Por G1 Rio

Lúcio Mauro em 'Alô Brasil Aquele Abraço', programa de gincana exibido entre 1969 a 1971 — Foto: Acervo TV Globo Lúcio Mauro em 'Alô Brasil Aquele Abraço', programa de gincana exibido entre 1969 a 1971 — Foto: Acervo TV Globo

Lúcio Mauro em ‘Alô Brasil Aquele Abraço’, programa de gincana exibido entre 1969 a 1971 — Foto: Acervo TV Globo

O corpo de Lúcio Mauro será velado nesta segunda-feira (13) no Theatro Municipal do Rio. O ator e humorista morreu no fim da noite de sábado (11) aos 92 anos.

A cerimônia, aberta ao público, acontecerá das 9h às 14h. Ainda não há informações sobre o enterro.

Lúcio Mauro estava internado na Clínica São Vicente, na Zona Sul do Rio, havia cerca de dois meses, com problemas respiratórios.

O ator e humorista criou, dirigiu e protagonizou outras dezenas de programas de humor na televisão, com destaque para “Balança Mas Não Cai (1968), com releituras de quadros de sucesso da Rádio Nacional nos anos 1950.

 

Da Julia (Lúcio Mauro), Alberto Roberto (Chico Anysio) e a atriz Juliana Paes em quadro do 'Zorra Total' em dezembro de 2009 — Foto: Isac Luz/TV Globo Da Julia (Lúcio Mauro), Alberto Roberto (Chico Anysio) e a atriz Juliana Paes em quadro do 'Zorra Total' em dezembro de 2009 — Foto: Isac Luz/TV Globo

Da Julia (Lúcio Mauro), Alberto Roberto (Chico Anysio) e a atriz Juliana Paes em quadro do ‘Zorra Total’ em dezembro de 2009 — Foto: Isac Luz/TV Globo

Estreia na Globo

Em 1966, Lúcio Mauro estreou na Globo, no humorístico “TV0–TV1”, ao lado de Jô Soares, Agildo Ribeiro, Paulo Silvino e outros, sob direção de Augusto César Vannucci.

Dois anos depois, criou e dirigiu na Globo o humorístico “Balança Mas Não Cai” (1968), escrito por Max Nunes e Haroldo Barbosa, e transmitido, ao vivo, até 1971.

O programa tinha o quadro Ofélia e Fernandinho, estrelado por Lúcio e Sônia Mamede (1936-1990).

Já no programa de variedades “Alô Brasil, Aquele Abraço” (1969), o comediante protagonizou um dos momentos mais inusitados de sua vida: um dos apresentadores das atrações regionais, como representante da Região Norte, ficou em último lugar em uma das competições e recebeu como castigo lavar a cabeça da estátua do Cristo Redentor.

 

Fernandinho (Lucio Mauro) e Ofélia (Claudia Rodrigues), persoganens de 'Zorra Total', em episódio que marcou 10 anos do humorístico em julho de 2009 — Foto: Eduardo Naddar/TV Globo Fernandinho (Lucio Mauro) e Ofélia (Claudia Rodrigues), persoganens de 'Zorra Total', em episódio que marcou 10 anos do humorístico em julho de 2009 — Foto: Eduardo Naddar/TV Globo

Fernandinho (Lucio Mauro) e Ofélia (Claudia Rodrigues), persoganens de ‘Zorra Total’, em episódio que marcou 10 anos do humorístico em julho de 2009 — Foto: Eduardo Naddar/TV Globo

Outros papéis

O ator trabalhou no musical “Viva a Revista!” (1969) e foi ator e diretor do programa de humor “Uau, a Companhia” (1972). Quando “Balança Mas Não Cai” foi para a TV Tupi, nos anos 1970, ele acompanhou os colegas do programa e deixou a Globo por um tempo.

Voltou para integrar o elenco de “Chico City” no fim da década. Ficou marcado como o diretor do ator canastrão Alberto Roberto, interpretado por Chico Anysio. Em seguida, voltou a dirigir e atuar na nova versão de “Balança Mas Não Cai” (1982) na Globo, sendo também diretor de “A Festa é Nossa”, semanal que tinha como cenário fixo a cobertura de Ofélia e Fernandinho.

