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BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

maio
21
Posted on 21-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-05-2019
A Ordem dos Advogados do Brasil entregou hoje a Rodrigo Maia um estudo que manifesta “expressa oposição” aos principais pontos do pacote anticrime de Sergio Moro propostos para vencer a impunidade.

A OAB quer derrubar, por exemplo, a prisão em segunda instância e a prisão em primeira instância por homicídios dolosos após condenação pelo Tribunal do Júri.

A entidade também se manifestou contra:

  • a restrição dos embargos infringentes (recursos na própria segunda instância);
  • a ampliação do conceito de legítima defesa por policiais;
  • a restrição das hipóteses de prescrição;
  • endurecimento de regras para progressão de regime;
  • pena maior para o crime de resistência (opor-se a uma prisão);
  • criação do confisco alargado (perda de bens de criminosos);
  • acordo penal (confissão do crime para evitar processo); e
  • gravação de conversa entre advogado e cliente preso.

Em relação a todos esses pontos, a OAB diz que houve “unanimidade das críticas dos pareceristas e associações que aportaram seus estudos”, “com indicação praticamente consensual pela rejeição das propostas”.

maio
21

Do Jornal do Brasil

 

Rogério Marinho negou existência de texto substitutivo: ‘Alterações poderão ocorrer em cima do projeto do governo’

  

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O secretário da Previdência, Rogério Marinho, qualificou nesta segunda-feira (20) como um ruído de comunicação a informação de que o presidente da comissão especial sobre as mudanças na aposentadoria poderia apresentar uma proposta alternativa à encaminhada pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) ao Congresso.

“O que houve foi um ruído de comunicação. O próprio presidente Marcelo Ramos (PR-AM) deu uma segunda declaração nesse sentido, dizendo que as alterações poderão ocorrer em cima do projeto apresentado pelo governo, como sempre foi no Parlamento”, afirmou Marinho ao chegar ao Ministério da Economia, em Brasília.

Macaque in the trees
Rogério Marinho (Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil)

Na sexta-feira (17), o deputado Marcelo Ramos afirmou que líderes partidários apresentariam uma proposta própria de alteração nas regras previdenciárias. No domingo (19), Marinho se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com o relator do texto na comissão, Samuel Moreira (PSDB-SP), para discutir a situação.

Para o secretário, o governo está se articulando para aprovar o projeto enviado ao Congresso.

“Independente de dificuldade do governo Bolsonaro, qualquer governo precisa sentar e negociar. Governo que não senta e negocia, impõe. E esse governo não impõe”, afirmou.

Marinho reconheceu que há a possibilidade de haver alterações na proposta, e que, a partir disso, é que o governo vai decidir como orientar sua bancada em votações sobre o texto.

“O governo não tem prerrogativas de não ter erros. Evidente que há uma possibilidade e aperfeiçoamento do projeto. O Congresso é um contrapeso democrático”, disse.

“Se o relatório for na linha do que estamos acreditando, evidente que haverá apoio do governo para o relatório. Nos interessa o impacto fiscal e a preservação da linha mestra que foi apresentada no projeto enviado.”

Marinho afirmou que o governo e Moreira mantêm contato. “Mas, a exemplo do que ele faz com o governo, no seu papel de relator, ele ouve as lideranças da casa, ouve a sociedade civil organizada através das audiências públicas que estão ocorrendo, até para que ele tenha a formação de seu juízo de valor, o que é natural na responsabilidade que ele está inserido.”

O governo quer uma redução de pelo menos R$ 1 trilhão em uma década com a reforma. O próprio Bolsonaro admitiu que as mudanças podem ter efeito diluído e estabeleceu um piso de R$ 800 bilhões.

Mas parlamentares já calculam que o impacto nas contas deve ficar em torno de R$ 600 bilhões.

