Glenn Greenwald, o cúmplice de hackers, atacou a Globo na entrevista que deu a um blog de esquerda e depois reproduzida por outros blogs. A emissora rebateu os ataques de Greenwald em nota enviada a quem publicou a entrevista, contando que ele ofereceu as matérias com mensagens roubadas à Globo, mas sonegou informações básicas para a prática de um jornalismo minimamente sério.

Leia a nota que a emissora enviou aos blogs:

“Glenn Greenwald procurou a Globo por e-mail no último dia 29 de maio para propor uma nova parceria de trabalho. Em 2013, a emissora já havia dividido com ele o trabalho sobre os documentos secretos da NSA referentes ao Brasil. Uma parceria que mereceu elogios dele pela forma como foi conduzido o trabalho.

Greenwald ficou ainda mais agradecido por um gesto da Globo. Nas reportagens que a emissora divulgou, em algumas frações de segundo era possível ver nomes de funcionários da agência americana, que não trabalhavam em campo, mas em escritório. Mesmo assim, tal exposição poderia levá-lo a responder a um processo em seu país natal, os Estados Unidos. A Globo, então, assumiu sozinha a culpa, declarando que, durante a realização da reportagem, Greenwald se preocupava sobremaneira com a segurança de seus compatriotas. Tal atitude o livrou de qualquer risco.

Ao e-mail do dia 29 de maio seguiram-se alguns telefonemas na tentativa de conciliar agendas (ele estava viajando) para um encontro, finalmente marcado. Ele ocorreu na redação do Fantástico no dia 5 de junho. Na conversa, insistindo em não revelar o tema, ele disse que tinha uma grande ‘bomba a explodir’ e repetiu que queria voltar a dividir o trabalho com a Globo, pelo seu profissionalismo. Mas, antes, gostaria de saber se a emissora tinha algo contra ele, sem especificar claramente os motivos da pergunta, apenas dizendo que falara mal da Globo em algumas ocasiões. Provavelmente se referia a um artigo que seu marido, o deputado David Miranda, do PSOL, tinha publicado no Guardian com mentiras em relação à cobertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O artigo foi rebatido por João Roberto Marinho, presidente do Conselho Editorial do Grupo Globo, fato que deu origem a comentários desairosos do próprio Greenwald.

Na conversa de 5 de junho, ele afirmou que ‘tudo estava no passado’. Prontamente, ouviu que jamais houve restrição (de fato, David Miranda já foi inclusive convidado para entrevista em programa da GloboNews). Greenwald ouviu também, com insistência, por três vezes, que a Globo só poderia aceitar a parceria se soubesse antes o conteúdo da tal ‘bomba’ e sua origem, procedimento óbvio. Greenwald se despediu depois de ouvir essa ponderação.

A Globo ficou aguardando até que, na sexta-feira à tarde, Greenwald mandou um e-mail afirmando que não recebeu nenhuma resposta da Globo e que devia supor que a emissora não estava interessada em reportar este material. Como Greenwald, no e-mail, continuava a sonegar o teor e origem da ‘bomba’, não houve mais contatos. Não haveria como assumir qualquer compromisso de divulgação sem conhecimento do que se tratava.

No domingo, seu site, o Intercept, publicou as mensagens atribuídas ao ministro Sergio Moro e procuradores da Lava-Jato, assunto que mereceu na mesma noite destaque em reportagem de mais de cinco minutos no Fantástico (e depois em todos os telejornais da Globo).

Na segunda, uma funcionária do Intercept sugeriu que o programa Conversa com Bial entrevistasse um dos editores do site para um debate sobre jornalismo investigativo. Como o próprio site anunciou que as publicações de domingo eram apenas o começo, recebeu como resposta que era conveniente esperar o conjunto da obra, ou algo mais abrangente, antes de se pensar numa entrevista.

Por tudo isso, causam indignação e revolta os ataques que ele desfere contra a Globo na entrevista publicada na Agência Pública. Se a avaliação dele em relação ao jornalismo da Globo e a cobertura da Lava-Jato nos últimos cinco anos é esta exposta na entrevista, por que insistiu tanto para repetir “uma parceria vitoriosa” e ser tema de um dos programas de maior prestígio da emissora? A Globo cobriu a Lava-Jato com correção e objetividade, relatando seus desdobramentos em outras instâncias, abrindo sempre espaço para a defesa dos acusados. O comportamento de Greenwald nos episódios aqui narrados permite ao público julgar o caráter dele.”

