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Posted on 09-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-04-2019

Do Jornal do Brasil

 

O Exército determinou hoje (8), no Rio de Janeiro, a prisão de dez dos 12 militares que estavam na guarnição envolvida em disparos contra um carro ontem na zona oeste do Rio, que terminou com um morto e dois feridos.

Segundo o Comando Militar do Leste (CML), eles foram presos em flagrante por descumprimento das regras de engajamento.

De acordo com o CML, foram constatadas inconsistências entre os fatos inicialmente reportados pelos militares envolvidos e as informações que chegaram posteriormente ao Exército.

As prisões foram determinadas depois de depoimentos dos militares envolvidos no episódio à Delegacia de Polícia Judiciária Militar e ao Ministério Público Militar.

Inicialmente, o CML informou que a guarnição circulava pelo bairro de Guadalupe quando se deparou com um assalto e foi atacada por criminosos. E que, por causa disso, atirou contra os assaltantes. Segundo essa primeira nota divulgada na tarde de ontem pelo Exército, o homem que morreu e o que ficou ferido eram assaltantes.

Uma terceira pessoa, um pedestre, foi atingido durante o tiroteio, segundo ainda a primeira nota do Exército.

A Polícia Civil, no entanto, depois de fazer uma perícia no local, informou que não havia assaltantes no carro e que as duas vítimas eram integrantes de uma família que estava no veículo. O homem que morreu foi identificado como Evaldo dos Santos Rosa e o ferido que estava no carro seria seu sogro. Evaldo tinha 51 anos e era músico.

Além deles, estavam no carro a mulher de Evaldo e uma criança, que não ficaram feridas.

De acordo com a última nota divulgada pelo CML, os militares presos estão à disposição da Justiça Militar, que realizará a audiência de custódia e decidirá se manterá ou não a prisão.

“O Exército Brasileiro reitera seu estrito compromisso com a transparência e com os parâmetros legais impostos pelo Estado de Direito ao uso legítimo da força por seus membros, repudiando veementemente excessos ou abusos que venham a ser cometidos quando do exercício das suas atividades”, finaliza a nota.

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Opinião
Moradores e militares no local onde Evaldo dos Santos Rosa foi morto, em Guadalupe, Rio de Janeiro.
Moradores e militares no local onde Evaldo dos Santos Rosa foi morto, em Guadalupe, Rio de Janeiro. Fabio Teixeira AP

Fez bem a cúpula do Exército ao prender em flagrante, sem esperar, 10 dos 12 militares que na tarde do domingo alvejaram com 80 disparos de fuzil um carro onde viajava uma família inteira, com uma criança de 7 anos e uma menina de 12. O tiroteio acabou com a vida do músico Evaldo Rosa dos Santos e podia ter culminado no massacre de uma família inteira, em Guadalupe, área pobre da Zona Norte do Rio. O pequeno, filho do assassinado, continua gritando desconsolando: “O que fizeram com meu pai!”.

O Exército vive no Brasil um momento delicado e de algum modo decisivo. Com a chegada do ultradireitista capitão reformado Jair Bolsonaro à Presidência da República, entrou com força no novo Governo, com um terço dos ministros e um total de 103 militares em cargos importantes da administração. É algo inédito desde os tempos da ditadura.

Há quem já o descreva como um “governo militar” que chega ao poder pelos canais da democracia, o que não impede que, se esse governo fracassar, arrastará consigo a credibilidade do Exército. Algo que já começa a aparecer como possível, dada a queda vertical de popularidade de Bolsonaro em apenas 100 dias de governo. Nenhum outro presidente da democracia tinha visto seu prestígio desabar tão radicalmente em tão pouco tempo. Brincadeira ou não, não há dúvida de que os militares enxertados no Governo não gostaram da afirmação de Bolsonaro aos jornalistas: “Não nasci para ser presidente”. Mais ainda, contou que “nunca podia imaginar chegar a tanto”. Com essa baixa autoestima, que encerra o medo de não estar à altura do cargo, não é estranho que os militares, de quem se diz que passaram a “tutelar” o presidente, se sintam a cada dia mais preocupados.

Isso é ainda mais grave no momento em que 60% dos brasileiros, segundo a última pesquisa Datafolha, veem com bons olhos a presença dos militares no governo. Daí a que o Exército tenha a última palavra caso a Presidência entre em uma zona de perigo vai muito pouco.

