“Bilhete”, Nana Caymmi e Ivan Lins: uma indiscutível obra prima , entre outras maravilhosas canções resultante de uma das mais inspiradas e frutuosas parcerias da música brasileira: Ivan Lins e Vitor Martins. Com interpretações igualmente esplêndidas ao longo dos anos: Simone, Zizi Possi, MPB4… Aqui vai para ouvintes e leitores do BP, na gravação de Nana Caymmi com Ivan. De arrepiar!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Simpatizantes fazem ato Pró-Bolsonaro no Farol da Barra

A Tarde – Uol

A concentração acontece no Largo do Farol e desde às 11h – Foto: Luciano Carcará
Visitar
Imagens relacionadas:
Imagem relacionada

DO PORTAL TERRA BRASIL

Manifestação terminou por volta do meio-dia e concentrou pautas comuns a atos em outras cidades do País, como a defesa do pacote anticrime e da reforma da Previdência

Heliana Frazão – Especial para O Estado
 
 

A orla da Barra, em Salvador, se cobriu de verde e amarelo na manhã desse domingo, 26, para manifestação em defesa de pautas do governo Bolsonaro. Entre elas, a aprovação da reforma da Previdência, do pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, além da instalação da chamada CPI da Lava Toga. Um trio elétrico acompanhou os manifestantes.

Nem a organização do evento, nem a Polícia Militar fizeram estimativa de público. Poucos parlamentares participaram do manifesto. Em cima do trio, apenas a deputada federal e presidente do PSL na Bahia, Professora Dayane Pimentel, e o deputado estadual da mesma sigla Capitão Alden. Eles revezavam o microfone com outras lideranças do protesto, na defesa das pautas citadas durante o ato.

Dayane pregou a importância dos protestos como forma de fazer o Congresso ouvir a voz do povo. “Se Deus quiser, depois dessas manifestações eles entenderão o recado”, previu.

Não faltaram gritos de “Eu vim de graça”, “Essa manifestação é espontânea”, nem críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Partidos dos Trabalhadores e ao governador da Bahia, Rui Costa, que é do PT.

A concentração começou por volta das 9h, e às 10h30 os manifestantes saíram em caminhada até o Morro do Cristo, percorrendo cerca de 1km. Eles levavam bandeiras do Brasil, faixas e cartazes com frases do tipo “Centrão, Parlamentarismo branco, não”, “Reformas Já” e “O Brasil está com Bolsonaro”. Durante o trajeto, por duas vezes eles pararam e entoaram o Hino Nacional.

Mostrando animação, a aposentada Ana Cristina Silva, de 68 anos, disse que participava do evento por amor ao Brasil. Já o motorista Marivaldo Nascimento Melo, 59, que levou a família para a rua, afirmou que sua presença era uma forma de mostrar ao Centrão “que existem homens dignos e honestos no País, que estão em defesa do governo e do Brasil”. O filho dele, Miquéias Melo, de 18 anos, tinha como objetivo mandar um recado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia: “O País está de olho em você. Queremos a aprovação das reformas importantes ao País”.

A ex-bancaria Ivonete Lins, de 70 anos, mostrava-se determinada. Vestida com uma camiseta com estampa do rosto do presidente Jair Bolsonaro, carregando uma placa também com a imagem do presidente, e usando uma máscara do ministro Sérgio Moro, ela defendia “um Brasil melhor e sem corrupção” para os seus netos.

Por volta do meio-dia, o ato na capital baiana chegou o fim. No Estado, houve manifestações também nas cidades de Feira de Santana, Itabuna, Juazeiro e Vitória da Conquista.

maio
27

DO BLOG O ANTAGONISTA

“As pessoas estão de parabéns”, diz Janaina sobre manifestações

Janaina Paschoal usou o Twitter para comentar sobre as manifestações deste domingo:

“Acompanhando aqui as manifestações, as pessoas estão de parabéns, até agora, todas as pautas são democráticas. Ao pedir a Reforma da Previdência de Guedes e o Pacote de Moro, nosso povo mostra maturidade”, disse.

“A sabedoria popular corrigiu os excessos. Os cartazes pela CPI da Lava Toga não podem ser confundidos com pleitos autoritários. CPI é instrumento democrático.”

Do Jornal do Brasil

 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pouco depois de encerrar sua campanha presidencial (finalizada com votação que lhe garantiu o quinto lugar no primeiro turno), João Amoêdo voltou à estrada.