“Jogo proibido – Malandro bombardeado”, Moreira da Silva: duas incríveis raridade dos  Sambas de breque, reunindo os talentos dos músicos e compositores Tancredo Filho – David Silva – Zé da Zilda – Moreira da Silva , em gravação de 1963. Intérprete: Morengueira. Um alerta do tempo dos malandros antigos, que serve como luva a hackeadores malandros da era digital.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Hardt: “Invasão de aparelhos de autoridades pública atenta contra a segurança de Estado”

A juíza federal substituta Gabriela Hardt confirmou por meio de nota que seu Telegram “foi invadido na mesma época e aparentemente pela mesma pessoa/grupo que invadiu os aparelhos dos procuradores”.

Segundo ela, o fato foi imediatamente comunicado à Polícia Federal.

A juíza não verificou informações pessoais sensíveis que tenham sido expostas, mas entende que “a invasão de aparelhos de autoridades públicas é um fato grave que atenta contra a segurança de Estado e merece das autoridades brasileiras uma resposta firme”.

“Da mesma forma, a juíza federal espera que o Poder Judiciário, do qual faz parte, perceba tal gravidade e adote medidas firmes para repelir tais condutas.”

Do Jornal do Brasil

 

RICARDO DELLA COLETTA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta quarta-feira (12) não ver riscos à Lava Jato devido à divulgação de conversas entre o ex-juiz federal Sergio Moro (hoje ministro da Justiça) e o coordenador da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol.   

“A Lava Jato é uma realidade. Não acredito que essa realidade venha a ser afastada por qualquer circunstância conjuntural”, disse Fachin ao chegar à corte, pouco antes do início da sessão plenária da tarde desta quarta.

Fachin, que é o relator dos casos da Lava Jato no Supremo, negou “qualquer retrocesso” na operação.

“A operação trouxe um novo padrão normativo, jurídico e também de natureza ética ao Brasil e à administração pública. Tenho confiança plena de que isso não é suscetível de qualquer retrocesso”, concluiu o ministro. 

As mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil mostram que Moro e Deltan trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato. Os dois discutiam processos em andamento e comentavam pedidos feitos à Justiça pelo Ministério Público Federal.

Após a publicação das reportagens, a equipe de procuradores da operação divulgou nota chamando a revelação de mensagens de “ataque criminoso à Lava Jato”. Também em nota, Moro negou que haja no material revelado “qualquer anormalidade ou direcionamento” da sua atuação como juiz.

A Polícia Federal tem ao menos quatro investigações abertas para apurar ataques de hackers em celulares de pessoas ligadas à Operação Lava Jato, em Brasília, São Paulo, Curitiba e Rio. Uma das suspeitas é a de que os invasores tenham conseguido acesso direto a aplicativos de mensagens dos alvos, sem precisar instalar programas para espionagem. 

O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial. 

Já o governo Jair Bolsonaro adotou cautela em relação ao vazamento de conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. A equipe do presidente quer evitar movimentos prematuros, antes que fique clara a dimensão completa do caso.

Nas conversas privadas, membros da força-tarefa fazem referências a casos como o processo que culminou com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por causa do tríplex de Guarujá (SP), no qual o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

O valor, apontou a acusação, se referia à cessão pela OAS do apartamento tríplex ao ex-presidente, a reformas feitas pela construtora nesse imóvel e ao transporte e armazenamento de seu acervo presidencial. Ele foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. 

Preso em decorrência da sentença de Moro, Lula foi impedido de concorrer à Presidência na eleição do ano passado. A sentença de Moro foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e depois chancelada também pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Do  Jornal do Brasil

 

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro recebeu o ministro Sergio Moro (Justiça) pelo segundo dia seguido em meio às repercussões do vazamento de uma troca de mensagens do ex-juiz da Lava Jato com o procurador Deltan Dallagnol.

