por enquanto a todos os tipos de profecias. Mas Jarvis, professor da City University de Nova York, continua sugerindo novas ideias apesar de previsões erradas anteriores. Seu entusiasmo é contagiante: a Internet mudou tudo, mas continua existindo demanda de informação.

Continuamos em uma transição que talvez dure mais uma década. Nos Estados Unidos, com mais de 3.000 demissões, esse ano ruma para ser o pior para jornalistas em uma década: e isso porque entre 2009 e 2017 as redações norte-americanas já perderam 23% de seus repórteres. Jarvis, pelo visto, acha que deve ser mais radical. Falou com o EL PAÍS em sua passagem por Madri para o encontro da Associação Internacional de Pesquisa de Imprensa e Comunicação (IAMCR na sigla em inglês), realizado na Faculdade de Ciências da

informação da Universidade Complutense de Madri.

Pergunta. O senhor está há mais de 10 anos tentando adivinhar como será o jornalismo do futuro.

Resposta. Não fui bem-sucedido.

P. Nesses 10 anos ocorreram histórias de sucesso: New York Times, Washington Post, Guardian. Mas jornais menores e países e regiões com audiências menores continuam sofrendo.

R. Isso acontece por serem negócios fantásticos. Em muitas cidades dos Estados unidos eram monopólios. Existiam jornais que no ano 2000 ganhavam 40 milhões de dólares (150 milhões de reais) somente com anúncios classificados. E puf, tudo desapareceu. É muito difícil se desmembrar e se recompor. É difícil abandonar algo que deseja que continue sempre assim.. Há anos o senhor tenta encontrar soluções que desmoronam.

R. Posso ser um farsante. Não defendo que eu tenha razão.

P. O jornalismo empreendedor, por exemplo.

R. Sim, acreditava que os blogues superlocais seriam um pilar do ecossistema do futuro. Mas é muito difícil e arriscado. Os jornalistas não querem vender e tocar um negócio. Eu me enganei. Não é um pilar. Também existem coisas interessantes em jornalismo sem fins lucrativos: Texas Tribune, The City em Nova York, Propublica. É excitante, mas não há financiamento suficiente para resolver todo o problema.

P. A solução é um mistério, mas e o problema?

R. A evidência é clara: precisamos mudar. Há muitas oportunidades. Enquanto enxergarmos a Internet como uma ameaça, ficaremos incomodados. Se olharmos a Internet como a base para mudar nossa relação com o público, há base para algo. Na verdade, acho que não fui radical o bastante.

P. Mas sem dúvida é o mais radical.

R. Não fui radical o suficiente com o futuro. Agora penso assim: precisamos repensar para que serve o jornalismo em uma sociedade, começar a enfrentar os problemas e aprender com outras disciplinas. Se estamos muito polarizados e as comunidades não se entendem entre si, é preciso construir pontes. Temos também que aprender com os antropólogos e perguntar a eles como entender uma comunidade, como escutá-la, como conseguir evidência, como se conectar. Há também uma crise de Inteligência: como é possível que 40% dos americanos achem que Donald Trump vale a pena? Precisamos olhar a neurociência. O que diz a ciência sobre o fato das pessoas se enganarem sobre seus melhores interesses?

P. O senhor usa uma metáfora sobre uma casa em chamas. Enquanto ela queima, a indústria deve construir uma nova moradia diferente em outro lugar. Mas não é mais correto dizer que estamos reconstruindo a mesma casa enquanto queima?

“Posso ser um farsante. Não defendo que eu tenha razão”

R. Sim. As empresas continuam dependendo do volume: os anúncios do papel, os cliques, a publicidade programática online. Estão fechadas em um ciclo. Não podem reconstruir a casa em chamas e ao mesmo tempo criar mais chamas.

