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Depois dos ataques de hachers movimentos convocam as ruas neste domingo contra
a corrupção, pela Lava Jato e em defesa de Moro.
 
   
 

ARTIGO DA SEMANA

 

Chabu da Intercept lança Moro nos braços do País

Vitor Hugo Soares

Sinais indicativos observados em Brasília e nas diferentes regiões do território nacional (incluindo levantamentos de opinião pública feitos nos últimos dias por institutos de pesquisa), apontam para duas situações no desfecho mais que provável das manifestações de rua convocadas para este domingo, 30, com bandeiras contra a corrupção e em defesa da Lava Jato e de sua figura mais referencial e expressiva, o ex – juiz federal, Sérgio Moro, atual ministro da Justiça e da Segurança Pública. Agora, peça central do embate político, ideológico e moral que se trava no Brasil.  

A primeira situação praticamente já está desenhada – salvo alguma grande surpresa factual, improvável diante do que se vê e, principalmente, daquilo que foi entregue até aqui: saiu pela culatra o tiro do site The Intercept Brasil, do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, com a publicação de supostos diálogos e mensagens virtuais do ex-magistrado com o procurador Deltan Dallagnol, obtidas através de invasões ilícitas de celulares por hackers (ou seja lá quem for). Para usar uma linguagem mais típica e apropriada ao período dos festejos juninos que se encerram no Nordeste, o “estouro” pretendido pelos autores e possíveis beneficiários do escândalo, deu chabu.

 A segunda situação do rol de expectativas, dentro da configuração atual do quadro político nacional, está à véspera de  poder ser observada nos atos populares marcados para este domingo de final de junho para ficar guardado na memória: Sérgio Moro, o ex-magistrado condutor da maior e mais efetiva ação de combate a corruptos e corruptores da história brasileira, atual ministro da Justiça e figura política e administrativa de maior credibilidade, prestígio popular, além de integrante mais bem avaliado do governo (nas pesquisas realizadas até aqui), lançado, definitivamente, nos braços de um País. A conferir.

Depois do desempenho marcante, da semana passada, na inquirição da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e de rápida passagem pelos Estados Unidos, onde fez visitas e contatos de conteúdo ainda não de todo conhecidos – mas que estão deixando de cabelo em pé não apenas hachers invasores de computadores e de celulares de autoridades públicas – , Moro retornou, na quarta-feira à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, de onde deverá acompanhar, atentamente, os sinais que as ruas do Brasil mandarão para ele, neste domingo do fim de ardente junho.

No famoso Decálogo do Estadista, baixado por Ulysses Guimarães, Vocação é o segundo mandamento. Em seu enunciado está escrito: “O estadista nasce, é o encontro de um homem com seu destino. O estadista é um animal político. Fora da política é um frustrado, um ressentido, um infeliz, embora possa ter êxito em outras atividades. Ainda que pagando o preço ingrato de percalços, perigos e sofrimentos, confirma o acerto da definição de Alphonse Karr de que o segredo da felicidade é fazer do seu dever o seu prazer”.
A cara de Sérgio Moro! Ou não? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Santo Antonio, São Pedro e São João”, Jackson do Pandeiro: um mestre do ritmo e da voz a serviço da melhor música nordestina.Viva São Pedro, no seu dia! Eternidade para Jackson do Pandeiro!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Isso é que é cantar , grande Jackson do pandeiro brincava com o rilmo e com a voz.iv
Isso é que é cantar , grande Jackson do pandeiro brincava com o rilmo e com a voz.

 

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CRÔNICA

 

 

                                                                               Junho

 

                                                                             Janio Ferreira Soares

Depois de vários dias de uma chuva fina molhando roças e pardais, a aridez de minha aldeia finalmente adquire as cores das matas que me encantavam nos velhos filmes de Mazzaropi.

Nas águas frias do lago em frente patos se divertem e me lembro do “quém, quém, quém” daquele outro que, alegre e cantante, atraiu um marreco sorridente, um cisne e um ganso, formando assim um desafinado quarteto que até hoje acompanha a voz nasalada de um certo João pelos alto-falantes do mundo.