O encontro, que não estava previsto inicialmente nas agendas, teve a participação também do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. {'nm_midia_inter_thumb1':'https://www.jb.com.br/_midias/jpg/https://www.jb.com.br/_midias/jpg/2019/06/12/97x70/1_2019_06_11t135150z_386191643_rc1b382a2270_rtrmadp_3_brazil_corruption-399107.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5d0126408bc5e', 'cd_midia':399114, 'ds_midia_link': 'https://www.jb.com.br/_midias/jpg/2019/06/12/627x418/1_2019_06_11t135150z_386191643_rc1b382a2270_rtrmadp_3_brazil_corruption-399107.jpg', 'ds_midia': 'Brazil's President Jair Bolsonaro and Brazil's Justice Minister Sergio Moro arrive at a ceremony of the 154th anniversary of the Riachuelo Naval Battle at the Marine Corps Headquarters in Brasilia Brazil June 11, 2019. REUTERS/Adriano Machado Caption', 'ds_midia_credi': 'REUTERS/Adriano Machado', 'ds_midia_titlo': 'Brazil's President Jair Bolsonaro and Brazil's Justice Minister Sergio Moro arrive at a ceremony of the 154th anniversary of the Riachuelo Naval Battle at the Marine Corps Headquarters in Brasilia Brazil June 11, 2019. REUTERS/Adriano Machado Caption', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '627', 'cd_midia_h': '418', 'align': 'Left'}

Os três se reuniram às 12h no Palácio do Planalto a pedido de Bolsonaro, segundo a assessoria de imprensa da Presidência. Não foi informado o assunto tratado por eles. 

O vazamento de mensagens de Moro e de outras pessoas que atuaram na Lava Jato é alvo de ao menos quatro investigações conduzidas pela PF. 

A conduta de Moro como ex-juiz da Lava Jato tornou-se alvo de discussões após o site The Intercept Brasil ter publicado no domingo (9) conversas entre o ministro com Dallagnol nas quais eles trocavam colaborações sobre a Lava Jato.

Moro, que hoje é ministro da Justiça do governo Bolsonaro, foi o juiz responsável pela operação em Curitiba. Ele deixou a função ao aceitar o convite do presidente, em novembro, após a eleição. O site informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. O pacote inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram, de 2015 a 2018.

Desde que mensagens cujo conteúdo foi publicado, Bolsonaro ainda não comentou o caso. Ele encerrou abruptamente uma entrevista, em São Paulo, quando foi questionado sobre o tema. 

Na terça (11), o presidente recebeu seu ministro no Palácio da Alvorada para um breve encontro, que durou cerca de 20 minutos. Apenas Moro se manifestou sobre o encontro e disse ter sido uma conversa “tranquila”.

Apesar do silêncio de Bolsonaro, seus filhos e familiares vêm defendendo o ministro e falam em “ação orquestrada” contra ele e contra a Lava Jato.

Para minimizar as críticas, Moro se apresentou voluntariamente para prestar esclarecimentos ao Senado na próxima semana para evitar um constrangimento maior, como uma convocação

jun
13

Por Mariana Oliveira e Camila Bomfim, TV Globo — Brasília

Procurador trocou mensagens com hacker sem saber

Procurador trocou mensagens com hacker sem saber

Um hacker invadiu um grupo do aplicativo Telegram formado por conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e afirmou que acessa “quem quiser e quando quiser”.

A conversa ocorreu na noite de terça-feira (11), quando mensagens do perfil do conselheiro Marcelo Weitzel, do Ministério Público Militar, questionaram a atuação de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Um dos integrantes questionou: “Marcelo essas mensagens são suas? Não está parecendo seu estilo. Checa teu celular aí”.

E ele respondeu: “Hacker aqui. Adiantando alguns assuntos que vocês terão de lidar na semana, nada contra vocês que estão aqui, mas ninguém melhor que eu para ter acesso a tudo né.” As informações foram publicadas pelo “O Globo” e as conversas também foram obtidas pela TV Globo.

 

Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução

Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução

 

Depois, o suposto hacker diz que podem avisar o conselheiro Marcelo que o perfil dele foi liberado.

