Liberalismo, conservadorismo, socialdemocracia e reacionarismo

Joaci Góes

Para a querida irmã Jacira Góes que hoje aniversaria!

Na atual fase da vida brasileira, muito dividida, politicamente, espanta o nível de ignorância revelado pelas pessoas, de um modo geral, ao enquadrar, ideologicamente, os atores em conflito. Não nos referimos, apenas, à grande massa inculta da população, num país como o nosso, a nona economia, em que a educação figura como a de pior qualidade entre as 80 nações de maior PIB do Planeta. Ainda que tenhamos uma considerável parcela da população usufrutuária de elevado nível de qualidade de vida, a maioria está condenada ao exercício de uma cidadania de segunda classe, tamanha a desigualdade reinante entre nós.

Basta dizer que metade da população brasileira oscila entre dispor de nenhum ou um precário acesso a saneamento básico, o primeiro e mais importante requisito entre os componentes da estrutura físico-social dos povos, como atesta a OMS (Organização Mundial de Saúde). Isso porque os governos petistas, de Lula e Dilma, consideraram o financiamento, a fundo perdido, da infraestrutura de países bolivarianos, como Cuba, Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia, Nicarágua, Angola e Moçambique, uma prioridade maior do que atender às necessidades básicas e clamorosas do seu eleitorado bovino que, mesmo reiterada e descaradamente, explorado, mantém fidelidade canina aos que se aproveitam de sua subserviência pavloviana. O preço que pagam é o que todos sabemos: redução da expectativa de vida, alta mortalidade infantil, estado de saúde precário, marcado por verminoses, diarreias, cólera, giardíase, febre tifoide, infecção por shigella e outras.

Referimo-nos à ignorância de gente grande e de fala bonita, abrilhantada nos bancos acadêmicos, aí incluídos professores universitários e políticos profissionais. A primeira e mais evidente dimensão dessa ignorância crassa é a incapacidade de distinguir entre o que seja esquerda x direita. A menos que queiram identificar como sendo de esquerda todo e qualquer comportamento vazio de inteligência e de decência, como é o caso dos que se opõem às consequências da Operação Lava Jato, razão pela qual lutam para implodi-la, com o propósito de dar continuidade ao processo que mergulhou o País na mais funda prostituição moral de que se tem notícia na história dos povos cultos.

A palavra chave dessa postura imoral reside no slogan Lula Livre, senha para consolidar a aliança em curso de parte ponderável do chamado Centrão, representante da extrema-direita, com grupos fundamentalistas da autodenominada esquerda radical brasileira. Observe-se a atual identidade de posições do Centrão com os radicais de esquerda, na apreciação de projetos de lei originados do Executivo. A percepção dessa tosca aliança levou a população às ruas no último domingo, para apoiar as reformas e o Ministro Sérgio Moro, uma das personalidades mais admiradas no mundo.

Queremos, agora, nos restringir às grosseiras confusões, por ignorância ou má-fé, que fazem entre os conceitos dos componentes do longo título deste texto. Para começar, liberalismo não se confunde nem com conservadorismo, nem com socialdemocracia, embora tenha com ambas as concepções alguns elementos comuns. O reacionarismo, por outro lado, é vazio de conteúdo ideológico, porque aplicável a qualquer pensamento que não aceita revisão, estando presente como uma das características de toda posição resistente a mudanças, como é próprio dos regimes ditatoriais, sendo o mais intolerante, com muitos corpos à frente, o comunista, inteiramente avesso ao diálogo democrático, a exemplo do que existiu na União Soviética e perdura em países atrasados como Cuba e a Coréia do Norte.

Não incluímos a China, porque, de há muito, o regime, ali, que eliminou dezenas de milhões de vidas, deixou de ser comunista para figurar como exemplar do fascismo mais florescente que se conhece na experiência dos povos, onde domina uma aliança entre os governantes, os militares e uma parcela minoritária da população que prospera em níveis sem precedentes, enquanto a grande maioria vive sob o regime da mais ostensiva escravidão, como observam os que, cada vez mais, visitam o Gigante Asiático. Não há registro na história de um país que incorpore tantos bilionários, a cada ano, como a China. Os esquerdistas reacionários brasileiros, porém, nem de longe pensam em se mudar para lá, onde se exige trabalho duro e a corrupção é punida com a morte.

