jul
06

DO G1

João Gilberto em show — Foto: Reprodução João Gilberto em show — Foto: Reprodução

João Gilberto em show — Foto: Reprodução

João Gilberto morreu neste sábado (6) aos 88 anos. O músico, um dos criadores da bossa nova, morreu em casa, no Rio de Janeiro. Ele sofria com problemas de saúde há algum tempo. A informação foi confirmada ao G1 pelo seu filho, João Marcelo Gilberto, que mora nos Estados Unidos.

Além de Marcelo, ele deixa outros dois filhos, Bebel e Luisa.

“Meu pai morreu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter sua dignidade ao perder sua soberania”, escreveu João Marcelo no Facebook. “Gostaria de agradecer a Maria do Ceu por estar a seu lado no final. Ela foi sua verdadeira amiga e companheira.”

João foi interditado judicialmente pela filha, Bebel Gilberto, no fim de 2017. A interdição motivou uma disputa familiar entre Bebel e João Marcelo.

Em nota, a advogada de Bebel disse que a intervenção foi motivada por problemas de saúde e complicações financeiras do cantor.

 

Capa de edição estrangeira de disco de João Gilberto — Foto: Reprodução / Internet Capa de edição estrangeira de disco de João Gilberto — Foto: Reprodução / Internet

Capa de edição estrangeira de disco de João Gilberto — Foto: Reprodução / Internet

Pai da bossa nova

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, cantor e violonista baiano, concluiu em 1961 a trilogia de álbuns fundamentais que apresentaram a bossa nova ao mundo: “Chega de saudade” (1959), “O amor, o sorriso e a flor” (1960) e “João Gilberto” de 1961.

O álbum que marcou o início da bossa nova, “Chega de saudade”, traz composição de Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980) que havia sido apresentada em um LP em abril de 1958 por Elizeth Cardoso (1920-1990). Com a voz de João, a versão mais conhecida da música foi lançada em agosto do mesmo ano.

O artista não parou com suas criações e seguiu com shows e discos que se tornaram obras de arte, como é o caso de “Amoroso”, álbum gravado nos Estados Unidos entre 1976 e 1977 sob o selo Warner Music.

O disco foi relançado no Brasil em formato longo durante os festejos dos 60 anos da Bossa Nova. O álbum celebra o encontro harmonioso do artista brasileiro com o maestro alemão Claus Ogerman (1930 – 2016).

A produção de João foi objeto de uma disputa judicial em 2018. A defesa do cantor pedia uma revisão no valor de uma indenização da gravadora EMI Records, hoje controlada pela Universal Music. Em 2015, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibiu a empresa de vender os discos do artista sem seu consentimento. A Universal não comenta o caso.

 

João Gilberto é clicado em post de Sofia Gilberto — Foto: Reprodução João Gilberto é clicado em post de Sofia Gilberto — Foto: Reprodução

João Gilberto é clicado em post de Sofia Gilberto — Foto: Reprodução

Resultado de imagem para Sergio Moro recebe ofensas na Câmara

Sergio Moro na Câmara: deputados preferem ofensas a debate sério sobre

Lava Jato, corrupção e vazamentos.

ARTIGO DA SEMANA

Moro – Bolsonaro, união estável: recado da rua e o pânico na Câmara

Vitor Hugo Soares

Com expressividade, nitidez e paz (sem pneus queimados, sem destruição de vitrines, depredação de serviços e bens públicos e outros atos condenáveis de desordem) o recado político e social das ruas foi dado, domingo, 30 de junho, em quase 90 cidades, de todas as regiões do Brasil (segundo levantamento do portal G 1), nas manifestações pelo combate à corrupção, continuidade da Lava Jato e contra as ofensas e ataques ao ex-juiz federal Sérgio Moro, atual ministro da Justiça e da Segurança Pública. “Agora só resta aprender”, como recomenda a canção famosa.

Destaques especiais para os atos em Copacabana, Rio de Janeiro; Avenida Paulista, em Sampa e no Farol da Barra, em Salvador – Cidade da Bahia, nos escritos de Gregório de Matos e de Jorge Amado – e na simbólica Brasília, distrito federal de todos os poderes e de quase todos os interesses: dos mais respeitáveis aos mais espúrios. No caso do DF, é inevitável assinalar a feroz, irracional e repelente reação de quase pânico, de parlamentares dos chamados agrupamentos ideológicos organizados de oposição, ou de meros paus mandados (quase jagunços dos antigos donos do poder no império em desmoronamento). À exemplo do deputado do PSOL fluminense, cujo nome não menciono por motivos profiláticos, que tacou fogo de vez no circo.

