maio
30

Do Jornal do Brasil

 

A VEP (Vara de Execuções Penais) de Curitiba autorizou nesta quarta-feira (29) a transferência do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) para uma unidade prisional do Rio de Janeiro.

O Ministério Público do Paraná chegou a se manifestar contrariamente, prevendo que o ex-deputado poderia usar a influência política para novos crimes. Porém, o juiz Ronaldo Sansone Guerra entendeu que a transferência ajuda na ressocialização do preso.

Macaque in the trees
Eduardo Cunha (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A defesa de Cunha comemorou a decisão e destacou que a Lei de Execuções Penais dá o direito ao detento ficar em unidade próxima da família, que reside na capital fluminense.

O ex-deputado federal Eduardo Cunha vai ser transferido do Complexo Médico-Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, para uma unidade penitenciária do Rio. A Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária) do Rio afirmou que ainda aguarda ofício da Justiça para indicar onde o ex-parlamentar seguirá cumprindo a pena.

PAULINE ALMEIDA

maio
30

Do Jornal do Brasil

 

Após ser criticada por partidos de oposição na Câmara, a costura de um pacto entre a cúpula dos três Poderes da República foi alvo da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), segundo quem é inadequada a participação, nos entendimentos, do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Antonio Dias Toffoli.

“A Ajufe vem a público manifestar sua preocupação com o ‘pacto’ noticiado pela imprensa, especialmente com a concordância do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), à Reforma da Previdência”, diz a nota da entidade, ressaltando que alguns dos pontos da reforma devem ser objeto de questionamento no STF.

“Isso revela que não se deve assumir publicamente compromissos com uma reforma de tal porte, em respeito à independência e resguardando a imparcialidade do Poder Judiciário, cabendo a realização de tais pactos, dentro de um estado democrático, apenas aos atores políticos dos Poderes Executivo e Legislativo”, diz a nota, assinada pelo presidente da entidade, Fernando Mendes.

Macaque in the trees
Dias Toffoli (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A Ajufe não se refere na nota aos outros temas que fariam parte do pacto, como a reforma tributária, a revisão do pacto federativo e o aprimoramento de uma política nacional de segurança pública.

A AJD (Associação Juízes para Democracia) também divulgou nota crítica à participação de Toffoli.

“A Associação Juízes para a Democracia (AJD) entidade não governamental, de âmbito nacional, sem fins corporativos, que tem como um de seus objetivos estatutários a defesa dos direitos e garantias fundamentais e a manutenção do Estado Democrático de Direito, manifesta forte preocupação com a notícia de que o presidente do Supremo Tribunal Federal pretende assinar, com o presidente da República e com o presidente do Congresso Nacional, um “pacto” em favor de reformas constitucionais e legais”, diz a nota.

Segundo a associação, “é inadmissível que o presidente do Supremo Tribunal Federal antecipe-se a firmar ‘pacto’ com os demais poderes”, afirmando que “não pode o Poder Judiciário, nem mesmo a Suprema Corte, fazer juízo prévio de conveniência e avalizar antecipadamente alterações constitucionais”.

“Agindo assim, o Presidente do STF atinge, a um só tempo, o princípio da separação dos poderes, a Constituição da República e o Estado Democrático de Direito”, acrescenta a associação, afirmando que “os juízes brasileiros, zelosos de sua missão constitucional e compromissados, verdadeiramente, com a Democracia, não irão compactuar com acordos que atinjam a independência da magistratura”.

A assessoria de imprensa do STF afirmou que Toffoli não irá se manifestar.

Mais cedo, dirigentes de sete partidos de oposição a Jair Bolsonaro decidiram também questionar a participação de Toffoli.

RANIER BRAGON

maio
30
Posted on 30-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-05-2019

FHC critica ‘perseguição’ a usuários de drogas

Em evento na fundação que leva seu nome, Fernando Henrique Cardoso criticou o que entende como abordagem “punitiva” do poder público diante da criminalidade no país, registra o Estadão.

“Infelizmente, no Brasil, está prevalecendo a ideia de que criminoso bom é criminoso morto”, declarou FHC, para quem falta ao Brasil um foco maior no combate ao crime organizado, em lugar do que chamou “perseguição” a usuários de drogas como a maconha.