Daqui de onde estou – exatamente em cima do Riacho da Morena, divisa de Paulo Afonso e Nova Glória -, tanto posso escutar foguetes explodindo em homenagem aos santos de junho, quanto acompanhar o helicóptero da Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco) sobrevoando lentamente algumas partes do rio, acredito, avaliando se o ataque das baronesas também pode prejudicar o desempenho das barragens, já que, aos ribeirinhos, só resta manter a esperança nos deuses dos ventos do Norte e torcer para que eles mandem suas raras aragens que, por sorte, libertarão nossas margens dessa cruel e asfixiante dor.

O termômetro pendurado no armador da rede marca 19 graus e o Sol começa a mostrar sua ponta lá pras bandas das Alagoas. Ao redor, sons de machados cortando lenhas sinalizam que, em breve, as primeiras fogueiras já estarão queimando em homenagem a São João. Escaldados, Júlio e Edgard começam a rebeirar pelos cantos, como se adivinhando os estampidos dos fogos que logo mais os farão amuar. Já a infante Amora, coitada, enfim padecerá sob as águas do rio Jordão.

Os jornais do dia se abrem na tela e me dizem que o Irã derrubou um drone americano e que isso pode mudar o mundo; que Flávio, um dos filhos de Maluf, foi condenado a oito anos de reclusão por lavagem de dinheiro em 2006; que outro Flávio, o Bolsonaro, continua tentando impedir que seu sigilo bancário seja quebrado; e que Moro e Neymar seguem encrencados por atos que eles imaginavam sigilosos, o que prova que nenhum dos dois conheceu a genialidade do profeta Belchior, que ainda nos tempos em que a Apple era apenas uma banda de maçã rodando no meio dos discos dos Beatles, já dizia que nada é secreto, nada é misterioso.

Pra terminar, aproveito o silêncio que precede os pipocos e, antes do forró de Luiz, coloco Jorge Mautner declamando os versos de A Guerra dos Meninos – com o nanananana de Nando Reis ao fundo -, provando que certas canções de Roberto funcionam melhor se narradas pela inconfundível voz deste genial filho do holocausto, ainda mais quando acompanhadas por solos de trompetes me jogando num galope ligeiro ao lado do bom, do mau e do feio nos ensolarados cânions da vida.

A pamonha, a canjica, o quentão e, claro, o pantoprazol de 40 mg são por minha conta. Anarriê!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na barranca baiana do Rio São Francisco

Somada às incertezas de um Brexit duro, a guerra comercial entre China e Estados Unidos fez com que a União Europeia tivesse interesse em consolidar parcerias

 
Chanceler brasileiro Ernesto Araújo celebra acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia.
Chanceler brasileiro Ernesto Araújo celebra acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. Reprodução Twitter
Heloísa Mendonça

Quando assumiu o ministério da economia, Paulo Guedes foi taxativo em afirmar que o Mercosul não seria prioridade do novo Governo. Por ironia, é o acordo entre o bloco dos países do Sul e a União Europeia que acaba de se tornar a primeira grande vitória durante o Governo Bolsonaro. A expectativa de ganhos de até 125 bilhões de reais para a economia brasileira em 15 anos calou, ao menos neste primeiro momento, as críticas à performance econômica do Governo federal. “É o fim do isolamento do Mercosul e do Brasil”, comemora o ex-embaixador Rubens Barbosa, diretor-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). Para ele, o acordo que levou 20 anos para ser concretizado é um marco na história de ambos os blocos e tem um valor simbólico muito importante do ponto de vista político. “Nos últimos 10 anos, assinamos acordos com Israel, Argentina e Egito. A União Europeia só assinou um acordo, com Japão”, diz.

Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV e colunista do EL PAÍS Brasil, concorda que, ainda que nem todos os detalhes do acordo tenham sido revelados, o pacto selado pelos dois blocos possui um grande valor simbólico e dá um novo rumo ao Mercosul. O bloco, que viveu tempos de glória com os governos de esquerda na última década, vinha sendo esvaziado. Em abril, os países que compõe o bloco suspenderam a eleição direta de seus deputados no Parlasul —nos moldes do que ocorre na UE. Os presidentes de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai acordaram que não valia a pena investir em novos instrumentos de representação e que os recursos deveriam ser destinados a investimentos sociais. O bloco ia perdendo o sentido. “Desde a sua criação, o bloco sul-americano fechou poucos acordos relevantes. Sem esse pacto com a UE, o Mercosul tinha muito pouco para mostrar”, afirma Stuenkel.