“Eu acessei ontem aqui apenas para mostrar que não sou como a mídia diz, que liga para o telefone com número internacional e tampouco com o mesmo número (vide fake News do moro) eu acesso quem eu quiser, quando eu quiser e pode ter verificado em 10 etapas. Ele já pode resgatar a conta dele, e que vocês saibam que eu apenas acessei a lava jato pois havia irregularidades que a população incluindo vocês deveriam saber”, afirmou.

 

Reprodução de mensagem de hacker — Foto: Reprodução Reprodução de mensagem de hacker — Foto: Reprodução

Reprodução de mensagem de hacker — Foto: Reprodução

O hacker enviou ainda, segundo conselheiros, áudios de procuradores da Lava Jato para o grupo.

O perfil hackeado de Marcelo Weitzel também trocou mensagens com o procurador regional José Robalinho Cavalcanti, ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República. Na mensagem, o hacker disse: “Eu não tenho ideologias, não tenho partidos, não tenho lado, sou apenas um funcionário de TI [tecnologia da informação].”

Não há confirmação sobre se quem hackeou o perfil de Marcelo Weitzel foi a mesma pessoa que entrou em conversas do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e de procuradores da Operação Lava Jato.

A Polícia Federal abriu quatro inquéritos para apurar quem teve acesso de forma ilegal a conversas privadas e qual método foi utilizado pelos hackers.

No último domingo, o site The Intercept divulgou trechos de conversas de procuradores da Lava Jato e de diálogos entre Moro e o coordenador da Lava Jato no Paraná, procurador Deltan Dallagnol pelo Telegram.

De acordo com as mensagens divulgadas pelo site, o ministro, então juiz da Lava Jato, dá orientações e opina sobre como proceder com as investigações. Segundo The Intercept, o site recebeu a reprodução das conversas de fonte antes da invasão de celulares pelos hackers.

PGR pede apuração

Em nota, a Procuradoria Geral da República informou que pediu à Polícia Federal a unificação das apurações em andamento sobre ataques cibernéticos a integrantes do Ministério Público e pediu ainda que a PF investigue especificamente o episódio do ataque ao grupo do CNMP.

Segundo a nota, houve invasão a celulares de integrantes do MPF do Paraná e do Rio de Janeiro.

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot chegou a ser alvo de ataques antes de se aposentar, em abril.

Por uma rede social, ele disse: “Amigos. Meu telefone foi clonado ou hackeado. Hacker muito proativo. Já tentou acessar minha conta Apple, Telegram, conta bancária e por aí vai. Tem muito interesse em meus bancos de informação. Vamos enfrentar! Tenho algumas desconfianças.”

Janot teve aplicativos Apple, Telegram e Twitter atingidos, e o hacker chegou a falar com auxiliares do ex-procurador como se fosse o próprio Janot.

Na época, o ex-procurador não pediu apuração porque não desconfiou de uma ação orquestrada. Depois, quando outras pessoas foram alvos de tentativas de ataque, a PGR pediu que a PF apurasse.

jun
13

Além das fotos e conversas íntimas divulgadas pelo jogador, modelo que o acusa de estupro acabou ainda mais exposta por profissionais que desistiram de defendê-la

Danilo Garcia de Andrade carrega Najila após depoimento em São Paulo. Amanda Perobelli Reuters

Pouco mais de uma semana depois de dar queixa à polícia, a modelo Najila Trindade sofreu outro revés em sua defesa na acusação de estupro movida contra Neymar. Na segunda-feira, o advogado Danilo Garcia de Andrade anunciou a desistência do caso, alegando quebra de confiança com a cliente. Segundo ele, Najila teria lhe acusado de planejar o arrombamento de seu apartamento para furto do tablet em que estaria armazenada a íntegra do vídeo gravado no hotel em Paris. De porte alto e cabelos no ombro, Andrade protagonizou uma imagem marcante na saída do depoimento de Najila, quando a carregou nos braços num gesto de proteção diante de afoitos jornalistas que a esperavam na saída. Mas, após deixar a defesa, Andrade disparou publicamente contra a cliente, insinuando que ela busca tirar proveito econômico da situação e não conseguiu  convencê-lo sobre o que realmente aconteceu na noite do encontro com o jogador. “Nada está acima dos meus valores morais e profissionais”, justificou.