O capitalismo é o sistema responsável pelo avanço humano em todos os domínios, como reconheceu Marx, gerador de riquezas que permitem assegurar um piso de dignidade para os segmentos mais pobres da população, como vemos nos países europeus, nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Austrália e nova Zelândia. Mesmo quando exercido com excessivo egoísmo, o liberalismo gera prosperidade, como ensinou o médico holandês, de origem huguenote francesa, que viveu na Inglaterra, Bernard de Mandeville (1670-1733), no clássico A fábula das Abelhas, Vícios Privados, Benefícios Públicos (The Fable of the Bees, Private Vices, Publick Benefits), de 1714.

A reacionária autodenominada esquerda brasileira, acometida de dissonância cognitiva, ainda não assimilou as lições legadas pela implosão do Império Soviético que levou todos os partidos comunistas da Europa a migrarem para o centro, a centro-direita e, até, a extrema direita, como atesta Norberto Bobbio, no pequeno-grande livro Direita e Esquerda.

Tem razão Mário Vargas Llosa, ao concluir, em seu último trabalho, O chamado da Tribo: “A doutrina liberal representa desde a sua origem as formas mais avançadas de cultura democrática e é aquela que mais fez progredir, nas sociedades livres, os direitos humanos, a liberdade de expressão, os direitos das minorias sexuais, religiosas e políticas, a defesa do meio ambiente e a participação do cidadão comum na vida pública”.
O oposto do liberalismo conduz à violência e ao atraso.

Joaci Góes é escritor , presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. O texto foi publicado originalmente na TB, nesta quinta-feira , 4/6.

“Falam de Mim”, de Nana Caymmi: composição genial de Noel Rosa e interpretação mais que perfeita da filha amada de seu Dorival. Combinação musical sob medida para a sexta-feira. O resto (e não é pouco) fica por conta da letra absolutamente verdadeira e atual deste samba que nunca morrerá. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO PORTAL UOL

 

 

No texto, Léo Pinheiro rechaça a possibilidade de ter adaptado suas declarações para que seu acordo de delação premiada fosse aceito pela Lava Jato. Ele começou a negociar a colaboração no início de 2016, mas o acordo ainda não foi homologado pela Procuradoria-Geral da República.

Léo Pinheiro decidiu enviar a carta depois de reportagem da Folha, no último domingo (30), produzida a partir de análise de mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil, ter mostrado que o empreiteiro foi tratado com desconfiança pelos procuradores durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações.

As mensagens indicam que Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, só passou a ser considerado merecedor de crédito após mudar diversas vezes sua versão sobre o apartamento de Guarujá que a empresa afirmou ter reformado para o líder petista.

Íntegra, com comentários

Abaixo, leia a íntegra da carta enviada por Léo Pinheiro. Os trechos em negrito são de autoria do ex-executivo. Os demais são comentários feitos pela reportagem acerca do contexto em que os fatos citados estão inseridos.

Estou preso há 3 anos e 7 meses, por ter praticado crimes que fui responsável1. Chegou o momento de falar um pouco sobre o noticiário a meu respeito.

1  O período mencionado por Léo Pinheiro considera a soma de suas duas prisões (a primeira em 2014) e uma temporada em prisão domiciliar, em 2015. Ele, que está preso desde setembro de 2016, tem quatro condenações na Lava Jato, por crimes de corrupção, lavagem e organização criminosa. As ações estão em diferentes instâncias, mas no momento somam penas de mais de 37 anos de prisão. Dois desses processos envolvem o ex-presidente Lula: o caso tríplex e a ação do sítio de Atibaia, em que o empreiteiro também figura entre os réus condenados.