Ficou demonstrado: Moro pode não ser o intelectual dos sonhos de nossas elites pensantes (políticas, econômicas, jornalísticas e acadêmicas), mais apegadas à forma que ao conteúdo. Para quem, em geral, vale mais a retórica emplumada, o discurso carregado de frases de efeito, – ornado com a melhor gramática e a mais floreada erudição, mesmo que repletas de mentiras, engodos e fraudes. Pouco importam as questões de princípios,  ou se o discurso coincide com fatos e a correção do comportamento ético e verdadeiro.

Moro, frente a frente com os deputados, desconcertou a quase todos da oposição beligerante e despreparada para um debate efetivo, democrático e esclarecedor. O ex-magistrado condutor da Lava Jato optou por conduzir o embate para o campo que demonstra conhecer e dominar como poucos: o de estrategista hábil e atento – que não perde o controle ou se desestabiliza, mesmo quando ofendido pessoalmente, ou escuta tentativas abjetas de agressões. Revela-se, então, em plenitude, o aplicado ex-aluno da universidade norte-americana de Harvard. Modelar instituição de nível superior, cuja marca é um ensino com base no debate permanente e incessantes práticas democráticas e relações pluralistas, dentro e fora das salas de aula. Ponto.

”Eu vejo, eu ouço. Lava Jato, projeto anticrime, previdência, reforma, mudança”, pontuou Moro em postagem no Twitter, diante das primeiras imagens do Rio, no calçadão à beira mar – antes da apoteose, na Avenida Paulista – dos atos do último dia de junho de 2019, para não esquecer. E veio, também, via redes sociais, o sinal do presidente Jair Bolsonaro, de que as vozes das ruas consolidavam a união estável – Palácio do Planalto e Justiça e Segurança Pública,– considerada de importância e essencial na continuidade do governo, sem tropeços e atropelos indesejáveis, para a democracia e a sociedade. O recado das ruas, no modo de ver e ouvir do atual mandatário do Planalto, serve para todas as autoridades.
Moro vence mais uma. “E toca o barco em frente”, diria o saudoso Boechat, que faz mais falta a cada dia.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Fina Estampa”, Chabuca Granda: voz e veia da música na América Latina, neste vídeo Chabuca interpreta uma de suas mais expressivas e famosas composições. Vai como um presente musical do Bahia em Pauta a seus leitores e ouvinte, neste sábado de Peru x Argentina, no Pacaembu. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

 

 

Do Jornal do Brasil

Declaração foi realizada após a divulgação de novos trechos de trocas de mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça) e o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol

TALITA FERNANDES

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Após a divulgação de novos trechos de trocas de mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça) e o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (5) que caberá “ao povo” dizer quem está certo.

Ao participar de evento de aniversário da guarda presidencial, em Brasília, Bolsonaro disse que pretende ir à final da Copa América, no domingo (7), ao lado de Moro.

Macaque in the trees
Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

“Pretendo domingo não só assistir à final do Brasil com o Peru. Bem como, se for possível e a segurança me permitir, iremos ao gramado. O povo vai dizer se nós estamos certos ou não”, afirmou.

O Brasil jogará contra o Peru na final da Copa América no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, neste fim de semana. O presidente disse ter convidado o ministro da Justiça para acompanhá-lo.

Novas mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil e divulgadas nesta sexta-feira pela revista Veja mostram que Moro chamou a atenção de procuradores da Lava Jato para a inclusão de uma prova considerada importante por ele na denúncia de um réu da operação.

Em troca de mensagens pelo Telegram, em 28 de abril de 2016, segundo a revista, os procuradores conversaram sobre um alerta de Moro à força-tarefa. 

Deltan diz à procuradora Laura Tessler que o então juiz o havia chamado a atenção sobre a ausência de uma informação na denúncia contra o lobista Zwi Skornicki, réu da operação e representante da Keppel Fels, estaleiro com contratos suspeitos com a Petrobras.