(DANIELLE BRANT)

Há 40 anos, Mercês Castro adentra as matas do norte do país e conversa com moradores em busca dos restos mortais de Antônio Teodoro de Castro, o irmão assassinado durante a guerrilha pelos militares

 Beatriz Jucá
Curitiba
Mercês Castro é irmã de Antônio Teodoro de Castro, o Raul do Araguaia. Henry Milleo

Há 40 anos, Mercês Castro tenta romper o silêncio que se impôs no Brasil sobre o Araguaia, na divisa da região Norte e Centro-Oeste do país, desde que os militares começaram uma caçada a militantes do PCdoB que haviam ido para a região com armas em punho e o sonho de uma revolução socialista contra a ditadura militar (1964-1985). Mercês tinha 18 anos, quando subiu na balsa de um amigo e navegou pela primeira vez pelo Rio Araguaia. Ela percorreu centenas de quilômetros por água entre os estados do Pará, Tocantins e Maranhão, perguntando baixinho a quem encontrasse: “É verdade que houve uma guerrilha aqui?”. Era início dos anos 1980 e, com o país ainda governado pelos militares e as disputas territoriais violentas características da região, as pessoas tinham medo de falar. Mercês precisou ir conquistando a confiança dos moradores aos poucos para tentar reconstruir a história do irmão, Antônio Teodoro de Castro, e um capítulo da história do Brasil protagonizado por cerca de 80 guerrilheiros. Vindos de diferentes Estados do Brasil, eles adentraram a floresta amazônica e se integraram aos camponeses, muitos deles migrantes da pobreza que assolava o Nordeste, entre 1969 e 1974. O objetivo era implantar um levante popular aos moldes da Revolução Chinesa e, a partir da área rural, derrotar a ditadura.

Antônio Teodoro de Castro foi rebatizado de Raul na guerrilha.
Antônio Teodoro de Castro foi rebatizado de Raul na guerrilha. Arquivo Pessoal
 Naquela viagem de balsa, Mercês tentava conseguir qualquer pista que a ajudasse a refazer os passos do irmão Teodoro, rebatizado de Raul quando se incorporou ao movimento sem avisar explicitamente a ninguém da família, que morava em Fortaleza. Caçula em uma casa de nove filhos, Mercês não lembra exatamente quando o viu pela última vez. A memória que guarda é de uma cena corriqueira: no amplo corredor da casa da família, Teodoro — um jovem muito alto e branco — a rodopia. Ela tinha apenas sete anos quando o irmão, que já chamava a atenção dos militares, deixou Fortaleza para estudar no Rio de Janeiro. Ao atingir a maioridade, Mercês decidiu estudar no Centro de Ensino Superior do Estado do Pará (CESEP), em Belém, para ficar mais próxima das pistas de Teodoro, com quem pouco conviveu. O irmão, entretanto, sempre esteve simbolicamente presente em casa, tendo seu prato posto na mesa da família durante cada refeição mesmo quando seu paradeiro era desconhecido. Mercês queria saber mais sobre aquele homem que, segundo lhe contavam, havia defendido a vida dela. E de alguma forma ela buscava uma maneira de devolvê-lo à família.

A mãe deles, Benedita Pinto de Castro, já tinha oito filhos quando engravidou de Mercês e, diante da dificuldade que seria colocar mais uma criança no mundo, amigos sugeriram durante uma visita que ela tomasse chás abortivos. Quando todos foram embora, Teodoro correu para tentar convencê-la a ter a criança. “Mãe, não faça isso, não. Eu ajudo a senhora a criar”, suplicou, aos 13 anos de idade. No dia seguinte, acordou muito cedo e colocou as verduras da horta da família em uma bacia.

— Tu tá indo pra onde? — perguntou a mãe.

— Vou vender pra ajudar.

— Não precisa. Você estude que me ajuda mais.Mercês Castro perdeu as contas de quantas vezes viajou ao Araguaia em busca dos restos mortais do irmão.Mercês Castro perdeu as contas de quantas vezes viajou ao Araguaia em busca dos restos mortais do irmão. Henry Milleo

