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O ex-presidente peruano era investigado pela suposta trama de subornos da construtora brasileira em desdobramento internacional da Lava Jato

Alan García, em Buenos Aires em 2010.
Alan García, em Buenos Aires em 2010. A. PAGNI AFP / Getty

O ex-presidente de Peru Alan García faleceu após ter disparado contra si mesmo quando seria detido pela Polícia em sua residência. García seria preso preventivamente no enquadramento das investigações pela suposta distribuição de propinas da construtora Odebrecht que alcançou membros do seu Governo quando ele governou o país entre 2006 e 2011. “Consternado pelo falecimento do ex-presidente Alan García. Envio minhas condolências a sua família e seres queridos”, assinalou o presidente do Peru, Martín Vizcarra no Twitter momentos depois da confirmação da morte.

Horas antes, os agentes tinham trasladado a García ao hospital Casimiro Ulloa, a apenas 600 metros do domicílio do ex-presidente. Segundo comunicado do Ministério da Saúde, García ingressou no hospital de emergências às 6h45 (hora local do Peru), com diagnóstico de impacto de bala de entrada e saída da cabeça. Estava na sala de operações desde as 7h10, mas seu estado era crítico. Agentes da Divisão de Investigação de Delitos de Alta Complexidade haviam ido na manhã desta quarta-feira à casa do ex-mandatário no bairro de Miraflores, na capital Lima, para cumprir a ordem de detenção que pesava sobre ele. Fontes citadas por Rádio Programas del Peru (RPP) indicaram que os agentes o encontraram já ferido, depois que ele se trancou e efetuou o disparo.

O ministro do Interior peruano, Carlos Morán, esclareceu que os agentes e o promotor Henry Amenábar entraram na residência e informaram ao ex-presidente – que estava na escada do segundo andar – sobre a ordem de prisão. O político disse que iria telefonar para seu advogado, foi para o seu quarto e fechou a porta. Poucos minutos depois, um tiro foi ouvido. A polícia forçou a porta e encontrou García com uma ferida na cabeça e o levou para o hospital “, acrescentou Morán.

García governou o país em duas ocasiões. Entre 1985 e 1990 e entre 2006 e 2011. Ele era investigado por supostos subornos decorrentes da construção de uma linha de metrô para Lima, projeto no qual estava envolvida a construtora brasileira Odebrecht. A polícia também deteve nesta quarta-feira Luis Nava, ex-secretário-geral de Presidência, e Miguel Atala, ex-vice-presidente da Petro Peru, que supostamente recebeu 1,3 milhão de dólares da gigante brasileira numa conta do banco D’Andorra. García teve sua saída do país proibida em novembro do ano passado, enquanto era investigado por lavagem de dinheiro, conflito de interesses e tráfico de influências no caso do concessão da Odebrecht. Ele chegou a pedir asilo no Uruguai, refugiando-se na casa do embaixador uruguaio em Lima. Mas o governo de Tabaré Vásquez negou o pedido.

García estava sendo investigado por supostos subornos na construção de um trem para Lima, projeto em que estava envolvida Odebrecht. Um acordo de colaboração entre a equipe de procuradores da Lava Jato do Peru e a construtora, assinado no dia 14 de fevereiro levou a novas evidência de propina distribuída entre os altos cargos no Peru. As mais recentes, divulgadas pelo meio digital IDL-Reporteros e o jornal El Comercio, comprovavam que a Odebrecht pagou ao menos 4 milhões de dólares a Luis Nava, que foi braço direito de Garcia no Palácio do Governo.

A ordem de detenção preliminar por dez dias – que os agentes cumpriam nesta manhã — foi emitida por um juiz a pedido dos fiscais da equipe especial Lava Jato. A ordem alcançava também seu círculo mais próximo em seu segundo mandato. Enrique Cornejo, então ministro dos Transportes, além de Miguel Atarra e do braço direito Luís Nava. Seriam presos a seguir os filhos de Nava e Atala, por suspeitas de terem recebido da Odebrecht em suas contas bancárias

Por Luiz Felipe Barbieri e Mariana Oliveira, G1 e TV Globo — Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão do plenário do Supremo em fevereiro — Foto: Reprodução/NBR O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão do plenário do Supremo em fevereiro — Foto: Reprodução/NBR

O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão do plenário do Supremo em fevereiro — Foto: Reprodução/NBR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou nesta terça-feira (16) o arquivamento do inquérito aberto para apurar ofensas a integrantes do STF e a suspensão dos atos praticados no âmbito dessa investigação, como buscas e apreensões e a censura a sites.