“Laura no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do [Eduardo] Musa [da Petrobras] e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e da tempo. Só é bom avisar ele”, diz.

“Ih, vou ver”, responde a procuradora, segundo a revista.

No dia seguinte a esse diálogo, de acordo com Veja, a Procuradoria em Curitiba incluiu um comprovante de depósito de US$ 80 mil feito por Skornicki a Musa, o então juiz Moro aceitou a denúncia e, na decisão, mencionou o documento que havia pedido. 

Segundo a legislação, é papel do juiz se manter imparcial diante da acusação e da defesa. Juízes que estão de alguma forma comprometidos com uma das partes devem se considerar suspeitos e, portanto, impedidos de julgar a ação. Quando isso acontece, o caso é enviado para outro magistrado.

O artigo 254 do Código de Processo Penal (CPP) afirma que “o juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes” se “tiver aconselhado qualquer das partes”.

Segundo o artigo 564, sentenças proferidas por juízes suspeitos podem ser anuladas.

Já o Código de Ética da Magistratura afirma em seu artigo 8º que “o magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes, e evita todo o tipo de  comportamento que possa refletir

favoritismo, predisposição ou preconceito”.

Também diz, no artigo seguinte, que “ao magistrado, no desempenho de sua atividade, cumpre dispensar às partes igualdade de tratamento”.

Ô louco, meu

 

Fausto Silva disse que não há novidade na conversa supostamente roubada à Lava Jato em que Sergio Moro transmite um recado do apresentador para Deltan Dallagnol.

Em nota, Faustão acrescentou que são coisas que ele fala em seu programa na Globo toda semana, há mais de 30 anos.

O apresentador também disse acreditar que “o combate à corrupção, dentro da lei, é essencial e deve ser feito 24 horas por dia”.

jul
06

DO JORNAL DO BRASIL

Em nota, o COI afirmou que deu seguimento ao caso após o depoimento de Cabral, que está cobrando esclarecimentos de seus membros

  SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os ex-atletas Alexander Popov, da Rússia, e Sergei Bubka, da Ucrânia, negaram as acusações feitas pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB), de que receberam propina para votar pelo Rio de Janeiro na eleição que escolheu a cidade como sede da Olimpíada de 2016.

Cabral depôs na quinta-feira (4) ao juiz Marcelo Bretas no processo em que é acusado de ter pago US$ 2 milhões ao senegalês Lamine Diack, ex-presidente da federação internacional de atletismo, para influenciar na escolha da cidade como sede dos Jogos. Também são réus no processo o ex-presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) Carlos Arthur Nuzman e o ex-diretor da Rio-16 Leonardo Gryner.

“Eu nem votei no Rio de Janeiro”, disse Popov à agência russa RIA Novosti.

Bubka se defendeu através de suas redes sociais. “Eu rejeito completamente todas as falsas alegações feitas pelo ex-governador do estado do Rio, que atualmente está cumprindo uma longa pena de prisão por corrupção”, escreveu ele.

Em nota, o COI (Comitê Olímpico internacional) afirmou que deu seguimento ao caso após o depoimento de Cabral, que está cobrando esclarecimentos de seus membros e que adotou novas práticas “em relação à boa governança e, em particular, ao procedimento de eleição de cidade-sede.”

“O COI está totalmente empenhado em lidar com quaisquer questões, incluindo aquelas que tenham ocorrido antes das profundas reformas da Agenda Olímpica 2020”, diz a nota.

Desde o início do ano, o ex-governador vem confessando os crimes que lhe são atribuídos. O objetivo é tentar reduzir suas penas, que já somam 198,5 anos em nove condenações. Ele é réu em outras 20 ações penais na Justiça Federal e três na estadual.

