Empresa fala em “crise econômica que frustrou muitos dos planos de investimentos”. Grupo chegou a ter mais de 180.000 empregados cinco anos atrás; hoje são 48.000

Rodolfo Borges
Delações Odebrecht
Foto de dezembro de 2016 da sede da Odebrecht, em São Paulo. SEBASTIAO MOREIRA EFE

A gigante Odebrecht tenta seguir de pé após o desgaste político e econômico de cinco anos de Operação Lava Jato. A outrora imponente empreiteira formalizou nesta segunda-feira o maior pedido de recuperação judicial da história do Brasil, no valor de 51 bilhões de reais — o grupo deve ainda outros 14,5 bilhões de reais não passíveis de reestruturação. Em comunicado assinado pelo diretor presidente do grupo, Luciano Guidolin, a Odebrecht diz que “tanto as empresas operacionais como as auxiliares e a própria ODB [Odebrecht] continuam mantendo normalmente suas atividades, focadas no objetivo comum de assegurar estabilidade financeira e crescimento sustentável, preservando assim sua função social de garantir e gerar postos de trabalho”.

A companhia destaca, em uma sessão de perguntas e respostas em seu site, que não está falindo. “A recuperação judicial parte do pressuposto de que a crise pela qual a empresa passa é momentânea e que ela tem condições de superá-la caso suas dívidas sejam renegociadas”. Os problemas legais e econômicos da Odebrecht, contudo, vão muito além das fronteiras brasileiras. O Panamá proibiu a empresa de participar de licitações. A justiça peruana condenou neste mês o primeiro réu do caso ligado à empreiteira brasileira — no Peru, aliás, o caso Odebrecht complicou quatro ex-presidentes. Também houve prisões no Equador, tudo decorrência da Lava Jato.

O pedido de recuperação judicial da Odebrecht exclui a Braskem, a empreiteira OEC, a Ocyan, a incorporadora OR, a Odebrecht Transport e o estaleiro Enseada, além da Atvos Agroindustrial, que pediu recuperação judicial no mês passado. Na nota pública, a empreiteira lembra que “chegou a ter mais de 180 mil empregados cinco anos atrás”. “Hoje, tem 48 mil postos de trabalho como consequência da crise econômica que frustrou muitos dos planos de investimentos feitos pela ODB, do impacto reputacional pelos erros cometidos e da dificuldade pela qual empresas que colaboram com a Justiça passam para voltar a receber novos créditos e a ter seus serviços contratados”.

Os tais “erros cometidos” foram revelados pelas investigações da Lava Jato. Hoje em xeque por conta da revelação de diálogos entre o então juiz Sérgio Moro e membros da força-tarefa da operação, a Lava Jato colheu depoimentos de 78 delatores da Odebrecht, entre eles o herdeiro do grupo, Marcelo, que passou dois anos e meio preso na cadeia e hoje ainda cumpre pena de prisão domiciliar. Marcelo Odebrecht foi condenado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e pagou multa de 73 milhões de reais.

Ao informar o mercado sobre a decisão de pedir recuperação judicial, a empresa destaca que “apesar das crises econômicas enfrentadas no Brasil e nos países e setores em que atua, [a Odebrecht] realizou significativos aportes financeiros em seus Negócios e implementou programa de desinvestimento para cumprir compromissos e possibilitar a estabilização financeira do Grupo”. O grupo menciona, como exemplo, que a Odebrecht Engenharia e Construção “aportou aproximadamente R$ 1,0 bilhão em 2018”, o que teria lhe permitido estabilizar sua operação.

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