maio
03

Do Jornal do Brasil

 

LISANDRA PARAGUASSU

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta quinta-feira que, olhando agora, a decisão do líder da oposição venezuelana Juan Guaidó, de iniciar uma tentativa de depor o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na terça-feira, não foi a melhor.

Na manhã de terça-feira, Guaidó disse ter o apoio de militares para depor Maduro, mas autoridades do primeiro escalão das Forças Armadas declararam lealdade a Maduro, e confrontos entre apoiadores e opositores ocorreram em várias partes do país.

Macaque in the trees
Vice-presidente Hamilton Mourão (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

“Olha, eu não estou no sapato dele. Eu não sei quais os dados que ele tinha para tomar a decisão que ele tomou. A gente especula. Não sei se ele estava com medo de ser preso ou se alguns elementos das Forças Armadas tinham prometido determinados apoios”, disse Mourão a jornalistas ao ser indagado se Guaidó teria se precipitado ao dar largada à tentativa de depor Maduro.

“Olhando agora, a gente julga que não foi a melhor. É o processo que está acontecendo lá na Venezuela”, acrescentou.

A fala do vice-presidente contradiz a avaliação feita pelo presidente Jair Bolsonaro, que na quarta-feira disse não considerar a fracassada tentativa de derrubada do governo Maduro como uma derrota, e que o governo brasileiro tem informações de que fissuras entre os militares venezuelanos ainda poderiam levar à derrubada do regime chavista.

Mourão disse também que o governo está aguardando os acontecimentos na Venezuela e disse que, por ora, o único plano do Brasil é garantir o abastecimento às usinas termelétricas que abastecem Roraima, já que com a crise na Venezuela o Estado, que não é ligado ao sistema brasileiro de energia elétrica, deixou de receber energia do país vizinho.

Em seguida, em entrevista à rádio Gaúcha de Porto Alegre, Mourão disse que o governo brasileiro se mantém em “posição de expectativa” sobre a situação no país vizinho e espera uma solução pacífica, mas que não vê um desenlace no curto prazo.

“É muito difícil colocar um prazo nessa situação que está acontecendo na Venezuela. Toda questão gira em torno dos militares, da forma que vão conduzir a situação e neutralizar as forças paramilitares. Não há uma luz no fim do túnel”, disse o vice-presidente, lembrando ainda que há “atores externos de peso, como Rússia e China”, atuando no processo.

Mourão concorda que há fissuras entre os militares, mas destaca acreditar que são principalmente entre escalões subalternos, e que Maduro é hoje refém dos altos escalões militares.

“Desde o início o governo mostrou preocupação que esse conflito degenerasse em uma guerra civil. Seria o pior dos mundos”, disse.

O vice-presidente, que já foi adido militar na Venezuela e ainda tem contatos no país, diz não ter informações sobre Juan Guaidó, que estaria desaparecido nas últimas horas, mas disse acreditar que ele estaria de “casa em casa”, porque Maduro irá tentar prendê-lo.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Alexandre Caverni)

Do Jornal do Brasil

 

GILBERTO MENEZES CÔRTES

O brutal e desumano atropelamento, pelos blindados do governo Nicolás Maduro, dos manifestantes que saíram às ruas de Caracas para apoiar o fracassado levante do autodeclarado presidente Juan Guaidó lembra a impressionante e solitária resistência de um franzino cidadão chinês que enfrentou, há três décadas, uma coluna de tanques, no dia seguinte ao massacre de centenas de estudantes e manifestantes pelo Exército do Povo. Dia 5 de junho, a data completa 30 anos.

Entre aquela imagem e a de sexta-feira na Venezuela, ocorreram muitos outros massacres de forças de segurança contra cidadãos. As ruas e praças de Cairo, na chamada Primavera Árabe, que contribuiu para a derrubada do ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, foram um dos palcos de massacres. Os tanques do Exército, comandados pelo general Sisi, então ministro da Defesa, que tomou o lugar do antigo ditador, com mais de 80 anos, mostra que a história se repete. À esquerda e à direita.