Diálogos colocam em xeque imparcialidade de Sergio Moro, mas debate sobre natureza das provas e implicações políticas pelo gigantismo da operação tornam precipitado falar de consequências jurídicas. STF, de novo, terá papel central

Vazamento Lava Jato The Intercept
Sergio Moro (à esq.) durante audiência na Câmara nesta terça-feira. Pablo Valadares Câmara dos Deputados
Ainda é cedo para dizer as consequências jurídicas práticas das mensagens vazadas pelo The Intercept Brasil para os processos que derivaram da megaoperação Lava Jato, num desfecho que depende basicamente do Supremo Tribunal Federal, onde já estão ou chegarão em última instância as contestações. O certo, porém, é que os diálogos privados que estão vindo a público desde o dia 9 de junho já colocaram em xeque a imparcialidade do juiz Sergio Moro e abriram uma brecha até para questionar o comportamento, por exemplo, dos delatores que deram a base de informações para as 159 pessoas que já foram condenadas até agora pela operação. Ao EL PAÍS, um dos delatores da Lava Jato conta que não conseguiu fazer seu acordo de delação na primeira vez que tentou. Na visão dele, a investigação tinha somente um alvo: incriminar e prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O delator ouvido pela reportagem disse que, para ele, era claro que os envolvidos só seriam ouvidos se eles relatassem a participação do ex-presidente nos casos de corrupção envolvendo a Petrobras.

Poderia ser mais um relato isolado de um colaborador, mas todos do gênero vão ganhando peso enquanto vão sendo somados aos bastidores conhecidos em capítulos. Nesta sexta-feira, novas mensagens reveladas, desta vez pela revista Veja em parceria com o The Intercept, apertaram o cerco contra Sergio Moro e os procuradores. As mensagens mostram a ingerência do juiz sobre a operação, determinando prazos, se opondo à delação de Eduardo Cunha e até dando conselhos de comunicação à força-tarefa. De seu lado, Moro segue pondo em questão a veracidade das mensagens, afirmando que elas podem ter sido adulteradas e repudiando a divulgação das conversas de maneira “distorcida e sensacionalista”.

A reportagem da Veja vem na esteira das demais revelações. No último final de semana, a Folha de S. Paulo em parceria com o The Intercept havia mostrado como alguns acordos de delações premiadas foram encaminhados ao longo da operação, um dos pontos mais controversos no mundo jurídico desde o princípio da investida. O conjunto das conversas dá a entender que Léo Pinheiro, dono da construtora OAS e principal testemunha no caso do triplex do Guarujá, mudou suas explicações dos fatos ao longo de meses, até chegar a uma versão final em que incriminava o ex-presidente Lula, preso desde abril do ano passado. Em carta à Folha, Pinheiro, que está preso em Curitiba, negou que tenha sido pressionado pela Lava Jato a mudar a de versão.

Enquanto o jogo fica na palavra de um contra o outro, é cedo para falar sobre as implicações jurídicas e políticas que essas mensagens podem causar aos processos. A reação imediata limita-se, por ora, apenas ao âmbito da opinião pública, afirma Ivar Hartmann, professor da FGV no Rio e coordenador do Supremo em Números. “As conversas reveladas são, acima de tudo, um excelente teste de posicionamento das pessoas”, diz. “De um lado, há quem não mudou de opinião porque já tinha plena convicção de que o Moro era parcial. Mas nada do que surgiu antes dessas conversas se compara ao que foi revelado agora. Há quilômetros de distância entre o que havia de parcialidade de Moro e do que se tem até agora”.

Em tempos de polarização, há um reforço de posições para os campos ideológicos opostos —a favor ou contra Lula e o próprio Moro, que nesta sexta-feira foi aplaudido de pé por empresários—, mas o conteúdo das conversas também reforça uma tese há muito tempo defendida pelos advogados de Lula, a da suspeição de Moro. Para a defesa do ex-presidente, o juiz “sempre revelou interesse na condução do processo e no seu desfecho”. Mas para Hartmann, a insistência numa tese que, até então, não tinha provas suficientes, foi um tiro pela culatra da defesa do petista, que agora perdeu munição para insistir nessa tese. “Eles esgotaram esse argumento mesmo quando não havia provas suficientes da parcialidade de Moro”, diz. “Se eles não tivessem cometido esse erro estratégico, e só agora alegassem parcialidade, com provas agora, sim, robustas, as chances de isso ser aceito pela Justiça seriam maiores”. Caso o Supremo Tribunal Federal cumpra com a agenda, sua posição só será conhecida em agosto, quando o habeas corpus da suspeição do ex-juiz no processo do triplex de Lula está previsto para ser julgado.