“A atitude punitiva que estamos tomando é contraproducente”, acrescentou o tucano, sem citar nominalmente o governo de Jair Bolsonaro.

O ex-presidente afirmou ainda que o país “vive um momento de transição perigoso”.

maio
30
Posted on 30-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-05-2019



 

Thiago Lucas, no

 

maio
30
Posted on 30-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-05-2019
 

Partidários de legalizar a interrupção voluntária da gravidez apresentam novo projeto legislativo na Câmara dos Deputados, depois da derrota de 2018

Mar Centenera
Buenos Aires
aborto argentina
Partidárias da legalização do aborto, nesta terça-feira em frente ao Congresso argentino AFP

A maré verde pró-legalização do aborto voltou nesta terça-feira ao Congresso da Argentina disposta a batalhar neste ano eleitoral. Milhares de pessoas, na maioria mulheres e jovens, se concentraram à tarde na praça e nas ruas próximas ao edifício do Legislativo para acompanhar pela oitava vez a apresentação de um projeto de interrupção voluntária da gravidez. “Aborto legal no hospital”, gritava a multidão, agitando lenços verdes, entre cartazes com lemas como “tirem os seus rosários dos nossos ovários” e “Meninas, não mães”. Em 2018, o Senado votou contra, mas a Campanha pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito – que aglutina mais de 500 organizações– decidiu mover as fichas de novo e assim obrigar os candidatos presidenciais a se posicionarem sobre um tema que divide o país.

“Neste ano que temos campanha eleitoral, o aborto tem que estar na agenda política e os candidatos e candidatas têm que se posicionar. Queremos que ao votar as pessoas saibam a posição deles”, diz a psicanalista Martha Rosenberg, uma das referências da campanha em favor do aborto legal. A iniciativa legislativa legaliza o aborto nas primeiras 14 semanas de gestação e estende o período em casos de estupro e risco à vida e/ou à saúde da mãe. Estas exceções nos prazos no projeto de lei são atualmente as duas únicas possibilidades em que é legal interromper voluntariamente uma gravidez. 

Na Argentina, como em grande parte da América Latina, o aborto é crime. Mas é um dos lugares em que é mais praticado –  cerca de mil mulheres abortam todos os dias no país – embora esteja sujeito a pena de prisão entre um e quatro anos. A criminalização não as impede, mas as obriga a abortar na clandestinidade e põe em risco milhares de vidas, tanto por recorrerem a métodos inseguros como pelo atraso na busca de ajuda médica caso surja um problema, por medo de serem presas. Na Argentina, cerca de 50.000 mulheres são hospitalizadas todos os anos por complicações decorrentes de um aborto. Em 2016, último ano com dados oficiais, 43 morreram dessa causa.

Partidárias do aborto legal erguem uma Virgem com o lenço verde, cor que identifica a campanha em favor do sim
Partidárias do aborto legal erguem uma Virgem com o lenço verde, cor que identifica a campanha em favor do sim AFP
 Victoria Donda, a primeira deputada signatária do projeto legislativo, argumenta que é “um pedido da sociedade que o Congresso volte a debater o projeto de Interrupção Voluntária da Gravidez, indo além de questões eleitorais ou numéricas”. Em uma coletiva de imprensa lotada no Congresso, Donda pediu aos legisladores que decidam se querem uma sociedade em que as argentinas continuem abortando na clandestinidade ou se vão finalmente reconhecer “essa dívida que a democracia tem com as mulheres”.

Os antiabortistas, porém, acreditam que a nova tentativa de reabrir o debate “ignora a opinião já expressa pelo Parlamento” e criticam seu anúncio como “um direito à eliminação de pessoas até as 14 semanas de gestação”. Envoltas em bandeiras e lenços azul-celeste, um grupo de pessoas se aproximou da Plaza dos Dois Congressos para demonstrar sua rejeição ao projeto. “Eu e meus amigos sentimos a necessidade de estar aqui hoje representando a vida”, diz Nélida Rodríguez, integrante da organização Amigos pela Vida. Rodríguez e companheiros posam com o boneco de um feto em miniatura diante de um cartaz em que está escrito “Com aborto não te dou meu voto”.