“Esse acordo pode representar o passaporte para o Brasil entrar na liga das grandes economias do comércio internacional”, diz em nota o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Robson Braga de Andrade. De acordo com ele, o acordo “cria novas oportunidades de exportação devido à redução de tarifas europeias, ao mesmo tempo que abre o mercado brasileiro para produtos e serviços europeus, o que exigirá do Brasil aprofundamento das reformas domésticas”.

Mesmo sem muita vontade política, e com o ceticismo inicial do Governo brasileiro, fatores externos fizeram com que a UE entendesse que este era o momento de tirar o acordo do papel. A guerra comercial entre China e Estados Unidos, somada às incertezas de um Brexit duro e à estagnação comercial de alguns mercados europeus, fizeram com que a UE sentisse que era preciso consolidar parcerias. “Para a Europa é um sinal interessante de repúdio à política protecionista de Donald Trump“, diz Stuenkel.

O professor destaca ainda que o timing da assinatura deve favorecer o presidente argentino Maurício Macri, que deve usar o acordo histórico em sua campanha à reeleição. “Se não fossem as políticas do Governo brasileiro, essa aproximação comercial poderia migrar para a política também. Mas há muitas divergências ideológicas com o Brasil”.

Quem ganha e quem perde?

Analistas ouvidos pelo EL PAÍS concordam que, à primeira vista, o acordo é uma conquista importante, afinal, hoje, apenas 24% das exportações brasileiras entram livres de tributos no bloco europeu. Já com o acordo, mais de 90% das exportações do país terão suas tarifas de importação da UE zeradas, em um período de até dez anos. Os 10% restantes entrarão em um regime preferencial, com cotas e reduções parciais de tarifas. Essas cotas funcionam como uma medida protetiva para setores estratégicos dos blocos, nos quais são determinados volumes máximos que podem ser exportados dentro de determinadas tarifas.

O acordo determina, por exemplo, que produtos agrícolas como suco de laranja, frutas (melões, melancias, laranjas, limões, entre outras), café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais terão as tarifas eliminadas. Mas os exportadores brasileiros entrarão em um regime de cotas na venda de carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, ovos e mel. Mas não se sabe ainda detalhes dessas cotas.

Na produção industrial, por outro lado, o acordo prevê eliminação de tarifa de 100% dos produtos. A CNI explica que reduz, por exemplo, de 17% para zero as tarifas de importação de produtos brasileiros como calçados e aumenta a competitividade de bens industriais em setores como têxtil, químicos, autopeças, madeireiro e aeronáutico. De acordo com estudo da entidade, dos 1.101 produtos que o Brasil tem condições de exportar para a UE, 68% enfrentam tarifas de importação ou cotas.

Mas nem todos estão confortáveis em comemorar. Patrícia Gomes, diretora executiva de mercado externo da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirma que a entidade não foi convidada para participar da reunião que trataria da última rodada do acordo, como teria acontecido com representantes do setor agrícola. “Ainda não tenha muita informação, sempre foi uma negociação difícil para máquinas e equipamentos porque temos um déficit grande com a UE. Queremos saber quais as oportunidades e os riscos, que podem ser minimizados se houver uma agenda de competitividade para o setor”, afirma.

Stuenkel discorda dos críticos que alegam que o novo acordo pode dificultar a industrialização brasileira. Ele acredita que como os brasileiros conseguirão importar insumos mais baratos, tornando assim mais competitivos os produtos brasileiros. “Obviamente, é necessário cautela, mas em princípio, as novas regras vão trazer dinamismo e novas possibilidades para a economia brasileira. Para a inovação também será positivo. Hoje a falta de inovação no país esbarra na dificuldade de conseguir produtos que venham de fora em uma economia bastante protegida”.

