O populismo mexicano

O populismo mexicano
FERNANDO VICENTE

No auditório da Universidade de Guadalajara, sob o espetacular mural de José Clemente Orozco contra o fanatismo ideológico, acabam de ser realizadas três mesas-redondas com a participação de 15 intelectuais mexicanos – talvez os mais eminentes do país –, que, diferenças entre eles à parte, manifestaram sua preocupação com guinada que a política mexicana vem dando desde que Andrés Manuel López Obrador assumiu a presidência.

Héctor Aguilar Camín, escritor, jornalista e diretor da revista Nexos, advertiu que, tanto em suas iniciativas como em suas intenções, o mandatário parece ter posto em marcha a construção de uma estrutura mais pessoal e permanente, que as instituições democráticas mexicanas, recentes e frágeis, não estão em condições de resistir. E o historiador Enrique Krauze, diretor da Letras Livres, que foi vítima de uma recente campanha de descrédito e intimidação por suas críticas ao Governo, insistiu no risco de que “o messias tropical” – assim chamou o novo presidente em um célebre ensaio – esteja operando de tal modo que possa cruzar as linhas vermelhas da democracia mexicana para continuar no poder, por via direta ou por pessoa interposta, uma vez terminado seu mandato (a Constituição do México não permite a reeleição.Este temor acabou sendo longamente compartilhado, com muitos matizes de diferença, pelos participantes, entre os quais havia escritores, juristas, políticos e defensores dos direitos humanos, incluindo várias mulheres, como Lisa Sánchez, que em uma aplaudida intervenção defendeu a sociedade civil e suas mobilizações em prol dos direitos das mulheres e da igualdade de oportunidades.

Talvez o mais claro e taxativo tenha sido o crítico literário Christopher Domínguez Michael, para quem a deterioração da democracia mexicana já é um fato irrebatível, que só poderá se agravar com o poder quase total dado pelos eleitores ao seu novo presidente, que obteve a maioria absoluta no Congresso e mantém uma enorme popularidade, da qual se serve para tomar decisões pessoais nos campos econômico, político e cultural que frequentemente surpreendem seus próprios ministros e assessores. Tudo isso, afirmou, deixa entrever um futuro inquietante para o país que tem mais falantes de espanhol no mundo inteiro. E outro crítico, ensaísta e professor universitário, Guillermo Sheridan, ofereceu sutis interpretações dessas mesmas críticas.

Falavam devagar, sem se alterar, guardando as formas, e eram escutados com uma atenção rigorosa por um público que lotava a sala e no qual abundavam os estudantes universitários. O bacharel Raúl Padilla, inventor da grande Feira do Livro que ocorre nesta cidade todos os anos e que pôs o nome de Guadalajara no mundo inteiro, nos tinha advertido de que talvez houvesse incidentes. Mas não houve nenhum, e as nove horas do fórum transcorreram em absoluta paz. “Isto é a civilização”, pensei muitas vezes, “um mundo de ideias e razões, tão diferente do que estamos acostumados em outras partes, das banalidades e lugares-comuns de que costuma estar cada vez mais trufada a política em nossos dias”.

Todas suas iniciativas parecem guiadas por um instinto ou palpite do momento, mais que de acordo com um programa

As inquietações dos intelectuais mexicanos com seu novo Governo me parecem justificadas. O passado de López Obrador e suas campanhas políticas delatam um dirigente impregnado de populismo, algo que não teve o cuidado de dissimular desde que está no poder. A cada manhã, durante duas horas seguidas, oferece uma entrevista coletiva em que os jornalistas presentes costumam ser mais servis que independentes. Suas decisões ele costuma tomar de improviso, prescindindo dos marcos legais, mediante ukazy que, depois, seus funcionários ajeitam, não sem dificuldade, para lhes dar cobertura legal. E todas suas iniciativas parecem guiadas por um instinto ou palpite do momento, mais que de acordo com um programa, embora tenha tido um em sua campanha, mas pareça ter dele se esquecido. Assim ocorreu com a construção do novo aeroporto na Cidade do México, que cancelou de maneira arbitrária e que provocou seu primeiro atrito com o empresariado mexicano. É verdade que sua enorme popularidade o defende contra todas as críticas, mas isto parece ter agudizado no personagem o que estes intelectuais observam nele: a presença do caudilho tradicional latino-americano, voluntarista e despótico, que, precisamente por ser muito popular, acredita estar acima das leis e normas democráticas.

