Levantamento mostra que aprovação da gestão cai cinco pontos e quem avalia como ruim ou péssimo bate 36,2%. Metade é contra cortes na Educação

pesquisa de avaliação do Governo Jair Bolsonaro

 O presidente Jair Bolsonaro. RICARDO MORAES REUTERS
São Paulo

 

A desaprovação do Governo Jair Bolsonaro superou a aprovação pela primeira vez: 36,2% da população considera a gestão do presidente “ruim” ou “péssima”, uma cifra que supera os 28,6% que avaliam como “ótima” ou “boa” em apenas cinco meses. Os números são da pesquisa exclusiva da consultoria Atlas Político, divulgada nesta terça-feira, e mostram que a percepção positiva continua em queda: desde abril, quando Bolsonaro completou 100 dias no poder, a desaprovação às decisões do Planalto subiu cinco pontos.

Para Andrei Roman, diretor do Atlas Político, o resultado, colhido entre os dias 19 e 21 de maio, não surpreende “dado o intenso noticiário negativo” a respeito do Governo nas últimas semanas, com repercussão dos cortes na Educação, que provocaram as primeiras manifestações nacionais contra Bolsonaro desde janeiro, a investigação sobre as finanças do filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (86,3% disseram ter tomado conhecimento do caso e 54,3% dizem ser a favor de que ele seja preso), e os resultados econômicos ruins. A pesquisa, feita com 2.000 pessoas recrutadas na Internet e com stra balanceada por meio de algoritmo, tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

“O resultado mostra uma conversão de avaliação regular em ruim ou péssimo. Ou seja, uma intensificação da rejeição entre os que já não estavam gostando tanto assim do Governo. Por outro lado, se você olhar a aprovação, ela caiu menos. Mostra uma certa resiliência da base que ele tem e que parece estar segurando bastante bem”, pondera Roman.Desaprovação do Governo Bolsonaro supera aprovação pela primeira vez, mostra pesquisa Atlas Político

 

Esta base ainda fiel ao bolsonarismo será posta à prova no próximo domingo, dia 26 de maio, para quando os apoiadores do presidente convocam manifestações em ao menos 50 cidades do país. A mobilização não é um consenso na coalizão que ajudou a eleger Bolsonaro, que inclui os movimentos que fizeram campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff, e nem mesmo no próprio partido do presidente, o PSL. “O que a pesquisa mostra é que ainda existe um percentual grande da população que apoia o presidente e eu não ficaria surpreso se há manifestações expressivas a favor do presidente e, dias depois, manifestações expressivas contra ele. É só um resultado da polarização da sociedade que continua”, analisa do diretor do Atlas. Para ele, ainda é cedo para dizer se Bolsonaro conseguirá estancar a queda de apoio. “Depende de produzir resultados na economia e na queda do desemprego“, diz.

A pesquisa também perguntou aos eleitores sobre o tema que levou professores e estudantes às ruas na semana passada. No total, 51,5% da população é contra os cortes na Educação, que atingem em média 30% de todo o orçamento não obrigatório das universidades. A margem dos que apoiam a medida do Governo não é baixa: 45% dizem estar de acordo com o contingenciamento, que o Ministério da Educação diz ser obrigado a fazer por causa da crise fiscal ao passo que também critica ideologicamente as instituições.

Desaprovação do Governo Bolsonaro supera aprovação pela primeira vez, mostra pesquisa Atlas Político
 

Vocabulário da crise e Lula

No momento em que os problemas de governabilidade do gestão Bolsonaro ficam mais evidentes, 50,2% dos entrevistados não acredita que o Congresso pode eventualmente se decidir por abrir um processo de impeachment contra o presidente. Além disso, 49,4% seria contra essa possibilidade (contra os 38,1% que apoiam o “Fora, Bolsonaro”).

A pesquisa também mostra que o político mais bem avaliado do Governo segue sendo o ministro da Justiça, Sérgio Moro, com 60% de aprovação, conforme revelou o Atlas Político em abril, de modo similar aos resultados encontrados pelo Instituto Datafolha. Entre as personalidades políticas pesquisadas, quem mais subiu na aprovação foi o ex-candidato à presidência, Ciro Gomes (PDT), que. no entanto, segue majoritariamente rejeitado pela população e atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avaliado positivamente por 31% dos brasileiros.