O acordo ainda terá que ser aprovado pelo Congresso Nacional no Brasil, nos outros países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) e em votação no Parlamento Europeu.

jun
29
Posted on 29-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-06-2019

Do Jornal do Brasil

BRUXELAS (Reuters) – O Mercosul e a União Europeia (UE) assinaram um acordo preliminar de livre comércio, anunciaram nesta sexta-feira as partes envolvidas, encerrando quase 20 anos de negociações.

Os dois blocos começaram a negociar há 20 anos, com diversos governos envolvidos nas conversas, mas os esforços foram intensificados após a eleição do presidente dos EUA, Donald Trump, quando a UE suspendeu negociações com o governo norte-americano e se voltou para outros aliados comerciais globais.

(Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Com isso, foi selado acordo de livre comércio com o Canadá e com Japão e México e agora, após 39 rodadas de negociações, também chegaram a um acordo preliminar com o Mercosul, que inclui Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Mais cedo neste mês, a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom, disse que selar um acordo comercial com o Mercosul era sua principal prioridade.

A UE já é o maior parceiro comercial e de investimentos do Mercosul e é o segundo maior em bens.

Em termos de reduções tarifárias, pode ser o acordo comercial mais lucrativo da UE até agora, com cerca de 4 bilhões de euros (US$ 4,55 bilhões) de economia em tarifas nas exportações, quatro vezes mais do que seu acordo com o Japão.

A Europa está de olho em aumentar o acesso para suas companhias fabricarem produtos industriais, notadamente carros, para os quais tarifas chegam a 35%, e permitindo a eles que concorram em licitações públicas. O Mercosul pretende elevar as exportações de carne bovina, açúcar, carne de aves e outros produtos agrícolas.

De acordo com estimativas do Ministério da Economia brasileiro, o acordo “representará um incremento do PIB brasileiro de 87,5 bilhões de dólares em 15 anos, podendo chegar a 125 bilhões de dólares se consideradas a redução das barreiras não-tarifárias e o incremento esperado na produtividade total dos fatores de produção”, segundo o comunicado.

O pacto engloba “temas tanto tarifários quanto de natureza regulatória, como serviços, compras governamentais, facilitação de comércio, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e propriedade intelectual”, segundo comunicado conjunto dos Ministérios das Relações Exteriores e da Economia.

Sob o acordo, produtos agrícolas como suco de laranja, frutas e café solúvel terão suas tarifas eliminadas e exportadores brasileiros terão acesso ampliado, por meio de cotas, para carnes, açúcar, etanol, entre outros produtos.

Empresas brasileiras ainda serão beneficiadas com a eliminação das tarifas na exportação de 100% de produtos industriais, disse o comunicado.

Dessa forma, serão “equalizadas as condições de concorrência com outros parceiros que já possuem acordos de livre comércio com a UE”, disseram os ministérios em comunicado.

Pelo Twitter, o presidente Jair Bolsonaro, que está no Japão para a cúpula do G20, chamou o pacto de “histórico” e disse que “será um dos acordos comerciais mais importantes de todos os tempos e trará benefícios enormes para nossa economia”.

Participaram das negociações em Bruxelas o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, segundo o comunicado conjunto.

Preocupações da UE com um possível aumento nas importações de carne bovina e a hesitação do Mercosul sobre abrir alguns setores industriais, como carros, significaram idas e vindas nos prazos anteriores para se chegar a um acordo.

O acordo ainda enfrenta um caminho possivelmente difícil até a aprovação. A França e outros países temem o impacto de uma acentuada alta nas importações de carne bovina, enquanto grupos ambientalistas, cuja influência é mais forte no novo Parlamento Europeu, argumentam que o acordo pode exacerbar o desmatamento.

Agora, países da UE e o Parlamento Europeu ambos precisam aprovar o acordo para que entre em vigor.

(Reportagem adicional de Cassandra Garrison em Buenos Aires, Marcelo Teixeira e Laís Martins em São Paulo)

jun
29
Posted on 29-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-06-2019

 

Do Jornal do Brasil

SÃO PAULO (Reuters) – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, agradeceu nesta sexta-feira o apoio que tem recebido do presidente Jair Bolsonaro em meio ao que chamou de “falso escândalo” das supostas mensagens trocadas entre ele e procuradores da Lava Jato.