Ainda assim, o que exatamente a Justiça aceitaria com base nas conversas reveladas? Há quem discuta já a anulação total da condenação, uma questão mais delicada na visão de Hartmann. “Há provas de parcialidade [de Moro], mas a anulação não é automática”. De acordo com ele, há perguntas que ainda precisam de respostas. “O que resultou dessa parcialidade? Foi só Moro quem chancelou essas decisões? Se foi imparcialidade numa instância, eu vou anular o processo inteiro?”, diz. “Mesmo na pior das hipóteses, processos isolados podem ser anulados. Mas falar em anulação da Lava Jato como um todo é sensacionalismo”.

A hipótese de se anular toda a operação é usada por Sergio Moro até como estratégia de defesa, em desafio a seus críticos. A pergunta de fundo que faz é sempre a mesma: se ele for punido, como ficará as relevações e confissões trazidas à tona pela Lava Jato? Durante audiência na Câmara nesta semana, o ministro da Justiça voltou à carga. “Se ouve muito da anulação do processo do ex-presidente [Lula]. Tem que se perguntar quem defende, então, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Renato Duque, todos esses inocentes que teriam sido condenados segundo o site de notícias”, afirmou o ministro. “Nós precisamos de defensores também dessas pessoas, para defender que elas sejam colocadas imediatamente em liberdade, já que foram condenados pelos malvados procuradores da Operação Lava Jato, os desonestos policiais e o juiz imparcial”.

O argumento tem impacto, porém, é complexo para os dois lados. Se o vazamento das mensagens for desconsiderado, a atuação de Moro, já visto com reservas, for chancelada pelo Supremo, seria uma sinalização péssima para o resto do sistema, de acordo com um conjunto de juristas. Mas se a maioria dos ministros avaliar que as mensagens respaldam a leitura de parcialidade no caso de Lula, haverá efeito cascata para outras condenações da Lava Jato de Moro e não só dele? Qual o custo, também de opinião pública, de abalar juridicamente uma operação ainda popular?

Por ora, o Supremo só está instado a julgar, no segundo semestre, o pedido de habeas corpus de Lula baseado na suspeição de Moro. O pedido, apresentado no ano passado, antes portanto da publicação das mensagens, é sustentado por alguns argumentos. Dentre eles, o de que Moro se beneficiou da prisão de Lula, já que se tornou ministro de Jair Bolsonaro que, por sua vez, poderia ter sido derrotado pelo petista nas eleições. Desta vez, o STF terá de sopesar não só um momento em que a imagem da Lava Jato está arranhada como o nome de Lula. Os dois fatores pesam sobre os ministros, que já se mostraram suscetíveis à opinião pública em julgamentos de cunho político. “Por se tratar de um ex-presidente, pode haver muita pressão”, afirma Hartmann.

A outra questão de fundo central é a natureza dos vazamentos e se suas revelações poderão ser usadas como provas. Moro diz que os diálogos foram adquiridos por “hackers”, de forma criminosa e passíveis de adulteração, enquanto o The Intercept afirma que vieram de uma fonte anônima. Há um  inquérito da Polícia Federal em curso para investigar a suposta invasão dos celulares. “A eventual contestação de legalidade de obtenção dessas mensagens é irrelevante para que se defenda os réus”, diz Hartmann. O próprio ministro Gilmar Mendes já se posicionou nesse sentido. Ele é um dos cinco ministros que compõe a Segunda Turma do Supremo que devem julgar o pedido de suspeição de Moro.

Por outro lado, as revelações não são capazes de incriminar, de, alguma forma, Moro, que até o momento participou somente de audiências na Câmara e no Senado para falar sobre o assunto. “A prova pode ser utilizada para beneficiar os réus, mas para prejudicar Moro num processo disciplinar não poderia ser utilizada”, afirma. Da mesma forma, Deltan Dallagnol, cuja investigação aberta pelo Conselho do Ministério Público já foi arquivada, também não deve sofrer nenhum processo, segundo o especialista. De toda forma, para Hartmann, ainda que Moro não seja punido, ele deveria se afastar do Governo. “Existem indícios suficientes para reconhecer que houve parcialidade na atuação. Num país desenvolvido, numa democracia sólida, Moro já teria pedido demissão”. Outra questão que tem sido levantada é o papel de Moro que, como ministro, está à frente da Polícia Federal: vai ingerir no trabalho da polícia que investiga o suposto ataque hacker? Sem falar que a PF não confirma nem desmente se está investigando Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, no inquérito que apura a suposta invasão de celulares, o que levou ao repúdio da oposição e de ao menos uma organização internacional de imprensa.

