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06
Posted on 06-04-2019
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Claudio, no jornal

 

Resultado de imagem para Bolsonaro com Netanyahu no Muro das Lamentações
Netanyahu com Bolsonaro em Israel: abraços e sinais de capitães mandatário…
Resultado de imagem para Nana Caymmi a filha de seu Dorival entrevista na na Folha

…e Nana Caymmi, a filha de seu Dorival , na Folha como o diabo gosta e cantando Tito Madi

 

ARTIGO DA SEMANA

 

Acenos de Capitães: Evangélicos, empresários, Brumadinho e Jerusalém

Vitor Hugo Soares

Os acenos e signos disparados, dia 1º de abril, pelos capitães mandatários do Brasil e de Israel – Jair Bolsonaro e Benjamin Netanyahu  – , diretamente do Muro das Lamentações, em Jerusalém, evocam no jornalista, antigas e marcantes recordações. Refiro-me ao período em que fazia, ao mesmo tempo, os cursos de Jornalismo e Direito, na Universidade Federal da Bahia (UFBa), quando eu era jovem e isso era possível, nos Anos 60/70 dos combates estudantis à ditadura e à Reforma Universitária “do abaixo o projeto MEC-USAID”, como gritávamos nas ruas de então.

Ninguém me contou, eu estava lá, eu vi. E os dias eram assim, acrescento, misturando o que escreveu o jornalista Sebastião Nery, na apresentação do livro “Rompendo o Cerco” (dos melhores e mais decisivos pronunciamentos de Ulysses Guimarães, das 100 melhores frases selecionadas por dona Mora e do Decálogo do Estadista, do timoneiro das grandes batalhas da resistência democrática na época) com os versos da canção famosa que  Elis Regina consagrou, sobre aquele período turvo.

“Mas quando me lembro, são anos dourados”, para seguir nas asas das canções. “Às vezes realistas, outras oníricas, e tantas vezes também enganadoras, a exemplo de muitos de seus compositores e cantores . Que o diga Nana Caymmi, a filha de seu Dorival, como o diabo gosta, na entrevista à Folha, a propósito do lançamento de seu novo disco, com canções de Tito Madi.    

Recordo também que,  em 1967, Jerusalém (a cidade legendária que reúne em cultos judeus, católicos e muçulmanos) foi ocupada por Israel, durante a Guerra dos Seis Dias, que abalaria o mundo. Daí nasceu o Estatuto de Jerusalém, uma das questões mais polêmicas e espinhosas do embate Israel x Palestina, até hoje. Isso ficou patente nos fatos e impactos produzidos na viagem de Bolsonaro e nos seus encontros com Netanyahu. Encerrados  no dia 3 de abril, mas com pólvora para queimar durante muito tempo.

A conferir nos capítulos seguintes do folhetim sobre este “noivado”, cujo dote de “casamento”  – depois da anunciada criação de um escritório de negócios do Brasil  na Cidade Santa -, deverá ser a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Um dos próximos e decisivos capítulos deste romance, aliás, está marcado para 9 de abril.
A visita coincidiu com o auge da campanha eleitoral israelense , cujas eleições gerais acontecem na próxima terça-feira.  Há risco (mesmo reduzido)  da não reeleição e permanência de Netanyahu no comando de sua nação. A partir do que sair das urnas, portanto, se poderá saber se o romance avança ou vira mais um motivo de frustração a ser curtido no muro dos lamentos.  

Seja como for, ficam imagens expressivas: o rompimento de larga tradição diplomática, patente diante da presença do presidente do Brasil no Muro das Lamentações, ineditamente acompanhado do primeiro-ministro israelense. Usando kipá (gorro tradicional dos judeus), mãos sobre as antigas pedras sagradas, com a cabeça inclinada durante vários segundos. Um aceno e tanto também aos evangélicos no Brasil, decisivos em sua eleição e considerados essenciais na hora das reformas, em face da forte representação parlamentar que têm no Congresso. Sem falar no encontro com empresários, na medalha de honra do País, entregue aos bombeiros israelenses, e ao governo deles, solidários na hora dolorosa da tragédia de Brumadinho.   Shalon!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:  vitors.h@uol.com.br  