Ao receber uma condecoração do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Moro também disse que a Lava Jato, da qual foi juiz responsável em Curitiba, realizou avanços no padrão de impunidade que existia no país, mas está sob a constante “sombra do retrocesso”.

O ministro também assegurou que não desistirá da “missão” dada a ele por Bolsonaro.

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Sergio Moro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O site The Intercept Brasil tem divulgado supostas mensagens trocadas por Moro, quando era juiz da Lava Jato, com procuradores da força-tarefa da operação, nas quais o hoje ministro supostamente dá orientações aos membros do Ministério Público.

Moro e os procuradores afirmam não reconhecer a autenticidade das supostas mensagens, ao mesmo tempo que negam ter cometido quaisquer irregularidades.

(Por Eduardo Simões)

jun
29
Posted on 29-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-06-2019


 

Clayton, no jornal

 

 

Brasileiro celebra o acordo com a Europa enquanto enfrenta uma popularidade em queda. Macri, em meio à luta pela reeleição

São Paulo / Buenos Aires
Jair Bolsonaro, durante a reunião dos líderes dos BRICS.
Jair Bolsonaro, durante a reunião dos líderes dos BRICS. MICHAEL KLIMENTYEV/SPUTNIK/KREML EFE

O presidente Jair Bolsonaro celebrou em tom exultante o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, concluído nesta sexta-feira. E, para assegurar que anotava o tento perante a opinião pública, foi o primeiro a anunciá-lo em um tuíte do Japão, onde participa do G20, depois que fontes do Governo brasileiro informaram à imprensa que o pacto era iminente. “Histórico. Nossa equipe, liderada pelo embaixador Ernesto Araújo, acaba de fechar o acordo Mercosul-UE, que vinha sendo negociado sem sucesso desde 1999.” Bolsonaro quis aproveitar que finalmente tem uma boa notícia a oferecer aos seus compatriotas, após meses em que o caos do seu Governo e diversas polêmicas foram dilapidando o enorme capital político com o que começou o mandato. Paralelamente, as perspectivas econômicas foram piorando.

Apenas na última semana, o mandatário brasileiro enfrentou um escândalo de magnitude inimagináveis e a notícia de que sua popularidade continuava em queda. Nos preparativos para a ida ao Japão, um dos militares que fazia parte de sua comitiva de apoio —ainda que voasse em outro avião—foi flagrado na terça-feira na Espanha carregando 39 quilos de cocaína em uma mala de mão, ao descer para uma escala. Na quinta-feira, pesquisa CNI-Ibope apontou que cresceu, mais uma vez, a insatisfação popular com a sua gestão: 32% avaliam seu Governo como ruim ou péssimo. O aspecto econômico teve um grande peso neste índice: dentre as maiores críticas a ele pela população estão aspectos como a taxa de juros e o combate ao desemprego.

Já para o argentino Mauricio Macri, o acordo pode servir para impulsionar sua campanha nas eleições gerais de outubro, quando concorre à reeleição. O acordo foi recebido com um alto impacto emocional, a tal ponto que o chanceler Jorge Faurie não conseguiu conter as lágrimas ao comunicar a notícia a Macri. “Presidente… Felicito-o… Em sua presidência se conseguiu… 20 anos de negociação… temos acordo União Europeia-Mercosul”. Faurie levou mais de 30 segundos para dizer a frase, entre soluços e longos silêncios. Macri publicou o áudio de WhatsApp na sua conta oficial do Twitter. Em menos de uma hora, 100.000 pessoas tinham escutado em seus telefones o chanceler argentino chorar.

O Governo Bolsonaro, necessitado de alegrias, imediatamente pôs cifras a um acordo que ainda deve ser ratificado por cada um dos 28 países da UE. O Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes, calcula que o PIB brasileiro aumentará em 87 bilhões de dólares em 15 anos, podendo alcançar um incremento de 125 bilhões de dólares com as reduções das barreiras tarifárias. E espera que os investimentos europeus no Brasil cresçam 113 bilhões de dólares.