 Teodoro seguiu o conselho, o mesmo do qual a mãe se arrependeu tempos depois, mesmo quando insistia em não acreditar que Teodoro havia de fato ido para a Guerrilha do Araguaia. “Se ele foi pra esse negócio, foi porque lia demais”, dizia. E temia que a história se repetisse com algum dos outros oito filhos, também ávidos por leitura. Teodoro estudava Farmácia na Universidade Federal do Ceará, participava do movimento estudantil e militava no PCdoB [antigo Partido Comunista do Brasil]. O partido era hegemônico entre a esquerda antes do golpe militar de 1964 e, inicialmente, contrário à luta armada. Mas com a instituição do AI-5, a mais rigorosa normativa da ditadura, ganhou espaço dentro do partido a narrativa de que só seria possível enfrentar os militares por meio da luta armada. A ideia dos dissidentes da sigla responsáveis pela guerrilha não era exatamente retomar o regime democrático, mas implantar o socialismo aos moldes do que aconteceu em Cuba e na China.
Cartaz colado no Araguaia com os guerrilheiros procurados.
Cartaz colado no Araguaia com os guerrilheiros procurados. Arquivo Pessoal

Teodoro era atuante no PCdoB e chamava a atenção dos militares por participar de movimentos que criticavam o Governo. Transferiu o curso de Farmácia para o Rio de Janeiro em 1969 a pedido da mãe, que temia perseguições mais graves contra o filho. Não adiantou. No Rio de Janeiro, ele seguiu a militância. Chegou a presidir a Casa Universitária e decidiu partir para o Sul do Pará com os companheiros de partido em busca da sua “revolução”. Antes de ir, enviou um cartão para a família em que dizia: “Eu amo muito vocês, eu nunca soube foi dizer”. E separou uma série de cartas e livros que seriam enviados por uma amiga aos pais e aos irmãos nos anos seguintes, enquanto ele estivesse na mata lutando pelo que acreditava. As correspondências tentavam fazer os parentes acreditarem que ele seguia estudando e não davam pistas de onde realmente estava.

O que se sabe até agora, por meio de depoimentos gravados por familiares e de documentos e testemunhos contidos nos relatórios da Comissão Nacional da Verdade (CNV), é que Teodoro chegou ao Araguaia em 1971, mas os familiares só souberam que ele havia ido para a guerrilha oito anos depois. Descobriram ao vê-lo na lista dos considerados subversivos pelo Governo militar, nos anúncios que passavam nas salas de cinema, pouco antes do filme começar. “A gente sabia que ele estava desaparecido, mas não sabia onde”, conta a irmã Mercês. Teodoro integrou o destacamento B no Araguaia. A guerrilha era composta por uma comissão, responsável por coordenar três destacamentos, cada um deles com pouco mais de 20 combatentes. Alguns deles haviam feito treinamento na China para participar da “revolução popular”, e a região do Araguaia foi escolhida por uma estratégia tática: a mata fechada os ajudaria em uma disputa em que estavam em menor número e, naquela região dominada pela pobreza, poderiam conseguir apoio popular.

Por conta do trabalho, Mercês deixou o Pará e se mudou para Curitiba, mas nunca deixou de lado a odisseia que encampou aos 18 anos em busca do irmão. Com os custos das viagens divididos com os irmãos, ela retornou ao Araguaia muitas vezes. “Se você me pergunta quantas, já não sei. Perdi as contas”, diz. As matas fechadas da década de 1970, quando aconteceu a guerrilha, talvez já não pudessem dar hoje a mesma proteção esperada pelos guerrilheiros. Boa parte do território virou latifúndio, com plantações e áreas de criação de gado. Os trabalhadores rurais que foram testemunhas oculares da Guerrilha do Araguaia vivem em casas distantes dos centros mais povoados. “Eles se escondem”, diz Mercês.

Material que Mercês costuma levar nas expedições em busca dos desaparecidos do Araguaia.
Material que Mercês costuma levar nas expedições em busca dos desaparecidos do Araguaia. Arquivo Pessoal
 A cada ida à região, Mercês levava câmera fotográfica, gravador e a foto do irmão, na esperança de que alguém o reconhecesse e desse pistas sobre o paradeiro de seus restos mortais. Com a ajuda de guias, ela andava pelas matas hoje bem mais devastadas da floresta em busca de qualquer informação sobre aquela época. Documentava o que podia das conversas com os moradores e cruzava as informações que colhia ali com pesquisas acadêmicas e com os escassos documentos que conseguia sobre o Araguaia, já que os militares nunca abriram de fato todos os arquivos. Em depoimentos à CNV, eles argumentavam que parte deles foi queimada. Há 10 anos, porém, o major Sebastião Curió — um dos principais líderes militares que combatiam a guerrilha — abriu arquivos que guardava em casa. Revelou que o Exército executou 41 guerrilheiros quando eles já não ofereciam risco às tropas.