Ainda na década de 1980, Lúcio Mauro participou de “Chico Anysio Show” (1982) e “Os Trapalhões” (1989), revivendo com Nádia Maria a dupla Fernandinho e Ofélia. Em 1983, interpretou o médium Chico Xavier no “Caso Verdade Chico Xavier, um Infinito Amor”. Em 1988, fez uma participação na minissérie “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, como Dr. Quindim.

 

Na década de 1990, viveu Aldemar Vigário, da “Escolinha do Professor Raimundo”, sempre bajulando o professor interpretado por Chico Anysio. Trabalhou em um episódio de “Você Decide” (1992), foi do elenco de “Malhação” (1995), atuando como Dr. Palhares, pai do Mocotó (André Marques), e atuou na novela infantil “Caça-Talentos” (1996), com Angélica.

Em seguida, integrou o elenco de “Chico Total” (1996). Em 1998, encarnou o bicheiro mafioso Neca do Abaeté na minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, escrita por Dias Gomes com base no romance de Jorge Amado. Viveu o advogado Nonato na segunda versão da novela “Pecado Capital”, de Glória Perez com base no original de Janete Clair; atuou em um episódio de “Sai de Baixo”; e participou em “Meu Bem Querer”, de Ricardo Linhares.

A partir de 1999, Lúcio Mauro retomou personagens em “Zorra Total”. Refez o quadro Fernandinho e Ofélia, desta vez com Claudia Rodrigues. Também integrava o elenco do programa seu filho, o ator Lúcio Mauro Filho. Em março de 2001, o humorista voltou à nova temporada da “Escolinha do Professor Raimundo”, vivendo o popular Aldemar Vigário.

Nesta década, participou de “Os Normais”, “A Grande Família”, “A Diarista”, “Sob Nova Direção”, “Programa Novo”, “Faça a Sua História” e “Zorra Total”. Neste último, em 2012, viveu o personagem Ataliba, um vovô surfista, amigo de Gumercindo (José Santa Cruz), um senhor skatista. Os dois tentavam conquistar moças no vagão do Metrô Zorra Total. A dupla reviveu a parceria da estreia de Lúcio Mauro em humor na TV, em 1960.

Em 2007, participou de “Paraíso Tropical”, de Gilberto Braga, como Veloso. Em 2008, esteve na série “Casos e Acasos” e na novela “A Favorita”, de João Emanuel de Carneiro, no papel de Sabiá. No remake de “Gabriela” (2012), viveu Eustáquio. No penúltimo episódio de “A Grande Família” (2014), Lúcio Mauro interpretou Rui, um amigo de Agostinho Carrara (Pedro Cardoso).

 

Sua filmografia tem “Terra sem Deus” (1963), de José Carlos Burle; “007 ½ no carnaval” (1966), de Victor Lima; “Redentor” (2004), de Claudio Torres; “Cleópatra” (2008), de Júlio Bressane; e “Muita Calma Nessa Hora” (2010), de Felipe Joffily.

Em 2008, o humorista estreou a peça “Lúcio 80-30”, dividindo o palco com Lúcio Mauro Filho, autor e diretor do espetáculo, e com outros dois filhos, Alexandre Barbalho e Luly Barbalho.

 

Lúcio Mauro em 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', como o personagem Neca do Abaeté, em 1998 — Foto: Acervo TV Globo Lúcio Mauro em 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', como o personagem Neca do Abaeté, em 1998 — Foto: Acervo TV Globo

Lúcio Mauro em ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’, como o personagem Neca do Abaeté, em 1998 — Foto: Acervo TV Globo

“Cancion para las madres”, Victor Heredia: música feita praticamente de improviso pelo grande compositor e intérprete argentino Victor Heredia, em dupla com Pablo Granados, e apresentada (ao vivo) em um programa do Canal Telefe, no Dia das Mães, em maio de 2014, em Buenos Aires. Vai aqui, igual aos versos da melodia, dedicada a todas as mães de hoje, no seu dia, e as que já não estão. A exemplo da minha, dona Jandira,  a quem dedico esta cançao das mães  com especial desvelo e invencível saudade.

