OPINIÁO i

Preencher o vazio político

Apoiadores de Jair Bolsonaro durante manifestação em São Paulo.
Apoiadores de Jair Bolsonaro durante manifestação em São Paulo. Sebastiao Moreira EFE

No mês passado, o PSDB, em congresso nacional, elegeu nova direção, que terá tarefa pesada: atualizar as diretrizes e, principalmente, as práticas do partido. Isso no momento em que o Brasil passa por uma tempestade e requer renovação. Com efeito, na recente eleição presidencial a marreta cega da História destruiu o que já estava nos escombros: o sistema político e partidário criado a partir da Constituição de 1988 que, com o tempo, se foi deformando. O país percebeu que as bases de sustentação do sistema partidário e eleitoral estavam em decomposição. Organizações empresariais, partidos e segmentos da sociedade civil chafurdavam na teia escusa da corrupção para sustentar o poder e obter vantagens.

Pode ter havido injustiças e exagero por parte de delatores e mesmo de “salvadores da pátria”. Mas o certo é que as más práticas atingiram o cerne do sistema de poder e levaram o povo à descrença. O governo atual nasceu desse sentimento e da insegurança pela presença crescente do crime organizado e da falta de bem estar, agravada pela crise econômica. A campanha foi plena de negatividade: não à corrupção, não ao crime, não ao “sistema”. Mas rala na positividade sobre o que fazer para construir um sistema político melhor.

Reconhecer esta realidade implica em fazer o mea culpa da parte que cabe aos políticos do “velho sistema”. Mais do que isso, em reconstruir a crença em mecanismos capazes de reforçar a democracia e levar o país a um crescimento econômico que gere bem estar à maioria da população. Será possível?

Esta é a tarefa pesada dos que se dedicam à política e não acreditam que basta o “carisma” ou a mensagem salvadora de um demagogo. Pior ainda quando a sociedade dispõe dos meios de comunicação para as pessoas se relacionarem saltando organizações, inclusive partidos. O “movimento” é desencadeado pelo contágio eventual provocado por uma mensagem que dispara nas redes. Basta ver a dor de cabeça que a última greve dos caminhoneiros deu ao governo, que não tinha sindicatos nem partidos com quem negociar. Não deve ser diferente do que está acontecendo na França com o movimento dos ”coletes amarelos”.

O Estado e o poder do governo, contudo, não se coadunam com estímulos frequentes, às vezes erráticos, que partem das redes sociais. Requerem organização e alguma estabilidade para a implantação de políticas. Daí que, a despeito das sociedades atuarem “em redes”, os partidos e o próprio Estado continuem sendo necessários à política. Não os partidos “como eram antes”, nem sem que haja o reencantamento da política. Árdua tarefa!

Com que meios preencher o vazio político e evitar, ao mesmo tempo, o predomínio do mero arbítrio dos poderosos? Vê-se no dia a dia o desencontro entre setores do governo (os da área econômica, os com experiência da disciplina e dos valores militares, os intoxicados por ideologias retrógradas e os que veem conspirações anti cristãs, antiocidentais, etc.). E, principalmente, entre o governo e partes da população. Disso deriva a sensação de que vivemos momentos de crise até mesmo institucional. Começam a aparecer propostas, umas tresloucadas (é só esperar e… ocorrerá mais um impeachment, imaginam), outras mais institucionais (preparemo-nos para o …parlamentarismo) e no meio tempo, aos trancos e barrancos, a máquina pública anda, mas tão devagar que dá a sensação de estar quase parando e o país perdendo a corrida global.

Sem trombetear alarmismo e depois de reconhecerem que falharam, os partidos (em particular o PSDB) devem, sem alarmismo, por os pés no chão. O caminho mais imediato e disponível para religar o poder aos eleitores seria mudar a legislação eleitoral e instituir o voto distrital misto. Há projetos em andamento no Congresso que poderiam ser aprovados antes das próximas eleições municipais. Este é o passo viável por duas razões fundamentais: cabe aos congressistas federais tomarem a decisão, que não afetará de imediato o futuro de cada um deles, mas sim o dos vereadores, o que facilita a aprovação. Segundo, no nível municipal é mais visível a teia que liga vereadores com os eleitores, mecanismo indispensável para fortalecer os partidos. Sem tais vínculos a tarefa de governar se confunde com a de formar coligações ocas. Mais ainda: a experiência mostra que querer resolver tudo de uma só vez mais desorganiza do que institui novas práticas. Melhor, pois, antes de falar em parlamentarismo, fortalecer os partidos mudando a circunscrição em que os representantes disputarão o eleitorado.