“Hoje, na Argentina, fazer um aborto seguro depende de ter o dinheiro e do lugar onde você vive. Se você tem dinheiro, além da garantia de saúde, você tem também a do segredo”, diz Carla López, estudante do ensino médio que este ano vai votar pela primeira vez. “O meu voto vai depender da posição sobre o aborto, espero que o de minhas amigas também”, diz esta adolescente com corações e listras desenhadas com purpurina verde no rosto. “Não temos tempo para esperar porque mulheres continuam morrendo”, concorda sua amiga Jimena. A última vítima foi uma mulher de 32 anos, mãe de três filhos, que morreu há três dias em um hospital no nordeste da Grande Buenos Aires depois de um aborto inseguro.

A divisão social e interpartidária que a questão do aborto legal provoca acaba indo contra a reabertura do debate em meados do ano eleitoral. Restam apenas três meses para o primeiro grande evento eleitoral nacional, as primárias simultâneas para todos os partidos. No entanto, a Argentina ganhou com esforço sua reputação de imprevisível, por isso ninguém considera que a porta esteja fechada de todo.

“A apresentação tem a ver com o fato de que há sempre um projeto atual para que, quando houver oportunidade, seja debatido”, destaca a deputada macrista Silvia Lospennato, favorável à legalização do aborto. “Mas acho que este ano temos a mesma composição e, portanto, a possibilidade de que o resultado seja o mesmo”, acrescenta Lospennato, que é a favor de esperar até a próxima legislatura.

Nas eleições de 2015, o aborto foi deixado de fora da agenda em discussão, embora os dois candidatos que se enfrentaram no segundo turno, o conservador Mauricio Macri e o peronista Daniel Scioli, fossem contra a legalização.

Já como presidente, Macri manteve sua posição. Ele se declara “a favor da vida”, o que deve ser lido como contra o aborto legal. No entanto, foi o primeiro chefe de Estado argentino que propiciou o debate legislativo e antecipou que não iria vetar a lei se fosse aprovada pelos legisladores.

O peronista Alberto Fernández, o principal rival de Macri na corrida presidencial, aposta na via intermediária, que goza de maior consenso social, a descriminalização. “No momento, me parece que não deveria ser um crime e que poderíamos começar a trabalhar sem a necessidade de avançar tão rapidamente na legalização, porque a legalização é uma questão que divide os argentinos”, disse ele na semana passada em sua primeira aparição como candidato de uma fórmula em que o acompanha na chapa, como vice-presidente, a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner.

Entre os demais candidatos presidenciais, as posições diferem. O peronista Sérgio Massa é a favor da descriminalização do aborto, assim como o ex-governador de Salta Juan Manuel Urtubey. Já o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna se declara “pessoalmente contra”, mas propõe uma consulta popular. Nicolás del Caño, candidato do Partido dos Trabalhadores Socialistas, é o único que defende sem rodeios a legalização.

A discussão argentina é seguida fora de suas fronteiras por seu potencial impacto regional no continente mais restritivo do mundo. Até agora, só países pequenos como Cuba, Uruguai e Guiana têm leis de prazos semelhantes à apresentada na Argentina. Seja este ano ou sob o mandato do próximo presidente, tudo conduz para a reabertura do debate.

Uma divisão desigual

Os verdes, defensores do aborto legal, dominam Buenos Aires. Eram a maioria nas câmaras e também nas ruas, como voltarão a demonstrar nesta quarta-feira. Nas manifestações, predominam os jovens, entre os quais há muitos que, neste ano de 2019 irão votar pela primeira vez. O bastião dos antiabortionistas, representados pela cor azul-celeste, é o noroeste do país. Dos nove senadores pelas províncias de Tucumán, Salta e Jujuy, oito votaram pelo Não. Nessa região existem ainda barreiras na saúde pública para o acesso a um aborto legal, como demonstra o caso de Lucía, uma menina de 11 anos estuprada pelo companheiro de sua avó, cuja interrupção da gravidez indesejada foi adiada por quatro semanas.