O ex-presidente petista, preso desde abril de 2018, concedeu sua primeira entrevista exclusiva ao EL PAÍS e à Folha em abril. Segundo a pesquisa Atlas, 41,1% assistiu à entrevista. Na população geral, 56,1% é a favor da prisão de Lula, condenado por corrupção no âmbito da Operação Lava Jato.

Desaprovação do Governo Bolsonaro supera aprovação pela primeira vez, mostra pesquisa Atlas Político

Língua”, Caetano Veloso e Elza Soares: joia preciosa burilada da composição musical da língua portuguesa, para celebrar como se deve a conquista do prêmio Camões 2019, por Chico Buarque de Holanda. Vai dedicada a Aurora Vasconcelos, José Umberto e a mana Mariana, que andam pela terrinha de Camões e Fernando Pessoa, em celebrações nestes dias luminosos de maio. Viva!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do  Jornal do Brasil

Chico Buarque é o novo vencedor do Camões, principal troféu literário da língua portuguesa. O júri decidiu conceder a honraria ao escritor e compositor na tarde desta terça-feira (21), em reunião na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

O Camões elege todo ano um autor de qualquer país falante do português. A escolha é um reconhecimento da obra completa do autor, em vez de apenas a um livro específico. O último brasileiro a ser eleito havia sido Raduan Nassar, autor de “Lavoura Arcaica”, em 2016. No ano passado, o Camões foi para Germano de Almeida, escritor de Cabo Verde. Como é tradição, Chico vai receber € 100 mil (R$ 452 mil) pela escolha.

Além de compositor de vários dos maiores clássicos da da música brasileira, Chico também tem uma breve -mas premiada- obra literária. Seu último livro foi “O Irmão Alemão”, mas já publicou também “Budapeste” e “Leite Derramado”.

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Chico Buarque (Foto: Divulgação/Leo Aversa)

O Camões parece se espelhar no Nobel de literatura, que, em 2016, deu o prêmio a Bob Dylan. Como no caso do troféu sueco, não será inesperado se a notícia agora fustigar um debate sobre a canção pode ser tratada como gênero literário -e se honrarias do tipo estão corretas em premiar músicos.

Saiba quem foram todos os vencedores do Camões:

1989 – Miguel Torga, Portugal

1990 – João Cabral de Melo Neto, Brasil

1991 – José Craveirinha, Moçambique

1992 – Vergílio Ferreira, Portugal

1993 – Rachel de Queiroz, Brasil

1994 – Jorge Amado, Brasil

1995 – José Saramago, Portugal

1996 – Eduardo Lourenço, Portugal

1997 – Artur Carlos M. Pestana dos Santos, o Pepetela, Angola

1998 – Antonio Cândido de Melo e Sousa, Brasil

1999 – Sophia de Mello Breyner Andresen, Portugal

2000 – Autran Dourado, Brasil

2001 – Eugênio de Andrade, Portugal

2002 – Maria Velho da Costa, Portugal

2003 – Rubem Fonseca, Brasil

2004 – Agustina Bessa-Luís, Portugal

2005 – Lygia Fagundes Telles, Brasil

2006 – José Luandino Vieira, Angola

2007 – António Lobo Antunes, Portugal

2008 – João Ubaldo Ribeiro, Brasil

2009 – Armênio Vieira, Cabo Verde

2010 – Ferreira Gullar, Brasil

2011 – Manuel António Pina, Portugal

2012 – Dalton Trevisan, Brasil

2013 – Mia Couto, Moçambique

2014 – Alberto da Costa e Silva, Brasil

2015 – Hélia Correia, Portugal

2016 – Raduan Nassar, Brasil

2017 – Manuel Alegre, Portugal

2018 – Germano Almeida, Cabo Verde

MAURÍCIO MEIRELES

maio
22

Janaina quer que Bolsonaro ‘se emende’

 

Um dia após discutir com colegas do PSL por causa do protesto a favor de Jair Bolsonaro,  Janaina Paschoal disse que continuará no partido, informa a Folha.

“Será que um comentário num grupo de WhatsApp é uma decisão? Foi uma conversa, era entre 15 deputados eleitos num grupo fechado. Se alguém vazou isso, é porque quer me forçar a sair. Agora é que eu fico!”, afirmou a deputada estadual.

Janaina voltou a dizer que mantém seu apoio a Bolsonaro, mas acha que o presidente precisa aprender a ouvir críticas.

“Qual é a nossa alternativa neste momento? Ele foi eleito, ele está na plenitude do cargo. Eu quero que ele se emende.”