O último obstáculo na longuíssima e laboriosa negociação para selar o pacto foi a política ambiental do novo presidente do Brasil. Bolsonaro se viu forçado a comprometer-se publicamente com o presidente da França, Emmanuel Macron, a não abandonar o Pacto de Paris contra a mudança climática, horas depois de este lhe advertir, às vésperas do G20, que sem essa garantia não haveria acordo de livre comércio com os 28 países da UE. Como com um alicate, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, também lhe advertiu sobre o desmatamento —uma pressão que irritou notavelmente a delegação brasileira.

Bolsonaro, que de entrada respondeu ao ultimato francês cancelando uma reunião bilateral em Osaka, acabou mantendo encontro informal com Macron, no qual lhe confirmou que permanecerá no acordo para frear as emissões de poluentes e o convidou a visitar a Amazônia. Embora o presidente tenha dado o mérito da negociação ao seu chanceler, representante do núcleo mais ideológico da Esplanada dos Ministérios, a titular da Agricultura, Tereza Cristina Dias, também participou da negociação, representando o poderoso setor do agronegócio.

Ainda que o superministro da Economia, Paulo Guedes, tenha afirmado antes de assumir a pasta que o “Mercosul não é uma prioridade” e sim que “a prioridade é comercializar com todo mundo”, o Governo logo deixou claro que queria impulsionar o aspecto mais técnico do acordo comercial dos países sul-americanos e retirar o peso ideológico.

Para Bolsonaro, o fechamento do acordo justamente agora significa um respaldo para seu primeiro G20. E para quando voltar para casa, onde ainda o esperam enormes desafios como a crucial aprovação da reforma da Previdência, que avança no Congresso mais lentamente do que o esperado, e o desemprego, que beira os 12%

Os presidentes Mauricio Macri e Donald Trump conversam durante a cúpula do G20.
Os presidentes Mauricio Macri e Donald Trump conversam durante a cúpula do G20. AFP

A Argentina sofre apuros semelhantes. As lágrimas de Faurie foram a evidência da pressão das últimas horas, mas também de que o momento não poderia ser melhor à Casa Rosada. Macri se encontra em campanha à sua reeleição em outubro e o acordo é, segundo o Governo, a consumação da abertura ao mundo que apregoa desde que chegou ao poder, em dezembro de 2015.

O chefe dos ministros, Marcos Peña, deixou isso claro em Osaka, onde acompanha Macri na reunião do G20. Acaba “uma negociação que começou há quase 20 anos, mas que ganhou impulso nos dias de hoje graças à liderança regional de Mauricio Macri”, disse o homem com mais peso dentro do gabinete argentino. E Fulvio Pompeo, assessor do presidente em questões de política internacional, disse que o acordo “potencializa a Argentina para um maior desenvolvimento”. Para o colega de chapa de Macri, o peronista Miguel Ángel Pichetto, o fim das negociações em Bruxelas “representa um fato enormemente positivo a todos os argentinos”.

Na oposição, entretanto, as coisas não estão tão claras. Axel Kicillof, ministro da Economia de Cristina Kirchner, disse que o acordo é “uma tragédia”. O deputado Pino Solanas, uma referência da esquerda ligado agora ao kirchnerismo, publicou no Twitter que a assinatura “significa uma volta da Economia ao modo primário e um ataque desleal à indústria nacional”. E acusou Macri de “continuar entregando o país em seu ocaso”.

A Argentina é um país pouco propenso aos acordos comerciais, herança das políticas de substituição de importações que marcaram boa parte do desenvolvimento econômico da segunda metade do século passado. Essa se sustentou baseada em barreiras alfandegárias de proteção aos produtores locais. Quando se tentou demolir o muro, a crise industrial foi devastadora, como no final dos anos setenta, com a ditadura militar, e nos noventa, com o auge neoliberal de Carlos Menem. As experiências passadas não foram boas, e os empresários temem que a chegada de produtos europeus complique ainda mais a crise atual, produto da queda do PIB, da alta inflação e da falta de crédito.

Na Apyme, uma entidade que agrupa 12.000 pequenas e médias empresas de todo o país, não escondem a preocupação. “Não competimos em condições de igualdade”, alertou seu presidente, Eduardo Fernández. “Consultaram somente setores ligados ao comércio exterior, e a maioria não é de pequenas e médias empresas. Somos favoráveis às integrações econômicas, mas desde que defendam a produção nacional e a inovação produtiva no país”, disse.

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