Resultado de imagem para Nossa Senhora da Conceição pintada nos ladrilhos da calçada da Barra
IGNORÂNCIA

Gilson Nogueira

 Recentemente, caminhando e cantando, baixinho, na Avenida Oceânica, em direção ao Farol da Barra, onde  costumo contemplar, com olhos de saudade, a Ilha de Itaparica, tomei um susto de deixar-me zonzo. A estupidez que os mesmos olhos de lembrar o paraíso que virou um inferno flagraram deve ser urgentemente transformada em carão nos responsáveis por uma hospedaria que surgiu no local.  Nossa Senhora da Conceição, a Padroeira da Cidade da Bahia, pintada em  um lindo vestido em  azul e branco, sobre um ladrilho de porcelana, colado na parede de um imóvel em estilo colonial,  de cara para o Oceano Atlântico, desapareceu. No seu lugar, um  pequeno veleiro, todo branco, sem navegador. O absurdo em maré da falta de respeito  à religiosidade do baiano. Urge, portanto, que os órgãos responsáveis pela preservação dos valores sagrados da terra do Mestre Bimba façam ressurgir a imagem da Santa!

Minha benção continua sendo pedida a ela, quando volto lá, pois a minha fé segue infinitamente maior que o pecado cometido por quem ignorou a imagem de Nossa Senhora da Conceição que embelezava, mais, o trecho que me apaixonou desde o primeiro banho de mar, levado por meus saudosos pais, ao lado de meus irmãos, para mergulhar com os peixinhos torcedores do Ypiranga.

No embalo da revolta, lembro que Salvador do passado não pode ser tratada como se, aqui, fosse um brega, como diria o velho Guido Guerra, uma das mais brilhantes cabeças que iluminaram o jornalismo soteropolitano.  Que a Prefeitura Municipal entre em cena e resgate, sem  pensar duas vezes, para o bem do povo, onde me incluo, a imagem da Nossa Padroeira. E enquanto escrevo essas linhas com a ponta do dedo indicador  vem-me a idéia de ver na Barra, um dia, uma estátua do inesquecível Raul Seixas, que tive o privilégio de ser colega no Colégio São Bento e nutrir uma amizade que misturava bossa nova e rock. Viver Bahia é preciso, sem deixar-se envolver pela vontade de crescer, modernizar-se, atropelando o passado. O dono dessa cidade sou eu! Ah, Daniela, também. Gilson Nogueira   

 Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

“Cirandeiro”, Edu Lobo e Maria Bethânia: Edu e Betha, que tal, reunir de novo, para a felicidade geral da canção?

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Site divulga trechos de mensagens atribuídas a procuradores da Lava Jato

Site divulga trechos de mensagens atribuídas a procuradores da Lava Jato

Agora à noite, o site “Intercept” divulgou trechos de mensagens atribuídas a procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e ao então juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, extraídas do aplicativo Telegram.

Os alvos dessas conversas denunciaram recentemente que tiveram seus celulares hackeados ilegalmente, o que é crime.

O “Intercept”, no entanto, disse que obteve os diálogos antes dessa invasão. Segundo o site, as informações foram obtidas de uma fonte anônima. O site diz que procuradores, entre eles Deltan Dallagnol, trocaram mensagens com Moro sobre alguns assuntos investigados.

Segundo o “Intercept”, Moro orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores. Em um dos diálogos, Moro pergunta a Dallagnol, segundo o site: “Não é muito tempo sem operação?”. O chefe da força-tarefa concorda: “É, sim”.

Numa outra conversa, o site diz que é Dallagnol que pede a Moro para decidir rapidamente sobre um pedido de prisão: “Seria possível apreciar hoje?”, e Moro responde: “Não creio que conseguiria ver hoje. Mas pensem bem se é uma boa ideia”.

O site também diz que os procuradores da Lava Jato, em conversas num grupo de mensagens do Telegram, trocaram mensagens expressando indignação quando o ex-presidente Lula foi autorizado pelo ministro Ricardo Lewandowski a dar uma entrevista à “Folha de São Paulo”.