Presidente do Novo, ele tem andado pelo Brasil para divulgar o partido liberal que ajudou a fundar. No horizonte, a busca por cadeiras de prefeito e vereador em 2020.

Macaque in the trees
João Amoêdo (Foto: Divulgação)

Eleitor de Jair Bolsonaro (PSL), que incorporou na campanha o liberalismo de Paulo Guedes (Economia), Amoêdo critica o governo pelo excesso de polêmicas. À reportagem, diz que os ruídos comprometem a medida mais urgente para o país avançar, a reforma da Previdência.*

Pergunta – O Novo se posicionou contra os atos pró-governo deste domingo (26). Por quê?

João Amoêdo – Nossos filiados e apoiadores são livres para escolherem o que fazer. Eu não pretendo ir. Nós, como instituição, não iremos participar e não vemos muito sentido nessa manifestação.

Primeiro porque ela tem pautas muito difusas: apoio à reforma da Previdência, defesa de Bolsonaro, contra o Supremo, contra o Congresso. Segundo que o apoio popular o governo já tem. Conquistou nas urnas. O que falta é capacidade de coordenação e de interlocução para avançar nas principais medidas.

Pesquisas vêm mostrando uma corrosão no apoio ao governo.

JA – Sempre se cria uma expectativa muito maior do que a capacidade de entrega. Então é natural que haja uma queda da popularidade. E esse governo em especial acabou se envolvendo em muitas polêmicas desnecessárias.

Com isso, na atividade econômica, houve uma certa frustração em relação à velocidade das mudanças e da nossa retomada de crescimento.

O sr. foi um dos que se frustraram?

JA – Não, porque na verdade eu nunca alimentei grandes expectativas em relação ao governo. No fundo, tinha-se uma demanda muito grande pela retirada do Partido dos Trabalhadores.

O sr. declarou voto em Bolsonaro porque ele era o candidato anti-PT?

JA – Certamente. Era melhor arriscar alguma coisa que tivesse mudança.

Eu não tinha convicção do presidente quanto às pautas liberais nem sobre a capacidade de liderar um time. É claro que, passada a eleição, a gente quer trabalhar para as coisas darem certo. A bancada do Novo, por exemplo, tem sido muito atuante na defesa da reforma da Previdência. Mais até que a do PSL.

Se o sr. estivesse no lugar dele, enfrentaria obstáculos semelhantes, como a falta de um partido forte para sustentá-lo. O que faria de diferente?

JA – A primeira coisa seria selecionar as pautas prioritárias. Colocaria a Previdência como a número um, estaria falando a todo momento, mostrando que o sistema, além de insustentável, é injusto.

O segundo ponto seria ter uma equipe alinhada, sem desavenças, em que a gente não ficasse falando de coisas que não interessem, não ficasse ouvindo opiniões de pessoas que não estão participando do governo e estão dando palpites a todo momento.

Em terceiro, diálogo com o Congresso. O tamanho da resistência você só sabe na prática, né? Mas acho que esse roteiro parece ter mais chance de sucesso do que abrir tanta polêmica. Eu não teria aberto uma polêmica na área da educação contra a parte ideológica nesse primeiro momento.

Abriria em algum momento?

JA – A gente sabe que há uma certa doutrinação em alguns níveis no ensino. Mas essa não deve ser a prioridade do governo enquanto a educação no nível básico é péssima.

O texto compartilhado pelo presidente que fala sobre um Brasil ingovernável sem conchavos foi escrito por um filiado do Novo no Rio de Janeiro. O sr. concorda com essa ideia?

JA – Não acho que seja [ingovernável]. Alguém que está dentro das instituições não deveria comungar dessa ideia. Quando o presidente dissemina isso, dá um caráter oficial. Não é razoável para alguém que precisa ter responsabilidade institucional. E as pessoas mais próximas, os filhos, infelizmente não ajudam nesse processo.

Qual é o gargalo da relação do governo com o Congresso e o que precisa ser feito?

JA – Falta maior diálogo e faltam líderes do governo que façam a ponte. Um partido precisa ter alguma unidade interna. Sinto falta disso na bancada do PSL. Volta e meia, você vê discussões em redes sociais, polêmicas entre eles, intrigas.