Manifestações demonstram que Bolsonaro conseguiu se apropriar de um movimento anterior a ele e aglutinar sob seu nome uma base com uma identidade política consolidada e alinhada à direita

Ato em apoio ao governo de Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil

Um mar de bandeiras e camisas verde-amarelas tomou conta das principais avenidas do Brasil. De trilha sonora, o hino nacional. Em carros de som, gritos contra o PT e os comunistas e o esclarecimento de que “nossa bandeira jamais será vermelha”. As cenas poderiam ter sido em qualquer momento de 2015, quando atos pediam a saída de Dilma Rousseff do poder, mas aconteceu no último domingo. Ao contrário de quatro anos atrás, quando não tinham um líder definido, as de agora, entretanto, tinham nome e sobrenome: Jair Bolsonaro. Mais do que lotar as ruas do país —os atos de domingo foram menores que os pela educação na semana passada—, o grande trunfo do presidente brasileiro no domingo foi conseguir com sucesso se converter em um fenômeno sociopolítico, ao se apropriar de um movimento anterior a ele, e aglutinar sob seu nome uma base com uma identidade política consolidada e alinhada à direita, observam especialistas.

“É o fortalecimento de um projeto populista“, define o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Baía. Segundo ele, o sucesso das manifestações em apoio ao presidente mostram que ele tem uma forte base de apoio ligada diretamente à sua personalidade. Baía analisa que o núcleo bolsonarista duro foi às ruas para mostrar, em primeiro lugar, um “apoio integral” ao presidente e abraçou de forma mais secundária pautas como a defesa à reforma da Previdência, o apoio ao pacote anticrime do ministro Sérgio Moro e mesmo as críticas ao Congresso Nacional e ao Judiciário.

O cientista político diz que o bolsonarismo tem semelhanças ao lulismo, mas é mais similar a fenômenos como o chavismo na Venezuela e o peronismo na Argentina. “São movimentos que dispensam organizações clássicas da sociedade, falam diretamente com a população e utilizam de maneira genérica a ideia de um nacionalismo”, explica. Baía salienta que esse nacionalismo não é reproduzido de forma conceitual, mas se configura sob uma perspectiva mais ufanista, com o uso de símbolos como a bandeira nacional e o hino, além do slogan Brasil acima de tudo. “É uma ideia de nação que eles têm, centrada no combate à corrupção, que é o principal eixo deles, mas também na ideia antissistema, que coloca o PT, o lulismo e o centrão como componentes do sistema e corruptos. E eles se colocam como a antítese disso”, afirma.

O movimento que ganha contornos mais definidos politicamente em torno da figura de Jair Bolsonaro é anterior a ele. Nasce de simbologias e temáticas levadas às ruas desde que pequenos movimentos como o Nas Ruas começaram as campanhas contra o Partido dos Trabalhadores (PT), em 2011. O antipetismo cresceu desde então, um tanto durante as manifestações de 2013 e muito mais em 2015, quando foram realizados os atos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Os manifestantes intensificaram, nas ruas, o uso de símbolos como a bandeira verde-amarela e o canto do hino nacional, além de defenderem mais veementemente pautas anticorrupção e antissistema.

“Agora [o movimento] se dividiu em três alas: liberal, conservadora e autoritária. A liberal apoia o Governo, mas não foi à rua neste domingo. Isso mostra que o apoio a Bolsonaro é mais amplo do que o que ali estava. De outro lado, os subcampos autoritário e conservador mostraram que têm força própria”, analisa a socióloga e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Angela Alonso, que estudou as manifestações brasileiras ocorridas a partir de 2013. Segundo ela, esses grupos têm em comum a adesão sólida a um conjunto de valores nacionalista e autoritário. “Isto não é um produto do Bolsonaro, mas veio à tona com ele”, pondera.