Do Jornal do Brasil

Às vésperas das manifestações que tem o Congresso como um dos focos, líderes do chamado centrão fecharam um acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta terça (21), para votar ainda nesta semana a medida provisória que reorganiza o governo.

O grupo, que reúne PP, DEM, PR, PRB, MDB e Solidariedade, vai apresentar um texto conjunto para derrubar no plenário da Casa a recriação do Ministério das Cidades. O movimento é uma resposta aos ataques de que deputados e senadores têm atuado para impedir o avanço do governo de Jair Bolsonaro.

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Plenário da Câmara dos Deputados (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Nesta terça (21), a Folha de S.Paulo mostrou que líderes de algumas siglas já pregavam a derrubada da pasta como uma resposta às acusações de fisiologismo.

De acordo com integrantes do centrão, o Congresso pretende mostrar à sociedade que tem responsabilidade com o país e que, diferentemente do que pregam o presidente e seus apoiadores, não estão pleiteando cargos na Esplanada.

A recriação da pasta das Cidades foi articulada pelo ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para tentar destravar as articulações políticas.

THAIS ARBEX E ANGELA BOLDRINI

maio
22
Posted on 22-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-05-2019


 

Nani foi publicada em

 


Ex-presidente argentina é acusada de participar do suposto direcionamento de licitações públicas durante seu mandato

A ex-presidente Cristina Kirchner, sentada ao lado de seu advogado. Telam
Buenos Aires

Cristina Fernández de Kirchner finalmente se sentou no banco dos réus. Era a imagem que o Governo de Mauricio Macri e a Argentina antiperonista como um todo esperavam havia anos. O momento, entretanto, acabou sendo relativamente anticlimático: não houve multidões acolhendo a ex-presidenta às portas do tribunal, porque ela pediu que ninguém aparecesse, e uma vez na sala sentou-se no fundo, longe dos outros acusados. Kirchner é acusada de participar de uma quadrilha que se dedicava a direcionar licitações públicas em benefício do empreiteiro Lázaro Báez.

Na avenida Comodoro Py, em frente à sede do tribunal, havia mais imprensa do que manifestantes. Cristina Kirchner pediu na noite de segunda-feira, através de sua conta do Twitter, que seus simpatizantes não fossem até lá. E não foram. Não se repetiu o grande protesto de 2016, quando foi depor pela primeira vez. Só alguns poucos kirchneristas se alinharam junto à entrada na qual embocou o veículo da ex-presidenta – hoje senadora e candidata a vice-presidenta – para formar um corredor humano de aplausos e vivas. “Se tocarem em Cristina que quilombo [confusão] vai se armar”, cantavam.

Cristina Kirchner, com aspecto descontraído, sorriu ao descer do carro e entrou rapidamente no edifício judicial na companhia de seu advogado, Carlos Beraldi. Na sala da audiência, na primeira fila, já estavam sentados o empresário Lázaro Báez e o ex-ministro de Planejamento Julio de Vido. Havia expectativa quanto ao reencontro de Kirchner com Báez e De Vido, que cumprem prisão provisória e a quem a ex-presidenta jamais visitou. Mas o reencontro tampouco ocorreu. Quem já está preso deve se sentar na frente; quem permanece livre fica atrás, e Kirchner, em liberdade graças a seu foro privilegiado como senadora, dirigiu-se às últimas fileiras.

Às costas dos acusados se erguia um vidro de proteção. Do outro lado estava o público. A presidenta das Mães da Praça de Maio, Estela de Carlotto, quis estar presente para incentivar sua amiga Cristina. Também se sentavam entre o público dirigentes kirchneristas como o ex-ministro Oscar Parrilli e o ex-governador Sergio Uribarri, entre outros.

A sessão foi uma simples formalidade. Consistiu na leitura das conclusões estabelecidas pelo tribunal de instrução e os promotores. As acusações se baseiam em uma auditoria encarregada pelo Governo de Mauricio Macri e se referem a 51 obras públicas de segurança viária na província da Santa Cruz, feudo dos Kirchner, cuja execução foi concedida à Austral Construcciones, a empreiteira de Lázaro Báez. A Austral venceu 82% das licitações de obras públicas em Santa Cruz durante a presidência de Néstor Kirchner, o falecido marido de Cristina, e recebeu ao todo mais de quatro bilhões de pesos (360 milhões de reais pelo câmbio atual). Báez também está envolvido numa suposta operação de lavagem de dinheiro no Principado de Liechtenstein. Está previsto que o julgamento se prolongue por vários meses, sem necessidade de que Kirchner continue assistindo.

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