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ARTIGO

Meu bom e velho Bráulio Tavares

Janio Ferreira Soares

 

Confesso que vibrei quando li que você faria parte da mesa 20 da 17ª Festa Literária Internacional de Paraty, apesar de saber que a cidade que a nomeia serve apenas como um ouricuri no trancelim que envolve o sertão de Conselheiro. Mesmo assim, parece coisa do além vê-lo convidado tardio na sala de estar de um lugar que de há muito jaz. A propósito, segue um parágrafo aos distraídos que também lerão esta missiva.

De quarta-feira, 10 de julho, até domingo, 14, acontece mais uma edição da Flip, que neste ano homenageará Euclides da Cunha. E aí a organização batizou as mesas dos debates com nomes de cidades que, de alguma forma, fazem parte da história narrada no livro “Os Sertões”, obra-prima do homenageado. Assim, teremos as mesas Monte Santo, Canudos, Jeremoabo, Angico, Uauá e, a de rombo, 20, que vem a ser a minha Santo Antônio da Glória, hoje habitada por tucunarés, tilápias e, segundo Zé Pescador, “um Nego D’Água bem miudinho que se perdeu dos pais depois que a barragem fechou”.

Mas como eu ia dizendo, com todo respeito aos demais palestrantes, você é o único que poderia envergar o célebre manto alvirubro do Glória Futebol Clube, imbatível esquadrão comandado pelo beque Zé Fuba, um negão torado que só jogava descalço, famoso por uma entrada de chapa num atacante metido a besta que chegou de Paulo Afonso com uma chuteira de couro de pai-de-chiqueiro, cujo solado – sem as travas – só foi encontrado dois dias depois, quando subimos num tamarineiro que ficava atrás do gol que dava para o cemitério.

Poderia, igualmente, fazer parte da nossa turma, que em dias de missas matinais se postava diante da igreja com espelhos para encandear bispos e padres agoniados no altar, enquanto réstias de Sol bailavam sobre um risonho Menino Jesus com olhinhos de ximbra.

Poderia, enfim, meu querido trupizupe, ser todas as coisas que aquele tempo nos permitia, mas, infelizmente, o espaço já se avisa raro para a quantidade de vírgulas que intercalariam nossas andanças.

No mais, que sua peleja com a muchacha Mariana Enriquez (danada, essa argentina, hein?) seja cheia de milongas e silibrinas, tudo, claro, sob as bênçãos de Ariano, Fito Paez e Lindemar, primeiro prefeito de Glória e um velho e safado tio que me enchia de jornais, Playboy americana e discos de 78 rotações, que aos 92 continua vindo aqui pro sítio ver os jogos do Bahia, adivinhar qual passarinho tá cantando na beira do rio e, sobretudo, avivar na minha memória o cheiro dos umbus-cajás que rodeavam minha infância e que, não me pergunte como, sempre sopra quando ele chega.

Boa sorte, e diga ao nosso Jessier que depois conto de um mico muito doido que morreu enquanto dava uns mortais num fio de alta tensão, dizem, após comer uma banana salpicada de ciência.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, e secretario de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco. Texto publicado originalmente no jornal A Tarde de 06/07/2019

“Casa Portuguesa”, João Gilberto: registro histórico em vídeo da memorável apresentação do inigualável  artista que nos deixa, em Lisboa, no ano de 1984. Emoção à flor da pele, comunhão perfeita entre cantor e público, João consegue uma das mais extraordinária interpretação da tradiciona canção portuguesa que Amália Rodrigues consagrou. Coisa de de gênio iluminado. SAUDADES!

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

 

jul
07
Posted on 07-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-07-2019
 

Cantor baiano de 88 anos vivia no Rio de Janeiro e a causa da morte ainda não foi divulgada

Morre João Gilberto
João Gilberto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2008. Winton Junior/AE
Naiara Galarraga Gortázar

O cantor João Gilberto , (Juazeiro – Bahia, 1931) morreu neste sábado, aos 88 anos. O músico, que vivia no Rio de Janeiro, foi um dos maiores responsáveis por apresentar a Bossa Nova ao mundo. A informação da morte foi confirmada pelo filho do músico, João Marcelo, nas redes sociais, mas a causa ainda não foi divulgada. “Meu pai morreu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda de sua soberania. Agradeço à minha família (meu lado da família) por estar lá para ele, e Gustavo [Gustavo Carvalho Miranda, advogado e amigo pessoal] por ser um amigo de verdade para nós e cuidar dele como um de nós. Por fim, gostaria de agradecer a Maria do Céu [a moçambicana Maria do Céu Harris, 55, era companheira do músico há mais de 30 anos] por estar ao seu lado até o final. Ela era sua verdadeira amiga e companheira”, escreveu o filho, em inglês. Além de Marcelo, o cantor deixa mais dois filhos, Bebel e Luísa.