E há uma questão subliminar no Congresso que é: esses representantes que estão eleitos estão se sentindo responsáveis por colocar o Brasil nos trilhos ou há negociações paralelas e a melhora do país não é uma prioridade? Isso é muito ruim para outras coisas, né? Essa morosidade dá uma insegurança em relação aos outros temas.

O sr. tem arrependimento ou faria algum mea-culpa por ter votado em Bolsonaro?

JA – Não, porque a permanência do PT seria muito ruim para o Brasil. A gente vinha de anos de recessão, muitos esquemas de corrupção.

E as denúncias que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente?

JA – A melhor forma era que isso fosse investigado o mais rápido possível. O ministro do Turismo [Marcelo Álvaro Antônio, investigado no escândalo de candidaturas laranjas] acho que deveria ter sido afastado. São polêmicas que ele [Bolsonaro] não precisa ter.

O Novo é contrário ao Estatuto do Desarmamento, mas o sr. faz reparos à política de desarmamento do atual governo.

JA – Nós não entendemos que o porte ou a posse de arma seja um projeto de segurança do país. O presidente deveria ter deixado essa discussão para depois. E realmente não vejo necessidade nenhuma de um cidadão comum precisar comprar um fuzil. Tanto é que o governo voltou atrás.

O sr. tem ido a Minas pelo menos uma vez por mês para monitorar a gestão de Romeu Zema, que é considerada uma vitrine para a legenda, por ser o primeiro governo estadual do Novo. Que avaliação faz até agora?

JA – Acho que está avançando, mas sempre há um processo de aprendizado. Agora ele tem um grande teste, que é passar o plano de recuperação fiscal na Assembleia.

Que receita ele deve adotar nessa negociação?

JA – Ele sempre divide os méritos das conquistas com o Legislativo e tem grande diálogo com o presidente da Assembleia [do PV]. O que o diferencia do governo federal é realmente ter claras as prioridades.

Então Zema é o anti-Bolsonaro?

JA – [risos] Não, eu diria que o Zema é um ótimo gestor. E outra coisa é que ele tem uma equipe de secretários muito unida. Ele é um exemplo a ser seguido, de mais diálogo e menos polêmica.

No rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Zema chegou à cidade e disse que ali seriam resgatados somente corpos. Foi um erro?

JA – Faz parte do aprendizado. Era um momento delicado, provavelmente ele estava muito impactado. Foi um pequeno deslize.

Quando o vice-governador Paulo Brant (Novo) usou um helicóptero do Estado após uma folga em um spa de luxo para ir a um compromisso, o sr. reclamou que não havia “nenhuma nota” sobre iniciativas positivas do partido e que bastou um episódio para o Novo ser chamado de “igual aos demais”. Culpar a imprensa não é retórica dos políticos tradicionais?

JA – Não. A imprensa tem seu papel, mas, assim como os políticos e os gestores, também deve receber críticas, até para melhorar. Era uma coisa pequena, e várias coisas maiores e produtivas que o Novo faz não vejo noticiadas. Meu pedido é: a gente pode errar, mas estamos fazendo muitas coisas certas.

Ficou algum aprendizado desse caso?

JA – Existe um peso grande em cima do Novo, porque a gente é diferente. Mas não acho ruim essa vigilância extrema. Faz com que o partido cresça mais sólido.

Que metas o Novo tem para a eleição do ano que vem?

JA – Pretendemos lançar candidaturas em todas as cidades onde o partido tenha pelo menos 150 filiados ativos até o dia 15 de junho deste ano. O que será positivo é que poderemos, com certeza, participar dos debates na TV e continua havendo uma demanda por gente nova na política. Acho que a gente será competitivo.

O sr. será candidato novamente?

JA – Em 2020, não pretendo de forma nenhuma. E 2022 ainda não pensei sobre o assunto.

O sr. pedirá recontagem de votos, como sugerem as piadas na internet, depois que diversos eleitores arrependidos de Bolsonaro passaram a dizer que votaram no sr.?

JA – [risos] Isso eu levo na esportiva, né? Do ponto de vista prático, eu não tenho dúvida de que perdi uma quantidade muito grande de votos porque transformaram o primeiro turno num segundo turno.

JOÃO FILGUEIRA BARRETO AMOÊDO, 56

Candidato a presidente da República pelo Novo em 2018, em sua primeira eleição, conquistou 2,6 milhões de votos (2,5% do total) e ficou em quinto lugar. Ex-banqueiro, com patrimônio declarado de R$ 425 milhões, ajudou a fundar o partido e é o atual presidente da legenda

(JOELMIR TAVARES)

maio
27
Posted on 27-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-05-2019


 

Tacho, no

 

 

Uma pessoa sem teto, em São Francisco.