P. É difícil se libertar?

R. Olhamos o Google e o Facebook, vemos seu alcance e queremos ser como eles. Continuamos no negócio das massas. É um problema fundamental. Temos que aprender a personalizar, temos que aprender valor. Devemos repensar nossa economia ao redor da variável usuário valioso. O Telegraph optou por um muro de pagamento (pay wall), o Guardian por ter membros, mas os dois passaram por um processo de redução do conteúdo. Antes só produziam páginas visualizadas.

P. O problema é onde cortar.

R. Um, deixe de copiar os outros. Seja único. Não faça notícias baratas, comuns. Algumas devem ser feitas, mas não gaste dinheiro nisso. Dois, procure valor. O que é valioso na vida das pessoas? O que posso fazer que elas realmente irão usar? Isso inclui jornalismo investigativo, inclui agir como vigilantes do poder. Mas não falo de oferecer somente jornalismo. Tenho uma posição única no mercado. Um jornal de Seattle está premiando os jornalistas pela quantidade de assinaturas que conseguirem com seus artigos. Também não irá funcionar. Porque, primeiro, acontece só uma vez. Segundo, é mais uma métrica, mas há algo que cause retenção? Precisamos de novas métricas sobre valor. É necessário inventar algo novo.

P. O negócio do jornalismo era o conteúdo.

R. Já não pode ser a única recompensa. É preciso oferecer acesso a membros de uma comunidade, a contatos com jornalistas, a eventos, descontos, educação.

P. É fácil imaginar jornalistas lendo isso e pensando ‘que complicado’.

“As empresas continuam dependendo do volume: os anúncios do papel, os cliques, a publicidade programática”

R. Sim. Mas com um muro de pagamento você limita as conversas, separa seus leitores. Os que gostarem muito de você, pagarão. Mas limita sua influência.

P. Os muros de pagamento não são uma salvação?

R. Estamos enganados se acreditamos que são a salvação. Sempre esperamos o próximo messias: tablets, publicidade programática, muros de pagamento. Acabo de ver um estudo do Instituto Reuters de Oxford e descobriram que a metade dos pagamentos de assinaturas digitais vai para três marcas: New York Times, Washington Post e Wall Street Journal. De modo que se você é o Cleveland Plain Dealer seguir adiante é um desafio: não tem a mesma audiência e alcance, a mesma conversa leitor-assinante, não pode cobrar o mesmo, irá perder mais assinantes porque não é tão valioso. Os muros não irão salvá-lo.

P. Algumas marcas irão se salvar.

R. Trabalho com o Guardian, que optou por não erguer um muro para que seu jornalismo estivesse disponível para todos, com o que concordo. Trabalho com eles em seu programa de membros. Imediatamente percebemos que não se tratava de membros, e sim de mendigar. E pedir esmola funciona.

P. Funciona nos Estados Unidos e no Reino Unido.

R. Funciona nos Estados Unidos e um pouco menos no Reino Unido. Há oportunidades para que uma empresa de comunicação obtenha dinheiro do consumidor. Isso não significa necessariamente um muro. Muita gente dá dinheiro ao Guardian e não entra regularmente, mas está preocupada pelo meio ambiente. Por que o Guardian não cria um movimento ambiental? Têm uma oportunidade de comunidade: não pertencer ao Guardian e sim ao clube. É preciso procurar novas afinidades. As pessoas estão aí não só porque gostam de nossa marca. Sei que é difícil.

P. A reputação da imprensa é baixa. Talvez o jornalismo precise deixar de ser feito por alguém chamado jornalista?

R. Temos um papel diferente. Já não se trata somente de produzir conteúdo. É preciso pensar o que fazer com a sociedade. Meu conselho é ter coragem e testar novas ideias malucas.