Em entrevista ao jornalista Leonencio Nossa, para o livro Mata!, Curió admitiu ter ele mesmo atirado em Teodoro, conhecido na região como Raul. Ele conta que Raul e Simão foram levados até o sítio de Manezinho das Duas, um posseiro que atuava como guia para o Exército. Ali, na cidade de Brejo Grande do Araguaia (a 650 quilômetros da capital Belém), Curió mandou que os guerrilheiros sentassem no chão, quando ouviram um barulho na mata que o major achou ser de outra patrulha militar que não deveria estar ali. “Foi quando abrimos fogo nos guerrilheiros. Naquele momento, atingi Raul no peito”, conta Curió. Mesmo depois que os militares derrotaram os combatentes, uma operação chamada Limpeza foi desencadeada para apagar os rastros da atuação militar, conforme destaca a denúncia do Ministério Público Federal contra Curió pelo assassinato de Teodoro.

Mercês Castro, irmã do Raul do Araguaia.
Mercês Castro, irmã do Raul do Araguaia. Henry Milleo
 Há décadas, Mercês tenta entender como o irmão viveu na guerrilha, se debruçando sobre reportagens, trabalhos acadêmicos e documentos de cartórios para tentar confirmar o que escuta dos camponeses. No início de sua investigação, ela conta que militantes de partido apontavam que Teodoro teria sido morto em um jipe enquanto entregava os companheiros aos militares. “Eu tinha um traidor na mão”, diz Mercês, falando da fama que o irmão carregava até ali. Mas quando iniciou suas incursões pelo Araguaia, se deparou com histórias do irmão que não condiziam com essa imagem. Ela encontrou uma família que havia abrigado Teodoro quando ele tentava se reintegrar à Guerrilha em 1972. Teodoro havia sido ferido à bala em um conflito com militares e, acompanhado da guerrilheira Walquíria Costa, chegou a ir para a vizinha Goiás em busca de atendimento médico. “Seria muito fácil sair, mas eles decidiram voltar. Os dois se reintegraram à guerrilha em dezembro de 1972”, conta. Mercês ouviu a história do casal que recebeu os dois militantes na casa deles —e cujos nomes ela prefere preservar por “segurança”. Este casal, vindo do Nordeste em busca de terra, lhe relatou que, vendo a situação de pobreza na casa e a escassez de alimentos para seus oito filhos, os guerrilheiros decidiram não levar nada além de um punhado de farinha e um toco de vela com eles. Passaram uma noite ali e seguiram em busca dos demais companheiros. “Essas histórias não batiam com a de um traidor”, defende Mercês.

Chamados de terroristas pela maioria dos militares, os guerrilheiros tiveram apoio da população nos primeiros anos da guerrilha. Desde que começaram a chegar na região, ainda no final dos anos 1960, abriram pequenas escolas e davam aulas gratuitas em uma região dominada pela pobreza, onde o Estado não chegava. A tática era conquistar os camponeses, e centenas deles acabaram apoiando o levante dos integrantes do PCdoB. Mas quando os militares iniciaram as operações de combate aos socialistas, em 1972, os conflitos foram se agravando e deixando um rastro de sangue também entre os moradores locais —muitos deles foram acusados de cúmplices, mesmo que não fossem combatentes, e outros obrigados a servirem como guias nas matas ao Exército. Os guerrilheiros então perderam apoio popular e passavam a levar alimentos das casas que encontravam no meio das matas.

