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Bolsonaro com Cristina no Radar: tsunami na América do Sul…
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Peron, Isabelita e Câmpora: trampa peronista nos Anos 70 na Argentina.

ARTIGO DA SEMANA

Ruas do Brasil e Cristina Kirchner – na Argentina – no radar de Bolsonaro

Vitor Hugo Soares

Dois tsunamis – e não um apenas, como previu o mandatário brasileiro na semana passada (sem consultar direito os mapas dos sinais sísmicos) –  entraram, de repente, no radar do presidente da República: o mais próximo são as manifestações de rua em apoio às reformas governamentais, convocadas para este domingo, 26, em todo País. Delas, o atual chefe do Palácio do Planalto e aliados esperam obter um estimulante efeito favorável, sobre o ânimo da sociedade, em favor da continuidade da aplicação do projeto governista liberal conservador, vencedor nas urnas. Ou, no mínimo, que as marchas que se anunciam, representem um recado contundente contra aventureiras tentações de “virada de mesa” (a expressão é de JR Guzzo, no Twitter), que aqui e ali se proclamam, em geral, procedentes  de privilegiados grupos corporativistas mal camuflados.

O outro, mais distante, mas não menos preocupante – segundo reconhecimento explicito do próprio presidente, ao comparar Buenos Aires com Caracas, em fala para empresários e políticos, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Firjan,– é a ascensão da senadora peronista e ex-mandatária, por duas vezes, na Casa Rosada, Cristina Kirchner, nas pesquisas presidenciais na Argentina. A viúva de Néstor Kirchner começa a ameaçar seriamente a reeleição do liberal Maurício Macri. Este sinal de mudança dos ventos já entrou, também, há algum tempo, no radar pessoal de Jair Bolsonaro e nos sismógrafos espalhados pelo Itamaraty, em Buenos Aires e redondezas.

No discurso na Firjan,  Bolsonaro  acusou o abalo, ao falar sobre a relação do Brasil com outros países da América do Sul. “A Argentina parece estar voltando para as mãos da senhora Cristina Kirchner”, alertou. Para ele,  este seria o pior dos mundos na América Latina. Pior até que o caos comandado por Maduro, na Venezuela. “Vamos ter outra Venezuela ao sul da América do Sul?”, perguntou. Esta preocupação, de Brasília, foi reforçada pelo governador da província de Buenos Aires, Alfredo Cornejo, presidente da União Cívica Radical – UCR, principal partido de oposição ao peronismo no país vizinho.

“ És una nueva trampa de Cristina” (uma nova jogada de Cristina) qualificou ele a decisão da cúpula peronista, de que a atual senadora, ré em processo de corrupção, será vice na chapa do partido encabeçada por Fernandez. Cornejo vê na manobra, mal dissimulada tentativa de repetir, na história política da Argentina, o caso Hector Câmpora/Isabelita, no começo dos anos 70, que abriu caminho para Juan Domingo Peron retornar do exílio e retomar o mando nas margens do Prata.

Neste caso, ninguém me contou, eu estava lá, eu vi. Na companhia do saudoso amigo e compadre Pedro Milton de Brito, – duas vezes presidente da OAB/Ba, brilhante e digno ex-conselheiro da OAB nacional – andando pelas ruas de Buenos Aires grafitadas com o apelo: “Vuelva, Peron”. Estivemos, em San Andrés de Gilles, no primeiro e monumental comício da chapa Câmpora/Isabelita. Câmpora derrotou Raul Alfonsin, assumiu a Casa Rosada, anistiou Domingo Peron, em seguida renunciou e Isabelita assumiu a presidência, promovendo o retorno do marido, do exílio, e ao mando. Depois é o que se sabe e o que se viu, e vale sempre lembrar. Pena que o espaço acabou. Conto mais depois, porque esta historia da trampa Fernandez-Cristina tem tudo para render na Argentina e no sul do continente. Façam apostas.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“As praias desertas”, Maysa: magistral composição de Tom Jobim, de 1958, e que seria revivida,com grande sucesso em 1986 , na fabulosa trilha musical da minissérie “Anos dourados”, da TV Globo. Confira aqui em originalissima interpretação de Maysa.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