Por isso o episódio sangrento do domingo, em que se envolveram 12 militares que atacaram com 80 disparos um carro com pessoas humildes e inocentes, que iam felizes comemorar uma festa de família, está sendo analisado como algo sintomático, possível fruto de uma política incrustada no Governo de caça aos bandidos a qualquer custo, sob o lema de que ”bandido bom é bandido morto”. Algo que contradiz a legislação das grandes democracias, onde as forças da ordem são castigadas sempre que fica demonstrado que um delinquente foi assassinado quando podia ser detido vivo. No Brasil, além disso, não existe a pena de morte. E aqui não importa se os exterminados afinal eram ou não bandidos.

Está sendo criado um clima, com o pretexto de exterminar a violência urbana, de que vale tudo, que nenhuma vida deve ser poupada se isso contribuir para a eliminação do perigo. As pessoas não contam. O caráter sagrado da dignidade humana, o maior valor da criação, é negado e pisoteado com desprezo. Matar vira um jogo. Não é mais obra da psicopatia. É o que a filósofa alemã Hannah Arendt cunhou em sua famosa obra A Banalidade do Mal. Segundo ela, uma das maiores analistas do Holocausto judaico, não é preciso ser psicopata para perpetrar um crime, por mais grave e monstruoso que seja. Basta entrar no que ela chama “a engrenagem do totalitarismo” para justificar tudo, como fizeram os criminosos do nazismo. Eles só cumpriam ordens, eram peças do sistema.

É algo que, de algum modo, começamos a ver no Brasil no âmbito da luta contra a violência. Não importam os meios usados, não interessa a verdade dos fatos, nem as leis que regem a convivência e colocam a defesa do inocente acima de tudo. Interessa ser fiéis à ideia, à ideologia. A pessoa como fim em si mesma deixa de existir. Prevalece a obediência ao sistema. Todo o resto são números, fichas, como nos campos de extermínio.

Se essa filosofia de combate à violência e de fidelidade ao sistema totalitário — neste caso ao novo Governo extremista de Bolsonaro — acabar contagiando o Exército, o problema do Brasil poderia atingir extremos que ainda não imaginamos. Não se pode esquecer, embora a legião de bolsonaristas tente negar, que foi o Exército que manteve durante 20 anos o país sob um regime de exceção no qual o sangue correu e as torturas se multiplicaram. Goste-se ou não, foi um regime totalitário, onde, como no pensamento de Arendt, tudo estava permitido, sem sentir remorso, porque o indivíduo era apenas a peça de um sistema que assim lhe pedia. Era preciso obedecer. Explica-se assim a falta de remorso dos verdugos da ditadura e sua incapacidade de pedirem perdão.

O Exército brasileiro tem consciência dos anos de chumbo e de terror, cujo 55º aniversário não quis celebrar. Prefere esquecer o sangue derramado de então. Quer, com sua presença democrática no Governo, redimir-se de suas atrocidades passadas. Se assim for, deve continuar contendo a mão de quem sente saudades dos tempos de horror e medo. Porque, além disso, a sociedade brasileira hoje, até a sua parcela mais humilde, tomou consciência de sua dignidade e grita contra a violência gratuita. Basta recordar as palavras bradadas por um dos presentes ao lado do carro alvejado no domingo no Rio: “Olhem o que esses filhos de puta fizeram. Nós somos trabalhadores, vocês são assassinos”.

Os militares brasileiros, que tentam se redimir de um passado em que mancharam o país de sangue e morte, não podem deixar de refletir e de se assustar com o fato de gente trabalhadora e anônima desta vez não ter medo de chamá-los de “assassinos” à luz do sol.

“A Byciclette”, Yves Montand: Yves Montand – Vídeo da extraordinária performance de cantor e ator de Montand, no espetáculo apresentado no Olympia,  de Paris, em 1981. Uma preciosidade para ver, ouvir e jamais esquecer.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

“Já assistiu aqueles filmes norte-americanos com agentes policiais disfarçados?”

  “Já assistiu aqueles filmes norte-americanos com agentes policiais disfarçados infiltrando-se em gangues de criminosos, traficantes ou corruptos?”. Foi assim que o ministro da Justiça e segurança pública Sérgio Moro começou a explicar seu pacote anticrime no Twitter, neste domingo, 7. Moro fez uma “thread”, uma sequência de tuítes, para falar sobre seu projeto de lei relacionado ao combate ao crime organizado e aos crimes violentos. Na primeira mensagem, Moro menciona que são “medidas simples e eficazes contra o crime”.

