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Janaína, no Valor: eles não vão mudar, é a dinâmica da família…
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…Carlos Bolsonaro x Hamilton Mourão: choque de egos e de poder.

 

ARTIGO DA SEMANA

 

Janaína: jeito e força no conflito Mourão x Carlos Bolsonaro

Vitor Hugo Soares

A professora da USP e advogada especializada em Direito Penal, Janaína Paschoal, – deputada estadual eleita com mais de dois milhões de votos, para a Assembléia Legislativa de São Paulo – não cessa de surpreender, principalmente quando critica descaminhos de opositores, ou produz análises e autocríticas sobre seu próprio papel e a atuação de seus parceiros governistas. Esta semana, ao falar (em entrevista  ao jornal Valor Econômico)  sobre os riscos da expansão do explosivo choque de egos, e de poder, entre o enigmático vice presidente Hamilton Mourão e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, referencial escudeiro do pai, no centro nevrálgico do mando atual),  ela mostrou porque faz jus a cada toque de seus eleitores na tecla “Confirmar”, na máquina eletrônica da Justiça Eleitoral no Brasil, conquistando seu mandato parlamentar de forma tão expressiva.

Ao responder à repórter Cristiane Agostine, e opinar sobre o assunto difícil e escorregadio, em cujas cascas de bananas, muitos derrapam (incluindo jornalistas), Janaina escolheu os melhores e mais convincentes caminhos: informações relevantes, isenção partidária, brilho intelectual e fala candente e articulado, cravejada de bom senso e bom humor, sem abandonar a firmeza de caráter e de princípios. Além disso, para este jornalista que vem de longe,  a parlamentar deixou claro que a política brasileira já conseguiu preencher o vazio de uma de suas mais antigas e melhores tradições. A de ter um líder regional com fala, visão e perspectiva nacional. À moda de Leonel Brizola, Carlos Lacerda e Miguel Arraes, para citar três exemplos emblemáticos que me ocorrem.

É admirável, em todo transcorrer da entrevista,  a percepção individual e política da parlamentar paulista, de que “jeito também é força”, como ensinava Ulysses Guimarães: Se vence obstáculos e antagonismos, é força. Suave na maneira, firme na coisa, no dizer do ditado romano. A toupeira quando encontra uma pedra em seu caminho, não podendo  escalá-la, não tem jeito para contorná-la. Morre ao sol, à fome ou à sanha dos inimigos.

Janaína enxerga em perspectiva (algo cada dia mais raro entre políticos e governantes brasileiros, já dizia Brizola em seu exílio no Uruguai), e alerta na entrevista: “Mourão é muito inteligente. Ele está percebendo que Carlos Bolsonaro está em uma situação emocional que precisa ser compreendida. Não está bem, tem reações exacerbadas. Eduardo Bolsonaro dá respaldo para proteger o irmão, que fica na mira. Eles não vão mudar, é a dinâmica da família. Não tem jeito. Os quatro anos vão ser assim. A gente é que vai ter que se acostumar. Mas não consigo ver nada por pa rte do vice que enseje tanta preocupação”. Na mosca!

Merece destaque outro aspecto relevante desta conversa jornalística da deputada mais votada do Brasil: o bom humor de dar inveja em tempo de tantas mágoas, ódios, agressões e revides de todo lado, no jogo de poder em andamento. A começar pela resposta sobre se está arrependida de não ter aceitado disputar o posto de vice na chapa do atual presidente: “Agradeço a Deus por não ter aceitado ser vice de Bolsonaro. Quem estaria no inferno que está o Mourão seria eu. Acha que estariam felizes comigo? Tenho certeza de que não… Tenho pena do Mourão, coitado! “
A arte da boa e relevante conversa ainda respira e resiste no jornalismo brasileiro. Viva a entrevistada, a entrevistadora e o jornal.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br  