Após a decisão de Alexandre de Moraes, o presidente do STF, Dias Toffoli, autorizou a prorrogação do prazo do inquérito por mais 90 dias – o pedido havia sido feito na segunda-feira (15) pelo próprio Moraes.

Mais cedo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou ao STF documento no qual defende o arquivamento do inquérito, aberto “de ofício”, por iniciativa do presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli, que nomeou Alexandre de Moraes relator.

“Na presente hipótese, não se configura constitucional e legalmente lícito o pedido genérico de arquivamento da Procuradoria Geral da República, sob o argumento da titularidade da ação penal pública impedir qualquer investigação que não seja requisitada pelo Ministério Público”, afirmou o ministro. “Diante do exposto, indefiro integralmente o pedido da Procuradoria Geral da República”, complementou.

No documento, Raquel Dodge informava sobre o arquivamento do inquérito por considerar a investigação ilegal. Mas o inquérito foi aberto pelo Supremo, sem participação da PGR, e a decisão sobre o arquivamento ou não caberá ao próprio STF.

Na decisão de quatro páginas, o ministro Alexandre de Moraes afirma que o arquivamento do inquérito, como desejava a procuradoria, “não encontra qualquer respaldo legal, além de ser intempestivo, e, se baseando em premissas absolutamente equivocadas, pretender, inconstitucional e ilegalmente, interpretar o regimento da Corte”.

Para o ministro, o Ministério Público não pode arquivar um inquérito do qual não participa.

“Na presente hipótese, não se configura constitucional e legalmente lícito o pedido genérico de arquivamento da Procuradoria Geral da República, sob o argumento da titularidade da ação penal pública impedir qualquer investigação que não seja requisitada pelo Ministério Público.”

 O ministro afirmou que o objeto do inquérito é “claro e específico” e decorrente de mensagens de conteúdo falso contra integrantes do Supremo.

“O objeto deste inquérito é claro e específico, consistente na investigação de notícias fraudulentas (fake news), falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atinjam a honorabilidade institucional do Supremo Tribunal Federal e de seus membros”, disse.

Moraes também defendeu “a apuração do vazamento de informações e documentos sigilosos, com o intuito de atribuir e/ou insinuar a prática de atos ilícitos por membros da Suprema Corte”.

Segundo ele, o inquérito visa ainda apurar vazamentos “por parte daqueles que têm o dever legal de preservar o sigilo; e a verificação da existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário e ao Estado de Direito.”

Alexandre de Moraes destacou que diversas provas foram coletadas ao longo da apuração, que começou há um mês.

“Notre Dame de Paris”, Edith Piaf: Formidável performance de Piaf em gravação de seu “Album Officiel”, remasteurizado em 2011. Mais um tributo do Bahia em Pauta para ajudar a suportar a perda irreparável da Catedral de Paris, centro de referência da história, da cultura e da arte no mundo.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

abr
17

MORAES NEGA ARQUIVAMENTO DE INQUÉRITO DAS FAKE NEWS

 

Alexandre de Moraes rejeitou a recomendação da Procuradoria Geral da República e manteve o andamento do inquérito aberto por Dias Toffoli sobre supostos ataques ao Supremo Tribunal Federal.

Considerou que o STF pode conduzir investigações com a Polícia Federal, independentemente da participação do Ministério Público.

“Não se configura constitucional e legalmente lícito o pedido genérico de arquivamento da Procuradoria Geral da República, sob o argumento da titularidade da ação penal pública impedir qualquer investigação que não seja requisitada pelo Ministério Público”, escreveu o ministro, citando decisão emelhante da Segunda Turma do STF, de relatoria de Gilmar Mendes.

