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Postado em 09-06-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-06-2019 00:22

O empenho da herdeira do astro da música em conseguir fundos, nos últimos cinco anos, foi essencial para o sucesso do futebol feminino do país caribenho

A seleção jamaicana de futebol feminino.A seleção jamaicana de futebol feminino. GETTY

As Reggae Gilrz jamaicanas, que ocupam a 53.a posição no ranking da FIFA, fazem na França a sua estreia numa Copa do Mundo. É a primeira equipe caribenha a se apresentar numa fase final.

A proeza foi fruto de seu terceiro lugar no grupo de classificação da Concacaf, após vencer o Panamá por 4-2 nos pênaltis em outubro. As Reggae Girlz perderam apenas dois jogos (2-0 contra o Canadá e 6-0 ante os Estados Unidos) em toda a etapa de classificação, fazendo 53 gols e levando 14. À frente do time esteve seu aríete, Khadija Bunny Shaw, com 19 gols na fase classificatória.

A seleção que viaja à França inclui várias atletas oriundas da Jamaica nascidas nos EUA e no Reino Unido. É praticamente o mesmo time que disputou a fase classificatória. Ainda assim, o técnico Hue Menzies conseguiu somar alguns talentos novos antes do torneio.

Menzies e suas jogadoras adotaram o 4-3-3, confiando em sua velocidade e condição física para abrir as defesas rivais, sobretudo pelas laterais. Como de costume, Shaw ocupará o centro do ataque e pode ser determinante contra as adversárias mais ilustres do grupo C, desde que receba a bola perto o suficiente do gol para marcar.

Como já se comentou, as Reggae Girlz parecem mais eficazes no contra-ataque graças à sua velocidade. E a volta da atacante Trudi Carter após uma lesão deve agregar maior impulso. A defesa mostrou sua força na fase de classificação. Embora tendam a recuar quando o rival é forte, as defensoras às vezes avançam para impor maior pressão ao marcar o adversário e apoiar o meio campo para tentar roubar a bola.

Passado e presente

A seleção de futebol feminino da Jamaica começou a ganhar forma em 1991, quando as Reggae Girlz disputaram seu primeiro jogo internacional contra o Haiti —e perderam por 1-0. Desde então, tornou-se um dos times femininos mais destacados da região, ao lado de Haiti e Trinidad e Tobago. Hoje, as jogadoras exibem orgulhosas seu posto 53 no ranking da FIFA, o mais alto já obtido.

As atletas enfrentaram muitos obstáculos até chegar ao ponto atual. Há oito anos, a Federação Jamaicana de Futebol dissolveu o programa de futebol feminino, assim como o programa olímpico feminino, por falta de financiamento. Tanto que a Jamaica sumiu do ranking da FIFA após três anos sem atividades.

O programa foi retomado em 2014 com o apoio de Cedella Marley, filha de Bob Marley e atual embaixadora do futebol feminino da Jamaica. Os vigorosos esforços de Marley para gerar fundos permitiram que as jamaicanas conseguissem sua histórica classificação para a Copa, após fracassar na tentativa em 2015 e ficar novamente de fora do ranking da FIFA em junho de 2017.

No Mundial deste ano, espera-se um grande rendimento da capitã, Konya Plummer, e de sua companheira na defesa, Allyson Swaby. Ambas mostram potência no jogo aéreo e decisão com a bola nos pés, ainda que ultimamente a defesa sempre tenha sido um trabalho de equipe, em que todas se esforçam ao máximo e trabalham juntas.

Em resumo, a Jamaica tem muitas chances de perder, mas não viaja à França para se deixar vencer. E nunca devemos subestimar o poder de um grupo disposto a dar tudo não só por si mesmo, mas pelo povo da Jamaica.

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