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Postado em 13-06-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 13-06-2019 00:18

Por Mariana Oliveira e Camila Bomfim, TV Globo — Brasília

Procurador trocou mensagens com hacker sem saber

Procurador trocou mensagens com hacker sem saber

Um hacker invadiu um grupo do aplicativo Telegram formado por conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e afirmou que acessa “quem quiser e quando quiser”.

A conversa ocorreu na noite de terça-feira (11), quando mensagens do perfil do conselheiro Marcelo Weitzel, do Ministério Público Militar, questionaram a atuação de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Um dos integrantes questionou: “Marcelo essas mensagens são suas? Não está parecendo seu estilo. Checa teu celular aí”.

E ele respondeu: “Hacker aqui. Adiantando alguns assuntos que vocês terão de lidar na semana, nada contra vocês que estão aqui, mas ninguém melhor que eu para ter acesso a tudo né.” As informações foram publicadas pelo “O Globo” e as conversas também foram obtidas pela TV Globo.

 

Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução

Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução

 

Depois, o suposto hacker diz que podem avisar o conselheiro Marcelo que o perfil dele foi liberado.

“Eu acessei ontem aqui apenas para mostrar que não sou como a mídia diz, que liga para o telefone com número internacional e tampouco com o mesmo número (vide fake News do moro) eu acesso quem eu quiser, quando eu quiser e pode ter verificado em 10 etapas. Ele já pode resgatar a conta dele, e que vocês saibam que eu apenas acessei a lava jato pois havia irregularidades que a população incluindo vocês deveriam saber”, afirmou.

 

Reprodução de mensagem de hacker — Foto: Reprodução Reprodução de mensagem de hacker — Foto: Reprodução

Reprodução de mensagem de hacker — Foto: Reprodução

O hacker enviou ainda, segundo conselheiros, áudios de procuradores da Lava Jato para o grupo.

O perfil hackeado de Marcelo Weitzel também trocou mensagens com o procurador regional José Robalinho Cavalcanti, ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República. Na mensagem, o hacker disse: “Eu não tenho ideologias, não tenho partidos, não tenho lado, sou apenas um funcionário de TI [tecnologia da informação].”

Não há confirmação sobre se quem hackeou o perfil de Marcelo Weitzel foi a mesma pessoa que entrou em conversas do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e de procuradores da Operação Lava Jato.

A Polícia Federal abriu quatro inquéritos para apurar quem teve acesso de forma ilegal a conversas privadas e qual método foi utilizado pelos hackers.

No último domingo, o site The Intercept divulgou trechos de conversas de procuradores da Lava Jato e de diálogos entre Moro e o coordenador da Lava Jato no Paraná, procurador Deltan Dallagnol pelo Telegram.

De acordo com as mensagens divulgadas pelo site, o ministro, então juiz da Lava Jato, dá orientações e opina sobre como proceder com as investigações. Segundo The Intercept, o site recebeu a reprodução das conversas de fonte antes da invasão de celulares pelos hackers.

PGR pede apuração

Em nota, a Procuradoria Geral da República informou que pediu à Polícia Federal a unificação das apurações em andamento sobre ataques cibernéticos a integrantes do Ministério Público e pediu ainda que a PF investigue especificamente o episódio do ataque ao grupo do CNMP.

Segundo a nota, houve invasão a celulares de integrantes do MPF do Paraná e do Rio de Janeiro.

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot chegou a ser alvo de ataques antes de se aposentar, em abril.

Por uma rede social, ele disse: “Amigos. Meu telefone foi clonado ou hackeado. Hacker muito proativo. Já tentou acessar minha conta Apple, Telegram, conta bancária e por aí vai. Tem muito interesse em meus bancos de informação. Vamos enfrentar! Tenho algumas desconfianças.”

Janot teve aplicativos Apple, Telegram e Twitter atingidos, e o hacker chegou a falar com auxiliares do ex-procurador como se fosse o próprio Janot.

Na época, o ex-procurador não pediu apuração porque não desconfiou de uma ação orquestrada. Depois, quando outras pessoas foram alvos de tentativas de ataque, a PGR pediu que a PF apurasse.

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