“Carinho e Amor”, Nana Caymmi: um samba de Tito Madi para começar o sábado no Bahia em Pauta, chegar até a alma e mexer com todos os sentimentos. Carinho e Amor acima de nós e a voz de Nana acima de tudo.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

 

Presidente sinaliza que deve demitir ministro da Educação, que em evento em São Paulo descarta entregar o cargo. Se confirmada a demissão, será o segundo ministro a cair em menos de 100 dias de Governo

 O ministro da Educação, Ricardo Vélez.
Ministro da Educação, Ricardo Vélez. AMANDA PEROBELLI REUTERS
Heloísa Mendonça

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que pode demitir o ministro da educação, o colombiano Ricardo Vélez, na próxima segunda-feira, 8 de abril. Em raro encontro com jornalistas em Brasília, o capitão da reserva reconheceu que a condução da pasta “não está dando certo”. “Ele é bacana e honesto, mas está faltando gestão, que é coisa importantíssima”, disse Bolsonaro. O presidente deixou, no entanto, o afastamento definitivo do ministro no ar: “Tira a aliança da mão direita e põe na esquerda ou põe na gaveta. Vamos supor que seja a saída dele. Segunda é o dia do fico ou não fico”.

A afirmação de Bolsonaro vem dias após ele afirmar que a demissão de Vélez, antecipada pela colunista da TV Globo Eliane Cantanhênde, era “fake news”. “Sofro fake news diárias como esse caso da ‘demissão’ do Ministro Vélez. A mídia cria narrativas de que NÃO GOVERNO, SOU ATRAPALHADO, etc”, escreveu em sua conta no Twitter.

O ministro, que participa de evento com empresários em Campos de Jordão, no Estado de São Paulo, reagiu. “Eu, pessoalmente, não tenho notícia disso. Pergunta a quem é de direito, quem falou isso. Eu pretendo participar do fórum [do grupo Lide] e não vou entregar o cargo”, afirmou. Vélez já passava por um processo de fritura no Governo após entrar em atrito com a ala militar e também com o guru ideológico de Bolsonaro, o filósofo Olavo Carvalho, responsável por indica-lo para a pasta. Caso se confirme sua demissão ele será o segundo ministro a ser sacado pelo Planalto em menos de 100 dias – em fevereiro Gustavo Bebianno, então responsável pela Secretaria de Governo, foi demitido após entrar em atritos com os filhos do presidente.

A polêmica mais recente do colombiano foi uma afirmação de que os livros didáticos de história usados nas escolas poderiam ser revistos no sentido de tratar o golpe de 1964, que instaurou a ditadura militar no país, como um “movimento da sociedade“. Ao jornal Valor Econômico ele afirmou que “não houve golpe em 31 de março de 1964 nem o regime que o sucedeu foi uma ditadura”. A fala de Vélez não encontra respaldo na historiografia, e contraria diversos pareceres oficiais que vão no sentido contrário. “A história brasileira mostra que o 31 de março de 1964 foi uma decisão soberana da sociedade brasileira. Quem colocou o presidente Castelo Branco no poder não foram os quartéis”, disse.

Para os militares, que se opuseram até mesmo à decisão de Bolsonaro de incentivar celebrações da data nos quartéis, a fala de Vélez provoca desgaste desnecessário e tira o foco das prioridades do Governo, como a Reforma da Previdência. Alguns apontaram que foi uma tentativa frustrada do ministro de se aproximar do núcleo verde-oliva do Governo.

Antes deste episódio, no entanto, Vélez já enfrentava dificuldade no comando da pasta com uma série de decisões polêmicas. Em fevereiro ele enviou circular para as escolas pedindo que os alunos fossem filmados cantando o hino e entoando o slogan de campanha de Bolsonaro. A medida é ilegal, uma vez que envolve o direito de imagem de milhares de crianças menores de 18 anos. Dias depois, no início de março, uma série de exonerações deixou o ministério acéfalo e mergulhado em disputas internas, com importantes quadros como a secretária de Educação Básica, Tania Leme, pedindo demissão. A criação de uma subpasta da alfabetização, considerada um ponto prioritário para o ministro, também foi alvo de críticas por parte de integrantes da pasta.