Três campanhas foram desencadeadas para sufocar o movimento pelos militares entre 1972 e 1974, sendo que só a última delas (Marajoara) teve êxito. Foi também a mais sangrenta. Nos relatórios da CNV, militares admitem torturas e execuções, muitas delas na Casa Azul, local para onde os “subversivos” eram levados ao serem capturados. “O inimigo foi surpreendido com a rapidez e forma como foi executado o desembarque e infiltração das patrulhas na mata. Em três dias, 70% da rede de apoio estava neutralizada”, diz o Relatório Especial de Informações do Ministério do Exército. Na região do Araguaia, conta Mercês, ainda hoje paira uma sensação de vigilância, e os moradores ainda têm medo de falar sobre o assunto.

Mercês em mais uma expedição em busca do irmão Teodoro.
Mercês em mais uma expedição em busca do irmão Teodoro. Arquivo Pessoal
 

As descobertas de Mercês durante as excursões ajudaram o Estado a descobrir que Teodoro foi assassinado pelos militares em 1974, sob o comando do major Sebastião Curió, que se infiltrou na região como Dr Luchini, um falso funcionário do Incra, para identificar os “subversivos”. O Governo só reconheceu a responsabilidade pelo assassinato de opositores políticos por seus agentes do Exército em 1995, com a Lei 9.140, que apresenta o nome de 62 desaparecidos da Guerrilha. Dentre eles, está o nome de Antônio Teodoro de Castro. Moradores da região contaram a Mercês —e depois às autoridades— que Teodoro foi executado junto com Cilon da Cunha Brum, outro guerrilheiro que havia sido capturado dias antes. Três dias depois de preso, Teodoro foi morto a tiros, depois de reclamar de fome e ouvir os militares lhe negarem comida. Os restos mortais dele nunca foram encontrados.

No último mês de março, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia à Justiça contra Curió por homicídio e ocultação de cadáver. A ação ainda está em curso, mas há grandes chances de esbarrar na Lei de Anistia. Graças a ela, Curió nunca foi responsabilizado pelo crime nem obrigado a revelar a localização dos corpos. Ainda há 59 desaparecidos do Araguaia. Ao longo desses anos, somente foram encontrados os restos mortais de dois guerrilheiros. Quarenta anos após o início de suas buscas por Teodoro, Mercês ainda tem esperança de encontrá-lo. “Eu comecei procurando meu irmão, mas hoje eu procuro todos eles”, diz.

Seus irmãos se espalharam por vários estados do Brasil, mas sempre que algum deles retornava à Fortaleza, a mãe perguntava se alguém havia tido notícias do filho. Ela nunca acreditou (ou pelo menos sempre negou acreditar) que Teodoro estivesse, de fato, servindo na Guerrilha do Araguaia. Mas pediu muitas vezes a todos eles: “Traz ele pra cá, nem que seja pra gente dar um enterro pra ele e fazer uma missa. Pra eu saber que ele está ali, que não está com fome”. As palavras ditas tantas vezes pela mãe, falecida há 15 anos, ainda soam como um guia para Mercês: “Eu acho que devo isso a eles”.

Ela, que já perdeu as contas de quantas vezes foi ao Araguaia, se prepara para uma nova expedição. Quer investigar alguns pontos que mapeou e que lhe dão esperanças de encontrar os restos do irmão. Está disposta a se enfiar quantas vezes for preciso entre as matas, a andar sobre a lama que chega aos seus joelhos, mesmo sendo picada por incontáveis mosquitos, correndo risco de vida em uma região até hoje vigiada. Tudo para encontrar Teodoro. “Tem gente que diz pra virar a página. Eu digo: olhe para o seu filho e imagine ele sumindo, se desintegrando. Pronto, não existe mais. Chega a dar um desespero né? É isso que nós passamos. Não tem como virar a página”, finaliza.

maio
21

Do Jornal do Brasil

 

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda (20) que vai confirmar a nomeação de Denise Pires de Carvalho para a reitoria da UFRJ, respeitando decisão interna da instituição.

Professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Carvalho foi eleita pela comunidade acadêmica em primeiro turno, com 24,66% dos votos.

Em discurso na Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), o presidente disse ter tomado conhecimento de que “ela é a mais adequada para estar à frente da UFRJ” e que assinará a nomeação na tarde desta segunda.

A eleição ocorreu no início de abril e a demora na nomeação preocupava o corpo acadêmico da universidade.

