Por G1 (O Globo)

As promessas de Bolsonaro aos 100 dias — Foto: Igor Estrella/G1 As promessas de Bolsonaro aos 100 dias — Foto: Igor Estrella/G1

Em 100 dias, o governo de Jair Bolsonaro cumpriu 1/5 das promessas feitas durante a campanha eleitoral. Dos 58 compromissos firmados no período e que podem claramente ser mensurados, 12 foram cumpridos em sua totalidade, de acordo com levantamento feito pelo G1. Outros quatro foram parcialmente atendidos, e 40 ainda não foram cumpridos. Dois compromissos não têm como ser avaliados no momento.

Essa é a primeira avaliação que o G1 faz das promessas de campanha de Bolsonaro durante os quatro anos de mandato. A ideia é medir até 2022 se o presidente cumpre o que prometeu na campanha para ser eleito.

O projeto “As promessas dos políticos” começou em 2015, com a verificação das promessas da então recém-reeleita presidente Dilma Rousseff. Desde então, o G1 já avaliou promessas de governadores e prefeitos. E agora começa um novo ciclo, com o presidente eleito em 2018. Os novos governadores serão avaliados mais para frente.

Na comparação com os ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer em 100 dias de governo, Bolsonaro cumpriu 12 das 58 promessas, Dilma, 5 das 55, e Temer, 3 das 20.

 

Comparação das promessas de Bolsonaro, Temer e Dilma — Foto: Igor Estrella/G1 Comparação das promessas de Bolsonaro, Temer e Dilma — Foto: Igor Estrella/G1

Comparação das promessas de Bolsonaro, Temer e Dilma — Foto: Igor Estrella/G1

O G1 levanta as promessas e separa tudo o que pode ser claramente cobrado e medido ao longo dos mandatos dos políticos. Ou seja, se uma promessa é muito genérica e não pode ser cobrada de forma objetiva, ela não entra no levantamento.

As seguintes promessas foram consideradas:

  • Promessas feitas durante a campanha, ou seja, o que o candidato promete em discursos, entrevistas, planos de governo, enquanto ainda não foi eleito.
  • Promessas entre a eleição e a posse, desde que elas não signifiquem uma redução do que foi prometido na campanha.

Promessas cumpridas

Das 12 promessas cumpridas, quatro são compromissos econômicos assumidos por Bolsonaro. Dois deles se referem a tributos – “Não aumentar impostos” e “Não recriar a CPMF” – e foram cumpridos porque não houve, de fato, aumento de impostos nem a volta da CPMF.

Outra promessa fala em “Reduzir alíquotas de importação e barreiras não tarifárias”. A redução foi feita para maquinários e equipamentos industriais e para insumos do setor químico nos primeiros 100 dias do governo. Além disso, entrou em vigor em março o acordo de livre comércio de automóveis e veículos comerciais leves entre Brasil e México.

A quarta promessa (“Fazer com que os preços praticados pela Petrobras sigam os mercados internacionais”) também foi cumprida porque a estatal manteve a política de repassar as variações de preços dos combustíveis no mercado internacional, adotando intervalos entre os reajustes e usando mecanismos de hedge.

Há ainda promessas cumpridas que são de cunho administrativo, como o fim do Ministério das Cidades, que foi absorvido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional; a criação do superministério da Economia e a alteração da estrutura federal agropecuária, que envolveu a absorção de estruturas que antes estavam nas pastas do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social e da Casa Civil pelo Ministério da Agricultura, por exemplo.

Outra promessa que envolve a máquina pública é a da diminuição do número de servidores comissionados. O decreto nº 9.725/2019, publicado no dia 13 de março, estabeleceu o corte de 21 mil cargos, funções e gratificações do Executivo. De forma imediata, foram extintos 159 cargos, além de 4.941 funções e 1.487 gratificações.

É possível ver todas as promessas cumpridas e seus andamentos na página especial do projeto.

O andamento por área

As promessas de cunho econômico são as mais numerosas entre os compromissos de Bolsonaro levantados pelo G1. As quatro cumpridas e já citadas representam 24% do total (17), mas a maioria (59%) ainda não foi cumprida pela gestão. O Ministério da Economia destaca que a prioridade no momento é a aprovação da reforma da Previdência e que apenas após este momento o governo vai focar em outras propostas, como a reforma tributária e a criação da carteira de trabalho verde e amarela, por exemplo.