Veja os vídeos:

maio
03
Posted on 03-05-2019
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Miguel, no (PE)

 

O líder da oposição diz na Embaixada da Espanha em Caracas, escoltado pela Polícia Nacional, que sua libertação foi apenas um primeiro passo que terá consequências

O líder da oposição venezuelana, Leopoldo López, refugiado em unidades diplomáticas espanholas há dois dias, desafiou Nicolás Maduro nesta quinta-feira, anunciando a falência do establishment militar e novas revoltas das Forças Armadas. “Claro, mais movimentos do setor militar estão chegando. Nosso chamado é para todos os militares, todos civis, para que contribuamos com nossa responsabilidade de contribuir para a cessação da usurpação. Essa ditadura vai acabar “, disse o político a jornalistas escoltado por agentes da Polícia Nacional espanhola, na porta da residência do embaixador da Espanha, Jesus Silva.

A Justiça venezuelana ordenou a detenção de López nesta quinta. Ele se encontra refugiado na Embaixada da Espanha em Caracas desde a noite de terça-feira. A contraofensiva do regime de Nicolás Maduro ocorre dois dias depois de uma operação liderada por Juan Guaidó para tentar promover uma rebelião civil e militar contra o Governo. O chefe do Parlamento, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, liberou López de sua detenção domiciliar com a ajuda de um grupo de militares. Depois de horas de mobilizações, o político optou por pedir proteção na Embaixada do Chile, e de lá finalmente se deslocou com sua esposa, Lilian Tintori, e uma de suas filhas para a residência do embaixador da Espanha em Caracas, Jesús Silva.

López falou nesta quinta-feira a partir da casa do embaixador espanhol. Um dos pontos-chave de sua mensagem diz respeito aos supostos encontros que ele manteve em sua casa com membros das Forças Armadas. “Por mais de três semanas eu me encontrei em minha casa com generais e comandantes, e nos comprometemos com o cessar da usurpação”, disse. Devido à sua condição de prisão domiciliar, a casa do líder do Vontade Popular era protegida pelo Serviço Nacional de Inteligência Bolivariano (Sebin), o mesmo órgão encarregado de voltar a prendê-lo, além aqueles que foram colocados sob suspeita por conta da libertação de López na madrugada da última terça-feira.

O líder opositor disse ainda que esteve em contato com representantes dos países do Grupo Lima. “[A ‘Operação Liberdade’] se levantou como um primeiro passo”, disse. O líder do Vontade Popular insiste em sua pressão sobre o Exército, uma das fortalezas de Maduro: “A frustração que os homens e mulheres venezuelanos têm também tem uniformes”. Ele garante que teve contato com membros das Forças Armadas: “Falei com muitos generais”. “A ruptura começou, as pessoas e as forças armadas vão conseguir a cessação da usurpação”, garantiu. Mais cedo, o Governo espanhol informou que não pretende entregar López à Justiça venezuelana.

Prisão domiciliar

No fim da manhã desta quinta-feira, a Quinta Vara de Execuções de Primeira Instância do Distrito Judicial Criminal da Região Metropolitana de Caracas tomou a primeira medida formal contra o ex-prefeito de Chacao, um dos municípios que compõem a capital. O tribunal, segundo informa a Suprema Corte , “revogou a medida de prisão domiciliar para o cidadão Leopoldo López por tê-la violado flagrantemente, além de ter violado a medida referida à condição relativa a pronunciamentos políticos por meio de veículos de comunicação convencionais e não convencionais, nacionais e internacionais, demonstrando com isso a não sujeição às medidas”.

López estava preso em sua casa desde julho de 2017, depois de ter passado mais de três anos na prisão de Ramo Verde. O tribunal emitiu um “mandado de captura dirigido ao Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin)”, que no caso de que o dirigente do partido Vontade Popular deixar a residência do embaixador espanhol, território inviolável, seria o corpo encarregado de efetuar sua prisão.

O tribunal determina que “o referido cidadão continue a cumprir sua pena de 13 anos de prisão — dos quis cumpriu cinco anos, dois meses e doze dias — no Centro Nacional de Processados Militares de Ramo Verde”, a prisão à qual foi enviado em 2014. Maduro limitou-se, por enquanto, a garantir que depois da libertação de López não haveria impunidade para os militares envolvidos e para os responsáveis políticos pelo que aconteceu. Anunciou na própria noite de terça-feira uma investigação da Procuradoria, controlada pelo chavismo, e exigiu lealdade das forças armadas.