A base social bolsonarista evoluiu juntamente com a comunicação interna desse mesmo grupo, em meio a uma crise de mediação que vem crescendo nos últimos anos, aponta o jornalista Bruno Torturra. “Há uma destruição de instituições e atores [tradicionalmente] responsáveis pela construção do discurso político. As pessoas que foram para as ruas derrubar a Dilma agora estão indo para cima dos mesmos poderes que afastaram a presidenta. Junto há um desprezo crescente pela imprensa, que é outra instituição responsável por mediar o discurso político”, afirma. Os atos pró-Governo do último domingo, diz Torturra, revelam a consolidação de Bolsonaro como um fenômeno político relevante, que emergiu distante da estética política observada no Brasil nos últimos 30 anos. Para o jornalista, o bolsonarismo não está ainda na versão final, mas evolui a olhos nus. “Esse movimento começou sem o Bolsonaro. O presidente não o provocou, mas o representou. Foi a pessoa certa pra que esse movimento achasse um eixo”, afirma.

As manifestações do último domingo demonstraram que se antes os grupos que passaram a se aglutinar em torno de Bolsonaro não tinham identidade política clara, agora passam a apresentar um viés ideológico mais consolidado. Uma pesquisa realizada pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para Acesso à Informação da Universidade de São Paulo, identificou forte identificação política no perfil dos manifestantes. Das 436 pessoas entrevistadas no ato da Avenida Paulista para o estudo, 76% se disseram de direita, 72% muito conservadores, 68% nada feministas e 88% muito antipetistas. Uma posição diferente daquela observada pelo mesmo grupo de pesquisa durante as eleições do ano passado.

“O fenômeno bolsonarista não é mais só antipetista nem eleitoral, mas de um campo com uma identidade política muito forte. Antes [nos atos pró-Bolsonaro durante as eleições], as pessoas não se definiam como de direita nem conservadoras, mas agora sim”, diz Pablo Ortellado, que coordenou o estudo juntamente com os pesquisadores Ana Luiza Aguiar e Marcio Moretto. Ortellado ainda acrescenta que o bolsonarismo está conseguindo se consolidar para além dos movimentos tradicionais, como por exemplo o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, que chegaram a apoiar o presidente, mas não aderiram aos protestos. O estudo mostra ainda a baixa confiança dos manifestantes em relação ao MBL (66%) e à grande imprensa (mais de 90% disseram não confiar em veículos como a Folha de São Paulo e Rede Globo).

“Tanto Daño”, Bola de Nieve: Do Youtube sobre este vídeo raro: “Magnífica canção de um gênio e standard da música cubana. En 2003 foi feito um documentário aplaudidido  artista, chamado “Bola de Nieve: El Hombre Triste Que Cantaba Alegre”, o qual poderia explicar o motivo que torna praticamente impossível encontrar uma foto dele em que não esteja sorrindo. Ao que parece, ainda que o ocultasse, era um homem infeliz,  talvez porque lhe coube viver tempos difíceis para um homossexual, como ele era. A música deste vídeo, gravada no álbum Unidos pela Música, por Bola de Nieve em dupla com Tete Montoliu, é emblemática.Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

“Não posso ficar mudando de opinião toda hora”, diz senador do MDB ao defender Coaf com Moro

Novato no Senado, Luiz do Carmo, do MDB de Goiás, também disse que vai votar pela manutenção do Coaf no Ministério da Justiça. Justificou que anunciou a decisão nas redes sociais e agora não pode recuar, mesmo contra o pedido da carta de Jair Bolsonaro.

“Eu coloquei um vídeo aqui que vou votar para o Coaf ficar com Moro. Eu não posso ficar mudando de opinião toda hora. Muita gente não vai ficar sabendo da carta do presidente. Vou ficar com o Moro, foi o único ministro a me receber”, afirmou.

Do Jornal do Brasil

 

O ministro Sergio Moro disse nesta terça-feira (28) que a decisão de insistir ou não para que o Congresso deixe o Coaf na alçada da pasta da Justiça é um “cálculo que tem de ser feito pela área política do governo” Jair Bolsonaro (PSL).

“Se for possível o Parlamento manter, ótimo. Se não for, paciência”, afirmou o ministro em Lisboa, onde esteve para uma palestra sobre combate à corrupção.

Macaque in the trees
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Na semana passada, Moro foi derrotado na Câmara dos Deputados, que rejeitou a transferência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para a Justiça, mantendo o órgão de combate à corrupção financeira na esfera do Ministério da Economia.