“Preciso me encontrar”, Marisa Monte: grande sucesso na interpretação de Cartola o autor genial deste samba, Candeia, ficou como figura oculta até a música ser cantada e regravada por outros fabulosos artistas. Um deles, Paulinho da Viola. Aqui , nesta gravação durante apresentação ao vivo, vai em outra interpretação digna do samba e doautor: Marisa Monte, Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Preciso me encontrar
Composição de Candeia
Deixe-me ir Preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar Deixe-me ir Preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar Quero assistir ao sol nascer Ver as águas dos rios correr Ouvir os pássaros cantar Eu quero nascer, quero viver… Deixe-me ir Preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar… Se alguém por mim perguntar Diga que eu só vou voltar Quando eu me encontrar… Quero assistir ao sol nascer Ver as águas dos rios correr Ouvir os pássaros cantar Eu quero nascer, quero viver… Deixe-me ir Preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar… Se alguém por mim perguntar Diga que eu só vou voltar Quando eu me encontrar Quando eu me encontrar Quando eu me encontrar Depois que eu me encontrar Quando eu me encontrar Depois, depois Que eu me encontrar Quando eu me encontrar Depois, depois Depois que eu me encontrar…”

maio
04

Do Jornal do Brasil

 

Em sua fala, Araújo fez uma defesa enfática da política externa do governo Jair Bolsonaro

   RICARDO DELLA COLETTA E GUSTAVO URIBE

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta sexta-feira (3) que “diplomacia não significa ficar em cima do muro” e que os diplomatas precisam ter “sangue nas veias.”

O chanceler fez um discurso na cerimônia de formatura do Instituto Rio Branco, a escola de formação dos diplomatas.

Macaque in the trees
Ernesto Araújo (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Em sua fala, Araújo fez uma defesa enfática da política externa do governo Jair Bolsonaro.

“Basta a consciência dessa turma [de diplomatas] de que a diplomacia não significa ficar em cima do muro, não significa ficar assistindo aos grandes embates da humanidade esperando para aderir ao vencedor”, declarou.

“Diplomacia precisa ter sangue nas veias, e com a Aracy [de Carvalho Guimarães Rosa, patrona da turma que se formou nesta sexta-feira] quero homenagear todos os combatentes da liberdade e os que sofrem perseguição, na Venezuela e em outras partes do mundo.

Todos os anos, os formandos do Instituto Rio Branco escolhem um patrono. Em 2019, eles homenagearam Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, que protegeu judeus na Alemanha nazista e aprovou seus pedidos de visto ao Brasil durante a Segunda Guerra Mundial.

Araújo disse que a política externa adotada em sua gestão “não recua diante de críticas” e defendeu as pressões adotadas pelo Brasil para forçar a saída do ditador Nicolás Maduro do governo da Venezuela.

“O mundo todo tem os olhos na Venezuela porque lá há o combate entre democracia e opressão”, disse o chanceler.

“É muito triste ver pessoas no Brasil torcendo pela tirania apenas para ver o governo [Bolsonaro] se dar mal”, acrescentou.

Ernesto Araújo também disse que Bolsonaro é o presidente que “mais valorizou o Itamaraty”. “Nenhum presidente da República valorizou mais o papel do Itamaraty do que o senhor. Nenhum presidente teve uma visão mais clara do que a sua, executada pelo Itamaraty num projeto de grande transformação nacional.”

Ao final do seu discurso, Araújo usou uma passagem bíblica para dizer que Bolsonaro se tornou “a pedra angular do novo Brasil.”

“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular do edifício. A pedra que a imprensa rejeitou e que os intelectuais rejeitaram; que os artistas rejeitaram e que os autoproclamados especialistas rejeitaram, ela tornou-se a pedra angular do edifício, o edifício do novo Brasil”, declarou.

“Nós do Itamaraty estamos prontos para, a partir da sua orientação e com base na pedra angular, rejeitada por tantos, mas escolhida pelo povo, ajudá-lo a construir esse novo Brasil”, concluiu.

maio
04

Itamaraty diz que participação em evento da Câmara de Comércio é tradição

 

O Itamaraty enviou a O Antagonista nota em que rebate informação publicada pela Folha e reproduzida mais cedo pelo site.

Confira a íntegra:

Desde sua fundação em 1969, a Câmara de Comércio Brasil – Estados Unidos tem mantido importante parceria com o Consulado-Geral do Brasil, na promoção dos interesses econômicos e comerciais brasileiros.

Isso se traduz no apoio da Câmara de Comércio a eventos de interesse do Consulado e vice-versa.

O Consulado-Geral aparece entre os patrocinadores do evento “Personalidade do Ano” na categoria Silver. Isso significa que o Consulado adquiriu uma mesa de 10 lugares ao custo de U$ 10 mil.