O sucessor de Hugo Chávez não precisa apenas do apoio dos soldados, cujos comandantes permanecem até o momento leais ao regime, mas para sua estratégia é crucial aparentar unidade e controle absoluto do estamento militar. O presidente exibiu horas antes do anúncio dessa decisão uma imagem de força diante de milhares de soldados, aos quais exigiu dedicação no “combate contra o imperialismo, os traidores e os golpistas”. Mais tarde, falou por meio de vídeo para dizer que a quinta-feira “foi um bom dia” porque ele liderou “uma marcha da lealdade”.

O líder chavista participou na manhã de uma manifestação de poder cercada por mais de 4.000 soldados. “As Forças Armadas têm que demonstrar ao mundo o que são, não é um grupo de golpistas que sai para tomar uma estrada com armas, é uma força organizada.” Embora a oposição assegure que as deserções militares continuarão, Maduro insiste: “Sempre leais, nunca traidores”. E conclui dizendo que, diante de uma “invasão” militar externa, ele tem certeza de que o Exército venezuelano venceria.

Já o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse que “há uma fissura nos escalões mais baixos das Forças Armadas venezuelanas”, e que a tendência é de que a tal fissura suba na hierarquia. Segundo ele, a solução da crise passará por isso. Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Augusto Heleno disse que não considera que Juan Guaidó foi derrotado apesar de Nicolás Maduro seguir no poder na Venezuela. Ambos falaram sobre a crise venezuelana durante a transmissão semanal de Bolsonaro em seu perfil no Facebook. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente acrescentou que “o Maduro não manda nele mesmo”. “Quem manda nele são os generais, os cubanos, em boa parte os russos. Ele é vigiado o tempo inteiro”, completou.

 
Opinião
 

Você também, Portugal?

Você também, Portugal?

 Reprodução

Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa deram pedras para serem jogadas em estudantes brasileiros, desdenhosamente chamados de “zucas”. O fato ocorreu há alguns dias e o mais grave é que, em vez de ser visto como um ato de racismo e xenofobia em um momento em que cresce na Europa a cizânia de novos nazismos e a intolerâncias contra os diferentes, foi considerado pelas autoridades da universidade como pouco menos que uma brincadeira. E tudo se limitou a uma “investigação disciplinar” contra os “engraçadinhos”.

Uma das alunas brasileiras que se consideraram ofendidas, Maria Eduarda Calado, de 24 anos, disse ao jornal O Globo: “Estamos vivendo muito ódio e as pessoas acham que isso é normal”. E a juíza brasileira Daniele Hampe, que faz graduação na mencionada universidade, disse que não se tratou de uma brincadeira, mas de “uma incitação à violência, como todos puderam ver”.

A notícia da ideia de distribuir pedras colocadas em um cesto na entrada da universidade para lançá-las contra os colegas brasileiros ainda teve o sarcasmo de anunciar que “as pedras eram grátis”. E a Faculdade de Direito não condenou explicitamente esse gesto de desprezo pelos estudantes brasileiros.

Pessoalmente, a notícia me chocou duplamente, porque considero que neste momento Portugal, com o seu Governo progressista e social, é uma ilha na Europa, em que cresce a extrema direita que quer voltar aos tempos das guerras entre irmãos e cerceia os direitos humanos e as liberdades conquistadas com tanto sacrifício e tanto sangue.

No Brasil, hoje, Portugal é visto como uma meca em que milhões de jovens colocam os olhos. Brasileiros. Encontrei muitos deles que me disseram com olhos de alegria, que seu “sonho é poder ir trabalhar em Portugal”. Eles veem essa meca — ao lado do Brasil de hoje, atingido pela falta de oportunidades e pela caça às bruxas da intolerância — como uma ilha de paz.

Que esses jovens que conseguem ir estudar em universidades da importância da Faculdade de Direito de Lisboa, ao chegarem ali encontrem na porta da universidade uma caixa cheia de pedras, que os alunos portugueses oferecem “grátis” para serem jogadas contra eles, o mínimo que podem sentir é a profunda frustração de terem sido enganados. Essas pedras, mesmo sem usá-las, já haviam feito sangrar seus sonhos.

Não, não era e nem poderia ser uma brincadeira e esses estudantes mereciam no mínimo a expulsão da faculdade. O silêncio cúmplice das autoridades acadêmicas, ao que parece por motivos políticos de eleições dentro da universidade, é tão ou mais grave do que o silêncio dos alunos xenófobos.