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Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Carvalho será a primeira mulher a comandar a instituição. ela substitui Roberto Leher, que enfrentou uma das piores crises da história da universidade, com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, e entrou na mira de apoiadores de Bolsonaro por ser filiado ao PSOL.

“Tomei conhecimento a respeito dela pela lista tríplice, bem como de amigos mais chegados, é a pessoa adequada para estar à frente da UFRJ”, disse o presidente, sem citar nomes.

“Já falei que é reitora então já dei a dica de quem é”, continuou, completando que, com a nomeação de uma mulher, poderia ser chamado de “homemfóbico”.

Carvallho terá como vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha, professor do Instituto de Economia. No processo eleitoral, eles venceram duas outras chapas, lideradas por Roberto dos Santos Bartholo Junior, da Coppe/UFRJ, e João Felippe Curry Marinho Mathias, do Instituto de Economia.

No fim de abril, o Colégio Eleitoral da UFRJ elaborou a lista tríplice para avaliação do governo. Com 82 dos 90 votos, Carvalho ficou em primeiro lugar entre as sugestões do colégio. Os outros candidatos levados ao governo foram Eduardo Mach Queiroz, e Gisele Viana Pires.

Em seu discurso nesta segunda, Bolsonaro defendeu o contingenciamento de verbas para a educação, frisando que o país não tem recursos. “Por isso precisamos da reforma da Previdência”, argumentou o presidente.

NICOLA PAMPLONA

maio
21
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Clayton, no jornal

 

maio
21
Posted on 21-05-2019
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Por GloboEsporte.com — Viena, Áustria

mais importantes da história do automobilismo mundial terminou de ser escrita nesta segunda-feira. Aos 70 anos, morreu Niki Lauda, tricampeão mundial de Fórmula 1 e atual presidente não executivo da Mercedes. Em 2018, Lauda passou por um transplante de pulmão e só recebeu alta depois de ficar mais de dois meses internado. No começo deste ano, o tricampeão ficou mais dez dias no hospital após ter febre durante as festas de fim de ano. As primeiras informações dão conta de que ele estava em Viena, teve falência renal e morreu ao lado dos familiares.

– Com profunda tristeza, anunciamos que nosso amado Niki morreu pacificamente com sua família na segunda-feira, 20 de maio de 2019. Suas realizações únicas como atleta e empreendedor são e permanecerão inesquecíveis; seu incansável entusiasmo pela ação, sua franqueza e sua coragem permanecem um modelo e uma referência para todos nós. Era um marido amoroso e atencioso, pai e avô longe do público, que sentirá sua falta – diz o e-mail assinado com a família de Lauda.

Lauda era casado desde 2009 com Birgit Wetzinger, que lhe havia cedido um rim para transplante quatro anos antes, quando o órgão doado em 1997 pelo irmão Florian teve problemas. Os dois tinham os gêmeos Max e Mia. Entre 1976 e 1991, o ex-piloto já tivera matrimônio com Marlene Knaus, com quem teve dois filhos, Mathias e Lukas. O tricampeão tinha ainda um outro filho fora do casamento chamado Christopher.

No começo de julho de 2018, Niki Lauda descansava com a família em Ibiza, na Espanha, onde pegou uma forte gripe. O quadro evoluiu para febre alta com uma forte tosse, e o ex-piloto viajou em seu jato particular para a Áustria, onde se internou. Inicialmente, Lauda recebeu tratamento intensivo para o vírus, e aparentou melhora. Mas o estado se agravou, e os médicos decidiram transplantar o pulmão, embora tenham garantido que as compicações não eram relacionadas ao grave acidente sofrido na pista de Nürburgring, em 1976 – na ocasião, o austríaco teve graves queimaduras e inalou gases tóxicos, escapando da morte por pouco.