Essa mesa é tradicionalmente adquirida pelo Consulado-Geral nas edições anuais da cerimônia de entrega do título de Personalidade do Ano.

O Consulado Geral também costuma adquirir mesa em outro evento anual da Câmara conhecido como Brazil Summit, no qual normalmente fazem exposições Ministros de Estado brasileiros e altas autoridades que participam nos EUA das sessões de primavera do FMI e Banco Mundial.

O custo é normalmente previsto na programação orçamentária anual do setor de promoção comercial (SECOM) do Consulado Geral.

A mesa adquirida pelo Consulado-Geral nessas ocasiões é normalmente ocupada por convidados institucionais, dentre os quais normalmente estão diplomatas, acadêmicos e empresários.

Do Jornal do Brasil

 

Decreto de Bolsonaro determina extinção de colegiados ligados à administração federal

   FLÁVIA FARIA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Prejuízos para a formulação de políticas públicas e na participação da sociedade no processo democrático são alguns dos problemas apontados por ONGs e entidades da sociedade civil no decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que determina a extinção, a partir de 28 de junho, de colegiados ligados à administração federal.

A medida determina o fim de conselhos, comissões, comitês, juntas e outras entidades do tipo que tenham sido criadas por decretos ou por medidas administrativas inferiores. Muitos deles são formados por integrantes de órgãos do governo em conjunto com membros da sociedade civil. Os que foram criados por lei, como o Conselho Nacional de Educação e o de Saúde, e os que surgiram na gestão atual estão mantidos.

Macaque in the trees
Bolsonaro, em cerimônia no Planalto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que os cortes vão gerar “gigantesca economia” e que as entidades são “aparelhadas politicamente usando nomes bonitos para impor suas vontades, ignorando a lei e atrapalhando propositalmente o desenvolvimento do Brasil, não se importando com as reais necessidades da população”. Questionada pela reportagem, a Casa Civil não informou qual a expectativa da economia obtida com a extinção dos colegiados.

Em protesto, 39 entidades assinaram manifesto contra a medida. Em nota, afirmam que a atitude do governo vai “na contramão do desenvolvimento democrático”.

De acordo com Laila Belix, do Instituto de Governo Aberto e membro do Pacto pela Democracia, organização que estruturou o manifesto, a canetada do presidente peca por agrupar colegiados com diferentes funções e extingui-los sem prévio estudo.

“O governo não fez nenhum estudo aprofundado das estruturas para identificar o que é fundamental para a formulação de políticas públicas, para identificar o que tem caráter mais estratégico. Não sabe quantos existem e coloca no mesmo balaio estruturas que não são iguais, que têm funções e papéis diferentes.”

O Planalto afirmou que não sabe ao certo quantos colegiados existem, mas estima em cerca de 1.000 -inicialmente a estimativa era de cerca de 700. A intenção, segundo divulgou o governo em abril, é reduzir o número de entidades para cerca de 50. Até 28 de maio, os ministérios devem enviar à Casa Civil a relação de colegiados e solicitar a recriação dos que considerarem pertinentes. O Planalto terá 60 dias para analisar as justificativas das pastas.

O corte, preveem as ONGs, deve atingir diferentes setores. Alguns dos colegiados ameaçados são a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, o Comitê Gestor da Internet no Brasil, o Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

“Os conselhos têm a função de discutir o que vai ser proposto pelo governo e acompanhar e monitorar o que foi feito em planos e processos participativos. Se não há a estrutura, não há esse espaço de debate e monitoramento”, diz Laila, do Pacto pela Democracia.

Na última terça (30), o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu submeter ao plenário ação do PT que pede a suspensão do decreto. Ainda não há data para o julgamento. O Ministério Público Federal e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão também manifestaram preocupação com a medida do presidente.

Integrante do Conselho Nacional de Segurança Pública, Ivan Marques, do Instituto Sou da Paz, critica a medida, que considera pouco eficiente do ponto de vista econômico mas bastante prejudicial para a formulação de políticas públicas.

“Ninguém recebia nada por participar. É um trabalho baseado no dever cívico, e as pessoas abriam mão de suas vidas particulares e profissionais para emprestar suas especialidades ao governo”, diz.