 Uma pessoa sem teto, em São Francisco. AFP
Pablo Ximénez de Sandoval
San Francisco

As últimas cifras são da semana passada, embora nem fossem necessárias. O número de pessoas sem casa em Sãn Francisco aumentou 17% nos últimos dois anos. A lista, elaborada por voluntários e serviços sociais, indica que há 8.011 pessoas vivendo nas ruas da cidade. Uma quantidade ainda muito inferior à de Los Angeles, a capital dos sem-teto nos Estados Unidos. Mas São Francisco é uma península (cercada por água) com 800.000 habitantes. Ou seja: de cada 10 pessoas que andam pela rua, uma não tem onde dormir.

A Prefeitura reagiu às cifras prometendo destinar mais cinco milhões de dólares (cerca de 20 milhões de reais) do orçamento aos serviços para os sem-teto. Mas isso não era nenhuma surpresa. Faz alguns anos que a chuva de milhões que cai sobre a pequena cidade da baía deixou milhares de vítimas colaterais nas ruas, tornando o combate contra a miséria uma prioridade política inevitável. O orçamento do novo governador da Califórnia, Gavin Newsom, apresentado na semana passada, prevê nada menos que um bilhão de dólares (quatro bilhões de reais) para abordar o problema.

Um dos grandes nomes do Vale do Silício, Marc Benioff, fundador da Salesforce, prometeu no último mês 30 milhões de dólares (120 milhões de reais) para projetos contra a pobreza aguda. O anúncio de uma taxa específica para lutar contra a miséria, em novembro passado, provocou a ira das grandes empresas de tecnologia (acabou sendo aprovada nas urnas). A Prefeitura quer construir o que chama de Navigation Centers, lugares de serviços integrais para os sem-teto. Mas esbarrou na oposição dos moradores de uma cidade onde uma casa custa em média 1,6 milhão de dólares (6,4 milhões de reais), e ninguém quer que a sua própria seja desvalorizada. A situação gerou uma verdadeira sensação de urgência política.

Orlando Webb, em seu banco da rua Mission.
Orlando Webb, em seu banco da rua Mission. P. X. S.
 Pelas ruas, veem-se os novos banheiros portáteis instalados pela Prefeitura, pois a situação nas calçadas é também um problema sanitário. É normal observar seringas, fezes e preservativos a poucos passos das ruas mais turísticas da cidade. “Certamente é uma preocupação”, afirma por telefone Cassandra Costello, encarregada da comunicação do São Francisco Tourist Board, o lobby turístico da cidade. “É a principal preocupação expressada pelas pessoas que visitam São Francisco”. Costello diz que ainda não se observa um impacto no turismo, já que em 2018 foram registrados recordes no número de visitantes e no dinheiro gasto na cidade. “São Francisco tem uma taxa de retorno de 96%”, afirma.

Em todas as maiores cidades dos EUA existe miséria extrema, mas é preciso procurá-la. Em São Francisco, uma península sem escapatória, a miséria é vista em toda esquina, incluindo nas zonas mais turísticas. São duas a tarde de um dia de maio e, na esquina das ruas Mission e 16, dois jovens enchem uma seringa agachados contra uma parede. Não se escondem, estão na calçada, e ao lado deles a vida continua normal – passam estudantes e até bebês em carrinhos. Do outro lado do quarteirão há uma escola primária e, a poucos passos dali, bares e restaurantes que estão na moda. A cerca de 20 minutos a pé ficam a sede do Uber e a Prefeitura, na rua Market, a artéria de São Francisco por onde passam ao redor de 25 milhões de turistas por ano.

A poucos passos dos jovens com a seringa, Orlando Webb, um homem que leva todos os seus pertences num cesto de lixo, improvisa um sanduíche e encolhe os ombros quando lhe perguntam por seus vizinhos de calçada. Webb, de 56 anos, poderia ser qualquer desses milhares de novos desabrigados. A morte de sua mãe, único familiar que lhe restava, além de um gasto inesperado e da perda do emprego como supervisor na empresa ferroviária, deixaram Webb sem recursos suficientes nem para alugar um quarto. Ele gastou 9.000 dólares (36.000 reais) em motéis tentando evitar a rua durante meses. Queixa-se do nervo ciático e da perda de dentes. Nenhuma esmola vai tirá-lo daqui. “Não se trata de dinheiro. Basta ter uma oportunidade”, diz Webb.

