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  ARTIGO
 

 A dialética de Moro

Merval Pereira, O Globo, 20 Junho de 2019,

Ontem, na sabatina a que se submeteu, por decisão própria, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o hoje ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro desanimou os políticos que o atacaram.

Conseguiu levar o debate para o campo dialético, e a discussão acabou sendo sobre quem é contra ou a favor da Lava-Jato, quem quer soltar bandido, o que favorece muito a sua posição quando juiz da Lava-Jato.

Ficou claro que o interesse do PT é apenas soltar o ex-presidente Lula, e com isso perde-se a capacidade de contestar o ministro Sergio Moro. Apesar dos apelos dos partidos de oposição, os petistas não conseguiram discutir o tema de maneira genérica, colocando sempre em questão as condenações de Lula.

A oposição, por sinal, não conseguiu se organizar para fazer com Moro o que fez com o ministro da Economia Paulo Guedes, que acabou perdendo a paciência em momentos cruciais.

O ministro Moro garantiu que não fez treinamento formal para a sabatina, mas estava bastante tranqüilo na argüição, e teve a seu favor uma bancada em defesa da Lava-Jato.

Uma situação curiosa é que, mesmo os oposicionistas, tentavam a todo custo garantir que não estavam criticando a Operação Lava-Jato, sabendo que a sessão estava sendo televisionada pela TV Câmara.

O que ficou definido na audiência é que o crime cometido foi a invasão de celulares de autoridades brasileiras. Moro fez bem ao negar que seja o Super-Homem que o representa no boneco inflável que aparece nas manifestações e ontem foi colocado em frente ao Congresso.

Mas o fato é que enquanto contar com a credibilidade que a maioria lhe concede, e a Lava-Jato for vista como a garantia do combate à corrupção pela população, o ministro Sérgio Moro estará garantido.

É o que se chama em linguagem militar Moral high ground. A origem é o conceito de que, para vencer, há que conquistar os níveis mais altos do campo de batalha. É o que Moro está fazendo, com sucesso, até o momento.

Inclusive afirmando, quase ao final da audiência, que se for constatada alguma irregularidade, renunciaria ao cargo de ministro. Pura retórica, mas eficiente, pois se surgirem irregularidades, ele estará inviabilizado politicamente.

Moro repetiu com gosto o título de um artigo de um professor de Harvard que dizia “O escândalo que encolheu”. A não ser que apareçam coisas verdadeiramente graves, o escândalo, como apresentado pelo site Intercept e pela oposição, está realmente esvaziado.

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Comentários

Vanderlei on 22 junho, 2019 at 15:23 #

O Sérgio Moro deveria passar algumas vezes no senado, minúsculo mesmo, algumas vezes, para pelo menos fazer com que o senado funcionasse da maneira que funcionou com ele lá, ou seja, sem a bagunça que acontece lá sempre. Fora pequeninos detalhes, depressíveis no caso, o comportamento dos senadores presentes foi muito bom. Incrível respeitaram um aos outros, Comportamento digno de um senado, onde se pressupõe respeito à população e para com a nação Brasil.


Vanderlei on 22 junho, 2019 at 15:26 #

Matthews Stephenson – O incrível escândalo que encolheu:
Incredible Shrinking Scandal? Further Reflections on the Lava Jato Leaks
https://globalanticorruptionblog.com/2019/06/17/the-incredible-shrinking-scandal-further-reflections-on-the-lava-jato-leaks/#more-14162


vitor on 26 junho, 2019 at 20:10 #

Vanderlei:
Muito bom e pertinente o seu comentário no BP sobre a ida de Moro ao Senado. Na mosca!!!
Bahia em Pauta também agradece a sua postagem do artido “O escândalo que encolheu”. Grato e parabéns!!!


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