O ministro cita dois filmes policiais americanos para exemplificar uma das propostas de seu pacote. Produção de 1997, Donnie Brasco retrata um policial dos anos 70 infiltrado na máfia. Já The Infiltrator, que no Brasil teve como nome Conexão Escobar, é um filme de 2016 no qual um oficial americano, também em uma operação infiltrada, revela um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o narcotraficante Pablo Escobar.

Macaque in the trees
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Segundo Moro, é preciso “deixar a lei brasileira mais clara” para que os policiais brasileiros possam se infiltrar em organizações criminosas. Na sequência, Moro compara como essa atividade policial é interpretada na legislação atual e como seria se seu pacote fosse aprovado.

De acordo com o ministro, esse tipo de atuação da policia poderia “revelar grandes esquemas”. Moro destacou que se as operações infiltradas funcionam no exterior, vão funcionar no Brasil. O ministro disse ainda que capacitará os policiais para tais atividades.

Sérgio Moro estreou no Twitter na Quinta-feira passada, dia 4, para defender o projeto de lei anticrime encaminhado ao Congresso e outras medidas do governo. O ministro diz que se inscreveu na rede social “pois é um instrumento poderoso de comunicação”. Após seus primeiros “tuítes”, o ex-juiz recebeu manifestações de apoio e críticas e serviu de inspiração para diferentes memes.

 
Abraham Weintraub e Onyx Lorenzoni, durante o governo de transição.

 Abraham Weintraub e Onyx Lorenzoni, durante o governo de transição. Rafael Carvalho Casa Civil
São Paulo 

 

Um professor universitário contra o “marxismo cultural”, que trata seus opositores como inimigos, especialista em Previdência social, que passou pelo mercado financeiro, mas nunca gerenciou nada na área educacional. Foi aluno de Olavo de Carvalho – o ideólogo do bolsonarismo. Esse é o novo ministro da Educação, o economista Abraham Weintraub. Ao lado de seu irmão, o advogado e professor Arthur Weintraub, administrou o Centro de Estudos em Seguridade e prega a bandeira ideológica e conservadora do Governo Jair Bolsonaro (PSL). Chega ao cargo com o desafio de administrar uma “terra arrasada” deixada por seu antecessor Ricardo Vélez. Entre idas e vindas,  Vélez demitiu mais de dez assessores e quatro secretários-executivos, além de não conseguir dar andamento a quase nenhum projeto em pouco mais de três meses de gestão.

Aos 47 anos de idade, Abraham Weintraub é professor universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desde 2014. Dois de seus colegas consultados pela reportagem disseram que ele teve uma passagem discreta pela universidade porque parecia se dedicar mais aos seus projetos pessoais do que à academia. Em 2014, apoiou a campanha presidencial de Marina Silva (REDE). Antes de abraçar a carreira acadêmica, Abraham atuou no Banco Votorantim e na Quest Corretora.

A aproximação dos irmãos Weintraub com presidente se iniciou há quase dois anos, por intermédio de Onyx Lorenzoni (DEM), o ministro da Casa Civil. Ao mesmo tempo ganhou a confiança do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho mais novo do presidente. Em princípio, Abraham atuaria no ministério da Economia como um dos responsáveis por elaborar a reforma da Previdência. Mas o ministro Paulo Guedes preferiu nomear alguém com experiência legislativa para a função de secretário especial de Previdência e Trabalho. Afinal, era necessário convencer parlamentares sobre a necessidade de se aprovar a reforma. Assim, a vaga ficou com o ex-deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN). Abraham acabou, então, na secretaria executiva da Casa Civil. Enquanto isso, o irmão dele, Arthur, tornou-se chefe da assessoria especial da Presidência da República.