Não é o primeiro advogado de Najila que coloca em xeque sua versão e aumenta a especulação sobre a jovem modelo. À frente do caso antes do registro do boletim de ocorrência, José Edgard da Cunha Bueno Filho discordou da cliente e, para se defender depois de ser acusado por tentativa de extorsão pelo pai de Neymar, divulgou o termo de rescisão de contrato com a modelo indicando como motivo “alteração na verdade dos fatos”. Por meio de nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não chegou a recriminar a conduta do advogado, mas ressaltou que profissionais inscritos no Conselho podem ser punidos por exposição indevida de informações pessoais. “É dever ético resguardar o sigilo e as comunicações feitas pelo cliente, que são absolutamente confidenciais, ressalvada a hipótese de grave ameaça à honra, entre outras. Todas as infrações disciplinares são apuradas pelo Tribunal de Ética e Disciplina e tramitam em absoluto sigilo.”

Mesmo em casos midiáticos, a indiscrição de advogados ao revelar detalhes de processos e contratos soa incomum. Essa é a avaliação de Tiago Lenoir, mestre em Direito e advogado que defendeu o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, entre 2012 e 2014. “Desde que deixei sua defesa, jamais teci comentários a respeito do processo”, diz Lenoir, observando que advogados devem seguir o artigo 112 do Código de Processo Civil. Pela norma, os defensores podem renunciar a um caso desde que comuniquem o cliente. No entanto, ainda devem permanecer responsáveis por representá-lo por um período de 10 dias. “Quando nos tornamos advogados, fazemos o juramento de manter sigilo sobre o processo, respeitando o cliente e a outra parte. Expor avaliações pessoais ou minúcias do caso é, no mínimo, antiético.”

O principal motivo para abandonar a defesa de Najila, de acordo com Bueno Filho, foi o fato de a modelo ter prestado queixa na polícia à sua revelia e registrado a ocorrência como estupro, e não como agressão, pelo entendimento do advogado. Em entrevista ao SBT, a ex-cliente disse que, desde o primeiro momento, havia deixado clara a intenção de denunciar Neymar por violação sexual. Na última terça-feira, a Promotoria de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo criou uma força-tarefa composta por três promotoras para acompanhar o desdobramento das investigações. Um dos objetivos é assegurar que Najila não tenha direitos desrespeitados em meio ao procedimento de ampla defesa exercido pelo jogador. “Qualquer juízo de valor precipitado pode prejudicar uma das partes. É preciso evitar, sobretudo nesses casos de grande repercussão, o julgamento público e moral da mulher”, afirma a promotora Fabiana Dal’Mas Rocha Paes.

Cortado por lesão da seleção, que disputa a Copa América a partir desta sexta-feira, Neymar prestará depoimento em São Paulo na véspera da estreia brasileira no torneio. Ao contrário de Najila, que recorreu à figura de apenas um defensor, o jogador contratou uma assessoria de comunicação com foco em gerenciamento de crises, além de uma equipe jurídica especializada para cuidar do caso, encabeçada pela advogada feminista Maíra Fernandes. Ao assumir a defesa do atleta, ela publicou um texto em seu perfil no Facebook explicando que aceitou o caso por entender, depois de analisar os autos, se tratar de uma “falsa acusação de estupro” que “não ajuda a causa feminista”.

Neymar vai depor em São Paulo nesta quinta-feira.
Neymar vai depor em São Paulo nesta quinta-feira. Mauro Pimentel AFP
 

Por causa da manifestação, o Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM) decidiu afastar Fernandes da organização. Em um comunicado, o órgão afirmou respeitar o devido processo legal e a ampla defesa. No entanto, integrantes da entidade julgaram que a declaração da advogada, ancorada em sua trajetória feminista, desacreditava o relato de Najila com intuito de atrair a opinião pública para o lado do atacante do Paris Saint-Germain. “Feminismo não é estratégia de defesa. Nem tudo o dinheiro dele [Neymar] pode comprar. Você não está sozinha, Najila”, disse Soraia Mendes, coordenadora nacional do CLADEM.