A matéria veiculada nesta Folha de S.Paulo, sob o título “Lava a Jato via com descrédito empreiteiro que acusou Lula”2, no último domingo, dia 30 de junho de 2019, necessita de alguns esclarecimentos, todos eles amparados em provas e fatos.

A reportagem mostra que a força-tarefa da Lava Jato via com ressalvas os depoimentos de Léo Pinheiro e que ele mudou sua versão sobre o tríplex mais de uma vez. O texto foi produzido pela Folha em parceria com o The Intercept Brasil e tem como base mensagens privadas trocadas por procuradores no aplicativo Telegram.

A minha opção pela colaboração premiada3 se deu em meados de 2016, quando estava em liberdade, e não preso pela operação Lava Jato. Assim, não optei pela delação por pressão das autoridades, mas sim como uma forma de passar a limpo erros que cometi ao longo da minha vida. Também afirmo categoricamente que nunca mudei ou criei versão e nunca fui ameaçado ou pressionado pela Polícia Federal ou Ministério Público Federal.

A negociação da delação premiada da OAS com a PGR e a força-tarefa em Curitiba teve início em fevereiro de 2016, quando Léo Pinheiro estava solto. Em agosto, a PGR suspendeu as tratativas após vazamentos do teor dos relatos para a imprensa, e em setembro ele foi preso. As negociações só foram retomadas em março de 2017.

A primeira vez que fui ouvido por uma autoridade sobre o caso denominado como tríplex foi no dia 20 de abril de 20174, perante o juiz federal Sergio Moro, durante meu interrogatório prestado na ação penal referente ao tema.

Em meio à negociação com o Ministério Público, o empreiteiro prestou depoimento detalhando pela primeira vez o pagamento de propina em favor do PT. O relato ligando a reserva e a reforma do tríplex aos negócios da construtora com a Petrobras foi peça crucial para a condenação de Lula, estabelecida em sentença expedida dois meses depois.

Na oportunidade, esclareci que o apartamento nunca tinha sido colocado à venda porque o ex-presidente Lula era o seu real proprietário e as reformas executadas foram realizadas seguindo suas orientações e de seus familiares5. O ex-presidente e sua família foram ao tríplex e solicitaram reformas como a construção de um quarto, mudanças na área da piscina etc. Tudo devidamente testemunhado por funcionários da empresa que acompanharam a visita e prestaram testemunhos sobre isso.

Lula confirma que visitou o apartamento em Guarujá (SP) no início de 2014, mas diz que o negócio não o agradou e que desistiu posteriormente de adquirir uma unidade naquele condomínio. Um filho e a ex-primeira-dama Marisa Letícia voltaram a visitar o local três meses antes da primeira prisão de Léo Pinheiro, em 2014, mas o ex-presidente afirmou em depoimento que desconhecia essa iniciativa da mulher.

Afirmei ainda que os valores gastos pela OAS foram devidamente contabilizados e descontados da propina devida pela empresa ao Partido dos Trabalhadores em obras da Petrobras, tudo com anuência do seu maior líder partidário. A conta corrente com o PT chegou a aproximadamente R$ 80 milhões, por isso havia um obrigatório encontro de contas com o sr. João Vaccari6.

Ex-tesoureiro do PT que está preso desde 2015. Léo Pinheiro diz que foi Vaccari quem sugeriu que a ?OAS assumisse as obras do condomínio em Guarujá, que inicialmente eram de responsabilidade da Bancoop, cooperativa que passava por crise financeira. Vaccari havia presidido essa entidade.

O meu interrogatório foi confirmado por provas robustas7 que o Poder Judiciário, em três instâncias8, entendeu como material probatório consistente para condenação de todos os envolvidos.

A sentença que condenou Lula se baseia, entre outros fatores, em mensagens em que Léo Pinheiro trata com outros executivos da OAS sobre a reforma no tríplex e sobre a visita de Lula e Marisa. Também foram levados em conta registros eletrônicos de encontros entre Léo Pinheiro e Vaccari, declarações de IR em que Lula e Marisa declaram cota de um apartamento no prédio do tríplex e uma rasura em uma proposta de adesão para a aquisição de um apartamento em Guarujá.