Questionamento sobre as delações e alvos seletivos

Outros pontos controversos que tem um caminho em tese longo para ter consequências práticas é o questionamento sobre as delações e a suposta escolha seletiva de alvos da investigação. Nas mensagens, aparece conteúdo também mostra como a Lava Jato operava, mandando prender peças-chaves da investigação, para que, pressionados, delatassem o que a procuradoria queria ouvir. Esse caminho é apontado pela mensagem enviada pelo procurador Januário Paludo, dia 20 de abril de 2016: “Acho que tem que prender o Leo Pinheiro. Eles falam pouco. Quer dizer, acho que tem que tem que deixar o TRF prender”. Cinco meses depois, Moro considerou que Pinheiro solto representava risco à investigação e à ordem pública e mandou prendê-lo. O acordo de delação de Léo Pinheiro, ainda não homologado pelo Supremo Tribunal Federal, é um dos 184 acordos firmados até agora.

Nas mensagens trocadas, além da interferências do então juiz nos caminhos da operação, há sugestão de que alvos seriam preferíveis por motivos estratégicos —se ficar comprovado que alguém foi poupado pelos procuradores, poderia haver crime de prevaricação (quando um funcionário público indevidamente retarda ou deixa de praticar ato de sua função). Moro sugeriu que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fosse poupado na Lava Jato (o juiz não queria “melindrar alguém cujo apoio é importante”) e a conveniência ou não de investigar o tucano, inclusive para emitir uma mensagem de “imparcialidade”, também foi discutida pelos procuradores, de acordo com os vazamentos.

Sem estar alheia aos abalos, a Lava Jato quer mostrar que segue em pleno funcionamento e usar isso como trunfo. Na terça-feira, quase um mês após as primeiras mensagens publicadas, a assessoria de imprensa da procuradoria publicou uma nota com o balanço do ano até o momento: 14 denúncias oferecidas no primeiro semestre deste ano, se igualando ao total de 2017 e superando 2018. Em cinco anos da operação, além de levar à condenação 159 pessoas em 50 processos sentenciados por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa e organização criminosa, 2,5 bilhões de reais retornaram aos cofres da Petrobras, segundo a força-tarefa. O valor ainda é baixo, se considerado o total do ressarcimento pedido, de 40,3 bilhões de reais.

jul
06
Posted on 06-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-07-2019
Vazamento Lava Jato The Intercept
              Leo Pinheiro durante seu depoimento. Reprodução
Léo Pinheiro, empreiteiro da construtora OAS e testemunha-chave da acusação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá, escreveu uma carta de dentro do presídio para dizer que não foi pressionado pela Polícia Federal e nunca mudou ou criou versão alguma dos fatos apresentados na ação envolvendo o ex-presidente petista. No texto enviado ao jornal Folha de S. Paulo, o executivo reafirma as acusações que fez contra Lula. Foi a primeira vez que ele falou fora das audiências do processo desde que foi preso pela Operação Lava Jato, em setembro de 2016.

Pinheiro diz que tudo o que disse contra o petista em relação à reserva e à reforma de um apartamento que ele diz que seria destinado à família do ex-presidente foi endossado por provas e recusa a hipótese de ter adaptado suas declarações para que o acordo de delação premiada fosse aceito pela procuradoria. “Afirmo categoricamente que nunca mudei ou criei versão, e nunca fui ameaçado ou pressionado pela Polícia Federal ou Ministério Público”, escreveu. “A minha opção pela colaboração premiada se deu em meados de 2016, quando estava em liberdade e não preso pela Operação Lava Jato. Assim, não optei pela delação por pressão das autoridades, mas sim como uma forma de passar a limpo erros”.

Pinheiro decidiu enviar a carta depois que uma nova leva de mensagens trocadas entre procuradores da Lava Jato foram publicadas pela Folha de S. Paulo e pelo The Intercept Brasil, no último domingo. As conversas, vazadas por uma fonte anônima e contestadas pelos citados, apontam que procuradores desconfiaram da versão de Pinheiro sobre o caso. As conversas mostram ainda que o executivo só foi considerado merecedor de crédito após mudar algumas vezes a sua versão sobre o caso do triplex, que a empreiteira afirmou ter reformado para Lula em troca de benesses com o Governo.