Há também um grande número de promessas da área de segurança pública; a maioria ainda não foi cumprida. Das 10 promessas, nove não foram cumpridas e uma foi cumprida parcialmente, a que fala em “reformular o Estatuto do Desarmamento”.

De fato, um decreto assinado por Bolsonaro em janeiro facilitou a posse de armas no país. O texto do decreto permite aos cidadãos residentes em área urbana ou rural manter arma de fogo em casa, desde que cumpridos os requisitos de ‘efetiva necessidade’, a serem examinados pela Polícia Federal. Já o porte, que é a autorização para o cidadão sair nas ruas armado, demanda alteração legislativa. Ainda não houve mudança nesse sentido.

Algumas das promessas, como a que fala em “garantir excludente de ilicitude para policiais e civis”, dependem da aprovação do pacote anticrime enviado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, ao Congresso.

Veja o andamento das promessas por cada uma das áreas:

 

As promessas de Bolsonaro por área — Foto: Igor Estrella e Juliane Souza/ Arte G1 As promessas de Bolsonaro por área — Foto: Igor Estrella e Juliane Souza/ Arte G1

As promessas dos políticos

A primeira página colocada no ar foi a da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015. Houve atualizações de 100 dias e de 1 ano das promessas feitas em campanha. Por conta do impeachment sofrido por Dilma em 2016, a página deixou de ser atualizada.

Na última atualização, feita com 1 ano de mandato, Dilma havia cumprido 6 das 55 promessas selecionadas pelo G1. Outras 24 foram cumpridas em parte. Além disso, 24 não foram cumpridas e uma não foi avaliada.

No caso do ex-presidente Michel Temer, a página levou em conta promessas específicas feitas por ele no documento “Uma ponte para o futuro”, em pronunciamento em maio após o afastamento de Dilma, no discurso de posse em agosto e em entrevista ao Fantástico.

Foram feitas medições aos 100 dias, no 1º ano de mandato, no 2º ano de mandato e ao final da gestão. Ele terminou o mandato com 7 das 20 promessas cumpridas. Três foram cumpridas em parte. As outras 10 não foram cumpridas.

Além dos presidentes, o G1 também acompanha as promessas de campanha dos governadores de todos os estados e do Distrito Federal e de todos os prefeitos das capitais.

Quais são os critérios para medir as promessas?

  • Não cumpriu ainda: quando o que foi prometido não foi realizado e não está valendo/em funcionamento.
  • Em parte: quando a promessa foi cumprida parcialmente, com pendências.
  • Cumpriu: quando a promessa foi totalmente cumprida, sem pendências.

Ou seja, se a promessa é inaugurar uma obra, o status é “cumpriu” apenas se a obra já tiver sido inaugurada; caso contrário, é “não cumpriu”. Se a promessa é construir 10 hospitais e 5 já foram inaugurados, o status é “em parte”. Se a promessa é inaugurar 10 km de uma rodovia e 5 km já foram entregues à população, o status é “em parte”.

Observação: há casos em que não é possível avaliar o andamento da promessa, e o status é dado como “não avaliado”.

“Sábado em Copacabana”, Nana Caymmi: Composição soberba do baiano Dorival Caymmi, sob medida para a perfeita interpretação da filha de voz inimitável e grande dignidade artística e pessoal.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

======================================

Sábado em Copacabana 
Composição: Dorival Caymmi e Carlos Guinle
 
Depois de trabalhar toda a semana Meu sábado não vou desperdiçar Já fiz o meu programa pra esta noite E sei por onde começar Um bom lugar para encontrar: Copacabana Prá passear à beira-mar: Copacabana Depois num bar à meia-luz: Copacabana Eu esperei por essa noite uma semana Um bom jantar depois de dançar: Copacabana Um só lugar para se amar: Copacabana A noite passa tão depressa, mas vou voltar se pra semana Eu encontrar um novo amor: Copacabana………

abr
11

Articulação contra o Coaf não vai prosperar

Por Claudio Dantas

O novo Antagonista: mais afiado, mais ágil, mais exclusivo

A articulação de deputados contra a manutenção do Coaf no Ministério da Justiça não deve prosperar.