A modelo tem sido alvo de críticas por não mostrar o conteúdo completo (7 minutos de vídeo) de que dizia dispor, pela versão desencontrada do arrombamento de seu apartamento – algo que a polícia negou – e pelo entra e sai na defesa do caso, que já é difícil por ter um astro milionário do outro lado.

Além de Danilo Garcia de Andrade e José Edgard da Cunha Bueno Filho, a modelo ainda teve o auxílio de outra advogada. Yasmin Pastore Abdalla havia transferido a direção do caso a Andrade para se dedicar apenas à assistência pessoal de Najila. Antes de passar o bastão, ela enviou um áudio à reportagem do EL PAÍS afirmando que “a vítima não vai se calar” diante de pressões. Ainda com procuração para defendê-la, Abdalla foi a única entre os que já estiveram à frente da acusação a não constranger Najila com declarações à imprensa.

jun
13
Posted on 13-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-06-2019


 

Miguel, no

 

Presidente da comissão que avalia o projeto de mudança nas aposentadorias critica governo Bolsonaro e diz que a Câmara “carregou nas costas todas as etapas do projeto”

  O deputado Marcelo Ramos.
O deputado Marcelo Ramos. Cleia Viana Câmara

Presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, o deputado amazonense Marcelo Ramos, de 45 anos, é uma espécie de camaleão político. Já esteve em dois partidos que fazem oposição ao Governo Jair Bolsonaro (PSL), o PCdoB e o PSB. Trabalhou no Ministério dos Esportes no Governo Lula da Silva, foi vereador, deputado estadual e candidato derrotado à prefeitura de Manaus e ao Governo do Amazonas. Desde que foi eleito deputado federal pelo PL, contudo, decidiu não transitar nos extremos políticos. Afirma querer ser um conciliador em busca de certo protagonismo nacional.

Nesta semana, Ramos conseguiu um feito incomum: entrou em acordo com os opositores à reforma para que eles não obstruíssem o andamento dos trabalhos na fase de debates do relatório. A obstrução é um artifício do regimento da Câmara usado para atrasar votações ou discussões, como  pedidos de adiamentos ou de leitura de atas. A leitura do relatório, feito por Samuel Moreira (PSDB-SP), ocorre na manhã desta quinta-feira. A estimativa é que a votação do documento na comissão deva ocorrer após o dia 25 de junho. E, no plenário da Câmara, na primeira ou segunda semana de julho.

Na entrevista que concedeu nesta quarta-feira a EL PAÍS, Ramos disse que pontos polêmicos do projeto enviado ao Congresso por Jair Bolsonaro —como retirar a Previdência da Constituição, instituir um sistema de capitalização, alterar aposentadorias rurais e o benefício de prestação continuada— deverão ficar de fora do relatório de Moreira, conforme acordado com as lideranças partidárias. Por essa razão, o discurso dos opositores contra a nova Previdência cairia por terra.

Pergunta. Você é a favor da reforma da Previdência? Por quê?

Resposta. Defendo a reforma da Previdência porque entendo que nenhum país é sustentável se o Estado não cabe dentro do Orçamento. A Constituição de 1988 criou um Estado muito maior do que o orçamento. De lá pra cá, o Estado só cresceu e o Orçamento não cresce na mesma proporção, criando um absurdo desequilíbrio das contas públicas de um Estado que gasta mais do que arrecada. Para enfrentar esse problema, temos três caminhos: um é pensar só na nossa geração e comprometer o futuro das próximas gerações, acho que não é um bom caminho; o segundo seria aumentar imposto, para aumentar o tamanho do Orçamento, mas o Brasil não aguenta mais imposto. Portanto, só sobra um caminho responsável que é o de cortar despesa, e a Previdência é uma dessas despesas porque ela paga em benefício muito mais do que arrecada em contribuições. Penso que esse é um desafio inicial para equilibrar as contas públicas e para que o país tenha estabilidade econômica.

P. De que maneira os vazamentos envolvendo o ministro Sergio Moro impactaram no Legislativo? Podem atrapalhar a tramitação da reforma?

