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Postado em 12-07-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 12-07-2019 00:23
 

Os deputados Tabata Amaral e Felipe Rigoni entenderam que votar a favor do projeto (da reforma da Previdência) era caminhar contra as desigualdades e a favor da responsabilidade fiscal. Suas lideranças partidárias, não

 
Deputada Tabata Amaral.
Deputada Tabata Amaral. Cleia Viana Agência Câmara

A aprovação da reforma da Previdência tem como pano de fundo um embate político. Não estamos falando do óbvio, entre governo e oposição. Os deputados Tabata Amaral e Felipe Rigoni, integrantes do Movimento Acredito de renovação política, entenderam que votar a favor do projeto era caminhar contra as desigualdades e a favor da responsabilidade fiscal. Suas lideranças partidárias, não.

A cúpula do PDT e do PSB fecharam questão contra a reforma. Esses deputados seguiram suas convicções. Esperavam que as legendas respeitassem as cartas de autonomia política que assinaram com o movimento no período eleitoral. A resposta veio vestida de velha política: estão ameaçados de expulsão. Ao ver isso, lembramos do texto de lançamento do Acredito, chamado “Carta a uma geração”. Esse recado à geração passada não poderia ser mais atual.

“Foi uma geração admirável. Derrubou uma ditadura. Deu vida à democracia e voz a um Brasil esquecido. Universalizou o acesso à educação e à saúde que, apesar das limitações, se tornaram direitos em uma constituição audaciosa. Estabilizou a economia e fez dela a sétima maior do mundo. Valorizou o salário mínimo de forma revolucionária. Tirou milhões de pessoas da pobreza e foi exemplo em redução de desigualdade. Fortaleceu nossas instituições.

Não reconhecer a grandeza do que foi alcançado nos últimos 30 anos é não apenas míope, mas desonesto. Enquanto isso, nós, nos bancos da escola, idealizávamos heróis. Para uns, o intelectual que colocou o país no ritmo do mundo. Para outros, o operário que fez o mundo admirar o país. Testemunhamos tudo com o fascínio da juventude. Da estabilização econômica a um compromisso nacional contra a fome e a miséria. Crescemos em um tempo em que, ano a ano, o melhor parecia sempre estar por vir. O país do futuro era o do nosso presente.

Crescemos. E enquanto crescíamos, o futuro foi ficando menos brilhante. Vimos que ir à escola não significou aprender. Aumento de escolaridade não significou produtividade. Prosperidade não significou oportunidade e o desenvolvimento nos custou sustentabilidade.

Assistimos ao genocídio da juventude negra. Erramos com as drogas. Revivemos fantasmas antigos. Presídios são espetáculos de barbárie e a segurança nossa principal preocupação. A promessa da democracia se tornou privilégio de alguns sobrenomes. Ouvimos um presidente, em 2017, resumir o papel da mulher a preços de supermercado.

Enquanto nossos líderes encolhem –em número e grandeza– nos damos conta de que a hora é agora. É o fim de um ciclo em que a política foi de solução para problema. Da corrupção ao impeachment, já não buscamos heróis messiânicos ou soluções que se tornam parte do problema. Queremos construir, nós mesmos, o Brasil dos próximos 30 anos.

Não devemos apagar legados, nem condenar de forma irresponsável. É a própria força do tempo que abre espaço para uma nova geração de lideranças. Não nos deixemos levar por respostas fáceis. Muitas virão entre radicalismos e certezas, mas renovação requer construção. Não heroísmos individuais, mas um movimento que dê novo significado à política. Que atualize sua forma, sua linguagem e seu ritmo. Que engaje toda nossa diversidade de perspectivas numa mistura de sotaques, crenças e raças. Que não aceite o sistema “como ele é”. Que não aceite o país como está. Que acredite em um Brasil mais justo, inclusivo e desenvolvido.

Começa um movimento para oxigenar a política brasileira. Para reduzir barreiras a quem nunca teve mandato. Para fazer renovação não com falas fáceis, mas do jeito certo. Um movimento que nos permita, em meio a tanta indignação, dizer ainda mais alto: Acredito.

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