O depoimento de Pinheiro foi fundamental para a condenação do ex-presidente, que está preso desde abril do ano passado. Na carta, o executivo afirma que seu “compromisso com a verdade é irrestrito e total”. E que a elucidação dos “fatos ilícitos que eu pratiquei ou que tenha tomado conhecimento é sempre respaldada com provas suficientes e firmes dos acontecimentos. Trata-se de um caminho sem volta”, escreveu ele. “Não sou mentiroso nem vítima de coação alguma”.

As negociações entre advogados do empreiteiro e o Ministério Público Federal foram abertas em fevereiro de 2016. Naquele momento, Pinheiro já havia sido condenado por Sergio Moro por pagamento de propinas para a Petrobras e recorria em liberdade.

As mensagens reveladas no domingo, mostram impaciência dos procuradores ao longo das negociações da delação. “Tem que prender Léo Pinheiro. Eles falam pouco”, disse, em abril de 2016, o procurador Januário Paludo. Pinheiro foi mesmo preso cinco meses mais tarde. Seu acordo de delação premiada acabou se arrastando e foi fechado no fim de 2018. Mas até hoje a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, não o encaminhou para a homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse acordo, Pinheiro descreveria as reformas do triplex e do sítio de Atibaia —outra ação na qual Lula foi condenado— apenas como um presente para agradar o ex-presidente, sem contrapartidas. Mas os procuradores acharam a versão pouco crível e rejeitaram essa delação.

O executivo teria então mudado sua versão mais duas vezes. Até que, em 2017, em depoimento a Moro, ele afirmou que o triplex era de Lula, e que os custos das reformas feitas nele e no sítio de Atibaia foram cobertos pela OAS e descontados de propina devida ao PT por meio de contratos da OAS com a robras.

Presentes no depoimento, os advogados de Lula questionaram se Pinheiro havia feito acordo de delação e quais benefícios poderia tirar disso. A defesa do ex-presidente afirmou que Pinheiro nunca havia incriminado Lula e acusou o executivo de ter sido pressionado para alterar sua versão em troca de benefícios negociados com a procuradoria. No caso do triplex, o empreiteiro obteve progressão para o regime semiaberto após cumprimento de dois anos e meio no regime fechado.

Na carta enviada agora, Pinheiro diz que nunca mudou sua versão dos fatos.  “A primeira vez que fui ouvido por uma autoridade sobre o caso denominado como triplex foi no dia 20 de abril de 2017, perante o juiz federal Sergio Moro. Ele também reafirmou que o triplex era de Lula e que sua reforma, solicitada pelo ex-presidente e feita nos moldes que ele pediu, não foi um presente. “O apartamento nunca tinha sido colocado à venda porque o ex-presidente Lula era seu real proprietário”. Ele também diz que o material que comprova sua fala foi apreendido pela Operação Lava Jato na casa dele, no escritório da OAS, na residência do ex-presidente e no Instituo Lula. “Não há como eu, Léo Pinheiro, ter apresentado versões distintas, já que o material probatório é bem anterior à decretação da minha prisão”, escreveu.

jul
06
Posted on 06-07-2019
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Sponholz, no

 

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06
Posted on 06-07-2019
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Após derrotas nas semifinais, a seleção atual bicampeã enfrente o time de Messi pelo terceiro lugar do torneio em São Paulo

Argentina x Chile se enfrentam neste sábado, às 16h (horário de Brasília), na Arena Corinthians, em São Paulo, pela decisão do terceiro lugar da Copa América 2019. A partida será transmitida pelo canal SporTV (tv fechada). O EL PAÍS também fará a cobertura ao vivo do confronto.

A seleção chilena viu o sonho do tricampeonato sul-americano acabar nas semifinais. Vencedores em 2015 e 2016, desta vez a equipe de Alexis Sanchez e Vidal foi derrotada pelo surpreendente Peru em Porto Alegre por 3 a 0. Do outro lado, os argentinos fizeram boa partida contra a seleção brasileira no Mineirão, mas acabaram vencidos por 2 a 0 no Mineirão, apesar das reclamações de pênaltis não marcados para os visitantes. A seleção de Messi e companhia foi vice em 2015 e 2016 e amarga um jejum de 26 anos sem levantar um troféu.

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