abr
06
Posted on 06-04-2019
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Cultura

O suicídio do homem que liderou a última revolução do rock completa 25 anos. A reconstrução do final de sua vida ajuda a conhecer o mito

Pouca gente se lembra de como Kurt Cobain era pequeno. Seu aspecto doentio, magricela e pálido transcendeu-se, graças à magnitude de sua voz, como uma figura mitológica. Desde seu suicídio, que nesta sexta-feira completou 25 anos, o mundo continua tratando de encontrar um relato que dê sentido aos dias anteriores àquele 5 de abril em que a música (mais uma vez) morreu. Mas o suicídio de Kurt Cobain, aos 27 anos, se recusa a oferecer uma explicação que console a massa de fãs.

Os astros do pop superlativos (Elvis Presley, Bob Dylan, Madonna) o são porque o público os percebe como criaturas enviadas por uma força superior para libertar o povo de suas ansiedades. A Geração X, composta por filhos de pais divorciados e furiosa ao comprovar que tinham lhe exigido uma formação acadêmica sob a promessa de um futuro que não existia, encontrou em Cobain o seu messias e porta-voz. Seu álbum Nevermind vendeu 30 milhões de exemplares, e a contracultura foi devorada pelo sistema.

“Tenho uma dor crônica incurável no estômago, e durante cinco anos quis me suicidar todos os dias. Estive a ponto de fazê-lo várias vezes”, contou o cantor à ‘Rolling Stone’

Cobain odiava ser tão popular. Repugnava-lhe que sua autenticidade, sua cólera e sua poesia tivessem virado um produto de consumo de massa. Tanto que deu um tiro no próprio rosto. Essa é, pelo menos, a versão canônica da lenda, que além disso se encaixa com sua imagem subversiva: na mítica capa da revista Rolling Stone, vestia uma camiseta que dizia: “As revistas corporativas continuam sendo uma merda”. Mas o fato é que Kurt Cobain estava obcecado em ser um rock star.

Foi atrás de todas as gravadoras multinacionais para que lançassem Nevermind, permitiu que a Geffen Records remixasse Smells Like Teen Spirit (de um ponto de vista melódico, uma canção pop) para que seu som fosse atraente para as rádios, e ligava compulsivamente para os diretores da MTV (uma corporação que ele, obviamente, desprezava nas entrevistas) porque considerava que não exibiam seus clipes suficientemente. Seu professor de violão recorda que Cobain estudava muito mais horas e muito mais a sério do que depois admitiria, quando se apresentou ao mundo como um músico que simplesmente “fazia o que lhe vinha”.

Sua mulher, Courtney Love, corrobora essa obsessão pelo sucesso: “Existe o mito de que Kurt não queria triunfar. Nem fodendo. Ele ralou para formar a banda adequada e adorou tirar o número um do Michael Jackson, mas nunca foi capaz de desfrutar disso, porque esse circo nos privou da nossa filha”. Não, Cobain não se suicidou por culpa da fama. Suicidou-se por motivos muito mais mundanos.

Courtney Love: “Existe o mito de que Kurt não queria triunfar. Nem fodendo. Ele ralou para formar a banda adequada e adorou tirar o número um do Michael Jackson”

Uma reportagem da Vanity Fair sobre Love havia afirmado que ela consumiu heroína durante sua gravidez (o que Love admitiria anos depois que era verdade). Os serviços sociais lhes retiraram a custódia da menina Frances, e Cobain ameaçou à gravadora que deixaria o Nirvana se a empresa não a ajudasse a recuperar a filha. O caráter polêmico de Love tampouco foi o que o afastou do Nirvana: ele estava cansado do grupo, só queria trabalhar com Michael Stipe, do R.E.M., e nunca ficou satisfeito com o som de In Utero. “Odeio tocar com eles”, teria dito Cobain a Love em uma das suas últimas conversas, segundo relato dela à MTV.