Além das medidas já aprovadas que dificultam a criação de partidos – os quais no geral são mais sopas de letras do que instituições para orientar o voto do eleitor – é conveniente aumentar as exigências doutrinárias para sua formação. Os partidos, para sobreviver, terão de ser capazes de viver “nas redes” e explicitar a que vieram para além delas. Um partido como o PSDB, pode mudar de nome, mas de pouco adianta, se não atualizar seus propósitos e práticas.

Hoje, quando não há mais “muros de Berlim”, os partidos podem proclamar que o Estado não deve substituir o mercado, e que este não resolve, por si, os problemas da desigualdade. E deveriam saber que sem aceitar a diversidade e a regra da maioria, as ditaduras podem chegar longe na economia. Mas, vivendo como nós nos ares da liberdade a troca não vale a pena, mesmo que traga solução rápida do crescimento e com ele da pobreza: seu custo humano e político é muito alto.

Democracia, crescimento, emprego, inclusão social e segurança são os temas a serem enfrentados. Se um partido sozinho não consegue transformar estes ideais em políticas públicas, que faça alianças e crie força formando parte de um Centro Progressista que aponte ao eleitorado o rumo do futuro.

“Corrientes y Esmeralda”, Adriana Varela: tango magistral sobre a esquina boêmia de Buenos Aires – ponto sempre referencial para este editor do BP na capital portenha – composto em 1933 por  Francisco Pracânico e  Celedonio Flores (letra) , interpretado neste vídeo pela fabulosa “morocha do tango argentino) e a orquestra de LeopoldoFederico. Perfeito!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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 “Corrientes y Esmeralda” 
Letra: Amainaron guapos junto a tus ochavas cuando un cajetilla los calzó de cross y te dieron lustre las patotas bravas allá por el año… novecientos dos… Esquina porteña, vos hiciste escuela en una melange de caña, gin fitz, pase inglés y monte, bacará y quiniela, borrachas de grappa y locas de pris. El Odeón se manda la Real Academia rebotando en tangos el viejo Pigall, y se juega el resto la doliente anemia que espera el tranvía para su arrabal. De Esmeralda al norte, pa lao de Retiro, franchutas papusas caen en la oración a ligarse un viaje, si se pone a tiro, gambeteando el lente que tira el botón. En tu esquina un día, Milonguita, aquella papirusa criolla que Linnig cantó, levantó un atado de ropa plebeya y al hombre tragedia tal vez encontró… Te glosa en poemas Carlos de la Púa y Pascual Contursi fue tu amigo fiel… En tu esquina rea, cualquier cacatúa sueña con la pinta de Carlos Gardel.

 

Do Jornal do Brasil

 

O presidente Jair Bolsonaro entregou pessoalmente ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um projeto de lei que altera pontos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a aproveitou para fazer um afago aos parlamentares.

Em um breve discurso, Bolsonaro disse que “quanto mais lei o país tem, é sinal de que não está indo no caminho certo”. O raciocínio do presidente é o de que o povo tem consciência dos seus deveres e não precisaria de mais leis –a proposta enviada apresenta uma série de liberalizações.

Macaque in the trees
Presidente da República, Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

“Agradeço à recepção e para dizer que o ‘Parlamento é meu e a Presidência é de vocês'”, disse o presidente, que tem tido um relação muitas vezes tensa com o Congresso.

Entre as alterações do projeto, ele dobra de 20 para 40 o número de pontos para a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e também duplica a validade do documento, para 10 anos.

Ao receber a proposta das mãos do presidente, Maia disse que a Câmara já tem uma pauta extensa de agendas de mudanças econômicas, como a reforma da Previdência, mas essa agenda entregue por Bolsonaro “atinge diretamente o dia a dia do trabalhador brasileiro, também é importante que faça parte da nossa pauta”.

Em rápida fala à imprensa, Bolsonaro disse que a proposta cada vez mais consolida os interesses que se tem no futuro do Brasil e destacou que há muita coisa para ser vista, como as reformas da Previdência e tributária.

Dessa vez, Bolsonaro veio à Câmara em carro oficial –havia a expectativa de que ele fosse a pé apresentar o texto.

O ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, afirmou que o projeto não vai atrapalhar a tramitação da Previdência. “De jeito nenhum”, disse ele, ao avaliar que a matéria poderá ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até o final do ano.

(Reportagem de Ricardo Brito; Edição de Alexandre Caverni)

DO BLOG O ANTAGONISTA

João Pedro Gebran Neto, o relator da Lava Jato na Oitava Turma do TRF-4, negou o seu próprio afastamento do julgamento do recurso de Lula no processo do sítio de Atibaia, informa o G1 PR.

A defesa do petista havia pedido que Gebran se declarasse impedido por “parcialidade”, alegando que o desembargador mantém amizade com Sergio Moro.

“A construção defensiva é bastante criativa, mas não é nova”, respondeu Gebran. “Não se declara a suspeição de magistrado simplesmente por discordar dos fundamentos de suas decisões, quando inexistente viés jurídico ou fático com a nítida intenção de prejudicar o réu.”

jun
05

Do Jornal do Brasil


O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Com a recusa do casamento no altar, após um namoro de 16 meses, que prometia um “dote” de US$ 11 bilhões (quase R$ 44 bilhões), pela venda de 52% das ações da Braskem à holandesa LyondellBasell, valor suficiente para garantir a reestruturação das dívidas de R$ 80 bilhões da holding Construtora Norberto Obechetcht , a agonia do grupo Odebrecht assusta os dirigentes dos três maiores bancos privados do Brasil: Itaú, Bradesco e Santander, além do BNDES e da Caixa, que são grandes credores.

A Braskem era um dos ativos mais valiosos da CNO e as ações sob seu controle (a Petrobras tem 47% e investidores avulsos têm menos de 3%) foram dadas em garantia a dívidas contraídas junto ao BNDES e nas renegociações de mais de R$ 3 bilhões fechadas em agosto com ano passado com Itaú, Bradesco e Santander.

As apostas no mercado financeiro são de quando e quantas as empresas que ainda respiram sem aparelhos do grupo CNO vão seguir os passos da Atvos, a gigante da agroindústria de cana que pediu recuperação judicial na semana passada. O tombo de mais de 17% das ações da Braskem dão uma amostra do pessimismo do mercado.

Desde a crise iniciada em maio de 2014, quando a CNO foi apanhada nas teias da Lava Jato, motivando a condenação do presidente Marcelo Bahia Odebrecht a 19 anos, em 2016, várias empresas do grupo foram vendidas (caso da Foz, na área de saneamento, a Odebrecht Propertyes) e outras estão à venda.

A saída da petroquímica, área em que o grupo CNO entrou nos anos 90, a partir das privatizações do polo petroquímico de Camaçari (BA) do qual foi uma das construtoras, a partir da mais vertiginosa verticalização do mercado (comprou grupos Unipar e Ipiranga e desalojou o Suzano da petroquímica, com o grupo paulista se concentrando em celulose, do qual é o maior produtor mundial em fibra de eucalipto), a Braskem, criada em 2002, após a criação da Trikem em 1996, era a tentativa da CNO de preservar seu core business.

Agora, todo do grupo está na berlinda e os bancos que tiveram paciência infinita esperando receber recursos protelados em nome da venda da Braskem, terão de apelar para o plano C.

O B era a venda da Braskem, que esteve para ser fechado em agosto do ano passado.

A opção que recebeu mais fichas no mercado financeiro é a da recuperação judicial.

jun
05
Posted on 05-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-06-2019



 

Dum, no portal de humor

 

 

Após a divulgação do Boletim de Ocorrência, jogador expôs fotos íntimas da mulher que o acusa e o pai dele confirmou dois encontros com ela. Saiba tudo o que já foi divulgado sobre o caso

Ao longo dos últimos dias, Neymar, principal estrela da seleção brasileira, se tornou o centro das atenções do interesse público às vésperas da Copa América 2019. E por uma questão que vai além de seu futebol e da preparação da equipe do treinador Tite para a disputa do torneio continental em casa. No sábado, 1 de junho, a imprensa divulgou o registro de um Boletim de Ocorrência feito em uma Delegacia da Mulher em São Paulo no dia anterior, no qual uma brasileira acusa o jogador de estupro. O episódio, segundo ela, aconteceu em 15 de maio em um hotel em Paris, onde o atacante joga. Desde a acusação, o jogador expôs fotos e conversas com a suposta vítima através de seu Instagram, seu pai saiu em sua defesa, confirmando que aconteceram dois encontros entre Neymar e a moça em Paris, e um laudo médico apontou hematomas e arranhões no corpo da brasileira.  Abaixo, explicamos tudo o que se sabe até agora sobre a acusação envolvendo o jogador de futebol mais midiático do Brasil.