P. Qual é sua opção agora?

R. Uma estratégia baseada na relação com comunidades. Precisamos ampliar a definição de comunidade. Quando pergunto aos meus alunos de jornalismo social em Nova York de quais comunidades são membros, começam com obviedades: moro no Queens, sou estudante. Então alguém na classe diz: ‘Tenho problemas de saúde mental’. Bum, a discussão muda. Há outro que diz o mesmo e, de repente, há uma conexão. É uma pequena comunidade. Temos que ampliar o conceito de comunidade além do óbvio da geografia e da demografia. Uma comunidade não são os millenials, e sim os proprietários de gatos e pais jovens. Não existem muitas notícias sobre cocô de bebê e fraldas, mas por que não podemos oferecer-lhes um mapa de sua cidade acessível aos carrinhos?

“Estamos enganados se acreditamos que as barreiras de pagamento são a salvação”

P. Mas isso ganha relevância? Serve para grandes redações?

R. Sempre ouço que não. Vamos trabalhar com diabéticos em Madri. Vamos fazer bem feito. Aprendendo a fazê-lo, poderemos repetir para muitas outras comunidades. Não acho que tenha sido feito em jornais. Quero ver.

P. Pode ser outra invenção fracassada.

R. Claro. Continua sem estar demonstrado. Há uma pequena empresa, a Spaceship Media, que por enquanto funciona em algumas cidades. Pode crescer? Talvez.

P. Alguns veículos de comunicação podem pensar que lhes resta a opção de pedir dinheiro a pessoas poderosas?

R. E que recebam o dinheiro e ouçam: se comportem. Não é o que aconteceu nos últimos 15 anos em tantos países da Europa? É algo que prejudica sua reputação. Por desespero vão à fonte do dinheiro. Também acontece com os jornais locais nos Estados Unidos. É um assunto de relevância.

P. Não parece bom.

R. É complicado. Sempre uso a invenção de Gutemberg. Ele introduziu a imprensa em 1450. Mas o primeiro jornal é de 1605. Algo que agora vemos como óbvio levou um século e meio. E os primeiros jornais fracassaram porque não tinham modelo de negócio. De modo que agora estamos como em 1475. Nos primeiros dias. O caso do Guardian é fascinante. Tinham um bilhão de dólares (4 bilhões de reais) no banco, estavam tranquilos até que lhes disseram: nesse ritmo de gasto irão durar oito anos. Isso lhes motivou. Agora não perdem dinheiro, mas continuam sofrendo. Ficaram motivados ao ver uma data de morte certa.

P. Mas continuam sofrendo.

R. Sempre. Mas só precisam sobreviver.

jul
14
Posted on 14-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-07-2019


 

Miguel, no (PE)

 

jul
14

Do Jornal do Brasil

 

JOÃO PEDRO PITOMBO

Morreu na manhã deste sábado (13) Dilma Jane Rousseff, mãe da ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT). Ela tinha 95 anos e vivia em Belo Horizonte.

Dilma Jane enfrentava problemas de saúde como embolia pulmonar e já havia sofrido um ataque isquêmico transitório no cérebro. A causa da sua morte, contudo, não foi divulgada.

Macaque in the trees
Dilma Rousseff (Foto: Divulgação)

A ex-presidente Dilma Rousseff, que estava em Londres, está retornando ao Brasil para participar do velório e enterro da mãe.

Dilma Jane Coimbra Silva nasceu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1924. Ainda na infância, mudou-se com a família para Minas Gerais.

Na juventude, em Uberaba, trabalhou como professora. Na mesma época, conheceu o advogado e imigrante búlgaro Petar Russev, cujo nome foi abrasileirado para Pedro Rousseff.

Casaram-se e foram viver em Belo Horizonte, onde tiveram três filhos: Igor, Dilma Vana e Zana Lúcia – esta última morreu aos 26 anos em 1976. Ficou viúva em 1962 após a morte de Pedro Rousseff. 

Após a eleição da filha para a Presidência da República, Dilma Jane mudou-se para Brasília com a irmã Arilda e passou a viver no Palácio da Alvorada.

Após o impeachment da então presidente, em 2016, voltou a morar em Belo Horizonte, cidade na qual a própria Dilma Rousseff passou a viver em 2018.

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