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Postado em 12-05-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 12-05-2019 00:35

         

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ARTIGO

 

                                  Já não se fazem generais como antigamente

 

                             Janio Ferreira Soares

 

Não lembro ao certo se li no Pasquim ou se foi algum comediante que contou, mas no tempo da ditadura militar rolava uma piada que dizia que num elevador estavam um general, uma jovem de shortinho, sua mãe, sua avó e um bêbado. Aí o general, se achando intocável, deu uma encoxada na garota, que reagiu com um tapa no seu rosto, no que foi prontamente seguida por sua mãe, pela avó e pelo bêbado, que apesar de não ter nada a ver com a história aproveitou o embalo e lhe tascou um tabefe nas fuças. Depois da confusão, o general foi tomar satisfação com o pinguço e disse que até compreendia as bofetadas das três, mas a dele, que nem parente era!? No que o bêbado falou: “foi mal, meu general, mas quando vi todo mundo metendo porrada no senhor, achei que a ditadura tinha acabado”.

Pois bem, jovem leitor e neófita leitora, talvez você nem se lembre, mas houve um período onde só se batia em general – inclusive moralmente – em piadas como esta, ou então através das metáforas de certas canções que dona Solange não entendia e deixava a censura liberar. Eu, por exemplo, morria de medo deles, principalmente porque morava numa cidade considerada de segurança nacional, rodeada de muros e soldados por tudo quanto é lado.

Pra você ter uma ideia de como a coisa funcionava por aqui, quem ousasse buzinar atrás do carro da temida esposa do major Kepler, tinha a placa do veículo anotada e, posteriormente, seu condutor era levado ao batalhão por uma viatura militar, onde, só depois da merda escorrendo perna abaixo por causa do susto, é que ele ficava sabendo que estava lá apenas para tomar um esporro pela ousadia de tentar ultrapassá-la. Imagine você o que poderia acontecer se neguinho desse uma roçadinha de leve na traseira de madame Kepler. Aí, valei-me, Senhor, seria um caso para discípulos do glorioso coronel Ustra.  

Quando é agora, depois de quase 35 anos de governos civis – onde, a propósito, nunca vi ninguém xingando publicamente um general -, me aparece esse tal de Olavo de Carvalho, tido como guru da família Bolsonaro, e em apenas quatro meses chama o general Mourão de “idiota e psicopata”; o general Santos Cruz, ministro da Secretaria do Governo, de “bosta engomada”; e, por último, o general Villas Bôas – que sofre de uma doença degenerativa -, de “um doente preso numa cadeira de rodas”. E o que fez o capitão Jair? Condecorou-o com a Ordem de Rio Branco, a mais alta do governo, certamente pelo conjunto da obra.

Alô, alô, reservistas que serviram por essas bandas nos anos 70. Já que não se fazem mais generais como antigamente, se alguém souber o paradeiro da mulher do major Kepler me avise, que vou correndo dizer a ela que Olavo de Carvalho anda espalhando por aí que seu marido é um cagão. Bi! Bi! Fon! Fon!

 

Janio Ferreira Soares, crnista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco

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