Sergio Moro vai bater firme na fundamentação dessa mudança.

Primeiro, porque é necessário integrar melhor o órgão de inteligência sobre lavagem com órgãos de segurança pública.

Segundo, porque a ida do Coaf para o MJSP levou ao reforço do número de cargos e à criação de uma coordenação exclusiva para atender requisições.

abr
11
Diogo Antunes/Futura Press/Estadão Conteúdo

 

 Bombeiros fazem buscas por corpos no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) Imagem: Diogo Antunes/Futura Press/Estadão Conteúdo

A Defesa Civil de Minas Gerais informou na tarde desta quarta-feira,10,  que subiu para 225 o número de mortos identificados da tragédia com a barragem da mineradora Vale que se rompeu em Brumadinho em 25 de janeiro.

Segundo o órgão, 68 pessoas continuam desaparecidas e outras 395 foram localizadas.

Todo o trabalho de identificação é feito com um corpo de legistas da Polícia Civil do estado. Devido ao estado de decomposição e situação em que foram encontrados, eles estão sendo identificados por testes de DNA, o que demanda mais tempo.

O Corpo de Bombeiros ainda faz buscas no local, empregando em média 130 homens por dia, distribuídos em 24 frentes de trabalho.

A operação conta ainda com a utilização de mais de 100 máquinas para avançar sobre os resíduos.

Do  Jornal do Brasil

A Justiça militar determinou na tarde desta quarta-feira (10) a  prisão preventiva de 9 militares que metralharam o carro levando a morte do músico músico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, em Guadalupe, na Zona Oeste, do Rio. 

Decisão foi da juíza Mariana Campos, da 1ª auditoria da Justiça Militar, pela conversão da prisão temporária em preventiva de 9 dos 10 militares presos por participação na morte de Evaldo da Silva. 

O único que terá liberdade provisória será o soldado Leonardo Delfino. Ele é o único que, segundo os depoimentos, não atirou no carro. 

Durante os depoimentos, os nove militares admitiram terem atirado. 

Macaque in the trees
Carro foi atingido por 80 tiros disparados por militares (Foto: reprodução redes sociais)

O veículo da família de Evaldo foi atingido por mais de 80 tiros de fuzil em Guadalupe, disparados pelos militares que estavam em uma operação do Exército, no último domingo (7). 

Advogado pedirá transferência do caso Evaldo para a Justiça comum

Foi enterrado no fim da manhã de hoje (10) o músico Evaldo dos Santos Rosa, morto por homens do Exército no domingo (7), em Guadalupe, quando ia com a família para um chá de bebê. O carro dirigido por Evaldo foi alvejado por 80 tiros de fuzil. O músico foi atingido por três tiros e morreu na hora. O sepultamento ocorreu no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na zona oeste do Rio de Janeiro, e foi acompanhado por centenas de pessoas. A viúva, Luciana dos Santos, precisou ser amparada para acompanhar o caixão.

O advogado João Tancredo, que representa a família de Evaldo, disse que vai pedir a transferência do caso, que está sob responsabilidade da Justiça Militar, para o Tribunal do Júri, para dar mais transparência às investigações.

“Nós pretendemos forçar, de todas as maneiras, que ele vá para a Polícia Civil, para apuração da Justiça estadual. É um crime doloso contra a vida, é competência do Tribunal do Júri. Não estou dizendo que não quero que fique com a Justiça Militar porque eles são desonestos, eu estou dizendo que eles são corporativos. Vão fazer uma visão corporativa de um determinado fato. Isso está errado, o julgamento tem que ser independente. E a visão independente é de quem não participou”.

Segundo Tancredo, o embasamento para pedir a mudança de competência é da Lei 13.491, de 2017, que altera o Código Penal Militar. “A lei fala de militares em missão. Ali eles não estavam em missão, a não ser que a missão do Exército seja matar. Não era uma missão, eles estavam ali parados até de forma irregular e cometeram o crime. Por essa singela razão, esse crime não é da competência da Justiça Militar”.

O advogado lembrou que houve uma tentativa dos envolvidos de incriminar as vítimas, afirmando que eles teriam respondido a uma injusta agressão.