Os últimos anos da carreira e vida do cantor foram marcados por sua reclusão, dívidas e conflitos familiares. Não recebia ninguém em casa, a não ser alguns familiares, tampouco concedia entrevistas ou se apresentava nos palcos. Em 2017, sua filha, a também cantora Bebel Gilberto, começou a mover um processo de interdição do pai. A razão era sua situação financeira precária: ele chegou a ser despejado do apartamento em que vivia no Rio de Janeiro.

Mas em março deste ano, uma pequena vitória de uma história, porém, que não chegou ao fim a tempo: um tribunal no Rio de Janeiro deu razão a ele em sua batalha judicial contra a gravadora Universal Music. A sentença, unânime, obrigava a empresa a devolver ao músico os royalties que deixaram de ser pagos desde 1964, além de danos morais. Estimava-se que as cifras chegariam a 173 milhões de reais. A gravadora porém recorrera ao Supremo Tribunal federal (STF) e o processo, relacionado aos discos Chega de Saudade (1959), O Amor, o Sorriso e a Flor (1960) e João Gilberto (1961), ainda não foi julgado.Caetano Veloso definiu em poucas palavras o que a música de João Gilberto significou para o Brasil e o mundo. Após recitar estrofes de canções de outros famosos intérpretes brasileiros, proclamou: “melhor que isso só o silêncio. Melhor que o silêncio, só João”.Com sua interpretação de Chega de Saudade, composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes, deu início a uma revolução que sacudiria a música brasileira e mundial. Sem aquele disco, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e muitos outros não existiriam. João Gilberto sempre foi um perfeccionista e um sofredor nato: “Minha imagem dele é a de um Quixote que luta por afinar um universo inevitavelmente desafinado, afirmou Zuza Homem de Mello, crítico musical e amigo pessoal do cantor.

João Gilberto começou muito jovem a cantar música que escutava pelo rádio na praça de sua cidade antes de se mudar para Salvador com a intenção de viver de sua paixão, segundo relata o jornal O Globo. Mais tarde, se estabeleceria no Rio de Janeiro como cantor de um grupo chamado Garotos de Lua. Mas a tentativa não funcionou e ele abandonou a cidade, na época a capital do Brasil, em buscas de novos rumos. Durante seis meses que passou na casa de uma de suas irmãs em Diamantina (MG), saiu pouco de casa, foi econômico nas palavras e passou as noites provando novos ritmos com o violão. Ritmos que acabaram sendo revolucionários.

Tinha 26 anos quando voltou ao Rio de Janeiro, em 1957, para, como afirmou Tom Jobim, influenciar “toda uma geração de compositores, músicos e cantores”.

Sua última apresentação foi em 2008. Em 2011, cancelou mais um show e seu produtor foi condenado a pagar o local onde a apresentação aconteceria. Estava tão recluso, que seus últimos shows foram verdadeiros acontecimentos. Gostava de cantar sozinho, de terno e gravata, num banquinho e com um violão que abraçava cm doçura.

João Gilberto morreu na casa onde vivia, no Rio de Janeiro, e deixou o imenso legado da Bossa Nova, ritmo que colocou a música brasileira em um novo patamar em relação ao mundo. O gênero, surgido no final da década de 50 pelas vozes de João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, revolucionou o jeito de se fazer música no país, com uma mistura refinada de samba com jazz. Mais do que o resultado sonoro, a Bossa Nova tornou-se um estilo, um movimento, remetendo ao Rio de Janeiro da metade do século passado e sua Garota de Ipanema, regravada mais de 200 vezes ao redor do mundo.

Diferentemente do samba, que surge nos guetos e trazidos ao Brasil pelos africanos, a Bossa Nova emerge de uma classe média branca na zona sul carioca, onde se concentram os bairros mais nobres da cidade. E se o primeiro ritmo é uma explosão, a elitizada Bossa Nova chega com fala mansa, em cima de um banquinho e acompanhada de um violão que leva a melodia às letras que falavam sobre amor e saudade.

Embora de vida curta – durou cerca de uma década – o movimento deixou um legado valioso para a música brasileira, do jazz ao rock, influenciando fortemente a contemporânea Música Popular Brasileira. Para além das incansáveis regravações de seus clássicos ao redor do mundo, a Bossa Nova quebrou alguns estereótipos do “país do samba”, dando uma nova cara para os ritmos brasileiros. Desafinados ou não.

José de Abreu foi condenado a pagar R$ 20 mil de indenização ao hospital Albert Einstein por danos morais, informa a Folha.

No começo do ano, o ator afirmou no Twitter que o hospital apoiou o atentado contra Jair Bolsonaro.

“Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do Hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o matador e corrupto Bibi. A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar merda”, disse José de Abreu em janeiro.

jul
07
DO JORNAL DO BRASIL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Artistas e familiares lamentaram a morte do cantor e compositor João Gilberto, 88, neste sábado (6), no Rio de Janeiro.