R. Entendo que a pauta econômica tem de ser blindada. Tenho feito todo esforço para isso. Não é justo que o investidor que quer segurança para investir no Brasil, o empresário que está preocupado com o negócio dele diante dessa grave crise econômica, o trabalhador que está com medo de perder o emprego, sejam responsabilizados pelas crises políticas. A despeito da gravidade dos acontecimentos, esses vazamentos envolvendo o ministro não devem contaminar a reforma da Previdência.

“A pauta econômica tem de ser blindada”

P. Sobre a comissão da reforma, qual é o procedimento que foi acordado com as lideranças para a análise do relatório?

R. Na quinta-feira será feita apenas a leitura. Nas próximas quatro ou cinco sessões, a depender do número de inscritos, não haverá obstrução por parte da oposição desde que o Governo não tente encerrar as discussões —que é uma possibilidade regimental. Então, todos que se inscreverem, terão direito à fala. Isso vai prolongar um pouco o tempo do debate, mas não teremos aquela obstrução que ridiculariza o Parlamento, que é a obstrução de leitura de ata, de uma hora discutindo a leitura da pauta. Vamos evitar um constrangimento para o parlamento, mas teremos uma discussão de mérito, em que os parlamentares dirão se são a favor ou contra um tema tão sensível. Ganha a sociedade, ganham os parlamentares e a Câmara, que dará um sinal da maturidade à sociedade, que vai discutir uma matéria polêmica, sem baixaria.

P. Você confia que será realmente assim?

R. Sim, absolutamente. Tem sido assim até pelo voto de confiança que os deputados têm dado a minha condução, que tenho procurado ser equilibrado e democrático. Acho que temos um clima de confiança e um clima mais sadio para debater essa matéria.

P. Essa reforma da maneira como tem sido alterada, ainda é a reforma do Governo?

R. Hoje ela tem muito mais a cara da Câmara, porque foi a Câmara que carregou nas costas todas as etapas desse projeto.

P. Por que faz essa avaliação?

R. Porque o Governo tem muita dificuldade no trato com o Parlamento. Há um desapreço grande com as instituições democráticas, o que é da trajetória política do presidente Bolsonaro. Isso reflete na forma como ele enxerga os outros Poderes. Ele acha que porque teve 57 milhões de votos pode fazer tudo sem ouvir ninguém. O presidente e parte de sua base não conseguem perceber que tão legitimado quanto ele está o Parlamento. Talvez, o Parlamento esteja ainda mais legitimado porque representa também as minorias que perderam a eleição. E o país é um país de todos, não só dos eleitores do Bolsonaro.

P. Chama a atenção essa falta de apreço após 28 anos de mandatos na Câmara?

R. Ele ficou 28 anos às custas do Parlamento defendendo que o Parlamento fechasse, defendendo ditadura. Então, não é de se estranhar. Uma coisa você não pode negar: ele é coerente. Coerente com as teses dele, que na minha opinião, contrariam o avanço civilizatório. E há duas questões que há um acordo para retirar do relatório que eram os pilares da proposta do ministro Paulo Guedes: a capitalização e a desconstitucionalização da Previdência. Tirando isso, a reforma perdeu a lógica do que o Governo queria.

P. E Benefício de Prestação Continuada (BCP) e dos trabalhadores rurais. Estarão fora da proposta?

R. Vão cair porque 14 partidos já se manifestaram contra.

P. Estados e municípios, seguem na proposta?

R. Pelo que vem sendo costurado, não. Estados e municípios saem do relatório para que não haja tensão na aprovação do relatório na comissão. Mas, no Plenário, deverá haver um destaque para incluir novamente os Estados e municípios. Aí, vai à votação e tem de conseguir 308 votos.

P. Mas os 27 governadores estavam pedindo para ficar. Isso não é levado em conta?

R. Eles pediram para ficar. Agora está havendo uma atitude mais colaborativa, diferente da atitude atrapalhada que tiveram no início, de tentar enquadrar o Parlamento. O problema é que isso ainda gera tensões entre os deputados por conta de questões regionais. Por isso, a comissão vai votar o relatório sem Estados a municípios. Não poderíamos correr o risco de derrubá-lo por esses tópicos.