Em visita ao Nordeste, presidente afirma que, sem mudanças, Brasil entrará em “caos econômico” e não precisará mais de ministro da Economia

Bolsonaro, em visita ao Instituto Ricardo Brennand, no Recife nesta sexta-feira. Marcos Corrêa/PR
Marina Rossi

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) aproveitou sua primeira visita do mandato ao Nordeste para redobrar suas apostas —e seus apelos— pela reforma da Previdência. Foi contundente ao condicionar o sucesso dos investimentos anunciados para a região à aprovação das mudanças nas aposentadorias, que tramita num Congresso onde o Governo está longe de ter uma base de apoio estável. A mensagem chegou no mesmo dia em que políticos e agentes do mercado financeiro debatiam as intenções de Paulo Guedes, seu ministro da Economia, ao dizer à revista Veja que renunciaria ao cargo se a reforma pretendida pelo Governo se transformar em uma “reforminha” ou “se sentir que o presidente não quer a reforma”. “Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, disse o ministro. “Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. Vai ser o caos no setor público, tanto no Governo federal como nos Estados e municípios”.

Em Pernambuco, questionado sobre a ameaça de seu ministro, Bolsonaro afirmou que ir embora “é um direito dele”. E reforçou a tese de Guedes, durante entrevista coletiva em Petrolina, no interior do Estado. “Ele tem razão. Se tiver uma reforminha e não tiver a reforma, a gente não precisa mais de ministro da Economia, porque o Brasil pode entrar em um caos econômico. Ele vai ter que ir para a praia. Vai fazer o que em Brasília?”, disse o presidente, que voltou a ser racista ao dizer que uma mudança de pequeno porte seria “de japonês”. Depois, o mandatário ainda usaria o Twitter para reforçar a aliança com seu ministro da Economia, seu fiador das reformas liberais durante a campanha eleitoral: “Peço desculpas por frustrar a tentativa de parte da mídia de criar um virtual atrito entre eu (sic) e Paulo Guedes. Nosso casamento segue mais forte que nunca kkkkk. No mais, caso não aprovemos a Previdência, creio que deva trocar o Ministério da Economia pelo da Alquimia, só assim resolve.”

O intercâmbio de declarações foi acompanhado de perto pelo mercado financeiro, onde o presidente Bolsonaro é tratado com reticência, apesar de ainda haver fé de que a gestão possa passar a reforma das aposentadorias. A ameaça de Guedes de deixar o cargo e a espécie de ultimato ao Congresso reforçado pelo presidente não foi bem recebido por algumas lideranças parlamentares. Chegam num momento delicado da relação do Planalto com o Parlamento e quando há no horizonte a possibilidade de aprovação de uma reforma bastante diferente da proposta pela atual gestão. Na semana passada, um grupo de deputados, incluindo o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a cogitar apresentar um novo projeto, abandonando o texto enviado em fevereiro pelo Executivo. A proposta alternativa não andou, mas o Governo já trabalha com a possibilidade de alterações no texto da proposta original e teme que as mudanças prejudiquem o objetivo de economizar 1 trilhão de reais em dez anos. A “reforminha” mencionada por Guedes seria um projeto muito diferente do proposto por ele.

O Congresso e Rodrigo Maia também não estão nada confortáveis com o movimento do Planalto de, no próximo domingo, endossar uma manifestação em apoio a Bolsonaro convocada em mais de 300 cidades, segundo seus organizadores. A mobilização oficialmente é pela reforma da Previdência e o pacote de leis contra a violência, mas as redes bolsonaristas estão inundadas de mensagens depreciativas contra Maia e outras lideranças políticas, acusadas de “achacar” o Planalto. Não faltam também mensagens sugerindo até o fechamento do Legislativo. Bolsonaro, que em um primeiro momento afirmou que iria ao ato a favor dele mesmo, depois recuou. “Não estou participando das manifestações”, afirmou em Petrolina. “Pelo que estou vendo é uma manifestação que tem uma pauta, uma pauta de alavancar o Brasil para o futuro”, disse, rejeitando as propostas mais radicais. A adesão nas ruas neste domingo, e a reação do Planalto, vão ser um fator importante para definir a relação com o Parlamento adiante.