 
 

Niki Lauda era presidente não executivo da equipe Mercedes — Foto: Getty Images Niki Lauda era presidente não executivo da equipe Mercedes — Foto: Getty Images

Niki Lauda era presidente não executivo da equipe Mercedes — Foto: Getty Images

Sem apoio da família, Niki teve ascensão fulminante

Nascido em 22 de fevereiro de 1949, Andreas Nikolaus Lauda era de família rica. Apesar de ter passado uma juventude abastada, o austríaco quis seguir carreira no automobilismo. Sem apoio do avô banqueiro e dos demais familiares, Niki tomou um empréstimo num outro banco e passou a investir na carreira. Depois de comprar uma vaga na equipe March de Fórmula 2, Lauda rapidamente foi convidado para correr na F1, estreando no GP da Áustria de 1971.

Depois de correr a temporada de 1972 pela equipe inglesa, Niki pegou outro empréstimo bancário e passou a correr na antes vitoriosa BRM, que, no entanto, já não vivia seus melhores dias. Mesmo assim, impressionou pela precisão na troca de informações com os engenheiros e mecânicos, e marcou seus primeiros pontos numa época em que apenas os seis primeiros colocados somavam. Indicado por Clay Regazzoni, foi contratado pela Ferrari para 1974.

 

Lauda conquistou seu primeiro título na Fórmula 1 em 1975 — Foto: Getty Images Lauda conquistou seu primeiro título na Fórmula 1 em 1975 — Foto: Getty Images

Lauda conquistou seu primeiro título na Fórmula 1 em 1975 — Foto: Getty Images

 

Numa temporada em que a equipe italiana ressurgiu após longo período de resultados ruins, Lauda marcou nove poles e venceu suas duas primeiras corridas, na Espanha e Holanda. Chegou a liderar a tabela, mas acabou sendo superado nas provas finais, e Emerson Fittipaldi conquistou o título. Em 1975, porém, Niki venceu cinco provas e o campeonato por antecipação.

Inferno em Nürburgring e volta por cima

Em grande forma, Lauda seguiu dominando em 1976. Mas, depois de vencer cinco corridas e subir ao pódio em oito das nove primeiras corridas do ano, Niki sofreu um gravíssimo acidente no perigoso circuito de Nürburgring, na Alemanha. Curiosamente, o austríaco havia liderado um movimento dos pilotos para boicotar a corrida, mas acabou sendo derrotado e ele mesmo sentiu as consequências.

 

Niki Lauda voltou a correr no GP da Itália, cerca de seis semanas depois de seu acidente — Foto: Reprodução / F1 Niki Lauda voltou a correr no GP da Itália, cerca de seis semanas depois de seu acidente — Foto: Reprodução / F1

Niki Lauda voltou a correr no GP da Itália, cerca de seis semanas depois de seu acidente — Foto: Reprodução / F1

A condição de Lauda após o acidente era tão delicada que um padre foi chamado para lhe aplicar a extrema-unção, mas foi duramente repelido pelo próprio Niki. De forma impressionante, ele se recuperou e, apenas 43 dias depois da batida, estava ao cockpit de sua Ferrari, nos treinos para o GP da Itália. Na volta, com o rosto quase desfigurado, Lauda explicou que, no hospital, se concentrava em não dormir porque sabia que poderia morrer a qualquer momento.

 

Nas provas finais de 1976, Lauda ainda brigou pelo título com o inglês James Hunt, que, aproveitando a ausência do adversário, encostara na tabela do campeonato. Na decisão do título, em Fuji (Japão), choveu demais e Lauda desistiu da prova, alegando falta de segurança. Hunt terminou em terceiro e se sagrou campeão com um ponto de vantagem. A rivalidade entre Lauda e Hunt foi retratada mais de 30 anos depois no longa-metragem “Rush”.

 

Cena do filme 'Rush', sobre Niki Lauda e James Hunt — Foto: Reprodução Cena do filme 'Rush', sobre Niki Lauda e James Hunt — Foto: Reprodução

Cena do filme ‘Rush’, sobre Niki Lauda e James Hunt — Foto: Reprodução

Apesar de massacrado pela implacável imprensa italiana, Lauda deu a volta por cima em 1977. Com uma temporada de muita regularidade, o austríaco se sagrou bicampeão com três vitórias. Tão logo obteve o título por antecipação, Niki deixou a Ferrari, cansado das politicagens da equipe.