“Vamos admitir que fossem bandidos dentro do carro. Cadê a injusta agressão? Não teve tiro nenhum! Depois começaram a mexer no veículo pra ver se tinha arma. Os familiares falaram ‘está sendo filmado, não coloca nada aí não’. Porque ainda tem esse risco, olha que história, você é vítima de uma atrocidade e tem que começar a promover a sua defesa. Isso é o fim do mundo! Não sabemos mais o que fazer diante disso. E atinge a camada menos favorecida da população”.

Indenização

Segundo ele, a União será acionada para indenizar a família, que perdeu seu provedor. “A indenização a gente vai entrar com ação amanhã (11). O motivo é que a família está inteiramente desprotegida. O Evaldo era provedor dessa família, até que saia uma pensão da Previdência. Ele tinha um trabalho que não era registrado, a família não vai receber esse valor. A gente quer também o tratamento psicológico. A gente vai exigir da União, não é com o Exército, que não tem legitimidade pra responder a uma ação, quem responde é a União”.

O sogro de Evaldo, Sérgio, que estava no banco do carona, foi baleado nas costas e está internado no Hospital Albert Schweitzer. A direção do Hospital Estadual Carlos Chagas informou que Luciano Macedo, outro baleado, catador de material reciclável, que vive em situação de rua e está com a esposa grávida de cinco meses, apresenta estado de saúde grave. Ele foi ferido ao tentar ajudar os atingidos no carro.

Dos 12 homens do Exército que participaram da ação, dez foram presos em flagrante na segunda-feira (9).

Rio de Paz

A organização não governamental (ONG) Rio de Paz promoveu um ato em homenagem a Evaldo, com 80 bandeiras do Brasil furadas e marcadas com tinta vermelha, na comunidade do Muquiço, onde ocorreu o crime. Para o presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, a morte de Evaldo foi um “ataque aos valores mais importantes da democracia, valores que não se negociam”.

“Estamos certos de que os soldados não queriam matar inocentes, nós lamentamos pela vida deles, destruídas, isso em razão de uma cultura presente no nosso país que é fomentada, lamentavelmente, por autoridades públicas, que estimulam o atire primeiro para saber quem é depois”.

Segundo ele, os familiares da vítima estão destroçados, com a esposa inconsolável e o filho de 7 anos se recusando a voltar para casa sem a companhia do pai. Costa ressaltou também que esse tipo de ação do Exército jamais ocorreria em uma região mais rica da cidade.

Do Jornal do Brasil

 

Fernando Azevedo e Silva classificou o assassinato do músico como um ‘incidente lamentável’ e que será apurado pela Justiça Militar.

  O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou nesta quarta-feira (10), que o assassinato do músico Evaldo dos Santos por militares foi um “incidente lamentável” e que será apurado pela Justiça Militar. “Vamos apurar e cortar na carne”, disse o ministro.

“Eu acho que foi um acidente lamentável, triste, triste, mas um contexto isolado”, afirmou ele. “E será apurado até as últimas consequências. A Justiça Militar é uma justiça célere.”

Macaque in the trees
Ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva (Foto: Fernando Azevedo | Agência Brasil)

O ministro afirmou que os militares envolvidos no episódio foram presos após apuração conjunta com a Polícia Civil, por descumprirem as normas do Exército.

“Está sendo apurado, é a primeira coisa que foi feita. Ouviram todos os envolvidos a noite inteira, e constataram que eles não seguiram as normas regulamentares, foram presos por não seguir as normas”, disse.

O ministro falou durante reunião da comissão de Relações Exteriores, presidida por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro,

Ele foi questionado sobre a ação do Exército que resultou na morte do músico. O carro da família foi alvejado por 80 tiros de uma equipe do Exército em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro, no domingo (7).

O primeiro-ministro conservador tem vantagem apertada sobre o moderado com 97% dos votos apurados

 Juan Carlos Sanz
Jerusalém

Nas eleições mais disputadas de Israel na última década, os resultados apontam para um empate técnico com 97% dos votos apurados. O primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu teria obtido 35 das 120 cadeiras do Parlamento, assim como seu rival centrista, o ex-general Benny Gantz. Desta forma, a Assembleia fica fragmentada entre outros dez partidos, mas a projeção da soma de forças da direita aponta para um novo Executivo de coalizão liderado por Netanyahu e apoiado por cerca de 65 cadeiras. Os dois candidatos proclamaram a vitória antes da meia-noite, quando os primeiros resultados oficiais ainda não tinham sido divulgados. “Ganhamos. Os cidadãos disseram a última palavra”, proclamou Gantz após a publicação de pesquisas. “Como líder do partido mais votado, reivindico o direito a dirigir a formação de Governo”, anunciou. “O bloco conservador obteve uma vitória clara”, replicou Netanyahu pouco depois, mostrando-se disposto a formar um novo Governo imediatamente.

