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A investigação aponta ao ex-madridista Raúl Bravo como suposto cabeça. Também está na mira da polícia a partida Valladolid x Valencia pelas aposta de um jogador local

L. J. Moñino
Madri

Até 11 pessoas foram detidas nesta terça-feira sob a acusação de integrarem uma organização criminosa dedicada a forjar o resultado de jogos de futebol para obter lucros em apostas esportivas. Entre os presos se encontram Raúl Bravo, ex-atleta do Real Madrid e da seleção espanhola, como suposto líder, e o presidente do Huesca, Agustín Lasaosa. Um Huesca x Gimnàstic pela segunda divisão do futebol espanhol, a Liga Adelante, na temporada passada, foi a origem da investigação.

Também foram presos Borja Fernández, ex-jogador do Valladolid que pendurou as chuteiras em 17 de maio com várias homenagens; Carlos Aranda, oriundo das categorias de base do Real Madrid com passagem por vários times da Primeira Divisão; Íñigo López Montaña, do Deportivo de La Coruña e ex-jogador do Huesca; Agustín Lasaosa, presidente da Sociedad Desportiva Huesca; e Juan Carlos Galindo Lanuza, chefe dos serviços médicos do Huesca. O Valladolid, clube que escapou do rebaixamento na primeira divisão desta temporada, tem como dono o ex-jogador brasileiro Ronaldo.A polícia fez buscas em Huesca, Madri, Valladolid, Málaga e La Coruña, embora todo o foco esteja voltado para Huesca, no noroeste da Espanha. Um grande número de agentes esteve no começo da manhã na sede da Sociedad Deportiva Huesca. “O clube não tem nenhuma preocupação e estamos à disposição do que o tribunal nos solicitar”, disse o advogado da agremiação, Pedro Camarero, insistindo em que há “tranquilidade”, mas também “incerteza quanto ao que pode passar”.

Os investigados são acusados de fazerem acordos para forjar três jogos nas primeira, segunda e terceira divisões. Segundo fontes policiais, no entanto, a armação na Liga Segunda B, terceira divisão, “resultou infrutífera”, mas os jogadores implicados se comprometeram a “compensar os prejuízos” forjando outro jogo.

A investigação começou, segundo fontes da Liga de Futebol Profissional da Espanha, depois do jogo Huesca x Gimnàstic de Tarragona, pela 41ª rodada do torneio da segunda divisão na temporada passada, que acabou com a vitória fora de casa do time catalã por 1 a 0. A Liga apresentou uma denúncia à Polícia Nacional pelas suspeitas de manipulação. Durante o jogo, disputado em 27 de maio de 2018, a cotação em 30 das 57 casas de apostas mais importantes foi suspensa por causa da entrada muito grande de dinheiro (14 vezes maior que o normal nesta categoria) apostando num 0 a 0 no intervalo e vitória do visitante no final – como de fato ocorreu. O Nàstic, que lutava para evitar o rebaixamento para a Segunda B, encontrava-se então a 29 pontos do Huesca, que tinha garantido sua promoção à La Liga na rodada anterior. O gol foi marcado por Uche aos 27 minutos do segundo tempo.

Segundo fontes policiais, o processo de manipulação incluía várias fases. Primeiro, eram escolhidas as partidas, preferencialmente no início ou no final da competição. As apostas pactuadas eram combinadas não só quanto ao resultado final, mas também com relação ao placar no intervalo e outros quesitos do jogo (escanteios, faltas, cartões…), para “melhorar notavelmente as margens de lucro”. Depois, faziam uma primeira abordagem “especulativa” a algum membro do elenco dos times envolvidos, se possível o capitão. Depois de tudo combinado, o pagamento era feito sempre em espécie e em duas partes: uma antes e outra depois do jogo. Os organizadores do esquema arcavam com as apostas e com o dinheiro pago antecipadamente aos jogadores envolvidos.

Todos os indiciados são acusados de formação de quadrilha, corrupção entre particulares e lavagem de dinheiro. A investigação deste caso, nas mãos da Unidade de Delinquência Especializada e Violenta da Polícia Nacional, teve sua origem em uma trama de lavagem de capital de maior envergadura, segundo as mesmas fontes. A Polícia contou com a colaboração da Liga Espanhola, da Europol, e da Direção Geral de Ordenação de Jogos.

Até agora, as grandes investigações por supostas manipulações no futebol – ambas inconclusas – afetavam o Osasuna e um Levante x Zaragoza de 2011. O caso do clube de Pamplona, houve dirigentes que acusaram jogadores de pressioná-los para venderem jogos, alguns atletas foram indiciados (Sergio García, Jordi Figueras, Damiá, Jorge Molina, Patxi Puñal e Antonio Amaya), surgiram empresas instrumentais radicadas em paraísos fiscais, e faturas falsas demonstraram assessoramentos em futuros investimentos sobre o patrimônio imobiliário do clube. Foram encontrados indícios de que grande parte de uma verba de 2,14 milhões euros (cerca de 11 milhões de reais) serviu para subornar jogadores de clubes rivais do Osasuna para que ganhassem, empatassem ou perdessem jogos. Desse total, 400.000 euros teriam sido destinados a jogadores do Betis para ganharem do Valladolid (4 a 3) e para entregarem o jogo diante do Osasuna (2 a 1). Segundo um depoimento à Liga prestado por Ángel Vizcay, ex-gerente do Osasuna, outros 250.000 euros teriam sido entregues ao Espanyol para garantir um empate (1 a 1).

Pelo caso do Levante x Zaragoza, 42 envolvidos chegaram a passar diante do juiz. Em sua denúncia, o promotor apontou o presidente do Zaragoza, Agapito Iglesias, os conselheiros Francisco Javier Porquera e Francisco Checa, o diretor de futebol Antonio Prieto, o treinador Javier Aguirre e os três capitães (Gabi, Ponzio e Jorge López) como supostos mentores da armação, “com a anuência do resto dos jogadores”. “Estabeleceu-se que se entregariam 965.000 euros aos jogadores do Levante em troca de que estes permitissem ao time do Zaragoza ganhar a partida.”

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