Sexta-feira, 31 de maio: a acusação

Uma brasileira registra um Boletim de Ocorrência na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo acusando Neymar de estupro. Segundo a versão da vítima descrita no BO, eles teriam se conhecido através do Instagram, trocaram mensagens por aplicativo e Neymar a convidou para uma visita em Paris, onde ele joga, oferecendo passagens e hospedagem. Ela conta que um assessor do jogador, chamado Gallo, resolveu os detalhes da viagem até ela chegar na cidade, no dia 15 de maio, e se hospedar no Hotel Sofitel Paris Arc Du Triomphe. Neymar teria chegado ao hotel de noite, “aparentemente embriagado” e, segundo relato da mulher, ambos teriam conversado e trocado carícias, mas o jogador ficou agressivo e praticou relação sexual contra a vontade dela. A brasileira voltou ao Brasil dois dias depois e não denunciou imediatamente porque estava “abalada emocionalmente e com medo de registrar os fatos em outro país”, explicou.

Sábado, 1 de junho: Neymar publica vídeo com conversas íntimas

O BO chega a conhecimento público através de matéria no Portal UOL, revelando o conteúdo da denúncia. No mesmo dia, em entrevista ao programa do Datena, na Band, Neymar da Silva Santos, pai de Neymar, confirmou que o filho se encontrou com a mulher, mas que a relação entre os dois foi consentida. “A gente está calejado com isso. Agora vamos mostrar a verdade”, disse. Falou também que esperava o BO, uma vez que Neymar teria terminado a relação com a mulher e sofrido uma tentativa de extorsão relacionada com o caso. Ainda prometeu entrar na Justiça contra ela.

Na noite deste mesmo sábado, Neymar utilizou o IGTV, recurso do Instagram, para subir um vídeo se defendendo da acusação de estupro. Nele, se diz vítima “uma armadilha”, alega que quem o conhece sabe que jamais faria “uma coisa desse tipo” e avisa que vai expor toda a conversa que teve com a mulher através do WhatsApp para que o público possa ver tudo que aconteceu. Após o fim do seu pronunciamento, o vídeo segue com imagens da conversa que o jogador teve com a mulher pelo aplicativo, desde antes de ela deixar o Brasil. A conversa traz, entre conteúdos de conotação sexual, fotos íntimas enviadas por ela ao jogador e mensagens que, para Neymar, defendem a versão de que a relação foi consentida. As mensagens divulgadas param em 16 de maio, dia seguinte ao encontro, quando ela reclamava que estava à espera de Neymar. “Você não vem e tá dando mancada me deixando esperando”, dizia a última mensagem mostrada pelo jogador no vídeo.

Domingo, 2 de junho: polícia na Granja

Pela manhã, a Polícia Civil do Rio de Janeiro enviou uma viatura à Granja Comary, onde a seleção brasileira se concentra para a preparação da Copa América. O delegado da 110ª DP de Teresópolis, Rio de Janeiro, Bruno Gilaberte e um inspetor de polícia se encontraram com a administração da concentração da seleção, que confirmou a ausência do jogador, que estava de folga; ele chegaria horas depois de helicóptero. Procuravam o jogador para que prestasse esclarecimentos sobre a divulgação do conteúdo e das imagens divulgadas. Eles investigam se o fato pode ter violado o artigo 218 do Código Penal, que criminaliza a divulgação de imagens que façam apologia a sexo, nudez ou pornografia sem o consentimento da vítima.

Segunda-feira, 3 de junho

Na madrugada de segunda-feira, o Instagram retirou do ar o vídeo em que Neymar expôs a conversa com a mulher. Segundo a rede social, “o conteúdo foi removido por violar as diretrizes da comunidade do Instagram”, referindo-se às fotos expostas na conversa.