 
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu após as prévias do resultado das urnas
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu após as prévias do resultado das urnas AFP

“Saiam da água e votem em mim”, foi a mensagem lançada pelo primeiro-ministro àqueles que aproveitavam o semiferiado do dia da eleição em uma praia em Netanya, ao norte de Tel Aviv. O líder do Likud continuou incansavelmente sua campanha até o último minuto. “Se vocês querem que o Likud e eu continuemos governando, têm de ir às seções eleitorais antes de vir para a praia”, repreendeu os banhistas “ou amanhã acordarão com um primeiro-ministro de esquerda”.

Com escolas, fábricas e escritórios fechados, muitos israelenses foram para as praias em um dos primeiros dias quentes e ensolarados depois de um inverno anormalmente longo no Oriente Médio. A participação, que às 18h, quatro horas antes do fechamento das seções eleitorais, era de 52% dos 6,3 milhões de eleitores inscritos, foi quase três pontos inferior à das legislativas de 2015, em que a taxa de comparecimento final às urnas ficou perto de 72%.

Netanyahu, de 69 anos, no poder de forma ininterrupta desde 2009, voltou no início da tarde a Jerusalém e reuniu sua equipe de crise eleitoral. Então deu seu habitual tiro de partida à jornada de votação para mobilizar os indecisos da direita. Se em 2015 a voz de alarme foi a mensagem de que os árabes estavam votando “em massa” diante da abstenção dos judeus, desta vez o grito de alerta foi a previsão de uma guinada à esquerda, a favor do principal candidato da oposição .

O ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, o tenente-general Benny Gantz, de 59 anos, não é o esquerdista que Netanyahu descreveu em suas mensagens de campanha, mas um centrista moderado, partidário de uma negociação com os palestinos que pouco altere o status quo da ocupação e dono de certa consciência econômica e social, diante do neoliberalismo que caracteriza o Likud. Enquanto o primeiro-ministro parece contar, em princípio, com o apoio de mais de 60 deputados para forjar uma coalizão governamental, seu rival centrista não atinge a maioria absoluta.

Num futuro Parlamento fragmentado, com uma dúzia de partidos disputando o poder — a maioria deles com menos de 5% dos votos nacionais — e em que as duas formações majoritárias rondam os 30% dos votos, as combinações possíveis para governar se tornam uma verdadeira cabala. Na terra de tradição mística judaica, esse arcano parece superar todos os institutos de pesquisas, que foram precavidos durante a campanha, com previsões cautelosas.

O bloco de centro-esquerda, agora liderado pela aliança centrista Azul e Branco do ex-general Gantz, agrupa os trabalhistas, uma força que perdeu espaço e deve obter um terço das cadeiras que conquistou em 2015, em uma catástrofe política que deve ser atribuída ao seu último líder, Avi Gabbay. A esquerda pacifista do Meretz, parece ter garantida sua presença no Knesset ao sobreviver, com apenas cinco cadeiras, ao limite da irrelevância.

A oposição sionista de centro-esquerda não aceitará de maneira alguma formar um Governo com os partidos árabes — Haddas-Taal (sete cadeiras) e Balad (que está à beira da exclusão) — que questionam o caráter judaico do Estado, mas pode aceitar seu apoio externo, especialmente depois de terem contribuído para bloquear uma eventual posse de Netanyahu. A taxa de participação nos municípios com maioria de população árabe estava, perto do fechamento das seções eleitorais, em níveis mínimos históricos, de acordo com a imprensa hebraica, depois de ter atingido seu máximo em 2015, com dois terços dos eleitores inscritos.

Na Cisjordânia, o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, disse que as pesquisas mostravam que “os israelenses disseram não à paz e sim à ocupação”, já que “somente 18 dos 120 membros da nova Câmara apoiam a solução dos dois Estados”, isto é, um Estado Palestino independente.