DO  Jornal do Brasil

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) criticou nesta terça-feira (16) a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de tirar do ar reportagem e notas publicadas pelos sites da revista Crusoé e O Antagonista sobre o presidente da corte, Dias Toffoli.

A decisão foi no âmbito de um inquérito presidido por Moraes, aberto pelo STF em março para investigar fake news, ameaças e ofensas a integrantes do tribunal e familiares.

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Presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Nenhum risco de dano à imagem de qualquer órgão ou agente público, através de uma imprensa livre, pode ser maior que o risco de criarmos uma imprensa sem liberdade, pois a censura prévia de conteúdos jornalísticos e dos meios de comunicação já foi há muito tempo afastada do ordenamento jurídico nacional”, afirma a nota da diretoria nacional da OAB.

“Pensar diverso é violar o princípio tão importante que foi construído depois de tempos de ditadura e se materializou no art. 220 da Constituição Federal, mesmo havendo sempre a preocupação para que toda a sociedade contenha a onda de fake news que tem se proliferado em larga escala”, continua o texto.

A OAB afirma ser legítima defensora das liberdades e manifesta “preocupação com a decisão”.

“Em qualquer democracia, a liberdade vem atrelada à responsabilidade, não crível afastar de responsabilização aqueles que por qualquer razão ou interesse possam solapar o correto uso da liberdade garantida para fins proibidos na legislação brasileira, mas somente após obedecidos os princípios da ampla defesa e do contraditório, dentro de um devido processo legal”, diz a nota.

Na sexta (12), Moraes determinou a retirada do ar de uma reportagem e de notas publicadas na semana passada pelos sites da revista Crusoé e O Antagonista –que foram notificados nesta segunda (15).

Os textos noticiavam a existência de um email do empresário e delator Marcelo Odebrecht em que, conforme um esclarecimento dele, havia uma menção a Toffoli. O email era de julho de 2007, época em que Toffoli era advogado-geral da União no governo Lula (PT).

A mensagem de Marcelo Odebrecht a dois executivos da empreiteira dizia: “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo de meu pai?”. Não há qualquer citação a pagamentos.

A PF perguntou a Odebrecht quem era a pessoa mencionada, e ele respondeu, no início deste mês, que era Toffoli. Moraes considerou que a reportagem de Crusoé era inverídica porque relatava que o esclarecimento prestado por Odebrecht havia sido remetido à PGR.

Para sustentar esse entendimento, o ministro utilizou uma nota divulgada pela PGR após a publicação da matéria. Na nota, o órgão informava que não havia recebido esse material -que era parte de um dos inquéritos da Lava Jato em Curitiba.

O diretor de Redação da revista Crusoé, Rodrigo Rangel, classificou a decisão do STF como censura e afirmou que “reitera o teor da reportagem, baseada em documento, e registra que a decisão [de Moraes] se apega a uma nota da Procuradoria-Geral da República sobre um detalhe lateral e utiliza tal manifestação para tratar como fake news uma informação absolutamente verídica, que consta dos autos da Lava Jato”.

Nesta terça, a procuradora-geral, Raquel Dodge, enviou ofício a Moraes em que afirmou ter arquivado o inquérito sobre fake news. Ainda não há manifestação do ministro a esse respeito.

abr
17
Posted on 17-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-04-2019

Do  Jornal do Brasil

Em pronunciamento na TV na noite desta terça-feira (16), o presidente da França, Emmanuel Macron, disse acreditar que a reconstrução da catedral de Notre-Dame, em Paris, possa ser concluída em cinco anos.

 Esse prazo é muito mais curto do que o indicado horas antes pela Federação dos Construtores

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Fogo destrói parte da catedral de Notre Dame em Paris (Foto: REUTERS/Benoit Tessier)

Especializados no Patrimônio Histórico, que fixou um horizonte de até 15 anos – e no mínimo 10.