Não há censura de imprensa por uma razão que explicou, com afiada lucidez, o ex-ministro mexicano de Relações Exteriores Jorge Castañeda, ensaísta e professor universitário atualmente nos Estados Unidos. Os anunciantes de mais peso, empresários importantes, recebem um telefonema do próprio presidente ou de um intermediário de confiança, aconselhando-os ou rogando-lhes que reduzam ou cancelem seus anúncios no jornal (como poderia ter ocorrido com o Reforma, o grande jornal do México, que, por acolher as críticas de seus colunistas ou as formular ele mesmo, caiu em desgraça com o poder e viu sua publicidade diminuir de maneira dramática). Os empresários, que querem levar a vida em paz, ainda mais com um governo populista, não hesitam em acatar a sugestão. Deste modo, os meios ameaçados moderam suas críticas, ou correm o risco de quebrar. Assim se instala a censura atual nos países democráticos: asfixiando-se economicamente a imprensa –leia-se rádios e redes de televisão – independente ou díscola.

Assim se instala a censura atual nos países democráticos: asfixiando-se economicamente a imprensa

O México é um grande país e, com todos os defeitos de seu velho sistema político, desde que o ex-presidente Zedillo permitiu eleições realmente livres, no ano 2000, viveu um processo democratizante indiscutível, do qual tanto as elites como a população comum participaram com entusiasmo. Os Governos destas últimas décadas foram escolhidos em eleições genuínas, e sua política internacional correspondeu nestes anos à do chamado Grupo de Lima, que, em casos como os da Venezuela e Nicarágua – dois regimes autoritários e corruptos –, manteve uma posição impecável, exigindo eleições livres e defendendo a oposição que é vítima de maus tratos, encarceramentos, torturas e assassinatos. Desde que López Obrador está no poder, o México optou por uma “neutralidade” que equivale à cumplicidade com ambas as ditaduras (como se se pudesse ser neutro perante a peste bubônica).

Estas jornadas que tiveram lugar na Universidade de Guadalajara mostram que não será fácil para o Governo atual retroceder todo o avançado no México, e que à frente desta resistência estão intelectuais com espírito crítico, como os participantes deste fórum. O povo que aplaude e continua encantado pelos desplantes do presidente López Obrador compreenderá – tomara que antes cedo do que tarde – que a era dos caudilhos deve ficar para trás, e para sempre, em uma América Latina onde a liberdade e a democracia vão substituindo as tiranias populistas que lhe causaram tanto dano.

Last Tango in Paris”, Gato Barbieri: o notável saxofonista argentino em sua notável criação e performance de execução para a trilha sonora do ardente filme “Último Tango em Paris”. Aqui em gravação de 1999, com orquestração do maestro Oliver Nelson. Vale reviver .

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 Do Jornal do Brasil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro voltou à Granja Comary na manhã desta segunda (3), com o objetivo de falar com o atacante Neymar. O jogador da seleção foi intimado para prestar depoimento no Rio de Janeiro, na sexta-feira (7).

Membros da DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática) apuram a possibilidade de o atleta ter cometido crime ao divulgar imagens íntimas de uma mulher que o acusa de estupro.

Macaque in the trees
Neymar Jr (Foto: Gustavo Gomes/Agência Brasil)

Ao fim do vídeo, ele exibiu o que seriam conversas por WhatsApp com a mulher anteriores e posteriores à data em ela afirma ter sido estuprada (15 de maio). Entre as frases, aparecem imagens dela nua ou seminua -com o rosto e partes íntimas borradas.