A mudança no Coaf está inserida na medida provisória 870, que tratou da reestruturação ministerial. Se houver qualquer alteração do texto no Senado nesta terça, ela retorna para a Câmara. Se não for aprovada até 3 de junho, a MP deixa de valer.

Mesmo com o risco de a medida provisória expirar, alguns senadores, incluindo o líder do PSL na Casa, Major Olímpio, vinham insistindo em mudar o texto aprovado na Câmara, para que o Coaf fosse repassado para as atribuições da pasta da Justiça. Um destaque para alterar justamente este trecho da medida provisória foi apresentado Alvaro Dias (Pode-PR).

O presidente Jair Bolsonaro, porém, pediu que a MP seja aprovada no Senado sem mudanças, com o Coaf no Ministério da Economia, para evitar o risco de o texto expirar -se isso ocorrer, a redução de 29 para 22 ministérios implantada no começo do mandato deixa de valer, e o governo retoma a estrutura vigente sob Michel Temer (MDB).

“Se for possível manter o Coaf com a Justiça, eu tenho certeza que essa é a decisão do presidente, assim como é minha. Agora, se não for possível, faz parte da discussão com o Parlamento. Tem que se pensar em alternativas”, afirmou Moro.

Segundo o ministro, a atuação do órgão para combate à corrupção está se ampliando desde que ele passou a ser subordinado à Justiça, no começo do ano.

“O Coaf foi criado no Brasil em 1998 e estava relativamente esquecido no Ministério da Fazenda no governo anterior. Tinha lá 37 servidores. Nós trouxemos [para a Justiça] e hoje ele tem mais de 50, e a ideia é que chegue a mais de 60 até o final do ano. Nós estamos também com essa política de facilitação da integração”, afirmou.

O ministro negou que tenha imposto a transferência do Coaf como condição para assumir a pasta da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro.

“Não pedi [o Coaf]. Eu não tinha pensado nisso mas pensando, vendo a situação, de que o Coaf estava relativamente abandonado, eu pedi, ‘então venha, nós vamos arrumar’. É importante e estratégico para nós”, completou.

A investigação aponta ao ex-madridista Raúl Bravo como suposto cabeça. Também está na mira da polícia a partida Valladolid x Valencia pelas aposta de um jogador local

L. J. Moñino
Madri

Até 11 pessoas foram detidas nesta terça-feira sob a acusação de integrarem uma organização criminosa dedicada a forjar o resultado de jogos de futebol para obter lucros em apostas esportivas. Entre os presos se encontram Raúl Bravo, ex-atleta do Real Madrid e da seleção espanhola, como suposto líder, e o presidente do Huesca, Agustín Lasaosa. Um Huesca x Gimnàstic pela segunda divisão do futebol espanhol, a Liga Adelante, na temporada passada, foi a origem da investigação.

Também foram presos Borja Fernández, ex-jogador do Valladolid que pendurou as chuteiras em 17 de maio com várias homenagens; Carlos Aranda, oriundo das categorias de base do Real Madrid com passagem por vários times da Primeira Divisão; Íñigo López Montaña, do Deportivo de La Coruña e ex-jogador do Huesca; Agustín Lasaosa, presidente da Sociedad Desportiva Huesca; e Juan Carlos Galindo Lanuza, chefe dos serviços médicos do Huesca. O Valladolid, clube que escapou do rebaixamento na primeira divisão desta temporada, tem como dono o ex-jogador brasileiro Ronaldo.A polícia fez buscas em Huesca, Madri, Valladolid, Málaga e La Coruña, embora todo o foco esteja voltado para Huesca, no noroeste da Espanha. Um grande número de agentes esteve no começo da manhã na sede da Sociedad Deportiva Huesca. “O clube não tem nenhuma preocupação e estamos à disposição do que o tribunal nos solicitar”, disse o advogado da agremiação, Pedro Camarero, insistindo em que há “tranquilidade”, mas também “incerteza quanto ao que pode passar”.