A universidade, já em sua etimologia que evoca o “universal”, sempre foi o lugar onde todas as liberdades são semeadas e cultivadas, onde todos os estudantes do mundo têm acolhida, onde todo conhecimento humano pode ser cultivado em liberdade. Quando, por outro lado, se torna um antro de ideologias e discriminações, acaba profanando sua própria essência e razão de ser.

A “brincadeira” sangrenta dos estudantes de Direito portugueses contra seus irmãos brasileiros é ainda mais grave por causa do simbolismo que a envolve. Qualquer universitário deve saber que uma caixa de pedras, preparadas para serem lançadas em alguém, não pode deixar de evocar uma das formas de castigo mais brutais e sangrentas desde os tempos mais antigos, como a morte por lapidação da qual só restam vestígios em alguns países da África, da Ásia e do Oriente Médio. Foi considerada uma das expressões mais bárbaras que a humanidade foi capaz de conceber para tirar a vida. Vi a foto da caixa com as pedras dadas para serem atiradas contra os estudantes brasileiros e me deram um calafrio. Tinham a medida exata que ainda hoje se exige para esse espetáculo macabro, para acertar as vítimas, geralmente mulheres. Não devem ser grandes demais, para que o condenado não morra demasiado rápido, nem tão pequenas que não bastem para arrancar-lhe a vida. Devem ser de tamanho médio, para que a vítima possa suportar o sofrimento pelo maior tempo possível.

Não digo que os alunos xenófobos portugueses chegaram a pensar no rito infame da lapidação, mas curiosamente aquelas pedras eram da mesma medida das que ainda se usam, levadas em sacos ou caminhões onde, especialmente em países islâmicos, continuam sendo usadas.

Mais do que a abertura fria e burocrática de um processo “disciplinar”, as autoridades da Universidade de Lisboa já deveriam ter pedido desculpas às vítimas e ao Brasil, um país que sempre acolheu, não apenas com respeito, mas com carinho, os seus alunos e pesquisadores.

Vivemos tempos em que até uma brincadeira pode se tornar uma bomba atômica. A vigilância na defesa das liberdades e contra toda discriminação deve ser redobrada. O ódio é um veneno que é inoculado em silêncio. Como acaba de afirmar em uma entrevista a este jornal o psiquiatra espanhol Luis Rojas: “Pedir perdão” e ter a coragem de dizer “te amo” é fundamental “porque sem ele não há futuro na vida”. Do ódio à explosão de uma guerra há apenas um suspiro. O perdão apaga até os incêndios mais devastadores. E hoje esses incêndios começam a nos cercar de maneira ameaçadora também no Brasil, esse grande país, que já deu exemplo para o mundo de acolhimento de diferentes, com vocação de paz.

“Ilha de Maré”, Beth Carvalho: Vídeo do DVD  Beth Canta Samba da Bahia. Aqui interpretando o samba magistral do baiano Walmir Lima. E não precisa dizer mais nada. Basta ouvir, cantar e sentir saudades. Muitas!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Cultura

Foi pioneira e parte do que ela considerou uma revolução feminista

Velório do corpo da cantora Beth Carvalho na sede do Botafogo, no Rio de Janeiro. Tânia Rêgo Agência Brasil

O sambista Zeca Pagodinho contava, em dezembro, que para ele era muito difícil ver sua “madrinha”, Beth Carvalho (Rio de Janeiro, 1946), prostrada em uma cama. Mas um dia, depois de uma gravação, decidiu ir visitá-la no hospital com um grupo de músicos. Carregados de cerveja, encheram o quarto de álcool e alegria e deram de presente a Beth sua penúltima roda de samba.

A cantora morreu terça-feira de uma infecção generalizada, depois de mais de uma década com graves problemas na coluna, naquele quarto de hospital. O samba chora sua partida como a de uma mãe. Passou mais de cinquenta anos cantando e não parou de fazer isso até seu último suspiro. “Por que pararia?”, perguntava-se. Mal podia se mover, mas era tão difícil freá-la que começou a fazer shows deitada.

Beth se foi cantando e com o título de madrinha do samba gravado em seus obituários. No final dos anos 70 já era conhecida em todo o Brasil, mas nunca deixou de frequentar os bares e os encontros de sambistas nos castigados subúrbios do Rio de Janeiro. Foi assim que descobriu e lançou artistas como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e o grupo Fundo do Quintal. Artistas-revelação que incorporaram novos instrumentos e protagonizaram a última revolução da samba nos anos oitenta. Beth foi a madrinha desse movimento ao levá-lo para seus discos e para as gravadoras.