A participação de membros da sociedade civil nas comissões é voluntária e não remunerada. O governo arca com itens como alimentação e passagens aéreas.

Em nota, a Casa Civil afirmou que “o espírito do decreto é o regramento e a otimização de recursos públicos” e que “tais grupos e reuniões demandam recursos públicos como o tempo de cada funcionário empregado no seu funcionamento, bem como recursos financeiro-administrativos (como diárias de viagem, hospedagem, deslocamento e eventuais reembolsos)”.

Ivan afirma que o principal benefício dos colegiados é promover o debate entre a sociedade civil organizada e os ministérios, melhorando a formulação de políticas públicas. “É lamentável que esse governo não esteja disposto a escutar de maneira formal e organizada as organizações da sociedade civil para tomar decisões”, opina.

Laila, do Instituto Governo Aberto, afirma que a participação de diferentes setores contribui para que as propostas formuladas pelo poder público atendam às demandas da sociedade. Para ela, a extinção dos colegiados gera grandes prejuízos para a democracia participativa.

“A gente tem gargalos na participação, mas não é extinguindo [os colegiados] que você vai superá-los. O antídoto é mais participação, não menos.”

Em nota, a Federação Nacional das Apaes afirmou que discute a medida em reuniões com autoridades federais.

São Paulo
Jair Bolsonaro, durante cerimônia no palácio do Itamaraty, nesta sexta.
Jair Bolsonaro, durante cerimônia no palácio do Itamaraty, nesta sexta. ADRIANO MACHADO REUTERS

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) cancelou sua ida a Nova York para participar de um jantar de gala promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA em sua homenagem no dia 14 de maio, segundo confirmou o porta-voz da presidência Otávio Santana do Rêgo Barros. O ultraconservador foi escolhido Personalidade do Ano de 2019, mas sua ida enfrentou uma série de resistências. A primeira foi do Museu de História Natural, que se recusou a sediar o evento após a pressão de ativistas, de políticos e da sociedade civil norte-americana.

A pressão se dirigiu então aos patrocinadores e ao hotel New York Marriott Maquis, que concordou em receber a cerimônia. O senador democrata Brad Hoylman, representante da comunidade LGBTQ, criou um abaixo assinado pedindo pelo cancelamento do evento e mandou uma carta para o hotel pedindo a mesma coisa. “Normalizar um presidente anti-LGBTQ que quer ativamente causar danos – e inclusive matar – a população LGBTQ não reflete os valores de Nova York. Ponto”, disse em um tuíte.

A campanha contra Bolsonaro foi referendada pelo prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, que em uma entrevista em abril a uma rádio chamou Bolsonaro de racista, homofóbico e destrutivo. Disse também que o presidente não era bem-vindo na cidade.

A pressão fez com a companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times retirassem o patrocínio da festa. Em entrevista a CNN, a consultoria disse que a decisão se baseou no princípio “essencial” de “celebrar a diversidade” da empresa. Segundo revelou o jornal Folha de S. Paulo, o Banco do Brasil havia concordado em pagar mais de 47.000 reais para ter uma mesa com 10 lugares no jantar de gala. O consulado-geral do Brasil em Nova York concordou em ajudar a financiar a cerimônia, que tem por objetivo arrecadar fundos para fazer lobby para empresas brasileiras e americanas nos EUA. Entre os patrocinadores também estão bancos como os brasileiros Itaú e Bradesco, além da Merrill Lynch, Credit Suisse, Morgan Stanley, Citigroup e HSBC.

Contudo, a pressão de grupos de ativistas, principalmente os ligados às causas LGTBQ e ambientais, que prometiam realizar atos diários até o dia 14 para constranger os patrocinadores, foi mais forte. “Em face da resistência e dos ataques deliberados do prefeito de Nova York e da pressão de grupos de interesses sobre as instituições que organizam, patrocinam e acolhem em suas instalações o evento anualmente, ficou caracterizada a ideologização da atividade”, disse Rego Barros na nota. “Em função disso, e consultados vários setores do governo, o presidente Bolsonaro decidiu pelo cancelamento da ida a essa cerimônia e da agenda prevista para Miami”, acrescentou o porta-voz, em referência a viagem que faria até a Flórida no dia seguinte para se encontrar com parlamentares republicanos, entre eles o senador Marco Rubio, um dos principais opositores norte-americanos ao regime de Nicolás Maduro.

maio
04
Posted on 04-05-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-05-2019


 

Clayton, no jornal

 

 
 
Artistas ressaltam que, sempre atrás do novo, Antunes renovou o teatro brasileiro

A despedida a Antunes Filho foi como deveria ser. O corpo foi velado no palco, cercado por atores.