Nesta segunda, uma viatura entrou no centro de treinamento da seleção brasileira, em Teresópolis, por volta das 11h45, enquanto o técnico Tite dava uma entrevista coletiva. Os policiais ficaram por cerca de 50 minutos no local.

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) solicitou que o dia do depoimento de Neymar fosse alterado. Na sexta, o jogador estará com o restante do grupo da seleção em Porto Alegre, onde a equipe disputa um amistoso no domingo (9). A equipe se prepara para a disputa da Copa América, que começa no dia 14 de junho.

No domingo (2), um carro da Polícia Civil já havia ido até a Granja Comary. O delegado Bruno Gilaberte, do 110º Distrito Policial (Teresópolis), buscava informações sobre Neymar.

O jogador não se encontrava na concentração no momento da ida do delegado ao local. Ele estava no fim de um período de folga, concedido a todos os atletas da seleção, e retornou posteriormente, de helicóptero.

O delegado e um inspetor permaneceram na Granja Comary por cerca de uma hora no domingo. Eles foram recebidos pelo chefe da segurança da CBF e por um dos responsáveis pela administração da sede da confederação na região serrana do Rio.

Chegou-se à conclusão de que o atacante não estava em Teresópolis quando gravou o vídeo no sábado, motivo pelo qual o caso não ficou com o 110º DP. Os representantes da CBF que receberam a Polícia Civil não informaram onde estava o jogador, e o caso ficou com a DRCI.

As investigações no Rio de Janeiro e em São Paulo ocorrem de forma paralela. No Rio, é pela divulgação das imagens, enquanto o inquérito referente à acusação de estupro está em São Paulo.

Nesta segunda, Neymar da Silva Santos, pai do atacante, voltou a defender o filho. “Preservamos, sim, a menina. O Neymar quis mostrar a verdade. Eu prefiro um crime de internet do que um crime de estupro”, disse o pai do atleta nesta segunda (3), em entrevista ao programa Aqui na Band, da TV Bandeirantes.

O vídeo foi removido do perfil do atleta pelo próprio Instagram, “por violar os padrões da comunidade”, segundo a assessoria de imprensa da empresa.

Na gravação, antes de expor a troca de mensagens com a mulher, Neymar disse ter ficado surpreso com a acusação e repetiu algumas vezes que está chateado.

“Quem me conhece sabe do meu caráter, da minha índole. Sabe que eu jamais faria uma coisa desse tipo”, afirmou. Segundo ele, a decisão de expor a conversa foi tomada para provar que não aconteceu “nada demais”.

“O que aconteceu no dia foi uma relação entre um homem e uma mulher, dentro de quatro paredes, algo que acontece com todo casal. E no dia seguinte não aconteceu nada demais, a gente continuou trocando mensagem, ela me pediu uma lembrança para o filho e eu ia levar, e bom… agora fui pego de surpresa”, disse o atleta.

No vídeo, Neymar também pediu desculpas à sua família. “Estou aqui para pedir perdão para minha família por colocá-los nessa situação. Porque realmente não queria e fui induzido a isso. Que isso sirva de lição”, afirmou.

“Espero que fique bem claro, espero que a Justiça olhe as mensagens e veja o que realmente aconteceu”, pediu, no final da gravação.

Por Gustavo Garcia, Elisa Clavery e Yvna Sousa, G1 e TV Globo — Brasília

Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta segunda-feira (3), destinada à votação da MP que coíbe fraudes no INSS — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta segunda-feira (3), destinada à votação da MP que coíbe fraudes no INSS — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta segunda-feira (3), destinada à votação da MP que coíbe fraudes no INSS — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 Senado aprovou nesta segunda-feira (3) por 55 votos a 12 a medida provisória (MP) que cria dois programas de combate a fraudes na Previdência Social.

De acordo com o governo, a MP tem potencial para gerar economia de cerca de R$ 10 bilhões por ano.

A medida foi editada pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro deste ano e aprovada na semana passada pela Câmara. Se não tivesse sido aprovada pelo Senado nesta segunda-feira, perderia a validade.