Quando Cobain tinha sete anos, médicos lhe receitaram Ritalina, um medicamento para o transtorno do déficit de atenção, e ele disse que desde então nunca mais deixou de usar drogas de uma forma ou de outra. Em sua carta de suicídio, admitiu que odiava todos os seres humanos desde os sete anos. Na adolescência aprendeu a “ter orgulho de ser gay”, apesar de não sê-lo, porque se sentia sufocado na cultura supermasculina de seu povoado, Aberdeen, no Estado de Washington (18.000 habitantes quando o músico nasceu, em 1967). Na adolescência, decidiu perder a virgindade (a última coisa que queria fazer antes de morrer) e se suicidar atirando-se na frente de um trem, mas não conseguiu seu objetivo.

Kurt Cobain levantado pelo público em um show do Nirvana. Foi em 1991, na Alemanha.
Kurt Cobain levantado pelo público em um show do Nirvana. Foi em 1991, na Alemanha. Foto: Getty
 

Embora a lenda diga que Courtney Love o empurrou para uma espiral de drogas, Cobain começou a se injetar heroína dois anos antes de se casar e ter uma filha com ela, em agosto de 1992. “Tenho uma dor crônica incurável no estômago, e durante cinco anos quis me suicidar todos os dias. Estive a ponto de fazê-lo várias vezes”, contou à Rolling Stone. “Chegou um ponto em que estava numa turnê, jogado no chão, vomitando ar porque não conseguia nem ingerir água. Saía para cantar e depois vomitava sangue. Isso não era vida, então decidi me automedicar”, acrescentou. A única coisa que aliviava sua dor de estômago era a heroína, que ele dizia ter largado, mas que na verdade nunca deixou de consumir desde 1990 até minutos antes de morrer.

Em maio de 1993, semanas depois de recuperar a custódia de Frances, Cobain sofreu uma overdose diante de sua mulher, sua irmã e sua mãe. Courtney Love lhe injetou buprenorfina (um fármaco opioide para o tratamento do vício) e lhe deu um Valium, três comprimidos do Benadryl (anti-histamínico) e quatro do analgésico Tylenol com codeína para reanimá-lo. Dois meses depois, Cobain voltou a sofrer uma overdose no banheiro de seu quarto de hotel em Nova York. Naquela mesma noite cantou no Roseland Ballroom. Enquanto Love paria, seu marido vomitava no quarto ao lado, tentando se desintoxicar.

Cobain aceitou se internar em 31 de março na clínica de desintoxicação Exodus, de Los Angeles, diante da ameaça de não voltar a ver sua filha. Dois dias depois, saiu para fumar no jardim, saltou a cerca de quase dois metros e fugiu

Durante a última turnê do Nirvana, no começo de 1994, discutiu com Love (conforme ela própria relatou, porque Cobain era tão sensível que adivinhou suas intenções de traí-lo, segundo os rumores, com o líder do Smashing Pumpkins, Billy Corgan), escreveu uma nota de suicídio e ingeriu 67 pastilhas do sonífero Rohipnol. “Não vai se livrar de mim tão facilmente”, disse Love. “Vou lhe seguir até o inferno.” Após 20 horas em coma, ele cancelou a turnê e voltou a Seattle.

Em 31 de março, Cobain aceitou se internar na clínica de desintoxicação Exodus, em Los Angeles, diante da ameaça de não voltar a ver sua filha. Dois dias depois, saiu para fumar no jardim, pulou a cerca de quase dois metros e ninguém voltou a vê-lo. Em 3 de abril, foi declarado oficialmente como uma pessoa desaparecida, e Love, do hotel Peninsula (que anos depois voltaria a ser notícia como cenário das agressões sexuais de Harvey Weinstein), contratou um detetive particular. As portas do Exodus, aliás, não estavam fechadas. Kurt Cobain preferiu pular a cerca.

Seus últimos dias estão cercados de rumores: que o baixista do Nirvana, Krist Novoselic, tentou detê-lo no aeroporto, e que Cobain lhe deu um soco; que ele percorreu Seattle em táxis homenageando Morte em Veneza; que foi visto apontando águias como um ícone americano; que contratou prostitutas; que pediu a absolvição a um padre. Mas o único que está confirmado é que em seu último voo seu assento estava ao lado do de Duff McKagan, baixista do Guns N’Roses, que eles consumiram heroína juntos e prometeram que aquela seria a última dose. Depois, Cobain comprou mais droga e se trancou na habitação 226 do motel Marco Polo, registrando-se como Bill Bailey (o verdadeiro nome de Axl Rose), para se drogar durante horas.