Neymar pai: “Prefiro um crime de internet ao de estupro. E sei que ela tem imagens”

Na manhã do mesmo dia, Neymar pai volta à Band, no programa Aqui na Band, para defender seu filho. Afirma que o jogador divulgou as conversas e as fotos porque não tinha escolha. “Eu prefiro um crime de internet ao de estupro. Ele preservou a imagem, o nome, e precisava se defender rapidamente. É melhor ser verdadeiro e mostrar o que aconteceu”. Ainda no programa, o pai do jogador revelou que houve um segundo encontro entre Neymar e a mulher no hotel em Paris. “Ela queria de qualquer jeito que ele fosse ao hotel de novo. Ele foi e ficou 10 minutos no segundo dia, quando viu o celular em pé na parede. Percebeu que estava filmando. Ela agride ele, ele se joga para a cama e tenta acalmar ela. Ele acalma ela, sai do hotel e emite a passagem do retorno. O Neymar também tentou filmar e gravar a conversa, mas ele erra tudo. Não consegue. Ali viu que podia ser uma armadilha. Depois desse segundo encontro eles não se falam mais, e ela mandou mensagens ameaçadoras depois”. O pai afirma saber que a mulher tem imagens: “ela mandou coisas para o Neymar dizendo que tem o vídeo. Seria importante ela soltar”.

No fim da manhã do mesmo 3 de junho, o treinador da seleção brasileira Tite concedeu entrevista coletiva com o coordenador Edu Gaspar e o auxiliar Cleber Xavier. A grande maioria das perguntas se referia ao caso de Neymar. Tite afirmou que não vai julgar o atleta, com quem tem há três anos “uma relação transparente, verdadeira e leal”, mas ressaltou que ele é “tecnicamente imprescindível” e que “a seleção está acima de todos nós”. Edu Gaspar revelou que foi atrás de uma assessoria jurídica para auxiliar a CBF e o jogador.

Enquanto Tite dava entrevista coletiva, policiais da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) foram à Granja Comary para entregar uma intimação para que Neymar preste depoimento na sexta-feira (7 de junho) sobre a divulgação de fotos íntimas da mulher na internet.

Laudo médico

Durante a tarde da segunda-feira, é divulgado um relatório de um médico particular que avaliou a mulher no dia 21 de maio, seis dias após o episódio em Paris. O documento foi divulgado pela atual advogada dela, Yasmin Pastore Abdalla. No laudo estão relatados hematomas e arranhões nos glúteos, além de queixas apresentadas pela mulher, como dores no estômago após o episódio de estresse emocional. O diagnóstico do médico é de transtorno ansioso e depressivo, distúrbio estomacal e traumatismos superficiais não especificados. O doutor responsável, Luiz Eduardo Rossi Campedelli, é especialista em aparelho digestivo e confirmou a autoria do laudo ao Jornal Nacional.

Ex-advogado: “Você sempre afirmou que a relação com Neymar foi consensual”

Na noite desta segunda, 3 de junho, o advogado que defendia a mulher que acusa Neymar de estupro, José Edgar Bueno, afirma através de documento que a ex-cliente não manteve no BO registrado a versão dada por ela para os advogados sobre o ocorrido. Aos defensores, ela teria acusado Neymar de agressão e não de estupro. “[A] alegação [de estupro] é totalmente dissociada dos fatos descritos por você aos nossos sócios, já que sempre afirmou que a relação mantida com Neymar Jr. foi consensual, mas que, durante o ato, ele havia se tornado uma pessoa violenta, agredindo-a, sendo esse o fato típico central (agressão) pelo qual ele deveria ser responsabilizado cível e criminalmente”, diz o documento. A informação foi ao ar na edição do Jornal Nacional do dia. A atual advogada da suposta vítima, Yasmin Pastore Abdalla, respondeu mostrando uma troca de mensagens entre a cliente e Bueno na qual ela fala que o jogador “a espancou e estuprou”.

Próximos compromissos

Na noite desta terça-feira, 4 de junho, a delegação da seleção brasileira viaja para Brasília, onde enfrentará o Catar em amistoso preparatório para a Copa América na quarta-feira, dia 5 de junho, às 21h30. De acordo com o que Tite indicou em treinos e coletivas, Neymar deve ser escalado como titular nesta partida. Depois, o time deve seguir para Porto Alegre, sem passar por Rio de Janeiro ou São Paulo —cidades nas quais o jogador é investigado pelo crime das divulgações da imagem e pelo crime de estupro, respectivamente – para disputar o último amistoso antes da Copa América, no dia 9 de junho (domingo), contra Honduras. No entanto, Neymar deveria se apresentar na sexta-feira (7 de junho), no Rio, para prestar depoimento a DRCI.

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