Na Cúpula Conservadora das Américas no ano passado, evento promovido pelo deputado Eduardo, Abraham chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sicofanta (mentiroso), disse que o ex-ditador cubano Fidel Castro era um playboy e que o petismo não estava morto, por isso teria de ser combatido. “Quando caiu o muro de Berlim, teve um monte de goiaba que falou: agora o comunismo acabou. Agora, que o Jair Bolsonaro ganhou, tem muita gente dizendo que o PT está derrotado, que podemos ficar tranquilos. Não, não podemos”. Ressaltou, ainda, lições de Carvalho, caso seus colegas professores passassem criticá-los por serem de direita. “A gente adaptou a teoria do Olavo de Carvalho de como enfrentar eles [comunistas] no debate intelectual. Não precisa mandar pastar. Quando eles falam, a ciência é burguesa, então vá embora daqui porque aqui é o templo da ciência, seu religioso”.

Nessa segunda-feira, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, disse que não precisa seguir na íntegra o que o ideólogo sugere. “Ele tem ideias muito boas, mas não sigo ipsis litteris tudo o que ele fala. Não é porque gosto de música clássica que não escute rock and roll de vez em quando”. Dentro do MEC, contudo há a expectativa do retorno de boa parte dos olavetes que foram demitidos nas últimas semanas por Ricardo Vélez. Outras declarações do ministro também já provocam repercussão negativa, como a de que “crack foi introduzido de caso pensado no Brasil”. “Em vez de as universidades do Nordeste ficarem aí fazendo sociologia, fazendo filosofia no agreste, [devem] fazer agronomia, em parceria com Israel”, disse ele no ano passado, em uma transmissão ao vivo citada no UOL. 

Os desafios na pasta

Entre seus desafios na pasta está a impressão e organização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), já que a gráfica que faria o trabalho declarou falência, e a definição de uma agenda na área de educação básica e a aproximação de áreas sensíveis, como ciência e tecnologia.

Desde que Vélez começou a perder força no cargo, há quase duas semanas, uma lista de nomes foi sugerida ao presidente. Além de Abraham, outros dois corriam por fora. O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) foi defendido pela bancada evangélica e o empresário e consultor em educação Stravos Xanthopoylos foi sugerido por membros do mercado educacional. O que pesou na escolha do presidente foram seus dois padrinhos Olavo e Onyx. Ambos foram consultados por Bolsonaro e a decisão anunciada nesta segunda-feira.

A troca foi vista de maneira positiva por apoiadores de Bolsonaro. “O MEC precisa de um bom gestor e não de um ideólogo do atraso, que defenda a revolução contramarxista do século XIX”, afirmou o cientista político Antonio Testa, um antigo colaborador do presidente na área de educação. Segundo ele, Abraham é um técnico capaz de gerenciar a pasta com o segundo maior orçamento do Governo, com 115 bilhões de reais.

Outros especialistas, contudo, entendem que a troca não deverá surtir efeito no Governo. Entendem, por exemplo, que é necessário empossar alguém com experiência na área educacional. “Todo esse jogo de cena, trazendo para o MEC pessoas completamente alheias ao sistema educacional tem como objetivo o desmonte”, afirmou o sociólogo César Callegari, ex-membro do Conselho Nacional de Educação e presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada.

Na opinião de Callegari, o papel de Abraham será o de defender os planos do ministério da Economia de desvincular a educação do orçamento da união. Conforme a Constituição, o Governo federal tem de investir 18% de seu orçamento em educação, enquanto que as gestões estaduais e municipais são obrigadas a gastar 25%. Uma proposta de emenda constitucional deverá ser enviada nas próximas semanas revisando esses percentuais.

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Posted on 09-04-2019
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Sponholz, no

 

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Posted on 09-04-2019
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Guedes: reforma trata igualmente gari e deputado

 

Paulo Guedes afirmou hoje que, se a reforma da Previdência enviada pelo governo Jair Bolsonaro for aprovada, um gari e um deputado se aposentarão sob as mesmas condições, registra o UOL.

O ministro da Economia voltou a dizer que o regime previdenciário no Brasil é uma “fábrica de privilégios e desigualdades”.

“O Brasil ainda não envelheceu e já quebrou a Previdência. Com a nossa reforma, um gari ou um deputado vão terminar do mesmo jeito.”

Guedes afirmou ainda que, depois da redemocratização, o governo direcionou corretamente recursos para saúde e educação –mas isso criou um problema fiscal.

“Gastar o dinheiro em saúde e educação é virtuoso. Mas esse recurso carimbado é mesmo o que a gente quer? A indexação dos salários em um tempo de inflação foi virtuosa. Hoje não é mais.”

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