Ruth Núñez, diretora do centro de recursos para pessoas sem lar do bairro da Missão.
Ruth Núñez, diretora do centro de recursos para pessoas sem lar do bairro da Missão. P. X. S.
 

Ele vive no distrito de Mission, a histórica zona ao sul do centro, um antigo bairro de artistas e famílias que se transformou num dos grandes laboratórios da gentrificação extrema na costa da Califórnia. “Nos últimos 10 anos, houve um deslocamento das pessoas de baixos recursos” dessa região, explica Ruth Núñez, diretora de serviços prestados aos sem-teto pelo Mission Neighborhood Health Center, um centro onde essas pessoas podem descansar e lavar a roupa de dia. A instituição ajuda a providenciar lugares onde elas podem comer e dormir.

O perfil que Núñez encontra entre os que procuram sua ajuda não é o de marginalizados ou com problemas mentais, que também existem, mas “pessoas que viveram aqui a vida toda e passaram por algo em determinado momento”, terminando na rua. “Vemos famílias e adolescentes nos albergues.” Nem sequer seriam pobres em outro lugar. “Muitos dos que vêm aqui têm trabalho, mas não têm casa”, diz Núñez. Em outras cidades eles teriam algum lugar para onde se mudar. Em São Francisco, não.

Há dois anos, Núñez voltou a trabalhar em São Francisco depois de uma década morando fora. “Não reconhecia [o bairro] Mission”, diz. “Na rua Valencia havia lojinhas e restaurantes familiares. A maioria desapareceu. Gente que nasceu no bairro já não pode morar aqui, enquanto alguns dos apartamentos novos estão vazios. É imoral.”

“São Francisco é uma cidade que expulsou os pobres na última década”, afirma. “As empresas de tecnologia pagam enormes salários aos seus funcionários” e distorceram completamente o mercado imobiliário. Logo que pode, um proprietário expulsa inquilinos da vida inteira para multiplicar sua renda ou vender o edifício e fazer apartamentos novos onde o aluguel mensal de um quarto gira em torno de 3.600 dólares (14.400 reais). Núñez recomenda observar também o que acontece em outros lugares. “Oakland e Berkeley estão na mesma situação. É uma crise de toda a baía”.  O trabalhador normal da cidade já não mora nela. As pessoas estão se mudando para Vacaville, 80 quilômetros ao norte, diz Núñez.

“O problema dos sem-teto em São Francisco não é novo”, afirma a diretora. O que acontece, segundo ela, é que já não restam edifícios de aluguel baixo para morar, nem praticamente nenhum lugar sem urbanizar. “Nos lugares onde antes ninguém queria viver agora há apartamentos que custam milhões de dólares”, afirma. Não apenas há mais pessoas sem casa; elas “já não têm onde se esconder.”

São Francisco está se tornando a versão mais extrema, ou pelo menos a mais óbvia, da desigualdade nos EUA, onde uma das maiores concentrações de fortunas do Ocidente convive nas ruas com uma miséria atroz. “Acredito que seja uma crise de todo o país, onde as pessoas que têm dinheiro estão bem e as demais podem ficar sem casa a qualquer momento.”

 Resultado de imagem para Janio Ferreira Soares no jornal A Tarde

CRÔNICA

 

 

CRÔNICA

 O menino que libertava pipas

Janio Ferreira Soares

Ainda bem que a vida, essa intrigante e bela ocorrência batizada pelo mestre João Cabral de Melo Neto de “Severina”, de vez em quando apronta das suas e joga no mundo poemas soltos, fundamentais nesses dias de incontáveis absurdos praticados por um governo que deveria se dar ao diálogo, mas que, sectário até o talo, não percebe a própria estupidez.

É tanto que seus fanáticos torcedores deverão ir às ruas nesse domingo em nome da pátria, de Deus e de uma família – oh, que frondosa baraúna! -, representada por figuras do naipe de mãe Damares, pai Weintraub e mano Moro (assumindo de vez a função do “adotado 05” que só queria as benesses da Bic do boss), além do bom e velho tio Guedes – no papel daquele milionário bonachão, que nas datas festivas empurra cerveja nos sobrinhos, urina na grama e, se alguém reclamar, pega seu jatinho e vai comer cupcakes em Miami.