Só se a reforma sair

Durante sua primeira visita ao Nordeste, Bolsonaro acenou para a região, anunciando um aumento de 4 bilhões de reais no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Mas, de olho em seu maior objetivo, condicionou os investimentos à aprovação da Previdência. “Sem a reforma, não poderemos colocar talvez parte do que estamos acertando em fazer aqui”, afirmou o presidente no Recife.

Em uma região onde oito dos nove governadores são da oposição, Bolsonaro buscou apoio e pregou união, mirando obter êxito no Congresso. Deu um “abraço hétero” no governador de Pernambuco Paulo Câmara (PSB), para mostrar que não há animosidade, e seguiu, do Recife a Petrolina, batendo na mesma tecla: “Precisamos aprovar a Previdência porque daí temos investimentos interno e externo para essas obras”, disse, em entrevista coletiva em Petrolina.

Na cidade a 700 quilômetros da capital, o presidente foi recebido por algumas dezenas de apoiadores, aos gritos de “mito”. Petrolina é governada por Miguel Coelho (sem partido), filho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), líder do governo no Senado, e articulador da visita do presidente à região. Enquanto acompanhava o presidente, o senador tinha mais de 250 milhões de reais bloqueados pela Operação Lava Jato, por ordem do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4), em ação por improbidade contra o MDB e o PSB e os políticos desses partidos. A ação investiga desvios em negócios relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras. Segundo a Lava Jato, o PSB, Fernando Bezerra, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e o empresário Aldo Guedes, entre outros, teriam recebido propinas desviadas da obra da construção da Refinaria Abreu e Lima, emernambuco.

Antes de encerrar sua visita à única região que não o elegeu e onde tem a pior aprovação no país, Bolsonaro afirmou “já estar com saudade”. No sertão, anunciou a entrega de empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida, uma dos principais programa sociais do do PT. Foram as primeiras casas do programa entregues pelo presidente. O Governo estuda mudar o programa, apresentando uma proposta de aluguel invés de posse das casas para os mais pobres. Na proposta, que deve ser anunciada em julho, os beneficiários na faixa de renda menor teriam de alugar seus imóveis por um valor simbólico em vez de pleitearem um financiamento para aquisição da casa própria. Um dos maiores problemas, segundo o Governo, é a comercialização irregular das casas.

maio
25

Do Jornal do Brasil

O Brasil registrou criação líquida de 129.601 vagas formais de emprego em abril, conforme Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Economia, melhor resultado para mês desde 2013.

Há seis anos, foram abertos 196.913 postos.

O dado também veio bem acima de pesquisa Reuters com analistas, que indicava abertura de 80.000 vagas em abril.

Todos os oito setores pesquisados ficaram no azul no período, com destaque para o de serviços, com criação de 66.295 vagas formais.

A indústria da transformação abriu 20.479 empregos de carteira assinada, seguida pelo setores da construção civil (+14.067), agropecuária (+13.907) e comércio (+12.291) dentre os maiores destaques.

Nas modalidades da reforma trabalhista, o Caged registrou 17.513 desligamentos mediante acordo entre patrões e empregados. Foram criados 5.422 vagas de trabalho intermitente e 2.827 de trabalho em regime de tempo parcial.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, foram abertas 313.835 vagas, ainda abaixo do saldo positivo de 336.855 postos de igual período do ano passado, conforme série com ajustes.

Em meio à dificuldade para a economia ganhar tração, os dados relativos ao mercado de trabalho ainda apontam um quadro de desalento.