A condenação de Lula por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em 2018, e, em abril deste ano, pelo Superior Tribunal de Justiça. Ele tenta anular o processo com o argumento de que o então juiz Sergio Moro não tinha a imparcialidade necessária para julgá-lo.

O material que comprova a minha fala está no processo do tríplex e foi todo apreendido pela Operação Lava Jato na minha residência, na sede da empresa OAS, na residência do ex-presidente Lula, na sede do Instituto Lula e na sede do Bancoop, o que quer dizer que não há como eu, Léo Pinheiro, ter apresentado versões distintas, já que o material probatório é bem anterior à decretação da minha prisão em novembro de 20149. Além disso, plantas das reformas do tríplex, projetos deste apartamento e do sítio, bem como contratos, foram apreendidos na própria residência do ex-presidente, cabendo à minha pessoa tão somente contar a verdade do que tinha se passado. O próprio ex-presidente Lula, em seu interrogatório no mesmo caso, confirmou que voltamos no seu carro após nossa visita ao tríplex no Guarujá.

9 Léo Pinheiro foi detido pela primeira vez na sétima fase da Lava Jato, junto com outros grandes empreiteiros suspeitos de pagar propina na Petrobras. Meses depois, conseguiu habeas corpus, mas voltou para a cadeia em setembro de 2016.

As provas que estão presentes no processo são bem claras e contundentes, tais como:

  1. Documentos que indicam o ex-presidente e sua família como proprietário do imóvel antes mesmo de a OAS assumir o empreendimento, apreendidos na residência do ex-presidente Lula e na sede da Bancoop;
  2. Emails internos da OAS que demonstram a necessidade de “atenção especial” com a cobertura 164, bem como os projetos da obra;
  3. Registros dos meus encontros com Paulo Okamotto10, João Vaccari Neto e o ex-presidente Lula, em minha agenda do celular, no Guarujá, no Instituto Lula e na residência do ex-presidente em São Bernardo do Campo;
  4. Mensagens sobre encontro de contas com João Vaccari;
  5. Depoimentos de pessoas que não estão vinculadas à OAS e que trabalharam nas obras da reforma, bem como de funcionários do prédio Solaris11 e também dos demais funcionários da empresa envolvidos na obra da cobertura.

10 Presidente do Instituto Lula
11 Nome do condomínio onde fica o tríplex em Guarujá (SP)

Neste mesmo período, surgiu um novo pedido do ex-presidente Lula, uma reforma no seu sítio.

Fui ao sítio com o ex-presidente ver e ouvir os pedidos de reforma e reparos, visita que foi fotografada e testemunhada pelo diretor da empresa designado para supervisionar as obras no sítio e no tríplex. Me recordo que fui em um sábado até o apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, mostrei os projetos do sítio e do tríplex para que fossem aprovados. Esta visita consta dos registros da minha agenda e em mensagens, além de ter sido confirmada no processo judicial pelo testemunho do diretor que me acompanhou.

Com o aval do ex-presidente Lula e seus familiares, as obras começaram. O sigilo era uma especial preocupação nos trabalhos.

As obras do sítio e no tríplex tinham custos relevantes e eram devidamente contabilizadas. Documentos internos da OAS provaram no processo que as despesas das duas obras eram lançadas em centros de custos próprios12, com uma referência ao ex-presidente (Zeca Pagodinho) e as divisões “praia” e “sítio”.

12 São ferramentas da contabilidade da empreiteira nas quais os gastos com as reformas eram incluídos. Não são a “conta-corrente” informal de propina que a construtora diz ter mantido com o PT.