Portas abertas para o último ato. Gente da plateia foi se despedir, gente acostumada a expressar a dor nos palcos e que lá não tinha motivo para interpretar.

“Uma perda terrível. Eu perco um dos meus melhores, senão o meu melhor amigo. E o meu grande diretor. Ele conseguiu estabelecer um nível excepcional do ponto de vista de encenação e sobretudo do ponto de vista de interpretação”, disse o ator Juca de Oliveira.

“Tudo o que o Antunes deixou para todo mundo de conhecimento de técnica, de aprendizado sobre o ser humano, sobre a filosofia, sobre a relevância da vida. Ele sempre ensinou todo mundo a voar”, contou Felipe Hofstatter, ator e assistente de direção.

O velório foi no Teatro Anchieta, que os amigos descrevem como a casa de Antunes Filho. No mesmo prédio, funciona o Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, que ele dirigiu por 37 anos, o lugar onde pesquisava técnicas de atuação e ensinava que “o ator é o senhor do palco”.

“A mágica não está na luz, a mágica não está na projeção, a mágica não está na sonoplastia. A mágica está no ator, porque ele é o ser humano contando a história em cima do palco”, lembrou o produtor e diretor Emerson Danesi.

“Isso aí é um legado importantíssimo, porque vai além da questão puramente do teatro, é a questão da cidadania”, afirmou Danilo de Miranda, diretor do Sesc de São Paulo.

“Era o maior e o melhor, que sabia tudo sobre teatro. O amor pelo teatro, a cultura, o profissionalismo, a honestidade com a sua profissão”, disse emocionada a atriz Laura Cardoso.

Entre abraços, os colegas lembram do professor.

“Acabei vindo fazer dramaturgia aqui para aprender, para conviver com esse grupo. Era um cara inquieto”, contou o escritor Marcelo Rubens Paiva.

“Ele era rigoroso, mas era um cara com muito humor, muito humor”, lembrou o jornalista Marcelo Tas.

Antunes buscava atores sem vícios.

“Ele me fez. Eu entrei em 82, no final do ano. Sai em 85 e ele está no meu DNA, nas minhas células, em tudo o que é meu”, ressaltou a atriz Giulia Gam.

“E ele influenciou a todos. Ele era aquilo que nós chamamos de um homem do teatro. É um nome que a antiga geração conhecia muito bem e a nova geração sempre vai aprender com ele”, disse a atriz Irene Ravache.

Perfeccionista, o diretor renovou o teatro brasileiro.

“Um homem de teatro muito fértil, muito poderoso e que teve a capacidade exatamente de trazer o que nós todos queríamos naquela época, um teatro – não de um brasileiro, nacionalista -, mas com encenadores do Brasil, fazendo um teatro do mesmo nível que se faz no mundo inteiro”, declarou o também diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa.

Sobre o último roteiro, Antunes Filho não teve controle. Há dez dias, passou mal, foi internado e descobriu um câncer de pulmão em estágio avançado. No último encontro, só pensava na grande paixão.

“Estive com ele um pouco antes de ele ir embora. E ele estava com a cabeça ainda no teatro, é incrível”, contou o ator Marcelo Szpektor.

No meio da tarde desta sexta (3), atores, amigos do teatro, pessoas que estavam na plateia foram convidadas ao palco para uma homenagem com alegria, uma espécie de “grand finale” para Antunes Filho. Juntos, todos fizeram uma oração, seguida de três minutos de aplausos.

Os atores dançaram ao som de “Danúbio Azul”, valsa que marcou a carreira de Antunes Filho. Emocionados, eles lembraram frases que o mestre usava.

“Se quer mudar a sua vida, mude uma de suas gavetas”.

“O ator é um mago. O ator é um mago”.

“A morte é a cena final”, frase dita por Antunes há quatro dias.

O adeus foi recitando versos.

“Que um dia a nossa loucura seja perdoada, porque metade de mim é a arte e a outra metade também. Viva Antunes Filho”.

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