“O que vimos na França nesta noite [de segunda] foi esta capacidade de nos unirmos para vencer”, afirmou o chefe de Estado. “Tudo o que constitui o país é vivo e, portanto frágil. Compartilho da dor, mas também da esperança de vocês. Agora é hora de agir. Agiremos e seremos bem-sucedidos.”

 O monumento foi parcialmente destruído por um incêndio de grandes proporções nesta segunda (15).

A declaração veio na esteira de insinuações de políticos da ultradireita francesa e europeia de que o fogo poderia ter sido iniciado deliberadamente, ou seja, que se trataria na verdade de um atentado -a apuração por ora caracteriza o evento como “destruição involuntária por acidente”.

 Segundo Reitz, cinco empresas estavam trabalhando no canteiro de restauração da porção superior do prédio, aberto em julho de 2018. Ali ficava a flecha ou agulha, torre fina e pontiaguda que sucumbiu pouco mais de uma hora depois de as chamas começarem a se alastrar.

Quinze pessoas, de acordo com o procurador, trabalharam na obra na segunda. A jornada terminou por volta das 17h. Por isso, no momento em que o incêndio foi percebido, às 18h50 (13h50 do Brasil), já não havia operários no local. Eles foram ouvidos pelos investigadores na terça.

Reitz afirmou que houve um primeiro alerta de incidente às 18h20, mas que uma verificação subsequente não identificou fumaça ou chamas. Após um segundo alerta, às 18h43, percebeu-se que a chamada “floresta”, recinto que abriga 1.300 longas vigas de carvalho que sustentam o telhado, estava sendo consumida pelo fogo.

 Apesar de o episódio ser tratado oficialmente como uma fatalidade, um contingente de 40 membros da brigada criminal (que investiga ocorrências como atentados) foi destacado para apurar se houve negligência e tentar identificar responsáveis.

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, reiterou no meio da tarde que a linha de investigação não incluía a hipótese de um atentado.

“Não se pode ser um homem político e se comprazer com teorias conspiratórias”, afirmou, após visitar o interior da catedral, em referência a uma ilação do deputado Nicolas Dupont-Aignan.

Mais cedo, uma integrante do partido ultraconservador Alternativa para a Alemanha havia relacionado o incêndio a agressões sofridas por católicos franceses recentemente e ao aumento da discriminação sofrida por fiéis no âmbito europeu.

Qualquer que seja o prazo verdadeiro, o fato é que, antes da restauração propriamente dita, será preciso montar estruturas temporárias para proteger os setores expostos da construção -dois terços do telhado desapareceram nas chamas. Assim, uma espécie de guarda-chuva gigantesco será posicionada na parte alta para proteger a igreja de intempéries.

A conclusão dos trabalhos pode ser sem dúvida acelerada pelas doações vultosas de empresas e bilionários franceses e estrangeiros divulgadas ao longo desta terça.

 

Um levantamento do fim da tarde mostrava um total prometido já da ordem de 700 milhões de euros (R$ 3 bilhões), cifra que ainda não inclui o investimento público direto nos âmbitos municipal, regional e nacional.

 Na terça, enquanto bombeiros seguiam trabalhando no resfriamento do edifício (o fogo foi extinto por volta das 9h, 4h no Brasil), surgiam os primeiros balanços do que foi possível salvar das chamas.

Segundo monsenhor Chauvet, arcebispo da catedral, equipes conseguiram resgatar a coroa de espinhos feita de junco e fios de ouro que chegou ao templo no século 13, por obra do então rei da França, Luis 9, mais tarde canonizado como São Luis.

 

Uma túnica do monarca também foi retirada a tempo, além de relíquias como um fragmento da Cruz e um prego da Paixão de Cristo. Alguns cálices e quadros pequenos completam a lista de itens recuperados.

 As telas monumentais, dentre as quais havia obras do século 17, sofreram danos ligados mais à fumaça do que ao fogo. Elas serão levadas ao Louvre a partir desta sexta (22) para passar por restauro.

Os vitrais multicoloridos que adornam a fachada ocidental e as laterais do prédio não sofreram avaria significativa, segundo o Ministério da Cultura. Alguns pedaços não resistiram ao calor e explodiram, mas a chamada Rosácea do Meio-Dia, na face sul (voltada para o Sena), parece ter sido preservada.