CLIQUE, POR FAVOR, EM VER PELO YOUTUBE, PARA REPRODUZIR, SEM O IMPEDIMENTO DA TELEFE.

BOM DOMINGO E FELIZ DIA DAS MÃES!!!

(Vitor Hugo Soares)

Resultado de imagem para Jandira Soares no Bahia em Pauta
285 × 177As imagens podem ter direitos autorais. Saiba mais

maio
12

         

Resultado de imagem para Janio Ferreira Soares no Bahia em Pauta

   

ARTIGO

 

                                  Já não se fazem generais como antigamente

 

                             Janio Ferreira Soares

 

Não lembro ao certo se li no Pasquim ou se foi algum comediante que contou, mas no tempo da ditadura militar rolava uma piada que dizia que num elevador estavam um general, uma jovem de shortinho, sua mãe, sua avó e um bêbado. Aí o general, se achando intocável, deu uma encoxada na garota, que reagiu com um tapa no seu rosto, no que foi prontamente seguida por sua mãe, pela avó e pelo bêbado, que apesar de não ter nada a ver com a história aproveitou o embalo e lhe tascou um tabefe nas fuças. Depois da confusão, o general foi tomar satisfação com o pinguço e disse que até compreendia as bofetadas das três, mas a dele, que nem parente era!? No que o bêbado falou: “foi mal, meu general, mas quando vi todo mundo metendo porrada no senhor, achei que a ditadura tinha acabado”.

Pois bem, jovem leitor e neófita leitora, talvez você nem se lembre, mas houve um período onde só se batia em general – inclusive moralmente – em piadas como esta, ou então através das metáforas de certas canções que dona Solange não entendia e deixava a censura liberar. Eu, por exemplo, morria de medo deles, principalmente porque morava numa cidade considerada de segurança nacional, rodeada de muros e soldados por tudo quanto é lado.

Pra você ter uma ideia de como a coisa funcionava por aqui, quem ousasse buzinar atrás do carro da temida esposa do major Kepler, tinha a placa do veículo anotada e, posteriormente, seu condutor era levado ao batalhão por uma viatura militar, onde, só depois da merda escorrendo perna abaixo por causa do susto, é que ele ficava sabendo que estava lá apenas para tomar um esporro pela ousadia de tentar ultrapassá-la. Imagine você o que poderia acontecer se neguinho desse uma roçadinha de leve na traseira de madame Kepler. Aí, valei-me, Senhor, seria um caso para discípulos do glorioso coronel Ustra.  

Quando é agora, depois de quase 35 anos de governos civis – onde, a propósito, nunca vi ninguém xingando publicamente um general -, me aparece esse tal de Olavo de Carvalho, tido como guru da família Bolsonaro, e em apenas quatro meses chama o general Mourão de “idiota e psicopata”; o general Santos Cruz, ministro da Secretaria do Governo, de “bosta engomada”; e, por último, o general Villas Bôas – que sofre de uma doença degenerativa -, de “um doente preso numa cadeira de rodas”. E o que fez o capitão Jair? Condecorou-o com a Ordem de Rio Branco, a mais alta do governo, certamente pelo conjunto da obra.

Alô, alô, reservistas que serviram por essas bandas nos anos 70. Já que não se fazem mais generais como antigamente, se alguém souber o paradeiro da mulher do major Kepler me avise, que vou correndo dizer a ela que Olavo de Carvalho anda espalhando por aí que seu marido é um cagão. Bi! Bi! Fon! Fon!

 

Janio Ferreira Soares, crnista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco

maio
12

Damares Alves prometeu lutar até o “último minuto” para manter a Funai no Ministério da Mulher e dos Direitos Humanos.