Tradicionalmente, o Senado não realiza sessões de votação às segundas-feiras. Por isso, no último fim de semana, os articuladores políticos do governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), mobilizaram parlamentares.

O objetivo da mobilização foi conseguir a presença de pelo menos 41 senadores na sessão desta segunda-feira, número necessário para iniciar o processo de votação. O quórum foi atingido por volta das 17h, e o resultado da votação foi proclamado às 21h.

A mobilização contou, por exemplo, com reuniões do secretário de Previdência, Rogério Marinho, e técnicos do Ministério da Economia com senadores. Os emissários do ministro Paulo Guedes acompanharam a votação no plenário e atuaram no convencimento dos parlamentares.

Além disso, o filho do presidente da República, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), subiu à tribuna para defender a proposta.

De acordo com o porta-voz do governo, o presidente Bolsonaro avalia que a MP tem “extrema importância” para o que o governo chama de “nova Previdência” e por isso, no fim de semana, “estabeleceu contato” com senadores.

Mesmo com a MP em vigor desde janeiro, e até mesmo com a aprovação nesta segunda-feira, o governo ainda não pode iniciar o “pente-fino” nos benefícios. Isso porque a MP cria dois programas que preveem pagamento de bônus a peritos, e o Congresso ainda precisa aprovar um outro projeto para autorizar gastos extras para o governo.

 
Plenário do Senado deve votar nesta segunda (03) a MP que combate fraudes no INSS

Plenário do Senado deve votar nesta segunda (03) a MP que combate fraudes no INSS

Indícios de irregularidades

Um dos programas criados pela medida provisória é o Programa Especial para Análise de Benefícios com Indícios de Irregularidade.

Conforme o governo, objetivo é analisar, até o fim de 2020, suspeitas de irregularidades, além de gastos desnecessários e indevidos na concessão de benefícios. Pelo texto da MP, os servidores do INSS receberão um bônus para executar o programa.

Pela proposta, o programa poderá ser prorrogado até 31 de dezembro de 2022, por ato “fundamentado” do presidente do INSS.

Entre outros pontos, o Programa Especial considera como irregularidade:

  • acúmulo de benefícios, desde que indicado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria-Geral da União (CGU);
  • pagamento indevido de benefício identificado pelo TCU e pela CGU;
  • processos identificados pela Força-Tarefa Previdenciária, composta pelo Ministério Público Federal (MPF), pela Polícia Federal (PF) e pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia;
  • suspeita de óbito do beneficiário;
  • Benefício de Prestação Continuada (BPC) pago com indícios de irregularidade, desde que identificados em auditorias do TCU e da CGU;
  • processos identificados como irregulares pelo INSS, devidamente motivados;
  • benefícios pagos em valores superiores ao teto previdenciário adotado pelo Regime Geral de Previdência Social.
 

Benefício por incapacidade

O outro programa criado pela MP é o Programa de Revisão de Benefícios por Incapacidade, que deve durar também até o fim de 2020. Assim como o Programa Especial, poderá ser prorrogado até 31 de dezembro de 2022, mas por ato “fundamentado” do ministro da Economia.

O foco do programa são os benefícios por incapacidade pagos sem realização de perícia. Os médicos peritos com carreira na Previdência Social que vão executar este programa, recebendo bônus de R$ 61,72 por perícia extraordinária.

O Programa de Revisão considera como irregularidade:

  • benefícios por incapacidade mantidos sem perícia pelo INSS por período superior a seis meses e que não tenham data prevista de encerramento ou indicação de reabilitação profissional;
  • outros benefícios de natureza previdenciária, assistencial, trabalhista ou tributária.

Aposentadoria rural

Segundo o texto da MP, as informações dos segurados especiais deverão estar no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), incluindo os trabalhadores rurais.

O CNIS já existe e contém todos os vínculos trabalhistas e previdenciários do segurado. No cadastro, é possível encontrar informações como o nome do empregador, o período trabalhado e a remuneração recebida, além das contribuições realizadas em Guia da Previdência Social (GPS).