Preciso dizer que as reformas não foram um presente13. Os empreendimentos da Bancoop assumidos pela OAS apresentavam grandes passivos ocultos, com impostos, encargos que não deveriam ser assumidos pela OAS. Em paralelo, João Vaccari cobrava propina de cada contrato entre OAS e Petrobras. Combinei com Vaccari que todos os gastos do tríplex e sítio seriam descontados da propina. Repito, esse encontro de contas está provado por uma mensagem minha trocada na época dos fatos, devidamente juntada no processo e ainda pelo depoimento do diretor da empresa.

13 Segundo a reportagem publicada no domingo, uma pessoa que acompanhou as conversas da OAS com a Lava Jato na época em que a delação era negociada disse à Folha que, inicialmente, Léo Pinheiro descreveu o tríplex como um presente que oferecera a Lula sem pedir nada em troca.

Tenho consciência de que minha confissão foi considerada no processo que condenou o ex-presidente Lula, assim como as minhas provas que apresentei espontaneamente. Não sou mentiroso nem vítima de coação alguma. A credibilidade do meu relato deve ser avaliada no contexto de testemunhos e documentos.

Meu compromisso com a verdade é irrestrito e total, o que fiz e faço mediante a elucidação dos fatos ilícitos que eu pratiquei ou que eu tenha tomado conhecimento é sempre respaldado com provas suficientes e firmes dos acontecimentos.

Trata-se de um caminho sem volta, iniciado em 2016 e apresentado neste caso do tríplex, bem como um diversos outros interrogatórios que prestei, como no caso do sítio de Atibaia14, Silvio Pereira15, Cenpes16, CPMI da Petrobras16 e prédio Itaigara/Torre Pituba17.

14 Sítio de Atibaia (SP): Sentença da juíza Gabriela Hardt, expedida em fevereiro passado, afirma que Léo Pinheiro lavou dinheiro a favor de Lula ao bancar benfeitorias na propriedade rural frequentada pelo ex-presidente no interior de São Paulo. O caso será reanalisado em segunda instância.

15 Silvio Pereira: Ex-secretário-geral do PT, é réu sob suspeita de receber propina de empreiteiras, entre elas a OAS, em troca de contratos da Petrobras.

16 Cenpes: Segundo o MPF, um consórcio de empreiteiras, o qual incluía a OAS, pagou R$ 20 milhões em propina para obter o contrato da construção do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) da Petrobras, no Rio de Janeiro

17 CPMI da Petrobras: É uma referência a ação que tem como principal alvo o ex-senador pelo DF Gim Argello. O político foi condenado à prisão por cobrar propina de empreiteiros em troca de proteção nos trabalhos da CPI no Congresso, em 2014

18 Prédio Itaigara/torre Pituba: Uma das principais ações em andamento em Curitiba no momento, trata do pagamento de propina por empreiteiras no âmbito da construção da sede da Petrobras em Salvador. Léo Pinheiro prestou depoimento na semana passada nesse processo e acusou o ex-tesoureiro João Vaccari de articular pagamentos de propina a favor do PT. Ele não quis detalhar alguns pontos dos fatos e argumentou que são trechos sob sigilo em sua delação.

Os fatos por mim retratados ao Poder Judiciário foram feitos de maneira espontânea e voluntária, sem qualquer benefício prévio pactuado, onde, inclusive, abri mão do meu direito constitucional ao silêncio.

Curitiba, 02 de julho de 2019

Do Jornal do Brasil

 

WÁLTER NUNES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota nesta quinta-feira (4) na qual rebate carta em que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro diz não ter mentido ou sido coagido para incriminar o petista.

Segundo o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, o relato do empreiteiro em carta encaminhada à Folha de S.Paulo é incompatível com os diálogos entre procuradores da Lava Jato publicados pelo próprio jornal e pelo site The Intercept Brasil no último domingo (30).

No manuscrito feito na prisão, em Curitiba, e publicado pela Folha de S.Paulo nesta quinta (4), a testemunha-chave para a condenação do ex-presidente Lula no caso do tríplex de Guarujá (SP) reafirma as acusações que fez contra o petista, diz que todas foram endossadas por provas e rechaça a possibilidade de ter adaptado suas declarações para que seu acordo de delação premiada fosse aceito pela Lava Jato.

