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CRÔNICA

                         Tintas do coração: Notre Dame de Paris devastada

                        Gilson Nogueira

 Depois de ler o artigo de meu colega das antigas Jolivaldo Freitas, no Correio, sob o título Pobre Paris, deu-me  vontade de comer o texto, logo após o almoço, como sobremesa. Fiquei,assim, arrotando, no bom sentido, o desejo de espalhar pelo mundo o que considero uma das melhores coisas escritas na terra da felicidade pelo colega de profissão. Aliás, uma das coisas mais bem Freitas que li, nos últimos dias, com, quase, 74 anos de Bossa Nova.  Por isso, surgiu-me, de novo, aquela  vontade imensa de tentar mudar o mundo, sonho que acompanha alguns de minha turma de vida e daquela que formou-se em jornalismo, na Universidade Federal da Bahia, em 1971, conhecida como a mais irreverente que a  Ufba pariu.
Bem, convido quem tem a paciência de ler essas linhas, na tela do computador ou de celulares, de todos os tamanhos e  tipos, para que, agora, exatamente agora, passe a mão na tela do seu aparelho e confira o que imagino haver acontecido comigo, quando li o que o grande Joli escreveu. O visor do celular de minha mulher, ao meu lado, enquanto eu acessava o Correio, estava úmido.
” Êpa, você molhou meu celular??? ”
“ Eu, não, você deve ter sentido uma lágrima escorrendo do artigo de Jolivaldo sobre o incêndio monstruoso na Catedral de Notre Dame, em Paris, a Cidade Luz que, neste instante, vive a escuridão que domina a alma dos que acreditam em Deus, por não aceitarem certas coisas que acontecem, certamente, , por arte do diabo, e que parecem mostrar que o inferno é aqui.”
Dentro de meu gabinete,  nas paredes e em molduras sobre a bancada do meu PC, uma noite diferente chega sem que eu perceba.  Há um silêncio momentâneo. E misterioso.  Não ouço ruído algum, apenas de um quadro  que soltou-se da parede em que está pendurado um certificado da Academia Brasileira de Letras,com a assinatura do seu presidente, Cícero Sandroni, conferido ao bossanoveiro da capital do berimbau, no dia 30 de novembro de 2008, por haver participado da Mesa-redonda, sob o título “ NO BALANÇO DA BOSSSA. MEIO SÉCULO DE SEDUÇÃO”.
A lágrima escorre no teclado do meu Dell. Vou enxugá-la. Antes, quero deixar, aqui,  um abraço para cada francês que lamenta a morte da catedral  construída para ficar mais perto do Céu. E um aperto de mão ao colega  escritor e jornalista, daqueles que, invariavelmente, escrevem com  as tintas do coração.
Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do site blog Bahia em Pauta

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