Os procuradores, sempre segundo o “Intercept”, comemoraram quando a autorização para a entrevista foi cassada. O “Intercept” diz que isso mostra um viés partidário nas ações contra o ex-presidente Lula.

Ainda segundo o “Intercept”, mensagens atribuídas a Deltan Dallagnol, chefe dos procuradores da Lava Jato, sugeririam dúvidas sobre a solidez da denúncia contra o ex-presidente Lula no caso do triplex de Guarujá poucos dias antes de ela ser oferecida ao então juiz Moro.

O procurador diz a seus companheiros que a ligação entre pagamentos de propina da Petrobras e o apartamento seria questionada. E diz que esses pontos têm de estar bem amarrados e que eles devem ter respostas na ponta da língua.

Em outro trecho de conversa, pelo Telegram, segundo o “Intercept”, Moro passou para Dallagnol pistas de suposta transferência de propriedade para um dos filhos de Lula.

“Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação”, diz Moro.

“Obrigado. Faremos contato”, responde o procurador.

Mas a pessoa não quis falar com os procuradores, o que levou Dallagnol a dizer para Moro que argumentaria ter recebido notícia apócrifa, para intimá-lo a depor.

“Melhor formalizar então”, aconselha Moro.

O site “Intercept” diz que na Constituição brasileira um juiz não pode aconselhar o Ministério Público, nem direcionar seu trabalho. Deve apenas se manifestar nos autos dos processos, para resguardar a sua imparcialidade.

Especialistas ouvidos pelo Fantástico disseram que não viram prática de ilegalidades nos diálogos, mas sim desvios éticos, por considerarem que um juiz não deve orientar acusadores.

O ministro Sérgio Moro lamentou que a reportagem não indicasse a fonte das informações e o fato de não ter sido ouvido. Segundo ele, no conteúdo das mensagens que citam seu nome, “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”.

 

A força-tarefa da Lava Jato divulgou uma nota agora à noite declarando que seus integrantes foram vítimas de ação criminosa de um hacker. E que esse hacker praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes.

Segundo a nota, o hacker invadiu telefones e aplicativos dos procuradores da Lava Jato – e teve acesso à identidade de alguns deles. Ainda segundo a força-tarefa, o autor do ataque obteve cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho.

Dentre as informações ilegalmente copiadas, possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias.

A força-tarefa afirma que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial.

Segundo a nota, na medida em que expõe rotinas e detalhes da vida pessoal, a ação ilegal do hacker cria enormes riscos à intimidade e à segurança dos integrantes da força-tarefa, de seus familiares e amigos.

A nota afirma ainda que os procuradores mantiveram, ao longo dos últimos cinco anos, discussões em grupos de mensagens, sobre diversos temas, alguns complexos, em paralelo a reuniões pessoais. E que vários dos integrantes da força-tarefa de procuradores são amigos próximos e, nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras.

A nota afirma que muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas.

A força-tarefa afirma que estará à disposição para prestar esclarecimentos sobre fatos e procedimentos de sua responsabilidade, com o objetivo de manter a confiança pública na plena licitude e legitimidade de sua atuação, assim como de prestar contas de seu trabalho à sociedade.

Íntegra da nota do ministro Sérgio Moro

Sobre supostas mensagens que me envolveriam publicadas pelo site Intercept neste domingo, 9 de junho, lamenta-se a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo.

 

Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.

Íntegra da nota da força-tarefa da Lava Jato

A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná (MPF/PR) vem a público informar que seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes.

A ação vil do hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, tendo havido ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes. Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho.

Dentre as informações ilegalmente copiadas, possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias.

Há a tranquilidade de que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de Operação.

Contudo, há três preocupações. Primeiro, os avanços contra a corrupção promovidos pela Lava Jato foram seguidos, em diversas oportunidades, por fortes reações de pessoas que defendiam os interesses de corruptos, não raro de modo oculto e dissimulado.

A violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado e se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da Operação, expondo a vida dos seus membros e famílias a riscos pessoais. Ninguém deve ter sua intimidade – seja física, seja moral – devassada ou divulgada contra a sua vontade. Além disso, na medida em que expõe rotinas e detalhes da vida pessoal, a ação ilegal cria enormes riscos à intimidade e à segurança dos integrantes da força-tarefa, de seus familiares e amigos.