O ex-presidente da OAS decidiu enviar a carta depois de reportagem da Folha de S.Paulo, no último domingo (30), produzida a partir de análise de mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil, ter mostrado que o empreiteiro foi tratado com desconfiança pelos procuradores da Lava Jato durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações.

As mensagens indicam que Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, só passou a ser considerado merecedor de crédito após mudar diversas vezes sua versão sobre o apartamento de Guarujá que a empresa afirmou ter reformado para o líder petista.

A defesa de Lula contesta a carta de Léo Pinheiro.

“A carta encaminhada por Léo Pinheiro (…) é incompatível com os diálogos de procuradores da Lava Jato divulgados pelo próprio jornal e pelo The Intercept e em momento algum abala o que sempre foi demonstrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva: na prisão, Pinheiro fabricou uma versão para incriminar Lula em troca de benefícios negociados com procuradores”, diz a nota assinada por Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente.

Segundo o advogado, “a pressão sobre Léo Pinheiro para incriminar Lula, tal como revelado pelos citados diálogos, é compatível com os acontecimentos da época”.

Ele cita reportagem da Folha de S.Paulo, de 2016, segundo a qual a delação do sócio da OAS havia travado após ele inocentar Lula. Aponta que em uma petição protocolada pela OAS em 7 de fevereiro de 2017, a empreiteira informou ao então juiz Sergio Moro que “não foram localizadas contratações ou doações para ex-Presidentes da República, tampouco para institutos ou fundações a eles relacionadas”.

“Vale dizer, a própria empresa que teve Pinheiro como sócio não identificou em seus arquivos ou em sua contabilidade qualquer imóvel destinado a Lula por meio de doação ou qualquer outra forma.”

 Leia íntegra da resposta da defesa de Lula:

“A carta encaminhada por Léo Pinheiro ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta data (04/07/2019), é incompatível com os diálogos de procuradores da Lava Jato divulgados pelo próprio jornal e pelo “The Intercept” em 30/06/2019 e em momento algum abala o que sempre foi demonstrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva: na prisão, Pinheiro fabricou uma versão para incriminar Lula em troca de benefícios negociados com procuradores.

A pressão sobre Léo Pinheiro para incriminar Lula, tal como revelado pelos citados diálogos, é compatível com os acontecimentos da época, pois:

1- Apuração da própria Folha de S.Paulo revelada em reportagem de 1º/06/2016 mostrou que “Delação de sócio da OAS trava após ele inocentar Lula”; ou seja, Pinheiro não tinha qualquer fato incriminador para delatar Lula mas estava sendo pressionado a fazê-lo, como demonstramos no pedido de apuração (“Notícia de Fato”) protocolado em 16/06/2016 perante a Procuradoria Geral da República;

2- Léo Pinheiro foi preso em setembro de 2016 após falar a verdade e negar qualquer envolvimento de Lula em atos ilícitos; 

3- Em petição protocolada em 03/10/2016, Léo Pinheiro sustentou que o processo do “tríplex” é “ilegal e inconstitucional” e que repetia outra acusação que lhe foi dirigida pela Lava Jato, com o acréscimo do nome de Lula; vale dizer, Pinheiro sequer reconhecia a legitimidade da acusação relativa ao “tríplex”;

4- Em petição protocolada em 07/02/2017, a OAS informou ao ex-juiz Moro que “não foram localizadas contratações ou doações para exPresidentes da República, tampouco para institutos ou fundações a eles relacionadas”; vale dizer, a própria empresa que teve Pinheiro como sócio não identificou em seus arquivos ou em sua contabilidade qualquer imóvel destinado a Lula por meio de doação ou qualquer outra forma.

Léo Pinheiro foi pressionado a apresentar uma narrativa incriminadora contra Lula por uma só razão: após ouvir 73 testemunhas de defesa e de acusação, o ex-juiz Sergio Moro não dispunha de um fiapo de prova para impor a Lula a sentença condenatória que estava predefinida desde o início do caso.