Originalmente, a MP estabelecia que a comprovação do exercício da atividade rural só poderia ser feita pelo CNIS a partir de janeiro de 2020. Um destaque aprovado na Câmara alterou a data para janeiro de 2023. Atualmente, a comprovação é feita com auxílio dos sindicatos.

Acordo

Pouco antes de o Senado votar a medida provisória, o líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), anunciou um acordo com parte da oposição para incluir na reforma da Previdência, em análise na Câmara, a possibilidade de prorrogação por cinco anos (podendo chegar a 10) para o prazo de inscrição no CNIS.

Como uma eventual alteração no texto da MP faria a proposta voltar para a Câmara, o que faria a medida perder validade, o acordo foi incluir a alteração proposta pelos senadores na PEC da Previdência e não na MP sobre fraudes.

Segundo o líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), com o acordo, os senadores passaram a estar liberados para votar como quisessem. O PT, porém, anunciou não ter fechado acordo sobre o tema.

Pensão por morte

De acordo com a MP, terão direito à pensão por morte os dependentes do segurado que faleceu, sendo ele aposentado ou não. O benefício pode ser solicitado para filhos menores de 16 anos em até 180 dias após a morte, e, para outros dependentes, em até 90 dias.

O pagamento do benefício não pode ser atrasado se houver dúvida em relação ao número de dependentes, como filhos que não foram registrados, por exemplo. Depois, dependentes não incluídos na pensão poderão requerer o benefício.

Auxílio-reclusão

O auxílio-reclusão é um benefício pago pelo INSS aos dependentes do segurado preso, desde que ele tenha contribuído por 24 meses e não receba salário ou aposentadoria.

De acordo com MP, o auxílio será pago aos dependentes em caso de o segurado ter baixa renda; estar em regime fechado; não receber remuneração de empresa; não receber auxílio-doença, pensão por morte, salário-maternidade, aposentadoria ou abono de permanência em serviço.

Violência doméstica

Conforme a proposta, o INSS pagará os benefícios devidos às vítimas de violência doméstica, e os agressores deverão ressarcir os cofres públicos pelos valores pagos.

A pessoa, ainda conforme a medida provisória, perderá direito à pensão por morte se for condenada como autora, coautora ou participante de homicídio doloso ou tentativa.

Salário-maternidade

De acordo com o texto aprovado, a carência do salário-maternidade será de dez mensalidades.

Outros pontos

Entre outros pontos, a MP:

  • proíbe o INSS de compartilhar com empresas privadas dados pessoais dos beneficiários. De acordo com o texto, o INSS manterá um programa permanente de revisão e de acompanhamento da regularidade de benefícios;
  • determina que, se identificada irregularidade ou erro no valor do benefício, o INSS deverá notificar o segurado. O trabalhador urbano terá 30 dias para apresentar defesa; o trabalhador rural, agricultor familiar ou segurado especial, 60 dias.
 
 

Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta segunda-feira (3) para discutir a MP que combate fraudes no INSS — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta segunda-feira (3) para discutir a MP que combate fraudes no INSS — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Senadores reunidos no plenário durante a sessão desta segunda-feira (3) para discutir a MP que combate fraudes no INSS — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Saiba como foi a sessão

Parlamentares debateram a proposta por cerca de quatro horas. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), declarou voto contra a proposta. Para o petista, o “grosso” das fraudes não está nas aposentadorias rurais e no BPC, mas, sim, na sonegação de grandes empresários.

“Essa proposta quer fazer revisão para cortar dos pobres, de quem precisa. Essa revisão poderá gerar possíveis injustiças. Se faz, inclusive, o estímulo, por meio de bônus, para que os médicos e os analistas trabalhem além do próprio horário para fazer as perícias. Quem conhece o que é perícia da Previdência hoje, sabe que a perícia é sempre para negar o direito”, afirmou Humberto Costa.

O líder do PSL, senador Major Olimpio (SP), defendeu a proposta. Disse que a MP combate crimes e não retira direitos.