Lauda passou a correr pela Brabham, mas os pesados e pouco resistentes motores Alfa Romeo não o permitiram brigar por mais um título. “Cansado de correr em círculos”, como ele mesmo explicou, o austríaco decidiu abandonar as pistas repentinamente em 1979, durante os treinos para o GP do Canadá. Já interessado em aviação e milionário, o então bicampeão fundou a Lauda Air.

Retorno pela McLaren e tricampeonato

No fim de 1981, Lauda vinha tendo problemas com sua companhia aérea e decidiu aceitar uma milionária oferta Ron Dennis para voltar a correr, pela McLaren. A equipe lançara naquele mesmo ano o primeiro carro com chassis integralmente construído em fibra de carbono, material muito mais seguro em caso de acidentes.

 

Aos 33 anos, Lauda voltou em boa forma e, numa temporada que teve 11 vencedores diferentes, ganhou duas provas, em Long Beach e Brands Hatch, e chegou a ter remotas chances de título. Terminou em quinto lugar. Mas em 1983, a McLaren ficou para trás na guerra com as equipes que usavam motores turbo, e o austríaco terminou em décimo. Porém, a equipe estreou ainda naquela temporada o motor Porsche, deixando boas esperanças para 1984.

 

Niki Lauda cruza a linha de chegada em Portugal para celebrar o tri — Foto: Getty Images Niki Lauda cruza a linha de chegada em Portugal para celebrar o tri — Foto: Getty Images

Niki Lauda cruza a linha de chegada em Portugal para celebrar o tri — Foto: Getty Images

De fato, a combinação McLaren-Porsche se revelou dominante, e a equipe venceu 12 das 16 corridas, fato inédito na F1 até então. Lauda ganhou cinco provas contra sete do companheiro Alain Prost, mas faturou o tri graças à regularidade. O austríaco terminou apenas meio ponto á frente do francês, na menor diferença entre campeão e vice na história da categoria. Em 1985, Lauda teve um ano de muitos abandonos e decidiu parar de vez. Venceu apenas uma corrida, na Holanda, e liderava na sua despedida, na Austrália, quando os freios falharam e ele bateu.

Papel decisivo na chegada de Hamilton à Mercedes

Após abandonar a carreira de piloto, Lauda seguiu tocando a companhia aérea até vendê-la, em 1999. Depois, o austríaco deu início a uma nova empresa de transporte aéreo, a Niki, que foi adquirida em 2011 pela Air Berlin. Há dois anos, Lauda assumiu o controle da Amira Air e a renomeou para LaudaMotion.

 

Enquanto isso, o tricampeão seguia na Fórmula 1. Nos anos 1990, foi consultor da Ferrari, mesmo cargo ocupado na Jaguar, em 2002. Mas Niki teve sucesso mesmo como presidente não executivo da Mercedes, desde o fim de 2012.

 

Niki Lauda abraçando Lewis Hamilton após mais uma vitória — Foto: Getty Images Niki Lauda abraçando Lewis Hamilton após mais uma vitória — Foto: Getty Images

Niki Lauda abraçando Lewis Hamilton após mais uma vitória — Foto: Getty Images

Lauda teve papel muito importante na negociação que levou Lewis Hamilton para a equipe alemã. Dividindo a chefia do time com o também austríaco Toto Wolff, Lauda ajudou a Mercedes a emplacar os últimos cinco títulos mundiais de pilotos e construtores, em 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018.

Em 2018, mesmo com uma dura concorrência da rejuvenescida Ferrari, a Mercedes ganhou novamente os dois campeonatos, com 11 vitórias de Lewis Hamilton. O último grande prêmio que teve a presença de Lauda foi o da Inglaterra, em Silverstone. Antes da prova final, em Abu Dhabi, Lauda gravou um vídeo divulgado nas redes sociais e prometeu voltar ao convívio com a equipe Mercedes em breve.

 

Niki Lauda em sua última aparição, no GP da Inglaterra — Foto: Getty Images Niki Lauda em sua última aparição, no GP da Inglaterra — Foto: Getty Images

Niki Lauda em sua última aparição, no GP da Inglaterra — Foto: Getty Images

 
 

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