“Ainda vou continuar brigando. Até o último minuto, lá no plenário. […], conversando com parlamentares, convencendo que é melhor ficar comigo. Eu ainda vou brigar muito por isso”, afirmou nesta sexta-feira no lançamento da nova edição do Estatuto da Criança e do Adolescente.

maio
12
Posted on 12-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2019

Do Jornal do Brasil

 

A defesa de Luiz Inácio Lula da Silva entrou com um pedido no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para que o ex-presidente passe a cumprir pena no regime aberto.

O pedido consta nos embargos de declaração protocolados na noite desta sexta-feira (10) pelos advogados de Lula, solicitando que sejam revistos pontos da decisão tomada pela Quinta Turma do STJ, que em 23 de abril reduziu a pena do ex-presidente no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Macaque in the trees
Lula (Foto: Reprodução de vídeo)

Na ocasião, o colegiado da corte manteve a condenação do petista, mas baixou a pena de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

Os advogados de Lula argumentam que, como ele está preso há um ano e um mês na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, a revisão da pena feita pelo STJ permite a mudança para o regime semiaberto –quando o preso pode sair para trabalhar durante o dia, mas precisa se recolher em estabelecimento penal à noite.

No entanto, a defesa de Lula argumenta a “inexistência de estabelecimento compatível” e a “peculiar situação do embargante [Lula]” para pedir que o ex-presidente migre automaticamente para o regime aberto (quando a pessoa pode sair durante o dia, mas precisa retornar para a sua residência à noite).

A defesa de Lula diz que, com a mudança feita pelo STJ na sentença e descontado o tempo de prisão que que ele já cumpriu, o ex-presidente tem agora uma pena de sete anos e nove meses, o que permite a progressão para o semiaberto.

“Frisa-se que tal valor encontraria correspondência a um cumprimento de pena em regime inicial semiaberto, por inteligência do artigo 33, §2º, alínea ‘b’, do Código Penal, mas diante da (conhecida) inexistência de estabelecimento compatível, faz-se necessário desde logo a fixação de um regime aberto, máxime diante da peculiar situação do Embargante –sem prejuízo do manejo de todos os meios legalmente previstos com vistas à sua absolvição e manutenção da presunção de inocência nos moldes assegurados no Texto Constitucional”, escrevem os advogados na peça.

Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente, disse à Folha que o pedido de progressão de regime ocorre de forma subsidiária, e que o objetivo principal dos embargos protocolados nesta sexta-feira é a anulação do processo e a absolvição de Lula.

“Estamos mostrando diversas omissões, contradições e obscuridades [no acórdão] e pedindo que elas sejam corrigidas. Para que as teses defensivas, notadamente aquelas que buscam a absolvição, sejam acolhidas”, disse Zanin. “O foco central do recurso é corrigir esses erros, para que o tribunal possa absolver o ex-presidente.”

maio
12
Posted on 12-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2019

Do Jornal do Brasil

 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, decidiu reconduzir, por mais dois anos, o advogado Tarcísio Vieira de Carvalho Neto ao cargo de ministro titular do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão do Judiciário responsável pela organização das eleições.

A medida foi publicada nesta sexta-feira (10) no Diário Oficial da União.

A decisão do presidente foi motivada pelo fim do primeiro mandato de Tarcísio Vieira, que teve duração de dois anos e terminou na quinta-feira (9). Embora não seja obrigatória, a renovação do mandato é um procedimento de praxe adotado pela Presidência da República para prestigiar o Poder Judiciário.

Macaque in the trees
Tarcísio Vieira (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A indicação do ministro chegou ao presidente por meio uma lista tríplice enviada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na votação feita pelos ministros, os nomes de Tarcísio Vieira e Carlos Horbach, que já integram o TSE, receberam dez votos. O advogado Carlos Mário Velloso Filho, que recebeu sete votos, completou os indicados à lista tríplice. O advogado Fabrício Juliano Mendes Medeiros recebeu quatro votos.

De acordo com a Constituição, cabe ao presidente da República nomear os advogados que compõem o tribunal. O TSE é composto por sete ministros, sendo três do STF, dois do STJ, e dois advogados com notório saber jurídico.