“Porque o que se está regrando é para combater a fraude, é um crime, não é tirar direito daquele que sagradamente tem que ter a assistência, sim, previdenciária. Não é para tirar o direito de quem tem o benefício da prestação continuada. É para ir ver aquele que é o fraudador para ter o benefício. E R$10 bilhões não é uma economia significativa? É, sim! Se fosse R$1 bilhão seria igualmente significativo”, afirmou Olimpio.

 

Gratificação

Após a votação, os senadores também aprovaram uma outra MP, que prorroga até dezembro de 2020 o prazo para pagamento de gratificações para servidores requisitados pela Advocacia-Geral da União.

Além de ampliar o prazo, a proposta prevê que as gratificações serão extintas quando acabar o período do servidor no órgão.

Os senadores retiraram da MP trechos incluídos pela Câmara que faziam alterações no estatuto dos bombeiros militares do Distrito Federal. Com a retirada dos chamados “jabutis”, conteúdo estranho ao tema inicial da MP, a proposta foi aprovada conforme havia sido enviada pelo presidente Jair Bolsonaro. Por isso, o texto, que também perderia a validade nesta segunda, vai à promulgação.

 

jun
04

Governo espera até quatro novas companhias aéreas no Brasil

 

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, espera que três ou quatro companhias aéreas de aviação doméstica cheguem no país nos próximos meses.

A espanhola Air Europa foi a primeira companhia a anunciar a vinda ao Brasil, depois da aprovação da medida provisória, no Congresso, que permitiu a empresas estrangeiras atuarem no mercado doméstico.

“Existem mais empresas interessadas em entrar no mercado nacional, com tratativas interessantes bastante avançadas, algumas de baixo custo”, disse o ministro.

Do Jornal do Brasil

 

O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) fez um acordo nesta segunda-feira (3) com o juiz Luís Eduardo Scarabelli e pagará a ele R$ 25 mil de indenização. Além disso, o parlamentar se comprometeu a divulgar em suas redes sociais uma retratação por ter dito que o magistrado tinha julgado um caso em que ele era parte “com a bunda”.
Macaque in the trees
Alexandre Frota (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil )

Em 2017, o parlamentar perdeu um processo por danos morais contra a ex-ministra Eleonora Menicucci. Ela havia criticado um encontro dele, em 2016, com o então ministro da Educação, Mendonça Filho. Na ocasião, Menicucci disse que Frota “não só já assumiu ter estuprado mas também faz apologia do estupro”.Ela se referia a declarações dele em um programa de humor na TV em que relatava uma suposta relação sexual não consentida com uma mãe de santo.

Frota esclareceu na época que apenas tinha contado uma anedota em tom “jocoso”.O juiz Scarabelli inocentou a ex-ministra. Frota então disse que tinha sido julgado por “um juiz ativista, do movimento gay. Ele não julgou com a cabeça, julgou com a bunda”.

No acordo, o deputado afirma que deu as declarações em um “ambiente de pressão” e que nunca pretendeu atingir a conduta profissional do magistrado. “Publicamente admito que os termos utilizados para demonstrar a minha irresignação pelo resultado do julgamento foram ofensivos, cuja verdade não posso provar”.

Ele tem até o dia 30 para publicar a retratação no Facebook, no Twitter, no Instagram e em uma rádio, sob pena de multa em caso de atraso. O juiz foi defendido pelos advogados Igor Tamasauskas, Tiago Rocha e Débora Rodrigues, do escritório Bottini & Tamasauskas.

MÔNICA BERGAMO

jun
04
Posted on 04-06-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-06-2019


 

S. Salvado, no jornal

 

Pelo Twitter, o presidente dos EUA chamou Sadiq Khan de “perdedor” e criticou sua política

Donald Trump e a primeira-dama, Melania Trump, descem do Air Force One na chegada ao aeroporto de Stansted, em Londres, nesta segunda-feira ISABEL INFANTES AFP
Londres 