“É possível que se não fosse a abertura de Beth para as novas dinâmicas do samba, um dos momentos mais transformadores da história do gênero tivesse ficado nos escaninhos da memória musical brasileira”, escreveu após sua morte o historiador Luiz Antonio Simas, especialista na cultura popular do Rio de Janeiro. “Essa é só uma das contribuições de Beth Carvalho à cultura do Brasil”, elogiou Simas, amigo e admirador da cantora.

Zeca Pagodinho no velório de Beth Carvalho.
Zeca Pagodinho no velório de Beth Carvalho. Tânia Rêgo Agência Brasil
 

Beth ajudou a abrir as portas do futuro do samba, mas também contribuiu para recuperar alguns dos verdadeiros gênios desse gênero musical. Cartola e Nelson Cavaquinho, condenados a morrer pobres e sem aplausos, conquistaram os ouvidos de todos os brasileiros, em parte, graças ao empenho da cantora para resgatá-los.

Era uma mulher valente e irrompeu em um mundo pensado para os homens. Foi pioneira e parte do que ela considerou uma revolução feminista. Ela, Clara Nunes e Alcione Nazareth foram as primeiras artistas brasileiras que venderam tantos ou mais discos quanto os homens. “Quebramos um tabu”, recordava. Beth frequentava os círculos sofisticados da bossa nova, era mais do calçadão de Ipanema do que de favela, mas aquilo não lhe bastava e acabou abraçando os ritmos do subúrbio. “O samba é de esquerda, do povo, que sofre, que sabe o que é passar fome. Eu me sinto muito honrada de formar parte disso”, contou Beth em uma entrevista ao EL PAÍS em março de 2016. Era a branca mais respeitada em um mundo de negros.

Beth se martirizava com as dores, mas também com a política do Brasil. Era admiradora do socialismo de Fidel Castro e de Chávez, acreditava em conspirações dos Estados Unidos e sofria com os devires do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos tribunais. Preocupava-se com o discurso homofóbico e racista que as redes sociais multiplicaram e sempre defendeu uma política para os pobres. Suas ideias não tinham lugar no Brasil do Jair Bolsonaro. Sua morte não deixa órfãos apenas seus “afilhados” mais diretos, mas todo um país que tem a sensação de estar se despedindo do melhor que tem.

Nesta quarta-feira, seu time de futebol, o Botafogo, abriu as portas de sua sede para que toda a escola de samba da Mangueira, pela qual Beth suspirava, os sambistas e seus amigos de toda a vida se despedissem de sua madrinha. Lá estava Zeca Pagodinho, uma vez mais, agitando aquela que, desta vez sim, foi sua última roda de samba.

Flávio entra em contato com Maia para esclarecer tuíte do pai

 

Rodrigo Maia contou no Twitter que Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem para ele esclarecendo que a postagem do pai sobre a crise na Venezuela não tratava da possibilidade de declaração de guerra.

Ontem, como registramos, o presidente publicou que qualquer hipótese sobre a Venezuela seria “decidida EXCLUSIVAMENTE pelo Presidente da República, ouvindo o Conselho de Defesa Nacional”.

“Isso [a mensagem de Flávio] nos tranquiliza, porque é uma postura de respeito ao Parlamento”, escreveu o presidente da Câmara.

“Deixo claro que fiz apenas uma ressalva respeitosa. Não tenho nenhum interesse no conflito com o presidente. Precisamos estar juntos pra aprovar a Nova Previdência”, acrescentou o deputado.

maio
02
Posted on 02-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-05-2019

DO JORNAL DO BRASIL

Caixão foi transportado em caminhão do Corpo de Bombeiros para cremação no Cemitério do Caju, em cerimônia restrita à família

   DIEGO GARCIA

Ao som de sucessos que marcaram sua carreira e com bandeiras do Botafogo e da escola de samba Mangueira, o corpo de Beth Carvalho começou a ser velado na manhã desta quarta-feira (1º), na sede do clube de futebol, na zona sul do Rio de Janeiro.

