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Sergio Moro na Câmara: deputados preferem ofensas a debate sério sobre

Lava Jato, corrupção e vazamentos.

ARTIGO DA SEMANA

Moro – Bolsonaro, união estável: recado da rua e o pânico na Câmara

Vitor Hugo Soares

Com expressividade, nitidez e paz (sem pneus queimados, sem destruição de vitrines, depredação de serviços e bens públicos e outros atos condenáveis de desordem) o recado político e social das ruas foi dado, domingo, 30 de junho, em quase 90 cidades, de todas as regiões do Brasil (segundo levantamento do portal G 1), nas manifestações pelo combate à corrupção, continuidade da Lava Jato e contra as ofensas e ataques ao ex-juiz federal Sérgio Moro, atual ministro da Justiça e da Segurança Pública. “Agora só resta aprender”, como recomenda a canção famosa.

Destaques especiais para os atos em Copacabana, Rio de Janeiro; Avenida Paulista, em Sampa e no Farol da Barra, em Salvador – Cidade da Bahia, nos escritos de Gregório de Matos e de Jorge Amado – e na simbólica Brasília, distrito federal de todos os poderes e de quase todos os interesses: dos mais respeitáveis aos mais espúrios. No caso do DF, é inevitável assinalar a feroz, irracional e repelente reação de quase pânico, de parlamentares dos chamados agrupamentos ideológicos organizados de oposição, ou de meros paus mandados (quase jagunços dos antigos donos do poder no império em desmoronamento). À exemplo do deputado do PSOL fluminense, cujo nome não menciono por motivos profiláticos, que tacou fogo de vez no circo.

Ficou demonstrado: Moro pode não ser o intelectual dos sonhos de nossas elites pensantes (políticas, econômicas, jornalísticas e acadêmicas), mais apegadas à forma que ao conteúdo. Para quem, em geral, vale mais a retórica emplumada, o discurso carregado de frases de efeito, – ornado com a melhor gramática e a mais floreada erudição, mesmo que repletas de mentiras, engodos e fraudes. Pouco importam as questões de princípios,  ou se o discurso coincide com fatos e a correção do comportamento ético e verdadeiro.

Moro, frente a frente com os deputados, desconcertou a quase todos da oposição beligerante e despreparada para um debate efetivo, democrático e esclarecedor. O ex-magistrado condutor da Lava Jato optou por conduzir o embate para o campo que demonstra conhecer e dominar como poucos: o de estrategista hábil e atento – que não perde o controle ou se desestabiliza, mesmo quando ofendido pessoalmente, ou escuta tentativas abjetas de agressões. Revela-se, então, em plenitude, o aplicado ex-aluno da universidade norte-americana de Harvard. Modelar instituição de nível superior, cuja marca é um ensino com base no debate permanente e incessantes práticas democráticas e relações pluralistas, dentro e fora das salas de aula. Ponto.

”Eu vejo, eu ouço. Lava Jato, projeto anticrime, previdência, reforma, mudança”, pontuou Moro em postagem no Twitter, diante das primeiras imagens do Rio, no calçadão à beira mar – antes da apoteose, na Avenida Paulista – dos atos do último dia de junho de 2019, para não esquecer. E veio, também, via redes sociais, o sinal do presidente Jair Bolsonaro, de que as vozes das ruas consolidavam a união estável – Palácio do Planalto e Justiça e Segurança Pública,– considerada de importância e essencial na continuidade do governo, sem tropeços e atropelos indesejáveis, para a democracia e a sociedade. O recado das ruas, no modo de ver e ouvir do atual mandatário do Planalto, serve para todas as autoridades.
Moro vence mais uma. “E toca o barco em frente”, diria o saudoso Boechat, que faz mais falta a cada dia.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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Comentários

Vanderlei on 7 julho, 2019 at 20:36 #

Uma coisa o povo conhece e tem muita certeza: “Os maldosos são autodestrutivos”. Lucius Anneus Seneca, que foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano, disse: “A maldade bebe a maior parte do veneno que produz.”


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