Se o tamanho de uma figura pública se mede pela importância de seus inimigos, o prefeito de Londres, o trabalhista e muçulmano Sadiq Khan, encontrou um filão em Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos, que inicia uma visita de Estado de três dias ao Reino Unido nesta segunda-feira, usou o Twitter minutos antes de aterrissar no aeroporto de Stansted para lançar uma de suas diatribes usuais contra o político londrino. “Sadiq Khan, que tem sido terrível como prefeito de Londres, criticou estupida e desagradavelmente a visita do presidente dos Estados Unidos, de longe o mais importante aliado do Reino Unido. É um perdedor irrecuperável que deveria se concentrar no combate à onda de criminalidade em Londres”, escreveu Trump em alguns tuítes incendiários que terminou destacando seu entusiasmo com a visita: “Acabamos de aterrissar!”, finalizou o texto.

Khan, que arrasta sua particular batalha contra Trump há vários anos, tinha dado as boas-vindas ao dignitário norte-americano com um artigo no jornal The Observer no qual comparou sua linguagem com a dos “fascistas do século XX”, e não poupou esforços para denunciar à imprensa o racismo e a misoginia do político, “que o Reino Unido não deveria receber com tapete vermelho”, disse.A chegada de um presidente norte-americano, mesmo o mais popular deles, sempre garante uma dose mínima de controvérsia. Mas o caso de Trump ultrapassa as expectativas, graças em parte à sua tendência de interferir nos assuntos internos com gatilho fácil e verbo pouco diplomático. Nas horas anteriores à sua chegada, apoiou publicamente o eurocético Boris Johnson na corrida para suceder Theresa May na liderança do Partido Conservador; sugeriu ao governo britânico que envie seu amigo, o ultranacionalista Nigel Farage, a Bruxelas, para negociar – impor, na verdade – à UE as condições de um Brexit duro; chamou Meghan Markle, a duquesa de Sussex, de “desagradável” em uma entrevista ao The Times, embora mais tarde tenha dito que não havia usado essa palavra (nasty, na língua original); e finalmente afirmou que foram vários os candidatos à sucessão de May que o procuraram para pedir seu apoio, mas não quis dar nomes.

Espera-se que centenas de milhares de pessoas encham as ruas de Londres na terça-feira para protestar contra a visita de Trump, e se verá sobrevoar novamente a capital o balão gigante do Baby Trump, uma caricatura do político norte-americano com corpo de bebê e de fraldas. Cerca de 10.000 policiais serão mobilizados em torno da avenida Whitehall e do número 10 de Downing Street, a residência oficial e local de trabalho da primeira-ministra, para evitar que os manifestantes estraguem a festa de Trump.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, e o dos liberais democratas, Vince Cable, recusaram o convite para o jantar de Estado que a rainha Elizabeth II oferecerá nesta segunda-feira à noite a Trump no Palácio de Buckingham.

Os principais meios de comunicação britânicos insistem em seus editoriais que se faça distinção entre a pessoa e a instituição. Não lhes resta outro remédio a não ser admitir, implicitamente, que Trump não é exatamente um “líder do mundo livre” afável e carismático, mas apontam para a necessidade de preservar a todo o custo a “relação especial” que o Reino Unido e os Estados Unidos mantêm desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em um momento em que a credibilidade e a reputação dos britânicos estão em frangalhos graças ao desastre Brexit, o establishment do país se esforça para preservar a dignidade das instituições diante da insolência e dos boicotes esperados durante a visita.

Trump não ajudou. Tanto ele quanto sua equipe presidencial não disfarçaram as simpatias pela ala mais dura dos conservadores, e pregaram de longe a ruptura com a UE. Promessas de um tratado comercial vantajoso foram lançadas constantemente como isca para que o Governo britânico pisasse no acelerador e decidisse seguir adiante com o Brexit.

A visita terminará com uma cerimônia oficial na cidade costeira de Portsmouth para comemorar o 75º aniversário do Dia D, o desembarque das forças aliadas na França. A importância desse momento histórico, lembram políticos e historiadores, deveria bastar para que transcorressem com mais tranquilidade os três dias da visita do líder norte-americano, embora Trump não seja Eisenhower nem May seja Churchill.

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