Mas como eu dizia, na semana em que nosso capitão prestou continência pra bandeira americana pela segunda vez, aconteceu em São Paulo um show beneficente provocado por Magda Carneiro (doutora em humanização do Hospital das Clínicas), com a participação de Yamandu Costa e outras feras, cuja renda será usada para equipar um ambiente destinado ao lazer infantil na cobertura do hospital – que receberá o nome de: Espaço de Arte e Cultura Menino Angelo. Explico.

Angelo, registrado assim mesmo, sem o chapéu no “A” que o principia, sofria de uma doença renal crônica e passou a maior parte de sua infância sob os cuidados de Dra. Magda. Pois bem, depois de 4 anos de hemodiálise e de um transplante renal, Angelo, percebendo que não voltaria mais pra casa, pediu pra fazer o que mais gostava na vida: soltar uma pipa. Pedido aceito, tia Magda então montou uma grande operação para a realização daquela que seria sua última brincadeira.

De máscara, luvas e apetrechos hospitalares, sua mãe conta que a caminho da cobertura e já bastante fraco, seus olhinhos brilhavam. Ela também lembra que a pipa sempre fora sua grande paixão, e que ele a empinava de um modo completamente diferente dos outros meninos. Seu maior encanto, certamente por sua situação, era vê-la seguindo solta do cordão que a prendia.

E foi assim, com apenas uma das mãos (a outra estava imobilizada por uma tala), que Angelo a colocou bem alto e aí fez aquilo que melhor sabia. Mantendo-a estática, esperou que outra linha afiada no cerol se aproximasse e a cortasse, só para que ela sumisse no Céu.

Dias depois, como no poema, o fio que o trouxe ao mundo e o prendia à vida também se rompeu, e aí o menino com nome de anjo, aos seis anos de idade, pulou pra fora da ponte, leve, solto, finalmente livre pra seguir seu voo, creio, montado num colorido tapete formado pelas rabiolas das pipas que ele libertou.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

“Todo sujo de batom”, Belchior: Um nome de nobre nordestino, nascido no Ceará: Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Ou simplesmente, como ele sempre preferiu até a morte prematura, o cidadão Belchior. Nascido em Sobral, 26 de outubro de 1946,  cantor e compositor brasileiro como poucos. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970. Não esqueçam dele. O Bahia em Pauta jamais o esquecerá. Ouçamos mais uma vez a sua voz, neste domingo de manifestações nas ruas.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

===========================================

Eu estou muito cansado do peso da minha cabeça G D/Gb Desses dez anos passados (presentes) E7 A7/4 A7 Vividos entre o sonho e o som D Gbm Eu estou muito cansado de não poder De não poder falar palavra G D/Gb Sobre essas coisas sem jeito E7 Que eu trago em meu peito A7/4 A7 E que eu acho tão bom D Gbm Quero uma balada nova falando de brotos, de coisas assim G De money, de banho de lua, de ti e de mim E7 A7/4 A7 Um cara tão sentimental D D7 Quero a sessão de cinema das cinco G Gm Pra beijar a menina e levar a saudade E7 A7/4 A7 D A7 Na camisa toda suja de batom………………… Rafael Prado in 03, July, 2015.


Os dois países “precisam se ver como parceiros”, afirma o presidente chinês, Xi Jinping, que, embora não fosse obrigado pelo protocolo, decidiu receber o vice-presidente brasileiro na visita que se encerrou nesta sexta

 Macarena Vidal Liy
Pequim
O vice Mourão e presidente da China, Xi Jinping.
O vice Mourão e presidente da China, Xi Jinping. Adnilton Farias/VPR

Com um aperto de mãos, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, e o presidente chinês, Xi Jinping, reconduziram as relações entre os dois países à normalidade. Uma normalidade de que ambos os países necessitam, havendo ou não comentários incendiários do presidente Jair Bolsonaro, que na campanha acusou o gigante asiático de querer “comprar” seu país. O Brasil, porque a China é o seu parceiro comercial mais importante. A China, porque em sua incipiente guerra fria com os Estados Unidos, que tem cada vez mais frentes abertas, precisa cercar-se de bons aliados.

Em uma recepção no imponente Palácio do Povo, em Pequim, que o Governo chinês reserva para os grandes encontros, Xi disse a Mourão que “os dois lados devem continuar se vendo como parceiros e oportunidades para o seu próprio desenvolvimento. Devem respeitar-se, apoiar-se, ter confiança um no outro e construir as relações China-Brasil como um modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento”.