No mês passado, Bolsonaro nomeou Sérgio Silveira Banhos para compor o TSE. Banhos também foi indicado por meio de lista tríplice enviada à Presidência da República pelo STF.

 

maio
12
Posted on 12-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2019



 

Sinfrônio, (CE)

 


Crime movimenta 210 bilhões de dólares, ou 2% do PIB da região, e é 2,2 vezes mais do que na Europa. Autoridades debatem como seguir o dinheiro e chegar ao topo do crime

Agente inspeciona bagagem em Foz do Iguaçu, fronteira do Brasil com o Paraguai. Bruno Santos Folhapress
San José (Costa Rica)

Ao lado de um dos principais hospitais de San José, no centro da capital da Costa Rica, o jovem Enrique, de 20 anos, segura quatro maços de cigarros na mão direita e oferece para todos os pedestres que se aproximam. A marca mais conhecida das que ele empunha é o Derby, custa 200 colónes, algo em torno de 1,30 real. Em uma loja localizada a duas quadras dali, o mesmo pacote de cigarros custa 2.000 colónes – 13 reais.

– De onde vem esse cigarro?

– Não sei.

– É ilegal? É contrabandeado?

– Não sei. Só estou trabalhando.

– E você o vende muito?

– Depende. Se chove e ninguém sai na rua, vendo uns 15 ou 20. Mas quando está sol, vendo de 30 a 50 por dia.

pação informal do rapaz é frequente em quase todos os países. Enrique representa a base de uma pirâmide laboral e ilegal em que raramente se descobre quem está no topo. Levantamentos da indústria tabagista mostram que boa parte do mercado latino-americano é dominada por marcas contrabandeadas. Varia de 14% do consumo peruano a 70% do panamenho – no Brasil, 54% do cigarro consumido é ilegal.

Essa onda de contrabando atinge não apenas o malfadado cigarro, mas também diversos outros produtos, como roupas, calçados, combustíveis, medicamentos, bebidas, pedras preciosas, alimentos, eletroeletrônicos e cosméticos. As estimativas são de que na América Latina o valor ilegal movimentado seja de 210 bilhões de dólares (880 bilhões de reais) anuais, o que representa 2% de seu produto interno bruto. Na Europa, o valor estimado é de 95 bilhões de dólares (380 bilhões de reais) ao ano.

Não há um estudo que compile o que é produzido e comercializado ilegalmente em todo o mundo. Alguns levantamentos apresentados nesta semana na Costa Rica, no encontro da Associação Latino Americana Anticontrabando (ALAC) trazem informações que têm sido usadas para tentar unir governos e a iniciativa privada com o objetivo de combater esse crime. Algumas conclusões são que, por movimentar centenas de bilhões de dólares, o contrabando tem atraído organizações criminosas que se espraiam para outros delitos, como tráfico de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro.

Dados da Aliança Transnacional para o Combate do Comércio Ilícito (TRACIT, na sigla em inglês) obtidos junto a governos e indústrias mostram que 14% a 33% do peixe pescado nos mares de todo o mundo são contrabandeados; 11% dos 450 bilhões de cigarros produzidos são vendidos ilegalmente; 30% dos remédios vendidos na África, Ásia e América Latina são falsificados, assim como uma a cada quatro bebidas alcoolicas vendidas em toda a Terra.

E por que tantos produtos são contrabandeados? “Por causa da corrupção. Ela está sem freio em vários países. Com agentes corruptos e fiscalização frágil dificilmente o contrabando é coibido como deveria”, avaliou o diretor-geral da Tracit, Jeffrey Hardy. Na mesma linha segue o presidente da Fundação de Investigação em Inteligência Financeira da Argentina, Juan Marteau. “Não existe essa ideia de que temos políticos corruptos e uma sociedade pura, capaz de atirar a primeira pedra”, disse.