“João me ensinou tudo. Sou cantora por causa dele”, disse Gal Costa em nota divulgada por seu produtor. A cantora conta que o disco “Chega de Saudade”, álbum de estreia lançado pelo cantor em 1959, foi o primeiro de sua vida.

“João mudou para sempre a música do mundo. Ele ensinou delicadeza ao Brasil, trouxe a modernidade. É uma perda irreparável. Eu, pessoalmente, sentirei saudade do homem que teve uma influência decisiva no meu canto”, afirmou.

A morte do ícone da bossa nova foi anunciada pelo filho do músico, João Marcelo Gilberto, nas redes sociais. “Meu pai faleceu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda de sua soberania”, diz o texto publicado em inglês por João Marcelo em seu perfil no Facebook.

A causa da morte ainda não foi divulgada. Além de Marcelo, ele deixa outros dois filhos, Bebel e Luísa.

“João definiu uma nova maneira de fazer música brasileira”, afirmou o cantor Roberto Menescal, da geração de Gilberto. “Numa época em que tudo era cantado com força, com seu modo de cantar para dentro João abriu possibilidades para muitos que só seriam compositores. Chico Buarque e Caetano Veloso só puderam ser cantores por causa dele.”

De acordo com Menescal, a última vez em que esteve com João Gilberto foi em Nova York no ano de 1962. “João estava sempre escondido do mundo.”

O cantor e compositor Carlos Lyra afirma ter sido pego de surpresa com a notícia. “Sabia que ele não estava bem, mas não tinha noção da gravidade.” Lyra disse ver passar um ‘flashback’ dos momentos compartilhados ao lado do cantor.

“João foi quem deu a forma à bossa nova e é seu intérprete maior. Sua importância é inquestionável. Espero que sua obra seja mantida e que as novas gerações tenham pleno acesso a ela. Ele faz parte da memória cultural desse país”, disse Lyra.

Para Jorge Vercillo, a música de João Gilberto extravasou as fronteiras da bossa nova e teve sua influência notada nos gêneros pop, R&B, lounge, smoth jazz e até no hip-hop.

“João juntou em seu violão o jazz de Cole Porter com as melodias de Tom Jobim, ajudando a criar esse novo padrão harmônico-melódico dissonante que tantos de nós seguimos. A música de João Gilberto não termina na bossa nova”, disse Vercillo.

Apesar do debilitado estado de saúde do cantor ter vindo a público há algum tempo, o bandolinista Hamilton de Holanda afirmou que João Gilberto é o tipo de pessoa que nunca se espera que vá morrer.

“Tive a sorte de conhecer sua música através de meu pai e aprender muito com sua harmonia, sua batida, sua simplicidade. O que ele fez pelo país o eternizou”, disse Holanda.

No Facebook, a neta do cantor Sofia Gilberto, filha de João Marcelo, comentou a perda. “Meu vovô foi o vovô mais amoroso e carinhoso que eu podia ter tido.”

Criada em fevereiro deste ano, a página de Sofia traz raras imagens de João Gilberto junto a sua família.

jul
07
Posted on 07-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-07-2019


 

Duke, NO JORNAL ((MG)

 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os principais jornais internacionais noticiaram a morte de João Gilberto neste sábado (6), aos 88 anos, no Rio de Janeiro. Além de o aclamarem como inventor da bossa nova, as publicações também o apontam como o maior responsável pela difusão da música popular brasileira no cenário internacional.

É o que afirmam matérias do alemão Der Spiegel e do americano The New York Times. O primeiro lembrou que “Garota de Ipanema”, cuja letra foi a princípio cantada em português pela então mulher do músico, Astrud Gilberto, depois foi por interpretada por artistas do calibre de Frank Sinatra. O segundo declara que Gilberto “ajudou o estilo a se tornar uma febre mundial”.

O espanhol El País diz que, mais do que um gênero que ganhou regravações clássicas em todo o mundo, ela rompeu com estereótipo do Brasil como um “país do samba” e deu nova cara aos ritmos criados em território nacional.

O francês Le Monde ressaltou a permanência da combinação de jazz e samba que serve de base para a bossa nova nos ritmos contemporâneos, mesmo seis décadas após a sua invenção. Segundo ele, o gênero “continua presente em tudo que é música, de trilha sonora de elevador às festas rave”.

“Em cima do palco, com o pé na cadeira, João Gilberto escreveu importantes capítulos da história da música”, afirma a reportagem.

Já o italiano Corrierre della Serra recordou a paixão de Gilberto pelo país, que ele conheceu ainda nos anos 1960, com uma série de shows em Versília e programas para a rádio Rai. De lá, e le regravou sucessos como “Estate”, do compositor Bruno Martino.

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