São vários os elementos desestabilizadores que comprometem a formação de Governo depois das eleições. A fragmentação das coalizões possíveis indica que as exigências dos partidos minoritários se tornarão despropositadas, tanto em ministérios quanto em orçamentos, muito acima de sua representação real. A alternativa, da qual ninguém quer falar por enquanto em Israel, é uma grande coalizão segundo o modelo alemão entre Netanyahu e Gantz.

O bloco conservador, liderado pelo Likud de Netanyahu, reúne meia dúzia de partidos de extrema direita, nacionalistas religiosos, colonos defensores intransigentes da ocupação e piedosos ultraortodoxos. A previsão de chantagem política contínua é particularmente credível no campo da direita, no qual os partidos ultraortodoxos — União pela Torá e o Judaísmo (judeu asquenaze, sete cadeiras) e Shas (sefardita ou oriental, sete deputados) — costumam sugar recursos para suas instituições religiosas e centros educacionais. O partido Israel, Nossa Casa também beirava a exclusão. Liderado pelo ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores Avigdor Lieberman, defende somente os interesses da comunidade de origem russa — laica, mas ultraconservadora. Por sua vez, a União de Partidos de Direita (cinco cadeiras), na qual prevalecem os colonos religiosos da Cisjordânia, incorporou o partido Força Judaica, herdeiro do partido racista Kach, proscrito há três décadas e caracterizado pela violência contra os palestinos defendida por seu chefe de fileiras, o rabino Meir Kahane.

O partido Nova Direita — codirigido pelo ministro da Educação Naftali Bennett, e pelo titular da Justiça, Ayelet Shaked, ambos ex-dirigentes do Likud — entrará sem reservas na coalizão governamental se superar o limite de 3,25% dos votos. Este não é o caso dos centristas moderados e reformistas do Kulanu (quatro cadeiras), cujo líder, o ministro das Finanças, Moshe Kahlon, pode oscilar entre o bloco conservador e o de centro-esquerda, dependendo das contrapartidas que obtiver em troca de seu apoio.

Kahlon, também procedente do Likud, se inclinará previsivelmente a repetir sua aliança atual com Netanyahu. A grande incógnita era a do líder do Zehut, Moshe Feiglin, que finalmente foi expulso da corrida por não ter superado o limite mínimo. O dirigente do Zehut aderiu posteriormente a um ultraliberalismo próximo da supressão do Estado. Além da descriminalização do consumo de maconha, durante a campanha havia exigido o ministério das Finanças como condição sine qua non para apoiar a coalizão governamental, o que pode ser decisivo para a formação do Governo. Metade da população admite ter fumado derivados de cannabis ao menos uma vez na vida, apesar de ser proibido e penalizado.

abr
11
Posted on 11-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-04-2019



 

S. Salvador foi publicada em

 

 
 

Por João Borges

Comentarista da GloboNews. Trabalhou em ‘O Estado de S. Paulo’, ‘O Globo’ e Banco Central

Presidente Jair Bolsonaro discursa em jantar com embaixadores de países islâmicos — Foto: Alan Santos/PR Presidente Jair Bolsonaro discursa em jantar com embaixadores de países islâmicos — Foto: Alan Santos/PR

Presidente Jair Bolsonaro discursa em jantar com embaixadores de países islâmicos — Foto: Alan Santos/PR

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, afirmou ao blog que, no jantar desta quarta-feira (10) com o presidente Jair Bolsonaro, os embaixadores de países islâmicos ficaram satisfeitos com as explicações dadas pelo governo brasileiro. Com isso, avalia Martins, o “mal-entendido” agora é “página virada”.

O jantar aconteceu dez dias após Bolsonaro anunciar, durante visita a Israel, a abertura de um escritório comercial na cidade de Jerusalém.

A decisão, segundo a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deixou os países árabes incomodados com o Brasil.

De acordo com João Martins, no jantar, foi colocado que os produtores brasileiros têm o objetivo de manter e ampliar os negócios com os países islâmicos.

O presidente da CNA informou ainda que participaram 37 embaixadores e foi dito na reunião que o Brasil produzirá, em 10 anos, 300 milhões de toneladas de grãos.

Acrescentou, também que as exportações de grãos devem ser direcionadas principalmente aos países islâmicos, asiáticos e africanos.

  • Arquivos