Os investigados são acusados de fazerem acordos para forjar três jogos nas primeira, segunda e terceira divisões. Segundo fontes policiais, no entanto, a armação na Liga Segunda B, terceira divisão, “resultou infrutífera”, mas os jogadores implicados se comprometeram a “compensar os prejuízos” forjando outro jogo.

A investigação começou, segundo fontes da Liga de Futebol Profissional da Espanha, depois do jogo Huesca x Gimnàstic de Tarragona, pela 41ª rodada do torneio da segunda divisão na temporada passada, que acabou com a vitória fora de casa do time catalã por 1 a 0. A Liga apresentou uma denúncia à Polícia Nacional pelas suspeitas de manipulação. Durante o jogo, disputado em 27 de maio de 2018, a cotação em 30 das 57 casas de apostas mais importantes foi suspensa por causa da entrada muito grande de dinheiro (14 vezes maior que o normal nesta categoria) apostando num 0 a 0 no intervalo e vitória do visitante no final – como de fato ocorreu. O Nàstic, que lutava para evitar o rebaixamento para a Segunda B, encontrava-se então a 29 pontos do Huesca, que tinha garantido sua promoção à La Liga na rodada anterior. O gol foi marcado por Uche aos 27 minutos do segundo tempo.

Segundo fontes policiais, o processo de manipulação incluía várias fases. Primeiro, eram escolhidas as partidas, preferencialmente no início ou no final da competição. As apostas pactuadas eram combinadas não só quanto ao resultado final, mas também com relação ao placar no intervalo e outros quesitos do jogo (escanteios, faltas, cartões…), para “melhorar notavelmente as margens de lucro”. Depois, faziam uma primeira abordagem “especulativa” a algum membro do elenco dos times envolvidos, se possível o capitão. Depois de tudo combinado, o pagamento era feito sempre em espécie e em duas partes: uma antes e outra depois do jogo. Os organizadores do esquema arcavam com as apostas e com o dinheiro pago antecipadamente aos jogadores envolvidos.

Todos os indiciados são acusados de formação de quadrilha, corrupção entre particulares e lavagem de dinheiro. A investigação deste caso, nas mãos da Unidade de Delinquência Especializada e Violenta da Polícia Nacional, teve sua origem em uma trama de lavagem de capital de maior envergadura, segundo as mesmas fontes. A Polícia contou com a colaboração da Liga Espanhola, da Europol, e da Direção Geral de Ordenação de Jogos.

Até agora, as grandes investigações por supostas manipulações no futebol – ambas inconclusas – afetavam o Osasuna e um Levante x Zaragoza de 2011. O caso do clube de Pamplona, houve dirigentes que acusaram jogadores de pressioná-los para venderem jogos, alguns atletas foram indiciados (Sergio García, Jordi Figueras, Damiá, Jorge Molina, Patxi Puñal e Antonio Amaya), surgiram empresas instrumentais radicadas em paraísos fiscais, e faturas falsas demonstraram assessoramentos em futuros investimentos sobre o patrimônio imobiliário do clube. Foram encontrados indícios de que grande parte de uma verba de 2,14 milhões euros (cerca de 11 milhões de reais) serviu para subornar jogadores de clubes rivais do Osasuna para que ganhassem, empatassem ou perdessem jogos. Desse total, 400.000 euros teriam sido destinados a jogadores do Betis para ganharem do Valladolid (4 a 3) e para entregarem o jogo diante do Osasuna (2 a 1). Segundo um depoimento à Liga prestado por Ángel Vizcay, ex-gerente do Osasuna, outros 250.000 euros teriam sido entregues ao Espanyol para garantir um empate (1 a 1).

Pelo caso do Levante x Zaragoza, 42 envolvidos chegaram a passar diante do juiz. Em sua denúncia, o promotor apontou o presidente do Zaragoza, Agapito Iglesias, os conselheiros Francisco Javier Porquera e Francisco Checa, o diretor de futebol Antonio Prieto, o treinador Javier Aguirre e os três capitães (Gabi, Ponzio e Jorge López) como supostos mentores da armação, “com a anuência do resto dos jogadores”. “Estabeleceu-se que se entregariam 965.000 euros aos jogadores do Levante em troca de que estes permitissem ao time do Zaragoza ganhar a partida.”

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