 

Em segundo lugar, uma vez ultrapassados todos os limites de respeito às instituições e às autoridades constituídas na República, é de se esperar que a atividade criminosa continue e avance para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto, falsificar integral ou parcialmente informações e disseminar “fake news”.

Entretanto, os procuradores da Lava Jato não vão se dobrar à invasão imoral e ilegal, à extorsão ou à tentativa de expor e deturpar suas vidas pessoais e profissionais. A atuação sórdida daqueles que vierem a se aproveitar da ação do “hacker” para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto e falsificar integral ou parcialmente informações atende interesses inconfessáveis de criminosos atingidos pela Lava Jato.

Por fim, os procuradores da Lava Jato em Curitiba mantiveram, ao longo dos últimos cinco anos, discussões em grupos de mensagens, sobre diversos temas, alguns complexos, em paralelo a reuniões pessoais que lhes dão contexto. Vários dos integrantes da força-tarefa de procuradores são amigos próximos e, nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras. Muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas. A força-tarefa lamenta profundamente pelo desconforto daqueles que eventualmente tenham se sentido atingidos.

Diante disso, em paralelo à necessária continuidade de seu trabalho em favor da sociedade, a força-tarefa da Lava Jato estará à disposição para prestar esclarecimentos sobre fatos e procedimentos de sua responsabilidade, com o objetivo de manter a confiança pública na plena licitude e legitimidade de sua atuação, assim como de prestar contas de seu trabalho à sociedade.

Contudo, nenhum pedido de esclarecimento ocorreu antes das publicações, o que surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas. Esclarecimentos posteriores, evidentemente, podem não ser vistos pelo mesmo público que leu as matérias originais, o que também fere um critério de justiça. Além disso, é digno de nota o viés tendencioso do conteúdo até o momento divulgado, o que é um indicativo que pode confirmar o objetivo original do hacker de, efetivamente, atacar a operação Lava Jato.

 

De todo modo, eventuais críticas feitas pela opinião pública sobre as mensagens trocadas por seus integrantes serão recebidas como uma oportunidade para a reflexão e o aperfeiçoamento dos trabalhos da força-tarefa.

Em paralelo à necessária reflexão e prestação de contas à sociedade, é importante dar continuidade ao trabalho. Apenas neste ano, dezenas de pessoas foram acusadas por corrupção e mais de 750 milhões de reais foram recuperados para os cofres públicos. Apenas dois dos acordos em negociação poderão resultar para a sociedade brasileira na recuperação de mais de R$ 1 bilhão em meados deste ano. No total, em Curitiba, mais de 400 pessoas já foram acusadas e 13 bilhões de reais vêm sendo recuperados, representando um avanço contra a criminalidade sem precedentes. Além disso, a força-tarefa garantiu que ficassem no Brasil cerca de 2,5 bilhões de reais que seriam destinados aos Estados Unidos.

Em face da agressão cibernética, foram adotadas medidas para aprimorar a segurança das comunicações dos integrantes do Ministério Público Federal, assim como para responsabilizar os envolvidos no ataque hacker, que não se confunde com a atuação da imprensa. Desde o primeiro momento em que percebidas as tentativas de ataques, a força-tarefa comunicou a Procuradoria-Geral da República para que medidas de segurança pudessem ser adotadas em relação a todos os membros do MPF. Na mesma direção, um grupo de trabalho envolvendo diversos procuradores da República foi constituído para, em auxílio à Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação da PGR, aprofundar as investigações e buscar as melhores medidas de prevenção a novas investidas criminosas.

Em conclusão, os membros do Ministério Público Federal que integram a força-tarefa da operação Lava Jato renovam publicamente o compromisso de avançar o trabalho técnico, imparcial e apartidário e informam que estão sendo adotadas medidas para esclarecer a sociedade sobre eventuais dúvidas sobre as mensagens trocadas, para a apuração rigorosa dos crimes sob o necessário sigilo e para minorar os riscos à segurança dos procuradores atacados e de suas famílias.