Em 4 de abril, comeu um pudim de pão no restaurante Cactus, lambeu o prato, seu cartão foi recusado e adormeceu enquanto assinava um cheque. Depois, entrou no cinema para ver ‘O Piano’

Em 4 de abril, comeu um pudim de pão no restaurante Cactus, lambeu o prato, teve seu cartão recusado na hora de pagar (Courtney Love o cancelara) e adormeceu enquanto assinava um cheque. Depois de pagar, entrou no cinema para ver O Piano, o filme de Jane Campion que tinha ganhado três Oscars duas semanas antes. Em seguida, se entrincheirou na estufa de plantas da sua casa em Seattle.

“Courtney já vivia comigo quando comprei as armas”, contou Cobain em 1993. “Não sou uma pessoa muito física, não seria capaz de deter um intruso se ele vier com uma pistola ou uma faca. Mas não vou ficar lá olhando minha família ser apunhalada até a morte ou estuprada diante de mim. Não pensaria duas vezes antes de estourar a cabeça de alguém que fizesse isso. É por proteção.”

Em 5 de abril de 1994, Kurt Cobain se injetou uma dose tripla de heroína, pegou uma dessas armas (uma escopeta Remington calibre 22), colocou-a entre suas pernas apontando para o queixo e disparou. Um eletricista encontrou o cadáver três dias depois, junto a várias latas de cerveja, duas toalhas estendidas no chão, sua carteira com o documento aparecendo para que fosse identificado e uma carta de suicídio atravessada por uma caneta. Sua irmã e sua mãe ficaram sabendo pelo rádio. Love deu uma entrevista à MTV no dia seguinte.

Naquela carta de despedida, Cobain confessou que já não sentia entusiasmo algum pela música e não era capaz de entender o porquê. Morreu sem estar consciente da depressão que arrastava desde os sete anos, nunca diagnosticada ou tratada, e só rentabilizada como uma apatia vital crônica que devolveu as vísceras ao rock, impregnou a Geração X até os ossos e levou a Calvin Klein a adotar a estética grunge em suas peças.

Frances Bean Cobain e sua mãe, Courtney Love, em Los Angeles na estreia do documentário para HBO 'Kurt Cobain: Montage Of Heck'. Foi em 21 de abril de 2015.
Frances Bean Cobain e sua mãe, Courtney Love, em Los Angeles na estreia do documentário para HBO ‘Kurt Cobain: Montage Of Heck’. Foi em 21 de abril de 2015. Foto: Getty
 Mas sua autodestruição não era uma pose, nem imagem de marca, e sim a aflição de alguém doente da cabeça, do estômago e do vício. O último astro do rock, em seu derradeiro escrito, expressou seu horror frente à ideia de que Frances acabasse “transformada em uma roqueira miserável, autodestrutiva e morta como eu”. “Sua vida será mais feliz sem mim. Frances me recorda o que eu fui: cheia de amor e alegria, beijando todas as pessoas que conhece porque são boas e não vão lhe fazer mal. Amo muito as pessoas, tanto que me deixa triste, e não sou capaz de superar a frustração, a culpabilidade e a empatia que sinto por todo mundo”. De certo modo, e segundo sua forma de ver a vida, efetivamente tinha utilizado essas armas para proteger sua família. Cobain dirigiu a carta a Boodah, seu amigo imaginário da infância.

Hoje, quando se pode comprar um boneco de Kurt Cobain vestido como no clipe de Smells Like Teen Spirit, a escassa discografia do Nirvana é como um texto sagrado. Seus últimos dias são idealizados como um calvário religioso. E as drogas que o mataram são romantizadas a meio caminho entre a poesia e a vergonha.