Uma série de estudos, realizados pela consultoria Euromonitor, avaliou também a outra ponta desse comércio, o consumidor. A pergunta que os pesquisadores queriam responder era: por qual razão uma pessoa comprava um produto ilegal? A resposta foi quase unânime: o preço mais baixo. E quem compra, segundo essa pesquisa, não se importa se a origem do produto é ilícita ou se impostos estão sendo evadidos. A falta de investimentos em políticas públicas acaba sendo outro impulsionador desse mercado ilegal. “O que os consumidores dizem é: se ao final nos vão roubar, por que vamos pagar [impostos]?”, afirmou a chefe de consultoria da Euromonitor, Lourdes Chavarria.

Um exemplo desse cálculo – além do já mostrada no caso do cigarro—: no Paraguai, um xampu contrabandeado do Brasil é vendido por contrabandistas pela metade do preço encontrado nas prateleiras dos supermercados. “Muito se fala do cigarro paraguaio, mas também sofremos com o contrabando”, alertou o gerente da unidade anticontrabando da União Industrial do Paraguai, Édgar Cuevas.

Outra dúvida que surge, neste cenário, é o que faria com que uma pessoa deixe de consumir um produto contrabandeado? “Só quando há um fator de saúde”, explica Lourdes Chavarria. Um dos levantamentos dessa empresa, feito para o mercado de bebidas destiladas, chegou à conclusão de que 67% das pessoas entendem que os produtos contrabandeados fazem mal para a saúde; 12% acreditam que o produto ilegal traz um impacto negativo para a marca; 11% de que ele não deve ser consumido porque se perdem impostos; enquanto 10% estão de acordo com o consumo de bebidas ilegais.

Rede de negócios ilícitos

O contrabando acaba sendo apenas parte de uma engrenagem que envolve diversas organizações criminosas. Levantamento de inteligência da Polícia Federal do Brasil, por exemplo, já constatou em 2017 que lideranças das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho, participam de esquemas de contrabando de cigarro paraguaio. “Eles buscam dinheiro, sempre. Se está difícil transportar maconha ou cocaína, partem para o cigarro”, explicou o chefe da delegacia da PF na fronteiriça Foz do Iguaçu, Mozart Fuchs.

No Rio de Janeiro, há a comprovação de que milícias estão envolvidas com a venda de cigarros contrabandeados. “Há relatos de que em várias comunidades os milicianos não deixam os comerciantes venderem cigarro legal, só o contrabandeado porque é esse que ele controla”, explicou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Edson Vismona.

Em outros países, como na Guatemala, Honduras e El Salvador, constatou-se que gangues extremamente organizadas também atuam com redes de contrabandistas. “Quando olhamos quem estava por trás do contrabando, notamos que são algumas das facções conhecidas que comandam esse negócio”, relatou o diretor da ONG Crime Stoppers, Alejo Campos. Essa organização atua em 12 países da América Central em colaboração com as autoridades de segurança para ajudar na elucidação de delitos federais. Entre as facções estão as conhecidas “maras” e “pandillas”, cujas ramificações já foram notadas em outros países da região, como na Argentina.

Com essa série de delitos por todo o mundo, que geram bilhões de dólares em fraudes fiscais, o grande desafio das autoridades é deixar prender apenas os que estão na linha de frente, como o vendedor costarriquenho Enrique, e passar a buscar seus chefes. Uma das queixas entre os participantes da ALAC foi exatamente a frouxidão nas leis quando se trata de contrabando.

No Paraguai, por exemplo, ele é considerado uma contravenção, não um crime. No Brasil, sua pena é pequena, varia de dois a cinco anos de detenção. Na prática, uma pessoa que é pega em flagrante com uma carga de produtos contrabandeados não fica nem dois meses presa. “O criminoso que vai preso e não tem antecedentes sabe que ou terá uma fiança que será paga pelos seus patrões ou a Justiça vai liberá-lo em pouquíssimo tempo”, explicou o delegado Fuchs. É quase a sensação de que, neste caso, o crime compensa. “É uma batalha que já estamos perdendo”, alertou Juan Marteau.

O repórter viajou a San José a convite da ALAC (Associação Latino Americana Anticontrabando).

  • Arquivos

  • Maio 2019
    S T Q Q S S D
    « abr    
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031