O Comentarista: O que diz o livro de Palocci

 

Antonio Palocci deve lançar nos próximos meses um livro, “com reflexões sobre os erros dele e do PT”.

Não será a primeira vez. Em 2007, o já ex-ministro publicou Sobre formigas e cigarras, uma autobiografia curta narrando episódios antes e durante seu período na Fazenda.

Confira algumas curiosidades sobre o que o livro diz (e omite). Ao que tudo indica, o próximo volume não vai ser muito melhor.

1. O sumiço de Duda Mendonça

Duda Mendonça, citado pelo dono da Adega do Leone, não é lembrado nas memórias de Palocci

O capítulo 2 de Sobre formigas e cigarras é dedicado à Carta ao Povo Brasileiro, peça-chave da vitoriosa campanha eleitoral de Lula em 2002.

A ideia da carta nasceu em almoço na Adega Leone, restaurante português de Ribeirão Preto, cidade da qual Palocci foi prefeito. O estabelecimento fecha às segundas, mas abriu uma exceção para receber uma refeição reservada para o alto escalão do petismo.

Na página 26, Palocci nomeia quem estava à mesa: Lula, Dirceu, Mercadante, José Genoino, o governador Zeca do PT e Guido Mantega, além do próprio Palocci.

Curiosamente, na memória do próprio Leone Rufino, dono do restaurante, Duda Mendonça também estava presente. O marqueteiro tem local de destaque no cartum publicado na revista Piauí em agosto de 2015 ilustrando a história.

No livro de Palocci, Duda Mendonça nem é citado.

2. O contato próximo com a Globo

Palocci conta que, durante a campanha de 2002, telefonou para João Roberto Marinho duas vezes para contar da Carta ao Povo Brasileiro. Marinho sugeriu a ele que o texto deveria incluir um “número forte” de meta de superávit primário, como 4%. A meta ficou fora do texto.

jun
10

Do Jornal do Brasil

 

Presidente culpou parlamentares por possível reprovação de crédito extra para o governo

  SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro foi novamente às redes sociais neste domingo (9) fazer um apelo pela aprovação de um crédito extra para o governo de R$ 248 bilhões.

“A oposição está trabalhando para inviabilizar o pagamento de beneficiários do Bolsa Família, idosos com deficiência, Plano Safra e PRONAF. Para alcançar seus objetivos vale até prejudicar os mais pobres”, diz a publicação, que traz a imagem do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).

Macaque in the trees
Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Sem o crédito suplementar, a suspensão do pagamento de benefícios a idosos e pessoas com deficiência seria feita no próximo dia 25, disse Bolsonaro em uma publicação feita no sábado (8). Recursos para programas como Bolsa Família também faltariam nos próximos meses.

O PLN  (projeto de lei do Congresso Nacional) de número 4 deveria ter sido votado na semana passada, mas ainda não foi aprovado nem mesmo na CMO (Comissão Mista de Orçamento).

Na quarta-feira passada (4), o governo tentou votar o texto na comissão para já levá-lo ao plenário na sessão do Congresso Nacional daquele dia. Mas a oposição bloqueou a votação, adiando a apreciação do PLN 4 tanto na CMO como na sessão que reúne deputados e senadores em plenário em 11 de junho (terça-feira).

Dados obtidos pela Folha de S.Paulo mostram que cerca de 400 mil idosos carentes dependem do benefício assistencial no estado de São Paulo.

Estados de oposição a Bolsonaro, como a Bahia, também podem ser bastante afetados: 200 mil recebem o BPC.

jun
10
Posted on 10-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-06-2019



 

Sponholz no

 

jun
10
Posted on 10-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-06-2019

Campanha nas redes lançada por uma jovem de Tóquio destaca as rígidas regras de etiqueta no país

Yumi Ishikawa, fundadora do Movimento KuToo no Japão em 3 de junho, em uma entrevista em Tóquio CHARLY TRIBALLEAU AFP
Jaime Santirso
Pequim