 Trata-se de um monumental conjunto de 84 painéis divididos em quatro círculos, com imagens como as dos 12 apóstolos, de santos e mártires, mas também cenas do Novo e do Antigo Testamento. Nas extremidades, existem representações da descida ao inferno e da ressurreição de Cristo. A obra data de 1260 e tem quase 13 m de diâmetro.

O Grande Órgão instalado desde o século 13 sobre o portal da ala oeste da igreja foi parcialmente atingido.

O instrumento adquiriu sua forma atual no século 18, mas ainda preserva alguns tubos da era medieval.

O problema ali, segundo o porta-voz da catedral, André Finot, não teria sido o calor das chamas, mas a pressão da água usada no combate a elas.

No fim da noite de segunda, bombeiros e autoridades de preservação do patrimônio anunciaram que a estrutura da catedral havia sido poupada.

Cineasta brasileiro, que apresentou seu filme ‘Divino Amor’ em festivais internacionais, se submete à sessão de perguntas do EL PAÍS

  
O diretor de cinema Gabriel Mascaro.
O diretor de cinema Gabriel Mascaro. EFE

Gabriel Mascaro (Recife, 1983) começou a trabalhar, acidentalmente, aos 19 anos como assistente em um filme. Aos 22 percebeu que havia entrado de cabeça na indústria cinematográfica e que seu destino era ser cineasta. Seus dois primeiros trabalhos em ficção, Ventos de Agosto (2014) – menção especial no Festival de Locarno – e Boi Neon (2015) – ganhador do prêmio Horizonte no Festival de Veneza – lhe permitiram fazer um tratado sobre a morte e a resiliência, além de retratar o corpo e espaço em transformação, respectivamente.

Em Divino Amor, seu mais recente filme que passou pelos festivais de Sundance, Berlim e Guadalajara durante o primeiro trimestre de 2019, especula sobre o futuro do país, em que faz uma releitura do nacionalismo brasileiro e sua suposta identidade nacionalista cristã, atualizada em improváveis apropriações culturais em uma narrativa bíblica e erótica sobre a fé e o poder. O cineasta se submeteu à sessão de perguntas do EL PAÍS.

Qual é o último filme que o fez chorar?

O primeiro é mais fácil de lembrar: Um Conto Americano, com o ratinho Fivel.

Qual filme mudou sua vida?

Five, de Abbas Kiarostami. É um filme com apenas cinco tomadas e me impactou a ideia de olhar o tempo puro e simples como gerador de tensão.

Qual música escuta para escrever?

Não é uma operação consciente, mas agora que você perguntou, percebo que escrevi meu filme mais recente, Divino Amor, ouvindo a música Tigresa, de Caetano Veloso. Talvez eu quisesse fazer um fábula que incluísse um pouco de tropicalismo na cultura evangélica brasileira.

Com quem gostaria de se sentar em uma festa?

Festa? Com a diretora Claire Denis. O final genial do filme Bom Trabalho, com o ator Denis Lavant dançando, me faz pensar que ela gosta de festa.

O que significa ser cineasta?

Compartilhar experiências.

Com que idade percebeu que gostaria de ser cineasta?

Com 19 anos trabalhei acidentalmente como assistente em um filme e com 22 percebi que já estava completamente envolvido com cinema.

Qual é seu lugar favorito no mundo?

Itacaré, um local com praia, floresta e cachoeiras na mesma paisagem.

O que mudaria em você?

Escondo emoções em minha cabeça e minha pele às vezes manifesta isso com manchas. É uma briga constante entre pensamento e matéria. Talvez existam maneiras de se mudar isso. Enquanto minhas partes brigam, faço cinema.

Quando foi mais feliz?

O melhor da infância é que essa etapa passa. O melhor tempo é o tempo presente.

O que tira seu sono?

Uma ideia que me ocorre quando estou prestes a dormir é como um pesadelo.

O que diria ao presidente Jair Bolsonaro?