A cantora morreu nesta terça, aos 72 anos, após uma infecção generalizada. Ela estava internada no hospital Pró-Cardíaco e faria aniversário no domingo (5). Para celebrar a data, um show com amigos e outros sambistas estava agendado para ocorrer no mesmo dia, na casa de shows Vivo Rio, no bairro do Flamengo.

Muitos desses amigos, ao lado de parentes e fãs, compareceram ao velório e prestaram homenagens.

Por volta de 11h10, o cantor Zeca Pagodinho chegou ao clube e causou alvoroço entre fãs. Após ele se aproximar do corpo de Beth Carvalho, alguns presentes começaram a cantar, juntos, a música “Andança”, sucesso da sambista, seguida de aplausos.

“São muitas lembranças. É difícil… Não sei nem o que falar”, disse Zeca, emocionado.

“Era a madrinha para todo mundo. Ela botou muita gente lá em cima. Eu costumo brincar que eu era só um compositor, mas virei o Zeca Pagodinho por causa dela. Meu negócio era compor, ela me colocou para cantar ‘Camarão que Dorme a Onda Leva'”, lembrou o cantor.

Dudu Nobre também chegou cedo à cerimônia e falou sobre a tristeza da perda.

“Cinco anos atrás fizemos uma turnê, eu, ela e Arlindo Cruz. A gente via que ela estava ali batalhando, lutando pela vida, lutando para continuar cantando, tanto que tinha um show já marcado. O último espetáculo dela no Rio de Janeiro foi muito emocionante”, disse.

“Além de entrar para história como a Madrinha do Samba, ela entra como uma guerreira. Uma pessoa que venceu muitos tabus. Beth foi uma guerreira que lutou pela vida”, continuou Nobre.

A cantora Teresa Cristina também foi ao velório e destacou o caráter de Beth Carvalho. “Sempre foi uma mulher de coragem e nunca teve medo quando o Brasil precisou dela”, apontou a artista.

Ao lado dela, a cantora e compositora Zélia Duncan afirmou que o Brasil está de luto. “Uma mulher corajosa, que dava suas opiniões, sempre ao lado do Brasil. Uma mulher de uma teimosia, que fez história”, disse.

O cantor Jorge Aragão, outro que era amigo e chamava Beth Carvalho de madrinha, despediu-se do corpo da artista por volta das 12h45. “Talvez eu tenha vindo aqui para celebrar a vida dela”, disse Aragão, antes de uma pausa para segurar as lágrimas. “Papai do céu, tome conta dela”, pediu.

“Nesta hora é muito clichê dizer que tem festa no céu. Prefiro deixar guardado. Não sei explicar. Não é um momento em que consigo falar, não consigo falar com ninguém”, disse.

Por volta de 15h, nomes da política carioca deram uma breve passada pelo velório, em momentos distintos. Primeiro, foi a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ). Depois, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Eles acompanharam a roda de samba que tocava em homenagem à cantora.

Desde o começo do velório, dezenas de coroas de flores chegaram à sede do Botafogo. A primeira delas trazia os dizeres: “O samba perde sua madrinha, o Brasil uma filha guerreira e eu uma grande amiga, gratidão para sempre”, com a assinatura de Lula.

 Outra, ao lado, dizia: “Condolências do presidente Lula e executiva nacional do PT”. A cantora tinha bastante ligação com a política, em especial com o ex-presidente, hoje preso, e o Partido dos Trabalhadores.

Faixas com referências a Zeca Pagodinho, sambistas da Lierj, Clube Atlético Mineiro, grupo Fundo de Quintal, Portela, Cordão da Bola Preta e à Mangueira, escola da cantora, também decoram o salão onde acontece a cerimônia.

O velório de Beth Carvalho foi marcado por muito samba tocado por membros da escola de samba Mangueira, que trouxeram instrumentos e seguiram cantando músicas da artista durnate a tarde. Em certo ponto, o hino do Botafogo também foi entoado por torcedores.

O velório começou às 10h, em cerimônia aberta, e reuniu diversos fãs com as camisas do Botafogo e da Mangueira.

O corpo de artista deixou o clube por volta de 16h em cortejo levado por um caminhão do Corpo de Bombeiros. Ele foi em direção ao crematório do Caju, na zona norte do Rio de Janeiro, onde uma cerimônia restrita à família estava marcada. Beth Carvalho saiu do Botafogo sob aplausos de fãs e sambistas cariocas.

maio
02
Posted on 02-05-2019
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Atorres, no

 

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