A taxa de desemprego no Brasil voltou a aumentar no primeiro trimestre, com o total de desempregados chegando a quase 13,4 milhões, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ecoando a falta de ímpeto na economia, o governo revisou para baixo a alta esperada para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 a 1,6%. Antes, a perspectiva oficial era de elevação de 2,2%.

Economistas ouvidos pelo boletim Focus, do Banco Central, esperam um desempenho ainda pior, tendo cortado sua perspectiva pela 12ª semana seguida, a 1,24%.

(Por Mateus Maia)

maio
25

Do Jornal do Brasil

 

Pedido foi realizado pelo MPF no âmbito de uma ação de improbidade administrativa ainda inconclusa que trata dos desvios na Petrobras investigados pela Lava Jato

  O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) determinou o bloqueio de mais de R$ 3,57 bilhões, incluindo valores e bens dos partidos MDB e PSB, de empresas, políticos e outros indivíduos. Cabe recurso da decisão.

O bloqueio abrange R$ 1.894.115.049,55 do MDB, de Valdir Raupp (MDB-RO), da Vital Engenharia Ambiental, de André Gustavo de Farias Ferreira, de Augusto Amorim Costa, de Othon Zanoide de Moraes Filho, Petrônio Braz Junior e espólio de Ildefonso Colares Filho; e mais R$ 816.846.210,75 do PSB. O deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), por sua vez, teve R$ 333.344.350,00 bloqueados.

Também foi alvo da decisão o senador Fernando Bezerra (PSB-PE) que, junto com o espólio de Eduardo Campos, político do PSB já falecido, teve bloqueados R$ 258.707.112,76.

Os bloqueios foram pedidos pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito de uma ação de improbidade administrativa ainda inconclusa que trata de desvios na Petrobras investigados pela Lava Jato.

Em relação aos partidos políticos, a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras pediram que o bloqueio não alcance as verbas repassadas por meio do fundo partidário que, pela lei, são impenhoráveis.

A medida concedida pelo TRF4 diz respeito a dois esquemas de corrupção: um envolvendo contratos vinculados à Diretoria de Abastecimento da Petrobras com a construtora Queiroz Galvão; outro correspondente ao que seria o pagamento de propinas no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito encarregada de apurar os fatos, para acobertar o esquema instaurado pelas empreiteiras e ex-dirigentes.

A Justiça pediu ainda o bloqueio de R$ 107.781.450,00 do espólio de Sérgio Guerra; R$ 200.000,00 de Maria Cleia Santos de Oliveira e Pedro Roberto Rocha; R$ 162.899.489,88 de Aldo Guedes Álvaro e 3% do faturamento da Queiroz Galvão.

O deputado Filipe Barros, vice-líder do PSL, reagiu às críticas feitas à “bancada das lives”, após as cenas de parlamentares com celulares na mão durante a votação da MP da reforma administrativa.

“Agora órgãos de imprensa estão reclamando e ironizando o fato de fazermos lives em determinadas votações. Continuarei fazendo. Isso é transparência, é levar a população para dentro do Plenário através do celular. É dar satisfação aos nossos eleitores”, disse Barros no Twitter.

Carlos Jordy, também do PSL, escreveu:

“Não somos bancada das lives, somos a bancada que se comunica com seu eleitor, que mostra o que acontece no dia a dia da política. Os tempos mudaram, esse é o novo modo de fazer política, acostumem-se!”

maio
25
Posted on 25-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-05-2019


 

 Neylima, no portal de humor

 

‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’ conquista o prêmio principal do júri na competição paralela

Karim Ainouz entre Julia Stockler e Carol Duarte, que atuam em 'A Vida Invisível de Eurídice Gusmão'.
Karim Ainouz entre Julia Stockler e Carol Duarte, que atuam em ‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’. STEPHANE MAHE REUTERS
Cannes