Mesmo que o Brasil seja uma ficção, que não roube ideias do meu filme. Deixemos a alegoria para o cinema. O país precisa de outra narrativa política urgente.

Algum lugar que te inspira?

Qualquer um com uma rede.

O melhor presente que já ganhou?

Um jogo do Playmobil do Karate Kid quando eu era criança.

Sua especialidade na cozinha?

Camarão ao molho de pitanga.

Qual filme gostaria de ter dirigido?

Five, de Abbas Kiarostami. É uma execução radical de engenharia e arte.

Qual seria seu superpoder?

O Brasil acabou de flexibilizar a posse de armas para civis. Pessoas como eu armadas me dão muito medo. Um superpoder é muito perigoso.

Em que lugar não gostaria de morar?

Seria una tortura viver e precisar trabalhar no Rio de Janeiro. No Recife trabalho feliz.

A última vez que chorou?

Choro muito às escondidas, mas com poucas lágrimas.

A última coisa que comprou e adorou?

Um skate que simula surf no asfalto. Caio o tempo todo.

A última refeição que realmente o surpreendeu?

Adoro os pratos com os quais todo o corpo reage. O acarajé com camarão e pimenta é uma dessas comidas que não se come somente com a boca.

abr
17
Posted on 17-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-04-2019



 

 J. Bosco, no jornal

 

 DO JORNAL NACIONAL/ TV GLOBO
 

Por Jornal Nacional

Nossos repórteres acompanharam de perto o trabalho dos bombeiros nos escombros da Muzema

Completaram, nesta terça-feira (16), cinco dias as buscas nos escombros dos prédios que desabaram na Muzema, na Zona Oeste do Rio.

A cada resgate, mais tristeza. Cinco corpos encontrados nesta terça-feira (16).

Fábio, de 2 anos, e a mãe, Ana Flávia, estão entre eles. Os dois se abraçaram na hora do desespero. Lauana Divina Patrícia e uma mulher não identificada foram levadas para o IML.

Na tenda no alto da ladeira, estão os parentes que esperam notícias dos desaparecidos. Agora, ainda são oito sob os escombros. Os bombeiros trabalham sem interrupção há cinco dias. Nesta terça, a equipe da Globo teve acesso, com exclusividade, ao trabalho de cuidado e de delicadeza desses homens, que ajudam a manter a esperança dessas famílias.

O repórter cinematográfico Junior Alves acompanhou uma parte do trabalho, ao lado do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Roberto Robadey Júnior. Ele deu detalhes de como pode ter sido o desabamento.

“A gente está imaginando que caiu primeiro esse prédio. As pessoas foram encontradas aqui nos quartos, a maioria”, explicou.

“Em geral estão sendo encontrados nos quartos. E nesse aqui, não; raramente estavam nos quartos. A gente agora está buscando num corredor, que seria lá naquele canto, que seria uma pessoa que estava com chave na mão lá, tentando sair”, completou.

Os bombeiros têm ajuda de cães farejadores, os mesmos que foram levados a Brumadinho.

“A gente marcou onde o cão sinalizou”, disse o comandante.

“Suspostamente pode ter um corpo aqui?”, pergunta o repórter.

“Muito provavelmente”, respondeu.

Eles e os cães já conseguiram chegar aos primeiros andares dos dois prédios.

“Estamos no caminho certo. A gente trabalha sempre com essa hipótese. Nós temos relatos de pessoas que foram encontradas sete dias depois, é bem comum. Enquanto não aparecer o último corpo ou a última pessoa, a gente não sai daqui”, afirma o comandante.

 

Na busca pelos responsáveis dessa tragédia, o presidente da Associação de Moradores da Muzema prestou depoimento nesta terça.

“Já dei todos os esclarecimentos possíveis para as autoridades. Estou disposto a ajudar no que for preciso. Estou muito sentido com tudo”, disse lvu.

Repórter: “Você tem ideia de quem foram os construtores do prédio? Quem construiu o prédio?”

Ele não responde.

Esta terça-feira foi dia de a família se despedir de Antônia Sampaio. A dor de muitos estava estampada no rosto da mãe, que precisou ser amparada.

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