Mas, lendas aparte, Cobain era um tipo insustentavelmente sensível (manifestou-se contra o machismo, o racismo e a homofobia, apesar das críticas de muitos de seus fãs), brincalhão e humilde, que, sem odiar a si mesmo, não se dava importância alguma. Mas acabou tendo-a.

abr
06
Posted on 06-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-04-2019

Do Jornal do Brasil

 

Presidente minimiza o confronto, apesar das sucessivas críticas de Olavo ao titular da Secretaria de Governo, general Santos Cruz

  O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (5), que não há uma disputa entre a ala militar do governo e o grupo do escritor Olavo de Carvalho. Ao lado do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro, Bolsonaro minimizou o confronto, apesar das sucessivas críticas de Olavo ao titular da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, e ao vice-presidente Hamilton Mourão.
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Presidente da República, Jair Bolsonaro durante café da Manhã com Jornalistas (Foto: Marcos Corrêa/PR)

“Não existem ‘olavetes’ contra militares”, afirmou Bolsonaro, em café da manhã com diretores de jornais e repórteres de TV, no Palácio do Planalto. O jornal O Estado de S. Paulo participou do encontro.

Em reportagem publicada nesta semana, o Estado mostrou que o embate com o grupo de Olavo ocorre em várias áreas do governo, como a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), além do Ministério da Educação. “Agora (dizem que) militares querem a Apex e a Secom. Isso não existe”, insistiu Bolsonaro.

Para o general Heleno, não existe nem mesmo uma “ala militar” do governo. “Querem criar dissenso. É uma invenção, fofoquinha”, observou o general.

Guru ideológico de Bolsonaro, Olavo de Carvalho tenta ampliar sua influência na Esplanada e, nos últimos dias, postou várias críticas a Santos Cruz nas redes sociais. “O Santos Cruz e similares chamarão de extremista qualquer um que permaneça fiel aos ideais e valores da campanha que elegeu Bolsonaro. Essa gente está no governo para impedir que o presidente cumpra suas promessas de campanha”, escreveu ele, recentemente.

Em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, na Globonews, Santos Cruz classificou Olavo como “personalidade histérica”. Ao Estado o escritor afirmou que o general tem “invejinha pueril” e, além disso, “não sabe de onde veio nem para onde vai”.

Do Jornal do Brasil

 

Após a sinalização do presidente Jair Bolsonaro (PSL) dada nesta sexta-feira, 5, de que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, pode ser demitido na segunda-feira, o escritor Olavo de Carvalho, que é influente no governo, disse em seu perfil no Facebook que não irá lamentar a suposta demissão do ministro.

“Conheci o Prof. Vélez por seus livros sobre a história do pensamento brasileiro, publicados mais de vinte anos atrás. Nunca tomei conhecimento das suas obscenas tucanadas e clintonadas, que teriam me prevenido contra seu comportamento traiçoeiro”, escreveu Olavo, para então concluir: “Não vou fazer nada contra ele, mas garanto que não vou lamentar se o botarem para fora do ministério”.

A publicação de Olavo é mais um revés para o ministro Vélez, que assiste a pedidos de demissão sucessivos na pasta, além de um permanente conflito entre alas militaristas, técnicas e olavistas dentro do MEC. Em março, Olavo já havia feito publicações contra o ministro, inclusive atacando-o com palavrões. O ministro, no entanto, foi levado ao cargo no começo do ano justamente por indicação do escritor, de quem se distanciou ao demitir funcionários próximos a Olavo, considerado um “guru” do governo Bolsonaro.

Nesta sexta-feira, em café da manhã com jornalistas, Bolsonaro disse que Vélez “não está dando certo” como comandante do MEC. “É uma pessoa bacana, honesta, mas está faltando gestão, que é uma coisa importantíssima”, disse o presidente, marcando para a próxima segunda-feira, 8, a decisão sobre a “situação da Educação”.

abr
06
Posted on 06-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-04-2019



 

 Aroeira, no portal da web

 

DO CORREIO24hORAS
Enterro aconteceu às 16h na Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa de Quintas

“Me puseste uma brasa no peito e uma flecha na alma/ é difícil agora viver sem lembrar-me de ti…”, foi cantando os versos de ‘Te Amarei, Senhor’, um dos sucessos de padre Zezinho, que 20 representantes do clero entraram na igreja para celebrar a missa de corpo presente de padre Pinto, em São Caetano, na tarde desta sexta-feira (5). O enterro foi logo depois, na Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa de Quintas.