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, do cearense Karim Aïnouz, conquistou o prêmio principal da mostra Um Certo Olhar, competição paralela do Festival de Cannes. É a primeira vez que um filme brasileiro ganha essa competição, a segunda mais importante do festival. “É importante que este prêmio de fato possa servir para incentivar o futuro do cinema brasileiro, a diversidade da cultura brasileira”, disse o cineasta após a premiação. “E que a gente tenha um Brasil melhor que o que a gente tem agora. Queria dedicar especialmente a minha amada Fernanda Montenegro e para todas as mulheres do mundo”, completou, fazendo menção à atriz que faz uma breve participação no filme.

nouz conta a história de Eurídice e Guida, duas irmãs de personalidades distintas que sofrem na sociedade machista da década de 1950 no Brasil. A história é baseada no livro homônimo de Martha Batalha. Aïnouz é famoso por filmes como Madame Satã (2002), O céu de Suely (2006) e Praia do futuro (2014). Foi o grande nome da noite de sexta-feira em Cannes, mas a mostra paralela distribuiu menções especiais aos outros competidores.  Os espanhóis Oliver Laxe e Albert Serra conseguiram dois dos prêmios concedidos pelo júri presidido pela cineasta libanesa Nadine Labaki. O filme O Que Arde, de Laxe, levou o Prêmio do Júri, e Liberté, de Albert Serra, um Especial do Júri.

O prêmio de melhor interpretação foi para Chiara Mastroianni (por Chambre 212), o de melhor direção ficou com Kantemir Bagalov (o diretor de Tesnota), por Beanpole. Além disso, o júri — do qual também faziam parte o diretor argentino Lisandro Alonso, a atriz francesa Marina Foïs, o diretor belga Lukas Dhont e o produtor alemão Nurhan Sekerci-Porst — decidiu outorgar outros três troféus: a La Femme de Mon Frère, de Monia Chokri; The Climb, de Michael Angelo Covino, e Jeanne, de Bruno Dumont. O júri de Um Certo Olhar só tem a obrigação de dar o prêmio ao melhor filme, os demais são por iniciativa própria.

De acordo com a ordem com que o júri anunciou a lista de vencedores, o filme do espanhol Laxe foi considerado o segundo melhor da mostra e o de Serra, o terceiro. Há alguns dias, o cineasta galego explicou que a obra representava seu regresso a casa, para a Galícia, depois de 10 anos vivendo no Marrocos. “É a minha casa e ao mesmo tempo não é, porque um cineasta é sempre um estrangeiro, ele deve manter uma distância para filmar”.

Com O Que Arde, Laxe conquista mais um prêmio no festival francês: com seu primeiro filme, Todos Vosotros Sois Capitanes (2010), levou um dos prêmios Fipresci da crítica internacional. Com o segundo, Mimosas (2016), ganhou o Grande Prêmio da Semana da Crítica. No filme o diretor conta a volta para casa, depois de cumprir sua sentença, de Amador, um piromaníaco que, como dizem ao seu lado, “quase queima meia Lugo”. Em sua cidade é esperado por Benedita, sua mãe, tão velha quanto cheia de energia. A já complexa inclusão de Amador se agrava quando irrompe um novo incêndio. O Que Arde tem um poder visual exuberante e um som, tanto o do ambiente como da música, muito cuidadoso. “Não justifico o piromaníaco, mas acho que há mundos difíceis, que temos de cortar a cadeia da dor. Por isso não há dialética, o telespectador tentará entender todos”, disse o diretor.

Liberté descreve uma noite em uma floresta europeia do século XVIII onde os iluminados expulsos da corte de Luís XVI estão envolvidos com o cruising (sexo em locais públicos). “Na verdade, o que eles dizem é mais transgressivo do que o que se vê”, dizia Serra em sua promoção em Cannes. O filme desenvolve uma ideia que ele apontou na instalação Personalien, em fevereiro, no Reina Sofía. “Gosto mais do filme do que da instalação, porque é mais duro. Se em Personalien havia prazer culpado por parte do espectador, e você participava um pouco disso, aqui em Liberté a frontalidade da tela leva à alteridade com os personagens. E eu pude contar um pouco mais dessa evolução histórica, que conduzi até o trash”, afirmou na ocasião.

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