O depoimento de Léo Pinheiro foi o elemento central da sentença condenatória proferida por Moro. O nome do empresário é citado 30 vezes no documento. No entanto, esse depoimento, além de ter sido prestado sem o compromisso da verdade, pois Pinheiro é corréu na ação, não merece qualquer credibilidade, pois:

1 – Durante seu interrogatório perguntamos a Léo Pinheiro: “O comportamento do senhor estão está sendo diferente nesta oportunidade?”; sua resposta: “Aí é uma orientação dos meus advogados, o senhor vai me desculpar”; ou seja, Leo Pinheiro efetivamente mudou sua posição no curso da ação penal;

2- Léo Pinheiro disse que teria negociado o “triplex” com João Vaccari, mas este último, em carta manuscrita posteriormente anexada aos autos, negou peremptoriamente qualquer solicitação ou recebimento do imóvel em nome próprio ou em nome de Lula; o que se tem, portanto, é a palavra de Léo Pinheiro contra a palavra de João Vaccari;

3 – Fizemos a prova de que 100% do valor econômico e financeiro do apartamento havia sido cedido em garantia a um fundo administrado pela Caixa Econômica Federal (“cessão fiduciária em garantia”); ou seja, para que Léo Pinheiro pudesse transferir a propriedade desse imóvel a Lula ou a qualquer outra pessoa teria que pagar o valor de mercado correspondente em uma conta específica da Caixa Econômica Federal, o que jamais ocorreu.

Não bastassem todos esses elementos e circunstâncias que retiram qualquer valor probatório do depoimento de Léo Pinheiro em relação a Lula, identificamos que em 08/10/2018 foram anexados à Reclamação Trabalhista nº 1000911-90.2008.5.02.0031, proposta por terceiro, contratos de doação em dinheiro firmados por Leo Pinheiro e pessoas a ele ligadas com ex-executivos da OAS. Segundo o autor da demanda trabalhista, tais contratos foram firmados com executivos “que alinharam suas colaborações no âmbito da Operação Lava Jato aos interesses da Ré [OAS]”.

Esse fato novo e sobremaneira relevante é um dos temas pendentes de análise em recurso (“embargos de declaração”) protocolado em 10/05/2019 perante o Superior Tribunal de Justiça. Outras medidas jurídicas também serão tomadas para que a verdade prevaleça.

Lula é vítima de “lawfare”, que consiste no uso perverso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins políticos. O expresidente não teve direito um julgamento justo, imparcial e independente.

Cristiano Zanin Martins”

Prefeito de Osasco sem “deformidades faciais”

 

Boletim médico divulgado nesta quinta-feira pelo Hospital Antônio Giglio, em Osasco, informa que o prefeito Rogério Lins — que teve várias partes do corpo queimadas na explosão de uma fogueira durante uma festa junina — não ficou com “deformidades faciais” e segue evoluindo bem.

De acordo com o hospital, o prefeito e sua esposa, Aline Lins, “permanecerão com os curativos oclusivos, com forte expectativa de que se recuperem sem sequelas funcionais”.

Ainda não há previsão de alta.

jul
05
Posted on 05-07-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-07-2019



 

Sponholz, no

 

jul
05
DO JORNAL DO BRASIL
 
O PAULO (Reuters) – O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que o governo anunciará “em cinco ou seis dias” medidas para baratear o custo da energia e acrescentou que a reforma tributária é iminente e ganhará velocidade a partir de agora.

Em evento em São Paulo, Guedes afirmou ainda que, com a aprovação da reforma da Previdência, os juros vão cair. Na última terça-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que trajetória dos juros não está diretamente ligada às reformas.

Macaque in the trees
Ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O ministro da Economia afirmou ainda que será oficializada a independência do BC para garantir o cumprimento da meta de inflação. Guedes adicionou que a segunda fase do programa econômico do governo começará no segundo semestre.

(Por Stéfani Inouye)

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