“O Governo tem muita dificuldade no trato com o Parlamento. Há um desapreço grande com as instituições democráticas”

P. Vocês contam com votos da oposição para aprovar a reforma?

R. Acho que ficou difícil para os opositores manterem o nível de oposição que faziam à proposta. Durante todo o processo a oposição atacou as propostas que tratavam do BPC, trabalhadores rurais, da idade dos professores, desconstitucionalização e capitalização. São cinco itens que tendem a cair. Ou a oposição vai ter de aprovar a proposta ou vai ter de criar uma nova narrativa para se dizer contra. Todos os tópicos arguidos por ela durante o processo de debate devem ser modificados no relatório, conforme foi acordado.

P. E qual é a previsão de economia?

R. Não tenho certeza. Mas acho que chega de 850 bilhões a 900 bilhões. Tirando rurais, professores e BPC, ainda chega a 1,1 trilhão de reais. O Governo esperava 1,240 trilhão. Você tem uma regra de transição que deve ter um custo no regime geral da Previdência, e o resto no regime próprio. Acho que é possível chegar em 850 bilhões. No fundo, vamos entregar para o Governo mais do que ele queria. Na proposta do Governo, teria um custo de 400 bilhões como custo de transição da capitalização. O país vai receber mais do que o Governo pediu.

P. Você tem se queixado da postura do Governo, em vários momentos. Quais são suas principais críticas?

R. A principal é a falta de uma agenda. Você ganha uma eleição negando alguma coisa, mas não governa negando alguma coisa. Para governar você tem de ter uma agenda para o país, e esse Governo não tem. Fora o desapreço pelas instituições e pelas regras democráticas.

P. Em algum momento o Governo consegue mudar essa situação?

R. Acho que é difícil porque é da formação pessoal e de visão do mundo do presidente Bolsonaro. Mas acho que é possível. Eu comparo esse primeiro momento do Governo Bolsonaro com o primeiro momento do Governo Lula. No seu primeiro ano o Lula estava refém dos radicais à esquerda e ele só começou a governar quando tirou o pessoal e deu uma guinada ao centro. Se quiser governar, o Bolsonaro terá de se afastar desses radicaloides conservadores dele, não são liberais, e dar uma guinada a um diálogo melhor com o centro. Acho que, em algum momento, vai viver isso. Se não viver, vai ser um Governo de crises eternas.

P. Em algumas áreas, há quem aponte avanços. Infraestrutura é um deles. O senhor discorda dessa análise?

R. O Governo tem um estalo de lucidez em infraestrutura, não tem como não reconhecer isso, a despeito de eu não ter uma boa relação com o ministro Tarcísio [Freitas]. Ele é alguém que sabe o que quer. A economia tem um plano, apesar de eu discordar de muitas coisas.

P. Do que discorda na economia?

R. De vários aspectos. Eu torço para o Brasil ser o primeiro case de sucesso da escola de Chicago porque em todo lugar que ela passou, deu errado. Paulo Guedes talvez seja um dos últimos que ainda estão apegados àquela linha tradicional da escola de Chicago. Todo mundo a abandonou. O criador disso, o Milton Friedman, fez uma crítica a ela já no fim de sua vida. Nas outras áreas, não tem plano, não tem rumo, como diz na minha terra, não tem quilha, que é aquele negócio que orienta o barco. Você não pode governar o país sem ter uma agenda para a educação. Se tem um lugar que o Governo não tem agenda é na educação. Você não tem um Governo de metas. Quantos empregos serão gerados até o fim do ano? Quanto vai crescer o PIB? Quantos vamos tirar da linha da pobreza? Quantos mestres e doutores vamos formar? Quanto vamos crescer no PISA? Não tem. É um Governo sem plano de voo.

P. Na comissão, tem se pautado pela agenda do Rodrigo Maia, o presidente da Câmara?

“É um Governo sem plano de voo”

R. Desde que eu iniciei os trabalhos, sempre trabalhei com as metas e o calendário definidos por ele. Como ele sempre verbalizou o objetivo de votar em julho, eu sempre organizei meus trabalhos para entregar para ele no final de julho. Os passos são coordenados com ele, mas ele tem me dado autonomia absoluta.

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