As normas de etiqueta da casa funerária em que trabalhava obrigaram Yumi Ishikawa, uma jovem de Tóquio, a usar diariamente saltos de cinco a sete centímetros. Quando seus pés começaram a doer, sua primeira reação foi reclamar nas redes sociais. Mas não parou por aí: Ishikawa lançou uma campanha digital para reivindicar que as empresas não possam exigir o uso desse tipo de calçado por parte de suas funcionárias. A petição, que já acumula mais de 26.000 assinaturas (e subindo) na plataforma Change.org deu origem a um movimento social batizado de #KuToo, um aceno ao #MeToo norte-americano, a partir de um jogo de palavras entre “kutsu” (sapato) e “kutsuu” (dor).

Sua repercussão foi tal que o ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, Takumi Nemoto, se pronunciou a respeito na quarta-feira, 5. “É necessário e apropriado” usar saltos no trabalho, respondeu quando perguntado por um membro da oposição durante uma reunião da comissão parlamentar, argumentando que embora a saúde e a segurança dos trabalhadores devam ser protegidas, as exigências de trabalho são muito variadas.

Esses comentários acontecem dois dias depois que Yumi Ishikawa ter feito chegar sua reivindicação ao Ministério. “Parece que os homens não entendem que usar saltos pode ser doloroso e causar lesões”, disse a protagonista à agência Reuters. Ishikawa, que posa sorridente usando tênis em jornais de todo o mundo, está esperançosa que tanto interesse incentive as mulheres japonesas a discutirem o assunto com seus chefes: “Tudo isso pode provocar esse tipo de conversa, acho que estamos indo no caminho certo”.

O ministro, encarregado de supervisionar as reformas trabalhistas do país, ainda não deu uma resposta definitiva: limitou-se a acrescentar que a petição estava sendo considerada e se recusou a fazer mais comentários.

A importância dos sapatos

A agitação causada pelo movimento #KuToo mostra que é uma questão transversal relacionada a várias áreas ao mesmo tempo. A primeira são as rígidas convenções que prevalecem na sociedade japonesa e, especialmente, na vida profissional. Isso inclui, como é lógico, a indumentária: é comum ver hordas de funcionários de escritório vestidos de maneira idêntica – camisa branca com terno, gravata e sapatos pretos – tomando as ruas no final da jornada de trabalho, embora para alguns essa hora às vezes nunca chegue. Muitas das lojas nas regiões financeiras vendem camisas e gravatas baratas para aqueles que não voltam para casa, seja por terem trabalhado a noite toda ou por terem afogado o estresse no álcool.

“As regras de etiqueta estão bem estabelecidas: os homens usam terno durante todo o ano e as mulheres usam saia e saltos”, diz Kathryn Tanaka, professora associada da Universidade de Otemae. “Isso poderia ser visto como um amplo movimento que afeta todos os trabalhadores”, acrescenta, “embora as mulheres sejam frequentemente submetidas a regras mais discriminatórias”.

Há também uma importante dimensão econômica em jogo. Diante da espiral deflacionária que mantém o mercado japonês preso há décadas, o Governo tentou colocar todas as fichas em sua aposta pela produtividade. Uma das frentes prioritárias foi conseguir a plena incorporação das mulheres ao mercado de trabalho. Na opinião de Tanaka, “o movimento #KuToo também está relacionado a isso. Muitas mulheres criticaram o Governo por não promover sua participação de maneira efetiva. Por essa razão, uma grande maioria entende esse assunto como uma maneira de facilitar sua vida profissional”.

O feminismo ainda tem muito a avançar no Japão. Na classificação de países em matéria de igualdade de gênero elaborada em 2018 pelo Fórum Econômico Mundial, o Japão ficou na 110ª posição em 149, atrás de países como Mauritânia, Índia ou Gana. “Colocar em prática um ativismo feminista no estilo dos Estados Unidos ou da Europa é um pouco mais complicado, as mulheres aqui ainda têm de enfrentar barreiras institucionais e sociais que em outros países já foram superadas há muito tempo”, conclui Tanaka. Yumi Ishikawa e o #KuToo convidam seu país a dar um passo, com sapatos baixos, nessa direção.

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