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Postado em 06-04-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 06-04-2019 00:19

DO CORREIO24hORAS
Enterro aconteceu às 16h na Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa de Quintas

“Me puseste uma brasa no peito e uma flecha na alma/ é difícil agora viver sem lembrar-me de ti…”, foi cantando os versos de ‘Te Amarei, Senhor’, um dos sucessos de padre Zezinho, que 20 representantes do clero entraram na igreja para celebrar a missa de corpo presente de padre Pinto, em São Caetano, na tarde desta sexta-feira (5). O enterro foi logo depois, na Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa de Quintas.

Alguns minutos antes da cerimônia começar, um temporal ameaçava cair sobre o bairro, mas, mesmo assim, a Paróquia São Caetano da Divina Providência ficou lotada. A missa foi presidida pelo bispo auxiliar Dom Marco Eugênio Galrão, que destacou a morte como uma passagem para a vida eterna. O padre José de Souza Pinto, 72 anos, morreu nesta quinta-feira (4). 

Fiéis lotaram a igreja para se despedir do padre (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

A prima e madrinha de padre Pinto assistiu à missa e contou que desde a adolescência ele demonstrava interesse pela religião. Ele começou a rezar o terço durante as novenas na casa dos vizinhos, influenciado pela mãe, que também era religiosa.

“Ele era uma pessoa maravilhosa. Sempre foi muito generoso, culto e gostava de ajudar as pessoas. Uma vez meu sobrinho perguntou por que ele quis ser padre e ele respondeu e disse que nasceu para isso”, afirmou a mulher, uma senhora idosa que, com um terço nas mãos, pediu para não ser identificada.

Ela contou que esteve com padre Pinto no dia 23 de março, data do aniversário dele, e que o religioso estava bem. “Ele estava alegre, como sempre. Conversamos bastante e ele parecia realmente estar bem”.

Segundo ela, o padre sofreu uma queda essa semana e a pancada na cabeça provocou uma hemorragia que o levou a óbito. Pinto era filho único de uma dona de casa e um funcionário da Petrobrás, e não tinha outros parentes próximos.

Padre Pinto era conhecido pela alegria de viver (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

A Arquidiocese de Salvador informou, em nota, que o padre vinha apresentando um quadro de saúde fragilizado, devido à situação cardiológica, hipertensa, e pelo quadro de transtorno bipolar. Ele teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em novembro do ano passado. A igreja disse também que ele manteve sempre um acompanhamento regular seja do quadro clínico, seja do quadro psiquiátrico.

“Porém, com o passar dos anos o seu quadro de saúde foi se debilitando e oscilando entre períodos de estabilidades e momentos de alterações, mais precisamente no último ano, este quadro de oscilação se apresentou com mais frequência, sempre com devido acompanhamento. Na última semana a situação se agravou bastante e depois de ser internado na quarta feira veio a óbito na tarde de ontem (4)”.

A cerimônia desta sexta foi marcada por muitos abraços, lágrimas e palavras de conforto. O caixão foi posto no centro da igreja, aberto na frente do altar, e deu origem a um vai e vem dos fiéis que queriam dar o último adeus ao religioso.

Para facilitar a movimentação, as três portas que dão acesso ao templo, duas na lateral e uma na frente da igreja, ficaram abertas para receber o público. Pela primeira vez, o padre que era conhecido pelos sermões bem humorados, a criatividade e irreverência, fez os fiéis chorarem.

Antônia Lima, 67 anos, frequenta a paróquia da Lapinha, onde padre Pinto foi pároco por mais de 30 anos, há mais de 10 anos e lembra com saudade das cerimônias presidida pelo religioso. “Ele tinha um jeito diferente dos outros padres de rezar a missa. Era mais alegre, mais brincalhão, mas sempre falando da palavra. A igreja sempre ficava lotada”, contou.

Cemitério ficou pequeno para a despedida (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

A celebração desta sexta não tinha as cores que o padre Pinto tanto adorava nem fugiu ao tradicionalismo que ele tentava colorir, mas quem o conhecia garantiu que ele ficaria feliz. “Ele era um homem muito generoso. Tenho certeza de que está feliz”, contou a dona de casa Alcinda Souza, 55 anos.

O corpo deixou a igreja por volta das 15h, e seguiu para o sepultamento no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa de Quintas. Foram necessários dois ônibus para levar os fiéis até o local.

A capela do cemitério ficou pequena para a quantidade de público, e muitas pessoas assistiram ao final das homenagens do lado de fora. O caixão foi retirado do carro da funerária sob aplausos e levado para o interior da capela onde cânticos e orações encerraram as homenagens para o padre. Eram tantos fiéis que foi preciso organizar uma fila. O corpo foi sepultado por volta das 16h30, sob aplausos.

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