Alguns minutos antes da cerimônia começar, um temporal ameaçava cair sobre o bairro, mas, mesmo assim, a Paróquia São Caetano da Divina Providência ficou lotada. A missa foi presidida pelo bispo auxiliar Dom Marco Eugênio Galrão, que destacou a morte como uma passagem para a vida eterna. O padre José de Souza Pinto, 72 anos, morreu nesta quinta-feira (4). 

Fiéis lotaram a igreja para se despedir do padre (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

A prima e madrinha de padre Pinto assistiu à missa e contou que desde a adolescência ele demonstrava interesse pela religião. Ele começou a rezar o terço durante as novenas na casa dos vizinhos, influenciado pela mãe, que também era religiosa.

“Ele era uma pessoa maravilhosa. Sempre foi muito generoso, culto e gostava de ajudar as pessoas. Uma vez meu sobrinho perguntou por que ele quis ser padre e ele respondeu e disse que nasceu para isso”, afirmou a mulher, uma senhora idosa que, com um terço nas mãos, pediu para não ser identificada.

Ela contou que esteve com padre Pinto no dia 23 de março, data do aniversário dele, e que o religioso estava bem. “Ele estava alegre, como sempre. Conversamos bastante e ele parecia realmente estar bem”.

Segundo ela, o padre sofreu uma queda essa semana e a pancada na cabeça provocou uma hemorragia que o levou a óbito. Pinto era filho único de uma dona de casa e um funcionário da Petrobrás, e não tinha outros parentes próximos.

Padre Pinto era conhecido pela alegria de viver (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

A Arquidiocese de Salvador informou, em nota, que o padre vinha apresentando um quadro de saúde fragilizado, devido à situação cardiológica, hipertensa, e pelo quadro de transtorno bipolar. Ele teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em novembro do ano passado. A igreja disse também que ele manteve sempre um acompanhamento regular seja do quadro clínico, seja do quadro psiquiátrico.

“Porém, com o passar dos anos o seu quadro de saúde foi se debilitando e oscilando entre períodos de estabilidades e momentos de alterações, mais precisamente no último ano, este quadro de oscilação se apresentou com mais frequência, sempre com devido acompanhamento. Na última semana a situação se agravou bastante e depois de ser internado na quarta feira veio a óbito na tarde de ontem (4)”.

A cerimônia desta sexta foi marcada por muitos abraços, lágrimas e palavras de conforto. O caixão foi posto no centro da igreja, aberto na frente do altar, e deu origem a um vai e vem dos fiéis que queriam dar o último adeus ao religioso.

Para facilitar a movimentação, as três portas que dão acesso ao templo, duas na lateral e uma na frente da igreja, ficaram abertas para receber o público. Pela primeira vez, o padre que era conhecido pelos sermões bem humorados, a criatividade e irreverência, fez os fiéis chorarem.

Antônia Lima, 67 anos, frequenta a paróquia da Lapinha, onde padre Pinto foi pároco por mais de 30 anos, há mais de 10 anos e lembra com saudade das cerimônias presidida pelo religioso. “Ele tinha um jeito diferente dos outros padres de rezar a missa. Era mais alegre, mais brincalhão, mas sempre falando da palavra. A igreja sempre ficava lotada”, contou.

Cemitério ficou pequeno para a despedida (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

A celebração desta sexta não tinha as cores que o padre Pinto tanto adorava nem fugiu ao tradicionalismo que ele tentava colorir, mas quem o conhecia garantiu que ele ficaria feliz. “Ele era um homem muito generoso. Tenho certeza de que está feliz”, contou a dona de casa Alcinda Souza, 55 anos.

O corpo deixou a igreja por volta das 15h, e seguiu para o sepultamento no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Baixa de Quintas. Foram necessários dois ônibus para levar os fiéis até o local.

A capela do cemitério ficou pequena para a quantidade de público, e muitas pessoas assistiram ao final das homenagens do lado de fora. O caixão foi retirado do carro da funerária sob aplausos e levado para o interior da capela onde cânticos e orações encerraram as homenagens para o padre. Eram tantos fiéis que foi preciso organizar uma fila. O corpo foi sepultado por volta das 16h30, sob aplausos.

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