A China quis se empenhar ao máximo na recepção a Mourão, um homem visto neste país como a ponte entre a ala dura do Governo Bolsonaro e os empresários, ansiosos por expandir os laços com Pequim, um representante da moderação contra o populismo do presidente brasileiro.O protocolo não obrigava Xi a receber um vice-presidente. Mas o chefe de Estado chinês queria fazer esse gesto de aproximação numa visita comparável, no campo diplomático, ao retorno do filho pródigo, quando as relações mergulharam em seu pior momento em quatro décadas, após a eleição de Bolsonaro em outubro. Além de Xi, Mourão também se reuniu com o vice-presidente, Wang Qishan, e os principais líderes chineses durante seis dias de visita à potência asiática.

Na quarta-feira, em um discurso para empresários de ambos os países em um hotel em Pequim, Mourão disse que Brasília considera os laços com a China “estratégicos” e lhes concede prioridade. Após sua visita –ressaltou– os vínculos entram “em uma posição ainda mais promissora”.

Na última década, a China se tornou o principal parceiro comercial brasileiro, com um volume de intercâmbio de 98,9 bilhões de dólares no ano passado (395,6 bilhões de reais). Nos últimos quinze anos, a China investiu cerca de 70 bilhões de dólares no Brasil (280 bilhões de reais), segundo dados do Ministério da Economia brasileiro. A maior parte foi direcionada aos setores de energia e infraestrutura. Mas, diante da incerteza desencadeada pelos comentários do então candidato presidencial Bolsonaro, de que “a China está comprando o Brasil”, o investimento direto chinês caiu de 11,3 bilhões de dólares em 2017 para 2,8 bilhões em 2018.

Mourão afirmou em seu discurso em Pequim que, além dos campos tradicionais – soja, petróleo–, o Brasil tentará direcionar os investimentos chineses a “setores de interesse”, como a inovação, a ciência e a tecnologia.

Ele não quis entrar nos assuntos mais delicados da relação bilateral –essas decisões corresponderão a Bolsonaro, que planeja viajar para Pequim por volta de agosto e dar as boas-vindas a Xi durante a visita do presidente chinês em novembro para participar da cúpula dos BRICS. Entre as questões, por um lado, se o Brasil optará por ceder aos desejos dos Estados Unidos e tomar medidas para limitar o papel da gigante tecnológica chinesa Huawei nas redes 5G do país. E, por outro, se o Brasil quer aderir formalmente, por meio de um memorando de entendimento, à iniciativa chinesa Nova Rota da Seda, a rede de infraestrutura com a qual Pequim quer se conectar com o restante do mundo. Até agora, Brasília resistiu a dar um passo que outros líderes latino-americanos já deram. Sua integração formal representaria um enorme gesto em direção a Pequim.

Por ora, o Brasil começou a enviar sinais amigáveis ao gigante asiático. Nesta semana, o Governo em Brasília anunciou que retirará sua denúncia na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as políticas comerciais chinesas sobre o açúcar. Também expressou seu apoio ao candidato chinês para liderar a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Qu Dongyu.

maio
26
Posted on 26-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-05-2019

DO BLOG O ANTAGONISTA

Moro homenageia servidores penitenciários

No Twitter, Sergio Moro elogiou neste sábado os servidores penitenciários e chamou de “heróis” aqueles que morreram em trabalho.

“O agente que nele trabalha é, antes de tudo, um forte. Coloca em risco sua vida em prol da sociedade”, disse.

O ministro também relembrou a execução de Melissa Almeida, psicóloga assassinada em maio de 2017 a mando de uma facção que atua dentro e fora de presídios.

“Dois anos atrás, nesta data, Melissa Almeida, psicóloga em presídio federal, foi assassinada pelo crime organizado. Pouco antes, também os agentes Alex Belarmino Almeida Silva e Henry Charles Gama Filho. Todos também heróis como o juiz Falcone. A eles também as minhas homenagens.”

Ainda no Twitter, o viúvo de Melissa agradeceu o apoio de Moro, que lamentou pelo ocorrido há dois anos.

“O senhor também um herói. Salvou seu filho, trocou tiros com os assassinos.”

Pages: 1 2 3 4 5 6 7 ... 22 23

  • Arquivos